Rede Sentinela

A Rede Sentinela é uma estratégia iniciada em meados do ano de 2001, com o objetivo de ser observatório ativo do desempenho e segurança de produtos de saúde regularmente usados: medicamentos, kits para exames laboratoriais, órteses, próteses, equipamentos e materiais médico-hospitalares, saneantes, sangue e seus componentes.

Trata-se, portanto, de uma importante estratégia para o Sistema de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária – VIGIPOS (instituído pela Portaria Ministerial MS n° 1.660, de 22 de julho de 2009).

No final de 2009, iniciamos o processo de busca da perenidade, sustentabilidade e ampliação de abrangência da Rede Sentinela.

Formalizando os rumos da nova rede, foi publicado em abril de 2011 o documento Critérios para Credenciamento de Instituições na Rede Sentinela (Ano 2011), através do qual qualquer instituição que desejasse adequar-se aos novos critérios de participação poderia ser um serviço sentinela para o SNVS.

Em 2014, a Rede passou a ser disciplinada por dois instrumentos normativos: a RDC Anvisa n° 51/2014 (Dispõe  sobre a Rede Sentinela para o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária) e a Instrução Normativa da Anvisa IN n° 8/2014 (Dispõe sobre os critérios para adesão, participação e permanência dos serviços de saúde na Rede Sentinela).

A publicação das normas trouxe fundamentação legal para as atividades da Rede, além de critérios básicos de acompanhamento das instituições credenciadas, para que a relação entre as instituições e o SNVS seja sempre a mais estreita e proveitosa possível.

Importante destacar que a Rede Sentinela permanece aberta para que qualquer instituição, em qualquer tempo, solicite o seu credenciamento. A adesão do serviço de saúde à Rede Sentinela é um ato voluntário e não envolve qualquer transferência direta de recursos financeiros.

O intuito é que a Rede continue a se aprimorar e se consolide como uma referência para o VIGIPOS, com ganho de qualidade e revisão nos seus processos de trabalho de vigilância e gestão de riscos.

Objetivos

  • Obter informações de qualidade sobre eventos adversos e queixas técnicas relacionados a produtos sob vigilância no período pós-uso/pós-comercialização – VIGIPÓS, para subsidiar a tomada de decisão por parte do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS);
  • Promover e divulgar o Sistema de Notificação e Investigação em Vigilância Sanitária- NOTIVISA, com o intuito de consolidar a cultura da notificação;
  • Contribuir para o aprimoramento do gerenciamento de risco nos serviços de saúde;
  • Desenvolver e apoiar estudos de interesse do Sistema de Saúde Brasileiro; e
  • Cooperar para atividades de formação de pessoa, educação continuada e produção de conhecimento no âmbito do VIGIPÓS.

Participar da Rede Sentinela, além da oportunidade de contribuir com informações essenciais para o monitoramento das tecnologias em saúde, significa estar em um ambiente de troca de experiências e aprimoramento dos processos de trabalho para a gestão do risco sanitário.

Dentre as contrapartidas para as instituições participantes da Rede, há a preocupação de oferecer atividades presenciais e à distância de educação permanente.

Serviços

Os serviços que compõem a Rede notificam e monitoram eventos adversos e queixas técnicas de produtos sob vigilância sanitária (medicamentos, vacinas e imunoglobulinas; pesquisas clínicas; cosméticos, produtos de higiene pessoal ou perfume; artigos e equipamentos médico-hospitalares; kit reagente para diagnóstico in vitro; uso de sangue ou componentes; saneantes e agrotóxicos) em uso no Brasil, fazendo a Vigipós dos produtos utilizados nos estabelecimentos de saúde.

As suspeitas de eventos adversos e queixas técnicas são monitorados e investigados juntamente com a Vigilância Sanitária. A conclusão dessas investigações pode resultar em diversas decisões como a retirada do produto do mercado, a restrição de uso e de comercialização entre outras intervenções.

Referência:

  1. ANVISA

Evento Sentinela

O Evento Sentinela trata-se de um evento grave indesejável que ocorre em uma Instituição Hospitalar Selada e resulta em comprometimento do atendimento ao paciente internado ou ambulatorial ou aos seus acompanhantes com ou sem sequelas.

Ainda que de definição imprecisa, são eventos que por sua natureza possam comprometer a imagem do hospital ou sua credibilidade e por esta razão é mandatório que o Hospital faça comunicação por escrito imediatamente após o ocorrido com descrição em detalhes do fato e providências adotadas para evitar sua repetição; caso o Hospital não faça a comunicação e o evento venha a ser divulgado pela imprensa o selo será automaticamente retirado.

Na dúvida, o Hospital é aconselhado a fazer a comunicação. Estas comunicações são de natureza sigilosa estando a sua manipulação sujeita aos ditames do código de conduta ao qual estão submetidos todos os participantes do Programa CQH. São exemplos de possíveis eventos sentinela:

  • Criança retirada do hospital sem autorização dos pais (por exemplo roubo de criança em maternidade ou na pediatria);
  • Parto em banheiro com parturiente atendida pelo hospital;
  • Óbito evitável ocorrido dentro do hospital no transcurso de atendimento ambulatorial ou em regime de internação;
  • Cirurgia realizada em membro ou parte do corpo indevida;
  • Queda de leito ou de mesa cirúrgica com comprometimento grave para o paciente;
  • Quebra na segurança do hospital que permita ataques à integridade física de paciente internado;
  • Surtos incontrolados de infecção hospitalar com comprometimento grave aos pacientes internados;
  • Encaminhamento indevido com repercussão para a segurança do paciente;
  • Objetos esquecidos em cavidades após cirurgia;
  • Outros de igual gravidade ou natureza similar.

Evento Adverso e Sentinela são a mesma coisa?

Há uma verdadeira Torre de Babel em relação às definições. Em algumas situações podem ser até sinônimos. O esforço da OMS tem sido de organizar a taxonomia.

De um modo geral, o evento adverso é um incidente com dano ao paciente causado pelo cuidado e o evento sentinela é um incidente grave, seja pelo dano, seja pelo risco do dano, ou mesmo pelo desgaste da imagem institucional, que merece ser investigado através de um método mais robusto coma análise de causa raiz.

Referência:

  1. Compromisso com a Qualidade Hospitalar

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