Escala de Fisher

A hemorragia subaracnioidea (HSA) representa cerca de 5% a 10% de todos os tipos de Acidente Vascular Encefálico (AVE) e possui um pico de incidência entre quarenta e cinquenta anos de vida.

A escala de Fisher correlaciona a quantidade de sangue identificada na Tomografia Computadorizada e o desenvolvimento de vasoespasmo.

Foi criada a partir de um estudo realizado por Fisher, Kistler e Davis (1980), como uma ferramenta de apoio para o cuidado do paciente com hemorragia subaracnóidea (HSA) aneurismática.

O que é hemorragia subaracnóidea aneurismática?

Este é um evento grave causado por ruptura de aneurismas cerebrais e consequente sangramento abrupto, geralmente deixando o sangue limitado ao espaço subaracnóideo.

Este local se localiza entre as membranas pia-máter e aracnoide, e nele está contida a maior parte do líquido cefalorraquidiano (LCR), também chamado de liquor, além de estruturas de união das meninges.

A ruptura de aneurismas cerebrais é a causa mais comum de hemorragia subaracnóidea não-traumática, correspondendo a cerca de 75 a 80% dos casos.

Os Tipos

Existem quatro grupos distintos, sendo o Fisher III o que mais associa-se com a presença de vasoespasmo clínico e angiográfico.

  • Fisher I: nenhum sangue subaracnóide detectado;
  • Fisher II: Sangramento difuso ou sangue no espaço subaracnóide com < 1 mm espessura;
  • Fisher III: Coágulo localizado ou sangue no espaço subaracnóide com > 1mm espessura;
  • Fisher IV: Coágulo intraventricular ou intraparenquimatoso com ou sem HSA difusa.

O que é Vasoespasmo?

O vasoespasmo é uma reação inflamatória que ocorre na hemorragia subaracnóidea recente, geralmente apresentando-se dentro de 3 a 14 dias após o evento hemorrágico, mas podendo ocorrer a qualquer momento dentro do período denominado “janela do vasoespasmo de alto risco”.

Essa janela compreende os 21 dias após a hemorragia inicial. Nesse contexto, a escala de Fisher pode permitir a avaliação da potencial gravidade e o tratamento preventivo oportuno para o vasoespasmo.

Limitações de Uso

  • Essa ferramenta não deve ser usada para determinar uma probabilidade exata de vasoespasmo: diversos estudos já relataram taxas variáveis de risco de vasoespasmo correspondentes a cada grupo classificado pela escala de Fisher.
  • Classificações mais altas na escala não se relacionam necessariamente com o aumento da probabilidade de vasoespasmo: estudos apontam que o grau 4 está associado a uma menor taxa de vasoespasmo do que o grau 3 e que há pouca ou nenhuma diferença entre os graus 1 e 2.
  •  O seu uso é exclusivo para hemorragia subaracnóidea provocada por aneurismas cerebrais: a escala não se aplica à hemorragia subaracnóidea devido a trauma, malformações arteriovenosas, angiomas cavernosos, fístulas arteriovenosas durais, tromboses venosas corticais ou sinusais, aneurismas micóticos ou embolia séptica com transformação hemorrágica.
  • Vale destacar que, apesar de suas limitações, essa classificação permanece sendo amplamente usada, útil e bem reconhecida para cuidados intensivos e de pacientes neurocríticos.

Outras Escalas

  • Escala de Fisher modificada: classificação radiológica, com base em achados na TC de crânio, que ajuda a prever o risco de vasoespasmo e isquemia cerebral tardia na hemorragia subaracnóidea aneurismática. Essa classificação melhora a escala original, incorporando como parâmetro a ser analisado a presença de hemorragia intraventricular;
  • Classificação de Hunt-Hess: é uma escala com base em achados clínicos, usada na admissão do paciente para classificar a gravidade da hemorragia subaracnóidea aneurismática. A partir dela, é possível determinar o risco de mortalidade cirúrgica. As pontuações mais altas, que refletem a gravidade progressivamente maior da hemorragia e consequente disfunção neurológica, estão associadas a uma mortalidade geral mais alta.

Referência:

  1. SOUZA, Moysés Loiola Ponte de. Associação da Escala de Fisher com alterações da linguagem em pacientes com hemorragia subaracnoide aneurismática, 27-Fev-2014 https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/12741

Tomografia Computadorizada: Entenda sua Importância

A Tomografia Computadorizada (TC) é um exame que permite a obtenção de imagens detalhadas de tecidos, ossos e órgãos. As imagens, que são como “fatias do corpo”, são geradas com raios-X e processadas pelo computador, auxiliando o médico no diagnóstico de lesões e doenças.

