Programa Nacional de Imunizações (PNI)

Você já parou para pensar em como a vida seria sem as vacinas? Graças ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), muitas doenças que antes causavam epidemias e até mesmo a morte, hoje são controladas ou erradicadas no Brasil.

O que é o PNI?

O PNI é um programa do governo brasileiro que garante o acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a população. Ele foi criado em 1973 com o objetivo de coordenar as ações de imunização em todo o país, garantindo assim a saúde da população.

Por que o PNI é tão importante?

Proteção individual e coletiva

 As vacinas protegem não só quem as recebe, mas também pessoas mais vulneráveis, como crianças pequenas, idosos e imunocomprometidos. Ao vacinarmos um grande número de pessoas, criamos uma barreira de proteção contra a disseminação de doenças.

Erradicação de doenças

 Graças ao PNI, doenças como a varíola foram completamente erradicadas no Brasil. Outras, como a poliomielite, estão muito próximas da erradicação.

Redução de custos

 A prevenção de doenças através da vacinação é muito mais barata do que o tratamento de doenças graves.

Melhora da qualidade de vida

 A prevenção de doenças permite que as pessoas tenham uma vida mais saudável e produtiva.

Como funciona o PNI?

O PNI trabalha em diversas frentes para garantir a imunização da população:

  • Calendário vacinal: Um guia completo com todas as vacinas que cada pessoa deve tomar em cada fase da vida.
  • Campanhas de vacinação: Ações intensificadas em determinados períodos para garantir a cobertura vacinal contra doenças sazonais, como a gripe.
  • Vigilância epidemiológica: Monitoramento constante da situação vacinal da população e da ocorrência de doenças.
  • Educação em saúde: Divulgação de informações sobre a importância da vacinação e esclarecimento de dúvidas.

Quais são os desafios do PNI?

Apesar de todos os seus sucessos, o PNI ainda enfrenta alguns desafios, como:

Hesitação vacinal

 Um crescente número de pessoas tem se mostrado relutante em vacinar seus filhos ou a si mesmos, devido a informações falsas ou incompletas sobre as vacinas.

Desigualdades regionais

 A cobertura vacinal ainda é desigual em diferentes regiões do país, principalmente em áreas mais remotas.

Novas doenças

O surgimento de novas doenças e a constante evolução dos vírus exigem a atualização constante do calendário vacinal.

O que você pode fazer?

  • Vacine-se: A melhor forma de se proteger e proteger as pessoas ao seu redor é mantendo o seu calendário vacinal em dia.
  • Informe-se: Busque informações sobre as vacinas em fontes confiáveis, como o site do Ministério da Saúde.
  • Compartilhe informações corretas: Ajude a combater a desinformação sobre as vacinas, compartilhando informações precisas com seus amigos e familiares.
  • Incentive a vacinação: Converse com as pessoas ao seu redor sobre a importância da vacinação e incentive-as a levarem seus filhos para se vacinar.

O PNI é um programa fundamental para a saúde pública brasileira. Ao se vacinar, você está contribuindo para um futuro mais saudável para você e para todos nós.

Referências:

  1. Ministério da Saúde
  2. Domingues, C. M. A. S., Maranhão, A. G. K., Teixeira, A. M., Fantinato, F. F. S., & Domingues, R. A. S.. (2020). 46 anos do Programa Nacional de Imunizações: uma história repleta de conquistas e desafios a serem superados. Cadernos De Saúde Pública, 36, e00222919. https://doi.org/10.1590/0102-311X00222919

Organização da Geladeira de Vacinas: Geladeira Comercial

A organização da geladeira comercial de vacinas é fundamental para manter a eficácia e a segurança dos imunobiológicos. De acordo com o Ministério da Saúde, aqui estão algumas orientações:

Geladeira Comercial

São equipamentos de uso comercial que na Rede de Frio são destinados à estocagem de imunobiológicos em temperaturas positivas a +2ºC, devendo, para isto, estar regulados para funcionar nesta faixa de temperatura. A vacina pode estar entre +2ºC e +8ºC sem sofrer perda de potência, em armazenamento.

