Dominando as Bombas de Infusão: Tipos, Funções e o Toque Essencial da Enfermagem

No cenário moderno da assistência à saúde, a administração manual de fluidos e medicamentos por gotejamento se tornou, em muitos casos, um método obsoleto e impreciso. Entra em cena a Bomba de Infusão (BI), um equipamento que garante a entrega precisa e controlada de volumes líquidos ao paciente, minuto a minuto.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, a bomba de infusão é uma ferramenta indispensável. Ela é a guardiã da segurança do paciente, especialmente em terapia intensiva ou na administração de medicamentos de alto risco (como vasopressores, sedativos e quimioterápicos).

Entender os diferentes tipos de bombas, suas especificidades e os cuidados essenciais de manejo é o que transforma a nossa prática de boa para excelente. Vamos detalhar os principais tipos e a importância do nosso toque humano na operação dessas máquinas.

Por Que a Precisão é Crucial? A Necessidade da BI

A bomba de infusão não existe para facilitar o nosso trabalho, mas sim para garantir a segurança terapêutica.

  • Medicamentos de Alto Risco (Ação Imediata): Drogas vasoativas (como a Noradrenalina ou Dopamina) exigem doses exatas, tituladas em mililitros por hora (mL/h) ou microgramas por quilo por minuto (ug/kg/min). Uma variação mínima pode causar hipotensão grave ou hipertensão perigosa.
  • Volume Controlado: Em neonatologia ou em pacientes com insuficiência cardíaca/renal, onde cada mililitro conta, a BI previne a sobrecarga volêmica.

Os Principais Tipos de Bombas de Infusão

Embora existam variações de marca e modelo, as bombas de infusão são classificadas em dois grandes grupos baseados no seu mecanismo de funcionamento:

Bombas de Infusão Volumétricas

São o tipo mais comum e versátil, utilizadas para administrar grandes volumes de soluções (soros, nutrição parenteral) e medicamentos em doses contínuas.

  • Mecanismo: Elas usam um sistema peristáltico (semelhante a um “dedo” que aperta o equipo) ou um mecanismo de cassete para empurrar o fluido através da linha em uma taxa definida pelo operador (ex: 100 mL/h).
  • Aplicações principais: Pacientes em UTI, administração de medicamentos contínuos e manutenção de hidratação.
  • Uso Principal: Infusão de hidratação venosa, antibióticos intermitentes e Nutrição Parenteral Total (NPT).
  • Cuidados de Enfermagem: A calibração (ajuste inicial) é essencial. É crucial garantir que o equipo específico da bomba seja instalado corretamente no canal, sem bolhas de ar e sem estar tensionado.

Bombas de Infusão de Seringa (Bomba de Seringa)

São utilizadas para a administração de pequenos volumes com altíssima precisão, geralmente em ritmos lentos.

  • Mecanismo: A bomba utiliza um motor para empurrar o êmbolo de uma seringa em uma taxa controlada.
  • Uso Principal: Infusão de medicamentos potentes e titulados em unidades de terapia intensiva (UTI), como sedativos, analgésicos e vasopressores, ou em neonatologia, e clínicas de veterinária.
  • Vantagem: Permitem a infusão de volumes minúsculos de forma exata (ex: 0,5 mL/h).
  • Cuidados de Enfermagem: É vital usar o tamanho de seringa correto (ex: 10 mL, 20 mL, 50 mL) e garantir que o tamanho selecionado na programação da bomba corresponda ao tamanho físico da seringa inserida.

Tipos Específicos e Funções Avançadas

Além das categorias básicas, algumas bombas possuem funcionalidades específicas:

Bomba Elastômerica (“Bola”)

Não é eletrônica, mas atua como um antiespasmódico mecânico. É uma bola plástica flexível que se esvazia em uma taxa de fluxo pré-determinada pela tensão da sua parede. Uso comum em administração de antibióticos ambulatoriais ou em quimioterapia domiciliar.

Vantagens:
Portabilidade, simplicidade e baixo risco de falha técnica.