O Procedimento

A realização do procedimento é muito simples: o paciente fica deitado em uma maca que desliza para uma moldura circular, onde será emitido o feixe de raios-X.

São obtidas milhares de imagens enquanto o tomógrafo gira, o que resulta em uma imagem de seção transversal completa do corpo.

Um técnico acompanha o exame e dá orientações ao indivíduo, como a necessidade de ficar imóvel e de prender a respiração em momentos específicos para a captura precisa das imagens.

Indicações de uso

São detectados alterações muito sutis em tecidos, ossos, órgãos e outras estruturas do tórax, abdômen, coluna e cérebro.

É um procedimento bastante indicado no diagnóstico de tumores, aferindo sua localização, extensão e agressividade.

  • tomografia de abdômen e de pelve: utilizada para a investigação de tumores e abscessos. Pode ser útil também para a detecção de malformação renal, pancreatite, lesões no fígado, além de outras doenças;
  • tomografia de crânio: utilizada para a detecção de traumas, nódulos, hemorragias, infecções, hidrocefalia e aneurismas;
  • tomografia de tórax: utilizada para investigação de tumores, doenças vasculares e infecções;
  • tomografia de membros superiores e inferiores: utilizada para avaliação de lesões musculares e fraturas, além de detecção de tumores e infecções.

Sendo um exame muito importante para a emergência, pois permite o diagnóstico rápido de lesões cerebrais, hemorragias internas, derrames e outras doenças cardíacas.

Preparo Pré Exame

Para a realização do exame, é indicado jejum de 6 horas. Em alguns casos, é necessária a aplicação de contraste, geralmente o iodo, que é injetado na veia e permite a obtenção de imagens mais nítidas.

O contraste é contraindicado para pacientes com histórico de alergia à substância.

Contraindicações

Todas as pessoas podem realizar o exame, inclusive quem tem marcapasso.

A contraindicação é para as gestantes, que devem, preferencialmente, fazer outros exames no lugar da tomografia computadorizada, pois é o procedimento com maior exposição à radiação.

No entanto, se a realização desse procedimento for essencial, há formas de proteção para a paciente.

Para detectar uma série de lesões e várias doenças graves, é importante a realização da tomografia computadorizada. O exame é seguro e consegue obter imagens bastante detalhadas de várias estruturas do corpo.

Cuidados de Enfermagem

  • Devem ser avaliados antes que o paciente se submeta a uma avaliação de imagens por meio do exame TC, realizando uma anamnese para identificar possíveis condições que podem se tornar uma contraindicação para a realização do exame;
  • Atentar à alergia ao contraste: Deve ser realizada uma avaliação minuciosa do paciente atentando para possíveis alergias ou qualquer reação que possa vir a aparecer informando imediatamente ao médico;
  • As limitações ao uso da TC: Pessoas obesas, com peso superior a 150 Kg, devido aos problemas de movimentação do equipamento, os distúrbios neurológicos, como o Mal de Parkinson ou qualquer outra afecção que ocasione movimentos involuntários;
  • Extremos de idade: Também devem ser avaliados pela equipe de Enfermagem, sendo que crianças de um até quatro anos de idade apresentam dificuldades de compreensão das necessidades de imobilizações prolongadas para a realização do exame, assim, pode ser recomendada a sedação;
  • Deve orientar o paciente também quanto às etapas do exame, mostrando-o a vestimenta que deverá ser usada, como o avental e explicar a necessidade do uso de meios de contrastes;
  • As orientações preferencialmente devem ser ditas na presença dos familiares ou acompanhantes para deixá-los mais tranquilos;
  • Cabe à enfermeira da unidade de diagnóstico por imagem planejar e controlar o fluxo diário de pacientes, realizar visita ao paciente no pré-exame, orientando-o sobre o procedimento em que irá se submeter, e no pós-exame avaliando o risco de alergias e reações anafiláticas;

Referências:

  1. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RE nº 64. Diário Oficial da União, Brasília, 10 abr. 2003.
  2. BUSHBERG, J. T.; SEIBERT, J. A.; LEIDHOLFT JUNIOR, E. M.; BOONE, J. M. The essential physics of medical imaging. 2. ed. Philadelphia, PA: Lippincott Willians & Wilkins, 2002.
  3. Fleckenstein, P. Anatomia em diagnóstico por imagens. Ed. Manole, 2004.