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Revisado e atualizado em 30/09/2026.
A bolsa coletora não é apenas um reservatório graduado. O modelo escolhido interfere na mobilidade do paciente, na mensuração da diurese e, principalmente, na manutenção de um sistema de drenagem seguro. Por isso, chamar todas as bolsas de “iguais” pode esconder uma diferença importante no cuidado.
Sistema fechado é o padrão para CVD
No paciente com cateter vesical de demora (CVD), a bolsa deve fazer parte de um sistema de drenagem fechado, mantendo a conexão entre cateter e coletor sem desconexões desnecessárias. A Anvisa recomenda manter o sistema fechado, preservar o fluxo urinário e posicionar a bolsa abaixo do nível da bexiga.
Por isso, o antigo conceito de “sistema aberto” como uma opção habitual para pacientes hospitalizados precisa ser revisto. Abrir ou desconectar o circuito aumenta as oportunidades de contaminação e não deve ser tratado como uma característica desejável do sistema.
Principais modelos de bolsa coletora
Bolsa de drenagem de leito
É a bolsa de maior capacidade utilizada com frequência em pacientes com CVD que permanecem no leito. Pode apresentar graduação, válvula antirrefluxo, dispositivo de coleta de amostra e torneira ou mecanismo de drenagem, dependendo do modelo.
A capacidade não é o único critério de escolha. O sistema precisa permitir drenagem contínua, permanecer abaixo da bexiga e não ficar apoiado no chão.
Bolsa de diurese horária
A bolsa com câmara de medição permite quantificar volumes menores com maior facilidade, sendo especialmente útil quando o débito urinário precisa ser acompanhado com maior frequência, como em pacientes críticos.
É importante não confundir o dispositivo com uma indicação clínica. Quem determina a necessidade de controle rigoroso da diurese é a condição do paciente; a bolsa apenas facilita essa mensuração.
Em uma UTI, por exemplo, uma pequena variação no débito urinário pode ser relevante durante o acompanhamento de um paciente instável. Nesse contexto, a câmara graduada permite observar o volume sem precisar esvaziar repetidamente toda a bolsa.
Bolsa coletora de perna
A bolsa de perna é menor e pode ser fixada ao membro inferior, favorecendo mobilidade e discrição para pacientes que necessitam de drenagem urinária durante a deambulação ou em cuidados de longa duração.
Ela não deve ser confundida com um simples dispositivo para incontinência. Sua utilização depende do tipo de drenagem urinária e do sistema compatível com o paciente. Existem modelos destinados a conexão com diferentes cateteres ou dispositivos externos, conforme especificação do fabricante.
Bolsas pediátricas e neonatais
Existem coletores de menor capacidade destinados a crianças e recém-nascidos, incluindo modelos utilizados com sistemas de drenagem urinária pediátrica. A escolha deve considerar volume esperado, graduação, conexão, fixação e características do paciente.
A Anvisa inclusive já publicou alerta relacionado a um coletor urinário neonatal fechado em razão de vazamento na conexão, mostrando por que integridade do sistema e conferência do dispositivo não são detalhes secundários.
O que muda no cuidado de enfermagem?
A bolsa deve permanecer abaixo do nível da bexiga e sem tocar o chão. O tubo não deve apresentar dobras, compressões ou pontos que dificultem o fluxo. Também não se deve deixar a bolsa excessivamente pesada, e seu esvaziamento deve ocorrer regularmente utilizando recipiente limpo e individualizado para cada paciente.
Um detalhe que frequentemente passa despercebido durante a movimentação do paciente é o posicionamento do coletor. Ao colocar alguém sentado em uma poltrona ou transferi-lo para outra cama, a bolsa pode acabar temporariamente acima da bexiga ou apoiada no chão. Esse pequeno descuido pode favorecer refluxo ou contaminação e precisa ser corrigido imediatamente.
Troca da bolsa não é rotina fixa
Não existe recomendação para trocar cateter e bolsa coletora simplesmente porque atingiram determinado número de dias. O CDC orienta que a substituição seja baseada em indicação clínica, como infecção, obstrução ou comprometimento do sistema fechado. Quando ocorre desconexão, vazamento ou quebra da técnica asséptica, o sistema deve ser substituído conforme as recomendações aplicáveis.
Também não é necessário abrir o sistema para “facilitar” a coleta de uma amostra de urina. Quando a coleta pelo CVD é indicada, deve-se utilizar o ponto próprio de amostragem, realizando a desinfecção adequada conforme protocolo.
Outro cenário comum aparece durante o banho no leito: a bolsa é colocada temporariamente sobre a cama para facilitar a movimentação e depois esquecida nessa posição. Antes de finalizar o cuidado, confira novamente se ela voltou para abaixo do nível da bexiga e se o tubo está livre de dobras.
Cuidados de enfermagem
Na rotina, confira principalmente:
- sistema fechado e conexões íntegras;
- bolsa abaixo do nível da bexiga;
- coletor fora do chão;
- tubo sem dobras ou obstruções;
- fixação adequada do cateter e do sistema;
- volume e características da urina;
- funcionamento do mecanismo de drenagem;
- sinais de vazamento, desconexão ou contaminação.
A necessidade de permanência do CVD também deve ser reavaliada diariamente. A Anvisa recomenda considerar alternativas menos invasivas sempre que possível, como cateterismo intermitente ou dispositivos externos de drenagem urinária, de acordo com a situação clínica.
A bolsa coletora é uma parte do sistema, não um acessório isolado. Quando o profissional entende essa diferença, fica mais fácil escolher o modelo adequado e evitar erros simples que comprometem a drenagem, a mensuração da diurese e a prevenção de infecções.
- Sistema fechado é o padrão para drenagem com CVD
- Bolsa de diurese horária facilita o controle de volumes urinários
- Bolsa de perna favorece mobilidade em pacientes selecionados
- Posicionamento abaixo da bexiga e manutenção do sistema fechado são essenciais
Referências
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de prevenção de infecção do trato urinário relacionada ao uso de cateter vesical de demora. Brasília, DF: Anvisa, 2025. Disponível em: Anvisa – Protocolo de prevenção de ITU relacionada ao cateter vesical.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Summary of Recommendations: Catheter-Associated Urinary Tract Infection (CAUTI). Atlanta: CDC. Disponível em: CDC – Summary of Recommendations.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Strategies to Prevent Catheter-Associated Urinary Tract Infections in Acute-Care Hospitals: 2022 Update. Atlanta: CDC, 2022. Disponível em: CDC – Strategies to Prevent CAUTI.
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Alerta 4095: Coletor de Urina Sistema Fechado (Neonatal) GMI – vazamento na conexão. Brasília, DF: Anvisa, 2023. Disponível em: Anvisa – Alerta de tecnovigilância 4095.
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