Baby Blues vs. Depressão Pós-Parto: Entendendo as Diferenças

Baby Blues e Depressão Pós-Parto são duas condições que podem afetar mulheres no período pós-parto, mas possuem características e gravidade distintas. É importante saber diferenciá-las para buscar o tratamento adequado.

Baby Blues

  • Ocorrência: Muito comum, afetando cerca de 80% das novas mães.
  • Sintomas: Tristeza, irritabilidade, choro fácil, ansiedade, dificuldade para dormir e alterações de humor.
  • Duração: Geralmente dura poucos dias ou até duas semanas após o parto.
  • Intensidade: Os sintomas são menos intensos e costumam alternar com momentos de alegria e prazer.
  • Causas: Flutuações hormonais, cansaço, mudanças na rotina e a adaptação à nova realidade.
  • Tratamento: Não requer tratamento específico, pois costuma desaparecer espontaneamente. O apoio da família e amigos, descanso e uma boa alimentação podem ajudar a aliviar os sintomas.

Depressão Pós-Parto

  • Ocorrência: Menos comum que o baby blues, mas ainda assim significativa.
  • Sintomas: Sentimentos intensos e persistentes de tristeza, angústia, desesperança, perda de interesse pelas atividades cotidianas, dificuldade em se conectar com o bebê, alterações no apetite e no sono, pensamentos de inutilidade e culpa, e até mesmo ideias suicidas.
  • Duração: Pode durar semanas, meses ou até anos, se não tratada.
  • Intensidade: Os sintomas são mais intensos e duradouros, interferindo significativamente na vida da mãe e do bebê.
  • Causas: Complexas e multifatoriais, envolvendo fatores biológicos, psicológicos e sociais.
  • Tratamento: Requer acompanhamento médico e psicológico, podendo incluir psicoterapia, medicação e grupos de apoio.

É importante ressaltar que:

  • Não se sinta culpada: Muitas mulheres passam por essas experiências e não é sinal de fraqueza buscar ajuda.
  • Procure ajuda: Se os sintomas persistirem ou se tornarem muito intensos, converse com seu médico ou profissional de saúde mental.
  • Cuide de si mesma: Descanse, alimente-se bem, pratique atividades que te dão prazer e peça ajuda para cuidar do bebê quando necessário.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem para mulheres com Baby Blues e Depressão Pós-Parto são fundamentais para promover o bem-estar físico e emocional da puérpera e de seu bebê. O enfermeiro desempenha um papel crucial na identificação precoce dos sintomas, no estabelecimento de um vínculo de confiança com a paciente e na orientação sobre os cuidados necessários.

Baby Blues

  • Identificação: O enfermeiro deve estar atento aos sinais e sintomas característicos do Baby Blues, como tristeza, irritabilidade, choro fácil, dificuldade para dormir e alterações de humor.
  • Orientação: É importante orientar a puérpera sobre a natureza transitória do Baby Blues e que esses sintomas são comuns após o parto.
  • Apoio emocional: Oferecer um ambiente acolhedor e seguro para que a mulher possa expressar seus sentimentos e dúvidas.
  • Incentivo ao descanso: Enfatizar a importância do descanso e do sono adequados para a recuperação física e emocional.
  • Orientação sobre a amamentação: Oferecer suporte e informações sobre a amamentação, pois o aleitamento materno pode auxiliar na produção de hormônios que promovem o bem-estar.
  • Envolvimento da família: Incentivar a participação da família no cuidado com a mãe e o bebê, proporcionando momentos de descanso e apoio emocional.

