
A tirzepatida se tornou um dos medicamentos mais conhecidos nos últimos anos, principalmente por causa dos seus resultados no controle da glicemia e na redução do peso corporal. Apesar de muitas vezes ser chamada simplesmente de “medicação para emagrecer”, sua ação é muito mais complexa. Trata-se de um medicamento que atua simultaneamente em dois sistemas hormonais relacionados ao metabolismo: o GIP e o GLP-1.
No Brasil, a tirzepatida é comercializada como Mounjaro® e possui indicações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e, desde 2025, para o controle crônico do peso em determinadas condições. Em 2026, a Anvisa também ampliou a indicação para diabetes tipo 2 em pacientes pediátricos a partir de 10 anos.
Para estudantes e profissionais de enfermagem, compreender a tirzepatida é importante não apenas para saber como o medicamento funciona, mas também para reconhecer seus principais efeitos adversos, orientar o paciente, administrar corretamente a medicação e identificar situações que necessitam de avaliação médica.
O que é a tirzepatida?
A tirzepatida é um medicamento de ação prolongada que atua como agonista dual dos receptores de GIP e GLP-1. GIP significa glucose-dependent insulinotropic polypeptide, ou polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose. Já GLP-1 significa glucagon-like peptide-1, ou peptídeo semelhante ao glucagon-1.
Esses dois hormônios pertencem ao grupo das incretinas, substâncias produzidas pelo organismo principalmente em resposta à ingestão de alimentos.
A diferença importante é que a tirzepatida não atua somente sobre o receptor de GLP-1, como ocorre com medicamentos de outras classes. Ela estimula simultaneamente os receptores GIP e GLP-1, produzindo efeitos sobre a secreção de insulina, glucagon, esvaziamento gástrico, apetite e ingestão alimentar.
O medicamento é administrado por via subcutânea, uma vez por semana.
Para que serve a tirzepatida?
A tirzepatida possui duas grandes aplicações clínicas: controle glicêmico no diabetes mellitus tipo 2 e controle crônico do peso em pessoas que atendem aos critérios estabelecidos para essa indicação.
No Brasil, a indicação para controle crônico do peso foi aprovada pela Anvisa em 2025. Nessa situação, o medicamento deve ser utilizado associado a uma dieta de baixa caloria e ao aumento da atividade física.
Para controle do peso, a indicação contempla adultos com:
- IMC igual ou superior a 30 kg/m², caracterizando obesidade; ou
- IMC entre 27 e 30 kg/m² associado a pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
É importante destacar que a indicação médica não deve ser baseada apenas no desejo de perder alguns quilos. A obesidade é uma doença crônica multifatorial e o tratamento deve considerar alimentação, atividade física, condições metabólicas, medicamentos utilizados, histórico clínico e outros fatores individuais.
Como a tirzepatida funciona?
Para compreender o mecanismo da tirzepatida, é útil primeiro entender o que acontece normalmente depois que uma pessoa se alimenta. Após a ingestão de alimentos, o intestino libera incretinas, incluindo GIP e GLP-1. Esses hormônios participam da regulação da glicose e da saciedade.
A tirzepatida imita parte dessas ações, mas apresenta uma característica importante: atua sobre dois receptores simultaneamente.
Ação sobre a insulina
A tirzepatida aumenta a secreção de insulina pelas células beta pancreáticas de maneira dependente da glicose. Isso significa que seu efeito insulinotrópico está relacionado à concentração de glicose no sangue. A ação não é simplesmente provocar uma liberação contínua de insulina independentemente da glicemia.
Esse mecanismo contribui para a redução da glicose sanguínea e da hemoglobina glicada em pessoas com diabetes tipo 2.
Redução do glucagon
O medicamento também reduz a secreção de glucagon de maneira dependente da glicose. O glucagon normalmente estimula o fígado a disponibilizar glicose para a circulação. Portanto, a redução inadequada dos níveis de glucagon contribui para melhorar o controle glicêmico.
Aumento da sensibilidade à insulina
A tirzepatida também melhora a sensibilidade à insulina. Em termos simples, o organismo passa a responder melhor à insulina disponível, facilitando o controle da glicose.
