Semiologia Abdominal: Os tipos de Abdômen

A forma e o volume do abdômen variam de acordo com a idade, sexo e estado de nutrição do paciente.

Em decorrência de alterações intra-abdominais ou da parede abdominal, os tipos de abdome podem ser encontrados: atípico ou normal, globoso ou protuberante, em ventre de batráquio, pendular ou ptótico, de avental e escavado (escafoide ou côncavo).

Veja também:

Regiões e Quadrantes Abdominais

ABDOME ATÍPICO OU NORMAL

Compreende grandes variações de acordo com cada indivíduo. Sua principal característica morfológica é a simetria.

ABDOME GLOBOSO OU PROTUBERANTE

Apresenta-se globalmente aumentado, com predomínio nítido do diâmetro anteroposterior sobre o transversal.

ABDOME EM AVENTAL

Encontrado em pessoas com obesidade de grau elevado, sendo consequência do acúmulo de tecido gorduroso na parede abdominal. Nesse caso, a parede abdominal pende “como um avental” sobre as coxas do paciente, tornando-se evidente quando está de pé.

ABDOME ESCAVADO (ESCAFOIDE OU CÔNCAVO)

Percebe-se nitidamente que a parede abdominal está retraída. É próprio de pessoas muito emagrecidas, geralmente portadoras de doenças consuntivas, principalmente neoplasias malignas do sistema digestivo.

ABDOME PENDULAR OU PTÓTICO

Quando, estando o paciente de pé, as vísceras pressionam a parte inferior da parede abdominal, produzindo neste local uma protrusão. Sua causa mais comum é a flacidez do abdome no período puerperal. Ocorre, também, em pessoas emaciadas cuja parede abdominal tenha perdido sua firmeza.

ABDOME EM VENTRE DE BATRÁQUIO

Aquele em que, estando o paciente em decúbito dorsal, observa-se franco predomínio do diâmetro transversal sobre o anteroposterior. Pode ser observado na ascite em fase de regressão e é consequência da pressão exercida pelo líquido sobre as paredes laterais do abdome.

Tipos de Incisões Cirúrgicas Abdominais

Referências:

  1. Semiologia Médica – Celmo Celeno Porto – 7ª Edição. 2013. Editora Guanabara Koogan.

Semiologia Dermatológica: Colorações da Pele

semiologia dermatológica é uma das etapas do exame clínico que envolve o reconhecimento das alterações e afecções que acometem a pele.

Além das doenças dermatológicas com acometimento cutâneo exclusivo, há condições dermatológicas com envolvimento sistêmico, ou de outros órgãos, e ainda, doenças metabólicas, endócrinas, hepáticas, neurológicas e neoplásicas, entre outras, com determinadas manifestações cutâneas.

Avaliação

Durante a realização do exame físico, o examinador faz uma avaliação das condições gerais do paciente, e uma análise pouco mais minuciosa de algumas características da pele.

Nesta etapa, a simples observação das modificações da superfície cutânea poderá auxiliar no raciocínio clínico do examinador e, portanto, remeter à prováveis hipóteses diagnósticas. O exame dermatológico (ou, simplesmente, da pele) deve ser realizado com uma iluminação adequada (de preferência, luz natural), e com desnudamento progressivo das partes a serem examinadas.

Os elementos a serem investigados no exame físico geral da pele ou exame dermatológico são os seguintes:

  1. Coloração (alterações de coloração da pele generalizada ou localizada: cianose, palidez, icterícia)
  2. Umidade 
  3. Textura
  4. Temperatura
  5. Turgor
  6. Integridade (ou continuidade) (erosões, úlceras, fissuras, fístulas)
  7. Sensibilidade (hipoestesia, anestesia, hiperestesia)
  8. Espessura (atrofia, infiltração)
  9. Elasticidade (elastose, esclerodermia)
  10. Mobilidade (esclerodermia)
  11. Lesões elementares

COLORAÇÃO

Adicionalmente, a cor da pele determinada pela etnia ou raça, algumas condições fisiológicas ou patológicas irão influir na coloração da pele. A coloração da pele é a primeira observação do exame físico dermatológico.

Pode ser modificada por condições fisiológicas, tal como se observa na exposição ao frio (livedo) ou ao sol (eritema solar), ou ainda por condições patológicas que resultam em palidez por colapso periférico.

