Salvador, Bahia, 21 de maio de 2025 – O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) abriu oficialmente as inscrições para o 27º Congresso Brasileiro dos Conselhos Regionais de Enfermagem (CBCENF), o maior evento da área no país. O congresso acontecerá no Centro de Convenções de Salvador, na Bahia, entre os dias 8 e 11 de setembro […]
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5 Regras Básicas no Uso de Drogas Vasoativas

No dia a dia da enfermagem, especialmente em ambientes de alta complexidade como as UTIs e pronto-socorros, lidar com pacientes graves é uma constante. E em muitos desses casos, as Drogas Vasoativas (DVAs) se tornam aliadas poderosas, capazes de mudar o curso de uma situação crítica.
Mas, como o próprio nome diz, são drogas que agem nos vasos, alterando a pressão arterial e o fluxo sanguíneo, e seu uso exige um conhecimento e uma atenção impecáveis.
Para nós, profissionais de enfermagem, dominar o uso seguro e eficaz das DVAs é uma questão de vida ou morte. Por isso, separamos as 5 regras de ouro que todo estudante e profissional de enfermagem precisa ter na ponta da língua. Vamos lá!
1.Uso exclusivo de bomba de infusão
As drogas vasoativas devem sempre ser administradas por meio de bomba de infusão. Esse equipamento permite um controle rigoroso e preciso do volume infundido por minuto, o que é essencial, considerando a potência dessas medicações.
Administrações manuais ou com equipo de gotejamento simples são contraindicadas, pois a mínima alteração na velocidade pode causar flutuações abruptas na pressão arterial ou frequência cardíaca do paciente.
Cuidados de enfermagem:
- Verificar a calibração da bomba antes do uso.
- Monitorar frequentemente o equipo e a conexão para evitar interrupções na infusão.
- Documentar e checar a velocidade da bomba conforme a prescrição médica.
2.Preferência por acesso venoso central (CVC)
Drogas vasoativas possuem alto potencial irritativo. Quando administradas em acesso venoso periférico, há risco elevado de extravasamento, que pode levar à necrose tecidual e até amputações, dependendo do tempo de exposição.
Sempre que possível, essas drogas devem ser administradas por um acesso venoso central (CVC). Em situações emergenciais, pode-se iniciar a infusão em veia periférica, mas esse acesso deve ser trocado por um CVC o mais breve possível.
Cuidados de enfermagem:
- Observar sinais de infiltração ou extravasamento no local da punção.
- Avaliar o fluxo do cateter e manter o curativo limpo e seco.
- Notificar imediatamente a equipe médica diante de sinais de irritação local.
3.Monitorização contínua dos sinais vitais
O paciente que recebe droga vasoativa precisa de monitoramento contínuo. A equipe de enfermagem deve acompanhar sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e nível de consciência, preferencialmente com monitor multiparamétrico.
As alterações nesses parâmetros guiam o ajuste da dose da droga, que muitas vezes é feita em tempo real conforme a resposta do paciente.
Cuidados de enfermagem:
- Verificar sinais vitais de 5 em 5 minutos no início da infusão ou após ajustes de dose.
- Avaliar a perfusão periférica (enchimento capilar, coloração da pele, temperatura das extremidades).
- Monitorar a diurese horária para avaliar perfusão renal.
4.Não administrar em bolus (sem prescrição específica)
É absolutamente contraindicado administrar drogas vasoativas em bolus (injeção rápida) sem prescrição médica expressa. A infusão abrupta pode causar hipertensão súbita, arritmias, colapso cardiovascular e até morte.
Essas drogas devem ser sempre infundidas de forma contínua e controlada. Em casos raros e sob prescrição, podem ser feitas em bólus, mas isso requer monitoramento intensivo imediato.
Cuidados de enfermagem:
- Confirmar a via e o modo de administração na prescrição.
- Em caso de dúvida, nunca administrar sem esclarecimento com o médico responsável.
- Reforçar com a equipe a importância da padronização de protocolos.
5.Conhecer a farmacologia da droga administrada
É essencial que o profissional de enfermagem conheça a farmacodinâmica e a indicação específica da droga vasoativa em uso. Noradrenalina, dopamina, dobutamina, adrenalina e vasopressina possuem efeitos diferentes, e entender essas ações auxilia na interpretação clínica das reações do paciente.