Desvantagens:
Taxa de infusão fixa e menor precisão em comparação às bombas eletrônicas.

PCA (Patient-Controlled Analgesia)

Permite que o paciente, dentro de limites de segurança programados, administre doses extras de analgésicos (como morfina) pressionando um botão. O enfermeiro programa a dose base (infusão contínua), a dose de reforço (bolus) e o tempo de bloqueio (intervalo mínimo entre doses).

Vantagens:
Melhor controle da dor, autonomia do paciente e menor risco de overdose devido à programação de bloqueios de segurança.

Desvantagens:
Necessidade de orientação detalhada e vigilância contínua da equipe de enfermagem.

Cuidados de enfermagem com bombas de infusão

O profissional de enfermagem tem papel fundamental na manipulação e monitoramento das bombas de infusão. A segurança do paciente depende diretamente da correta programação e do acompanhamento constante.

Conferência da Programação

O “duplo check” (conferência por dois profissionais) é obrigatório para medicamentos de alto risco. Conferir:

  • Droga: Qual medicamento está sendo infundido.
  • Dose/Concentração: Garante que a diluição (mL de droga em mL de solução) está correta.
  • Velocidade (mL/h): Garante a taxa correta.

Monitoramento do Local de Infusão

 Verificar frequentemente o acesso venoso para sinais de flebite, infiltração ou extravasamento, que podem alterar a entrega da medicação.

Alarmes: Nunca ignore um alarme!

Um alarme de “oclusão” pode significar que o cateter está obstruído ou que o paciente fez uma dobra no membro. Um alarme de “ar na linha” exige a remoção imediata da bolha.

Troca de Linhas

 Seguir rigorosamente o protocolo institucional para troca de equipos e linhas (geralmente a cada 72-96 horas, exceto em NPT ou lipídios, que são mais frequentes) para prevenir infecções.

Outros cuidados

  • Verificar a integridade do equipo e da bomba antes de cada uso.
  • Programar corretamente a taxa de infusão e o volume total, conforme prescrição médica.
  • Inspecionar o local da punção venosa regularmente, observando sinais de infiltração, flebite ou extravasamento.
  • Garantir que o equipamento esteja ligado à energia elétrica ou bateria carregada.
  • Documentar todas as infusões realizadas e registrar alarmes ou intercorrências.
  • Educar o paciente e familiares sobre a importância de não manipular o dispositivo sem orientação profissional.

O domínio das bombas de infusão é a marca do profissional de enfermagem moderno. A máquina faz o trabalho de precisão, mas a nossa inteligência, vigilância e atenção aos detalhes garantem que o cuidado seja seguro e humanizado.

Referências:

  1. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre administração de medicamentos e terapia intravenosa).
  2. INSTITUTO PARA PRÁTICAS SEGURAS NO USO DE MEDICAMENTOS (ISMP Brasil). Segurança na Administração de Medicamentos de Alto Alerta. Disponível em: https://www.ismp-brasil.org/. (Consultar as diretrizes sobre bombas de infusão e duplos checks). 
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de segurança na administração de medicamentos. Brasília: MS, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Segurança na utilização de bombas de infusão. Brasília: COFEN, 2021. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/.
  5. INFUSION NURSES SOCIETY (INS). Infusion Therapy Standards of Practice. 8ª ed. Massachusetts: INS, 2021. Disponível em: https://www.ins1.org/.
  6. ANVISA. Boas práticas para o uso de bombas de infusão. Brasília: ANVISA, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/.

Técnica SAS: Salinizar, Administrar e Salinizar — Tudo o que você precisa saber!

Na rotina da enfermagem, o acesso venoso é a nossa principal linha de vida para o paciente. Seja uma veia periférica, um cateter central ou um port-a-cath, a manutenção da permeabilidade e a prevenção de incompatibilidades medicamentosas são de responsabilidade crítica da nossa equipe. É nesse contexto de segurança e rigor técnico que o protocolo ou técnica SAS (Salinizar, Administrar e Salinizar) se torna uma diretriz essencial.

