Tipos de Sons da Percussão Abdominal

A percussão abdominal é uma técnica utilizada no exame físico para avaliar as estruturas internas do abdome. Ao percutir (ou seja, bater) sobre a superfície abdominal, os médicos podem identificar diferentes tipos de sons, cada um com significados específicos.

Os Tipos de Sons da Percussão

Som Timpânico:

    • Descrição: O som timpânico é semelhante ao som produzido quando percutimos uma área vazia, como o estômago.
    • Causa: É obtido sobre áreas com ar, como o intestino delgado.
    • Significado: Indica a presença de cavidades vazias.

Som Hipertimpânico:

    • Descrição: Esse som é ainda mais agudo e ressonante do que o som timpânico.
    • Causa: Pode ser ouvido sobre áreas com excesso de ar, como o intestino delgado distendido.
    • Significado: Sugere distensão intestinal ou obstrução.

Som Submaciço:

    • Descrição: É um som intermediário entre o som timpânico e o som maciço.
    • Causa: Pode ser encontrado em áreas com conteúdo sólido ou líquido, como o fígado ou o baço.
    • Significado: Indica a presença de órgãos sólidos ou líquidos.

Som Maciço:

    • Descrição: Esse som é obtido quando percutimos áreas densas, como o fígado ou o baço.
    • Causa: Resulta da presença de tecido sólido.
    • Significado: Sugere a presença de órgãos sólidos.

A percussão abdominal é apenas uma das técnicas usadas no exame físico.

Além da percussão, a palpação (toque) e a ausculta (escuta dos sons internos) também são importantes para avaliar o abdome.

Referências:

  1. PORTO, Celmo Celeno. Exame clínico: bases para a prática médica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008
  2. LÓPEZ, Mario, LAURENTYS S., MEDEIROS, José de. Semiologia Médica: As bases do diagnóstico clínico. 5. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.

Semiologia: O Exame Físico e as Etapas

Levantar informações sobre o estado de saúde do paciente: eis a função dos exames físicos. É ele que indica eventuais anormalidades e fornece subsídios para o diagnóstico e assistência satisfatória da enfermagem.

As Etapas do Exame Físico

Inspeção

Avaliar o corpo quanto à forma, cor, simetria, odor e presença de anormalidades.

Palpação

Avaliar temperatura, estado de hidratação, textura, forma, movimento, áreas de sensibilidade e pulsação. Palpar órgãos, glândulas, vasos, pele, músculos e ossos, afim de detectar a presença ou ausência de massas, pulsação, aumento de um órgão, aumento ou diminuição da sensibilidade, edema, espasmo ou rigidez muscular, elasticidade, vibração de sons vocais, crepitação, umidade e diferenças de texturas.

Ausculta

Ouvir os sons corporais, procurando identificar anormalidades. Realizar a ausculta do ápice para base, de forma comparativa e simétrica, na região anterior e posterior do tórax.

Percussão

Golpear a superfície do corpo de forma rápida, porém aguda para produzir sons que permitam ao examinador determinar a posição, tamanho, densidade de uma estrutura adjacente.

Ausculta pulmonar – principais ruídos adventícios

  • Crepitantes: tem o ruído interrompido e de tom alto, semelhante ao som que se produz quando se atrita uma mecha de cabelo próximo ao ouvido, geralmente associado ao líquido presente em vias de pequeno calibre ou interalveolar;
  • Estertores bolhosos: assemelham-se ao rompimento de pequenas bolhas e podem ser auscultado na inspiração ou na expiração, são produzidos na presença de substâncias líquidas na traqueia, nos brônquios, nos bronquíolos, ou no tecido pulmonar;
  • Ronco: estertor contínuo e prolongado, presente na inspiração, mas também pode ser audíveis na expiração. O som é grave, intenso, semelhante ao ronco observado durante o sono;
  • Sibilos: semelhante a um chiado ou assobio, são decorrentes da passagem de ar por vias aéreas estreitas. Auscultados na inspiração e na expiração. Quando intensos, podem ser audíveis sem estetoscópio;
  • Cornagem ou estridor: é a respiração ruidosa devido à obstrução no nível da laringe ou traqueia, mais percebido na fase inspiratória. Pode ser decorrente de edema de glote, corpos estranhos e estenose de traqueia.

Obs: Na ausculta atentar ainda para a presença de tiragens (intercostais, subdiafragmáticas, fúrcula, batimento de asa nasal e cianose).

Ausculta Cardíaca

Avaliar os sons cardíacos quanto à qualidade (devem ser nítidos e distintos, não abafados, difusos ou distantes. Quanto à intensidade, não devem ser fracos ou muito fortes, quanto a frequência, deve ser igual a do pulso radial e o ritmo deve ser regular e uniforme.

Cuidados Especiais

  • Quando realizar a palpação, apalpe por último áreas de sensibilidade para a criança;
  • Realizar a ausculta em ambiente silencioso e aquecer o estetoscópio.

Realizando o Procedimento

Material Necessário

  • Estetoscópio;
  • Balança adulta, pediátrica ou neonatal;
  • Fita métrica;
  • Termômetro;
  • Espátula;
  • Lanterna;
  • Relógio;
  • Régua antropométrica.

Procedimento

  • Preparar o ambiente e material necessário;
  • Explicar o adulto ou criança o procedimento;
  • Aquecer as mãos;
  • Em caso de pediatria oferecer brinquedos, livros ou outra forma de distração para tranquilizar e aumentar a adesão da criança ao exame físico;
  • Fazer uma avaliação geral da cabeça aos pés do paciente e recolher as informações subjetivas, repassadas pela própria criança, pelos profissionais ou pelos familiares.

Referências:

  1. WONG, D.L. Enfermagem pediátrica. 9ª. Edição. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, 2014.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. – Brasília:
    Ministério da Saúde, 2012.
  3. PORTO, C.C. Semiologia Médica. 7ª ed. Rio de janeiro. Guanabara, 2014