Endocardite vs. Pericardite: Quais as diferenças?

A endocardite e a pericardite são duas condições que afetam o coração, mas de formas distintas. Para entender melhor essas doenças, vamos comparar seus principais aspectos:

O que é cada uma?

  • Endocardite: É uma inflamação do endocárdio, a membrana que reveste o interior do coração e as válvulas cardíacas. Essa inflamação geralmente é causada por uma infecção, como a bactéria estreptococo.
  • Pericardite: É uma inflamação do pericárdio, a membrana que envolve o coração como um saco. Essa inflamação pode ter diversas causas, incluindo infecções, doenças autoimunes, tumores e até mesmo infarto do miocárdio.

Quais os principais sintomas?

Os sintomas de ambas as doenças podem ser semelhantes e variar bastante de pessoa para pessoa. No entanto, alguns sintomas são mais comuns em cada uma:

  • Endocardite: Febre, fadiga, perda de peso, dificuldade para respirar, tosse, dor nas articulações, manchas vermelhas na pele (petéquias) e sopros cardíacos.
  • Pericardite: Dor no peito que piora ao deitar ou respirar fundo, dificuldade para respirar, tosse seca, febre baixa e inchaço nas pernas.

Quais as causas?

  • Endocardite: A principal causa é a infecção bacteriana, mas também pode ser causada por fungos ou vírus.
  • Pericardite: As causas são mais variadas e podem incluir infecções, doenças autoimunes, tumores, infarto do miocárdio, radioterapia e até mesmo medicamentos.

Como são diagnosticadas?

O diagnóstico de ambas as doenças envolve:

  • Exame físico: O médico ouvirá o coração com um estetoscópio para identificar sopros cardíacos e outros ruídos.
  • Eletrocardiograma (ECG): Avalia a atividade elétrica do coração.
  • Ecocardiograma: Utiliza ondas sonoras para criar imagens do coração e identificar alterações estruturais e funcionais.
  • Exames de sangue: Avaliam a presença de marcadores inflamatórios e infecciosos.
  • Radiografia de tórax: Pode revelar alterações no tamanho do coração ou a presença de líquido ao redor do coração.

Tratamento

O tratamento depende da causa e da gravidade da doença:

  • Endocardite: Geralmente envolve o uso de antibióticos de alta potência por um longo período. Em casos mais graves, pode ser necessária cirurgia.
  • Pericardite: O tratamento pode incluir medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos e, em alguns casos, corticosteroides. Em casos mais graves, pode ser necessário drenar o líquido acumulado ao redor do coração.

Complicações

  • Endocardite: Pode levar a insuficiência cardíaca, embolia (obstrução de um vaso sanguíneo por um coágulo), abscessos no coração e até mesmo a morte.
  • Pericardite: Pode levar ao acúmulo de líquido ao redor do coração (tamponamento cardíaco), que pode comprimir o coração e dificultar a sua função.

Referência:

  1. Montera MW, Mesquita ET, Colafranceschi AS, Oliveira Jr. AC de, Rabischoffsky A, Ianni BM, et al.. I Diretriz brasileira de miocardites e pericardites. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013;100(4):01–36. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S004

Focos de Ausculta Cardíaca

Os focos de ausculta cardíaca são pontos específicos da parede torácica anterior onde se ouvem com maior intensidade os sons produzidos pelas valvas cardíacas ao se abrirem e fecharem durante o ciclo cardíaco. Ao auscultar nesses pontos, o médico pode identificar alterações nos sons cardíacos, que podem ser um sinal de diversas doenças cardíacas.

Quais são os principais focos de ausculta?

Existem cinco focos de ausculta cardíacos principais:

  1. Foco mitral: Localizado no 5º espaço intercostal esquerdo na linha hemiclavicular, corresponde ao ictus cordis. É o local onde melhor se ouvem os sons da valva mitral.
  2. Foco tricúspide: Situado na base do apêndice xifóide ligeiramente para a esquerda. É o local ideal para auscultar os sons da valva tricúspide.
  3. Foco aórtico: Localizado no 2º espaço intercostal direito, junto ao esterno. É o ponto onde se ouvem os sons da valva aórtica.
  4. Foco pulmonar: Situado no 2º espaço intercostal esquerdo, junto ao esterno. É o local onde se ouvem os sons da valva pulmonar.
  5. Foco aórtico acessório (ponto de Erb): Localizado no 3º espaço intercostal esquerdo, próximo à borda esternal. É um ponto adicional onde se podem ouvir melhor as alterações da valva aórtica.

Por que é importante auscultar os focos cardíacos?

A ausculta cardíaca é um exame fundamental para a avaliação do sistema cardiovascular. Através dela, o médico pode:

  • Identificar as bulhas cardíacas: As bulhas cardíacas são sons produzidos pelo fechamento das valvas cardíacas. Alterações nas bulhas podem indicar problemas nas valvas ou no músculo cardíaco.
  • Detectar sopros cardíacos: Sopros são ruídos anormais causados pelo turbilhonamento do sangue dentro do coração. Eles podem indicar a presença de valvulopatias, defeitos congênitos do coração ou outras doenças cardíacas.
  • Acompanhar a evolução de doenças cardíacas: A ausculta cardíaca permite acompanhar a evolução de doenças cardíacas e avaliar a eficácia do tratamento.

O que pode alterar os sons cardíacos?

Diversos fatores podem alterar os sons cardíacos, como:

  • Doenças cardíacas: Valvulopatias, cardiomiopatias, defeitos congênitos do coração.
  • Alterações na frequência cardíaca: Taquicardia, bradicardia.
  • Alterações na pressão arterial: Hipertensão, hipotensão.
  • Posição do paciente: A posição do paciente pode influenciar a intensidade dos sons cardíacos.
  • Presença de líquidos no pericárdio: Pericardite.

Referências:

  1. Macedo, J. L. S. de ., Santos Neto, L., & Macedo, V.. (1994). A IMPORTÂNCIA CLÍNICA DOS ACHADOS DO EXAME FÍSICO DO APARELHO CARDIOVASCULAR. Revista Brasileira De Educação Médica, 18(2), 55–60. https://doi.org/10.1590/1981-5271v18.2-002

Os 4 Pilares do Tratamento para Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca aguda é uma condição clínica grave que requer abordagem imediata e específica.

São os quatro pilares essenciais do tratamento farmacológico para a insuficiência cardíaca aguda:

Beta-bloqueadores

    • Os beta-bloqueadores são medicamentos que atuam bloqueando os efeitos da adrenalina (epinefrina) no coração.
    • Eles reduzem a frequência cardíaca, diminuindo a demanda de oxigênio pelo coração.
    • São essenciais para melhorar a função cardíaca e reduzir a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca aguda.

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou inibidores do receptor de angiotensina (ARNI)

    • Esses medicamentos ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e reduzir a pressão arterial.
    • Também melhoram a função cardíaca e reduzem a sobrecarga no coração.

Antagonistas dos receptores mineralocorticoides (MRA)

    • Os MRA, como a espironolactona e a eplerenona, são importantes para pacientes com insuficiência cardíaca.
    • Eles ajudam a reduzir a retenção de sal e água, melhorando os sintomas e a sobrevida.

Inibidores do co-transportador de sódio-glicose 2 (SGLT2)

    • Esses medicamentos, originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, também mostraram benefícios significativos em pacientes com insuficiência cardíaca.
    • Eles reduzem a reabsorção de glicose nos rins, promovendo a diurese e melhorando a função cardíaca.