O protocolo ou técnica SAS é um mnemônico simples, mas poderoso, que nos guia na sequência correta de infusão em qualquer acesso venoso. Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, dominar essa técnica não é apenas seguir uma regra; é garantir que o medicamento chegue ao paciente sem complicações, que o cateter funcione perfeitamente e que o paciente esteja seguro.

Vamos entender cada passo desse protocolo e por que ele é tão vital para o cuidado.

O que é a Técnica SAS? A tríade de segurança

A técnica SAS consiste em uma sequência simples e padronizada que deve ser seguida na administração de medicamentos por via intravenosa intermitente. O nome vem das três etapas fundamentais:

  • S (Salinizar): lavar o cateter com solução salina (soro fisiológico 0,9%) antes da administração do medicamento;
  • A (Administrar): injetar o medicamento prescrito;
  • S (Salinizar novamente): lavar o cateter novamente com solução salina após a administração.

O principal objetivo dessa técnica é assegurar a limpeza do lúmen do cateter, evitando que resíduos do medicamento fiquem acumulados e causem obstrução ou precipitação química.

Salinizar (O Primeiro “S”): Abrindo o Caminho

Esta é a fase preparatória. Salinizar significa injetar uma solução salina com 5 a 10 mL de solução salina 0,9% (geralmente Cloreto de Sódio 0,9%) antes do medicamento principal.

Por que Salinizar?

    • Testar a Permeabilidade: A salinização (ou flush) confirma que o cateter está bem posicionado e funcionando corretamente (permeável) antes de injetar um medicamento valioso ou irritante. Se houver resistência, o cateter não está pronto e o medicamento não deve ser administrado.
    • Limpar o Lúmen: Remove qualquer resíduo de medicamentos infundidos anteriormente ou resquícios de sangue que possam estar parados no lúmen do cateter.
  • Técnica de Enfermagem: Usar a técnica do push-pause” (empurrar e pausar) durante a injeção da salina. Essa técnica cria uma turbulência dentro do cateter, que é mais eficaz na remoção de depósitos do que uma injeção contínua.

Administrar (O “A”): O Momento Terapêutico

Esta é a fase onde o medicamento é injetado.

  • Procedimento: Administrar o medicamento prescrito, respeitando o tempo de infusão recomendado.
  • Cuidados de Enfermagem: A velocidade de administração é crucial. Injetar um medicamento rapidamente demais pode causar dor, irritação venosa e efeitos colaterais sistêmicos súbitos (ex: hipotensão com a administração rápida de Metoprolol).

Salinizar (O Segundo “S”): Fechando o Ciclo

Esta é a fase de limpeza e proteção, tão importante quanto as outras.

Por que Salinizar Novamente?

    • Limpar o Medicamento: Garante que todo o medicamento que estava no cateter chegue à corrente sanguínea. Sem o flush, o medicamento restante ficaria parado no lúmen ou no hub do cateter.
    • Evitar Incompatibilidade: É o passo de segurança contra incompatibilidades. Se o medicamento administrado tiver que ser seguido por outro incompatível, a salinização remove o primeiro, impedindo que os dois se encontrem e precipitem no lúmen, causando a obstrução do cateter.
    • Prevenir Obstrução (Trombose): Em cateteres que serão descontinuados ou intermitentes, o flush final ajuda a evitar que o sangue reflua e coagule, mantendo o cateter permeável para o próximo uso.
  • Técnica de Enfermagem: Novamente, usar o “push-pause”. Em cateteres centrais e port-a-caths, a salinização final é seguida pelo clampeamento do cateter (fechamento) no momento exato em que a última porção de salina está sendo injetada, para criar uma pressão positiva e evitar o refluxo de sangue para dentro do lúmen.

Quando a Técnica SAS é Utilizada?

A SAS é utilizada principalmente em:

  • Cateteres de uso intermitente, ou seja, que não estão sendo usados continuamente para infusão;
  • Administração de medicamentos sequenciais, prevenindo interações entre fármacos incompatíveis;
  • Dispositivos periféricos e centrais, especialmente em terapia intravenosa domiciliar, hospitalar ou em UTIs.