Retardo do esvaziamento gástrico
Outro efeito importante é o retardo do esvaziamento gástrico. O alimento permanece por mais tempo no estômago, contribuindo para uma digestão mais lenta e para uma sensação de saciedade prolongada. A Anvisa destaca que esse efeito tende a diminuir com o tempo de tratamento.
Esse mecanismo também explica parte dos efeitos gastrointestinais apresentados por alguns pacientes.
Redução do apetite
A tirzepatida atua em mecanismos relacionados à regulação do apetite e à saciedade. O paciente pode perceber menor fome, maior sensação de satisfação após pequenas quantidades de alimento e redução espontânea da ingestão calórica.
Por isso, a perda de peso observada com o medicamento não acontece simplesmente porque ele “queima gordura”. Uma parte importante do efeito ocorre porque o paciente passa a consumir menos energia.
Tirzepatida emagrece?
Sim. A tirzepatida demonstrou capacidade significativa de reduzir o peso corporal em estudos clínicos. No estudo SURMOUNT-1, que avaliou pessoas com obesidade ou sobrepeso sem diabetes, a perda média de peso após 72 semanas foi de aproximadamente 15% com 5 mg, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg, enquanto o grupo placebo apresentou redução média de aproximadamente 3,1%.
Esses números ajudam a compreender por que a tirzepatida ganhou tanta atenção. Entretanto, é importante não interpretar esses resultados como uma promessa de que todas as pessoas perderão exatamente a mesma porcentagem de peso.
A resposta individual varia bastante.
Além disso, o medicamento deve ser encarado como parte de um tratamento de longo prazo, e não como uma solução rápida ou isolada.
Dados de acompanhamento mais prolongado do SURMOUNT-1 também demonstraram manutenção de uma redução importante do peso ao longo de três anos entre pessoas com obesidade e pré-diabetes, além de menor progressão para diabetes tipo 2 durante o período estudado.
Tirzepatida é a mesma coisa que semaglutida?
Não. Embora ambas atuem sobre o sistema das incretinas e tenham efeitos semelhantes sobre glicemia, apetite e peso, existe uma diferença farmacológica importante.
A semaglutida é agonista do receptor de GLP-1.
A tirzepatida é agonista dos receptores de GIP e GLP-1.
Portanto, a tirzepatida possui uma ação dual, enquanto a semaglutida atua principalmente pelo receptor GLP-1.
Isso não significa automaticamente que um medicamento seja melhor para todas as pessoas. A escolha depende da indicação, características do paciente, contraindicações, medicamentos concomitantes, resposta terapêutica, tolerabilidade e avaliação médica.
Como a tirzepatida é administrada?
A tirzepatida é administrada por injeção subcutânea uma vez por semana. Os locais de aplicação incluem a região do abdome, coxa ou parte superior do braço, conforme as orientações do produto.
O ideal é manter um dia fixo da semana para a administração, facilitando a adesão ao tratamento. A aplicação deve seguir rigorosamente as instruções específicas da apresentação prescrita e do fabricante.
Um ponto importante para o estudante de enfermagem é compreender que a via subcutânea não significa simplesmente aplicar qualquer quantidade em qualquer local. É necessário respeitar técnica, conservação, dispositivo utilizado, dose prescrita e orientações do fabricante.
Como funciona o esquema de doses?
A tirzepatida geralmente começa com uma dose mais baixa e sofre aumento progressivo conforme a necessidade clínica e a tolerabilidade. Essa estratégia de titulação existe principalmente para permitir que o organismo se adapte ao medicamento e reduzir a ocorrência de efeitos gastrointestinais.
As doses utilizadas em estudos e apresentações podem chegar a 15 mg uma vez por semana, mas isso não significa que todos os pacientes devam chegar à dose máxima. A dose deve ser individualizada pelo profissional responsável.
Um erro comum é pensar que “quanto maior a dose, melhor”. Na prática, o objetivo é encontrar uma dose que ofereça benefício clínico com tolerabilidade adequada.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
Os efeitos adversos mais conhecidos da tirzepatida são gastrointestinais. Entre eles estão:
- Náusea: é especialmente comum durante o período de início e aumento da dose.
- Diarreia: pode ocorrer, principalmente durante a adaptação ao medicamento.
- Constipação: alguns pacientes apresentam redução da frequência das evacuações.
- Vômitos: podem ocorrer principalmente quando há intolerância gastrointestinal.
- Dor ou desconforto abdominal: também pode estar presente.