Além disso, a compreensão dos mecanismos ajuda a tomar decisões mais seguras em situações de urgência, reduzindo o risco de eventos adversos.
Cuidados de enfermagem:
- Estudar os principais efeitos colaterais e sinais de toxicidade.
- Manter material de apoio acessível (protocolos da UTI, manuais de enfermagem).
- Participar de treinamentos e atualizações sobre drogas vasoativas.
O uso de drogas vasoativas envolve riscos importantes, mas quando administradas com responsabilidade e conhecimento, tornam-se aliadas no suporte à vida. A enfermagem tem papel central na segurança do paciente, atuando desde a instalação até o monitoramento da infusão contínua.
Lembre-se: conhecimento salva vidas. E na terapia intensiva, cada detalhe importa.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de uso seguro de medicamentos vasoativos. Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
- GOMES, Rodrigo Vieira; PINHEIRO, Renata T. Assistência de enfermagem ao paciente em uso de drogas vasoativas. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 32, n. 3, p. 370-378, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti
- NUNES, Camila L.; SOUZA, Patrícia F. Farmacologia aplicada à enfermagem. São Paulo: Manole, 2021.
- PEREIRA, Juliana S. et al. Segurança na administração de medicamentos vasoativos: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual, v. 92, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br
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Prescrição Médica: Como interpretar?

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das responsabilidades mais cruciais que você irá adquirir é a administração de medicamentos.
Essa tarefa, aparentemente simples, envolve uma série de conhecimentos e cuidados para garantir a segurança e a eficácia do tratamento prescrito. Afinal, um medicamento administrado de forma incorreta pode ter consequências sérias para a saúde do paciente.
Vamos juntos desmistificar esse processo e entender os passos essenciais para uma administração segura e responsável.
A Prescrição Médica: O Ponto de Partida
Tudo começa com a prescrição médica, um documento legal que detalha qual medicamento deve ser administrado, a dose, a via de administração, o horário e a frequência. É fundamental entender que nunca devemos administrar um medicamento sem uma prescrição válida e completa.
Essa prescrição é a garantia de que o tratamento foi avaliado e indicado por um profissional de saúde qualificado.
O que observar em uma prescrição:
- Nome completo do paciente: Certifique-se de que o nome do paciente na prescrição corresponde ao nome do paciente para quem o medicamento será administrado. Parece óbvio, mas a dupla checagem é essencial para evitar erros.
- Nome do medicamento (genérico e/ou comercial): Verifique o nome do medicamento com atenção. Em caso de dúvidas sobre abreviações ou caligrafia ilegível, não hesite em perguntar ao médico prescritor ou ao farmacêutico.
- Dose: A dose prescrita deve ser clara e inequívoca (por exemplo, 500mg, 10mL). Preste atenção à unidade de medida (miligramas, gramas, mililitros, unidades internacionais).
- Via de administração: A via pela qual o medicamento deve ser administrado (oral, intravenosa, intramuscular, subcutânea, etc.) influencia diretamente a velocidade e a forma como o medicamento será absorvido pelo organismo.
- Frequência e horário: A prescrição indicará com que frequência o medicamento deve ser administrado (por exemplo, a cada 8 horas, uma vez ao dia) e, muitas vezes, o horário específico. Respeitar esses intervalos é crucial para manter a concentração terapêutica do medicamento no organismo.
- Duração do tratamento: Algumas prescrições indicam por quanto tempo o medicamento deve ser administrado.
- Assinatura e carimbo do médico: A prescrição deve conter a assinatura e o carimbo do médico prescritor, atestando sua validade.
- Checar (fazer um medicamento): É o processo de verificar a prescrição, selecionar o medicamento correto, calcular a dose (se necessário), preparar a medicação para a administração e realizar a dupla checagem dos “nove certos” antes de administrar ao paciente. Em resumo, todas as etapas necessárias para garantir que o medicamento correto seja administrado da forma correta.
-
Bolar (não fazer um medicamento): Significa não administrar um medicamento. Todo medicamento bolado deve ser justificado no relatório de enfermagem. E isso pode ocorrer por diversos motivos, como:
- Ausência de prescrição: Não há uma ordem médica válida para aquele medicamento.
- Prescrição incompleta ou ilegível: Falta alguma informação essencial na prescrição.
- Dúvidas sobre a prescrição: Há alguma incerteza quanto ao medicamento, dose, via ou horário.
