Enzimas Digestivas

A digestão é um processo fundamental para a manutenção da vida, pois garante que os alimentos ingeridos sejam transformados em nutrientes capazes de serem absorvidos e utilizados pelo organismo. Dentro dessa engrenagem complexa, as enzimas digestivas desempenham papel essencial.

Essas proteínas atuam em diferentes partes do sistema digestivo, quebrando moléculas maiores em partículas menores, como glicose, aminoácidos e ácidos graxos. O interessante é que cada região do trato digestivo possui enzimas específicas, adaptadas ao tipo de alimento que está sendo processado naquele ponto.

Para o estudante de enfermagem, compreender essa localização é essencial para reconhecer alterações digestivas e colaborar nos cuidados a pacientes que necessitam de suporte nesse processo.

Enzimas Digestivas da Boca

A digestão começa já na cavidade oral. As glândulas salivares produzem saliva, que contém a amilase salivar (ptialina). Essa enzima inicia a quebra do amido em moléculas menores de maltose.

Apesar de a boca ter um papel curto no tempo de digestão, esse primeiro contato enzimático é fundamental para preparar os carboidratos para etapas posteriores.

Enzimas Digestivas do Estômago

No estômago, o pH ácido é ideal para a ativação da pepsina, enzima que atua na digestão de proteínas, quebrando-as em peptídeos menores. A pepsina é derivada do pepsinogênio, uma forma inativa secretada pelas células principais do estômago, e só se torna ativa na presença do ácido clorídrico.

Além disso, no estômago de recém-nascidos, há presença da renina (ou quimosina), responsável pela digestão das proteínas do leite, especialmente a caseína.

Enzimas Digestivas do Pâncreas

O pâncreas é a principal glândula produtora de enzimas digestivas, liberando sua secreção no intestino delgado através do suco pancreático. Nele encontramos:

  • Amilase pancreática, que continua a digestão dos carboidratos.
  • Lipase pancreática, essencial para quebrar gorduras em ácidos graxos e glicerol, auxiliada pelos sais biliares.
  • Tripsina e quimotripsina, responsáveis por fragmentar proteínas em peptídeos menores.
  • Carboxipeptidase, que finaliza a quebra das proteínas em aminoácidos.

Esse conjunto garante que a maior parte da digestão ocorra de forma eficiente no intestino delgado.

Enzimas Digestivas do Intestino Delgado

A mucosa intestinal também contribui com a produção de enzimas, principalmente através das chamadas enzimas de borda em escova, presentes nas vilosidades do duodeno e jejuno. Entre elas, destacam-se:

  • Maltase, que converte maltose em glicose.
  • Lactase, que degrada lactose em glicose e galactose.
  • Sacarase, responsável por quebrar sacarose em glicose e frutose.
  • Peptidases, que atuam na etapa final da digestão de proteínas, transformando peptídeos em aminoácidos livres.

Essas enzimas garantem a conclusão do processo digestivo, deixando os nutrientes prontos para serem absorvidos pelas células intestinais.

Cuidados de Enfermagem

O conhecimento sobre a localização e função das enzimas digestivas auxilia o profissional de enfermagem em diferentes situações clínicas. Alguns pontos importantes incluem:

  • Reconhecimento de sinais clínicos: diarreia crônica, distensão abdominal, perda de peso e fezes gordurosas podem indicar deficiência enzimática.
  • Apoio ao diagnóstico: anotar alterações nos hábitos alimentares e sintomas pode contribuir para que a equipe médica investigue déficits enzimáticos, como a intolerância à lactose.
  • Administração de terapias enzimáticas: em pacientes com insuficiência pancreática, como nos casos de pancreatite crônica, a suplementação com cápsulas de enzimas deve ser administrada conforme prescrição, com atenção ao horário e associação correta com as refeições.
  • Orientação ao paciente: reforçar a importância da adesão ao tratamento e da alimentação adequada em condições como intolerância à lactose ou má absorção.

As enzimas digestivas são fundamentais em cada etapa da digestão, e seu funcionamento adequado depende da interação harmoniosa entre diferentes órgãos. Saber quais enzimas estão localizadas na boca, estômago, pâncreas e intestino delgado permite que o estudante e o profissional de enfermagem compreendam melhor tanto a fisiologia quanto as alterações clínicas que podem surgir.

Esse conhecimento é essencial na prática, pois garante maior segurança na assistência a pacientes com doenças gastrointestinais e melhora a adesão ao tratamento.

Referências:

  1. GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  2. MURRAY, R. K. et al. Harper: Bioquímica ilustrada. 31. ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.
  3. NATIONAL INSTITUTE OF DIABETES AND DIGESTIVE AND KIDNEY DISEASES (NIDDK). Your Digestive System & How It Works. Bethesda: NIH, 2023. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/digestive-diseases/digestive-system-how-it-works.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde no sistema digestivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 18 ago. 2025.

Fecaloma: O que é?

No cotidiano da assistência em saúde, especialmente em pacientes com mobilidade reduzida, idosos ou portadores de certas condições neurológicas, um problema intestinal pode se manifestar de forma silenciosa, mas com consequências significativas: o fecaloma.

Compreender o que é essa condição, seus fatores de risco, sinais de alerta e, principalmente, os cuidados de enfermagem essenciais, é crucial para prevenir complicações e promover o bem-estar dos nossos pacientes. Vamos juntos explorar os detalhes desse acúmulo fecal impactante.

O Que Exatamente é um Fecaloma? Uma Massa Endurecida no Intestino

Imagine o intestino grosso, responsável por processar os resíduos da digestão e formar as fezes. Em condições normais, essas fezes são eliminadas regularmente. No entanto, em algumas situações, as fezes podem se tornar ressecadas, compactadas e formar uma massa endurecida e volumosa dentro do reto ou do cólon sigmoide. Essa massa é o que chamamos de fecaloma.