Depressão Pós-Parto

  • Identificação precoce: O enfermeiro deve estar atento aos sinais de alerta da Depressão Pós-Parto, como tristeza intensa e persistente, perda de interesse pelas atividades cotidianas, alterações no apetite e no sono, pensamentos de inutilidade e culpa.
  • Comunicação: Estabelecer uma comunicação aberta e empática com a paciente, demonstrando interesse e preocupação com seu bem-estar.
  • Avaliação: Realizar uma avaliação completa da saúde física e mental da puérpera, incluindo a coleta de dados sobre a história obstétrica, antecedentes familiares de transtornos mentais e sintomas atuais.
  • Encaminhamento: Encaminhar a paciente para avaliação psiquiátrica e acompanhamento psicológico, quando necessário.
  • Educação: Oferecer informações sobre a depressão pós-parto, as opções de tratamento e a importância do tratamento adequado.
  • Apoio à família: Envolver a família no processo de cuidado, orientando-os sobre como oferecer apoio à mãe e ao bebê.

Cuidados gerais para ambas as condições:

  • Monitoramento: Acompanhar regularmente a evolução clínica da paciente, observando qualquer alteração nos sintomas.
  • Promoção do autocuidado: Estimular a prática de atividades físicas leves, alimentação saudável e técnicas de relaxamento.
  • Grupos de apoio: Incentivar a participação em grupos de apoio para mães, onde elas podem compartilhar experiências e receber apoio de outras mulheres que passaram pela mesma situação.
  • Prevenção: Promover a saúde mental durante a gestação, identificando e tratando possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de transtornos mentais no pós-parto.

É fundamental que o enfermeiro esteja atento aos sinais de alerta e ofereça um cuidado integral à mulher no período pós-parto, promovendo sua saúde física e mental e fortalecendo o vínculo materno-infantil.

Referências:

  1. Schmidt, E. B., Piccoloto, N. M., & Müller, M. C.. (2005). Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. Psico-usf, 10(1), 61–68. https://doi.org/10.1590/S1413-82712005000100008
  2. CAMPOS, Paula Azevedo; FÉRÉS-CARNEIRO, Terezinha. Sou mãe: e agora? Vivências do puerpério. Psicologia USP, São Paulo, v. 32, e200211, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/0103-6564e200211.
  3. Bárbara Camila de Campos; Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues. Depressão pós-parto materna: crenças, práticas de cuidado e estimulação de bebês no primeiro ano de vida. Psico, vol.46 no.4 Porto Alegre dez. 2015. https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.20802

Bandeja para Preparo do Corpo Pós Morte

Para que serve?

O preparo do corpo pós morte é um procedimento/atribuição que faz parte do cotidiano da enfermagem, não sendo desprovido de profissionalismo, sentimentos e emoções. Tem como objetivo informar o processo para manter o corpo limpo e identificado, evitando a saída de odores e secreções, após a morte, antes da rigidez cadavérica.

Executor:

Enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Materiais Necessários

  • EPI – (máscara cirúrgica, óculos protetor, avental e luvas de procedimento) ;
  • Lâmina de bisturi;
  • Tesoura;
  • Gazes;
  • Atadura de crepe;
  • Seringa (10 ou 20 ml);
  • Fita adesiva;
  • Saco Mortalha;
  • Lençóis;
  • Etiqueta de Identificação (nome completo, atendimento, data de nascimento, data e horário do óbito, setor e número do leito, nome do médico declarante e responsável pelos cuidados);
  • Biombo;
  • Hamper;
  • Lixo para descarte de infectantes;
  • Caixa para descarte de materiais perfurocortantes;
  • Maca sem colchão

