Onde colocar a etiqueta do frasco de hemocultura? Forma correta, informações e cuidados de enfermagem

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A coleta de hemocultura é um procedimento muito importante para identificar microrganismos presentes na corrente sanguínea e auxiliar no diagnóstico de infecções, como bacteremia e sepse. Porém, não basta coletar o sangue corretamente. A identificação do frasco também faz parte da segurança do exame.

Ao longo da minha trajetória na enfermagem, já vi mais de uma vez uma coleta perfeitamente executada perder valor porque a etiqueta foi colada no lugar errado — cobrindo o código de barras ou a validade do frasco. O resultado quase sempre é o mesmo: uma ligação do laboratório pedindo esclarecimento, ou, em casos mais graves, a necessidade de repetir toda a coleta. É um detalhe pequeno, mas que pode gerar bastante dor de cabeça — tanto para a equipe quanto para o paciente, que precisa ser puncionado novamente.

Um frasco corretamente coletado, mas identificado de maneira inadequada, pode gerar dúvidas sobre a origem da amostra, dificultar a interpretação do resultado e até levar à necessidade de uma nova coleta. Uma das dúvidas mais comuns entre estudantes e profissionais de enfermagem é justamente esta: onde colocar a etiqueta no frasco de hemocultura?

A resposta é simples, mas existe um detalhe que faz toda a diferença: a etiqueta deve ser colocada no corpo do frasco, sem cobrir o código de barras, a identificação original do fabricante ou a validade do produto, e nunca na tampa ou no fundo do frasco.

As orientações específicas podem variar de acordo com o fabricante e o protocolo do laboratório ou da instituição. Por isso, sempre deve ser seguido o POP institucional quando houver alguma orientação diferente.

O que é a hemocultura?

A hemocultura é um exame microbiológico realizado a partir de uma amostra de sangue para pesquisar a presença de microrganismos na corrente sanguínea. É particularmente importante na investigação de suspeita de bacteremia, fungemia, sepse e outras infecções sistêmicas.

O resultado pode auxiliar na identificação do agente causador e, posteriormente, na definição do tratamento antimicrobiano mais adequado. Mas existe um ponto importante: a qualidade da hemocultura começa antes de o sangue chegar ao laboratório.

A escolha do local de coleta, a higienização das mãos, a antissepsia da pele, a desinfecção da tampa do frasco, o volume coletado, a identificação e o transporte são etapas que interferem diretamente na qualidade do exame. A própria Anvisa destaca que a antissepsia adequada da pele é um dos fatores fundamentais para reduzir a possibilidade de uma hemocultura positiva ser interpretada como contaminação.

Onde colocar a etiqueta do frasco de hemocultura?

A etiqueta deve ser colocada na lateral/corpo do frasco, em uma área que não prejudique as informações originais do fabricante.

O princípio é:

ETIQUETA NO CORPO DO FRASCO.

Não se deve colocar a etiqueta:

  • sobre o código de barras;
  • sobre a data de validade;
  • sobre informações importantes do fabricante;
  • na tampa;
  • no fundo do frasco.

Manuais de microbiologia do Ministério da Saúde orientam que a identificação seja colocada no frasco de coleta e nunca na tampa ou sobre os rótulos originais. Protocolos hospitalares mais recentes também reforçam que a etiqueta não deve cobrir o código de barras do frasco.

Por que não colocar a etiqueta sobre o código de barras?

O código de barras faz parte da identificação e rastreabilidade do frasco. Dependendo do sistema utilizado pelo laboratório, ele pode ser necessário para leitura automatizada, identificação do recipiente e processamento da amostra. Se a etiqueta do paciente for colocada por cima, o código pode ficar ilegível ou oculto.

Por isso, uma regra prática para memorizar é:

Nunca cubra o código de barras do frasco de hemocultura.

Também é importante não cobrir a data de validade. Alguns serviços utilizam etiquetas próprias que já possuem dimensões e posicionamento definidos. Nesses casos, deve-se seguir o padrão estabelecido pelo laboratório.

E se o frasco já tiver uma etiqueta do fabricante?

Essa é uma situação que exige atenção. O frasco de hemocultura possui informações próprias do fabricante, como código de barras, lote, validade e identificação do meio de cultura. A identificação do paciente não deve simplesmente apagar ou esconder essas informações. O manual de microbiologia do Ministério da Saúde reforça que a identificação deve ser feita no frasco e que não se deve colocar a identificação sobre rótulos ou na tampa.

Portanto, antes de colar a etiqueta, procure a área adequada do frasco indicada pelo protocolo institucional ou pelo fabricante.

O que deve conter na etiqueta?

As informações podem variar de acordo com o sistema de identificação utilizado pelo serviço, mas a identificação precisa permitir que a amostra seja relacionada de forma inequívoca ao paciente e à coleta. Nas orientações da Anvisa para coleta de hemocultura, são citados como dados de identificação:

nome do paciente, leito, data, hora e local de coleta (sítio anatômico).

Na prática, o protocolo institucional pode exigir também outros identificadores, como número do prontuário, registro hospitalar ou código da amostra. Uma etiqueta adequadamente identificada pode conter, conforme o padrão do serviço:

  • Nome completo do paciente
  • Número do prontuário/registro
  • Data da coleta
  • Horário da coleta
  • Local ou sítio anatômico da coleta
  • Identificação da amostra ou sequência da coleta, quando exigida

O importante é que o profissional não improvise os dados. A instituição deve possuir um padrão de identificação.

A data e o horário da coleta são importantes?

