Trach Care: Sistema fechado de aspiração

O “Trach Care” ou sistema fechado de aspiração de secreções, remove secreções traqueais de pacientes com ventilação mecânica (VM) que não devem ser desconectados, quando houver secreção visível em via aérea, presença de ruído no tubo traqueal, desconforto respiratório do paciente, queda da saturação, oscilações da curva de fluxo do ventilador.

Indicação

Em pacientes isolados por aerossolterapia, garantindo maior segurança ao profissional envolvido no procedimento.

Materiais necessários para este procedimento

  • Sistema de aspiração fechado de número compatível com peso e idade;
  • Soro fisiológico;
  • Seringa;
  • Ampola de soro fisiológico;
  • Agulha;
  • Intermediário de aspiração;
  • Equipamentos de proteção individual.

Etapas

  • Higienizar as mãos;
  • Escolher conector e tubo avaliando a idade e peso;
  • Conferência de todos os materiais necessários;
  • Utilizar equipamentos de proteção individual na ordem a seguir: Avental, Máscara N95 ou FFP2 e Máscara cirúrgica, Face Shield ou Óculos de proteção ocular, Gorro e Luvas de procedimento.
  • Posicionar o paciente com cabeceira elevada à 30º – 45º;
  • Explicar procedimento ao paciente;
  • Realizar a abertura da sonda de aspiração;
  • Reservar o invólucro para auditoria;
  • Avaliar o tamanho do sistema do trach care que será conectado de acordo com o tamanho do tubo oro traqueal do paciente;
  • Retirar o conector do tubo oro traqueal e conectar o adaptador escolhido de acordo com o tamanho do tubo;
  • Conectar o circuito do respirador a segunda conexão do adaptador do trach care;
  • Identificar o circuito com fita adesiva colorida que compõe o kit do trach care de acordo com o dia da semana no qual o mesmo foi instalado (O tempo de troca do dispositivo será a cada 72h);
  • Conectar o intermediário de aspiração no vácuo;
  • Antes de conectar o sistema fechado ao paciente, realizar o teste de sucção ativando a válvula com o polegar;
  • Conectar a válvula de controle ao dispositivo de aspiração;
  • Conectar dispositivo lateral do conector ao sistema de ventilação;
  • Aspirar soro fisiológico em uma seringa;
  • Abrir e testar o funcionamento do sistema de aspiração;
  • Conectar o intermediário de aspiração (látex) no sistema de aspiração fechado;
  • Caso haja necessidade, ajustar no ventilador mecânico FO2 de 100% ou modo de aspiração se este estiver disponível, com o objetivo de pré-oxigenar antes do procedimento;
  • Girar a trava de segurança do sistema de aspiração para abrir o sistema;
  • Introduzir a sonda de aspiração do sistema fechado no tubo traqueal até perceber resistência, onde se encontra a carina, neste ponto elevar 1 a 2 centímetros da sonda;
  • Liberar o vácuo de aspirar apertando o clamp do sistema;
  • Realizar movimentos lentos de vai e vem e retirar lentamente a sonda ( *Este procedimento não deve durar mais de 10 segundos devido ao risco de hipoxemia);
  • Inserir a seringa no local recomentado contendo a solução fisiológica, lavar a sonda do sistema de aspiração, mantendo o vácuo ativado ao mesmo tempo da introdução do soro;
  • Realizar este procedimento quantas vezes forem necessárias;
  • Ao termino do procedimento lavar novamente o sistema de aspiração fechado;
  • Desconectar a seringa e e descarta-la;
  • Travar a válvula de segurança do sistema de aspiração fechado;
  • Desconectar o vácuo do sistema;
  • Colocar a tampa protetora do sistema de aspiração fechado;
  • Lavar o intermediário de aspiração;
  • Desligar o sistema a vácuo;
  • Identificar e armazenar o látex no conector lateral do sistema de aspiração;
  • Organizar o leito do paciente, fazer a retirada dos EPI’s na ordem a seguir: Luvas, Avental, Gorro, Face Shield ou Óculos de proteção ocular, Máscaras.

Lembrando que: Esta prática é indicada em pacientes com precaução por aerossóis; pacientes com sangramento pulmonar ativo e excesso de secreções nas vias aérea.

Referências:

  1. https://sbgg.org.br/wp-content/uploads/2020/03/Tabela-Traduzida-EPI-OMS.pdf;
  2. http://www2.ebserh.gov.br/documents/17082/3086452/POP+REABILITA%C3%87%C3%83O+RESPIRAT%C3%93RIA+ADULTO.pdf/500f4ac4-2c60-493d-9c78-6779d3be6448 
  3. https://www.youtube.com/watch?v=fii379Gfgso
  4. https://www.salvavidas.eu/pt/el-proyecto/especial-covid-19;
  5. BRASIL, Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde / Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília, 2013.
  6. http://www.cfernandes.com.br/produto/sonda-aspiracao-sistema-fechado-bioteq/

Técnica Intramuscular em “Z” (Z-track)

A técnica intramuscular em Z ou método em Z (Z-track) cria um ziguezague através dos tecidos, o que veda o trajeto da agulha, para evitar o retorno da medicação. A característica mais importante desse tipo de procedimento é a indicação para medicamentos com ação sistêmica que possuem rápida absorção e doses relativamente grandes podendo chegar até 5 mL nos locais adequados.