Etapas do Procedimento

  1. O enfermeiro deve observar o registro de constatação de óbito no prontuário, certificar-se da existência de contraindicação para o tamponamento do corpo e comunicar ao tecnico/ auxiliar e preencher a etiqueta de óbito, contendo: nome completo, registro, leito, data e hora do óbito e assinatura do profissional.
  2. O tecnico/auxiliar deve realizar higienização das mãos com água e sabão,
  3. Separar uma bandeja para o procedimento e o material para o procedimento, colocando-o na bandeja.
  4. Levar a bandeja até o leito do paciente e colocá-la na mesa de cabeceira.
  5. Checar os dados de identificação legíveis na placa de identificação do leito.
  6. Se apresentar ao acompanhante, se houver, orientar o mesmo em relação ao procedimento, perguntando se deseja acompanhar o procedimento ou não.
  7. Oferecer ao acompanhante a opção de ver o corpo e despedir-se do paciente.
  8. Promover privacidade, utilizando biombos, se necessário, colocar as luvas de procedimento, avental ou capote e máscara cirúrgica.
  9. Desligar os equipamentos, quando em uso, posicionar o corpo em decúbito dorsal e retirar sondas, cateteres e drenos.
  10. Proceder à higiene do corpo, quando necessário.
  11. Realizar curativos nos locais necessários e proceder com o tamponamento com algodão de ouvidos, nariz, orofaringe, região anal e vaginal, quando indicado.
  12. Manter decúbito horizontal dorsal com braços fletidos sobre o tórax, fixar mandíbula, punhos e tornozelos com atadura de crepe.
  13. Proceder à identificação colocando a etiqueta com fita crepe sobre o tórax do paciente e instalar o corpo dentro do saco mortalha, e posterior cobrir com um lençol sob o paciente a modo que envolva o corpo cobrindo-o completamente; coloca-se outra etiqueta sob o lençol novamente na altura do tórax do paciente.
  14. Solicitar ao maqueiro o encaminhamento do corpo ao necrotério.
  15. Listar e guardar todos os pertences do paciente para entrega a família, protocolando em impresso próprio.
  16. Manter a organização da unidade do paciente.
  17. Desprezar o material utilizado nos locais apropriados.
  18. Realizar higienização das mãos com água e sabão.
  19. Por fim realizar as anotações necessárias, incluindo a data e hora do óbito, o nome do médico que constatou o óbito, manobras de reanimação e medicações utilizadas,
    assinando e carimbando o relato.

Referências:

  1. NURSING INTERVENTIONS CLASSIFICATION (NIC) Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC). 6° ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  2. NURSING OUTCOMES CLASSIFICATION (NOC). Classificação dos Resultados de Enfermagem. 5° ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  3. NORTH AMERICAN NURSING DIAGNOSIS ASSOCIATION (NANDA). Diagnóstico de enfermagem: definições e classificação 2015-2017/ NANDA International; tradução
    Regina Machado Garcez. – Porto Alegre: Artmed, 2015.
  4. TRINDADE, V., SALMON, V.R.R. Sistematização de enfermagem: morte e morrer. Curitiba: Revista das Faculdades Santa Cruz, v. 9, n. 2, p. 115-137, 2013.
  5. CHEREGATTI, A. L. et al. Técnicas de enfermagem. São Paulo: Rideel, 2009. 246p.
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier. 2009. 1480p. 

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP
Notícias da Enfermagem

UFPB divulga resultado dos aprovados no Pós-Tec Enfermagem

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Resultado preliminar de aprovados no Pós-Tec Enfermagem é divulgado

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O Preparo do Corpo Pós-Morte

A preparação do corpo pós-morte começa ainda no hospital, assim que o óbito é declarado. Nesse momento, as equipes de enfermagem precisam realizar uma série de procedimentos que visam reduzir os riscos de contaminação, garantir a integridade do leito para outros pacientes e enviar o corpo de maneira correta até a funerária ou o IML.

Material Necessário:

-Pacote de curativo;
-Algodão
-Ataduras
-Esparadrapo
-Etiquetas de identificação
-Hamper
-Lençol comum ou saco mortuário
-Biombo
-Vestimenta (conforme a rotina do hospital)

Técnica de preparo do corpo:

  • Equipamentos de Proteção Individual – EPI – (máscara cirúrgica, óculos protetor, avental e luvas de procedimento);
  • Cercar o leito com biombo;
  • Calcar luvas de procedimento;
  • Colocar o corpo em posição anatômica;
  • Fechar os olhos do paciente;
  • Colocar próteses dentárias (caso existam);
  • Sustentar a mandíbula com ataduras para manter a boca fechada;
  • Retirar colcha e colocar no hamper;
  • Despir o morto;
  • Retirar cateter venoso, sondas e cânulas (caso existam);
  • Tamponar os orifícios naturais do corpo;
  • Proceder a higienização do corpo;
  • Trocar curativos (se necessário);
  • Colocar etiqueta de identificação no tórax anterior;
  • Vestir o corpo (de acordo com a rotina do hospital);
  • Amarrar os pés e as mãos usando ataduras;
  • Virar o morto em decúbito lateral;
  • Retirar os lençol, traçados e oleado;
  • Envolver o corpo com lençol ou saco mortuário;
  • Colocar outra etiqueta do lado de fora do lençol ou saco mortuário na altura do tórax;
  • Transportar o corpo para o necrotério ou mortuário (de acordo com a rotina do hospital);
  • Lavar e guardar material permanente utilizado;
  • Proceder a limpeza da unidade;
  • Encaminhar os pertences do morto (de acordo com a rotina do hospital);
  • Retirar luvas;
  • Lavar as mãos;
  • Fazer as anotações no prontuário e o registro de enfermagem.
  • Em casos religiosos específicos, as equipes são avisadas para realizar determinados procedimentos exigidos pelos familiares.

Não esquecer, em hipótese alguma, de anotar o horário do óbito e o nome do médico que atestou o óbito.

IMPORTANTE: O corpo humano merece respeito e dignidade de uma pessoa viva.

Intervenções de Enfermagem e observações

  • Evitar comentários desnecessários e manter atitude de respeito durante o cuidado com o corpo. Respeitar as crenças dos familiares ao preparar o corpo.
  • Não realizar os procedimentos de higienização e tamponamento para o corpo que será encaminhado ao IML ou SVO e que esteve hospitalizado por um período inferior a 24 horas.
  • Nesses casos, deve ser feita somente a identificação, e os cuidados com o corpo passam a ser do local onde o corpo será encaminhado.
  • Desprezar os materiais descartáveis utilizados nos cuidados com o corpo no expurgo, em recipientes de descarte específicos para o tipo de resíduo.
  • Permitir que a família veja o corpo antes de ser encaminhado ao Serviço de Patologia/Necropsia, quando solicitado.

Referências

1.NURSING INTERVENTIONS CLASSIFICATION (NIC) Classificação das Intervenções de Enfermagem (NIC).6° ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
2.NURSING OUTCOMES CLASSIFICATION (NOC). Classificação dos Resultados de Enfermagem. 5° ed.Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
3.NORTH AMERICAN NURSING DIAGNOSIS ASSOCIATION (NANDA). Diagnóstico de enfermagem:definições e classificação 2015-2017/ NANDA International; tradução Regina Machado Garcez. – Porto Alegre:Artmed, 2015.
4.TRINDADE, V., SALMON, V.R.R. Sistematização de enfermagem: morte e morrer. Curitiba: Revista dasFaculdades Santa Cruz, v. 9, n. 2, p. 115-137, 2013.
5.CHEREGATTI, A. L. et al. Técnicas de enfermagem. São Paulo: Rideel, 2009. 246p.
6.POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier. 2009. 1480p.
7.SILVA, S. C.; SIQUEIRA, I. L. C. P.; SANTOS, A. E. Procedimentos básicos. Hospital Sírio Libanês. São Paulo:Atheneu, 2008. 170p.
8.TAYLOR, C.; LILLIS, C.; LEMONE, P. Fundamentos de enfermagem: a arte e a ciência do cuidado de enfermagem.5.ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. 1592p.
9.LECH, J. Manual de procedimentos de enfermagem. Hospital Alemão Oswaldo Cruz. São Paulo: Martinari, 2006.238p.
10.MORITZ, R. A. Os profissionais de saúde diante da morte e do morrer. Bioética, v.13, n. 2, p. 51-63, 2005.
11.ARCHER, E. et al. Procedimentos e protocolos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
12.SCHULL, P. D. Enfermagem básica: teoria e prática. São Paulo: Rideel, 2005. 501p.
13.BUENO, E. Porque falar na morte? Rev. Espaço Acadêmico, 2003.
14.RIBEIRO, M. C.; BARALDI, S.; SILVA, M. J. P. A percepção da equipe de enfermagem em situação de morte:ritual do preparo do corpo “pós-morte”. Rev. Esc. Enfermagem., v. 32, n. 2, p. 117-23, 1998.