- Contraindicação ou alergia: O paciente possui alguma condição ou histórico que impede o uso daquele medicamento.
- Paciente recusa o medicamento: O paciente tem o direito de recusar o tratamento, após ser devidamente orientado.
- Medicamento indisponível: O medicamento prescrito não está disponível no momento.
- Erro na prescrição identificado: Durante a checagem, identifica-se um possível erro na prescrição que precisa ser esclarecido com o médico.
Os Nove Certos da Administração de Medicamentos
Para garantir a segurança na administração de medicamentos, existe um conjunto de nove “certos” que devem ser verificados a cada administração. Essa prática ajuda a minimizar erros e proteger o paciente.
- Paciente certo: Confirme a identidade do paciente antes de administrar o medicamento. Utilize pelo menos dois identificadores (nome completo e data de nascimento, por exemplo) e compare com a pulseira de identificação e a prescrição.
- Medicamento certo: Compare o nome do medicamento na embalagem com o nome na prescrição, verificando se são o mesmo.
- Dose certa: Calcule e confira a dose a ser administrada com a dose prescrita. Em caso de dúvidas no cálculo, peça ajuda a outro profissional.
- Via certa: Certifique-se de que a via de administração do medicamento corresponde à via prescrita.
- Horário certo: Administre o medicamento no horário prescrito. Respeitar os intervalos garante a eficácia do tratamento.
- Orientação certa: Informe o paciente sobre o medicamento que está sendo administrado, seu propósito e possíveis efeitos colaterais. Incentive o paciente a fazer perguntas.
- Forma certa: Verifique se a forma farmacêutica do medicamento (comprimido, solução, injetável) corresponde à prescrição.
- Resposta certa: Monitore a resposta do paciente ao medicamento administrado, observando sinais de eficácia e possíveis reações adversas. Documente suas observações.
- Documentação certa: Registre imediatamente após a administração no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via, o horário, a data, seu nome completo e assinatura/carimbo. Registre também quaisquer intercorrências ou observações relevantes.
Cuidados de Enfermagem Essenciais
Além dos nove certos, alguns cuidados de enfermagem são fundamentais durante o processo de administração de medicamentos:
- Higiene das mãos: Lave as mãos cuidadosamente antes e após a preparação e administração de qualquer medicamento para prevenir infecções.
- Preparo do medicamento: Prepare o medicamento em um local limpo e bem iluminado, seguindo as técnicas adequadas para cada via de administração.
- Observação de alergias: Verifique sempre se o paciente possui alguma alergia conhecida antes de administrar qualquer medicamento. Consulte o prontuário e pergunte ao paciente.
- Interações medicamentosas: Esteja atento a possíveis interações entre os medicamentos que o paciente está utilizando. Em caso de dúvidas, consulte o farmacêutico.
- Educação do paciente e família: Explique ao paciente e seus familiares sobre o medicamento, a importância de seguir a prescrição e os possíveis efeitos colaterais.
- Registro preciso: A documentação completa e precisa é essencial para a continuidade do cuidado e para a segurança do paciente.
- Comunicação: Comunique qualquer dúvida, erro ou reação adversa à equipe de enfermagem e ao médico responsável.
Administrar medicamentos é uma arte e uma ciência que exige atenção, conhecimento e responsabilidade. Ao seguir os princípios dos nove certos e os cuidados de enfermagem essenciais, você estará contribuindo para um tratamento seguro e eficaz para seus pacientes.
Lembre-se sempre: em caso de dúvidas, pergunte! A segurança do paciente é sempre a prioridade máxima.
Referências:
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 568/2017: Aprova o Regulamento da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nos ambientes públicos e privados em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem. Brasília, DF, 2017.
- POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin; STOCKERT, Patricia. Enfermagem básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
- Telemedicina Morsch
- Anvisa
Medicamentos LASA: “Look Alike, Sound Alike”

Nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes podem gerar confusões e são causas comuns de erros nas diversas etapas do processo de utilização de medicamentos. Problemas podem surgir no armazenamento, na prescrição, na dispensação, na administração ou em outras etapas da cadeia de consumo.
Vários fatores aumentam esse risco de confusão e troca entre os nomes de medicamentos, destacando-se a semelhança na aparência da embalagem ou do rótulo, a baixa legibilidade de prescrições, a coincidência de formas farmacêuticas, doses e intervalos de administração e o desconhecimento de nomes de novos medicamentos lançados no mercado.