Os indivíduos de cor branca e pardo-claros apresentam, em condições normais, uma coloração levemente rósea ou rosada da pele. Esta coloração dada pelo sangue que circula na rede capilar cutânea pode sofrer variações fisiológicas e/ou patológicas.

Já alguns distúrbios da coloração dos indivíduos de pele escura, em especial os negros, são observados com maior dificuldade.

Por exemplo, o escurecimento da pele pode ser observado nos indivíduos de pele branca que foram expostos ao sol (bronzeamento); ou na doença de Addison e hemocromatose, que são distúrbios endócrinos que afetam a produção melanina e o metabolismo do ferro, respectivamente.

  • Palidez: é conceituada como sendo uma atenuação ou desaparecimento da cor rósea da pele. Deve ser avaliada com a luz natural, pois, as iluminações artificiais podem influenciar na sua identificação. Por meio de semiotécnica simplificada, o examinador deve pesquisar a palidez na pele em toda a extensão da superfície cutânea, incluídas as mucosas e as regiões palmoplantares, onde é possível a identificação mais acurada da palidez em negros. A comparação entre áreas simétricas complementa a avaliação da palidez, que pode ser classificada em três formas distintas: generalizada, localizada ou segmentar.
  • Palidez generalizada: traduz uma diminuição das hemácias circulantes nas microcirculações cutânea e subcutânea. Pode ser decorrente da redução real das hemácias circulantes, como nas anemias e perdas sanguíneas, pois, a hemoglobina‚ é a responsável, em última instância, pela coloração rósea da pele. Ou por um segundo mecanismo, relacionado a uma vasoconstrição generalizada secundária aos estímulos vasoativos, neurogênicos ou hormonais (crises de feocromocitoma, emoções).
  • Palidez localizada ou segmentar é explicada, fisiologicamente, por uma isquemia no território afetado. Partindo deste princípio, uma palidez restrita ao membro inferior direito, possivelmente, se apresenta como principal causa de uma obstrução da artéria femoral. Uma manobra de avaliação clínica do fluxo sanguíneo através da pele pode auxiliar na investigação deste tipo de palidez. O examinador deve pressionar o polegar de encontro ao osso esterno durante alguns segundos, com a finalidade de expulsar o sangue que flui naquela área. Em seguida, retira-se o dedo abruptamente e observa o tempo necessário para que a pele recém-pressionada retorne à sua coloração rósea. Em condições normais, o tempo‚ é inferior a um segundo.
  • Eritema (eritrose ou vermelhidão): Como a própria nomenclatura já sugere, significa um exagero da coloração rósea da pele, indicando, na maioria das vezes, um aumento da quantidade de sangue na rede vascular cutânea, quer seja por conta de uma vasodilatação ou, aumento de sangue propriamente dito.
  • Eritema generalizado pode ser observado em pacientes febris, indivíduos demasiadamente expostos ao sol, estados policitêmicos, infecções virais (dengue, zika, chikungunya) e bacterianas (escarlatina), afecções inflamatórias (farmacodermia) e neoplásicas (linfoma cutâneo).
  • Eritema localizado pode ter um caráter fugaz (quando depende de um fenômeno vasomotor: ruborização do rosto por emoção, “fogacho” do climatério”) ou ser duradouro (eritema palmar constitucional ou por hepatopatia crônica).
  • Eritema Vs: Hiperemia: Hiperemia, basicamente, é a vasodilatação em uma região ou tecido do organismo, ocorrendo o aparecimento de vermelhidão (eritema) e calor. O eritema seria então a consequência de uma hiperemia, e pode ser causada por um processo inflamatório (levando aos sinais cardinais: rubor, calor, edema e dor), por uma exposição excessiva ao sol (levando à queimadura de primeiro grau), por alergias ou por substâncias medicamentosas incompatíveis. O eritema pode ser considerado como o congestionamento local de sangue. Ainda, o eritema pode ser diferenciado de exantema e púrpura ao pressionarmos a região: no eritema, a vermelhidão some e retorna em seguida, já no exantema ou púrpura, esse “apagamento” da vermelhidão não ocorre.
  • Fenômeno de Raynaud. É uma alteração cutânea que depende das pequenas artérias e arteríolas das extremidades e que resulta em modificações da coloração. Inicialmente, se observa a palidez, a seguir, a extremidade torna-se cianótica, e o episódio termina com uma vermelhidão da área. Trata-se de um fenômeno vasomotor que pode ser deflagrado por várias causas (Lúpus eritematoso sistêmico, Esclerodermia sistêmica, Tromboangeíte obliterante, costela cervical e compressão dos vasos subclávios).
  • Cianose: é o termo que significa uma coloração azulada da pele e, ocorre quando a hemoglobina reduzida alcança no sangue valores superiores a 5g% g% (normal em torno de 2,6 g%). A cianose não é detectável até que a saturação de oxigênio no sangue seja menor que 85%. É menos prontamente detectável se a anemia estiver presente, e mais facilmente vista na policitemia. A sua pesquisa deve ser mais minuciosa nas seguintes regiões: face, ao redor dos lábios, ponta do nariz, lóbulos das orelhas, extremidades das mãos e dos pés (leitos ungueais e polpas digitais). Pode ser classificada em generalizada e localizada e graduada em leve, moderada e intensa.
  • Icterícia: é o termo que designa uma coloração amarelada da pele, mucosas e escleróticas resultantes do acúmulo de bilirrubina no sangue. A icterícia deve ser distinguida de outras condições em que a pele, mas não as mucosas, podem tomar coloração amarelada: uso de certas drogas que impregnam a pele (quinacrina), alimentos ricos em carotenos (cenoura, mamão, tomate).

