A Rastreabilidade e as cores de etiquetas de Medicamentos

Falhas no processo de medicação são situações frequentes que ocorrem no mundo todo. A principal delas envolve a administração equivocada de medicamentos relacionada à dose, via de administração e tipo de droga. Alguns medicamentos são considerados críticos e denominados Medicamentos ou Drogas de Alta Vigilância (DAV).

Esses medicamentos exigem medidas especiais de segurança para evitar que erros aconteçam.

A RDC nº 54, de dezembro de 2013, exige a criação do IUM – Identificador Único do Medicamento. Ele é um código alfanumérico gerado a partir dos seguintes dados, na seguinte ordem:

  • Número do registro do medicamento na Anvisa;
  • Número serial, único e gerado aleatoriamente;
  • Data de validade, no formato MM/AA;
  • Número do lote.

Esse código será aplicado no medicamento por meio de um código em duas dimensões, chamado Data Matrix. Essas informações também deverão estar legíveis para o olho humano, em fonte de altura mínima de 1,6mm.

Agregação

Além dos códigos em cada medicamento, a RDC nº 54 também exige que seja gerado um identificador único para cada caixa de transporte. Esse “código pai” no servidor da farmacêutica agregará todos os identificadores únicos contidos dentro dele. Isso permite agilidade na logística, basta escanear um único código para controle de todas as unidades dentro da caixa.

Cores de Etiquetas

Cada Instituição Hospitalar, padronizam cores de acordo com o tipo de medicamento.

É utilizado como uma estratégia de segurança do paciente, que também faz parte da Meta 3 da Segurança do Paciente  além de facilitar a identificação visual para os profissionais da enfermagem e farmácia.

Junto com as etiquetas e embalagens coloridas também disponibilizam com etiquetas impressas com nome, lote, validade, código de barra, e sequencial numérico.

Lembrando que os Medicamentos de Alta Vigilância (MAV) devem ser aplicados os seguintes itens:

  • Armazenamento em locais seguros e separados dos demais medicamentos: em armários identificados na farmácia e em gavetas chaveadas nos postos de Enfermagem sob responsabilidade da enfermeira;
  • Dispensação em embalagem plástica vermelha selada com etiqueta adesiva amarela;
  • Dupla checagem pela enfermagem na administração desses medicamentos.

Referências:

  1. https://www.promtec.com.br/rdc-no-54-etiquetas-para-agregacao-e-identificacao-unica-de-medicamentos-ium/
  2. Forte EC, Pire DEP, Padilha MI, Martins MMFP. Medication errors and consequences for nursing professionals and clients: an exploratory study. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2017 [cited 2018 Feb 12];26(2):e01400016. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v26n2/pt_0104-0707-tce-26-02-e01400016.pdf

Medicamentos LASA: “Look Alike, Sound Alike”

Nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes podem gerar confusões e são causas comuns de erros nas diversas etapas do processo de utilização de medicamentos. Problemas podem surgir no armazenamento, na prescrição, na dispensação, na administração ou em outras etapas da cadeia de consumo.

Vários fatores aumentam esse risco de confusão e troca entre os nomes de medicamentos, destacando-se a semelhança na aparência da embalagem ou do rótulo, a baixa legibilidade de prescrições, a coincidência de formas farmacêuticas, doses e intervalos de administração e o desconhecimento de nomes de novos medicamentos lançados no mercado.

Uma medida simples, sem custos adicionais, poderia evitar a troca de mais da metade dos medicamentos cujos nomes são semelhantes, é aplicado o termo “look-alike-sound-alike, conhecidos pela abreviação LASA”.

A estratégia não é nenhuma novidade na verdade, é uma recomendação de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a FDA, a agência do governo americano que regula medicamentos e alimentos. Mas é pouco colocada em prática.

No Brasil, para dificultar trocas e confusões, o Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos sugere o emprego de letra maiúscula e negrito para destacar partes diferentes de nomes semelhantes.

Esta é uma técnica avaliada em vários contextos, de fácil adoção e baixo custo. Seu uso, entretanto, deve ser restrito a um número limitado de nomes de medicamentos a fim de garantir a sua efetividade.

Exemplo de aplicação do método

Nomes semelhantes clonidina X clozapina
Etapa 1 cloNIDINA X cloZAPINA
Etapa 2 cloNIDina X cloZAPina

Para a elaboração de uma lista de nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes, o ISMP Brasil consolidou listas institucionais utilizadas por hospitais brasileiros e as recomendações
publicadas pelo ISMP EUA, em parceria com a FDA e ISMP Espanha.

Você pode acessar a lista completa acessando este link.