Sim, e o horário merece bastante atenção. O momento em que a amostra foi coletada é uma informação importante para o laboratório e para a equipe assistencial.

Além de fazer parte da rastreabilidade da amostra, o horário pode ser relevante para a interpretação clínica, principalmente quando são coletadas várias amostras ou quando o paciente já recebeu antimicrobianos. Por isso, a etiqueta deve registrar o horário real da coleta, conforme o padrão institucional.

Não é adequado preencher posteriormente “de memória”.

Precisa colocar o local da coleta?

Sim. O sítio anatômico da coleta é uma informação muito importante, principalmente quando são obtidas amostras de locais diferentes. Por exemplo:

1ª amostra – veia periférica direita

2ª amostra – veia periférica esquerda

Quando existe suspeita de infecção relacionada a cateter, a identificação do local torna-se ainda mais importante. Um protocolo do Hospital Universitário Walter Cantídio/Ebserh orienta que, quando houver coleta pelo cateter para investigação de infecção relacionada ao dispositivo, essa amostra seja acompanhada por uma ou duas amostras periféricas e que os frascos sejam corretamente identificados quanto ao local de punção.

Portanto, simplesmente escrever “hemocultura 1” e “hemocultura 2” pode não ser suficiente quando o protocolo exige a identificação do sítio.

Como identificar duas ou mais amostras?

Quando são coletados diferentes conjuntos de hemocultura, é importante diferenciá-los conforme o protocolo do serviço. Uma identificação pode seguir um padrão como:

1ª coleta – periférica – MSD – 08:30

2ª coleta – periférica – MSE – 08:35

O exemplo acima é apenas ilustrativo. O padrão oficial deve ser aquele adotado pela instituição. Alguns laboratórios utilizam códigos específicos, como HEMC1, HEMC2, HEMC3 e HEMC4, para identificar a sequência das amostras.

E se forem coletados frascos aeróbio e anaeróbio?

Quando uma coleta compreende um conjunto de frascos aeróbio e anaeróbio, ambos precisam estar corretamente associados àquela coleta. O importante é não criar uma identificação que permita confundir os frascos entre diferentes punções. Por exemplo, se forem realizados dois conjuntos de hemocultura, deve ser possível identificar quais frascos pertencem à primeira coleta e quais pertencem à segunda.

Isso é particularmente importante quando diferentes sítios anatômicos são utilizados.

Posso escrever diretamente no frasco?

Isso depende do protocolo e do fabricante. Algumas instituições utilizam etiquetas próprias; outras podem determinar o uso de caneta específica em determinadas situações. Por isso, não existe uma recomendação universal para simplesmente escrever qualquer informação diretamente no frasco. A orientação mais segura é utilizar o sistema de identificação padronizado pela instituição.

O mais importante é que a identificação seja legível, completa e não prejudique as informações originais do frasco.

Posso colocar a etiqueta na tampa?

Não. Essa é uma das informações mais importantes para memorizar. A tampa do frasco é utilizada durante o procedimento de coleta e possui uma superfície que precisa ser submetida à desinfecção. Além disso, a identificação na tampa pode ser perdida ou dificultar a identificação adequada da amostra. As orientações do Ministério da Saúde estabelecem que a identificação seja feita no frasco e não na tampa.

Portanto:

Etiqueta no corpo do frasco.

Nunca na tampa.

Posso colocar a etiqueta no fundo do frasco?

Também não. Além de dificultar a leitura e a identificação, o fundo do recipiente não é o local recomendado para a identificação. Há serviços laboratoriais que especificam expressamente que não deve haver etiqueta ou anotação no fundo do frasco.

Posso cobrir a data de validade?

Não. A validade do frasco precisa permanecer visível.  Antes da coleta, o profissional deve conferir se o frasco está dentro da validade e em condições adequadas para utilização. Depois da identificação, essa informação deve continuar acessível. Alguns serviços inclusive orientam expressamente que a etiqueta seja posicionada de forma que não cubra a data de validade.

Posso cobrir o código de barras?

Não. Essa é provavelmente a regra mais importante relacionada ao posicionamento da etiqueta. O código de barras deve permanecer livre e legível. Uma forma simples de lembrar é:

  • Não cubra o código de barras.
  • Não cubra a validade.
  • Não cubra as informações originais importantes.

O que fazer antes de coletar a hemocultura?

A identificação deve fazer parte do preparo do procedimento. O profissional deve conferir a identificação do paciente e preparar os frascos conforme o protocolo. A Anvisa recomenda que, antes da coleta, o profissional prepare o material e disponha a etiqueta de identificação no frasco com os dados necessários, incluindo paciente, leito, data, hora e local de coleta.

Isso ajuda a reduzir o risco de trocar frascos ou tentar identificar a amostra posteriormente.

Identificar antes ou depois de coletar?

A orientação deve seguir o protocolo institucional, mas há protocolos que recomendam deixar os frascos identificados antes da coleta. Essa prática reduz o risco de manipulação posterior e de troca entre amostras. Um protocolo da Ebserh orienta explicitamente preparar o material e dispor a etiqueta de identificação no frasco antes de iniciar as demais etapas da coleta. Independentemente do momento adotado pelo serviço, existe um princípio que não deve ser esquecido:

a identificação deve ser realizada de forma segura e imediatamente relacionada à coleta correta.

A identificação do paciente deve ser conferida?