Lóquios Pós-Parto

Os lóquios são perdas, inicialmente de sangue e, numa segunda fase, de outros tecidos também, o que faz com que mudem a sua aparência. Os lóquios começam imediatamente depois do parto e podem prolongar-se até ao final do puerpério, os clássicos 40 dias depois do nascimento.

Imediatamente após a fase de expulsão do bebê, o útero contrai-se e coloca-se na zona situada em cima do umbigo. Entre 10 a 15 dias depois do parto, o útero já fica ao nível da púbis e, no final do puerpério, já recuperou as suas dimensões normais. O peso do útero também muda: se, quando o bebê nasce, pesa cerca de um quilo, depois de 40 dias volta aos 60-90 gramas de sempre.

Mas a que se deve esta mudança? As responsáveis são as células musculares do útero que reduzem o seu volume, diminuem de número e alisam-se produzindo as perdas que recebem o nome de lóquios.

Quais são as causas dos lóquios?

Os lóquios ou perdas de sangue são provocados por três fenômenos:

  • A expulsão da placenta, o órgão que forneceu oxigênio e nutrientes ao feto durante a gravidez. No ponto do útero onde estava presa a placenta forma-se uma ferida que começa a sangrar. Por isso, vão para esta zona uma grande quantidade de glóbulos brancos de modo a formarem uma barreira de defesa face aos possíveis germes que poderiam provocar uma infeção na ferida. À medida que se forma este escudo protetor, as perdas de sangue produzidas pela ferida vão-se reduzindo. Este processo costuma terminar em cerca de quatro semanas após o parto. Não obstante, não se trata de um processo normal de cicatrização mas sim de uma reconstrução dos tecidos. Se sobre o ponto em que estava presa a placenta se formasse uma cicatriz, no futuro não seria possível a implantação de um novo óvulo fecundado.
  • A eliminação da capa que reveste o útero durante a gravidez constitui o segundo elemento responsável pela existência de lóquios. Esta capa é composta por um tecido abundante que, com a sua presença, torna o útero um lugar acolhedor para o feto e que é expulso na maior parte no momento do parto. A capa mais profunda deste tecido elimina-se lentamente produzindo os lóquios.
  • A destruição por lise de parte das fibras do útero, quando termina a gestação, dá lugar a parte dessa secreção chamada lóquios.

Os tipos de Lóquios

A cor desses lóquios se modificam durante puerpério. Conforme a segunda imagem observamos:

  • Até o 3 ° dia uma cor rubra (vermelho), quantidade semelhante ao fluxo menstrual;
  • Após o 3º ou 4º dia até o 10° dia, a cor é FUSCA (acastanhado);
  • Até o 21º dia, observa-se a cor Flava (amarelado) e a partir de 21°dia alba (branca).

Os lóquios possuem odor característicos semelhantes ao sangue menstrual, qualquer modificação desse odor para – odor fétido – pode indicar uma infecção puerperal sendo necessário buscar orientação de um especialista.