Uma medida simples, sem custos adicionais, poderia evitar a troca de mais da metade dos medicamentos cujos nomes são semelhantes, é aplicado o termo “look-alike-sound-alike, conhecidos pela abreviação LASA”.
A estratégia não é nenhuma novidade na verdade, é uma recomendação de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e a FDA, a agência do governo americano que regula medicamentos e alimentos. Mas é pouco colocada em prática.
No Brasil, para dificultar trocas e confusões, o Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos sugere o emprego de letra maiúscula e negrito para destacar partes diferentes de nomes semelhantes.
Esta é uma técnica avaliada em vários contextos, de fácil adoção e baixo custo. Seu uso, entretanto, deve ser restrito a um número limitado de nomes de medicamentos a fim de garantir a sua efetividade.
Exemplo de aplicação do método
| Nomes semelhantes | clonidina X clozapina |
| Etapa 1 | cloNIDINA X cloZAPINA |
| Etapa 2 | cloNIDina X cloZAPina |
Para a elaboração de uma lista de nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes, o ISMP Brasil consolidou listas institucionais utilizadas por hospitais brasileiros e as recomendações
publicadas pelo ISMP EUA, em parceria com a FDA e ISMP Espanha.
Você pode acessar a lista completa acessando este link.
As Metas Internacionais da Segurança do Paciente

A segurança do paciente envolve todos os estudos, práticas e ações promovidos pelas instituições de saúde para diminuir ou eliminar os riscos de danos desnecessários relacionados ao cuidado em saúde.
O Ministério da Saúde desenvolve ações com vistas a promoção da segurança do paciente, por meio de medidas de educação e divulgação das boas práticas para profissionais de saúde, pacientes e acompanhantes e com ações preventivas como a implementação das seis metas da OMS, preconizadas pela Joint Commisssion International (JCI).
Portanto, quais são as metas e a sua importância?
1. Meta 1 – Identificar corretamente o paciente
A identificação falha de pacientes pode levar à administração de medicamentos errados e até realização de cirurgias em paciente diferente. Utilizar estratégias para a identificação correta evita esse tipo de equívoco, como:
- todo paciente deve utilizar pulseira com dois identificadores (nome, prontuário, data de nascimento, nome da mãe);
- a pulseira deve ser checada antes de qualquer procedimento (medicamentos, hemotransfusão, coleta de exame);
- o paciente deve fazer uma confirmação verbal do seu nome, se possível.
2. Meta 2 – Melhorar a Comunicação entre os profissionais de saúde
A comunicação entre os profissionais de saúde envolvidos no cuidado deve ser clara e efetiva, para que não comprometa nenhuma etapa da assistência. Falhas na comunicação podem causar sérios danos ao paciente.
Ao fazer um relato verbal, escrito ou por telefone, o profissional precisa se certificar de que o outro o compreendeu e registrou a informação da forma certa. Os registros e a passagem de plantão devem ser de fácil leitura e compreensíveis.
3. Meta 3 – Melhorar a segurança do uso de medicações
As medicações de alta vigilância são aquelas relacionadas a um alto percentual de erros e com risco elevado de resultados adversos. Cada instituição define a sua lista de medicações de alta vigilância, que costumam incluir eletrólitos concentrados, insulina, heparina e drogas vasoativas (epinefrina).
Algumas formas de aumentar sua segurança são:
- enviar medicação individualmente para o paciente com identificação de alta vigilância (etiqueta vermelha);
- não deixar essas medicações com fácil acesso;
- separar essas medicações daquelas comuns.
4. Meta 4 – As Cirurgias Seguras
A quarta meta de segurança visa garantir que as cirurgias sejam feitas no local correto, com o procedimento correto e no paciente correto. Comunicação ruim entre a equipe e imprecisões nos processos podem levar a enganos durante a realização da cirurgia.
Os passos para a cirurgia segura incluem:
- educar os pacientes sobre a cirurgia que será feita e em qual local;
- utilizar listas de verificações antes da indução anestésica, da incisão cirúrgica e do paciente deixar o centro cirúrgico.
5. Meta 5 – A Higienização das Mãos
Essa meta visa promover a prevenção e o controle de infecções no hospital, por meio, principalmente, da correta higienização das mãos, que é a medida primária essencial de prevenção.