Sim. A identificação correta do paciente é uma das principais barreiras contra erros. O profissional deve utilizar os identificadores definidos pela instituição e conferir o paciente antes da coleta. Quando possível, a confirmação deve ser realizada de forma ativa, solicitando que o próprio paciente informe seus dados, em vez de simplesmente perguntar “Você é fulano?”.

Em pacientes impossibilitados de responder, devem ser utilizados os métodos institucionais de identificação.

Por que uma etiqueta errada pode comprometer o exame?

Já presenciei situações em que dois conjuntos de hemocultura foram coletados de pacientes diferentes no mesmo plantão, e a ausência de uma identificação clara do horário e do sítio de coleta gerou dúvida na hora de correlacionar os resultados com a evolução clínica de cada paciente.

Esse tipo de situação reforça por que a identificação não pode ser tratada como uma etapa “automática” — ela exige a mesma atenção que a técnica de coleta em si. O laboratório pode processar uma amostra perfeitamente, mas o resultado será associado ao paciente errado. Isso pode levar a decisões clínicas inadequadas. Outro problema é a ausência do sítio de coleta. Quando o laboratório identifica crescimento bacteriano, saber se a amostra veio de uma punção periférica ou de um cateter pode ter importância na interpretação clínica.

Por isso, identificar corretamente é parte da qualidade da hemocultura, e não apenas uma etapa burocrática.

Hemocultura e risco de contaminação

Uma das maiores preocupações durante a coleta é a contaminação da amostra. Uma hemocultura contaminada pode apresentar crescimento de microrganismos que não estavam realmente presentes na corrente sanguínea do paciente. Isso pode resultar em investigação adicional, prolongamento da internação e uso desnecessário de antimicrobianos. A Anvisa destaca que a antissepsia da pele é fundamental para reduzir a contaminação da hemocultura.

Por isso, a identificação correta precisa caminhar junto com uma técnica de coleta adequada.

Cuidados de enfermagem na coleta de hemocultura

Na minha rotina, sempre confiro a etiqueta antes de sair do posto de enfermagem em direção ao leito — nunca deixo esse passo para depois da punção. Esse pequeno hábito evita que, em meio à correria do plantão, a identificação seja feita “de memória” ou de forma apressada.

A enfermagem deve seguir rigorosamente o protocolo institucional:

Higienização das mãos

Realizar higiene das mãos antes do procedimento e conforme as etapas necessárias. A higiene das mãos é uma das medidas fundamentais para prevenção de infecções relacionadas à assistência.

Conferência do paciente

Confirmar corretamente a identidade do paciente utilizando os identificadores estabelecidos pelo serviço.

Conferência dos frascos

Antes da coleta, verificar:

  • validade;
  • integridade;
  • tipo de frasco;
  • condições do recipiente;
  • código de barras;
  • informações do fabricante.

Identificação dos frascos

Identificar corretamente os frascos antes ou conforme o momento estabelecido pelo protocolo. A etiqueta deve permanecer no corpo do frasco, sem cobrir código de barras, validade ou outras informações essenciais.

Assepsia da tampa

Após retirar o lacre, realizar a desinfecção da tampa de borracha conforme protocolo institucional e orientação do fabricante. Manuais de microbiologia recomendam a desinfecção da tampa antes da inoculação da amostra.

Antissepsia da pele

A antissepsia adequada do local da punção é uma das etapas mais importantes para reduzir contaminação. O produto utilizado e o tempo de contato devem seguir o protocolo institucional. A Anvisa apresenta recomendações específicas sobre antissépticos e ressalta a importância de permitir a ação adequada do produto antes da punção.

Volume adequado

O volume de sangue influencia diretamente a sensibilidade da hemocultura. Deve-se respeitar o volume recomendado pelo fabricante do frasco, considerando idade e condição clínica do paciente. Não se deve simplesmente “encher o frasco” sem observar a indicação de volume.

Local de coleta

Quando a coleta for periférica, registrar o sítio conforme o protocolo. Quando houver investigação de infecção relacionada a cateter, identificar claramente a origem de cada amostra.

Transporte

Após a coleta, os frascos devem ser encaminhados ao laboratório de acordo com o protocolo institucional. Manuais de microbiologia recomendam encaminhamento imediato, porque condições inadequadas podem interferir na recuperação dos microrganismos.

Um exemplo de etiqueta correta

Um modelo simplificado poderia apresentar:

Paciente: João da Silva
Registro: 123456
Data: 18/08/2026
Hora: 10:30
Local: MSD – punção periférica
Amostra: 1ª coleta

Esse é apenas um exemplo didático. O conteúdo real deve seguir o padrão definido pelo hospital ou laboratório.

Exemplo de identificação quando há coleta periférica e de cateter

Quando o objetivo é investigar possível infecção relacionada ao cateter, a identificação precisa deixar clara a origem da amostra.

Por exemplo:

Amostra 1 – periférica – MSE

Amostra 2 – cateter venoso central

A identificação do local permite ao laboratório e à equipe assistencial compreender a origem de cada amostra. Um protocolo da Ebserh destaca justamente a necessidade de identificar corretamente as amostras quanto ao local de punção nesses casos.

O que NÃO fazer com a etiqueta do frasco de hemocultura?

Para memorizar de maneira rápida:

  • Não cole na tampa.
  • Não cole no fundo.
  • Não cubra o código de barras.
  • Não cubra a validade.
  • Não cubra informações importantes do fabricante.
  • Não deixe o frasco sem identificação.
  • Não identifique posteriormente sem seguir o protocolo institucional.
  • Não misture a identificação de diferentes pacientes ou diferentes sítios de coleta.