As geladeiras comerciais comuns utilizadas na Rede de Frio dos estados, geralmente em instância regional ou municipal de grande porte, são as que estão entre 600 a 1.200 litros de capacidade, equipadas com um pequeno evaporador e quatro ou seis portas.

O seu funcionamento em relação à geladeira doméstica diferencia na circulação do ar interno, tendo em vista que na geladeira comercial o ar é é movimentado por um ventilador. A espessura do isolamento das paredes dessas geladeiras deve ser de no mínimo 5cm.

Prateleiras

• Na primeira prateleira devem ser armazenadas as vacinas que podem ser submetidas à temperatura negativa (contra poliomielite, sarampo, febre amarela) empilhadas nas próprias embalagens (caixas), tendo-se o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas, permitindo a circulação de ar entre as caixas;

OBSERVAÇÃO: considerando que a instância regional e/ou estadual possui freezers para armazenamento de vacinas à temperatura de -20ºC, esta prateleira pode, com os devidos cuidados, ser utilizada para as vacinas conservadas em temperatura entre +2ºC e +8ºC.

CUIDADOS: dispor essas vacinas afastadas, no mínimo 15cm (quinze centímetros) da parede de fundo da geladeira (na parede de fundo da primeira prateleira está localizado o ponto mais frio desta geladeira). Deve-se ter também o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas permitindo a circulação de ar entre as caixas.

Na segunda prateleira devem ser armazenadas as vacinas que não podem ser submetidas à temperatura negativa (dT, DTP, Hepatite B, Hib, influenza, TT, BCG, Pneumococo, pólio inativada, DTaP) e portanto devem ser armazenadas em temperatura a +2ºC, empilhadas nas próprias embalagens (caixas), tendo-se o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas permitindo a circulação de ar entre as caixas;

• Na segunda prateleira, no centro, colocar termômetro de máxima e mínima na posição vertical (em pé);

• Na terceira prateleira pode-se colocar caixas com soros ou com as vacinas de conservação a +2ºC, empilhadas nas próprias embalagens (caixas), tendo-se o cuidado de deixar um espaço entre as pilhas, permitindo a circulação de ar entre as caixas;

• No compartimento inferior deve-se manter no mínimo 30 garrafas com água colorida à base de iodo ou corante. Esse procedimento é importante porque contribui para a manutenção da temperatura interna a +2ºC e para que na falta de energia elétrica ou defeito do equipamento a elevação da temperatura interna seja mais lenta;

• Para abastecer a geladeira com a quantidade de garrafas recomendadas no item acima é necessário considerar:

a) Se as garrafas com água estiverem à temperatura ambiente deverão ser colocadas apenas duas unidades por dia até atingir a quantidade recomendada (30 garrafas), evitando-se, desta forma, modificação abrupta de temperatura no interior da geladeira, levando as vacinas a choque térmico.

b) Se as garrafas com água já estiverem refrigeradas pode-se colocá-las de uma só vez.

OBSERVAÇÃO: as garrafas devem ser tampadas para que a água não evapore (a evaporação da água contida nas garrafas contribui para a formação de gelo no interior da geladeira).

Cuidados Básicos

•Fazer a leitura da temperatura diariamente no início da jornada de trabalho da manhã e no da tarde e ao final do dia, registrando-se no formulário de controle diário de temperatura;

• Manter afixado, em cada porta do equipamento, aviso para que a geladeira não seja aberta fora do horário de retirada e/ou guarda dos imunobiológicos ou mensuração de temperatura;

• Usar tomada exclusiva para cada geladeira;

• Instalá-la distante de fonte de calor, de incidência de luz solar direta, a 20cm da parede e a 40cm de outro equipamento;

• Instalá-la bem nivelada, em ambiente climatizado à temperatura de até +18ºC;

• Colocar na base da geladeira suporte com rodas;

• Não permitir armazenar outros materiais;

• Certificar-se de que a porta está vedando adequadamente.