Sua consistência pétrea dificulta ou impede a eliminação natural, causando um quadro de constipação severa e podendo levar a complicações importantes se não tratado adequadamente. O fecaloma não é apenas um “bolo de fezes endurecido”; ele pode exercer pressão sobre a parede intestinal, comprometer o fluxo sanguíneo local e até mesmo causar obstrução intestinal.

Quem Está Mais Suscetível? Fatores de Risco para o Desenvolvimento do Fecaloma

Embora possa ocorrer em qualquer idade, o fecaloma é mais comum em certos grupos de pacientes que apresentam fatores de risco específicos:

Idosos

Com o envelhecimento, ocorrem diversas alterações fisiológicas que podem contribuir para a constipação crônica, como a diminuição da motilidade intestinal (os movimentos que impulsionam as fezes), menor ingestão de líquidos, dieta pobre em fibras e o uso de certas medicações.

Pacientes com Mobilidade Reduzida ou Imobilizados

A falta de atividade física regular contribui significativamente para a lentidão do trânsito intestinal. Pacientes acamados, cadeirantes ou com limitações severas de movimento têm maior propensão a desenvolver fecaloma.

Pacientes com Condições Neurológicas

Certas condições neurológicas, como lesões medulares, esclerose múltipla, doença de Parkinson e acidente vascular cerebral (AVC), podem afetar o controle da função intestinal, levando à constipação e ao risco de fecaloma.

Pacientes com Distúrbios Psiquiátricos

Alguns transtornos psiquiátricos e o uso de certas medicações psicotrópicas podem alterar a motilidade intestinal e aumentar o risco de constipação crônica.

Pacientes em Uso de Certas Medicações

Diversos medicamentos podem ter como efeito colateral a constipação, incluindo opioides (analgésicos fortes), anticolinérgicos, alguns antidepressivos, antiácidos à base de alumínio e ferro.

Desidratação Crônica

A ingestão insuficiente de líquidos leva à desidratação das fezes no intestino, tornando-as mais ressecadas e difíceis de serem eliminadas.

Impactação Fecal Prévia

Pacientes que já tiveram episódios de impactação fecal (acúmulo de fezes que não evolui para fecaloma, mas causa dificuldade na evacuação) têm maior risco de desenvolver fecaloma no futuro.

Sinais de Alerta: Como Identificar um Fecaloma

A identificação precoce do fecaloma é crucial para evitar complicações. Os sinais e sintomas podem variar, mas alguns dos mais comuns incluem:

Constipação Severa e Persistente

Uma diminuição drástica na frequência das evacuações, com fezes endurecidas e dificuldade extrema para eliminar.

Dor e Desconforto Abdominal

Dor abdominal difusa ou localizada, sensação de peso ou plenitude abdominal.

Distensão Abdominal

Aumento do volume abdominal, sensação de inchaço.

Eliminação Fecal Líquida ou Semissólida (Enurese Fecal)

Paradoxalmente, pode ocorrer a eliminação de fezes líquidas ou semissólidas, que conseguem passar ao redor da massa endurecida do fecaloma, simulando diarreia.

Tenesmo

Sensação constante e dolorosa de necessidade de evacuar, mesmo após a tentativa.

Náuseas e Vômitos

Em casos mais avançados, a pressão do fecaloma pode levar a náuseas e vômitos.

Alterações no Estado Mental

Em idosos, especialmente, a impactação fecal severa pode contribuir para confusão mental, agitação ou letargia.

O Papel Essencial da Enfermagem: Cuidados Abrangentes no Fecaloma

O cuidado de enfermagem no fecaloma abrange desde a prevenção até o tratamento e o acompanhamento do paciente. Nossa atuação é fundamental para aliviar o desconforto, restaurar a função intestinal e prevenir recorrências.

Avaliação Detalhada

Realizar uma anamnese completa, investigando o histórico de hábitos intestinais do paciente, uso de medicações, dieta, ingestão de líquidos, nível de atividade física e presença de condições médicas preexistentes. Realizar um exame físico abdominal completo, incluindo inspeção, ausculta, percussão e palpação, buscando sinais de distensão, dor e a presença de massa palpável.

Monitorização dos Sinais e Sintomas

Acompanhar de perto a frequência e as características das evacuações, a presença e intensidade da dor abdominal, a ocorrência de náuseas e vômitos, e quaisquer alterações no estado geral do paciente.

Implementação de Medidas Não Farmacológicas

  • Aumento da Ingestão de Líquidos: Incentivar a ingestão adequada de água e outros líquidos para ajudar a amolecer as fezes.
  • Aumento da Ingestão de Fibras: Promover uma dieta rica em fibras (frutas, verduras, legumes, grãos integrais) para aumentar o volume das fezes e facilitar o trânsito intestinal, sempre que a condição do paciente permitir.
  • Incentivo à Mobilização: Estimular a atividade física regular, dentro das limitações do paciente, para promover a motilidade intestinal.
  • Estabelecimento de Rotina Intestinal: Auxiliar o paciente a estabelecer uma rotina regular para tentar evacuar, preferencialmente após as refeições, quando o reflexo gastrocólico está mais ativo.
  • Posicionamento Adequado: Auxiliar o paciente a adotar uma postura adequada no vaso sanitário ou no comadre, que facilite a evacuação (elevar os pés pode ajudar).

Administração de Medidas Farmacológicas (Sob Prescrição Médica)

  • Laxantes Orais: Administrar laxantes formadores de massa, emolientes, osmóticos ou estimulantes conforme a prescrição médica, observando a resposta do paciente e possíveis efeitos colaterais.
  • Supositórios e Enemas: A administração de supositórios de glicerina ou bisacodil, ou de enemas (água morna, solução salina, fosfato), pode ser necessária para tentar amolecer e facilitar a eliminação do fecaloma. A técnica de administração do enema deve ser realizada com cuidado para evitar lesões.

