Úlcera Terminal de Kennedy (UTK)

A Úlcera Terminal de Kennedy (UTK) é uma lesão por pressão que aparece de forma espontânea em pacientes com doenças avançadas (paliativos).

Características da Úlcera Terminal de Kennedy

A UTK é observada principalmente em pacientes nos últimos dias de vida, podendo evoluir rapidamente, geralmente em horas ou dias.

As características incluem:

      • Localização na região sacral ou dorso das costas;
      • Bordas irregulares;
      • Pode ter formato semelhante a uma “pera”, “borboleta” ou “ferradura”;
      • Coloração inicial vermelha ou roxa, evoluindo para amarelo e/ou preto rapidamente.

Intervenções de Enfermagem para UTK

Orientação aos Cuidadores:

      • Explique que a UTK não é resultado de falta de cuidados;
      • Assegure que a lesão é uma consequência natural da falência orgânica.

Reunião Familiar:

      • Realize uma reunião com a família para discutir a proximidade da morte.
      • Esclareça dúvidas e ofereça apoio emocional.

Abordagem Paliativa:

      • Proporcione cuidados com foco no conforto e dignidade do paciente.
      • Individualize o plano de cuidados, considerando a terminalidade.

Outros Cuidados:

  • Otimizar o posicionamento. O paciente pode ter uma posição que minimize a dor e ofereça conforto respiratório;
  • Administrar medicações para controle de sintomas, principalmente dor. Recomenda-se em torno de 30 minutos antes dos curativos, banho ou procedimentos realizar dose de resgate com analgésico prescrito;
  • O tratamento proposto deve seguir as recomendações para Lesões por Pressão, desde que não cause desconforto ao paciente;
  • Avaliar a lesão e prescrever curativo. Recomenda-se uso de placas superabsorventes para lesões exsudativas, coberturas impregnadas com prata para lesões que apresentem infecção ou odor e coberturas com múltiplas camadas e espuma para conforto do paciente;
  • Avaliar a proporcionalidade e indicação de desbridamento. O desbridamento deve ser discutido previamente, pois pacientes em fase final de vida não se beneficiam deste procedimento, portanto não é indicado;
  • Avaliar odor. Recomenda-se além das medidas para controle de odor através do curativo, deixar um copo com sementes de café no quarto ou próximo ao leito do paciente.

Referências:

  1. Kennedy KL. The prevalence of pressure ulcer in an intermediate care facility. Decubitus.; 1989; : 2(2):44–45.
  2. Hanson D, Langemo DK, Olson B, et al. The prevalence and incidence of pressure ulcers in the hospice setting: analysis of two methodologies. Am J Hosp Palliat Care.; 1991; 8(5):18–22.
  3. Polastrini RTV, Yamashita CC, Kurashima AY. Enfermagem e o Cuidado Paliativo. In: SANTOS, Franklin Santana. (org). Cuidados Paliativos: diretrizes, humanização e alívio dos sintomas. São Paulo: Atheneu, 2011. Cap. 30. pp. 277-283.
  4. Roca-Biosca A, Rubio-Rico L, Velasco-Guillen MC. et al. Adecuación del plan de cuidados ante el diagnóstico de úlcera terminal de Kennedy. Enfermeíra Intensiva.; 2016;
  5. Kennedy Terminal Ulcer (site). Understanding Kennedy Terminal Ulcer.; 2014; 

Os tipos de limpeza do Centro Cirúrgico

A limpeza do centro cirúrgico é uma atividade fundamental para garantir a segurança dos pacientes e dos profissionais de saúde.