UMIDADE

A apreciação da umidade começa na inspeção, mas o método deve ser acrescido da palpação com as polpas digitais e com a palma da mão. Por meio da sensação tátil, pode se avaliar a umidade da pele com alguma precisão e se observar variações da umidade normal.

A pele seca revela ao tato uma sensação especial. É encontrada, com maior frequência, em pessoas idosas, em algumas dermatopatias crônicas (esclerodermia, ictiose), no mixedema, na avitaminose A, na insuficiência renal crônica, desidratação. A redução da temperatura nos pacientes febris leva à pele com umidade aumentada ou pele sudorenta.

TEXTURA

Significa trama ou disposição dos elementos que constituem um tecido e são sensíveis ao tato. A textura da pele é avaliada por meio do deslizamento das polpas digitais sobre a superfície cutânea, sendo possível constatar uma das seguintes condições:

Textura normal, aquela encontrada em condições normais, é a que desperta uma sensação própria que a prática vai firmando.

Pele lisa ou fina representa a redução dos constituintes da pele, e é frequente em condições fisiológicas nas pessoas idosas, ou patológicas, que levam à atrofia da pele, como na síndrome de Cushing.

Pele áspera é observada em indivíduos expostos às intempéries, ao sol e que trabalham em atividades rudes, tais como, lavradores e pescadores. Ainda pode ser vista em algumas afecções como mixedema e dermatopatias.

Pele enrugada ocorre em indivíduos que emagrecem rapidamente, ou ainda, quando se elimina um edema.

INTEGRIDADE

Integridade ou continuidade cutânea é o termo que refere a uma ausência de lesão de sua superfície. Portanto, qualquer alteração da pele, seja por erosões, úlceras, fissuras culmina em alterar a continuidade da pele. É um tema complexo, que será descrito adiante, no tópico “Lesões Elementares”.

ESPESSURA

É avaliada por meio do pinçamento de uma dobra cutânea com o polegar e indicador, e somente da camada mais superficial da pele. Esta manobra deve ser feita em várias e diferentes regiões, tais como, antebraço, tórax e abdome. As seguintes condições podem ser observadas:

Pele de espessura normal; Pele atrófica, que é acompanhada de textura lisa ou fina, certa translucidez que permite ver a rede venosa superficial, comum nos idosos e em algumas dermatoses; Pele hipertrófica ou espessa‚ vista em indivíduos expostos ao sol, que apresentam elastose decorrente da desorganização e aumento das fibras elásticas de sustentação.

A esclerodermia é uma doença imune-mediada do tecido conjuntivo, na qual o espessamento cutâneo é uma alteração relevante da doença.

TEMPERATURA

A temperatura da pele e a corporal nem sempre são equivalentes. Para avaliar a temperatura da pele, utiliza-se a face dorsal das mãos ou dos dedos, comparando-se com o lado homologo de cada segmento examinado.

A temperatura da pele é variável, e de acordo com a região anatômica a ser pesquisada. Um aumento da temperatura em nível articular pode indicar um processo inflamatório subjacente.

ELASTICIDADE

Elasticidade é capacidade da pele de se estender quando tracionada; e a mobilidade é a sua capacidade de se movimentar sobre planos profundos subjacentes. Por meio semiotécnico simples, se faz o pinçamento uma prega cutânea com o polegar e o indicador, e em seguida, uma certa tração.