Remoção Manual do Fecaloma (Impacção Fecal)

Em casos de fecaloma volumoso e endurecido que não responde a outras medidas, a remoção manual pode ser necessária. Esse procedimento deve ser realizado com extrema cautela, seguindo o protocolo institucional e, idealmente, com a prescrição e supervisão médica. Envolve a introdução delicada de dedos lubrificados no reto para fragmentar e remover a massa fecal. É um procedimento desconfortável e pode causar dor, sangramento e estimulação vagal (levando à bradicardia e hipotensão). Monitorização dos sinais vitais antes, durante e após o procedimento é essencial.

Cuidados com a Pele Perianal

A eliminação frequente de fezes líquidas ao redor do fecaloma pode causar irritação e lesões na pele perianal. Realizar higiene perineal meticulosa após cada episódio de incontinência, utilizando produtos suaves e aplicando cremes de barreira para proteger a pele.

Educação do Paciente e da Família

Orientar o paciente e seus familiares sobre as causas do fecaloma, a importância da prevenção através de hábitos intestinais saudáveis (ingestão de líquidos e fibras, atividade física), o uso correto de laxantes (se prescritos) e os sinais de alerta para recorrência.

Monitoramento e Prevenção de Recorrências

Após a resolução do fecaloma, é crucial implementar estratégias para prevenir novos episódios, identificando e abordando os fatores de risco individuais do paciente. Isso pode envolver a manutenção de uma rotina intestinal regular, ajuste da dieta e da ingestão de líquidos, revisão da medicação e, em alguns casos, o uso regular de laxantes suaves sob orientação médica.

O fecaloma, embora muitas vezes subestimado, pode ter um impacto significativo na qualidade de vida e na saúde dos nossos pacientes. A atenção diligente da equipe de enfermagem, desde a identificação dos fatores de risco até a implementação de cuidados individualizados e a educação do paciente, é fundamental para prevenir, tratar e evitar a recorrência dessa condição.

Referências:

  1. Huff, J. S., &っておくべきこと, P. (2023). Fecal Impaction. In StatPearls. StatPearls Publishing. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK431093/
  2. Wald, A. (2020). Approach to chronic constipation in adults. UpToDate. Retrieved from https://www.uptodate.com/contents/approach-to-chronic-constipation-in-adults
  3. National Institute on Aging. (2023). Constipation. https://www.nia.nih.gov/health/constipation

Hidrocolonterapia

A Hidrocólon, conhecida também como Hidrocolonterapia ou Hidroterapia do Cólon, é uma limpeza completa do cólon (intestino grosso), através de um banho suave com água morna, previamente filtrada e purificada.

Trata-se de um procedimento terapêutico – realizado através de um equipamento específico – que envia água sem drogas ou produtos químicos, desde o reto até o apêndice.

Como funciona?

O paciente fica deitado de forma confortável enquanto a água percorre o Cólon limpando todos os detritos. Com a participação das massagens do profissional, o peristaltismo intestinal é estimulado a colocar para fora os resíduos por meio de uma mangueira à cânula.

Este sistema evita odores desagradáveis e preserva a dignidade do paciente, que permanece em uma posição cômoda em uma maca, enquanto os resíduos acumulados no intestino grosso são eliminados, através de material descartável evitando qualquer possibilidade de contaminação. Esta limpeza é completamente segura, indolor, benéfica e não tóxica.

O procedimento para a sessão da Hidrocolonterapia conta com um sistema fechado de lavagem intestinal, com monitorização de temperatura, pressão e volume.

O visor do aparelho permite observar os conteúdos intestinais eliminados, facilitando o acompanhamento de cada paciente. O número e a frequência das sessões de Hidrocolonterapia dependem da situação de cada paciente. Após a sessão, é feita uma reposição de lactobacilos.

Indicações da Terapia

É indicado para pessoas submetidas a tratamentos com medicinas biológicas, terapias de reativação química e de regeneração orgânica e celular. Com relação à idade, a hidrocólon pode ser feita em crianças a partir dos nove anos, adolescentes, homens e mulheres, adultos ou idosos.

Contra Indicações

  • Enfermidades cardíacas severas;
  • Hipertensão arterial não controlada;
  • Aneurisma;
  • Hemorragia ou perfuração do trato intestinal;
  • Hemorróidas severas;
  • Carcinoma de cólon;
  • Fístulas e fissuras no cólon;
  • Gravidez a partir dos 4 meses;
  • Insuficiência renal;
  • Cirurgia recente do cólon.

Frequência da Terapia

Para um processo de desintoxicação do intestino grosso, são necessárias de 3 a 5 sessões. Para processos pré-cirúrgicos são recomendadas 3 sessões.

Para eliminação das placas (fezes negras antigas e mucos que ficam acumulados e aderidos nas paredes e vilosidades intestinais), são necessárias aproximadamente 10 sessões.

As sessões de hidrocólon duram cerca de 40 minutos e são seguidas por enemas de retenção (irrigação do cólon com fitoterápicos) e compressas abdominais de argila, que auxiliam no procedimento.

No final de cada sessão é feita uma renovação da flora intestinal. Uma sessão completa dura 1 hora e 30 minutos. Os demais procedimentos também têm duraçao de aproximadamente 1 hora e 30 minutos cada sessão.

A mangueira utilizada é transparante, o que possibilita à pessoa poder acompanhar a sua evolução e a necessidade de outras sessões, de acordo com a cor, consistência e aspecto das fezes.

Dependendo do número de sessões realizadas e dos hábitos alimentares, a pessoa refaz o procedimento no período de 6 meses a 1 ano ou realiza algumas manutenções quando achar necessário.

Referência:

  1. Hidrocolon – Colonterapia

Cirurgia Bariátrica

A cirurgia bariátrica, também conhecida como cirurgia da obesidade, cirurgia metabólica ou redução de estômago, reúne técnicas com respaldo científico destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de gordura corporal ou agravadas por ele.

