Manitol e os Cuidados de Enfermagem

O manitol é um medicamento diurético osmótico, ou seja, aumenta a produção de urina de forma rápida e eficaz. Ele é amplamente utilizado na prática médica por suas propriedades únicas de reduzir a pressão intracraniana e intraocular, além de promover a diurese.

Para que serve o manitol?

  • Redução da pressão intracraniana: É utilizado em casos de edema cerebral, tumores cerebrais e traumatismos cranioencefálicos para diminuir a pressão dentro do crânio e proteger o tecido cerebral.
  • Redução da pressão intraocular: Empregado no tratamento do glaucoma agudo para diminuir a pressão dentro do olho.
  • Diurese: Promove a eliminação de líquidos do organismo, sendo útil em casos de insuficiência renal aguda, intoxicações por substâncias nefrotóxicas e edema pulmonar agudo.
  • Proteção renal: Em algumas situações, pode ser utilizado para proteger os rins, aumentando a diurese e ajudando a eliminar substâncias tóxicas do organismo.

Cuidados de enfermagem na administração de manitol

  • Monitorização: É fundamental monitorar os sinais vitais do paciente, como pressão arterial, frequência cardíaca e frequência respiratória, antes, durante e após a administração.
  • Balanço hídrico: O balanço hídrico deve ser rigorosamente controlado, pois o manitol pode causar desidratação.
  • Eletrólitos: É importante monitorar os níveis de eletrólitos séricos, como sódio e potássio, pois o manitol pode causar desequilíbrios eletrolíticos.
  • Função renal: A função renal deve ser monitorada, especialmente em pacientes com risco de insuficiência renal.
  • Sinais de sobrecarga hídrica: O enfermeiro deve estar atento a sinais de sobrecarga hídrica, como edema pulmonar, aumento da pressão arterial e distensão venosa jugular.
  • Reações adversas: O enfermeiro deve estar preparado para identificar e tratar possíveis reações adversas, como náuseas, vômitos, dor de cabeça, tontura e reações alérgicas.
  • Velocidade de infusão: A velocidade de infusão do manitol deve ser cuidadosamente controlada, conforme a prescrição médica.
  • Compatibilidade: O manitol não é compatível com todas as soluções e medicamentos. É importante verificar a compatibilidade antes de administrar o medicamento.
  • Educação do paciente: O enfermeiro deve orientar o paciente e seus familiares sobre a importância da terapia com manitol e os possíveis efeitos colaterais.

Contraindicações e precauções

  • Anúria: Pacientes com anúria (ausência de produção de urina) não devem receber manitol.
  • Desidratação: O manitol é contraindicado em pacientes com desidratação severa.
  • Insuficiência cardíaca congestiva: O manitol deve ser utilizado com cautela em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva.
  • Hemorragia intracraniana: O manitol é contraindicado em casos de hemorragia intracraniana ativa.

Referência:

  1. Ministério da Saúde

Diuréticos e os Cuidados de Enfermagem

A classe dos diuréticos é uma das mais usadas, estando indicada em várias doenças como hipertensão, insuficiência cardíaca, cirrose hepática e outros que falarei com mais detalhes abaixo.

Quais são os diuréticos mais usados?

Diuréticos de alça:
– Furosemida (Lasix®)

Diuréticos tiazídicos:
– Hidroclorotiazida (Drenol®)
– Clortalidona (Higroton®, Hygroton®)
– Indapamida (Natrilix®, Indapen®, Fludex®, Vasodipin®)
– Metolazona (Diulo®)

Diuréticos poupadores de potássio:
– Espironolactona (Aldactone®, Spiroctan®, Diacqua®)
– Amilorida
– Triantereno

Ainda existem o Manitol e a Acetazolamida, que são usados apenas em situações específicas.

Diurético é tudo igual? 