As seguintes condições podem ser observadas: Elasticidade normal; Elasticidade aumentada como ocorre, por exemplo, na síndrome de Ehlers-Danlos, uma doença que afeta as fibras elásticas da pele e de outros órgãos; Elasticidade diminuída ocorre na esclerodermia.

MOBILIDADE

A sua avaliação pode ser realizada por meio da palma da mão, que deve se posicionar sobre a superfície que se quer examinar. A movimentação para todos os lados revela a capacidade da pele em deslizar sobre as estruturas profundas (ossos, articulações e músculos).

As seguintes condições podem ser observadas: Mobilidade normal; Mobilidade diminuída ou ausente ocorre na esclerodermia, elefantíase, infiltrações neoplásicas próximas a pele; Mobilidade aumentada se faz presente na síndrome de Ehlers-Danlos

TURGOR

É facilmente avaliado por meio do pinçamento com o polegar e o indicador, neste caso, a pele e o tecido subcutâneo devem ser englobados. É dito normal, quando o examinador aprecia uma sensação de pele “suculenta”, ou seja, que, ao ser solta, a prega se desfaz rapidamente.

Isto indica que o conteúdo de água está normal e, portanto, a pele está hidratada. Já a sua diminuição é traduzida por uma prega que se desfaz lentamente, podendo indicar desidratação ou desnutrição.

SENSIBILIDADE

É uma etapa comum no exame dermatológico e neurológico. As alterações representam distúrbios neurológicos observados como complicações da hanseníase e do diabetes.  É avaliada nos padrões de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa.

  • Sensibilidade tátil pode ser investigada com um chumaço de algodão, ou mais minuciosamente com estesiometro, filamentos de nylon de diversas espessuras, em áreas suspeitas do corpo e pontos específicos das regiões palmo-plantares.
  • Sensibilidade térmica pode ser avaliada com dois tubos de ensaios, um com água quente e, outro, com água fria.
  • Sensibilidade dolorosa pode ser avaliada por meio de uma agulha estéril, em regiões do corpo que compreenda, no mínimo, áreas suspeitas e extremidades. A sua diminuição (hipoalgesia/anestesia) ou aumento (hiperalgesia) podem ocorrer em diversas condições patológicas.

Referências:

  1. SEIDEL H.M; BALL J.W; BENEDICT G.W. Mosby Guia de Exame Físico. 6. ed. Rio de Janeiro, 2007.
  2. SOUZA, B.F. Manual de Propedêutica Médica. 2. ed. Rio de Janeiro. São Paulo: Livraria Atheneu, 1985.
  3. SWARTZ M.H. Tratado de Semiologia Médica. 5. ed. Rio de janeiro. Elsevier, 2006.
  4. ARGENTE, A.H. ALVAREZ, E.M. Semiologia Médica. 3ª ed. Panamericana, 2021.
  5. LE BLOND, F.R. et al. De Gowin’s. Diagnostic Examination. 10th ed. McGraw Hill, 2015.
  6. DENNIS, M. et al. Mechanisms of Clinical Signs. Elsevier, 2012.
  7. DOUGLAS, G. NICOL and F. ROBERTSON, C. Macleod’s Clinical Examination. 12 ed. Elsevier, 2011.
  8. FORTIN, A.H et al. Patient-Centered Interviewing – An Evidence-Based Method. 3th ed. McGraw Hill, 2012.

Semiologia: O Exame Físico e as Etapas

Levantar informações sobre o estado de saúde do paciente: eis a função dos exames físicos. É ele que indica eventuais anormalidades e fornece subsídios para o diagnóstico e assistência satisfatória da enfermagem.

As Etapas do Exame Físico

Inspeção

Avaliar o corpo quanto à forma, cor, simetria, odor e presença de anormalidades.

Palpação

Avaliar temperatura, estado de hidratação, textura, forma, movimento, áreas de sensibilidade e pulsação. Palpar órgãos, glândulas, vasos, pele, músculos e ossos, afim de detectar a presença ou ausência de massas, pulsação, aumento de um órgão, aumento ou diminuição da sensibilidade, edema, espasmo ou rigidez muscular, elasticidade, vibração de sons vocais, crepitação, umidade e diferenças de texturas.

Ausculta

Ouvir os sons corporais, procurando identificar anormalidades. Realizar a ausculta do ápice para base, de forma comparativa e simétrica, na região anterior e posterior do tórax.