Cuidados de Enfermagem

  • Verificar os sinais vitais (pulso, respiração, temperatura e pressão arterial), de 6/6 horas.
  • Observar o estado das mucosas e hidratação. Estimular ingestão hídrica nas primeiras 48 horas.
  • Encorajar a deambulação precoce (6 horas para parto vaginal e 12 horas para cesariana).
  • Verificar altura do fundo uterino, observando sua consistência e localização, bem como as características da incisão operatória quando o parto for cesáreo.
  • Inspecionar diariamente o períneo e o estado dos genitais externos: condições de higiene, cicatrização da episiotomia/laceração, presença de edema, hematoma e sinais de inflamação.
  • Observar continuamente e registrar lóquios: cor, odor, quantidade e aspecto.
  • Fazer ou orientar para higiene vulvar e perineal com água corrente após as micções e evacuações.
  • Avaliar continuamente o estado das mamas e mamilos: consistência, temperatura, sinais de apojadura, ingurgitamento, trauma mamilar, bloqueio de ductos, produção láctea, entre outros.
  • Controlar micção, características da urina, volume, frequência e distúrbios urinários, especialmente nas primeiras 24 a 72 horas. Em caso de sonda vesical, observar cuidados com a mesma.
  • Controlar e registrar diariamente a função intestinal: presença de peristaltismo, frequência e distúrbios no padrão de eliminação. Na ocorrência de hemorroida, observar tamanho, desconforto e sensibilidade.
  • Observar continuamente membros inferiores, atentando para os sinais precoces de tromboses e flebites.
  • Discutir com a puérpera os conceitos relacionados à alimentação e à higiene corporal;
  • Avaliar o estado emocional da puérpera e sua aceitação da maternidade, procurando identificar o grau de interação com o recém-nascido e de integração familiar.
  • Dar suporte emocional e ajuda prática.
  • Identificar o grau de conhecimento da puérpera em relação aos cuidados com o recém-nascido: curativo do coto umbilical, banho, vestuário, alimentação e imunização.
  • Respeitar a autonomia da mulher e sua liberdade de escolha.
  • Ministrar medicamentos prescritos, observando efeitos colaterais e adversos. Em caso de fluidoterapia, realizar controle e cuidados para esta.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção a saúde. Pré-Natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada:manual Técnico. Brasília: Ministério da Saúde, versão revisada, 2006. Disponível AQUI.

Dispepsia Funcional

A Dispepsia funcional é uma condição comum, de sintomas persistentes e repetidos de indigestão.

Os sintomas típicos incluem desconforto no estômago ou dor, sentir-se rapidamente satisfeito ou se sentir muito cheio depois de comer e outros sintomas de indigestão.

Isso pode ser desencadeado por comer refeições pesadas, comer rápido, consumir bebida alcoólica e stress.

Embora possa ser muito desagradável, esta condição não tem quaisquer consequências graves.

Principais Riscos

Tende a afetar as mulheres um pouco mais frequentemente do que os homens, e tende a ocorrer com mais frequência em pessoas de meia-idade.

Causas

As causas da dispepsia funcional não são bem compreendidas. As pessoas que têm uma infecção por Helicobacter pylori podem ser mais propensos a ter dispepsia funcional, mesmo que não haja outros sinais de infecção.

Sinais e Sintomas

Os sintomas típicos incluem:

  • Desconforto no estômago;
  • Gastralgia;
  • Se sentir rapidamente satisfeito ou muito cheio depois de comer;
  • Plenitude Gástrica;
  • Plenitude Pós-Prandial;
  • Náuseas;
  • Arrotos;
  • Flatulência.

 

Como é diagnosticado

O médico deve excluir outras causas possíveis para os sintomas.

Isso inclui a avaliação dos sintomas e exame clínico, bem como uma revisão dos medicamentos que o paciente esteja tomando.

Pode incluir exames de sangue (para testar anemia ou inflamação), e endoscopia (uma longa câmara introduzida através da boca até o estômago).

Durante a endoscopia, os médicos podem tirar uma amostra do revestimento do estômago para fazer examinar e testar para outras possíveis condições. Os resultados de todos estes testes devem ser normais para alguém com dispepsia funcional.