É importante diferenciar a SAS da técnica SASH (Salinizar, Administrar, Salinizar, Heparinizar), usada em casos em que o cateter requer manutenção com heparina, como alguns modelos de cateteres centrais.

Importância da Técnica SAS na Prática de Enfermagem

A aplicação correta da técnica SAS traz diversos benefícios para o paciente e para o serviço de saúde:

  • Previne obstruções e trombos no cateter;
  • Evita interações medicamentosas dentro do lúmen;
  • Mantém a permeabilidade do acesso venoso por mais tempo;
  • Reduz o risco de infecções relacionadas a cateter;
  • Assegura a eficácia terapêutica do medicamento administrado.

O enfermeiro tem papel fundamental na padronização dessa técnica, na capacitação da equipe de enfermagem e na supervisão da prática segura de medicações intravenosas.

Cuidados de Enfermagem

  • Higienização das mãos antes e após o procedimento;
  • Verificar a prescrição médica e compatibilidade do medicamento com o soro fisiológico;
  • Utilizar seringas de 10 mL ou mais, especialmente em cateteres centrais, para evitar pressão excessiva no lúmen;
  • Observar sinais de flebite, infiltração ou extravasamento durante a infusão;
  • Desinfetar o conector de acesso com álcool 70% antes de conectar as seringas;
  • Registrar o procedimento no prontuário do paciente, incluindo data, hora, volume e condição do cateter.

A técnica SAS é uma prática simples, mas essencial para a manutenção de cateteres venosos e para a administração segura de medicamentos. Seu uso correto evita complicações comuns e assegura que o tratamento seja eficaz e livre de intercorrências.

Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender e aplicar essa técnica de forma adequada representa uma atitude de segurança, competência e compromisso com o cuidado humanizado.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS ONCOLOGISTAS (SBEO). Diretrizes para o Manejo e Cuidado de Cateteres Venosos Centrais. Disponível em: http://www.sbeo.com.br/. (Consultar seções sobre manutenção de cateteres). 
  2. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Segurança do Paciente: Prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. (Referência a boas práticas em cateteres venosos). Brasília, DF: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa
  4. INFUSION NURSES SOCIETY (INS). Infusion Therapy Standards of Practice. Journal of Infusion Nursing, 2021. Disponível em: https://www.ins1.org
  5. RODRIGUES, L. M. S.; SILVA, R. M. Administração de medicamentos intravenosos: práticas seguras na enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, 2020.
  6. SOUZA, T. M. et al. Manutenção de cateteres venosos e técnicas de lavagem: revisão integrativa. Revista de Enfermagem UFPE, 2019.

Tipos de Cateteres Venosos Centrais

A terapia intravenosa é uma das práticas mais comuns na assistência hospitalar, principalmente em pacientes críticos ou que necessitam de medicações em longo prazo. Nesse contexto, os cateteres venosos centrais (CVCs) são recursos fundamentais para garantir acesso venoso confiável, seguro e eficaz.

Existem diferentes tipos de CVCs, e cada um tem indicações específicas, vantagens e cuidados próprios. Saber diferenciá-los é essencial para qualquer profissional e estudante de enfermagem que deseja atuar com excelência na área hospitalar, especialmente em unidades de terapia intensiva, centro cirúrgico ou oncologia.

Nesta publicação, vamos falar de maneira clara e completa sobre os principais tipos de cateteres venosos centrais, divididos por grupos: curta permanência, longa permanência e PICC.

O que é um Cateter Venoso Central?

O CVC é um dispositivo introduzido em veias de grande calibre, como a subclávia, jugular interna ou femoral, com a extremidade do cateter posicionada na veia cava superior ou inferior. Isso permite a infusão segura de soluções irritantes, nutrição parenteral, quimioterápicos, além da monitorização hemodinâmica central.