- Redução do apetite: embora seja desejada em determinadas indicações, pode ser intensa em algumas pessoas e contribuir para ingestão insuficiente de alimentos e líquidos.
Os estudos mostram que os eventos gastrointestinais tendem a ocorrer principalmente durante o período de escalonamento das doses.
A Anvisa também destaca outros eventos que podem ocorrer, incluindo tontura, hipotensão, queda de cabelo, reações no local da aplicação, eventos relacionados à vesícula biliar e reações de hipersensibilidade.
Tirzepatida pode causar hipoglicemia?
Pode, mas o risco depende muito do contexto. Quando utilizada isoladamente, a tirzepatida apresenta menor tendência à hipoglicemia grave do que medicamentos que estimulam a secreção de insulina independentemente da glicose.
Entretanto, o risco aumenta quando a tirzepatida é utilizada junto com insulina ou sulfonilureias.
Por esse motivo, pacientes que utilizam essas associações podem precisar de monitorização mais cuidadosa da glicemia e eventual ajuste das doses dos outros medicamentos. A própria Anvisa orienta atenção especial à automonitorização quando há uso concomitante de insulina ou sulfonilureia.
Para a enfermagem, é importante reconhecer sinais como: sudorese, tremores, palpitações, fome intensa, tontura, alteração do comportamento, confusão mental e, em casos graves, redução do nível de consciência.
Tirzepatida pode causar pancreatite?
Existe uma associação reconhecida entre medicamentos dessa classe e relatos de pancreatite aguda. Isso não significa que todo paciente tratado desenvolverá pancreatite, mas é uma reação adversa importante que precisa ser reconhecida.
Um sinal de alerta é a presença de dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando pode irradiar para as costas, podendo ou não estar acompanhada de vômitos.
A informação de segurança do medicamento orienta avaliação imediata diante da suspeita de pancreatite. Para a enfermagem, uma dor abdominal nova, intensa e persistente em um paciente utilizando tirzepatida não deve ser automaticamente atribuída a “gases”, constipação ou ao próprio tratamento.
E a vesícula biliar?
Também foram observados eventos relacionados à vesícula biliar, incluindo colecistite. A perda rápida de peso, por si só, também pode estar relacionada a alterações no risco de formação de cálculos biliares.
O profissional deve ficar atento a sintomas como dor persistente no quadrante superior direito do abdome, especialmente após refeições, náuseas, vômitos, febre e icterícia. A Anvisa incluiu eventos relacionados à vesícula biliar entre os riscos observados durante a avaliação da indicação para controle crônico do peso.
Tirzepatida pode causar desidratação?
Pode. Náuseas, vômitos e diarreia podem provocar perda significativa de líquidos. Em pessoas vulneráveis, isso pode contribuir para hipotensão e alterações da função renal. A Anvisa cita desidratação e insuficiência renal aguda entre eventos notificados durante a farmacovigilância.
Por isso, a orientação sobre hidratação é uma parte importante da educação do paciente.
A tirzepatida interfere na absorção de outros medicamentos?
Pode interferir na velocidade de absorção de alguns medicamentos administrados por via oral devido ao retardo do esvaziamento gástrico. Isso é especialmente relevante para medicamentos nos quais a velocidade de absorção ou a concentração plasmática possui importância clínica. A Anvisa chama atenção para esse aspecto e recomenda cautela com medicamentos orais que necessitem de absorção gastrointestinal rápida.
Por isso, durante a anamnese medicamentosa, é importante perguntar não apenas quais medicamentos o paciente utiliza, mas também quais são administrados por via oral.
Cuidados de enfermagem com a tirzepatida
A enfermagem possui papel importante em praticamente todas as etapas do tratamento.
Antes da administração, é fundamental confirmar a prescrição, paciente, medicamento, dose, via, horário e demais itens relacionados à segurança da administração de medicamentos. Também é necessário observar as condições da solução e do dispositivo, além de respeitar as condições de armazenamento e validade descritas pelo fabricante.
Durante a administração subcutânea, devem ser seguidas as boas práticas de segurança, higiene das mãos, preparo do material, seleção adequada do local e técnica correta. O rodízio dos locais de aplicação pode ajudar a reduzir irritação e desconforto local.
