Púrpura de Henoch-Schönlein (PHS)

A Púrpura de Henoch-Schonlein é uma vasculite (inflamação de vasos sanguíneos de pequeno calibre) e normalmente afeta a pele, os intestinos e os rins.

Esses vasos inflamados podem sangrar para o interior da pele causando uma erupção vermelha chamada de púrpura, ou também podem sangrar nos intestinos e rins causando fezes e urinas coradas de sangue. Esta doença não é hereditária, nem contagiosa e também não pode ser prevenida, sendo a idade de início dos sintomas antes dos 20 anos.

Sua causa é desconhecida, porém sabe-se que a Púrpura de Henoch-Schonlein pode ser desencadeada por agentes infecciosos (vírus e bactérias), sendo que muitas vezes aparece após uma infecção do trato respiratório superior.

Sintomas

  • Púrpura palpável (lesões de pele elevadas, que podem ser sentidas através do tato). É frequente nas pernas, coxas, pés e nádegas, embora possam também aparecer algumas lesões nos braços e no tronco;
  • Artralgia (dor articular) e Artrite (edemas, limitação de movimento, calor e vermelhidão nas articulações). Esses sintomas são temporários e desaparecem após alguns dias a semanas;
  • Dor abdominal (60% dos casos). Normalmente intermitente e localizada em volta do umbigo, podendo ser acompanhada por hemorragia gastrointestinal moderada ou grave.

Tratamento

A maioria dos doentes com Púrpura de Henoch-Schonlein não precisa de tratamento, evoluindo bem.

Pode ser necessário repouso e a utilização de analgésicos e anti-inflamatórios não-esteroides quando as queixas articulares são mais significativas. Em casos mais graves, o médico poderá tomar outras condutas de acordo com sua avaliação sobre o caso.

Referência:

  1. SILVA, Clovis Artur Almeida. **Púrpura de Henoch-Schönlein**. Sociedade  Brasileira de Pediatria , 14 nov. 2014. Disponível em: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/purpura-de-henoch- schoenlein/

Síndrome de Kawasaki

A síndrome de Kawasaki é uma vasculite sistêmica, ou seja, uma inflamação de vasos sanguíneos – geralmente ela afeta vasos de médio e pequeno calibre – que pode acometer diversos órgãos, como pulmão, intestino e coração. A inflamação causada por essa síndrome leva ao desenvolvimento de pericardite, meningite asséptica, hepatite, entre outras doenças.

Descrita por Tomisaku Kawasaki em 1967, ela é prevalente em crianças, sendo uma das vasculites mais frequentes nessa faixa etária. Afeta principalmente crianças de 2 até 5 anos de idade, não sendo comum em menores de 6 meses e maiores de 8 anos. Além disso, possui prevalência em meninos.

A síndrome é uma das principais causas de cardiopatias adquiridas na infância. Como dito anteriormente, ela pode afetar diversos órgãos, no entanto, o maior comprometimento ocorre no coração, com o surgimento de aneurismas coronarianos, que podem levar a infarto agudo do miocárdio e, até mesmo, óbito.

As Causas

As causas da síndrome de Kawasaki ainda não são claras. Acredita-se que surja em decorrência de uma resposta imunológica desencadeada por algum agente infeccioso ou ambiental em indivíduos que tenham predisposição genética. Isso se deve ao fato de essa doença apresentar alguns sintomas semelhantes aos de algumas infecções virais e ocorrer em surto, entre outros fatores.

Como é diagnosticado?

O diagnóstico da síndrome de Kawasaki é predominantemente clínico, podendo ser solicitados alguns exames para descartar a possibilidade de outras doenças. São sintomas que devem ser observados para a realização do diagnóstico:

  • Febre persistente por cinco ou mais dias (pode persistir por semanas se não houver tratamento);
  • Erupções cutâneas;
  • Conjuntivite não purulenta;
  • Alterações orais, como a língua apresentando papilas hipertrofiadas e avermelhadas (língua em framboesa ou morango), eritema (vermelhidão) e edema (inchaço causado pelo acúmulo de líquidos nos tecidos) de orofaringe e fissura labial;
  • Eritema e edema de mãos e pés, podendo apresentar descamações ao redor das unhas (periungueal);
  • Aumento de gânglios linfáticos (linfonodomegalia) na região cervical.

 

Como pode ser tratado?

O tratamento da síndrome de Kawasaki consiste basicamente em reduzir a inflamação e prevenir o surgimento de complicações, como o comprometimento coronariano, em que há o surgimento de aneurismas nas artérias coronárias, que podem levar à morte. No entanto, é importante destacar que, quando o tratamento é realizado precocemente, os riscos de complicações diminuem 80%.

A Síndrome de Kawasaki e a correlação com o COVID 19

No ano de 2005, surgiu uma teoria de que um vírus da família dos coronavírus poderia ser o causador dessa síndrome. Um coronavírus humano foi detectado em 8 pacientes dentre 11 que apresentavam a doença. No entanto, estudos posteriores não detectaram o vírus em pacientes com a síndrome, o que invalidou a teoria.

Recentemente um novo coronavírus pode estar relacionado a um quadro semelhante à síndrome de Kawasaki. Algumas crianças com sintomas bem parecidos aos da síndrome foram testadas, e o resultado foi a detecção de anticorpos para o novo coronavírus (SARS-CoV-2), o causador da COVID-19.

Outro fato que leva a crer que essa nova síndrome, denominada por alguns pesquisadores de síndrome multissistêmica inflamatória pediátrica (PIMS-TS, na sigla em inglês), seja decorrente de uma resposta imunológica ao novo coronavírus é o fato de ela ocorrer durante a pandemia da COVID-19. Foi observado o seu surgimento algumas semanas após o pico dessa doença.

Referência:

  1. PebMed