OBSERVAÇÃO: para verificar se a borracha da porta da geladeira está vedando adequadamente, deve-se pegar uma tira de papel com 3cm de largura aproximadamente e colocá-la entre a borracha da porta e a geladeira.

Se ao puxar o papel a borracha apresentar resistência está em perfeito estado, porém, se o papel sair com facilidade deverá ser trocada a borracha. Este teste deverá ser feito em vários pontos da porta, especialmente nos quatro ângulos.

• Fazer o degelo a cada 15 dias ou quando a camada de gelo for superior a 0,5cm;

• Não colocar qualquer elemento na geladeira que dificulte a circulação de ar.

Termostato

O termostato é um mecanismo destinado a abrir e fechar um circuito elétrico, permitindo a passagem ou não da corrente elétrica, mediante um dispositivo termostático que atua por meio de mudança de temperatura no equipamento de refrigeração.

É utilizado para pôr em funcionamento o compressor do sistema, ou para desligá-lo quando a temperatura alcançada for a pretendida.

Dentre a grande variedade de termostatos, para os mais diversos usos, distinguem-se três tipos:

1. termostato para ambiente;
2. termostato para líquido;
3. termostato para evaporador.

O botão de regulagem vai permitir que o compressor seja acionado por mais ou menos tempo. Os números ou letras indicados no botão de regulagem dos termostatos não têm relação direta com a temperatura; indicam, apenas, se o compressor funcionará por mais ou menos tempo.

Ajuste do termostato – Regulagem da temperatura

Para regular a temperatura deve-se colocar um termômetro dentro do gabinete frigorífico, efetuando-se a seguir os ajustes do termostato, movendo-se o botão de regulagem para a esquerda ou direita, segundo a temperatura desejada.

Cada movimento de ajuste, por mínimo que seja, deve ser realizado em várias sessões e depois de transcorrido certo tempo entre os ajustes (uma hora para cada ajuste). Isso é de grande importância, haja vista que o sistema requer certo tempo para estabilizar a temperatura.

O compressor deve funcionar segundo um determinado ciclo (funcionando e desligando por intervalos de tempo) que será uma referência de que o sistema está funcionando com a temperatura requerida sendo alcançada, e com o termostato automaticamente conectando e desconectando o compressor por sensibilidade à temperatura.

A regulagem do termostato da geladeira para atingir a temperatura mínima de +2 °C é feita no sentido de se evitar que, durante as horas noturnas, a parte posterior da primeira prateleira chegue a apresentar temperaturas negativas.

Ao se fazer o sistema funcionar em temperatura determinada, pode acontecer que não se consiga uma grande precisão, em virtude do equipamento utilizado ou da qualidade do termostato. É necessário, portanto, procurar uma temperatura média entre os intervalos daquelas requeridas.

Recomendações

• Ao ajustar a temperatura, deve-se ter o cuidado de abrir a porta somente no ato de regular e ler o termômetro;

• as leituras de temperatura devem ser feitas depois de transcorrido pelo menos uma hora para cada ajuste;

• a abertura da porta por um tempo de três minutos, em ambiente com uma temperatura externa de 40°C, ocasiona modificação da temperatura interna da geladeira de tal forma que serão necessários 30 minutos, em média, para que a temperatura original se estabilize;

• ao iniciar o funcionamento de um equipamento novo, não coloque as vacinas de imediato. É necessário, primeiro, testar a estabilidade do aparelho, por um período de 24 horas;
• dentro do espaço frigorífico de um equipamento de refrigeração nem sempre existe uma mesma temperatura em todo o ambiente, por isto deve-se localizar quais as variações internas de temperatura, o que se faz deslocando o termômetro para vários pontos distintos, ou colocando um termômetro em cada um destes pontos;

• o equipamento de refrigeração pode apresentar temperaturas diferentes, dependendo do horário em que são feitas as leituras (manhã, tarde ou noite). Geralmente as emperaturas registradas pela manhã são mais baixas que as da tarde, tendo em vista que à noite a temperatura ambiente é mais baixa e a geladeira não é aberta.