 

  1. https://portugues.medscape.com/resumindo/6510023
  2. https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001063
  3. https://www.heartfailurematters.org/what-your-doctor-can-do/angiotensin-receptor-neprilysin-inhibitor-arni-sacubitril-valsartan/
  4. Brito D, Bettencourt P, Carvalho D, Ferreira J, Fontes-Carvalho R, Franco F, Moura B, Silva-Cardoso JC, de Melo RT, Fonseca C. Sodium-Glucose Co-transporter 2 Inhibitors in the Failing Heart: a Growing Potential. Cardiovasc Drugs Ther. 2020 Jun;34(3):419-436. doi: 10.1007/s10557-020-06973-3. PMID: 32350793; PMCID: PMC7242490.

Endarterectomia de Carótida

A endarterectomia carotídea ou de carótida é um tratamento cirúrgico para a doença da artéria carótida.

As artérias carótidas são os vasos sanguíneos principais que transportam sangue e oxigênio para o cérebro.

Na doença aterosclerótica da artéria carótida, estas artérias tornam-se estreitadas por formação de placas de gordura e cálcio no seu interior. Isso reduz o fluxo de sangue para o cérebro e pode causar um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou um ataque isquêmico transitório(AIT).

Principais Causas

O estreitamento das artérias carótidas é mais frequentemente causado pela aterosclerose. Esta decorre de um acúmulo de placas na parte interna da artéria. As placas são compostas por diversas substâncias como: gordura, colesterol, resíduos celulares, cálcio e fibrina.

A aterosclerose, ou “endurecimento das artérias” com formação de placas, pode afetar as artérias em vários locais do corpo, como as carótidas as artérias coronárias do coração e etc. A doença da artéria carótida tem como sua principal consequência os acidentes vasculares cerebrais (derrame).

O cérebro precisa de um suprimento constante de oxigênio e nutrientes para funcionar. Mesmo uma pequena interrupção transitória no fornecimento de sangue pode causar problemas graves.

As células do cérebro começam a morrer após apenas alguns minutos sem sangue ou oxigênio.

Se o estreitamento das artérias carótidas se tornar suficientemente grave para bloquear o fluxo sanguíneo, ou caso um pedaço dessa placa se quebre e migre para um ramo arterial distal e bloqueie o fluxo sanguíneo, pode ocorrer um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou um ataque isquêmico transitório (AIT).

Realização do procedimento

Durante uma endarterectomia de carótida, o médico irá remover cirurgicamente a placa que obstrui a passagem do sangue na artéria carótida. O cirurgião fará uma incisão no lado do pescoço sobre a artéria carótida afetada. A artéria é aberta e a placa é removida. Após retirada da placa a artéria é fechada restaurando o fluxo de sangue normal para o cérebro.

Este procedimento pode ser feito com o paciente acordado, sob anestesia local, ou dormindo, sob anestesia geral.

Indicações para o procedimento

A indicação da endarterectomia tem o objetivo de prevenir a ocorrência ou a recorrência de um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório, nos pacientes com alto risco de AVC apesar do tratamento clínico otimizado que inclui: medicações para o colesterol, medicações que afinam o sangue conhecidas como antiagregante plaquetários, medicações para controlar a pressão arterial, cessação de tabagismo, prática de exercício físico.

Não cabe citar todas as indicações de endarterectomia, mas podemos citar aquilo que é menos controverso na literatura médica.

1- Os pacientes com placas com grau de obstrução inferior a 50%, não devem ser tratados por procedimentos nem cirúrgico nem por cateter (angioplastia com stent). Devem permanecer no tratamento clínico otimizado e serem acompanhados clinicamente.

2- Os pacientes sintomáticos, que apresentaram  AVC ou AIT nos últimos 6 meses, com grau de obstrução maior que 70 % da luz da artéria, possuem um risco maior de recorrência de AVC e AIT.

3- O grau de estenose deve ser preferencialmente confirmado por pelo menos dois métodos diagnósticos não invasivos (Ultrasom doppler, angio tomografia, angio ressonância magnética). Uma vez confirmado o grau de obstrução esses pacientes se beneficiam da redução de risco da realização da endarterectomia com pouca controvérsia na literatura médica sobre esse grupo de pacientes.

A definição de quem são os pacientes de alto risco para AVC, nos pacientes assintomáticos, e que se beneficiariam da endarterectomia, deve ser individualizada e considerar várias variáveis incluindo: o grau de obstrução causado pela placa, que deve ser preferencialmente maior que 70%, características da placa que aumentam o risco de AVC (como úlceras, hemorragia, composição da placa), presença ou não de lesões assintomáticas no cérebro do mesmo lado da doença carotídea, uso adequado e regular do tratamento clínico, preferencia do paciente após os devidos esclarecimentos, idade, gênero, expectativa de vida, estado neurológico antes do procedimento.

A indicação de uma endarterectomia de carótida tem o objetivo de diminuir significativamente a chance de ocorrência ou recorrência de um AVCI (derrame) no futuro, quando comparado a manutenção do tratamento clínico. O procedimento só deve ser realizada com baixas taxas de complicações no perioperatório.

Considera-se na literatura médica, baixa taxa de complicações do procedimento, taxas inferiores a 6% nos pacientes sintomáticos, e inferior a 3% nos pacientes assintomáticos. As complicações avaliadas na literatura são complicações graves como: AVC, morte ou infarto do miocárdio. Os procedimentos de endarterectomia só são considerados efetivos em pacientes com alto risco de AVC, procedimentos feitos em hospitais e por médicos com baixas taxas de complicações.

O sucesso do procedimento depende, da experiência do médico, da seleção adequada de pacientes para o procedimento, da adesão dos hospitais a procedimentos de segurança realizados no pré e no pós operatório.

A endarterectomia não tem o objetivo de recuperar déficits neurológicos causados por um AVC ocorrido antes do procedimento.

É muito importante que o médico explique os prós e os contras de outras possibilidades de tratamento da obstrução carotídea como: as angioplastias com stent ou a manutenção do tratamento clínico. Você deve receber informações para poder refletir e decidir junto ao seu médico as diferentes opções de tratamento.

Sintomas

Quando assintomática, a doença geralmente é descoberta por exames de imagem solicitados como “check up”. Nos pacientes assintomáticos o acúmulo de placas  não bloqueia o fluxo sanguíneo o suficiente para causar um acidente vascular cerebral ou um ataque isquêmico transitório, que são as principais manifestações da doença carotídea aterosclerótica.