Cateteres de Curta Permanência

Esses são os mais comuns em ambientes hospitalares, especialmente em pacientes críticos, cirúrgicos ou que necessitam de terapia intensiva por poucos dias.

CVC não tunelado

É um cateter de inserção direta, geralmente implantado pela veia jugular interna, subclávia ou femoral. Seu uso é indicado para terapia intensiva de curta duração (em média, até 7 a 14 dias).

Características:

  • Pode ter um, dois ou três lúmens.
  • Instalação feita por técnica asséptica, com auxílio do ultrassom em muitos serviços.
  • Mais sujeito a infecções se comparado aos de longa permanência.

Cuidados de enfermagem:

  • Trocar curativo a cada 48h (gaze) ou 7 dias (curativo transparente), ou quando estiver sujo/úmido.
  • Higienizar a conexão antes de manusear.
  • Observar sinais de infecção (eritema, dor, secreção).
  • Lavagem dos lúmens com SF 0,9% entre medicações incompatíveis ou antes de desuso.

Cateteres de Longa Permanência

Indicados para terapias prolongadas, como quimioterapia, antibioticoterapia de longa duração, nutrição parenteral crônica ou pacientes em cuidados paliativos.

Cateter Tunelado (tipo Hickman ou Broviac)

São inseridos cirurgicamente, e parte do cateter passa por um túnel subcutâneo antes de atingir a veia central. Esse túnel forma uma barreira natural contra infecções.

Indicações:

  • Terapia de meses a anos.
  • Pacientes com necessidade contínua de infusões.

Características:

  • Menor risco de infecção.
  • Possui cuff (manguito) que estimula aderência ao tecido subcutâneo.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo inicial reforçado e trocado semanalmente.
  • Técnica asséptica rigorosa.
  • Monitoramento frequente de sinais flogísticos e permeabilidade.

Cateter totalmente implantado (Port-a-Cath)

Conhecido como “port”, é implantado sob a pele, com um reservatório conectado a um cateter venoso central. A punção é feita com agulha específica (agulha de Huber).

Indicações:

  • Pacientes oncológicos.
  • Terapias intermitentes de longa duração.

Vantagens:

  • Fica totalmente sob a pele (menor risco de infecção).
  • Estética mais favorável.

Cuidados de enfermagem:

  • Punção com agulha Huber sob técnica estéril.
  • Troca da agulha a cada 7 dias (em uso contínuo).
  • Lavagem com heparina se ficar em desuso por longos períodos.

Cateter Central de Inserção Periférica (PICC)

O PICC é um cateter central, mas inserido por veia periférica (geralmente basílica ou cefálica), com a extremidade posicionada na veia cava superior. É uma excelente alternativa para pacientes com acesso venoso periférico difícil ou que precisarão de acesso por semanas.

Indicações:

  • Uso de 7 dias até 1 ano.
  • Antibióticos, nutrição parenteral, quimioterapia.

Características:

  • Pode ser inserido por enfermeiros treinados.
  • Mais confortável para o paciente.
  • Menor risco de complicações pulmonares ou cardíacas.

Cuidados de enfermagem:

  • Curativo com filme transparente trocado semanalmente.
  • Fixação com dispositivo próprio (não usar esparadrapo comum).
  • Lavagem com SF 0,9% e, em alguns protocolos, heparina.
  • Observar sinais de trombose (edema no braço, dor, dificuldade de infusão).

Comparativo Geral dos Tipos de CVC

Tipo de CVC Duração esperada Via de inserção Risco de infecção Manutenção
Não Tunelado Curta (até 14 dias) Jugular, subclávia Moderado Alta
Tunelado (Hickman) Longa (meses-anos) Cirúrgica subcutânea Baixo Moderada
Port-a-Cath Longa (anos) Cirúrgica subcutânea Muito baixo Baixa
PICC Intermediária Periférica (braço) Baixo Moderada

Prevenção de complicações

Independente do tipo de CVC, a atuação da enfermagem é fundamental na prevenção das complicações, principalmente a Infecção da Corrente Sanguínea Relacionada a Cateter (IPCS). Cada CVC inserido representa um risco, e é nosso dever minimizá-lo com:

  • Higiene das Mãos Rigorosa: Sempre, sempre, sempre!
  • Técnica Asséptica: Para inserção e manutenção do curativo, flushing e administração de medicações.
  • Avaliação Contínua: Observar diariamente o sítio de inserção e os sinais vitais do paciente.
  • Flushing Adequado: Manter a permeabilidade é manter a segurança.
  • Remoção Precoce: Se o CVC não for mais necessário, ele deve ser retirado para diminuir o risco.