Limpeza da geladeira

Para que sejam mantidas as condições ideais de conservação dos imunobiológicos, deve-se fazer a limpeza da geladeira periodicamente, a cada 15 dias, ou quando a camada de gelo atingir 0,5 centímetro. Para isso, recomenda-se:

• transferir os imunobiológicos para outra geladeira, se houver, ou para uma caixa térmica com gelo reciclável, mantendo a temperatura recomendada (+2ºC a +8ºC) e vedar as caixas com fita gomada;

• desligar a tomada e abrir as portas da geladeira e do congelador, até que todo o gelo aderido se desprenda: não usar faca ou outro objeto pontiagudo para a remoção mais rápida do gelo, pois esse procedimento pode danificar os tubos de refrigeração.

• não mexer no termostato;

• limpar a geladeira com um pano umedecido em solução de água com sabão neutro, ou sabão de coco, por exemplo. Não jogar água no interior do refrigerador;

• após a limpeza:

– ligar a geladeira;
– recolocar o termômetro, as 12 garrafas e o gelo reciclável;
– manter as portas fechadas por uma hora, verificando a temperatura após esse período. Quando a mesma estiver entre +2ºC e +8°C recolocar as vacinas e soros nos seus devidos lugares.

OBSERVAÇÃO: Para verificar se a borracha da porta da geladeira está vedando adequadamente, deve-se pegar uma tira de papel com 3cm de largura aproximadamente e colocá-la entre a borracha da porta e a geladeira. Se ao puxar o papel a borracha apresentar resistência está em perfeito estado, porém se o papel sair com facilidade deverá ser trocada a borracha. Este teste deverá ser feito em vários pontos da porta, especialmente nos quatro ângulos.

Referências:

  1. Ministério da Saúde
  2. rdc0476_10_03_2021.pdf (saude.gov.br)
  3. nota-tecnica-no-12.pdf (www.gov.br)
  4. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação (fiocruz.br)

Monitor de Frasco de Vacina (MFV/VVM)

Um monitor de frasco de vacina (MFV ou VVM) é um dispositivo que permite verificar a temperatura e a exposição à luz de um frasco de vacina, garantindo assim a sua qualidade e eficácia.

Como funciona?

O monitor consiste em um adesivo que muda de cor conforme as condições do frasco, indicando se ele está adequado para uso ou não.

O monitor de frasco de vacina é especialmente útil em locais onde há dificuldade de acesso à refrigeração ou à eletricidade, pois permite identificar rapidamente as vacinas que podem ter sido comprometidas pelo calor ou pela luz.

O monitor de frasco de vacina contribui para evitar o desperdício de doses e o risco de administrar vacinas ineficazes ou prejudiciais à saúde.

Portanto, qualquer alteração na cor do MFV indica que o frasco de vacina foi exposto a altas temperaturas por um período indeterminado.

Estas diretrizes foram preparadas para oferecer aos profissionais de saúde informações sobre os diferentes tipos de MFV afixados em frascos de vacina e como interpretar a taxa de mudança de cor do MFV.

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) não emitiu uma declaração sobre o uso de MFV.

Portanto, todos os programas de imunização e profissionais de saúde devem continuar a seguir as diretrizes/normas nacionais sobre o uso de dispositivos de monitoramento contínuo da temperatura no que se refere aos procedimentos adequados de manuseio, armazenamento e distribuição de vacinas.

O MFV pode informar se os frascos de vacina sofreram exposição ao calor quando não houver nenhum dispositivo de monitoramento de temperatura.

