Banho no leito: Por onde começo?

banho no leito é necessário para a higiene pessoal do paciente acamado, seja em casa, clínica ou hospital, quando ele têm limitações físicas para tomar o banho no chuveiro.

Geralmente, no hospital o banho de leito é realizado pelo profissional de saúde (enfermeiro ou técnico de enfermagem), mas em casa é muito comum que um familiar (ou um cuidador) seja responsável por essa tarefa diária.

Para estas pessoas que não tem experiência e o preparo profissional adequado, listamos algumas dicas de como realizar o banho no leito da forma correta e segura.

Dicas de como dar o banho no leito em pacientes acamados

Quando temos um paciente acamado, sem mobilidade ou com nenhuma condição de segurança para sair do leito até o chuveiro, o banho é realizado na própria cama. Há vários tipos banho no leito e produtos, e hoje vamos falar do banho com irrigação, realizado de forma segura, completa e se aproxima da experiência do chuveiro pois permite o uso de água corrente.

Este banho no leito úmido, é completo e se aproxima da experiência de um banho normal, que nós estamos acostumados, embora com um volume muito menor de água.

Materiais necessários e como é o passo a passo recomendado

  1. Tenha em mãos um jarro de água ou uma mangueira conectada ao chuveiro, para iniciar o preparo do banho. A água deve estar em temperatura adequada para o conforto do paciente (mais quente no inverno e ambiente no verão).
  2. Tenha uma bacia ou balde para desprezar a água utilizada durante o banho
  3. Produtos de higiene (uso pessoal) como sabonete, shampoo, algodão etc
  4. Toalhas (uma para o rosto e outras necessárias para o corpo)
  5. Roupas, fraldas e acessórios como pente, hidratantes, desodorantes para finalizar o pós banho

Durante o banho o paciente deve estar protegido do vento e de temperatura ambiente fria, e sempre que possível, o cuidador deve se atentar para o conforto, privacidade e dignidade do paciente, mantendo sempre uma postura ética durante o banho.

Passo a passo – Como realizar o banho no leito de forma correta

  1. Comece pela cabeça. Ao lavar os cabelos, é necessário que ela esteja posicionada na cabeceira da cama, para que a água possa fluir direto para a bacia. Nesse caso, irrigar a cabeça, passar o shampoo, massagear cabeça e fios, e em seguida enxaguar. Se for usar condicionador, repetir o processo. Secar bem a cabeça e enrolar em uma toalha, para proceder com o banho.
  2. Lavar o rosto, pescoço, orelhas, braços e mãos, parte por parte, dobra por dobra, utilizando o algodão molhado embebido em sabonete. Enxaguar com um algodão limpo e secar, sempre parte por parte do corpo, sempre cuidando para proteger com uma toalha seca, as partes já limpas e secas.
  3. Descendo, cuidamos da higiene do tronco – sendo homem ou mulher – lavando bem embaixo das mamas, axilas, tórax e abdômen. Com um algodão molhado, irrigamos cada região, secando cuidadosamente logo em seguida. Cobrimos com a toalha seca e seguimos adiante.
  4. A próxima etapa são os membros inferiores, começando pela virilha e sem seguida, a dobra das pernas e pés, dando atenção aos lugares mais suscetíveis a acumular resíduos que podem causar mal cheiro ou infecções. Novamente, após lavar cada área com o algodão, devemos irrigar com o algodão molhado em água limpa e em temperatura confortável. Feito o enxágue, devemos secar cuidadosamente e cobrir com toalhas limpas e secas.
  5. Finalmente, realizamos a higiene íntima do paciente lavando suas partes genitais. O procedimento varia, mas essencialmente a preocupação em deixar esta região por último é porquê o paciente pode urinar ou evacuar durante o banho.
  6. Tanto no paciente homem quanto na mulher, inicia-se a limpeza pela área frontal. No homem, deve-se abaixar um pouco a glande do pênis, limpando cuidadosamente e observando se há a existência de resíduo de pomada próximo à uretra. Se houver algum resíduo, recomenda-se usar um pouco de óleo (de amêndoas ou de girassol), normalmente já prescrito ao paciente. Na mulher, o algodão é passado por fora dos grandes lábios vaginais. Novamente, há que se ter cuidado para não entrar em contato com a uretra, para evitar infecções urinárias. Tendo feito a higiene e tendo enxaguado, é hora de cuidar da parte posterior. Nesse momento, é necessário que o paciente seja virado (decúbito lateral), para que toda a área posterior do seu corpo possa ser higienizada. Novamente, evitar o uso de pomadas e dar preferência ao óleo prescrito pelo médico, para hidratar e evitar assaduras.
  7. Finalmente, lavamos toda a parte posterior do paciente (costas), encerrando com esta etapa o banho no leito.
  8. Vista o paciente e em seguida, retorne a área do banho ao seu estado original recolhendo os itens utilizados no banho.

Lembre-se sempre que o banho é um conforto para o paciente, e que não apenas ajuda na prevenção de infecções da pele, como também pode contribuir para o relaxamento e autoestima do seu paciente.

Referência:

  1. HUFSC

Fricção e Cisalhamento: O que são?

O Cisalhamento é causado pela combinação da gravidade e fricção.

Exerce uma força paralela à pele e resulta da gravidade que empurra o corpo para baixo e da fricção ou resistência entre o paciente e a superfície de suporte.

Quando a cabeceira é elevada, a pele adere-se ao leito da cama, embora o esqueleto empurre o corpo para baixo. Os vasos sanguíneos são esticados ou acotovelados dificultando ou interrompendo o fluxo sanguíneo e causando danos por isquemia. O cisalhamento causa a maior parte do dano observado nas lesões por pressão.

Já a Fricção, se a ação da fricção for isolada, a possibilidade de danos estará restrita à epiderme e derme e ao estrato córneo. Resulta em uma lesão semelhante a uma queimadura leve e ocorre com maior frequência em pacientes agitados. A forma mais grave de dano por fricção ocorre associada ao cisalhamento.

O cisalhamento causa a maior parte do dano observado nas lesões de pressão.

Fatores para causa de LPP

A umidade cutânea (mais comumente oriunda de incontinência urinária ou fecal) pode gerar maceração da pele, expondo ao risco de desenvolvimento de lesão.

Outros fatores relacionados ao desenvolvimento de lesões por pressão incluem desnutrição, idade avançada, condições de saúde que ocasionam baixa perfusão tecidual (hipotensão, tabagismo, hipertermia, anemia) e estados psicossociais, em particular a secreção de cortisol induzida por estresse.

Veja também:

Classificação da Lesão por Pressão conforme NPUAP

Qual é o benefício do uso do Colchão “Caixa de Ovo”?

Coxim ou Coxins: Prevenção de Lesão por Pressão

Escala de Braden

Referências:

  1. EBSERH