O Tratamento

Tratar qualquer infecção por bactéria Helicobacter pylori deve ser feita com antibióticos.

Outros métodos de tratamento envolvem o controle dos sintomas desta condição. Isto inclui medicamentos que reduzem a acidez no estômago e alterações na dieta para evitar alimentos que pioram os sintomas.

Veja também:

Glicemia Pós-Prandial: Aquele sono após uma refeição!

Referência:

  1. Gastrocenter

Escala de Aldrete e Kroulik: Recuperação Pós-Anestésica

A recuperação pós-anestésica compreende importante etapa do cuidado perioperatório. É um processo dinâmico, que inicia ainda na sala de operações e estende-se até a recuperação completa do paciente, a qual depende da técnica e dos fármacos anestésicos utilizados.

O tempo de permanência do paciente na sala de recuperação pós-anestésica (SRPA) é fundamental no manejo do fluxo de pacientes cirúrgicos e repercute tanto na capacidade de atendimento do centro cirúrgico quanto no custo global do paciente.

Os critérios de alta da SRPA podem ser sistematizados através de protocolos assistenciais, como a escala de Aldrete e Kroulik por critérios empíricos ou pelo anestesiologista que realizou o procedimento anestésico ao estabelecer um horário para alta.

Metodologia de Utilização

O sistema de Aldrete–Kroulik permite avaliação dos seguintes parâmetros:

  • Atividade do paciente;
  • Respiração;
  • Circulação;
  • Consciência;
  • Saturação de oxigênio.

Atribui-se uma pontuação que varia de 0 a 2 para cada parâmetro, na qual o 0 indica condições de maior gravidade, o 1 corresponde a um nível intermediário e o 2 representa a melhor função.

O Índice Aldrete e Kroulik tem como proposta, a avaliação dos sistemas cardiovascular,respiratório, nervoso central e muscular dos pacientes submetidos a ação das fármacos e técnicas anestésicas, por parâmetros clínicos de fácil verificação, como frequência respiratória, pressão arterial, atividade muscular, consciência e saturação periférica de oxigênio mediante oximetria de pulso.

Curiosidade

A Escala de Aldrete e Kroulik foi inspirada na escala de Apgar (Dra. Virginia Apgar (1909 – 1974) ) para avaliação de recém-nascidos, e em 1995 sofreu modificações passando a avaliar a saturação do oxigênio ao invés de coloração cutânea como na escala original.

Mesmo sendo muito utilizado, sugestões vem sendo feitas desde a criação do índice e muitos estudos para poder cada vez mais ajudar o paciente a evoluir melhor para a alta depois de uma cirurgia onde se usa uma anestesia.

Referências:

  1. ALDRETE JA. The post-anesthesia recovery score revisited. Journal Clinical Anesthesia, v.96, n.7, p. 89-91, 1995.
  2. ALDRETE JA, Kroulik D – A Postanesthetic Recovery Score. Anesthesia and Analgesia, v. 49, n. 6, p. 924-934, 1970.
  3. ASA – American Society of Anesthesiologists Task Force on Post Anesthetic Care- Practice Guidelines for Post Anesthetic Care. Anesthesiology, v.96, n. 3, p.742-752, 2002.

Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA)

O Período de recuperação pós-anestésica é considerado crítico, uma vez que o paciente passa por um procedimento cirúrgico e recebe drogas anestésicas, exigindo vigilância constante da equipe cirúrgica.

A Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA)é o local destinado ao atendimento intensivo do paciente, no período que vai desde sua saída da Sala de Cirurgia até a recuperação da consciência, eliminação de anestésicos e estabilização dos sinais vitais.

Os objetivos e vantagens da SRPA incluem prevenção e detecção precoce das possíveis complicações pós-anestésicas e pós-cirúrgicas, assistência de enfermagem especializada a pacientes submetidos a diferentes tipos de anestesias e cirurgias, maior segurança ao paciente, equipe médica e de enfermagem, racionalização de pessoal, eficiência dos recursos humanos e utilização de terapêuticas especializadas, além de servir de campo de aprendizagem para alunos da área da saúde.