Riscos

  • Risco de morte;
  • Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) ou ataque isquêmico transitório (AIT)( conhecido popularmente como derrame). Essas complicações podem causar incapacidades temporárias ou permanentes como: alterações da consciência, estado de coma ou de consciência mínima, paralisias de um ou ambos os lados do corpo, alterações da sensibilidade de um ou ambos os lados do corpo, dificuldade ou incapacidade para falar, alterações visuais de um ou ambos os olhos;
  • Acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH)( também conhecido popularmente como derrame). Essas complicações podem causar incapacidades temporárias ou permanentes como: coma, alterações da consciência, paralisias de um ou ambos os lados do corpo, alterações da sensibilidade de um ou ambos os lados do corpo, dificuldade ou incapacidade para falar, alterações visuais de um ou ambos os olhos;
  • Convulsões e dor de cabeça podem ocorrer em casos de síndrome da hiperperfusão que ocorre com o restabelecimento do fluxo de sangue para o cérebro e o cérebro não tolera o fluxo intenso no pós operatório levando a essa complicação;
  • Lesões de nervos cranianos que passam pelo local da incisão cirúrgica. Esses nervos controlam várias funções como: a movimentação da face, movimentação da língua, a capacidade de engolir, a sensibilidade da face, a movimentação das cordas vocais. Essas lesões podendo levar a disfunções transitórias ou permanentes como: paralisia da língua evoluindo com desvio da língua para um dos lados, dificuldade para engolir com engasgos as vezes necessitando de sonda para se alimentar, boca torta, rouquidão, dormência no pescoço e na face do lado da incisão cirúrgica. Haverá dormência no pescoço na região da cicatriz. Isso pode ser permanente. Essas complicações são frequentes na literatura mundial, mas geralmente são transitórias não deixando sequelas de longo prazo;
  • Ataque cardíaco (infarto agudo do miocárdio). Um ataque cardíaco pode ocorrer devido à sobrecarga no procedimento sobre o coração. Os exames pré-operatórios e a avaliação cardiológica no pré operatório devem ser realizados com objetivo de diminuir a chance deste tipo de evento acontecer;
  • Arritmias cardíacas. Os exames pré-operatórios e a avaliação cardiológica no pré operatório devem ser realizados com objetivo de diminuir a chance deste tipo de evento acontecer;
  • Hematomas no pescoço, causados por sangramento no local da incisão cirúrgica, causando inchaço, podendo levar a situações extremas como: bloqueio agudo das vias aéreas com necessidade de intubação de urgência ou procedimentos cirúrgicos para garantir a passagem de ar nas vias aéreas(cricotireoidostomia ou traqueostomia) e em alguns casos é necessário a reoperação de urgência. Pode ser necessário a transfusão de sangue;
  • A cicatrização da ferida operatória pode ocorrer de forma anormal gerando uma cicatriz espessa e vermelha (quelóide), além disso a cicatriz pode ser dolorosa por períodos prolongados;
  • Infecções de ferida operatória podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções do remendo operatório, as vezes utilizado para fechar o corte feito na artéria carótida, podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções pulmonares após intubação, as vezes agravada pela presença de doença pulmonar antes do procedimento, como: enfisema, bronquite, etc, além de ficar acamado no pós operatório. Isso pode requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Infecções urinárias devido a sonda vesical utilizada na cirurgia, podendo requerer o uso de antibióticos e tratamentos adicionais;
  • Pode ocorrer a formação de coágulos de sangue nas veias das pernas, denominado de trombose venosa profunda (TVP) levando a dor e inchaço na perna. Em alguns casos de TVP, parte dos coágulos podem se soltar e migrar para os pulmões conhecido como tromboembolismo pulmonar (TEP). Essa complicação muitas vezes pode ser grave com risco de morte;
  • Pode ocorrer alterações na função do rim conhecida como insuficiência renal aguda que geralmente são leves e transitórias, podendo ser grave em alguns casos necessitando de hemodiálise;
  • Alergias (se você é alérgico ou sensível a medicamentos, contraste iodado ou látex, informe ao seu médico);
  • Pode haver outros riscos com base na sua condição clínica;
  • Você pode e deve discutir com o seu médico quaisquer preocupações que lhe aflijam antes do procedimento.

O preparo

A equipe médica é quem deve explicar o procedimento para você e você pode e deve fazer perguntas que lhe pareçam pertinentes.

O seu médico irá rever o seu histórico de saúde e fazer um exame clínico para se certificar que você está em bom estado clínico para realizar o procedimento. Você pode necessitar de exames de sangue ou outros testes diagnósticos.

1- Informe o seu médico se você é sensível ou é alérgico a quaisquer medicamentos, látex, contraste, anestesia etc.Informe ao seu médico todos os medicamentos, suplementos e fitoterápicos que você está tomando.

2- Informe ao seu médico se você tiver distúrbios que causem hemorragias ou se estiver tomando quaisquer medicamentos anticoagulantes ou que afinem o sangue.

Pode ser necessário parar alguns desses medicamentos 5 a 7 dias antes do procedimento.

3- Se você está grávida ou acha que pode estar grávida, informe ao seu médico.

4- Você deverá estar em jejum de 6 a 8 horas para o procedimento, conforme orientação da equipe médica.

5- Seu médico poderá solicitar um exame de sangue antes do procedimento para avaliar a sua capacidade de coagulação.

6- Informe ao seu médico se você tem marcapasso.

7- Se você fumar pare o mais rápido possível antes do procedimento. Isso pode melhorar sua recuperação e seu estado geral de saúde. O tabagismo aumenta a formação de coágulos no sangue.

Com base na sua condição, o seu médico pode pedir outra preparação.

Outros cuidados

1. Você será solicitado a remover jóias ou outros objetos que possam interferir no momento do procedimento.

2. Você removerá sua roupa e colocará uma roupa de centro cirúrgico.

3. Você será solicitado a esvaziar sua bexiga antes do procedimento.

4. Um acesso venoso será puncionado em seu braço ou mão. Outro cateter será colocado em seu pulso para monitorar sua pressão arterial e para tirar amostras de sangue. Um ou mais cateteres adicionais podem ser colocados em seu pescoço, oposto ao local da cirurgia, para monitorar seu coração. Outros locais para o cateter incluem a área da clavícula e a virilha.

5. Se houver muitos pelos no local da cirurgia, pode ser necessária a remoção dos pelos do local.

6. Você será posicionado na mesa de operação, deitado de costas, com a cabeça levemente levantada e afastada do lado a ser operado.

7. Se necessário, poderá ser colocado uma sonda na sua bexiga para drenar a urina.

8. O anestesista verificará continuamente sua frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e nível de oxigênio no sangue durante a cirurgia.

9. A endarterectomia pode ser feita sob anestesia local. Você terá sono, mas não sentirá dor na área operada. Você receberá um sedativo venoso antes do procedimento para ajudá-lo a relaxar. A cirurgia com anestesia local permite o controle do estado neurológico durante o procedimento permitindo que o exame clínico seja feito.

10. Se a endarterectomia for feita sob anestesia local, o anestesista irá fornecer suporte constante e mantê-lo confortável durante o procedimento. Você receberá medicamentos para dor de acordo com a necessidade.

11. Sob anestesia local, você receberá oxigênio através de um cateter que se encaixa no nariz.

12. As endarterectomias também podem ser feitas sob anestesia geral. Isso significa que você estará dormindo. Uma vez que você está sedado, um tubo de respiração será inserido em sua garganta para fornecer fluxo de ar para seus pulmões. Você estará conectado a um ventilador, que irá respirar por você durante o procedimento. Não há diferença significativa de complicações quando comparamos anestesia local com anestesia geral. A preferência do seu cirurgião é o que conta nessa decisão.

13. Você receberá uma dose de antibiótico profilático através do acesso venoso para ajudar a prevenir infecções.

14. A pele sobre o local cirúrgico será limpa com uma solução anti-séptica.

15. O cirurgião fará uma incisão na pele do pescoço no local próximo da artéria doente. Uma vez exposta a artéria será feito uma incisão na artéria para abri-la.

16. Será retirada a placa aterosclerótica que obstrui o fluxo do sangue e posteriormente a artéria será fechada, podendo ou não usar um remendo para auxiliar o fechamento da parede da artéria. O uso ou não de remendo depende da técnica cirúrgica utilizada e da preferência do cirurgião.

17. Um dreno deve ser colocado no seu pescoço antes de fechar a pele. O dreno é um pequeno tubo que é colocado no pescoço, na área operada, para drenar eventuais sangramentos que possam ocorrer no pós operatório. Geralmente, é removido em 24 a 48h após o procedimento.

18. Nas primeiras 24h após o procedimento a pressão arterial pode variar muito e você pode necessitar de medicações venosas para controle da pressão arterial dentro da meta estabelecida pelas diretrizes de segurança.

19. Se você realizou anestesia geral, o anestesista poderá acordá-lo no centro cirúrgico para avaliar o estado neurológico antes de transferí-lo para a UTI.

20. Será realizado um curativo estéril na incisão cirúrgica.

Cuidados Pós Cirúrgico

No hospital:

Uma vez que a pressão arterial, o pulso e a respiração estiverem estáveis e você estiver alerta, sem alterações neurológicas você será  encaminhado para a unidade de terapia intensiva (UTI).