Heatmarker VVM

Desde 1996, os monitores de frascos de vacina (VVM) HEATmarker®, manufaturados pela Temptime®, foram usados para monitorar a exposição de vacinas a temperatura, como recomendado pela OMS e pela UNICEF.

Em 2012, a OMS determinou que o VVM é uma “característica crítica”, um elemento exigido de todas as propostas de vacinas apresentadas à UNICEF.

Os Tipos de MFV/VVM

ESTABILIDADE MUITO ALTA

HEATmarker VVM 250

O HEATmarker VVM 250 é ideal para uso com vacinas de estabilidade muito alta, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 250 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 5 anos.

ALTA ESTABILIDADE

HEATmarker VVM 30

O HEATmarker VVM 30 é ideal para uso com vacinas de estabilidade alta, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 30 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 5 anos.

ESTABILIDADE MÉDIA

HEATmarker VVM 14

O HEATmarker VVM 14 é ideal para uso com vacinas de estabilidade média, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 14 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 5 anos.

ESTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

HEATmarker VVM 11

O HEATmarker VVM 11 é ideal para uso com vacinas de estabilidade intermediária, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 11 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 4 anos.

ESTABILIDADE MODERADA

HEATmarker VVM 7

O HEATmarker VVM 7 é ideal para uso com vacinas de estabilidade moderada, como definido pelo WHO/PQS/E006/IN05.3. Apresenta um tempo máximo até o vencimento de 7 dias a 37°C. A vida na prateleira é de 4 anos.

POUCA ESTABILIDADE

HEATmarker VVM 2

Notícias da Enfermagem

Profissionais de Enfermagem devem tomar a vacina bivalente contra covid

O Ministério da Saúde anunciou, nesse final de semana, a ampliação do público-alvo da vacina bivalente contra covid-19.  Com pouco mais de um mês de campanha, a vacinação está abaixo da meta, e alcançou menos de 15% do grupo prioritário. Profissionais de Saúde já estavam no grupo prioritário inicial, juntamente com idosos, gestantes e imunodeprimidos. […]

Notícias da Enfermagem

Profissionais da saúde também poderão receber segundo reforço de vacina anti-Covid

Além de toda a população acima de 50 anos, os profissionais da saúde poderão receber o segundo reforço, ou quarta dose, de vacina contra a Covid-19. As diretrizes foram oficializadas em duas notas técnicas do Ministério da Saúde publicadas na noite desta sexta-feira (3). Segundo o documento, a injeção “deverá ser administrada quatro meses após a […]

Fator Rh na Gestação: A Vacina ROGAN

A imunoglobulina anti Rh(D) (conhecida como vacina Rogan) é utilizada para prevenir a sensibilização materna ao fator sanguíneo de um bebê Rh positivo quando a mãe possui o fator Rh negativo. Esta condição também é conhecida por incompatibilidade sanguínea.

Com a vacina, que contém anticorpos IgG específicos contra antígenos Rh(D) de eritrócitos humanos, a gestante de fator sanguíneo Rh negativo, previne a produção de anticorpos que combatem o Rh positivo do feto e a gravidez transcorre normalmente sem risco para a mãe e para o bebê.

O fator Rh pode afetar o curso da primeira gestação?

O Rh negativo da mãe não vai gerar doenças genéticas no bebê ou aborto durante a primeira gravidez. A maioria dos abortos do primeiro trimestre ocorrem devido a uma alteração cromossômica, por isso, é importante analisar o material de aborto e conversar com o médico de sua confiança sobre outros exames para auxiliá-la a prevenir a repetição da perda em uma próxima gestação.

Indicações para a vacina Rogan

A administração da imunoglobulina anti Rh(D) em mulheres Rh(D)negativas é indicada nos seguintes casos:

  • Gravidez/parto de criança Rh(D) positiva;
  • Aborto /ameaça de aborto, gravidez ectópica ou mola hidatiforme;
  • Hemorragia transplacentária resultante de hemorragia anteparto, amniocentese, biópsia coriônica, procedimentos de manipulação obstétrica, por exemplo, versão externa ou trauma abdominal;
  • Tratamento de pessoas Rh(D)negativas após transfusões incompatíveis de sangue Rh(D)positivo ou outros produtos contendo células vermelhas do sangue.