O conceito metabólico foi incorporado pela importância que a cirurgia adquiriu no tratamento das doenças associadas, principalmente no diabetes e na hipertensão arterial.

Os benefícios da cirurgia bariátrica são perda de peso, remissão das doenças associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão, aumento da longevidade e melhoria na qualidade de vida.

Os riscos são os mesmos de outras cirurgias abdominais, por isso deve ser feita em hospital com estrutura adequada e por médicos especialistas.

Vale lembrar, porém, que apesar dos inúmeros benefícios a cirurgia bariátrica é apenas o primeiro passo de uma jornada rumo a uma vida saudável.

O paciente precisará passar por uma mudança de hábitos, abandonando antigos costumes nocivos e adotando uma forma de vida mais saudável, que inclui dieta equilibrada e prática de exercícios.

Indicação

A cirurgia da obesidade é indicada para pacientes que se encaixam em parâmetros determinados pelo Índice de Massa Corporal (IMC), que é calculado dividindo-se o peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado.

Indica-se tratamento cirúrgico aos pacientes com IMC:

  • acima de 40;
  • entre 35 e 40 na presença de doenças associadas (hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apnéia do sono, osteopatias, dislipidemia, etc…).

Não há restrições em relação à idade, para pessoas entre 18 e 65 anos. Em adolescentes e idosos, considerados casos de exceção, recomenda-se uma avaliação detalhada feita pelo cirurgião e por uma equipe multidisciplinar. A família deve acompanhar o paciente durante todo o período, especialmente na recuperação.

Tipos de Bariátrica

Os principais tipos são:

  • Banda gástrica ajustável: consiste em colocar um anel de silicone em volta do estômago, diminuindo seu tamanho e limitando a ingestão de alimentos. É o tipo menos invasivo e permite ajustar o tamanho do anel conforme a necessidade do paciente. Porém, tem uma perda de peso menor e pode causar complicações como deslizamento ou infecção do anel.
  •  Gastrectomia vertical ou sleeve: consiste em retirar cerca de 80% do estômago, deixando-o em forma de tubo. É um tipo irreversível que reduz a capacidade do estômago e a produção de hormônios que estimulam a fome. Tem uma perda de peso maior que a banda gástrica e menos complicações nutricionais que o bypass. Porém, pode causar refluxo, sangramento ou vazamento da sutura do estômago.
  • Bypass gástrico: consiste em dividir o estômago em duas partes, sendo uma menor que se conecta diretamente ao intestino delgado, formando um desvio. É um tipo misto que reduz a capacidade do estômago e a absorção de calorias pelo intestino. Tem uma perda de peso maior que os outros tipos e melhora doenças como diabetes e hipertensão. Porém, é irreversível e pode causar deficiências nutricionais, úlceras ou obstruções intestinais.
  • Derivação biliopancreática: consiste em retirar parte do estômago e do intestino delgado, deixando apenas uma pequena porção para a digestão dos alimentos. É um tipo predominantemente disabsortivo que reduz drasticamente a absorção de calorias pelo intestino. Tem uma perda de peso muito grande e pode ser indicado para casos de obesidade extrema. Porém, é irreversível e pode causar diarreia, desnutrição, cálculos biliares ou osteoporose.

Antes, Durante e Depois

Atualmente a cirurgia bariátrica é um procedimento bastante seguro e que além da perda de peso e melhora das doenças associadas e leva a melhora na qualidade de vida.

Pré-Operatório

O preparo pré-operatório otimiza a segurança e os resultados da cirurgia bariátrica. É pedido ao paciente que se esforce para perder um pouco de peso antes da cirurgia, pois alguns quilos a menos podem oferecer melhores condições à anestesia geral e à operação.

No pré operatório, o paciente deve realizar uma série de exames como endoscopia digestiva, ultrassom abdominal e exames de sangue, além de passar em consulta com todos os profissionais da equipe multidisciplinar (cirurgião, nutricionista, psicóloga ou psiquiatra, endocrinologista e cardiologista).

A Cirurgia

Na operação por laparoscopia são realizadas de cinco a sete furinhos. Insufla-se a cavidade abdominal com gás carbônico, criando assim espaço dentro dela para que o cirurgião possa trabalhar com o auxilio de uma videocâmera, instrumentos e grampeadores especiais.

A cirurgia leva de 1h a 2 h, em média, e o paciente recebe alta em 36 horas.

Pós-Operatório

O paciente deve fazer consultas e exames periódicos no pós operatório. Além das consultas com o cirurgião, o acompanhamento com o endocrinologista, a nutricionista e a psicóloga são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Nas operações realizadas por videolaparoscopia, o período pós operatório costuma ser tranquilo, com pequeno desconforto nos locais das incisões. É muito importante salientar que a dieta líquida deve ser seguida rigorosamente nos primeiros dias. Após esse período, haverá nova orientação nutricional com evolução da dieta. Em decorrência da restrição gástrica, mínimas quantidades de alimento várias vezes ao dia são suficientes para gerar saciedade plena.

Apesar de raras, hoje em dia, a cirurgia pode gerar complicações como infecção, tromboses, deiscências (separações) de suturas, fístulas (desprendimento do grampos), obstrução intestinal, hérnia no local do corte, abscessos (infecções internas) e pneumonia. Portanto, um bom preparo pré-operatório e uma boa equipe cirurgia são importantes para melhores resultados.

Referências:

  1. https://www.tuasaude.com/obesidade-e-cirurgia-bariatrica/
  2. https://www.minhabariatrica.com.br/tipos-de-cirurgia-bariatrica/
  3. https://www.cirurgiabariatricaconvenio.com.br/quais-sao-os-tipos-de-cirurgia-bariatrica-e-qual-e-o-melhor-para-voce

Classificação de Johnson: Úlcera Péptica

A doença ulcerosa péptica é um defeito da mucosa, seja gástrica ou duodenal, podendo se estender além dela. Aproximadamente 70% das úlceras são assintomáticas, podendo ser descobertas apenas nas complicações, como hemorragia ou perfuração.