O ensino e incentivo aos profissionais pode ser feito por cursos, cartazes e lembretes espalhados pelos setores do hospital. Outras formas de reduzir o risco de infecção são:
- monitorar o uso de antibióticos;
- implementar medidas para prevenção de infecção de corrente sanguínea pelo correto manuseio de cateteres venosos;
- utilizar corretamente os isolamentos.
6. Meta 6 – Reduzir o risco de lesões e quedas
As quedas no ambiente hospitalar são responsáveis por diversos danos e lesões aos pacientes. Todos os pacientes devem ser avaliados quanto ao seu risco de queda e identificados de acordo, para que as medidas apropriadas possam ser tomadas para a prevenção.
No caso de maior risco de queda, é preciso garantir:
- eliminação de obstáculos e objetos no chão;
- presença constante de acompanhante;
- ajuste de medicamentos que causam tontura ou fraqueza.
As metas internacionais de segurança do paciente devem ser adotadas por todos os estabelecimentos de saúde, para garantir uma assistência segura para pacientes e seus acompanhantes.
Fonte: Ministério da Saúde
Veja também:
https://enfermagemilustrada.com/a-administracao-segura-de-medicamentos/
O Terror dos Hospitais: Os Microrganismos Resistentes e seu tempo de sobrevida no ambiente

E aí, galera da enfermagem!
Hoje a gente vai mergulhar em um universo invisível, mas super importante para a nossa prática clínica: o mundo dos microrganismos resistentes e a incrível (e preocupante) capacidade que eles têm de sobreviver no ambiente hospitalar e em outros lugares.
Já pararam para pensar quanto tempo uma bactéria “superpoderosa” pode ficar esperando ali, quietinha, para encontrar um novo hospedeiro? Pois é, essa é uma questão crucial para entendermos a dinâmica das infecções e reforçarmos ainda mais nossos cuidados. Vamos nessa desvendar esse mistério?
Superpoderes Invisíveis: Entendendo a Resistência Microbiana
Antes de falarmos sobre o tempo de sobrevivência, é fundamental entender o que torna esses microrganismos tão “temidos”. A resistência antimicrobiana é a capacidade que bactérias, vírus, fungos e parasitas desenvolvem de não serem mortos ou inibidos pelos medicamentos (antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários) que foram criados para combatê-los.
Essa resistência surge principalmente devido ao uso excessivo e inadequado desses medicamentos, permitindo que os microrganismos sofram mutações genéticas que os tornam menos suscetíveis ou totalmente imunes aos seus efeitos.
O resultado? Infecções mais difíceis de tratar, prolongamento do tempo de internação, aumento dos custos de saúde e, em casos graves, maior risco de óbito para os pacientes.
E onde entra o tempo de sobrevivência nessa história? Simples: quanto mais tempo esses microrganismos resistentes conseguem permanecer viáveis no ambiente, maior a chance de eles entrarem em contato com um novo hospedeiro (muitas vezes, um paciente vulnerável em um ambiente de saúde) e causarem uma infecção.
Tempo de Espera dos Invasores: A Sobrevivência dos Microrganismos no Ambiente
A capacidade de um microrganismo sobreviver fora do corpo humano varia muito, dependendo de diversos fatores, como o tipo de microrganismo, as condições ambientais (temperatura, umidade, presença de matéria orgânica) e a superfície onde ele se encontra. Alguns “sobreviventes” notórios incluem:
- Bactérias: Algumas bactérias resistentes podem ser verdadeiras “campeãs” de sobrevivência. O Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), por exemplo, pode persistir em superfícies secas por dias, semanas e até meses, especialmente em ambientes com matéria orgânica. Já o Clostridium difficile, conhecido por causar infecções intestinais graves, forma esporos que podem sobreviver por meses em superfícies e são resistentes a muitos desinfetantes comuns. Bactérias gram-negativas multirresistentes, como Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa, também podem sobreviver por longos períodos em superfícies úmidas e secas, além de serem encontradas em água e biofilmes.
- Vírus: A sobrevivência de vírus fora do hospedeiro também varia. Alguns vírus respiratórios, como o influenza e o SARS-CoV-2, podem permanecer infecciosos em superfícies por horas ou até dias, dependendo das condições. Vírus mais resistentes, como o norovírus (causador de gastroenterites), podem sobreviver por semanas em superfícies e são difíceis de eliminar. O vírus da hepatite B (HBV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV) têm um tempo de sobrevivência menor fora do corpo, geralmente algumas horas a poucos dias.