Uma dica simples para estudantes de enfermagem

Essa é uma regra que costumo repassar para técnicos e estudantes que acompanho:

CORPO DO FRASCO + CÓDIGO DE BARRAS LIVRE + VALIDADE VISÍVEL.

Não é só um macete decorado — nasceu da necessidade real de evitar recoleta, que é desconfortável para o paciente e gera retrabalho para toda a equipe. Essa regra simples ajuda a evitar um dos erros mais comuns durante a identificação. Mas existe uma quarta regra ainda mais importante:

sempre siga o POP do seu serviço e as orientações do fabricante do frasco.

Isso acontece porque diferentes sistemas automatizados podem utilizar etiquetas, códigos e áreas de leitura específicas.

Etiqueta correta x etiqueta incorreta

Etiqueta correta

A etiqueta está no corpo do frasco, bem fixada, legível, contendo os dados exigidos pelo serviço e sem cobrir o código de barras ou a validade.

Etiqueta incorreta

A etiqueta está sobre o código de barras, cobre a validade, foi colocada na tampa ou no fundo do frasco, está ilegível ou não permite identificar adequadamente o paciente e o momento/local da coleta.

Por que esse cuidado é tão importante para a enfermagem?

A coleta de hemocultura parece um procedimento simples, mas envolve várias etapas críticas. Uma pequena falha na identificação pode comprometer todo o processo. O enfermeiro e o técnico de enfermagem precisam compreender que segurança do paciente também envolve a fase pré-analítica do exame.

Identificar corretamente o frasco significa garantir rastreabilidade, reduzir erros, facilitar a interpretação dos resultados e contribuir para que o paciente receba o tratamento adequado. Por isso, etiquetar corretamente não é apenas “colar uma etiqueta”. É uma etapa de segurança e qualidade assistencial.

A regra principal é bastante simples:

A etiqueta de identificação da hemocultura deve ser colocada no corpo do frasco, sem cobrir o código de barras, a data de validade ou informações importantes do fabricante. Nunca deve ser colocada na tampa ou no fundo do frasco.

Na identificação, devem constar os dados exigidos pelo serviço, incluindo, de acordo com o protocolo, nome do paciente, identificação do registro, data, horário e local/sítio de coleta, além da identificação da sequência da amostra quando aplicável.

E existe um último cuidado que merece ser reforçado: o protocolo institucional sempre deve ser consultado. O tipo de frasco, sistema automatizado, etiqueta utilizada, informações obrigatórias e forma de transporte podem variar entre instituições.

Uma hemocultura de qualidade começa com uma boa indicação e termina com uma amostra corretamente identificada, coletada, acondicionada e encaminhada ao laboratório.

Depois de anos atuando em terapia intensiva, aprendi que os detalhes que parecem “pequenos” — como o posicionamento correto de uma etiqueta — são frequentemente os que mais previnem erros graves. Cuidar bem da fase pré-analítica de um exame é, na prática, uma extensão direta do cuidado com o paciente.

Referências: 

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Microbiologia clínica para o controle de infecção relacionada à assistência à saúde: módulo 4 – procedimentos laboratoriais da requisição do exame à análise microbiológica e laudo final. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/modulo-4-procedimentos-laboratoriais-da-requisicao-do-exame-a-analise-microbiologica-e-laudo-final.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de procedimentos básicos em microbiologia clínica para o controle de infecção hospitalar: módulo I. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_microbiologiaclinica_controle_infechospitalar.pdf.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Microbiologia Clínica. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_microbiologia_completo.pdf.
  4. EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES (EBSERH). Prevenção de infecção da corrente sanguínea (ICS). Hospital Universitário Walter Cantídio, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh-/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/ch-ufc/acesso-a-informacao/protocolos-e-pops/hospital-universitario-walter-cantidio/protocolos/servico-de-controle-de-infeccao-hospitalar/pro-scih-huwc-007-v1-prevencao-de-infeccao-da-corrente-sanguinea-ics.pdf.
  5. EMPRESA BRASILEIRA DE SERVIÇOS HOSPITALARES (EBSERH). Processamento de hemoculturas. Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados. Disponível em: https://www.gov.br/ebserh-intensifica-assistencia-a-distancia-como-estrategia-de-combate-a-cov/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-centro-oeste/hu-ufgd/acesso-a-informacao/pops-protocolos-e-processos/gad/pop-ulacp-012-microbiologia__processamento-de-hemoculturas-2021_2023-_validado_svssp.pdf. 
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de prevenção de infecção relacionada à assistência à saúde. Brasília: Anvisa, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br. 
  7. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA / MEDICINA LABORATORIAL (SBPC/ML). Boas práticas na coleta de sangue venoso e hemoculturas. São Paulo: SBPC/ML, 2022. Disponível em: https://www.sbpc.org.br/. 

Sepse: Entendendo a Resposta Extrema do Corpo

A Sepse, popularmente conhecida como “infecção generalizada”, é uma das condições mais críticas e mortais que nós, profissionais de enfermagem, enfrentamos. Longe de ser apenas uma infecção, a sepse é a resposta desregulada do próprio organismo a essa infecção. É o sistema de defesa do corpo entrando em colapso e, em vez de proteger, ele começa a danificar seus próprios órgãos.

Para nós, estudantes e profissionais, a sepse é um chamado à ação imediata. O tempo é, literalmente, a vida do paciente. Entender o que é a sepse, como identificá-la rapidamente e qual a nossa responsabilidade no manejo é o que diferencia um cuidado bom de um cuidado que salva vidas. Vamos desvendar essa síndrome e focar na “Hora de Ouro” da enfermagem.