Percussão

Golpear a superfície do corpo de forma rápida, porém aguda para produzir sons que permitam ao examinador determinar a posição, tamanho, densidade de uma estrutura adjacente.

Ausculta pulmonar – principais ruídos adventícios

  • Crepitantes: tem o ruído interrompido e de tom alto, semelhante ao som que se produz quando se atrita uma mecha de cabelo próximo ao ouvido, geralmente associado ao líquido presente em vias de pequeno calibre ou interalveolar;
  • Estertores bolhosos: assemelham-se ao rompimento de pequenas bolhas e podem ser auscultado na inspiração ou na expiração, são produzidos na presença de substâncias líquidas na traqueia, nos brônquios, nos bronquíolos, ou no tecido pulmonar;
  • Ronco: estertor contínuo e prolongado, presente na inspiração, mas também pode ser audíveis na expiração. O som é grave, intenso, semelhante ao ronco observado durante o sono;
  • Sibilos: semelhante a um chiado ou assobio, são decorrentes da passagem de ar por vias aéreas estreitas. Auscultados na inspiração e na expiração. Quando intensos, podem ser audíveis sem estetoscópio;
  • Cornagem ou estridor: é a respiração ruidosa devido à obstrução no nível da laringe ou traqueia, mais percebido na fase inspiratória. Pode ser decorrente de edema de glote, corpos estranhos e estenose de traqueia.

Obs: Na ausculta atentar ainda para a presença de tiragens (intercostais, subdiafragmáticas, fúrcula, batimento de asa nasal e cianose).

Ausculta Cardíaca

Avaliar os sons cardíacos quanto à qualidade (devem ser nítidos e distintos, não abafados, difusos ou distantes. Quanto à intensidade, não devem ser fracos ou muito fortes, quanto a frequência, deve ser igual a do pulso radial e o ritmo deve ser regular e uniforme.

Cuidados Especiais

  • Quando realizar a palpação, apalpe por último áreas de sensibilidade para a criança;
  • Realizar a ausculta em ambiente silencioso e aquecer o estetoscópio.

Realizando o Procedimento

Material Necessário

  • Estetoscópio;
  • Balança adulta, pediátrica ou neonatal;
  • Fita métrica;
  • Termômetro;
  • Espátula;
  • Lanterna;
  • Relógio;
  • Régua antropométrica.

Procedimento

  • Preparar o ambiente e material necessário;
  • Explicar o adulto ou criança o procedimento;
  • Aquecer as mãos;
  • Em caso de pediatria oferecer brinquedos, livros ou outra forma de distração para tranquilizar e aumentar a adesão da criança ao exame físico;
  • Fazer uma avaliação geral da cabeça aos pés do paciente e recolher as informações subjetivas, repassadas pela própria criança, pelos profissionais ou pelos familiares.

Referências:

  1. WONG, D.L. Enfermagem pediátrica. 9ª. Edição. Editora Elsevier. Rio de Janeiro, 2014.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. – Brasília:
    Ministério da Saúde, 2012.
  3. PORTO, C.C. Semiologia Médica. 7ª ed. Rio de janeiro. Guanabara, 2014

A Hemofilia: Como acontece?

A Hemofilia

hemofilia é uma doença genético-hereditária que tem como principal característica o retardo no tempo de coagulação do sangue.

É causada por uma anormalidade em algum dos 14 fatores de coagulação do sangue que não trabalha de maneira adequada. Como esses 14 fatores trabalham em conjunto no processo de coagulação do sangue, quando um deles falha, compromete todo o processo.

Quais são os principais tipos de Hemofilia?

Existem dois tipos de hemofilia, a hemofilia tipo A e a tipo B. A doença pode ainda ser classificada como grave, moderada ou leve, sendo que os casos de hemofilia leve normalmente são diagnosticados apenas na fase adulta.

A hemofilia tipo A é a mais comum, e é causada pela deficiência no fator VIII de coagulação. A hemofilia tipo B é causada por uma deficiência no fator IX.

A doença é hereditária, transmitida através dos cromossomos sexuais XX. Quando a mulher é a portadora, transmite para os filhos homens, que normalmente desenvolvem a doença. Já os homens só transmitem a doença para as filhas mulheres, que normalmente são portadoras da hemofilia sem manifestar a doença. Porém, poderão transmitir a doença a um filho do sexo masculino, no qual a doença se manifestará.