Quando sintomática, apresenta geralmente dor abdominal no hipocôndrio direito ou esquerdo. Classicamente, na úlcera duodenal, a dor ocorre 2 a 5 horas após a refeição e à noite.

Outros sintomas são empachamento pós-prandial, saciedade precoce, náuseas, pirose e regurgitação. O diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica e estabelecido com a visualização da úlcera na endoscopia digestiva alta.

A Classificação de Johnson

Como é investigado

Realizada através da endoscopia digestiva alta que avalia a mucosa associada a biópsia para estudo histopatológico. Lembre-se que toda úlcera gástrica deve ser biopsiada para afastar a hipótese de ser câncer.

O controle de cura de úlcera gástrica ou duodenal será realizado após quatro a oito semanas. No caso de úlcera duodenal o controle de cura não precisa ser obrigatoriamente endoscópico, podendo ser realizado por métodos não invasivos (teste rápido da urease, pesquisa do antígeno fecal etc).

A Classificação

  • Tipo I (60-70%): pequena curvatura junto a incisura angularis – normo ou hipocloridria;
  • Tipo II (15%): gástrica ou duodenal – hipercloridria;
  • Tipo III ( 20%): pré-pilórica até 3 cm do piloro – hipercloridria;
  • Tipo IV (<5%): úlcera alta, corpo proximal ou cardia – normo ou hipocloridria; e
  • Tipo V: várias úlceras, em qualquer região, causadas por ANES.

Tratamento Clínico

O tratamento é baseado no uso de IBPs, que geram melhora dos sintomas clínicos e levam a cicatrização da mucosa. Como adjuvante em alguns casos mais graves, podem ser utilizados citoprotetores como o sucralfato, misoprostol, bicarbonato de sódio, hidróxido de alumínio e bloqueadores H2.

Referência:

  1. Giordano-Nappi, José e Maluf Filho, FauzeAspectos endoscópicos no manejo da úlcera péptica gastroduodenal. Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões [online]. 2008, v. 35, n. 2 [Acessado 12 Maio 2022] , pp. 124-131. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0100-69912008000200010&gt;. Epub 27 Maio 2008. ISSN 1809-4546. https://doi.org/10.1590/S0100-69912008000200010.

Fístula Digestiva

As Fístulas Digestivas são comunicações anormais entre dois epitélios através de um trajeto. Este trajeto pode comunicar duas vísceras ocas ou uma víscera com a pele.

Etiologia

Causas

As principais causas das fístulas digestivas são:

  • Doenças inflamatórias intestinais;
  • Doença de Crohn;
  • Tuberculose intestinal;
  • Blastomicose sul-americana;
  • Complicações operatórias de intervenções cirúrgicas intra-abdominais;
  • Abscessos;
  • Traumas;
  • Isquemia;
  • Irradiação de tumores.

Outros Fatores

Vários fatores podem predispor ao surgimento de fístulas digestivas pós-operatórias:

Fatores gerais:

  • Desnutrição – fator risco importante para pacientes cirúrgicos, fazer suporte nutricional pré-operatório;
  • Idade;
  • Presença de doenças crônicas;
  • Presença de doenças neoplásicas;
  • Paciente com uso de corticoterapia;

Fatores locais:

  • Intervenção sobre órgãos com processos inflamatórios;
  • Intervenção sobre órgão com processos neoplásicos;
  • Lesão visceral por irradiação prévia;

Fatores ligados a dificuldades técnicas:

  • Lesões viscerais acidentais;
  • Esquecimento de corpos estranhos;
  • Deiscências de sutura intestinal;
  • Inclusão de intestino no fechamento da parede;
  • Deiscência da sutura da parede abdominal

Fisiopatologia

Os transtornos dependem de algumas variáveis como a etiologia e o tipo de fístula (drenagem interna ou externa), a localização anatômica e o débito da fístula (qualidade e quantidade de líquido perdido). Principais transtornos acarretados pelas fístulas digestivas:

  • Distúrbios hidroeletrolíticos;
    • Infecção;
    • Intra-abdominal;
      • Peritonite;
      • Abscessos intra-abdominais;
  • Outros locais:
    • Infecção de ferida cirúrgica;
    • Infecção pulmonar;
    • Septicemia;
  • Lesões cutâneas:
    • Complicações tromboembólicas;
    • Pulmonares;
    • Cerebrais;
    • Hemorragia digestiva;
    • Escaras de decúbito;
    • Obstrução intestinal;
    • Desnutrição;
  • Desnutrição

As fístulas digestivas altas (aquelas que acometem o estômago, duodeno ou gastrojejunais – até o ligamento de Treitz) são as que mais favorecem ao estabelecimento de processos infecciosos intra-abdominais de alta gravidade.

A desnutrição é a principal causa de óbito a médio e longo prazo nos paciente com fístulas digestivas. A desnutrição, tornando-se grave pode tornar o indivíduo mais suscetível a um processo infeccioso tardio. Os pacientes que possuem fístulas digestivas possuem excelentes condições para o desenvolvimento de desnutrição.

Mecanismos da desnutrição nas fístulas digestivas:

  • Restrição alimentar;
  • Catabolismo inerente ao jejum;
  • Estado hipermetabólico;
  • Doença básica;
  • Trauma cirúrgico;
  • Infecção;
  • Outras complicações associadas;
  • Perda protéica intestinal por perda de sucos digestivos (a quantidade de proteína produzida endogenamente e secretada dentro do tubo digestivo, diariamente, é duas a três vezes a quantidade recebida de fontes exógenas, através de uma dieta normal)

Classificação das Fístulas

As fístulas são classificadas segundo o seu trajeto e segundo o débito em 24 horas, conforme abaixo:

Quanto ao Trajeto:

  • Fístulas internas:comunicação entre vísceras ocas adjascentes
  • Fístulas externas (enterocutânea): comunica uma alça intestinal com a superfície do corpo.