Não, cada uma das 3 famílias descritas acima age em um local distinto do túbulo renal, apresenta efeitos desejáveis e adversos diferentes, e estão indicados para doenças distintas.

Como cada família de diurético age em local diferente do rim, não se assustem se o médico eventualmente prescrever 2 classes de diuréticos ao mesmo tempo. Não há nada de errado nesta conduta. Existem, inclusive, combinações já prontas no mercado. As mais comuns:

– Hidroclorotiazida + Amilorida (Moduretic®).
– Hidroclorotiazida + Espironolactona (Aldazida®, Ondolen®).

Mas, apesar do mecanismo de ação distinto, todos eles apresentam uma característica em comum: aumentam a eliminação de sódio (sal) e água pela urina. Na verdade, os diuréticos agem primariamente aumentando a excreção de sódio. Como não podemos urinar sal, o rim aumenta a quantidade de água excretada para poder diluir e eliminar esse sódio todo na urina.

Os diuréticos são indicados principalmente para o tratamento da hipertensão e dos edemas (inchaços). Os dois problemas estão relacionados a excesso de sal no organismo, que como consequência, provocam retenção de água. Para que o diurético exerça seu papel de modo correto, é preciso que o paciente limite sua ingestão de sal durante o uso da droga. Não adianta nada o diurético provocar um aumento na eliminação de sal pelos rins se o paciente está se entupindo de sal na dieta. Para haver resposta clínica, é preciso sair mais sal na urina do que entra pela dieta.

Tipos de Diuréticos:

1) Diuréticos de alça – Furosemida (Lasix®)

O mais famoso diurético de alça é a furosemida (mais conhecida como Lasix®). É o diurético mais potente. Para se ter uma ideia, em pessoas normais apenas 0,4% do sódio filtrado nos rins sai na urina, os 99,6% restantes retornam para o sangue. Com o início da furosemida, o sódio excretado pula para 20%.

Por isso, a furosemida está indicada em doenças que apresentam retenção de sódio e líquidos como insuficiência cardíaca, cirrose, síndrome nefrótica e insuficiência renal.

Apesar do seu alto poder de excretar sódio, a furosemida não é um bom diurético para hipertensão. Ela só deve ser usada para esse fim em pessoas que tenham concomitantemente as doenças citadas acima.

Os efeitos efeitos colaterais mais comuns da furosemida: baixa de potássio, baixa de magnésio, desidratação, câimbras, hipotensão, aumento do ácido úrico. Edema de rebote pode ocorrer após suspensão súbita.

2) Diuréticos Tiazídicos – Hidroclorotiazida (Drenol® ou Clorana®), Clortalidona (Higroton®, Hygroton®) e Indapamida (Natrilix®, Indapen®, Fludex®, Vasodipin®)

Os diuréticos tiazídicos promovem uma diurese menor que a furosemida, porém, por terem um efeito que dura até 24h, a perda de sódio e água acaba sendo constante.

São os diuréticos mais indicados na hipertensão, pois além de diminuir o sódio, eles também tem ação vasodilatadora. Em pacientes com insuficiência renal avançada, os tiazídicos não funcionam. Neste caso, o melhor diurético é a furosemida, mesmo para hipertensão.

Se não houver contraindicações, os tiazídicos devem ser a primeira, ou no máximo, a segunda escolha no tratamento da hipertensão.

Os efeitos colaterais mais comuns dos tiazídicos: todos da furosemida, além de aumento da glicose e do colesterol em algumas pessoas. Os tiazídicos causam sódio baixo no sangue mais frequentemente que a furosemida, principalmente em idosos.

3) Diuréticos poupadores de potássio – Espironolactona (Aldactone®, Spiroctan®, Diacqua®), Amilorida e Triantereno

O mais usado é a espironolactona. Essa classe possui esse nome porque é a única que não aumenta a excreção de potássio na urina. Um dos efeitos colaterais dos tiazídicos e furosemida é a diminuição deste mineral no sangue por excesso de perda urinária. Os poupadores de potássio agem excretando sódio e diminuindo a excreção de potássio. Isso é ótimo para quem tem potássio baixo e perigoso para quem o tem alto. É o grupo de diuréticos mais fraco e estão contraindicados na insuficiência renal avançada. São muito usados em associação com outros diuréticos.