As primeiras 24 h horas, são aonde ocorrem alterações mais frequentes da pressão arterial, nesse período você deve permanecer na UTI para controle da pressão arterial dentro da meta de segurança e para vigilância do estado neurológico.

Assim que o quadro estiver mais estável você deve ser transferido para uma unidade de menor complexidade, semi intensiva ou quarto de enfermaria, aonde começará a sair da cama e caminhar com auxílio dos fisioterapeutas.

O dreno colocado na incisão durante o procedimento, para drenagem de possíveis hematomas locais, deve ser retirado em 24 a 48h, caso não haja sangramento significativo.

Você receberá a dieta conforme orientação do seu médico e conforme a sua capacidade de engolir.

Certifique-se de tomar apenas os medicamentos recomendados pelo seu médico. A incisão cirúrgica pode ser um pouco dolorida o seu médico deixará medicações analgésicas que podem ser solicitadas a enfermagem.

O seu médico pode ou não realizar exames de controle no pós operatório essas condutas são individualizadas por médico.
Geralmente a alta ocorre  após 3 dias da cirurgia de endarterectomia de carótida.

Ao chegar em casa:

Em casa, é importante manter a área da incisão limpa e seca. O seu médico lhe dará instruções específicas para tomar banho.

Se forem usados pontos, eles serão removidos durante visita no consultório do seu médico. Questione o seu médico quando deverá retirar os pontos.

Você pode retornar à sua dieta normal, a menos que seu médico lhe oriente outra conduta.

Mantenha todas as medicações orientadas na alta e não introduza nem suspenda nenhum remédio sem conhecimento do seu médico.

Em geral, é aconselhável seguir uma dieta com baixo teor de gorduras. Você deve comer legumes, frutas, produtos lácteos com baixo teor de gordura, carnes magras. Evite alimentos processados ou embutidos.

Se você fumava antes do procedimento, solicite ajuda para cessação de tabagismo. O tabagismo contribui para o estreitamento e endurecimento de suas artérias.

Entre em contato com o seu médico imediatamente na presença de um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Febre ou calafrios.
  • Inchaço, secreção ou sangramento no local da incisão cirúrgica
  • Aumento da dor ao redor do local da incisão cirúrgica

Acione imediatamente o serviço de ambulância ou vá imediatamente para o Pronto socorro do hospital na presença dos seguintes sintomas de acidente vascular cerebral:

  • Fraqueza;
  • Formigamento ou perda de sensibilidade de um lado do seu rosto ou corpo;
  • Visão dupla repentina ou dificuldade para enxergar em um ou ambos os olhos;
  • Problemas repentinos da fala com dificuldade para compreender ou se expressar;
  • Dores de cabeça intensa e de início súbito;
  • Convulsões.

Referência:

  1. Hosp. Albert Einstein

Derivação de Fontaine

A derivação ECG de Fontaine é um tipo especial de derivação usada para diagnosticar a displasia arritmogênica do ventrículo direito (DAVD), uma doença cardíaca que afeta o músculo do ventrículo direito e pode causar arritmias graves e morte súbita.

Como funciona?

A derivação de Fontaine consiste em colocar o eletrodo do braço direito no manúbrio esternal (a parte superior do osso do peito) e o eletrodo do braço esquerdo no apêndice xifoide (a ponta inferior do osso do peito).

Além disso, o eletrodo da perna pode ser colocado na posição de V4, que é o quinto espaço intercostal na linha médio-clavicular esquerda.

Essa configuração permite registrar a onda épsilon, um sinal característico da DAVD que representa uma atividade elétrica anormal no ventrículo direito.

A onda épsilon aparece como um entalhe ou deflexão na parte final do complexo QRS, que corresponde à contração dos ventrículos.

A derivação de Fontaine é uma das formas de detectar a onda épsilon, mas existem outras derivações que também podem ser usadas, como as precordiais direitas (V1R a V6R) ou as posteriores (V7 a V9).

A derivação de Fontaine foi descrita pela primeira vez pelo cardiologista francês Paul Fontaine em 1982.

Referência:

  1. https://angomed.com/sistema-de-derivacoes-eletrocardiograficas/

Prolapso da válvula mitral

Também conhecido como sopro no coração e síndrome de Barlow, o prolapso da válvula mitral é um problema cardíaco no qual a válvula que separa as câmaras superior e inferior do lado esquerdo do coração não fecha corretamente, podendo pequena quantidade de sangue retornar para a cavidade esquerda, dificultando a capacidade do coração para bombear o sangue, isso é chamado de regurgitação (insuficiência) mitral.

Causas

Na maioria dos casos, a causa é o crescimento anormal de uma das cúspides. Em outros casos, essa alteração é secundária a outras doenças cardíacas (como febre reumática e infarto) podendo ocorrer também após cirurgia valvular. Na maioria dos casos é inofensivo, e os pacientes geralmente não sabem que têm o problema.

Sintomas

A maior parte das pessoas que possuem o prolapso da válvula mitral não apresentam sintomas, porém quando ocorrem pode ser devido a um vazamento de grande quantidade sangue para a parte superior do coração por meio da válvula.

Os sinais e sintomas do prolapso da válvula mitral podem variar muito de uma pessoa para outra, mas é possível notar arritmia, tonturas ou vertigens, dificuldade na respiração, falta de ar e fadiga, normalmente só aparecem em grandes prolapsos da válvula mitral.

A situação pode ser descoberta somente quando um médico através do uso de um estetoscópio ausculta através de um clique, após o som deste clique, existe uma associação entre o escape ou regurgitação de sangue através da válvula mitral e um ruído ou sopro.

Exames como ecocardiograma com Doppler colorido, cateterismo cardíaco, radiografia torácica, eletrocardiograma e ressonância magnética do coração ajudam a fechar o diagnóstico.

Tratamento

É necessário acompanhamento médico frequente quando o prolapso é moderado ou importante. Em alguns casos poderá ser necessária uma cirurgia para reparar ou substituir a válvula se o paciente apresentar regurgitação mitral grave ou se os sintomas piorarem.

A substituição da válvula mitral pode ser essencial se o ventrículo esquerdo estiver aumentando e o funcionamento do coração piorar. Alguns medicamentos poderão ser prescritos de forma paliativa quando a regurgitação mitral ou outros problemas cardíacos também estiverem presentes.

Alguns medicamentos ajudam no controle das arritmias e na remoção do excesso de líquidos nos pulmões. Outros medicamentos podem ser indicados para evitar coágulos de sangue em casos de fibrilação atrial.

Não há nenhuma recomendação de restrições ao estilo de vida ou quaisquer limitações no que diz respeito à prática de exercícios físicos, porém se o paciente possuir a regurgitação mitral grave, o médico poderá recomendar-lhe evitar exercícios que possam piorar a sua condição.

Referência:

  1. https://www.coracao.org.br/prolapso-da-valvula-mitral

Circulação Fetal

A circulação fetal é estruturada para suprir as necessidades de um organismo em crescimento rápido num ambiente de hipóxia relativa (ausência de oxigênio). 

A única conexão entre o feto e o meio externo é a placenta, que o serve nas funções de intestinos (suprimento de nutrientes), rins (retirada dos produtos de degradação) e pulmões (trocas gasosas). Por isso, através dos vasos sanguíneos do cordão umbilical, o feto recebe todo o apoio de oxigênio, nutrientes e excreção de substâncias, por meio da mãe através da placenta.

Com isso, existem três estruturas importantes para a circulação do feto: ducto venoso, ducto arterial e forame oval.

No feto, a placenta tem a sua resistência vascular baixa, ou seja, é a resistência que precisa ser vencida para poder empurrar o sangue adiante, por meio do sistema circulatório e, assim, gerar um fluxo.