Quanto ao débito em 24 horas (Chemin)

  • Alto débito: perda acima de 500ml ao dia;
  • Médio débito: perdas entre 200 e 500ml ao dia;
  • Baixo débito: perdas inferiores a 200ml ao dia.

Quando o débito é alto, podem ocorrer complicações como:

  • Perda de fluídos, eletrólitos, energia, proteínas, vitaminas;
  • Desidratação
  • Desequilíbrio ácido básico e eletrolítico;
  • Desnutrição – especialmente se a reposição das perdas não for adequada.

Tratamento

Ao se iniciar o tratamento de pacientes com fístulas digestivas, devem-se observar os seguintes aspectos:

Reposição volêmica: para pacientes com fístulas de alto débito, a perda de líquidos e eletrólitos pelo orifício fistuloso espolia o pacientes, levando-o a desidratação (hipovolemia) e também a distúrbios do metabolismo eletrolítico e ácidobásico.

Portanto, é necessária a reposição de volume com soluções eletrolíticas balanceadas (ringer lactato), sendo monitorada a pressão arterial e a reposição de eletrólitos deve ser baseada nas dosagens diárias desses elementos bem como na gasometria arterial.

Combate à sepse: a sepse, principalmente na presença de desnutrição, é a principal responsável pela mortalidade das fístulas digestivas. É importante a drenagem e trajetos fistulosos e abscessos e antibioticoterapia.

Outros Fatores

Fator Favorável Desfavorável
Característica da Fístula Trajeto fistuloso longo, continuidade intestinal, ausência obstrução Trajeto fistuloso curto, eversão da mucosa, doença intestinal adjacente, evisceração, oclusão distal, defeito

parede abdominal

Órgão de origem  

Bílio-pancreática / Cólon / Gástrica

 

Duodeno/ Jejuno Ileal
Sepse Ausente Presente
Etiologia DII Malignidade / falha de anastomose
Origem do pcte Mesmo hospital Transferido
Débito < 500 ml / dia > 500ml / dia
Desnutrição Ausente Presente
Duração fístula Aguda Crônica

Uma fístula de baixo debito distal tem maior probabilidade de fechamento espontâneo (sem cirurgia) do que uma de alto debito mais proximal. As fistulas associadas a neoplasia maligna tem chance mínima de fechamento espontâneo.

Manejo Clínico

  • Correção dos distúrbios eletrolíticos e ácido básico;
  • Descompressão nasogástrica;
  • Redução do debito fistuloso

Terapia Nutricional (TN)

A TN tem como objetivo melhorar o estado nutricional ou impedir que ele se deteriore. Com relação a TN devem ser observadas as seguintes considerações:

  • as fístulas de alto débitos (>500ml/dia) devem ser inicialmente tratadas com nutrição parenteral total;
  • Nas fístulas altas (esofágicas e segundo Chemin também em estômago e duodeno) ou baixas e naquelas em que se consegue passar uma sonda distalmente a ela, pode-se empregar a nutrição enteral, ou até mesmo jejunostomia;
  • se o débito aumentar muito com o uso da nutrição enteral, deve-se voltar para nutrição intravenosa (parenteral) exclusiva;
  • Supressão da secreção gástrica com octreotite, inibidores de bomba de prótons e de H2;
  • Proteção da pele;
  • Diagnostico e controle de infecção;
  • Reabilitação intensiva (internação em CTI);
  • Terapia Nutricional;
  • Quando não há possibilidade de alimentação oral em 07 dias, há indicação de enteral e parenteral, conforme localização da fístula;
  • Quando a fístula é na região do Ângulo de Treitz (jejuno) é possível optar pela sonda em posição gástrica;
  • Sempre que possível deve-se priorizar a nutrição enteral e não há consenso na literatura se as fórmulas oligoméricas teriam vantagem pela maior digestibilidade.

Complicações

As complicações mais graves estão relacionadas a sepse, síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS), tromboembolismo, hemorragia digestiva alta, distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos e desnutrição além das possíveis complicações da NE e da NPT.

Referência:

  1. Moreira GR, Rodrigues MAG, Correia MITD. Fístulas Digestivas. Rev Cienc Saude [Internet]. 7º de julho de 2019 [citado 29º de abril de 2022];9(2):9-16. Disponível em: http://186.225.220.186:7474/ojs/index.php/rcsfmit_zero/article/view/780

Gastroplastia em Y de Roux

A cirurgia bariátrica (gastroplastia) mais realizada no Brasil e no mundo atualmente é o Bypass Gástrico em Y de Roux ou Cirurgia de Fobi-Capella. É uma cirurgia que reduz o tamanho do estômago dividindo-o em dois, sendo assim, a parte maior é separada e não recebe mais alimentos.

Já a parte menor, que tem cerca de 30 ml é ligada diretamente a uma parte do intestino. Como o trajeto do alimento é reduzido, sua absorção também diminui. Como a parte do estômago que recebe o alimento fica bem menor, o paciente tem a sensação de saciedade mais cedo.

Efetividade

É uma das técnicas que apresenta melhor efetividade, porque a perda de peso é controlada podendo chegar a 40% do peso inicial. Nos 30 dias seguintes da cirurgia bariátrica, o paciente deve só se alimentar com líquidos. Só depois que os alimentos sólidos são introduzidos à dieta, sempre com orientação do cirurgião bariátrico e de um nutricionista.

O bom resultado da cirurgia bariátrica se dá através de um conjunto de fatores, entre eles: atividade física, redução da ingestão de calorias devido a menor capacidade do estômago e alterações anatômicas que, por exemplo, ocasiona uma alteração hormonal que auxilia na redução de apetite do paciente.

Como é feito?

O estômago é diminuído através de grampeamentos, sem retirar nenhuma parte do estômago nem do intestino – é apenas um desvio – reduzindo o espaço para o alimento e desviando o intestino inicial, o que acarreta alterações hormonais que dão saciedade e diminuem a fome.