A espironolactona também inibe um hormônio chamado aldosterona, que quando aumentado, piora a insuficiência cardíaca e a cirrose. Por isso, ela é muito usada nessas 2 doenças junto com a furosemida.

Os efeitos efeitos colaterais mais comuns da espironolactona são o aumento do potássio, ginecomastia, aumento de pelos e alterações menstruais.

4) Diurético Osmótico Manitol 20%

O manitol é um remédio diurético utilizado no hospital para aumentar a quantidade de urina, podendo ser utilizado para evitar a falência renal em caso de cirurgias ou para reduzir a pressão intracraniana.

O manitol não pode ser comprado nas farmácias convencionais, só podendo ser utilizado por profissionais de saúde em hospitais.

Indicações

O manitol está indicado para aumentar a quantidade de urina, prevenir o surgimento de falência dos rins durante cirurgias vasculares ou após trauma, reduzir a pressão intracraniana, tratar o inchaço do cérebro, reduzir a pressão intraocular, tratar ataque de glaucoma, eliminar substâncias tóxicas pela urina ou aliviar qualquer inchaço provocado por problemas no coração ou rins.

Efeitos colaterais

Os principais efeitos colaterais do manitol surgem, especialmente, quando o medicamento não é administrado de forma adequada e incluem desidratação, insuficiência cardíaca congestiva, inchaço dos pulmões, ou redução súbita da pressão arterial, por exemplo.

Contraindicações

O manitol está contraindicado para pacientes com doença renal grave, insuficiência cardíaca progressiva, congestão pulmonar, desidratação grave, hemorragia intracraniana, lesões progressivas nos rins ou com hipersensibilidade ao manitol.

5)Inibidores da Anidrase Carbônica – Acetazolamida (Diamox®), cloridrato de dorzolamida (Occupress®)

Inibem a enzima anidrase carbônica, responsável pela conversão de água e dióxido de carbono em ácido carbônico.

Esta inibição permite reduzir a secreção de H+ para o túbulo proximal do rim, evitando a reabsorção de sódio. Este fato justifica-se pela existência de um transporte ativo (antiporte) que ocorre entre o H+ (em direção ao túbulo) e o Na+ (em direção à célula). O sódio vai ser mais excretado e, uma vez que a reabsorção de água está diretamente dependente da de sódio, aumenta também a excreção de água, tendo seu efeito pouco potente. Dois dos seus principais efeitos adversos são a acidose metabólica e a hipocalemia.

Hoje em dia este grupo raramente é usado como diurético. São usados no tratamento do glaucoma (reduzem a formação do humor aquoso do olho pelo mesmo mecanismo).

Cuidados gerais de Enfermagem

  • Os diuréticos devem ser administrados preferencialmente pela manhã, para que a diurese resultante não interfira no repouso noturno do paciente;
  • Manter – se um registro de ingesta e de secreção, uma vez que o paciente pode perder um grande volume de líquido após uma única dose de um determinado diurético;
  • Como base para avaliar a eficácia da terapêutica, os pacientes que recebem medicamentos diuréticos são pesados diariamente na mesma hora. Além disso, examina – se o turgor da pele com vistas a evidências de edemas ou desidratação. Também deve se monitorar a freqüência do pulso.
  • A dosagem será determinada pelo peso diário do paciente, pelos achados físicos e por seus sintomas;
  • A avaliação periódica dos eletrolitos alertará para a hipotassemia e a hiponatremia;
  • Profilaxia da hipopotassemia – ingesta de alimentos ricos em potássio (pêssegos, bananas, espinafre).