Pessoas hemofílicas possuem uma falha no sistema de coagulação sanguínea, podendo ter sérias hemorragias. Os hemofílicos não possuem o fator de coagulação, que está localizado no cromossomo X. A hemofilia é causada por um gene recessivo, e é representada da seguinte forma:

Mulher Homem
Genótipo Fenótipo Genótipo Fenótipo
XHXH Normal XHY Normal
XHXh Normal portadora XhY Hemofílico
XhXh Hemofílica

Assim como no daltonismo, as mulheres têm menos chances de apresentar a doença, pois o gene recessivo precisa estar em homozigose para a doença se expressar.

Quais são os principais sinais e sintomas?

Os sintomas da hemofilia variam de acordo com a classificação da doença. Nos casos leves, hemorragias podem acontecer em extrações de dentes, cirurgias e traumas. Já nos casos graves e moderados, os sintomas podem ser: febre, dor forte, manchas roxas (equimoses), causados por sangramentos intramusculares ou intra-articulares que podem provocar lesões ósseas. Cotovelos, joelhos e tornozelos são as articulações mais comprometidas.

O primeiro registro a respeito da doença está no Talmud (escritos judaicos) que datam do século III. No livro é descrito o caso de uma família que teve dois filhos mortos devido a hemorragias, após a circuncisão. Dispensava então, o terceiro filho dessa intervenção.

A princípio, o tratamento era baseado em constantes transfusões de sangue. Atualmente, o paciente recebe apenas o fator anti-hemofílico, seja o fator VIII ou o fator IX. O objetivo do tratamento é alcançar níveis suficientes do fator deficitário para evitar as hemorragias.

Quais sãos as principais recomendações à um paciente hemofílico?

  • Evitar e proteger-se de traumatismos que produzam sangramentos;
  • Imobilizar as articulações em casos de hemorragias articulares;
  • Observar e anotar episódios hemorrágicos para serem informados ao médico;
  • Ter cuidados especiais na realização de cortes de cabelo, barba ou unhas, lavagens intestinais, aplicação de calor, etc;
  • Ao escovar os dentes, ter cuidados para não machucar as gengivas ou a mucosa oral;
  • Em caso de necessidade de realização de alguma cirurgia, o hemofílico deve receber previamente uma medicação adequada para melhorar temporariamente a coagulação. Um médico hematologista deve ser consultado regularmente;
  • Pacientes hemofílicos não devem usar medicamentos como aspirina, heparina, warfarina e determinados analgésicos e anti-inflamatórios não hormonais, pois podem agravar os sangramentos.

Oriente ao paciente levar sempre consigo um cartão identificando-se como hemofílico e contendo:

  • Grupo sanguíneo e fator Rh;
  • Nome da pessoa a ser avisada em caso de urgência;
  • Nome e telefone do médico assistente e do hospital para onde deseja ser levado.

Veja também:

A Importância dos Hemocomponentes

O Sinal de Babinski

babinski

O Sinal de Babinski é um sinal clínico neurológico de fácil constatação para detectar lesões especificamente na porção piramidal do sistema de controle motor, pois não ocorre quando a lesão é nas partes extrapiramidais do sistema de controle motor.

Patologia do Sinal

Para o Sinal de Babinski estar presente é necessário que ocorra a lesão na região correspondente ao pé (área 4 de Brodmann: área piramidal “gicanto-pyramidalis”, onde ficam as células de Betz) ou então, transeção no feixe piramidal de fibras referente ao pé.

O sinal é demonstrado quando um firme estímulo tátil é aplicado à sola lateral do pé. O hálux se estende para cima, e os outros dedos se afastam entre si.

A resposta normal seria que todos os dedos se curvassem para baixo.

Causa do sinal de babinski (Suposição)

– O feixe piramidal é importante controlador da atividade muscular para a realização de movimentos voluntários;
– Já, o sistema extrapiramidal, um sistema de controle motor mais antigo, está mais relacionado à proteção.

Por essa razão, quando somente o sistema extrapiramidal tem condições funcionais, um estímulo à sola dos pés causa reflexo protetor típico de retirada, que é expresso pelo movimento do dedo maior para cima e a abertura em leque dos outros dedos. Mas quando está integralmente funcional, o sistema piramidal suprime o reflexo protetor e excita, em vez disso, uma função motora de ordem mais alta, incluindo o efeito normal de causar a curvatura para baixo dos dedos, em resposta à estímulos sensoriais da sola dos pés.