Esses dois fatores juntos, a menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade, além das mudanças de hábitos de vida orientadas pela equipe multidisciplinar, levam ao emagrecimento e controlam as doenças associadas, como a hipertensão arterial e o diabetes.

Pode ser realizada por videolaparoscopia ou aberta (por corte), podendo ser com anel ou sem anel. O anel de Silastic pode ser colocado, mas não é obrigatório e pode até ser contraindicado em algumas situações.

Alguns cuidados

  • Ingestão correta de líquidos, para que não ocorra desidratação ou formação de cálculo renal, o consumo de comidas muito calóricas pode ocasionar tonturas e diarreias e por isso deve ser evitado;
  • A reposição oral de vitaminas também deve ser feita, já que ocorre a alteração no caminho do alimento e a absorção de nutrientes pode estar diminuída;
  • Orientar o paciente a monitorar sinais de desconforto respiratório, febre e acúmulo de secreções;
  • Enfatizar a importância de não ingerir líquidos 15 minutos antes de cada refeição e até 90 minutos depois, para evitar desconforto gástrico, pois beber e comer juntos aumenta a distensão gástrica, o que resulta em sensação de estofamento e até vômitos. Reforçar que a ingestão de líquidos que, além de evitar a desidratação, auxilia na
    perda de peso, deve ser feita gradativamente de acordo com a capacidade gástrica;
  • Avaliar débito urinário no sistema de drenagem fechada ou o desejo do paciente e a distensão vesical;
  • Auscultar o abdome para determinar a presença e a localização dos ruídos hidroaéreos; Monitorizar presença de íleo paralítico (os ruídos hidroaéreos deverão retornar em média de 6 a 12 h após a cirurgia), flatulência, distensão abdominal;
  • Orientar o paciente a comunicar desconforto em região supra púbica;
  • Registrar a coloração, o odor, a consistência, a quantidade e a frequência das evacuações;
  • Verificar presença, aspecto, características e frequência de eliminações intestinais;
  • Observar e anotar eliminações e outras perdas como: diurese, vômitos, débitos de drenos, ingestão hídrica;
  • Medir diariamente o débito do dreno de Blake; – Comunicar à equipe médica para tomar as condutas necessárias, como a necessidade de sondagem vesical de alívio;
  • Reforçar que a atividade física é muito importante para os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica, pois a perda de peso será mais rápida;
  • Orientar o paciente para que evite esforços físicos excessivos nos primeiros 90 dias. Caminhadas leves, de curta distância (pela manhã, próximo ao almoço e à tarde), poderão ser feitas conforme a resistência, progredindo lentamente, aumentando 01 minuto por dia;
  • Motivar e estimular a participação do paciente nas atividades de autocuidado;
  • Estimular o paciente a participar de atividades de lazer logo que possível;
  • Explicar a importância das estratégias para manter o sono eficaz.

Referências:

  1. BARTH, M. M ; JEFERSON, C. E. Cuidados de enfermagem pós-operatória de pacientes com bypass gástrico. American Journal of Critical Care, v.15, n. 4, jun., 2006. 
  2. FONTES, Helio Augusto. Gastroplastia – O que é essa cirurgia, como é feita, resultados. Disponível em: < http://www.copacabanarunners.net/gastroplastia.html&gt; .
  3. MOREIRA, Rosa Aparecida Nogueira et al. Diagnósticos de enfermagem, fatores relacionados e de risco no pós-operatório de cirurgia bariátrica. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 47, n. 1, p. 168-175, 2013.
  4. NEGRÃO, Renata de Jesus da Silva. Cirurgia bariátrica: revisão sistemática e cuidados de enfermagem no pós-operatório. 2006. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.
    NIBI, Fabiana Aparecida. Cuidados intensivos no pós-operatório imediato de cirurgia bariátrica. Revista Uninga. Maringa: PR. 2014.

Anemia Perniciosa

A anemia perniciosa é um tipo de anemia megaloblástica causada pela falta da vitamina B12 (ou cobalamina) no organismo.

A anemia perniciosa faz parte do grande grupo de anemias megaloblásticas que são causadas pela deficiência da vitamina B12 no organismo. No entanto, só recebe este nome quando ocorre má absorção desta vitamina no intestino.

A vitamina B12 faz parte do processo de produção dos glóbulos vermelhos e, na sua deficiência, há menor quantidade de hemácias sendo produzidas.

Causas

A anemia perniciosa é causada pela ausência do fator intrínseco,  proteína especial, onde a vitamina B12 se liga para ser absorvida pelo trato gastrointestinal.

A falta do fator intrínseco pode ser causado por gastrite atópica, fatores hereditários, doença celíaca, acidúria metilmalônica (doença hereditária que afeta o metabolismo), cirurgia bariátrica, tratamento da tuberculose com base no ácido para-aminosalicílico e má nutrição na infância.

Existe também a possibilidade de que a ausência do fator intrínseco possa estar relacionada a uma doença autoimune, na qual os anticorpos que deveriam proteger o organismo de agentes invasores acabam por destruir células e tecidos saudáveis do corpo por engano.

Sintomas

As pessoas com anemia perniciosa muitas vezes não apresentam sintomas e algumas vezes os sintomas podem nem ser notados. No entanto, a ausência da vitamina B12 no corpo pode causar diarreia, constipação, fadiga, palidez, déficit de atenção, perda de apetite, inchaço na língua, sangramento da gengiva e dificuldade de respiração.

Além disso, se o paciente permanecer muito tempo com a anemia perniciosa não tratada, outros sintomas e sinais podem aparecer, como confusão mental, depressão, perda de equilíbrio, dormência e formigamento nas mãos e nos pés.