Além disso, a placenta recebe cerca de 40% do débito cardíaco fetal (volume de sangue ejetado pelo ventrículo esquerdo para a artéria aorta a cada minuto), resultando em uma pressão sistêmica baixa.

Opostamente, os pulmões do feto estão cheios de fluido, resultando em uma alta resistência vascular (maior dificuldade para a passagem de sangue) e menos de 10% do débito cardíaco vai para os pulmões.

O sangue oxigenado da placenta passa pela veia umbilical e se divide ao entrar no abdome do feto. A maioria desse sangue oxigenado flui através do ducto venoso (vaso fetal que comunica a veia umbilical com a veia cava inferior) e, a seguir, para o átrio direito, o sangue restante perfunde o fígado.

O sangue proveniente do ducto venoso entra no átrio direito e, por causa de um efeito de fluxo, é desviado para o forame oval para o lado esquerdo do coração e da aorta.

Dessa forma, nesse compartimento o sangue que possui um alto teor de oxigênio vindo da veia cava é misturado com o sangue minimamente oxigenado vindo das veias pulmonares, pois os pulmões consomem oxigênio e não o produz.

Já o ducto arterial, quando desvia o sangue da artéria pulmonar para a artéria aorta, tem a função de proteger os pulmões da sobrecarga e permite que o ventrículo direito se fortaleça para a sua total capacidade funcional ao nascimento.

O restante do fluxo de retorno da veia cava inferior mistura-se ao retorno da veia cava superior e seio coronário e passa para o ventrículo direito.

O sangue que chega ao átrio esquerdo e, seguidamente, ao ventrículo esquerdo e a aorta ascendente, artérias coronárias e cérebro é, consequentemente, o mais saturado com que será dirigido através do canal arterial para a parte inferior do corpo do feto.

O baixo fluxo pulmonar fetal é mantido às custas da elevada resistência vascular pulmonar. Vários fatores estimulam esta vasoconstricção como acidose, catecolaminas alfa-adrenérgicas e estimulação nervosa simpática, porém não há dúvidas que a hipóxia é o principal fator determinante da vasoconstricção pulmonar fetal.

Devido à alta resistência ao fluxo sanguíneo pulmonar, apenas uma pequena quantia (aproximadamente 7% do débito cardíaco combinado) de sangue circula pelos pulmões, o restante é dirigido, através do canal arterial para a aorta descendente.

Depois do nascimento do bebê o ducto arterial, o ducto venoso, o forame oval e os vasos umbilicais não são mais necessários e, por isso, se contraem e são “esmagados” pelo átrio esquerdo e pelo pulmão que se expandiu.

O fechamento do ducto arterial pode ser mediado pela bradicinina, uma substância liberada pelos pulmões durante a sua distensão inicial.

Além disso, depois do nascimento, quando o bebê começa a respirar, gradualmente para de circular sangue entre o bebê e a placenta conforme a respiração se estabiliza. Aos poucos, o padrão circulatório do bebê vai se modificando para o padrão adulto.

Referências:

  1. FERNANDES J, Caraciolo. Physiologic transition from intrauterine to extrauterine. UptoDate. Disponível em: <https://www.uptodate.com/contents/physiologic-transition-from-intrauterine-to-extrauterine-life?search=circula%C3%A7%C3%A3o%20fetal&sectionRank=1&usage_type=default&anchor=H3&source=machineLearning&selectedTitle=1~118&display_rank=1#H3> 
  2. MATTOS, Sandra S. Fisiologia da circulação fetal e diagnóstico das alterações funcionais do coração do feto. Arq. Bras. Cardiol., São Paulo , v. 69, n. 3, p. 205-207, Sept. 1997 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X1997000900013&lng=en&nrm=iso&gt;. http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X1997000900013.
  3. Student Midwife Studygram. Disponível em: <https://studentmidwifestudygram.co.uk/about/> 

Artérias e Veias Coronarianas

A palavra coronária se origina do termo em latim coronarius, que significa “que pertence a uma coroa”. Quando vistos de cima em um corte transversal, os vasos coronários lembram uma coroa inclinada, posicionada ao redor das raízes dos grandes vasos.

As artérias coronárias são responsáveis por levar sangue rico em oxigênio e nutrientes do ventrículo esquerdo para o miocárdio, enquanto as veias coronárias levam o sangue pobre em oxigênio e nutrientes para longe do miocárdio, em direção ao átrio direito.

Artérias coronárias

As artérias coronárias se originam da raiz da aorta ascendente. Lembre-se que a valva aórtica possui três cúspides semilunares. Essas estruturas formam espaços na raiz da aorta chamados de seios de Valsava. As cúspides semilunares direita esquerda dão origem, respectivamente, às artérias coronárias direita e esquerda. O terceiro seio – formado pela cúspide semilunar – não está associado a um vaso coronário, e também é chamado de seio não coronário.

As principais divisões das artérias coronárias geralmente cursam abaixo da camada epicárdica do coração. Entretanto, seus ramos podem entrar profundamente no miocárdio conforme passam pelos sulcos cardíacos. As extremidades proximais das artérias coronárias possuem entre 1,5 e 5,5 mm de diâmetro; mas a artéria coronária esquerda é tipicamente maior que a direita na maioria dos casos.

Os anatomistas e clínicos se referem a uma dominância ‘direita’ ou ‘esquerda’ no suprimento sanguíneo do coração. Se a artéria coronária direita emite o ramo descendente posterior (que perfunde a região do septo interventricular e o aspecto posterolateral do ventrículo esquerdo), o coração é descrito como dominante direito.

O contrário também é verdadeiro. Na maioria dos indivíduos, a coronária direita é a artéria dominante, entretanto existem ainda os padrões de dominância esquerda e codominância (suprimento sanguíneo igual de ambas as artérias).

O modelo de segmentação das artérias coronárias divide essas artérias em 17 segmentos. Isso não ajuda somente na compreensão dos territórios vasculares associados às artérias e seus ramos, mas também ajuda os clínicos a localizar e tratar as lesões vasculares.

Um sistema simplificado de segmentação, no qual os vasos coronários são divididos em terços proximalmédio e distal é utilizado.

Artéria coronária esquerda

A artéria coronária esquerda se origina do seio de Valsava esquerdo, na raiz da aorta. O segmento inicial desse vaso termina na sua primeira bifurcação. Ele possui comprimento variável, e frequentemente é chamado de artéria coronária esquerda principal.

Ele pode ser encontrado cursando entre o apêndice atrial esquerdo e o tronco pulmonar. Conforme entra na metade esquerda do sulco atrioventricular esternocostal, o vaso sofre uma curva para a esquerda, em direção à margem direita do coração.

Antes da bifurcação, o segmento inicial do vaso geralmente não emite nenhum ramo, podendo entretanto originar uma pequena artéria para o nó sinoatrial e um ramo atrial, de maneira infrequente.

A artéria coronária esquerda tende a ser maior que a sua contraparte direita, e é responsável pela irrigação de um território mais amplo. Ela vasculariza o átrio esquerdo, a maior parte do ventrículo esquerdo, e a maior parte do septo interventricular.

A única variação desse suprimento ocorre em corações dominantes direitos, nos quais o ramo descendente posterior da artéria coronária direita irriga uma parte significativa do lado diafragmático do ventrículo esquerdo.

Ramos da artéria coronária esquerda

A artéria coronária esquerda se divide para dar origem à artéria interventricular anterior, mais conhecida como artéria descendente anterior e à artéria circunflexa esquerda. A artéria circunflexa esquerda é subdividida nas partes proximal e distal, enquanto a artéria descendente anterior é dividida nos segmentos proximal, média e distal.

artéria descendente anterior é vista como uma continuação caudal da artéria coronária esquerda. Ela cursa inferolateralmente no sulco interventricular anterior, em direção ao ápice do coração.