O que é a Sepse?

A sepse é uma resposta inflamatória sistêmica grave do organismo a uma infecção. Em outras palavras, é quando o corpo reage de forma descontrolada a um agente infeccioso, como bactérias, vírus, fungos ou parasitas. Essa resposta exagerada causa lesões nos tecidos e órgãos, podendo evoluir rapidamente para choque séptico e falência múltipla de órgãos se não for tratada a tempo.

De acordo com a definição mais recente da Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3), publicada em 2016, a sepse é considerada uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do corpo à infecção.

O Ciclo Vicioso

 A infecção libera substâncias químicas na corrente sanguínea. Em vez de ficarem localizadas, essas substâncias (mediadores inflamatórios) desencadeiam uma inflamação sistêmica e maciça.

O Dano

Essa inflamação generalizada danifica o revestimento dos vasos sanguíneos, levando a:

  1. Vazamento Capilar: Os vasos dilatam e vazam fluido para os tecidos, causando edema e reduzindo o volume de sangue circulante.
  2. Má Perfussão: A pressão arterial cai drasticamente (hipotensão), o sangue coagula em pequenos vasos e o oxigênio não consegue chegar aos órgãos vitais (cérebro, rins, coração).
  3. Choque Séptico: É o estágio mais grave. A hipotensão é tão profunda que o paciente não responde à reposição volêmica (soro) e necessita de vasopressores (como a noradrenalina) para manter a pressão arterial. O risco de morte é altíssimo.

Causas e fatores de risco

A sepse pode surgir a partir de qualquer infecção, especialmente aquelas que não são diagnosticadas ou tratadas adequadamente. As infecções mais comuns associadas à sepse incluem:

  • Pneumonia
  • Infecções urinárias
  • Infecções de pele e tecidos moles
  • Infecções abdominais (como apendicite ou peritonite)
  • Infecções hospitalares relacionadas a cateteres, sondas ou feridas cirúrgicas

Alguns grupos são mais vulneráveis à sepse, como:

  • Idosos
  • Pacientes imunossuprimidos
  • Recém-nascidos
  • Pessoas com doenças crônicas (diabetes, doenças renais, hepáticas ou cardíacas)
  • Pacientes internados em UTI

Os Critérios de Alerta: Como Identificar a Sepse (qSOFA)

O diagnóstico precoce é nosso maior aliado. Um sistema de triagem rápida, o qSOFA (quick Sequential Organ Failure Assessment), ajuda a equipe a identificar pacientes com suspeita de infecção que estão em risco de evolução para sepse.

Basta que o paciente com infecção suspeita ou confirmada apresente dois ou mais dos seguintes critérios:

  1. Alteração do Estado Mental: Escala de Coma de Glasgow inferior a 15 (paciente letárgico, sonolento ou confuso).
  2. Frequência Respiratória Elevada: Igual ou superior a 22 incursões por minuto ( irpm).
  3. Hipotensão Arterial: Pressão Arterial Sistólica (PAS) inferior ou igual a 100 mmHg ($\leq 100 $ mmHg).

Se o paciente atende a dois desses critérios e há suspeita de infecção (por exemplo, pneumonia, ITU, ferida cirúrgica infectada), a Sepse deve ser o primeiro diagnóstico a ser considerado.

Manifestações clínicas

Os sinais e sintomas da sepse podem variar, mas alguns são fundamentais para o reconhecimento precoce:

  • Febre alta ou hipotermia
  • Taquicardia (aumento da frequência cardíaca)
  • Taquipneia (respiração acelerada)
  • Hipotensão arterial
  • Alteração do nível de consciência
  • Oligúria (diminuição da produção urinária)
  • Extremidades frias ou cianóticas

A gravidade da sepse pode ser avaliada através de escores clínicos, como o SOFA (Sequential Organ Failure Assessment) e o qSOFA, que ajudam a identificar disfunções orgânicas e prever o prognóstico.

Diagnóstico

O diagnóstico da sepse é clínico, apoiado por exames laboratoriais e de imagem. Os principais exames incluem:

  • Hemoculturas e culturas de outros materiais biológicos (urina, secreções, etc.)
  • Hemograma completo
  • Gasometria arterial
  • Lactato sérico (para avaliar perfusão tecidual)
  • Função renal e hepática
  • Exames de imagem (como raio-X, ultrassonografia ou tomografia) para identificar o foco infeccioso

O diagnóstico precoce é essencial, pois cada hora de atraso no início do tratamento aumenta o risco de morte.

A Hora de Ouro: O Protocolo de Enfermagem e Médico

O tratamento da sepse é uma corrida contra o relógio, e a enfermagem coordena as ações do famoso “Bundle de Sepse”, que deve ser completado na primeira hora:

Ações Cruciais de Enfermagem (O Bundle da Primeira Hora)

  1. Coleta de Exames (Lactato e Culturas):
    • Lactato: Coletar o lactato sérico. Níveis elevados indicam que o organismo está com baixa oxigenação (má perfusão).
    • Hemoculturas: Coletar pelo menos duas amostras de sangue para cultura (uma aeróbia e uma anaeróbia) antes de administrar o antibiótico. Essa é a chave para identificar o agente causador.
  2. Administração de Antibióticos de Amplo Espectro:
    • Após a coleta das culturas, o enfermeiro deve administrar o antibiótico de amplo espectro prescrito imediatamente (em até 1 hora). Cada minuto de atraso aumenta a mortalidade.
  3. Ressuscitação Volêmica (Fluido):
    • Iniciar rapidamente a infusão de cristaloides (soro fisiológico ou Ringer Lactato), geralmente 30 mL/kg, em pacientes com hipotensão ou lactato elevado, sob monitoramento rigoroso para evitar sobrecarga.
  4. Monitoramento e Reavaliação:
    • O enfermeiro monitora rigorosamente a pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e, crucialmente, reavalia o estado do paciente a cada hora. Se a pressão não melhorar, o médico precisa iniciar as drogas vasoativas.