Avaliação antes da administração
A avaliação de enfermagem pode incluir:
- histórico de náuseas, vômitos, diarreia ou constipação;
- presença de dor abdominal;
- ingestão de líquidos;
- peso corporal;
- glicemia quando indicada;
- medicamentos concomitantes;
- ocorrência de episódios de hipoglicemia;
- reações anteriores ao medicamento e adesão ao tratamento.
Também é importante perguntar sobre o uso de insulina e sulfonilureias, pois a associação pode aumentar o risco de hipoglicemia.
Monitorização durante o tratamento
O acompanhamento deve considerar tanto a eficácia quanto a segurança. Entre os parâmetros que podem ser acompanhados estão peso, glicemia, sintomas gastrointestinais, hidratação, pressão arterial quando clinicamente indicada, tolerância à alimentação e possíveis reações adversas.
O acompanhamento do peso não deve ser feito apenas para observar o número na balança. A equipe deve avaliar também a condição clínica geral, ingestão alimentar, hidratação e possíveis sinais de perda excessiva de massa corporal.
Educação do paciente
Uma das funções mais importantes da enfermagem é orientar o paciente. O paciente deve compreender que a tirzepatida não substitui alimentação adequada, atividade física ou acompanhamento profissional. Também deve saber reconhecer sinais de alerta, principalmente dor abdominal intensa e persistente, vômitos persistentes, sinais de desidratação, hipoglicemia e manifestações de reação alérgica.
Outra orientação importante é não aumentar, reduzir ou interromper a dose por conta própria.
O que fazer se o paciente esquecer uma dose?
As orientações para dose esquecida devem seguir a bula da apresentação utilizada e a prescrição. De maneira geral, existe uma janela específica para administração da dose esquecida. Caso tenha passado tempo maior que o permitido, a orientação é não tentar “compensar” administrando doses muito próximas.
Como as recomendações podem variar conforme o produto e a situação, a enfermagem deve consultar a bula atualizada e orientar o paciente de acordo com a prescrição. A Anvisa mantém o Bulário Eletrônico, que permite o acesso às bulas oficiais para profissionais de saúde e população.
Tirzepatida pode ser misturada com insulina?
Não. Quando utilizadas no mesmo paciente, tirzepatida e insulina devem ser administradas separadamente. A informação regulatória também orienta que as duas injeções sejam realizadas em locais diferentes e que os medicamentos não sejam misturados na mesma seringa.
Esse é um detalhe particularmente importante para a segurança da administração de medicamentos.
Tirzepatida pode ser usada durante a gravidez?
A utilização durante a gravidez exige avaliação médica. A perda de peso não é recomendada como objetivo terapêutico durante a gestação, e medicamentos para controle do peso geralmente não são apropriados nesse contexto. Uma paciente que engravide durante o tratamento deve comunicar o profissional responsável para avaliação da continuidade ou suspensão do medicamento.
Existe contraindicação para quem já teve pancreatite?
Esse é um ponto que merece avaliação individual. A informação de prescrição norte-americana ressalta que a tirzepatida não foi estudada adequadamente em pessoas com histórico de pancreatite e que não se sabe se esse histórico aumenta o risco.
Portanto, não cabe à enfermagem simplesmente afirmar que “quem já teve pancreatite não pode usar” ou, no sentido contrário, que “não existe problema”. O histórico deve ser comunicado ao profissional prescritor para avaliação individual.
Tirzepatida e cirurgia ou procedimentos com anestesia
O retardo do esvaziamento gástrico merece atenção em pacientes que serão submetidos a procedimentos que envolvam anestesia ou sedação. Existe preocupação com a presença de conteúdo gástrico residual e o risco de aspiração em determinados contextos. Por isso, pacientes em tratamento com tirzepatida devem informar à equipe médica e anestésica que estão utilizando o medicamento antes de procedimentos.
A decisão sobre suspensão temporária, quando necessária, deve ser individualizada pela equipe responsável.
Tirzepatida causa dependência?
A tirzepatida não é classificada como medicamento que provoque dependência química no sentido tradicional. Porém, isso não significa que o tratamento possa ser interrompido sem consequências. A obesidade é uma doença crônica e, quando o medicamento é utilizado para controle do peso, sua retirada pode ser acompanhada por recuperação parcial ou significativa do peso em algumas pessoas.