Com frequência essa artéria é recoberta por fibras miocárdicas, bem como por partes da veia cardíaca magna. O primeiro ramo dessa artéria é a artéria do cone arterial esquerdo, emitido próximo à sua origem, que frequentemente se anastomosa com sua contraparte contralateral, bem como com a vasa vasora da aorta e da artéria pulmonar.

A descendente anterior emite ainda as divisões ventricular anterior e septal anterior, cada uma com seus componentes direito e esquerdo. Dá origem também às divisões posteriores, correspondentes às anteriores discutidas acima. Até nove ramos ventriculares anteriores esquerdos podem se originar da artéria descendente anterior. Esses vasos cursam através da superfície esternocostal do ventrículo esquerdo.

O maior desses vasos geralmente chega até a margem cardíaca obtusa (esquerda). Por outro lado, as artérias septais anteriores se originam em um ângulo de 90° antes de cursar inferior e posterioremente para vascularizar os dois terços anteriores do septo.

Apesar de não ser incomum que a artéria descendente anterior termine no ápice do coração, é mais frequente que ela continue na superfície diafragmática e se aproxime dos ramos terminais da artéria descendente posterior, que se origina da artéria coronária direita.

O outro ramo da artéria coronária esquerda é a artéria circunflexa esquerda. Ele é sobreposto pelo apêndice atrial, proximalmente, conforme se curva à esquerda no sulco atrioventricular e cursa sobre a margem obtusa do coração.

O vaso pode dar origem a ramos atriais (divisões posterior, lateral e anterior) que irrigam o átrio esquerdo. A artéria circunflexa esquerda também origina a artéria anastomótica auricular magna, que também é conhecida como artéria anastomótica de Kugel.

Esse vaso foi descrito inicialmente em 1928 como um vaso de grande calibre que cursa pela parede do apêndice atrial e fornece vias anastomóticas diretas e indiretas entre as artérias coronárias direita e esquerda.

Uma vez na superfície diafragmática, a artéria circunflexa esquerda cursa ao longo do sulco atrioventricular diafragmático. Conforme cruza a margem obtusa, ela emite o ramo marginal esquerdo, que se divide para originar vários vasos que cruzam a borda obtusa para irrigar a parte diafragmática do ventrículo lateral. Além disso, ela emite as artérias ventriculares anterior posterior, que também suprem o ventrículo esquerdo.

Apesar de a artéria descendente posterior irrigar o ventrículo esquerdo, caso ela esteja ausente ou deficitária a artéria circunflexa esquerda pode assumir seu lugar no sulco interventricular e irrigar as estruturas ventriculares diafragmáticas.

Artéria coronária direita

A artéria coronária direita se origina do seio de Valsalva direito. Na maioria dos indivíduos, a artéria se origina como um vaso único. Entretanto, já foram observados casos em que até quatro ramos se originam do óstio coronário anterior. A artéria cursa entre o apêndice atrial direito e o tronco pulmonar em uma direção anterior, para ganhar acesso à metade direita do sulco atrioventricular.

Uma vez no sulco, o vaso então continua inferiormente, para cruzar a margem aguda (direita) do coração. Ela então entra no sulco atrioventricular diafragmático, e cursa em direção à crux cordix. Ela cruza a crux para se anastomosar com a artéria circunflexa esquerda (ramo da artéria coronária esquerda). Menos frequentemente esse vaso pode parar na margem cardíaca direita ou cursar até o ponto médio entre a crux e a margem cardíaca esquerda.

Entretanto, se o curso da artéria coronária direita for diferente do normal, é mais comum que ele substitua parcialmente a artéria circunflexa esquerda no seu trajeto até a margem cardíaca esquerda.

Ramos da artéria coronária direita

ramo do cone arterial da artéria coronária direita é o primeiro ramo desse vaso. Em alguns indivíduos ele se origina diretamente do seio coronário direito, sendo conhecido como artéria coronária terceira. Ele se ramifica anteriormente, entre a base do cone pulmonar (infundíbulo) e a parte superior do ventrículo direito.

Ele pode dar origem ao anel de Vieussens ao se anastomosar com sua contraparte contralateral (ramo do cone arterial esquerdo, que se origina da artéria descendente anterior). O anel anastomótico resultante envolve o ventrículo direito.

Os ramos ventricular anterior direito atrial se originam do próximo segmento da artéria coronária direita, que se estende do óstio coronário direito até a margem cardíaca direita. Os vasos cursam perpendiculares um ao outro em direção aos seus respectivos destinos.

As divisões atriais originadas da artéria coronária direita são subclassificadas nos ramos posterior, marginal (lateral ou direita) e anterior. As divisões marginal direita e anterior frequentemente ocorrem como vasos pareados que irrigam todo o átrio direito. Por outro lado, o ramo atrial posterior direito geralmente existe como um ramo solitário que supre tanto o átrio direito quanto o esquerdo.

divisão atrial anterior da artéria coronária direita também emite a artéria do nó sinoatrial. Ela frequentemente se estende até a camada muscular de ambos os átrios, mas cursa primariamente através do miocárdio atrial direito. Apesar da significativa variabilidade interpessoal na origem desse vaso (circunflexa esquerda, atrial marginal direita ou parte atrioventricular diafragmática direita), ele eventualmente passa entre a aorta e o apêndice atrial direito. Na base da veia cava superior a artéria do nó sinoatrial forma uma alça arterial que se ramifica para irrigar o átrio direito. O ramo da crista terminal também se origina desses vasos e irriga diretamente o nó sinoatrial.

Cerca de dois ou três ramos ventriculares anteriores cursam em direção ao ápice e se subdividem gradualmente. De forma semelhante, o segmento médio da artéria coronária direita (se estendendo do final do segmento proximal, na borda cardíaca direita, até a crux cordis) emite dois ou três pequenos ramos ventriculares posteriores. As artérias ventriculares anteriores irrigam a parte esternocostal do ventrículo direito, enquanto as artérias ventriculares posteriores irrigam a parte diafragmática do ventrículo direito.

Conforme a artéria coronária direita continua em direção à margem cardíaca direita no sulco atrioventricular esternocostal, ela origina a artéria marginal direita. Esse é um vaso calibroso que cursa ao longo da margem aguda (inferior) do coração, em direção ao ápice cardíaco.

 Ao longo do seu trajeto ela irriga as superfícies esternocostal e diafragmática do ventrículo direito. O tamanho da artéria marginal direita é inversamente relacionado ao tamanho e número de ramos ventriculares direitos que se originam dos segmentos proximal e médio da artéria coronária direita.

O segmento distal da artéria coronária direita continua sua curva sobre a margem aguda do coração no sulco atrioventricular diafragmático. Na crux cordis, o vaso então se curva para cursar inferiormente no sulco interventricular, e a partir desse ponto é chamado de artéria interventricular posterior, ou, como é mais conhecida, artéria descendente posterior.

Ela pode persistir como um vaso solitário, ou ser acompanhada uni ou bilateralmente por um ou dois ramos paralelos da artéria coronária direita. Essa artéria continua ao longo da superfície diafragmática do coração em direção ao ápice do coração, onde encontra e se anastomosa com a artéria descendente anterior, ramo da artéria coronária esquerda. Ao longo do seu trajeto, ela irriga o terço posterior do septo interventricular através de seus ramos septais.

Veias da circulação coronária

Assim como nas demais regiões do corpo, existem veias acompanhando as artérias coronárias e drenando o sangue desoxigenado dos tecidos. As veias do coração frequentemente cursam junto das artérias, levando o sangue de volta às câmaras cardíacas.

Há numerosas tributárias venosas que atravessam a superfície do coração. Elas eventualmente coalescem para formar o seio coronário, que que drena indiretamente no átrio direito. Além disso, as veias cardíacas anteriores e as pequenas veias Thebesianas drenam diretamente para o interior das câmaras cardíacas.