Rogan e interações com medicamentos

A imunoglobulina anti Rh(D) não apresenta interações com outros medicamentos conhecidos até o momento, porém sabe-se que ela pode prejudicar a eficácia de vacinas de vírus vivos atenuados, tais como: sarampo, rubéola, caxumba e catapora, por períodos de 6 semanas a 3 meses. Com o uso de altas doses, este efeito pode persistir por mais de um ano.

Reações adversas

Como geralmente ocorre na administração de preparações de imunoglobulina, reações alérgicas moderadas e passageiras, incluindo as sensações de calor, dor de cabeça, calafrios e náuseas, podem ocorrer ocasionalmente. É importante avisar seu médico sobre qualquer mal-estar.

Referência:

  1. DE MEDEIROS, Raquel Trovão et al. USE OF ROGAN VACCINE DURING PRENATAL CARE IN RH NEGATIVE WOMEN: THE HEALTHCARE PROFESSIONALS’KNOWLEDGE. Journal of Nursing UFPE/Revista de Enfermagem UFPE, v. 5, n. 6, 2011.

Aplicação IM: Região Deltoide

O Deltoide é um músculo superficial, com espessura reduzida, tecido estriado e denso, fixado no terço lateral da clavícula.

Em sua parte mais profunda, atinge o terço superior do úmero e a articulação escapulo-umeral.

A vascularização ocorre pela veia/artéria axilar, circunflexa posterior e umeral.

A inervação se dá pelo plexo cervical, braquial e nervo circunflexo.

É revestido pela pele, por tecido conjuntivo subdermico e por aponeurose superficial.

Sua função é fletir, abduzir, estender e rodar medial e lateralmente o braço.

Alta Absorção

Por ser uma musculatura bem vascularizada é muito utilizada na aplicação de injeções e vacinas, pois apresenta absorção rápida da droga.

Vantagem e Desvantagens

A região do deltoide tem como vantagem a exposição mínima do corpo no momento da aplicação e facilidade de acesso.

Entretanto, as desvantagens evidenciadas em inúmeros estudos demostram que essa região é contraindicada para a maioria das drogas, uma vez que tem capacidade mínima para absorção, visto que a musculatura é superficial e pequena em comparação com as outras regiões.

Critérios de Aplicação

Cabe complementar que as injeções aplicadas no músculo deltoide não devem ultrapassar dois ml, serem leitosas, viscosas, oleosas ou irritáveis porque são pouco solúveis e podem afetar a função motora do braço, causar lesão nos nervos e artérias próximas, provocar distúrbios isquêmicos, necroses e amputação nas extremidades dos membros. Portanto devem ser utilizados como última opção!

Lembrando que, o artigo 30 do capítulo I do Código de Ética do Profissional de Enfermagem evidencia que é proibido ao profissional a administração de medicamentos sem o conhecimento do mecanismo de ação da droga e de seus possíveis riscos.

Quem pode aplicar Intramuscular dentro da Equipe de Enfermagem?

A Lei do Exercício Profissional da Enfermagem no 7498/1986 (BRASIL, 1986) descreve que a função do preparo e administração de medicamentos é dos Técnicos e Auxiliares de Enfermagem sendo a supervisão, orientação, direção e responsabilidade do Enfermeiro.

O Enfermeiro precisa ter ciência que o preparo e a administração de medicação não são apenas uma tarefa mecânica a ser executado em aquiescência com a prescrição médica e com a medicação recebida da farmácia, esse procedimento requer o julgamento do profissional, sendo imprescindível o conhecimento legal, ético, técnico e científico para garantir a segurança do paciente.