Cuidados de Enfermagem

O profissional de enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce e no cuidado contínuo do paciente com sepse. Entre as principais responsabilidades estão:

  • Avaliar e monitorar sinais vitais frequentemente, especialmente temperatura, pressão arterial e frequência cardíaca.
  • Reconhecer sinais de deterioração clínica e comunicar imediatamente à equipe médica.
  • Coletar amostras biológicas corretamente, seguindo técnicas assépticas rigorosas.
  • Administrar antibióticos e fluidos intravenosos conforme prescrição médica, respeitando horários e compatibilidades.
  • Manter controle rigoroso da diurese, utilizando balanço hídrico e sondagem vesical se necessário.
  • Garantir higiene adequada e prevenção de infecções, especialmente em pacientes com cateteres, sondas ou feridas abertas.
  • Educar familiares e cuidadores sobre a importância da prevenção de infecções e sinais de alerta.

Além disso, o enfermeiro deve participar ativamente das campanhas institucionais de prevenção de sepse, promovendo treinamentos e protocolos assistenciais.

Prognóstico e prevenção

O prognóstico da sepse depende da rapidez com que é diagnosticada e tratada. Pacientes que recebem antibióticos nas primeiras horas de evolução têm maior chance de recuperação.

A prevenção é baseada em medidas simples, mas eficazes:

  • Higienização adequada das mãos
  • Uso racional de antibióticos
  • Cuidados com feridas e dispositivos invasivos
  • Vacinação adequada
  • Controle rigoroso de infecções hospitalares

A educação continuada da equipe de enfermagem é um dos pilares fundamentais para reduzir a mortalidade por sepse.

A sepse é uma emergência médica e requer atuação rápida, precisa e integrada. O profissional de enfermagem é peça-chave nesse processo, tanto na identificação precoce quanto no suporte clínico e emocional ao paciente e sua família.

Reconhecer a sepse é salvar vidas. Por isso, o conhecimento, a vigilância e o comprometimento da equipe de enfermagem são ferramentas poderosas no combate a essa síndrome devastadora.

Referências:

  1. INSTITUTO LATINO AMERICANO DE SEPSE (ILAS). Campanha Sobrevivendo à Sepse: Diretrizes Internacionais para o Manejo de Sepse e Choque Séptico. São Paulo: ILAS, 2021. Disponível em: https://ilas.org.br/.
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre choque e infecção).
  3. INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE SEPSE (ILAS). Sepse: um problema de saúde pública. 2023. Disponível em: https://ilas.org.br
  4. RHODES, A. et al. Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock: 2021. Intensive Care Medicine, v.47, p. 1181–1247, 2021. Disponível em: https://www.sccm.org/clinical-resources/guidelines
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de Manejo Clínico da Sepse em Adultos. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude

Qual a sequência de tubos para coleta de sangue?

Tubos de coleta

Há muitas décadas sabemos da grande importância em seguir a correta ordem dos tubos de coleta de sangue venoso na obtenção de resultados de testes precisos e confiáveis. Tanto é que hoje existem diretrizes internacionais que os locais de coleta devem seguir (Clinical and Laboratory Standards Institute – CLSI), visto que existe a real possibilidade de contaminação com aditivos de um tubo para outro, durante a troca de tubos, no momento da coleta de sangue.

Atualmente muitos laboratórios de análises clínicas passaram a utilizar tubos plásticos para a coleta de sangue venoso, o que levou à reformulação das diretrizes para a sequência dos tubos de coleta. Tubos plásticos para soro (tampa vermelha ou amarela com gel separador) contêm ativador de coágulo em seu interior, podendo levar a alterações nos resultados dos testes de coagulação. Dessa forma, esses tubos devem ser colhidos depois do tubo para coagulação (tampa azul), como veremos adiante.

Sequência de coleta para tubos plásticos de coleta de sangue

  1. Frascos para hemocultura.
  2. Tubos com citrato (tampa azul-claro).
  3. Tubos para soro com ativador de coágulo, com ou sem gel separador (tampa vermelha ou amarela).
  4. Tubos com heparina com ou sem gel separador de plasma (tampa verde).
  5. Tubos com EDTA (tampa roxa).
  6. Tubos com fluoreto (tampa cinza).

Sequência de coleta para tubos de vidro de coleta de sangue

  1. Frascos para hemocultura.
  2. Tubos para soro vidro-siliconizados (tampa vermelha).
  3. Tubos com citrato (tampa azul-claro).
  4. Tubos para soro com ativador de coágulo com gel separador (tampa amarela).
  5. Tubos com heparina com ou sem gel separador de plasma (tampa verde).
  6. Tubos com EDTA (tampa roxa).
  7. Tubos com fluoreto (tampa cinza).