A disposição das vias de drenagem das veias da circulação coronária é menos previsível do que a do suprimento arterial. Em grande parte dos indivíduos, a maioria das veias (exceto as veias cardíacas anteriores e as veias Thebesianas) convergem para o seio coronário. Em outros casos, algumas das veias Thebesianas podem receber algumas das veias cardíacas anteriores antes de drenarem para o seio coronário.

Veias cardíacas anteriores

Até cinco vasos cursam no espaço subepicárdico em direção ao aspecto direito do sulco atrioventricular septal, formando as veias cardíacas anteriores. A artéria coronária direita pode ser encontrada superficial ou profunda às veias, ao longo do seu trajeto no sulco atrioventricular.

As veias cardíacas anteriores também podem receber sangue da veia marginal direita, já que ela cursa ao longo da borda cardíaca aguda. Entretanto, essa veia também já foi observada drenando de forma independente para o átrio direito, bem como para o seio coronário. As veias cardíacas anteriores são responsáveis pela drenagem do aspecto esternocostal do ventrículo direito.

Veias Thebesianas

As veias cardíacas menores são uma coleção de pequenas veias do coração. Também conhecidas como veias Thebesianas, esses vasos possuem um diâmetro de 0,5 a 2 mm. Apesar de ser difícil mapeá-las pelo coração, já foi demonstrado que elas drenam diretamente para todas as câmaras cardíacas.

Entretanto, é muito mais provável encontrá-las drenando para as câmaras direitas do que para as esquerdas.

Seio coronário

O seio coronário é uma dilatação sacular de cerca de 3 cm encontrada entre as câmaras cardíacas esquerdas. O seio começa na junção da veia cardíaca magna com a veia oblíqua do átrio esquerdo.Ele é orientado obliquamente no sulco atrioventricular posterior, sobrepondo parcialmente a crux cordis. Sua abertura no átrio direito (entre o orifício da veia cava inferior e a abertura da valva tricúspide) é protegida pela valva semilunar do seio coronário, impedindo refluxo de sangue para o sistema venoso cardíaco. Ao menos cinco outras veias drenam invariavelmente para o seio coronário.

Veia cardíaca magna

A veia cardíaca magna se origina no ápice do coração, e viaja ao longo do sulco interventricular, e em seguida do sulco atrioventricular. Ela recebe sangue da veia marginal esquerda e de outras tributárias que drenam ambos os ventrículos e o átrio esquerdo, e se esvazia na origem do seio coronário.

Veia cardíaca média

A veia cardíaca média, que também se origina no ápice do coração, cursa no sulcointerventricular posterior para se esvaziar na extremidade atrial do seio coronário.

Veia cardíaca parva

A veia cardíaca parva é um vaso único, encontrado no sulco atrioventricular posterior. Ela algumas vezes recebe a veia marginal direita ( que cursa ao longo da borda aguda do coração), e elas drenam o aspecto posterior das câmaras direitas.

Veia oblíqua do átrio esquerdo

Como o nome sugere, a veia oblíqua do átrio esquerdo apresenta um trajeto oblíquo ao longo do aspecto posterior do átrio esquerdo para se inserir na extremidade distal do seio coronário. A veia oblíqua do átrio esquerdo é um remanescente da veia cardíaca comum esquerda.

Veia posterior do ventrículo esquerdo

A veia posterior do ventrículo esquerdo se abre no centro do seio coronário. Entretanto, ela pode também se abrir na veia cardíaca magna. Ela cursa ao longo do aspecto diafragmático do ventrículo esquerdo, juntamente com a veia cardíaca média.

Referências:

  1. “Analysis Of Semantic Relations Between Multimodal Medical Images Based On Coronary Anatomy For Acute Myocardial Infarction”. Vol 12, no. 1, 2016, pp. 129-148. Korea Information Processing Society, doi:10.3745/jips.04.0021. 
  2. Cerci, R. J. et al. “Aligning Coronary Anatomy And Myocardial Perfusion Territories: An Algorithm For The CORE320 Multicenter Study”. Circulation: Cardiovascular Imaging, vol 5, no. 5, 2012, pp. 587-595. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health), doi:10.1161/circimaging.111.970608. 
  3. Gaillard, Frank. “Coronary Arteries | Radiology Reference Article | Radiopaedia.Org
  4. Habib, A. et al. “The Anatomy Of The Coronary Sinus Venous System For The Cardiac Electrophysiologist”. Europace, vol 11, no. Supplement 5, 2009, pp. v15-v21. Oxford University Press (OUP), doi:10.1093/europace/eup270. 
  5. Hood, W B. “Regional Venous Drainage Of The Human Heart.”. Heart, vol 30, no. 1, 1968, pp. 105-109. BMJ, doi:10.1136/hrt.30.1.105. 
  6. Standring, Susan, and Henry Gray. Gray’s Anatomy. 40th ed., Churchill Livingstone/Elsevier, 2008.
  7. White, James A. et al. “Fused Whole-Heart Coronary And Myocardial Scar Imaging Using 3-T CMR”. JACC: Cardiovascular Imaging, vol 3, no. 9, 2010, pp. 921-930. Elsevier BV, doi:10.1016/j.jcmg.2010.05.014.

Ateroesclerose

A aterosclerose é uma inflamação, com a formação de placas de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias do coração e de outras localidades do corpo humano, como por exemplo cérebro, membros inferiores, entre outros, de forma difusa ou localizada. Ela se caracteriza pelo estreitamento e enrijecimento das artérias devido ao acúmulo de gordura em suas paredes, conhecido como ateroma.

Com o passar dos anos, há o crescimento das placas, com estreitamento do vaso, podendo chegar à obstrução completa, restringindo o fluxo sanguíneo na região.

Com isso, o território afetado recebe uma quantidade menor de oxigênio e nutrientes, tendo suas funções comprometidas. Essa complicação é a causa de diversas doenças cardiovasculares, como infarto, morte súbita e acidentes vasculares cerebrais, representando a principal causa de morte no mundo todo.

Causas e fatores de risco

Na maioria das vezes, a aterosclerose está relacionada aos fatores de risco tradicionais, como sedentarismo, alimentação inapropriada, pressão alta, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e obesidade.

Pequena parte é de causa hereditária, como por exemplo em portadores de hipercolesterolemia familiar, em que indivíduos da mesma família têm o colesterol muito elevado desde criança.

Sintomas

A aterosclerose é uma doença perigosa, pois muitas vezes a evolução é silenciosa. Algumas pessoas só descobrem a formação de placas de gordura quando uma artéria é obstruída completamente e o paciente precisa ser atendido imediatamente. São as situações de infartos, derrames e até morte súbita.

Quando apresenta sintomas, estes vão depender principalmente da localização de acometimento. Quando afeta o coração, os mais frequentes são dores no peito (peso, aperto, queimação ou até pontadas), falta de ar e sudorese.

Diagnóstico

Em muitos casos o diagnóstico ocorre em uma situação de emergência, como por exemplo após um infarto ou derrame. Idealmente todos as pessoas deveriam procuar um médico para realizacção de exames periódios para rastreamento e tratamento dos fatores de risco para o desenvolvimento da aterosclerose.

A partir da identificação dos fatores de risco é possível determinar o risco ou probabilidade de desenvolvimento da doença. Pacientes com alta probabilidade de aterosclerose ou com sintomas compatíveis podem necessitar de avaliação através de exames mais específicos, como teste ergométrico, cintilografia, tomografia ou cateterismo.