- Fungos: Alguns fungos patogênicos, como Candida albicans e Aspergillus spp., podem sobreviver por dias a semanas em superfícies e em ambientes úmidos. Os esporos de alguns fungos podem ser ainda mais resistentes e persistir por longos períodos.
É importante ressaltar que a viabilidade desses microrganismos não significa necessariamente que eles permaneçam altamente infecciosos por todo esse tempo. A carga microbiana e a capacidade de causar infecção tendem a diminuir com o tempo fora do hospedeiro.
No entanto, mesmo uma pequena quantidade de microrganismos resistentes pode ser suficiente para infectar um paciente vulnerável.
O Ambiente Fala: Onde Esses Microrganismos Gostam de “Esperar”
Os microrganismos resistentes podem ser encontrados em praticamente qualquer superfície no ambiente de saúde, mas alguns locais são mais propícios à sua persistência:
- Superfícies de Alto Toque: Maçanetas, interruptores de luz, grades de leito, mesas de cabeceira, telefones, teclados de computador, bombas de infusão e equipamentos médicos compartilhados são frequentemente contaminados e podem abrigar microrganismos por longos períodos.
- Dispositivos Médicos: Cateteres, ventiladores mecânicos, endoscópios e outros dispositivos médicos podem ser colonizados por biofilmes, comunidades de microrganismos aderidas a uma superfície e envoltas por uma matriz protetora, o que os torna mais resistentes à limpeza e desinfecção e serve como reservatório de infecção.
- Água e Ambientes Úmidos: Pias, ralos, umidificadores e outros locais com umidade podem favorecer a proliferação de certas bactérias gram-negativas e fungos.
- Roupas de Cama e Cortinas: Tecidos podem reter microrganismos e poeira, servindo como fonte de contaminação se não forem trocados e higienizados adequadamente.
Nosso Exército de Defesa: Os Cuidados de Enfermagem Contra a Sobrevivência dos Supermicróbios
Entender o tempo de sobrevivência e os locais onde os microrganismos resistentes podem se esconder reforça ainda mais a importância dos nossos cuidados diários:
- Adesão Impecável à Higiene das Mãos: Lavar as mãos corretamente e nos momentos certos é a medida mais eficaz para interromper a cadeia de transmissão de microrganismos, incluindo os resistentes.
- Limpeza e Desinfecção Rigorosas: Seguir os protocolos de limpeza e desinfecção de superfícies e equipamentos, utilizando os produtos adequados e nas concentrações corretas. Dar atenção especial às superfícies de alto toque.
- Uso Adequado de Equipamentos de Proteção Individual (EPI): Utilizar luvas, aventais, máscaras e óculos de proteção conforme a indicação para evitar a contaminação das mãos e roupas e proteger o paciente.
- Manejo Seguro de Resíduos: Descartar resíduos contaminados de forma adequada para evitar a disseminação de microrganismos.
- Prevenção de Infecções Relacionadas a Dispositivos: Seguir os protocolos para inserção, manutenção e remoção de dispositivos invasivos, minimizando o tempo de permanência e manipulando-os com técnica asséptica.
- Uso Prudente de Antimicrobianos: Administrar antibióticos apenas quando estritamente necessário, na dose e duração corretas, conforme a prescrição médica, e participar de programas de stewardship de antimicrobianos.
- Educação do Paciente e Familiares: Orientar sobre a importância da higiene das mãos e outras medidas para prevenir a propagação de infecções.
- Vigilância e Notificação: Estar atento à ocorrência de infecções e notificar a equipe de controle de infecção hospitalar.
Lembrem-se, a nossa atuação vigilante e a aplicação consistente das medidas de prevenção são a nossa principal arma contra a persistência e a disseminação dos microrganismos resistentes. Cada um de nós tem um papel crucial nessa batalha invisível pela segurança dos nossos pacientes.
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Higienização das Mãos: Guia para Profissionais de Saúde. 2. ed. Brasília: ANVISA, 2009. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicos-de-saude/publicacoes/manual_higienizacao_maos_2ed.pdf.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). How Long Can Germs Live on Surfaces? 2020. Disponível em: https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/more-info/cleaning-disinfecting.html.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Antimicrobial Resistance. 2020. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/antimicrobial-resistance.