Imediatamente após a coleta, é extremamente importante que todos os tubos sejam suavemente homogeneizados pelo procedimento de inversão. Caso esse procedimento não seja devidamente realizado, pode haver o risco de ativação plaquetária e interferência nos testes de coagulação (formação de microcoágulos). O número de inversões pode variar de acordo com o fabricante dos tubos, dessa maneira é sempre indicado consultar o fornecedor de tubos sobre as recomendações para a homogeneização.

Referências

Bowen RAR, Remaley AT. Interferences from blood collection tube components on clinical chemistry assays. Biochemia Medica. 2014;24(1):31-44. doi:10.11613/BM.2014.006.

CLSI H3-A6, Procedures for the Collection of Diagnostic Blood Specimens by Venipunctures; Approved Standard, 6thed.

Nikolac N, Šupak-Smolčić V, Šimundić A-M, Ćelap I. Croatian Society of Medical Biochemistry and Laboratory Medicine: national recommendations for venous blood sampling. Biochemia Medica. 2013;23(3):242-254.

Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial para coleta de sangue venoso – 2. ed. Barueri, SP: Minha Editora, 2010.

Veja também:

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A Hemocultura

hemocultura

A hemocultura detecta bactérias e fungos no sangue. Infecções na corrente sanguínea são provocadas com maior frequência por bactérias (bacteriemia), mas também podem ser causadas por fungos ou por vírus.

Se o sistema imunológico de uma pessoa não consegue conter uma infecção em seu local de origem, como a bexiga ou os rins em infecções urinárias, ela pode se disseminar pela corrente sanguínea para todo o corpo, infectando outros órgãos e evoluir para uma infecção sistêmica, com risco de vida.

Quando esse exame é feito, geralmente são mais de uma hemocultura colhida, ou seja, vários exames. Geralmente esse exame é pedido em conjunto com um hemograma completo, nessa fase é visto se há alguma infecção presente no organismo, além de outros exames que podem vir a serem solicitados, como o de urina, escarro ou até mesmo de líquido cefalorraquiano.

Quando é necessário realizar a Hemocultura?

Geralmente esse exame é pedido quando há algumas suspeitas do médico em relação a sepse, o que quer dizer que o organismo está sendo atacado por bactérias, fungos ou algum produto tóxico. Os termos septicemia e sepse são muitas vezes usados como sinônimos. Há quem defina septicemia como uma infecção do sangue, e sepse como a reação a essa infecção.

Também é solicitado para casos de Endocardite (inflamação e infecção do revestimento e das valvas do coração), que na qual pode resultar de uma infecção da corrente sanguínea. Cirurgias para troca de valvas cardíacas e para implante de próteses articulares estão associadas a um risco maior, ainda que pequeno, de sepse. Pessoas com imunidade comprometida por algumas doenças, como leucemias ou HIV/AIDS, ou por uso de medicamentos imunossupressores, como as submetidas a quimioterapia, também têm um risco aumentado.

Bactérias e fungos podem ser introduzidos acidentalmente na circulação durante infusões intravenosas ou no uso de cateteres venosos ou de drenos cirúrgicos.

Os Aeróbios VS Anaeróbios

As amostras de sangue para cultura são colhidas em frascos com nutrientes que estimulam o crescimento de micro-organismos que usam oxigênio (aeróbios) ou que se desenvolvem em ambientes com pouco oxigênio (anaeróbios).

As Amostras

São colhidas diversas amostras em momentos diferentes e de veias diferentes, para facilitar a detecção de organismos em pequena quantidade ou que são liberados de modo intermitente na corrente sanguínea e para garantir que os organismos detectados não sejam meros contaminantes. As hemoculturas são incubadas durante vários dias. Em muitos laboratórios, o processo é automatizado e usa instrumentos que detectam um crescimento mínimo, o que permite acelerar a identificação de bactérias e de fungos.

Quando uma hemocultura é positiva, o micro-organismo é identificado e são feitos testes de sensibilidade a antibióticos para orientar o tratamento.

Como a é colhido a Amostra para o exame?

Em geral, são colhidas duas a três amostras de sangue em momentos diferentes e de veias diferentes, para aumentar a probabilidade de um resultado positivo e para distinguir patógenos de bactérias da pele que podem contaminar a cultura durante a colheita.

O sangue é colhido por punção venosa. O local da punção é limpo com álcool e com solução de iodo, e deve estar seco antes da colheita. É usual colher cerca de 20 mL de sangue, que é colocado em dois frascos de cultura, um para aeróbios e outro para anaeróbios. A colheita em crianças é feita do mesmo modo, mas em quantidades menores.

Não é necessário algum preparo para garantir a qualidade da amostra!

Quem pode colher Hemoculturas?

O procedimento para coleta de hemocultura não é privativo do enfermeiro ou do técnico de enfermagem. Desta forma qualquer membro da equipe de enfermagem pode realizar a coleta desde que devidamente habilitado e capacitado para tal.

Obviamente devemos levar em consideração fatores como condições do paciente, local a ser puncionado, se há ou não necessidade de manipulação de cateter venoso central, habilidade do profissional entre outras.

O COREN-SP emitiu o Parecer COREN GAB- 037/2011 que trata especificamente deste procedimento.

O COREN-PE em seu PARECER Nº 041/2010 também opinou a respeito concluindo que

“…os integrantes da equipe de enfermagem, possuem o respaldo legal para realizar a coleta para hemocultura. Porém, os mesmos, devem possuir competência técnica para a execução do procedimento em tela, e as instruções recomendadas pela ANVISA devem ser seguidas. Ressaltando, que as atividades dos profissionais de enfermagem de nível médio sempre devem ser supervisionadas pelo enfermeiro.”