Tratamento

O melhor tratamento para aterosclerose ainda é a prevenção, instituindo-se estilo de vida saudável e tratamento dos fatores de risco. Uma vez estabelecida, o tratamento da aterosclerose de forma geral se resume a restabelecer o fluxo sanguíneo na região afeta, sendo normalmente necessários tratamento medicamentoso, procedimentos invasivos e/ou cirurgias de revascularização.

Quando afeta o coração e seus vasos, por exemplo, é fundamental o tratamento medicamentoso com uso de antiagregantes plaquetários (como a aspirina), estatinas, vasodilatadores, entre outras medicações. Podemos também lançar mão de angioplastia e cirurgia de ponte de safena, quando bem indicado.

Prevenção

Assim como a maioria das doenças cardiovasculares, a melhor forma de prevenção é manter uma rotina que inclua exercícios físicos regulares, alimentação balanceada, cessação do tabagismo e com baixo consumo de gorduras e sal, além do controle dos fatores de risco para doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e colesterol.

Cuidados de Enfermagem

  • avaliar e aliviar as dores do paciente;
  • observar sinais vitais, principalmente pressão arterial e freqüência cardíaca;
  • ter atenção no nível de consciência e saturação;
  • monitorar cuidadosamente o débito cardíaco e manter estável;
  • instruir o paciente e a família sobre a da doença arterial coronariana;
  • instruir sobre o uso apropriado dos medicamentos e seus possíveis efeitos adversos;
  • aconselhar sobre os fatores de risco e estímulo para mudança no estilo de vida.

Referências:

  1. Ministério da Saúde

Ecocardiografia Transesofágica

ecocardiograma transesofágico é um importante exame utilizado para investigar diversas doenças cardíacas, como aterosclerose, cardiomiopatia, pericardite, entre outras.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil, sendo responsáveis por mais de 30% dos óbitos registrados.

Entretanto, quando as doenças cardíacas são diagnosticadas precocemente, é possível evitar complicações mais graves como o infarto e outras condições que podem ser fatais.

Como funciona?

No ecocardiograma, um transdutor, aparelho que envia ondas sonoras, é alocado próximo às estruturas cardíacas. Essas ondas se movem através da pele até os tecidos do coração, onde ricocheteiam ou “ecoam”.

O transdutor capta as ondas refletidas e as envia para um computador, que exibe os ecos como imagens das paredes e válvulas do coração.

ecocardiograma transesofágico (ETE) usa um tubo longo e fino (endoscópio) para guiar o transdutor pelo esôfago (“tubo alimentar” que vai da boca ao estômago).

Isso permite que o médico veja imagens do coração sem que as costelas ou pulmões atrapalhem.

Um ETE é realizado quando o médico precisa de um exame mais atento do coração ou não obtém as informações necessárias com um eco regular, feito posicionando o transdutor na superfície do tórax.

O excesso de peso ou certas doenças pulmonares, por exemplo, podem interferir nas imagens do coração quando o transdutor é colocado simplesmente na parede torácica.

Para que serve o exame ecocardiograma transesofágico?

exame ecocardiograma transesofágico é importante para verificar como as válvulas e câmaras do seu coração estão funcionando e investigar inúmeras doenças cardíacas, tais como:

  • Aterosclerose: entupimento gradual das artérias;
  • Cardiomiopatia: aumento do coração devido a adoecimento do músculo cardíaco;
  • Doença cardíaca congênita: defeitos durante a formação do coração do feto;
  • Insuficiência cardíaca: músculo cardíaco enfraquecido;
  • Doença das válvulas cardíacas;
  • Tumor cardíaco;
  • Pericardite: inflamação ou infecção do saco que envolve o coração;
  • Endocardite infecciosa: infecção do coração;
  • Dissecção aórtica: rasgo na parede da aorta;
  • Coágulo de sangue e derrame: podem se libertar e então fluir para o cérebro ou outras áreas do corpo, causando derrame ou outros problemas.

Razões adicionais pelas quais um ETE pode ser feito incluem:

  • Avaliar o coração durante cirurgia de peito aberto e também durante cirurgia não cardíaca;
  • Avaliar o coração após procedimentos como bypass da artéria coronária ou substituição ou reparo da válvula;
  • Antes da cardioversão para fibrilação atrial ou flutter atrial para se certificar de que não há coágulos presentes.

Preparo para o ecocardiograma transesofágico

É necessário realizar um jejum de 4 a 6 horas antes de realizar o exame ecocardiograma transesofágico.

Também é importante informar ao seu médico sobre:

  • Possibilidade de gravidez;
  • Medicamentos (com e sem prescrição médica) e suplementos de ervas que você está tomando;
  • Histórico de distúrbios hemorrágicos ou se estiver tomando algum medicamento anticoagulante;
  • Doença valvar cardíaca, doença cardíaca congênita ou histórico de endocardite (infecção das válvulas cardíacas);

Com base em sua condição médica, seu provedor pode solicitar preparações específicas, como um exame de sangue para testar sua capacidade de coagulação, entre outros.

Como é feito o exame ecocardiograma transesofágico?

Geralmente, isto é o que acontece em um ecocardiograma transesofágico:

Antes de iniciar o ETE

  • Você deve remover joias ou outros objetos que possam interferir no procedimento. Dentaduras ou qualquer prótese oral  serão removidas antes da inserção da sonda;
  • Pode ser necessário remover suas roupas e vestir um avental;
  • Você é solicitado a esvaziar a bexiga;
  • Uma linha intravenosa é colocada em seu braço para injetar medicamentos, se necessário.

Durante o ETE

  • Você se deita em uma cama, posicionada do lado esquerdo. Um travesseiro pode ser colocado atrás de suas costas para suporte;
  • É conectado a um monitor de eletrocardiograma (ECG) para monitorar seu coração;
  • Outros sinais vitais (pressão arterial, frequência respiratória e nível de oxigênio) serão monitorados durante o procedimento;
  • Um spray anestésico local é aplicado na parte de trás da garganta, para tornar a passagem da sonda TEE mais confortável;
  • Um protetor de mordida é colocado em sua boca;
  • Você recebe um sedativo antes do procedimento para ajudá-lo a relaxar;
  • Se indicado, o oxigênio é administrado por meio de tubos nasais;
  • A sonda TEE é passada pela boca e pela garganta;
  • Assim que a sonda estiver no lugar certo, as imagens são feitas;
  • Depois que as imagens forem feitas, a sonda será removida de sua garganta.

Após o ETE

Você será transferido para uma área de recuperação, onde enfermeiras irão monitorar sua frequência cardíaca, pressão arterial e níveis de oxigênio.

Quando o reflexo de vômito retornar, seus sinais vitais estiverem estáveis ​​e você estiver mais alerta, você será liberado.

É recomendado ter alguém que o leve para casa, pois pode se sentir fraco, ou grogue pelo resto do dia do teste. Você deve se sentir melhor no dia seguinte.

Sua garganta pode ficar dolorida por alguns dias devido à inserção da sonda ETE.

Geralmente, não há nenhum tipo de cuidado especial após o exame. No entanto, o seu médico pode dar-lhe outras instruções, dependendo da sua situação particular.

Riscos do ecocardiograma transesofágico

No geral, o ecocardiograma transesofágico é um exame simples e com poucos riscos associados. Possíveis complicações podem incluir:

  • Problemas respiratórios;
  • Problemas de ritmo cardíaco;
  • Sangramento;
  • Lesão nos dentes, boca, garganta ou esôfago.

Se você tem problemas no esôfago, como varizes esofágicas, obstrução ou estenose do esôfago ou realiza radioterapia na área do esôfago, pode não ser possível fazer um ETE. Seu médico irá avaliá-lo cuidadosamente antes de fazer o procedimento.

Pode haver outros riscos, dependendo da sua condição médica específica. Certifique-se de discutir quaisquer preocupações com seu médico antes do procedimento.

Referência:

  1. Hospital Albert Einstein