Alguns Cuidados de Enfermagem

  • Leitura da prescrição médica;
  • Identificação do produto a ser injetado (apresentação e dose);
  • Escolha do material adequado (seringas, agulhas, luvas, algodão e álcool);
  • Definição do local da injeção;
  • Habilidade técnica para realização da injeção e seguimento das normas de biossegurança, começando pela lavagem das mãos.

A escolha da Região Correta

A administração de medicamento IM de maneira segura depende da avaliação adequada da musculatura considerando a característica e irritabilidade da droga, volume compatível com o tamanho da musculatura escolhida, distância em relação a vasos e nervos importantes, espessura do tecido adiposo, sexo, idade e tamanho adequado da agulha, que deve ultrapassar o tecido adiposo e depositar o medicamento na musculatura profunda.

Referências:

  1. BRASIL. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Higienização das mãos em serviços de saúde. Brasília: ANVISA, 2007. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacaomaos/manualintegra.pdf
  2. BRASIL. Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil 03/decreto/1980-1989/D94406.htm
  3. COCOMAN, A.; MURRAY, J. Intramuscular injections: a review of best practice for mental health nurses. Journal of Psychiatric and Mental Health Nursing, v. 15, p. 424-434, nov. 2008. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18454829
  4. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM – COFEN. Resolução n o 311/2007. Aprova a reformulação do Código de ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: http://www.cofen.qov.br/resoluo-cofen-3112007 4345.html
  5. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM – COFEN. Resolução n o 358/2009. Dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências. Disponível em: http.’//www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009 4384.html
  6. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM – COREN -BA. Parecer n. 021/2013 dispõe sobre Dosagem de Medicamentos como Responsabilidade do Enfermeiro, 2013. http://ba.corens.portalcofen.gov.br/parecer-coren-ba-0212013 8112.html
  7. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM – COREN -SC. Parecer n. 016/2013 dispõe nove certos na administração de medicação, 2013. Disponível em: http://transparencia.corensc.gov.br/wp-content/uploads/2016/05/Resposta-medicamentos.pdf
Notícias da Enfermagem

Instituto Butantan desenvolve a BUTANVAC: Primeira vacina 100% nacional contra o COVID-19

Uma importante conquista para a ciência brasileira: o Instituto Butantan desenvolveu a primeira vacina 100% nacional contra o coronavírus, a Butanvac, e a expectativa é de que a Anvisa autorize o início dos testes em abril e, já em julho, o Brasil tenha uma vacina 100% nacional pronta para ser aplicada em todo o país. Essa […]

Notícias da Enfermagem

Preparado para vacinar? Ajude a Maria Gotinha neste jogo da USP

Prepare-se para imunizar toda a população! Neste jogo, você assume o controle da vacinação, que se torna mais difícil à medida que o isolamento social é rompido. O desafio é alcançar as pessoas antes que elas se aproximem de elementos como fakenews e aglomeração, tornando-as alvos suscetíveis para os vírus que estão à solta pelo jogo. Desenvolvido na […]

Dúvidas Frequentes quanto a Aplicação de Vacinas

Com a recente notícia sobre a liberação das Vacinas contra o COVID-19 e a demonstração ao vivo da primeira pessoa a ser vacinada, surgiu-se tantas dúvidas de pessoas comuns, e até de profissionais de saúde e estudantes.

1-É CORRETO ASPIRAR VACINAS ANTES DE SUA APLICAÇÃO?

Alguns órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde – WHO, recomendam a não aspiração como técnica importante no manejo da dor. Diversos países, como Canadá, Austrália, Inglaterra e outros da União Europeia, não recomendam mais a aspiração de rotina

A aspiração antes das injeções, ou injeção lenta são práticas que não foram avaliadas cientificamente, por isso em alguns países não é mais necessária. Embora a aspiração seja defendida por alguns especialistas e, a maioria dos profissionais são ensinados a aspirar antes da injeção, não há evidências de que este procedimento seja necessário.

não aspiração tem sido indicada, pois ela diminui o tempo de aplicação e, consequentemente, a percepção da dor. Embora a dor das imunizações seja, até certo ponto, inevitável, há algumas coisas que os pais e os profissionais de saúde podem fazer para ajudar quando crianças, adolescentes e adultos que precisam de vacinas, como estratégias baseadas em evidências para aliviar a dor associada ao processo de injeção, tais como o uso de soluções de glicose, ordem de aplicação das injeções, estimulação tátil, distração, anestésicos tópicos e a técnica de injeção que envolve a não aspiração antes de injetar a vacina  (CDC, 2016).