Os Tipos de limpeza

Existem quatro tipos de limpeza que devem ser realizados no centro cirúrgico, de acordo com as normas técnicas e sanitárias. São eles:

  • Limpeza preparatória: é a limpeza realizada antes do início das atividades cirúrgicas, com o objetivo de remover a sujidade acumulada durante o período noturno ou de inatividade do centro cirúrgico. Envolve a limpeza de todas as superfícies, equipamentos, mobiliários e materiais, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.
  • Limpeza operatória: é a limpeza realizada durante as atividades cirúrgicas, com o objetivo de manter o ambiente limpo e organizado, evitando a contaminação cruzada e a proliferação de microrganismos. Envolve a limpeza dos instrumentais, das mesas cirúrgicas, dos campos operatórios, dos pisos e das paredes, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.
  • Limpeza concorrente: é a limpeza realizada após cada procedimento cirúrgico, com o objetivo de preparar o ambiente para a próxima cirurgia, removendo os resíduos biológicos e os materiais descartáveis, e desinfetando as superfícies, equipamentos, mobiliários e materiais que serão reutilizados. Envolve a limpeza de todas as áreas do centro cirúrgico, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.
  • Limpeza terminal: é a limpeza realizada ao final do expediente ou da jornada de trabalho, com o objetivo de eliminar a sujidade residual e reduzir a carga microbiana do ambiente. Envolve a limpeza de todas as áreas do centro cirúrgico, utilizando produtos adequados e seguindo os protocolos de desinfecção.

A limpeza do centro cirúrgico deve ser realizada por profissionais capacitados e treinados, que sigam as normas de biossegurança e utilizem os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.

A limpeza do centro cirúrgico é uma medida essencial para prevenir infecções hospitalares e garantir a qualidade da assistência prestada aos pacientes.

Referências:

  1. EBSERH
  2. EPS
  3. Portal Educação

Limpeza Concorrente Vs Terminal: As diferenças

O serviço de limpeza e higienização é fundamental para proporcionar bem-estar e segurança para quem frequenta ou trabalhar em clínicas, hospitais, laboratórios e outros ambientes da área da saúde.

O que é limpeza concorrente?

De um modo geral, a limpeza é a remoção de microrganismos e sujidades de qualquer superfície e objetos.

Ou seja, trata-se também do preparo para processos de desinfecção e esterilização, que precisam que os ambientes estejam previamente limpos.

Dessa maneira, para explicar as diferenças entre a limpeza terminal e concorrente é importante destacar como cada ação funciona.

Primeiramente, a concorrente é a higienização diária, com o objetivo de diminuir os riscos de infecção. A tarefa é realizada duas vezes por dia ou sempre que surgir alguma necessidade.

De fato, cada instituição tem a sua rotina específica. No entanto, para proporcionar conforto e segurança e manter o ambiente higienizado, a limpeza concorrente realiza ações como:

  • Limpeza de objetos das mesas de refeição e cabeceira;
  • Higienização das mesas;
  • Limpeza do suporte de soro;
  • Limpeza de cadeiras e outros móveis;
  • Limpeza de travesseiro e colchão;
  • Limpeza de grades, painéis e escadas.

Além disso, o serviço visa higienizar pisos de quartos e enfermarias, corredores, áreas sanitárias e administrativas.

Dessa forma, vale ressaltar que a limpeza concorrente é úmida e menos completa quando comparada ao serviço de limpeza terminal.

Como funciona a limpeza terminal?  

Desse modo, trata-se da desinfecção e higienização total das áreas do hospital.

A tarefa tem o intuito de reduzir as sujeiras e a população microbiana para diminuir as possibilidades de contaminação.

De acordo com especialistas, a limpeza terminal é realizada baseada nas emergências e necessidades das áreas crítica, semicrítica e não crítica. Ela inclui todas as superfícies  e mobiliários.

Além disso, é importante citar que esta higienização é feita após transferências, altas, internações prolongadas no mesmo ambiente e óbitos.

No entanto, a limpeza terminal também é realizada nas salas cirúrgicas, após o procedimento realizado no local.

Dessa maneira, todos os objetos dos quartos são higienizados, assim como cadeiras de rodas, macas e todos os equipamentos que tiveram contato direto com o paciente.