Entender os diferentes tipos de cateteres venosos centrais é um conhecimento essencial para a prática segura da enfermagem. Cada tipo tem indicações específicas, características únicas e exige cuidados distintos. A atuação da enfermagem é crucial tanto na prevenção de complicações quanto na manutenção da funcionalidade desses dispositivos.

Saber reconhecer sinais de infecção, garantir curativos bem feitos, aplicar técnicas assépticas rigorosas e orientar o paciente são responsabilidades que impactam diretamente na segurança e recuperação da pessoa assistida.

Referências:

  1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Brasília: ANVISA, 2017.
    Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/publicacoes/documentos-de-orientacao/medidas-de-prevencao-de-infeccao-relacionada-a-assistencia-a-saude
  2. PERRY, A. G.; POTTER, P. A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. SILVA, R. A. et al. Cuidados de Enfermagem com Cateter Venoso Central. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 72, supl. 1, p. 234–240, 2019.Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/JQwQnvPRvcq6s4gVpPbsT6F/
  4. GARCEZ, A. P. N.; MACHADO, R. C. M.; AZEVEDO, L. M. M. Cateter Venoso Central: revisão sobre indicação, inserção, manutenção e complicações. Revista Médica de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 23, n. 4, p. 556-560, out./dez. 2013. Disponível em: https://rmmg.org/artigo/544/cateter-venoso-central-revisao-sobre-indicacao–insercao–manutencao-e-complicacoes. Acesso em: 18 jun. 2025.
  5. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMEIROS DE INFECTOLOGIA (SOBEI). Recomendações para a Prevenção de Infecções Relacionadas a Cateteres Vasculares. São Paulo: SOBEI, 2017. (Buscar em publicações da SOBEI ou outras sociedades de controle de infecção).

Flebite

Flebite

A flebite é uma das complicações mais frequentes do uso de cateteres venosos periféricos (CVP). Caracterizando-se por uma inflamação aguda da veia, causando edema, dor, desconforto, eritema ao redor da punção e um “cordão” palpável ao longo do trajeto da veia.

Os principais fatores que ocorrem em uma flebite nas punções venosas é longa permanência dos acessos venosos, e a má assepsia do curativo.

CLASSIFICAÇÕES

A flebite pode ser classificada de acordo com os fatores causais, os quais podem ser químicos, mecânicos ou infecciosos:

Mecânico: é predominantemente em razão de problemas no cateter, o qual causa trauma no interior da veia. Isso pode ocorrer na inserção (utilização de dispositivos com calibre grosso para a veia), punção inadequada (ponta do cateter traumatiza a parede da veia) ou manipulação do cateter (deslocamento).

Química: geralmente está associada à administração de medicamentos irritantes/vesicantes, medicamentos diluídos impropriamente, infusão muito rápida ou presença de particulados na solução que resultam em dano para o endotélio interno da veia.

Infecciosa: é a inflamação da veia que está associada à contaminação bacteriana. Pode ocorrer devido à não utilização de técnica asséptica (inserção, manipulação, manutenção do dispositivo).