Planta Física

Os requisitos ambientais indispensáveis ao centro de recuperação são:

  • Localização próxima ao centro cirúrgico;
  • Temperatura;
  • Ventilação e iluminação adequadas;
  • Piso refratário à condutibilidade elétrica;
  • Facilidades de limpeza;
  • Espaço suficiente, não devendo sua área ser inferior a 25 metros quadrados;
  • Os leitos devem estar dispostos de tal forma que os pacientes possam ser vistos de qualquer ângulo do recinto;
  • Portas amplas que permitam a entrada de aparelhos transportáveis como RX, aparelho de anestesia, aspiradores;
  • Fonte de oxigênio permanente;
  • Estantes e armários amplos para depósito de medicamentos, materiais cirúrgicos e aparelhos.

A Admissão

Após a anestesia, pacientes devem ser removidos para a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA), unidade de terapia intensiva (UTI) ou outro local que o anestesiologista responsável determine e assuma a responsabilidade conforme o caso.

O médico anestesiologista que realizou o procedimento anestésico deverá acompanhar o transporte do paciente para a SRPA e/ou UTI.

Desde a admissão até o momento da alta, os pacientes permanecerão monitorados quanto:

  • À circulação, incluindo aferição da pressão arterial e dos batimentos cardíacos e determinação contínua do ritmo cardíaco, por meio da cardioscopia;
  • À respiração, incluindo determinação contínua da oxigenação do sangue arterial e oximetria de pulso;
  • Ao estado de consciência;
  • À intensidade da dor.

Cuidados de Enfermagem com Pacientes na SRPA

  • Conferir a identificação da paciente;
  • Fazer exame físico;
  • Monitorar Frequência Cardíaca (FC), PA, saturação de oxigênio, temperatura, nível de consciência e dor » Manter vias aéreas permeáveis;
  • Instalar nebulização de oxigênio para manter a oximetria periférica > 92%;
  • Promover conforto e aquecimento;
  • Verificar condições do curativo (sangramentos), fixação de sondas e drenos;
  • Anotar débitos de drenos e sondas;
  • Fazer balanço hídrico caso necessário;
  • Observar dor, náusea e vômito e comunicar anestesiologista;
  • Administrar analgésicos, antieméticos e antibióticos conforme prescrição médica;
  • Manter infusões venosas e atentar para infiltrações e irritações cutâneas;
  • Observar queixas de retenção urinária;
  • Minimizar fatores de estresse;
  • Orientar a paciente sobre o término da cirurgia, garantir sua privacidade e zelar por sua segurança;
  • Comunicar o anestesiologista de plantão intercorrências relacionadas às pacientes assistidas;
  • Aplicar o índice de Aldrete e Kroulik para estabelecer os critérios de alta da SRPA;
  • Aplicar a Escala de Bromage nas pacientes que foram submetidas a anestesias regionais (Raquianestesia ou Anestesia Peridural) para estabelecer os critérios de alta da SRPA somado aos critérios da Escala de Aldrete e Kroulik;
  • Providenciar ao destino as pacientes de alta médica.

Referências:

1. BRASIL. Conselho Federal de Medicina. 2006, Resolução Nº 1802.
2. Conselho Regional de Medicina do estado do Ceará. 2012, Portaria 44/2012.
3. Ministério da Saúde. 1977.
4. Oliveira, F.G.R. Rotinas de cuidados pós-anestésicos de anestesiologistas brasileiros. Rev. Bras. Anestesiol 2003; 53; 4; 518-534.
5. Contribuição para o cálculo de recursos humanos na área. Rio de Janeiro, 1988. 44p. Série Políticas de Saúde 5.
6. DRAIN; SHIPLEY. Enfermagem na sala de recuperação. Rio de Janeiro: Interamericana, 1981. cap. 14.