Na limpeza terminal algumas tarefas são essenciais, como por exemplo:

  • Limpar e desinfetar mesas e suportes;
  • Limpar travesseiros;
  • Higienizar colchões;
  • Lavar cabeceira, grades e a parte exposta do estrado;
  • Limpar os quatro pés da cama;
  • Realizar a limpeza de cadeiras e outros móveis do local;
  • Higienizar pisos, paredes, vidros e demais superfícies;
  • Recolher todas as roupas de camas e higienizar impermeáveis presentes no ambiente.

Por fim, por se tratar de um processo de limpeza mais intenso, é primordial higienizar janelas, portas, luminárias e até o teto.

Como funciona a limpeza de manutenção?  

A limpeza de manutenção, como o próprio nome sugere, é a limpeza que mantém os ambientes e dependências do hospital de acordo com o padrão necessário e exigido.

É realizada para manter o padrão de limpeza das dependências, nos intervalos entre as limpezas concorrentes e terminais, devendo-se haver a atenção para a reposição de materiais de higiene, recolhimento de resíduos, manutenção de superfícies, etc.

Classificação de áreas da limpeza hospitalar

Além de entender quais os tipos de higienização de hospitais, clínicas e outros tipos de instituições de saúde, é preciso considerar também a classificação para as áreas que devem passar por higienização.

Essa classificação é feita de acordo com o risco potencial apresentado com relação à transmissão de doenças.

São três tipos de classificação: áreas críticas, áreas semicríticas e áreas não críticas.

Áreas críticas

Onde existe um risco maior de infecções, como as usadas para procedimentos de risco, como:

  • salas de cirurgia,
  • unidades de tratamento intensivo,
  • locais onde estão pacientes comprometidos com doenças infecciosas, etc.

Áreas semicríticas

Onde estão os pacientes com moléstias infecciosas de baixo poder de transmissão ou de doenças não infecciosas, como:

  • ambulatórios,
  • quartos,
  • enfermarias, etc.

Áreas não críticas

São as áreas não ocupadas por pacientes ou onde não se realizam procedimentos de risco, como as áreas administrativas, consultórios ou de manutenção da instituição de saúde.

Perguntas frequentes sobre limpeza de hospital

Quando deve ser feita a limpeza concorrente? 

A limpeza concorrente deve ser realizada diariamente, em cada troca de plantão ou, pelo menos, duas vezes ao dia. É o tipo de limpeza hospitalar que ocorre enquanto o paciente está internado, seja ocupando um leito ou quarto.

Quem realiza a limpeza terminal? 

A limpeza terminal pode ser realizada por profissionais de uma empresa terceirizada especializada em limpeza hospitalar. Também deve contar com a contribuição de profissionais de enfermagem, que auxiliam na retirada de materiais ou equipamentos provenientes da assistência aos pacientes. Por exemplo, bombas de infusão, equipos, comadre, papagaios e outros.

Limpeza concorrente e terminal

A diferença entre limpeza concorrente e terminal é que a primeira é realizada enquanto o paciente está no leito ou no quarto da unidade de saúde. Já a limpeza terminal é realizada após a saída do paciente, seja por alta, transferência ou mesmo óbito. Ambas possuem características diferentes, sendo a limpeza terminal a realizada antes da chegada de outro paciente ao leito. Além disso, a limpeza terminal também é realizada em centros cirúrgicos após intervenções médicas.

Como é feita a limpeza de um hospital?

Existem três tipos de limpeza para hospital: a limpeza concorrente, terminal e de limpeza de manutenção. Cada uma possui seu próprio conjunto de itens a serem higienizados e protocolos a seguir, de acordo com a classificação de limpeza hospitalar: áreas críticas, áreas semicríticas e áreas não críticas. É fundamental contar com uma empresa especializada em limpeza e higienização hospitalar que domine todas as regras e especificações de cada tipo.

O que é limpeza concorrente?

A limpeza concorrente é a limpeza hospitalar realizada enquanto o paciente está ocupando os quartos, centros de tratamento intensivo ou mesmo em enfermarias. É feita a limpeza, desinfecção, remoção de sujidades no ambiente onde o paciente ainda está ocupando um leito, ainda está hospitalizado na instituição de saúde.