Há uma escala para avaliar as condições da flebite:

  • Grau 0 – Sem sinais clínicos;
  • Grau 1 – Eritema no local do acesso com ou sem dor;
  • Grau 2 – Dor no local do acesso com eritema e/ou edema;
  • Grau 3 – Dor no local do acesso eritema e/ou edema – Formação de estria/linha -Cordão venoso palpável;
  • Grau 4 – Dor no local do acesso eritema e/ou edema;
  • Formação de estria/linha;
  • Cordão venoso palpável > 2,5cm de comprimento;
  • Drenagem purulenta.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM AS PUNÇÕES VENOSAS:

– Antes e após a punção e manuseio do cateter venoso, realizar higiene das mãos com água e clorexidina degermante 2% ou com preparação alcoólica quando as mãos não estiverem visivelmente sujas;

– Selecionar o cateter periférico com base no objetivo pretendido, na duração da terapia, viscosidade do fluído, nos componentes do fluído e nas condições do acesso venoso. No cliente adulto, inserir o cateter na extremidade superior.

– Em clientes pediátricos, podem ser utilizados ainda como local de inserção os membros inferiores e a região da cabeça;

– Evitar puncionar áreas de articulações;

– Remover os dispositivos intravasculares assim que seu uso não for necessário;

– Realizar antissepsia da pele com álcool 70% na inserção dos cateteres periféricos e não palpar o local da inserção após à aplicação do antisséptico;

– Optar pelo curativo de filme transparente e trocá-lo: A cada nova punção ou A cada 7 dias ou Antes da data estipulada se o curativo estiver sujo ou soltando;

– Se for necessário utilizar esparadrapo para realizar o curativo, trocá-lo diariamente após o banho;

– Se atentar às trocas dos equipos e conexões conforme orientação da CCIH (as dânulas -torneirinhas- devem ser trocadas juntamente com o sistema de infusão);

– Realizar desinfecção das conexões com álcool 70% por meio de fricção vigorosa com, no mínimo, três movimentos rotatórios, utilizando gaze limpa;

– A limpeza e desinfecção da superfície e do painel das bombas de infusão deve ser realizada a cada 24 horas e na troca de paciente, utilizando produto conforme recomendação do fabricante;

– Os cateteres periféricos deverão ser trocados a cada 72 horas se confeccionados de teflon e 96 horas se confeccionados de poliuretano (obs: sem rotina de troca em pacientes com acesso venoso difícil, neonatos e crianças);

Se atentar à prescrição médica em relação à:

  • Osmolaridade;
  • pH;
  • Incompatibilidade entre drogas;

– Aplicar a escala de flebite a cada 6 horas e realizar anotação;

– Reconhecer sua própria limitação ao realizar o procedimento e solicitar auxílio quando necessário;

– Retirar imediatamente o cateter;

– Aplicar compressas frias no local afetado na fase inicial para diminuição da dor, e a seguir compressas mornas para promover a vasodilatação e reduzir o edema;

– Lavar o membro;

– Administrar analgésicos, anti inflamatórios e antibióticos quando prescritos.

 

 

Veja também:

Escala de Maddox: A Identificação de Flebite

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

Terapia Intravenosa

No dia a dia da enfermagem, a prática da terapia intravenosa é uma constante. A administração de medicamentos e de outras soluções parenterais se constitui uma das maiores responsabilidades da equipe de enfermagem, o que ressalta a importância de que este seja um procedimento seguro tanto para cliente quanto para o profissional de saúde. Durante a punção venosa, a presença de material inerte, que vai da pele ao sistema vascular, cria uma complexa relação entre cateter, hospedeiro e microrganismos, que pode determinar alterações iatrogênicas, abrangendo desde quadro inflamatório não associado a infecção até quadros graves de septicemia, uma vez que constitui porta aberta entre o meio externo e o meio intravascular.

A complicação mais frequentemente relacionada à PVP é a flebite (ou tromboflebite, quando a esta é combinada com formação de trombo). Há três tipos de flebite: mecânica, química e infecciosa. Na flebite, as células endoteliais da parede venosa tornam-se inflamadas e ásperas, devido a aderência de neutrófilos, facilitando a progressão do processo inflamatório. A flebite química está diretamente relacionada à infusão de soluções irritantes, à diluição de medicações ou misturas de drogas incompatíveis, à elevada velocidade de infusão ou, ainda, à presença de partículas na solução. A flebite mecânica pode advir do uso de cateter calibroso em veia fina, que causa irritação da camada interna da veia.