O tecido muscular é pouco vascularizado e possui poucos nervos sensitivos, o que possibilita uma ação assistencial que gera menos dor, principalmente para medicamentos que causam reação.

A técnica foi descrita e demonstrada em 1939 por Shaffer e indicada para injeções profundas de medicamentos ou drogas irritantes, como o ferro. Dessa forma a técnica possibilita o não extravasamento de medicamento da localidade, gerando menor desconforto para o paciente, diminuindo lesões na região do local de aplicação.

Indicações e contraindicações

As indicações para a via de administração intramuscular é em relação a medicamentos que são irritantes e são mais viscosas que não sejam absorvidas em outros locais como o sistema digestivo, tecido subcutâneo, intradermico ou inalatório.

As clássicas contraindicações são alguns medicamentos que não reagem bem a administrados nessa via, se a pessoa possuir lesões na pele, doenças crônicas específicas e outras indicações médicas.

Nunca administre medicações por via intramuscular em locais que possuam inflamação ou esteja edemaciados ou apresentado irritação da pele. Locais que contenham lesões ou verrugas também não devem ser utilizados. São descartados os locais que tiverem sinais ou qualquer tipo de injúria tecidual. A avaliação do enfermeiro é fundamental para tal processo.

Cuidados de Enfermagem

Materiais a serem utilizados

  • Cadeira ou leito.
  • Caneta.
  • Gaze e chumaço de algodão com álcool.
  • Frasco ou ampola de medicação.
  • Luvas de procedimento.
  • Seringas de 3 e 5 ml.
  • Agulhas 25×7, 25×8, 30×7 ou 30×8.

Procedimento

  • Verificar com exatidão a prescrição médica.
  • Checar o nome do paciente, medicamento, dose, horário e via de administração.
  • Avaliar possíveis alergias ao medicamento a ser administrado.
  • Verificar a data de validade do medicamento.
  • Realizar higienização das mãos
  • Calçar luvas de procedimento.
  • Preparar de maneira asséptica e correta a dose da medicação a partir da ampola ou frasco;
  • Selecionar a região apropriada para injeção, verificando a existência de equimose, inflamação ou edema.
  • Posicionar a seringa e agulha em ângulo de 90°.
  • Auxiliar o paciente para que se posicione adequadamente.
  • Localizar novamente a região usando pontos anatômicos.
  • Passar o chumaço de algodão do centro para as bordas, aproximadamente 5 cm.
  • Segurar a bola de algodão ou gaze entre o terceiro e quarto dedo da mão não dominante.
  • Remover a capa ou bainha da agulha, puxando-a em linha reta para trás.
  • Posicione a mão não dominante abaixo do local que será administrado o medicamento;
  • Puxe a pele para baixo ou para cima ou de forma lateral com o lado ulnar da mão, mantendo-o dessa forma até o que a agulha seja totalmente introduzida.
  • Introduza a agulha no ângulo de 90º com a mão dominante.
  • Puxar o êmbolo de volta para identificar possível erro de aplicação com o retorno de sangue.
  • Injetar o medicamento de maneira lenta.
  • A agulha deve permanecer por 10 segundos para permitir que o medicamento seja disperso de maneira correta.
  • Retire a agulha e solte a pele, o quê criará um caminho em ziguezague promovendo um tampão que ocluirá o local e não irá permitir que reflua a substância, o que poderia provocar irritação.
  • Aplicar pressão gentilmente.
  • Não massagear a região.
  • Descartar a agulha sem capa ou a agulha envolta em bainha de segurança presa à seringa dentro do recipiente para materiais cortantes e perfurantes.
  • Retirar as luvas.
  • Realizar higienização das mãos.
  • Registrar o procedimento em prontuário.

Observações

Na técnica em z, é importante avaliar o medicamento a ser administrado, o posicionamento do paciente pode gerar a diminuição da dor. Observe sempre a pessoa que a droga será administrada, bem como o tamanho da musculatura e suas peculiaridades.

Avalie o local da aplicação observando dor e endurecimento local. Se a medicação for administrada com frequência, faça rodízio das áreas possíveis.

A administração de medicamentos de forma intramuscular (IM) possui diversas variáveis, por isso a execução deve ser feita pela equipe de enfermagem. Muitas lesões podem ocorrer como a necrose tecidual, contratura muscular e até perda de movimentos que fizeram o procedimento de forma errada.

O deltoide, vasto lateral e glúteo máximo são os que mais sofrem injúrias, já os glúteos mínimos, médio e a musculatura ventroglutea são as melhores e que possuem menor risco de acidentes.

Referências:

  1. Figueiredo, Ana Elizabeth P. L. O papel da enfermagem na administração do ferro por via parenteral The role of nurses in parenteral iron administration. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2010;32(Supl. 2):129-1;
  2. Potter, Patricia. PERRY, Anne. Fundamentos de enfermagem.7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009;
  3. Curado, Ana Carolina de Castro. Fundamentos semiológicos de enfermagem. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. 176 p.