Isso ocorre porque os mecanismos biológicos que favorecem o ganho de peso não desaparecem necessariamente quando o medicamento é interrompido. Portanto, não é correto interpretar a tirzepatida como uma “cura definitiva” da obesidade.
O que acontece quando o paciente para de usar?
A resposta varia de pessoa para pessoa. Estudos de longo prazo mostram que o tratamento contínuo está associado à manutenção de parte importante da redução de peso. Quando o tratamento é interrompido, pode ocorrer recuperação de peso.
Isso reforça a necessidade de enxergar o tratamento da obesidade como acompanhamento de uma doença crônica, e não como uma estratégia temporária exclusivamente estética.
Tirzepatida é segura?
Nenhum medicamento é completamente isento de riscos. A tirzepatida apresenta benefícios clínicos importantes, mas também possui efeitos adversos e situações que exigem atenção. Os estudos clínicos demonstraram eficácia significativa no controle glicêmico e no peso, enquanto os principais eventos adversos foram predominantemente gastrointestinais.
O risco individual depende de fatores como idade, doenças associadas, medicamentos utilizados, função renal, histórico gastrointestinal, estado de hidratação e dose administrada. Por isso, segurança não significa ausência de efeitos adversos; significa utilizar o medicamento de maneira apropriada, com indicação correta e monitorização adequada.
O perigo da tirzepatida sem acompanhamento profissional
Com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, também aumentou a procura por produtos de origem duvidosa. Esse é um problema importante de saúde pública.
Em junho de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de produtos contendo tirzepatida que não possuíam registro, notificação ou cadastro no Brasil. A agência alertou especificamente para a comercialização irregular desses produtos. O paciente deve utilizar somente medicamento regularizado e prescrito, adquirido por canais autorizados.
Produtos vendidos pela internet, redes sociais ou estabelecimentos sem garantia de procedência podem apresentar problemas relacionados à autenticidade, concentração, esterilidade, armazenamento e segurança.
O que o estudante de enfermagem precisa memorizar?
A tirzepatida é um medicamento que atua sobre GIP e GLP-1. Seu efeito envolve aumento da secreção de insulina dependente da glicose, redução do glucagon, melhora da sensibilidade à insulina, retardo do esvaziamento gástrico e redução do apetite. É administrada por via subcutânea, uma vez por semana, e a dose é aumentada gradualmente de acordo com prescrição e tolerabilidade.
Os efeitos adversos mais frequentes são gastrointestinais, especialmente náuseas, diarreia, constipação, vômitos e desconforto abdominal. A associação com insulina ou sulfonilureias aumenta a preocupação com hipoglicemia. Dor abdominal intensa e persistente deve ser investigada devido à possibilidade de pancreatite.
Vômitos e diarreia podem provocar desidratação e, em situações graves, contribuir para comprometimento renal. A enfermagem deve atuar na administração segura, monitorização, identificação precoce de eventos adversos e educação do paciente.
A tirzepatida representa uma mudança importante no tratamento farmacológico do diabetes tipo 2 e da obesidade. Seu diferencial está na capacidade de atuar simultaneamente sobre os receptores GIP e GLP-1, interferindo em diferentes mecanismos envolvidos no metabolismo da glicose, controle do apetite e peso corporal.
Entretanto, a popularidade do medicamento não deve fazer com que ele seja tratado como uma simples “injeção para emagrecer”. Trata-se de um medicamento de ação sistêmica, com benefícios importantes, mas também com efeitos adversos e cuidados específicos.
Para a enfermagem, conhecer esses mecanismos faz diferença na prática. Uma administração segura envolve muito mais do que aplicar a caneta: envolve avaliar o paciente, conferir a prescrição, conhecer os medicamentos associados, acompanhar a resposta terapêutica, reconhecer sinais de alerta e orientar adequadamente.
Além disso, é fundamental combater a automedicação e a utilização de produtos de procedência desconhecida. A própria Anvisa vem adotando medidas contra produtos irregulares contendo tirzepatida, reforçando a importância de utilizar medicamentos regularizados e sob acompanhamento profissional.
A tirzepatida pode ser uma ferramenta terapêutica muito eficaz, mas seus melhores resultados aparecem quando está inserida em um cuidado individualizado, contínuo e baseado em evidências.
Referências:
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-
POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.











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