Também a manipulação frequente do cateter durante a infusão de soluções pode ocasioná-la. Na flebite bacteriana, a inflamação da parede venosa interna está associada à presença de microrganismos. Os fatores relacionados à ocorrência de flebite bacteriana, incluem-se antissepsia inadequada da pele, perda de integridade do cateter intravenoso periférico (CIP), técnica inadequada de inserção do cateter e manutenção ineficiente. Além da presença dos sinais e sintomas que caracterizam a flebite, esta deve ser avaliada por meio de uma escala padronizada que determine sua intensidade em graus. A infiltração e o extravasamento também são complicações relacionadas à TI. A infiltração é a administração acidental de uma solução ou medicamento em um tecido adjacente. O extravasamento é similar a infiltração, no entanto, a solução administrada inadvertidamente, nesse caso, é vesicante ou irritante.

Os sinais e sintomas advindos dessas duas complicações são: edema, desconforto, dor, empalidecimento e resfriamento da pele local, sendo importante a interrupção imediata da infusão, uma vez que, dependendo da substância infundida, pode sobrevir lesão grave, assim como escarificação tecidual e necrose local. O extravasamento é tido como a complicação aguda mais severa, causando extremo desconforto e sofrimento ao paciente e exigindo do enfermeiro habilidade clínica para diagnosticá-lo e intervir precocemente. O hematoma resulta quando o sangue extravasa para dentro dos tecidos adjacentes ao sítio de punção, geralmente criando edema doloroso com sangue infiltrado.

Pode resultar de tentativa de punção sem sucesso, retirada do CIP sem que seja feita pressão adequada no local de remoção ou uso de torniquete ou garrote apertado em local que previamente puncionado. Os sinais de um hematoma incluem equimose, edema imediato no local e extravasamento de sangue no sítio de inserção.

Em grande parte evitável, a infecção de corrente sanguínea (ICS) relacionada a cateter vascular é potencialmente grave e frequente entre pacientes hospitalizados. O sistema da TI resulta em uma potencial rota de entrada de micro organismos no sistema vascular, pelo rompimento dos mecanismos de defesa da pele e, com isso, causar sérios problemas quando penetram e proliferam na cânula ou no fluído intravascular. O mecanismo mais provável das ICS relacionadas a cateteres venosos periféricos é a colonização do trato do cateter vascular seguida de formação de biofilme. A colonização pode ocorrer durante a inserção e/ou ao se manipular o cateter para administração de drogas ou colheita de sangue.

Havendo suspeita de infecção relacionada com perfusão, devem-se, utilizando técnica asséptica e observando precauções-padrão, colher amostras de sangue, da ponta do cateter e do local de inserção do acesso e também amostras da solução infundida (caso se suspeite desta como fonte de sepse).  Muitos são os fatores que podem potencializar o desenvolvimento de complicações durante a TI. Os fatores relacionados ao paciente são idade inferior a um ano ou superior  60; sexo feminino; doenças que resultam em perda de integridade epitelial, como psoríase e queimaduras; granulocitopenia; quimioterapia, imunossupressora; presença de foco infeccioso à distância; gravidade da doença de base; tempo de hospitalização; e outros.

Os fatores inerentes ao próprio acesso vascular e sua manipulação pela equipe de enfermagem (tipo e calibre do CIP, local de inserção, uso de luvas, higienização das mãos,  reparo do local com antissepsia, técnica de inserção, tipo de fixação da cobertura, uso ou não de conectores, tipo de solução para manutenção da permeabilidade, tempo de permanência do cateter e frequência da observação) também são importantes em relação ao desenvolvimento de complicações relativas a TI.  Outros elementos presentes na etapa pós-punção, como identificação da punção (número do cateter, data e horário da punção, responsável pela punção), orientação do paciente, cálculo do gotejamento, diluição e tipo de drogas administradas, também podem influenciar a manifestação de eventos adversos.