Referências:

  1. PARECER COREN – BA N⁰ 029/2013
  2. Coren-SP

Cuidados Paliativos

A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2002) define os Cuidados Paliativos como uma abordagem que promove a qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de situações que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento.

Para tal, requer a identificação precoce, avaliação e tratamento impecável da dor e outras situações angustiantes de natureza física, psicossocial e/ou espiritual.

Um dos pilares dos Cuidados Paliativos é o trabalho multiprofissional e interdisciplinar. O foco da atenção não é a doença a ser curada ou controlada, mas o doente, entendido como um ser biográfico, ativo, com direito à informação e à autonomia plena para decisões a respeito do seu tratamento.

A prática adequada dos Cuidados Paliativos preconiza uma atenção individualizada ao doente e à sua família, a busca da excelência no controle de todos os sintomas e a prevenção do sofrimento.

Segundo a médica precursora do Movimento Hospice Moderno, Cicely Saunders, os Cuidados Paliativos não são uma alternativa de tratamento, mas sim uma parte complementar e vital de todo o acompanhamento do paciente.

Desta forma, o tratamento curativo e a abordagem paliativa podem ocorrer de maneira simultânea. À medida que a doença progride e o tratamento curativo perde o poder de oferecer um controle razoável da mesma, os Cuidados Paliativos crescem em significado, surgindo como uma necessidade absoluta na fase em que a incurabilidade se torna uma realidade irreversível.

Fases do Cuidado Paliativo

Os cuidados paliativos em pacientes internados na UTI devem seguir uma ordem lógica de progressão baseado na evolução clínica de cada caso. Esse processo é contínuo, diário e didaticamente dividido conforme as seguintes fases:

Primeira fase ou cuidado com ênfase curativa

Toda medida terapêutica e de cuidado que visa a cura ou melhoria da doença e a recuperação da saúde do indivíduo. Há maior probabilidade de recuperação do paciente do que irreversibilidade ou morte. Nessa fase, as ações paliativas têm como meta o alívio dos sintomas inerentes à doença e decorrentes do tratamento.

A morte é pouco provável ou não é esperada.

Segunda fase ou cuidado paliativo proporcional

É implementada quando já existe falha de resposta aos recursos terapêuticos utilizados e, a despeito do tratamento otimizado, o paciente caminha em direção ao desfecho de irreversibilidade e morte. Nesse contexto, as ações paliativas no controle dos sintomas passam a ter prioridade em relação aos cuidados curativos.

A proporção da prioridade entre essas duas frentes de cuidado deve acompanhar a evolução de melhora ou piora do indivíduo, oscilando em patamares intermediários entre o cuidado curativo pleno e o cuidado paliativo exclusivo.

Terapias invasivas devem paulatinamente dar lugar medidas de controle dos sintomas em evoluções no sentido da morte e irreversibilidade, assim como as intervenções curativas devem ser priorizadas à medida que o caso siga o caminho da melhora e restauração.

A morte é possível e prevista para semanas a meses.

Terceira fase ou cuidado paliativo exclusivo

Identificada a irreversibilidade da doença e instalado o processo do morrer, nenhuma medida com intenção curativa seria efetiva para mudar a história natural do adoecimento e o desfecho clínico desfavorável. Nesse ponto, o tratamento curativo deixa de ter resultado ou significado e as medidas de controle de sintoma e conforto passam a ser a única estratégia efetiva e benéfica para o paciente.

As medidas com intenção curativas devem então ser descontinuadas e toda a energia e conhecimento da equipe devem ser canalizados para o conforto do paciente e acolhimento da família.

A morte é provável e prevista para horas a dias.

Para entender melhor aprofundamente sobre o protocolo de Cuidados Paliativos, recomendados a Leitura do Protocolo do ISGH clicando neste link!

Referências:

  1. Ministério da Saúde