Um ensaio clínico randomizado, realizado no Canadá em 2007, comparou a resposta à dor de bebês com injeção lenta, aspiração e retirada lenta com outro grupo usando injeção rápida, sem aspiração e retirada rápida. Com base em escalas de dor comportamental e visual, o grupo que recebeu a vacina rapidamente sem aspiração experimentou menos dor. Não foram relatados efeitos adversos com qualquer das técnicas de injeção. (Ipp M, Taddio A, Sam J, et al., 2007).

Por isso, diminuir a dor associada às imunizações durante a infância pode ajudar a evitar esta angústia e futuros comportamentos prejudiciais à prevenção em saúde.

2- E AS LUVAS? É RECOMENDADO O SEU USO DURANTE A VACINAÇÃO?

Manual de Procedimentos para Vacinação da FUNASA não descreve a utilização de luvas no preparo e administração de vacinas:

[…]
5.1. Higiene das mãos
Um dos mais importantes procedimentos que antecedem à administração de vacinas
e soros é a higiene das mãos.
O ato de lavar as mãos, quando praticado por todo o pessoal dos
serviços de saúde, é essencial para a prevenção e controle de infecções. Na sala de
vacinação, quando este procedimento é rigorosamente obedecido, evita a
contaminação tanto no preparo como na administração dos imunobiológicos.
A higiene das mãos é realizada:
• antes e depois da administração de cada vacina ou soro;
• antes e depois do manuseio dos materiais, das vacinas e dos soros; e
• antes e depois de qualquer atividade executada na sala de vacinação.
[…] (BRASIL, 2001, p. 81)

Recomenda-se o uso de luvas por duas razões fundamentais:

  • Para reduzir o risco de contaminação das mãos de profissionais da saúde com sangue e outros fluidos corporais;
  • Para reduzir o risco de disseminação de micro-organismos no ambiente e de transmissão do profissional da saúde para o paciente e vice-versa, bem como de um paciente para outro.

De acordo com os manuais do Ministério da Saúde vigentes, não há recomendação de utilização de luvas de procedimentos como equipamento de proteção individual, desde que sejam seguidas corretamente as técnicas para administração de medicamentos por via parenteral.

3- É NECESSÁRIO REALIZAR A ANTISSEPSIA NA PELE ANTES DE REALIZAR A ADMINISTRAÇÃO DA VACINA?

Ainda que a pele esteja visivelmente suja e deva ser limpa, a antissepsia da pele antes de aplicar uma injeção é desnecessária. Estudos sugerem que não existe o risco aumentado de infecção quando injeções são aplicadas sem preparo prévio.

As bactérias da flora da pele podem ser introduzidas por punção, no entanto, a maioria destas bactérias não são patogênicas e o número de organismos introduzidos é insuficiente para a formação de abcesso. Os protocolos tradicionais de preparo da pele, inclusivo o uso do álcool 70% podem ser insuficientes para eliminar a flora da pele devido ao tempo curto de exposição.

Enquanto que os benefícios do preparo prévio da pele não são evidentes, o preparo inadequado pode ser perigoso.

Veja também:

Entenda a importância da Imunização: Não deixe a vacina pra depois!

Conheça as Vias de Administração das Vacinas

Referências:

  1. Ministério da Saúde- Manual de Procedimentos para a  Vacinação
  2. Parecer COREN-SP 042/2014