Há de se ressaltar também a existência de protocolos institucionais onde, em alguns casos, se determina que a coleta seja realizada por Enfermeiros.

Realizando o Procedimento

– Técnicas de coleta

Anti-sepsia

  1. Lavar e secar as mãos; utilizar luvas, materiais estéreis e descartáveis;
  2. Escolher o melhor acesso venoso para coleta. Garrotear o braço do paciente e selecionar uma veia adequada. Esta área não deverá mais ser tocada com os dedos;
  3. Fazer a anti-sepsia rigorosa com álcool 70% de 3 a 4 vezes até visualizar limpo o algodão utilizado neste processo. Depois proceder assepsia com solução de clorexidina alcoólica, fazendo a assepsia de um ponto central e com movimentos circulares para fora em caracol, não voltando a tocar o local da região escolhida para coleta;
  4. Remover os selos da tampa dos frascos de hemocultura, e fazer anti-sepsia prévia nas tampas com álcool 70% em gase estéril, e manter após assepsia um algodão embebido em álcool a 70% em cima da rolha;
  5. Lavar as mãos e trocar as luvas;
  6. Coletar a quantidade de sangue e o número de amostras recomendados de acordo com as orientações descritas ou discriminadas no pedido médico;
  7. Identificar cada frasco com todas as informações padronizadas e enviar ao laboratório, juntamente com a solicitação médica devidamente preenchida. Respeitar o código de barras do frasco.

Observações:

  1. Punções arteriais não trazem benefícios na recuperação dos microorganismos quando comparadas com punções venosas.
  2. Não se recomenda a troca de agulhas entre coleta e distribuição do sangue nos frascos específicos.
  3. O método de coleta do sangue e o volume coletado influenciam diretamente no sucesso de recuperação de microrganismos e uma interpretação adequada dos resultados.

 Fatores que influenciam diretamente os resultados de hemoculturas:

  • Volume de sangue coletado por frasco.

Frascos Bactec: coletar de 8 a 10 mL de sangue (adulto) e 1 a 3 ml de sangue (crianças).

  • Método de anti-sepsia da pele é crítico.

O número de hemoculturas colhidas bem como o intervalo entre elas, apesar de importantes, em determinadas situações clínicas, não são consideradas críticas.

Cuidados com o Frasco de Amostra

–  Identificação dos frascos e pedido médico

  • Nome do paciente;
  • Hora e local da coleta;
  • Anotar uso de antibióticos;
  • Possível diagnóstico.

 – Transporte

  • Nunca refrigerar o frasco;
  • Manter o frasco em temperatura ambiente e encaminhar o mais rápido possível para o laboratório.
  • Nunca colocar o frasco na estufa.

– Número de frascos

  • Deverá ser considerado de acordo com a condição clínica do paciente, e discutido com a equipe de CCIH da unidade;
  • Um total de três culturas em 24 horas costuma ser suficiente para descartar bacteremias, endocardite ou fungemias;

Coletas acima de quatro amostras não trouxeram maior índice de recuperação microbiana em diferentes trabalhos clínicos.

Orientações

Os critérios para coleta de hemocultura devem ser discutidos em conjunto com a equipe de CCIH da unidade.

Sugestão: Na realidade, duas punções separadas são necessárias, desde de que o volume adequado de sangue tenha sido colhido e que se leve em conta uma possível contaminação da pele. A detecção de um possível contaminante, em uma única amostra de hemocultura, dentre várias amostras (cada punção de locais separados) é altamente sugestivo de contaminação, considerando-se que a detecção do mesmo microrganismo em múltiplas hemoculturas leva ao diagnóstico de uma verdadeira bacteremia.

– Adultos e adolescentes

  • Endocardite Bacteriana Aguda: Coletar três amostras de punções venosas diferentes (braço direito e esquerdo), com intervalo de 15 a 30 minutos, 1-2 horas antes da antibioticoterapia.
  • Endocardite Bacteriana Subaguda:Coletar três amostras, nas primeiras 24 horas, com intervalo mínimo de 15 minutos, com punções venosas diferentes. De preferência, colher as duas primeiras até do início da febre. Se após 24 horas de cultivo, não apresentarem crescimento bacteriano, colher mais três amostras.
  • Infecções Sistêmicas e Localizadas: Sepsis aguda, Meningite, Osteomielite, Artrite ou Pneumonia Bacteriana Aguda: Coletar duas amostras de punções venosas diferentes, antes da antibioticoterapia, com intervalos de cinco minutos entre as punções. Se possível, 10 a 20 mL por amostra.
  • Bacteremia de Origem Indeterminada: Coletar de duas a três amostras com 15 a 20 minutos de intervalo entre as colheitas. Se as culturas forem negativas nas primeiras 24 horas, repetir o procedimento.
  • Paciente com picos febris regulares: Coletar não mais que três amostras antes do início da febre (1 hora) e evitar o pico febril.

– Crianças

  • Coletar amostras com 1 a 3ml. Duas culturas são recomendadas para diagnóstico de bacteremias em recém-nascidos.

Dicas

Hemocultura: O Técnico de Enfermagem pode colher?

Pergunta: “Me chamo Paula e sou Técnica de Enfermagem. Gostaria de saber, de quem é a atribuição da coleta de hemocultura, pois sempre sou solicitada à colher pelo meu enfermeiro do setor, e ouvi dizer que nós não poderíamos, que somente os Enfermeiros eram habilitados. Mas este Enfermeiro disse que isto não é verdade, pois somos […]