



A cicatrização é um processo natural de reparação de tecidos orgânicos lesados feito por meio das fibras colágenas derivadas dos miofibroblastos que migram para o local ferido. Essas fibras recobrem a área lesada com tecido conjuntivo fibroso e, assim, o tecido epitelial pré-existente fica temporária ou permanentemente substituído por ele.
Chama-se cicatriz à alteração tecidual que resulta deste processo de cicatrização. Em virtude da maior vitalidade dos tecidos, a cicatrização se faz de forma mais rápida nas pessoas mais jovens que nas mais idosas, embora quanto mais jovem for a pessoa, pior será o aspecto da cicatriz e quanto mais idosa, melhor. Além disso, a aparência da cicatriz depende também da localização, da natureza do trauma e da profundidade da lesão. Ao seu final, o processo de cicatrização pode deixar na pele uma cicatriz e uma alteração da sensibilidade local duradoura ou permanente.
Algumas cicatrizes formadas pelo processo de cicatrização não deixam vestígios ou eles são quase inaparentes e vão esmaecendo lentamente com o passar do tempo. No entanto, outras cicatrizes são mais exuberantes, salientes e de coloração avermelhada, chamadas de hipertróficas. Um modelo ainda mais extravagante é constituído pelos queloides.
Ambas se devem ao excesso de produção de colágeno pelos fibroblastos, mas sempre existiu a dificuldade de se distinguir histologicamente as duas. Na verdade, o queloide parece ser uma cicatriz hipertrófica que não respondeu bem ao tratamento. Não é só o tipo de pele que interfere na maneira como se dá a cicatrização e na forma que a cicatriz assume; também influem a idade, o tipo de trauma que o tecido recebeu e a fase hormonal em que a pessoa se encontra. As cicatrizes na puberdade ou na gravidez, por exemplo, são piores que em outros momentos da vida. Há casos específicos, como o das cicatrizes provocadas por queimaduras que, às vezes, são muito extensas e causam problemas sérios para a vida.
O processo de cicatrização compreende quatro fases:
Atualmente, tanto existem recursos clínicos quanto cirúrgicos que permitem bons resultados na prevenção e tratamento das anomalias cicatriciais. Quanto mais precocemente iniciar-se o tratamento, melhores serão os resultados. Como existe uma característica individual dos processos de cicatrização, é de todo relevante colher-se uma história de como se dá esse processo no indivíduo e em sua família. Se for detectada a tendência para formar más cicatrizes (queloides, por exemplo) é fundamental o início precoce do tratamento.
As cicatrizes que se referem a ferimentos pequenos e superficiais em geral desaparecem por si mesmas, em maior ou menor tempo. Algumas cicatrizes são permanentes, porém seus maus efeitos estéticos ou funcionais podem ser amenizados com cremes, laser ou até mesmo enxertos. O tratamento deve visar a prevenção e a remoção das cicatrizes hipertróficas e queloidais. Nas queimaduras, as áreas queimadas não se regeneram todas por igual nem ao mesmo tempo e o tratamento deve começar pelas partes já cicatrizadas. Dependendo do tamanho e natureza da cicatriz esses tratamentos podem usar medicações tópicas, malhas compressivas, massagens, gel de silicone e, mesmo, cirurgia. Mais recentemente os raios laser têm sido tentados com sucesso no objetivo de remover ou minimizar a má aparência de algumas cicatrizes.