Tratamento

A anemia perniciosa tem cura e o tratamento é focado em aumentar os níveis de vitamina B12 no organismo. O tratamento é feito através da injeção mensal da B12 no organismo. Se o nível de vitamina do paciente for muito baixo, o médico pode recomendar injeções mais de uma vez por mês.

No entanto, algumas pessoas não respondem bem às injeções, desta maneira,  o paciente deve tomar suplementos de vitamina B12 via oral. Além disso, pode ser recomendado o uso de ácido fólico para prevenir consequências neuronais.

É importante também que o paciente consulte um nutricionista para ter uma orientação melhor sobre quais alimentos ingerir. Temos alguns exemplos, são eles: carne vermelha, marisco, ovos e queijo são alimentos ricos em vitamina B12.

Referência:

  1. USP

Gastroenterite

A gastroenterite ou GECA é uma inflamação do revestimento gástrico e dos intestinos grosso e delgado. É normalmente causada pela infecção por um micro-organismo, mas também pode ser causada pela ingestão de toxinas químicas ou medicamentos.

A gastroenterite geralmente é causada por uma infecção, mas também pode ser causada pela ingestão de toxinas ou medicamentos. Normalmente, as pessoas apresentam diarreia, náusea, vômito e dor abdominal.

A gastroenterite normalmente consiste em diarreia leve a grave, que pode ser acompanhada de perda de apetite, náusea, vômito, cólicas e desconforto abdominal.

Apesar de a gastroenterite normalmente não ser grave em adultos saudáveis e causar apenas desconforto e incômodo, ela pode causar desidratação com risco à vida e desequilíbrio eletrolítico em pessoas muito doentes ou enfraquecidas, crianças muito pequenas e idosos.

Causas

As causas mais comuns de gastroenterite são:

  • Vírus (mais comum)
  • Bactérias
  • Parasitas

Outras causas são:

  • Toxinas químicas
  • Medicamentos

As infecções que causam gastroenterite podem ser transmitidas de pessoa para pessoa, especialmente se as pessoas com diarreia não lavarem bem as mãos depois de evacuarem.

A infecção também pode ocorrer se as pessoas tocarem a boca após tocarem em um objeto (como fralda ou brinquedo) contaminado por fezes infectadas. Todas as formas de transmissão envolvendo fezes infectadas são denominadas transmissão fecal-oral.

Uma pessoa ou, em algumas ocasiões, muitas pessoas (caso em que o surto da doença é denominado epidemia) podem também ser infectadas ao ingerirem alimentos ou beberem água contaminada por fezes infectadas.

A maioria dos alimentos podem ser contaminados com bactérias e causar gastroenterite se não cozidos completamente ou pasteurizados. Às vezes, água contaminada é ingerida de forma inesperada, como ao nadar em lago contaminado por fezes de animais ou em uma piscina contaminada por fezes humanas.

Em alguns casos, a gastroenterite é adquirida pelo contato direto com animais portadores do micro-organismo infeccioso.

Tipos de Gastroenterite

Vírus

Certos vírus infectam as células do revestimento do intestino delgado, onde se multiplicam, causando diarreia líquida, vômito e febre. Quatro categorias de vírus são as principais causadoras de gastroenterite: norovírus, rotavírus e, com menos frequência, astrovírus e adenovírus entérico (intestinal).

Pessoas de todas as idades podem ser infectadas por norovírus. A maioria das pessoas são infectadas após a ingestão de alimentos ou água contaminados.

Como o norovírus é altamente contagioso, a infecção pode facilmente ser transmitida por contato direto. O vírus causa a maioria dos casos de epidemia de gastroenterite em cruzeiros e casas de repouso.

Orotavírus é a causa mais comum de diarreia grave com desidratação em crianças pequenas em todo o mundo.

Ele geralmente afeta bebês entre três e quinze meses. O rotavírus é altamente contagioso. A maioria das infecções ocorre por transmissão fecal-oral. Adultos podem ser infectados após contato próximo com um bebê infectado, mas a doença geralmente é leve.

Em regiões de clima temperado, a maioria das infecções ocorre no inverno.

O astrovírus pode infectar pessoas de todas as idades, mas geralmente afeta bebês e crianças pequenas. A infecção é mais comum no inverno e é disseminada por transmissão fecal-oral.

O adenovírus afeta mais comumente crianças com menos de dois anos de idade. As infecções ocorrem o ano todo e aumentam levemente no verão. A infecção ocorre por transmissão fecal-oral.

Outros vírus (como, por exemplo, citomegalovírus e enterovírus ) podem causar gastroenterite em pessoas com sistema imunológico comprometido.

Bactérias

A gastroenterite bacteriana é menos comum do que a gastroenterite viral. As bactérias causam gastroenterite de várias maneiras. Algumas espécies como, por exemplo, a Vibrio cholerae e cepas enterotoxigênicas de Escherichia coli (E. coli) se aderem ao revestimento intestinal sem invadi-lo e produzem enterotoxinas.

Essas toxinas fazem com que o intestino secrete água e eletrólitos, resultando em diarreia líquida.

Algumas bactérias (como, por exemplo, determinadas cepas de E. coli , Campylobacter , Shigella e Salmonella e Clostridium difficile ) invadem o revestimento do intestino delgado ou do cólon.

Nessa região, as bactérias danificam as células do revestimento e provocam feridas pequenas (ulcerações) que sangram e permitem considerável exsudação de líquidos que contêm proteínas, eletrólitos e água. A diarreia contém glóbulos brancos e vermelhos e, ocasionalmente, sangue visível.

Salmonella e Campylobacter são ambas as infecções são mais frequentemente adquiridas pelo consumo de aves mal cozidas. Leite não pasteurizado também é uma possível fonte. Campylobacter ocasionalmente é transmitida por cães ou gatos com diarreia.

Salmonella pode ser transmitida pelo consumo de ovos mal cozidos e pelo contato com répteis (como tartarugas ou lagartos), pássaros ou anfíbios (como sapos e salamandras).

As bactérias do gênero Shigella também são transmitidas por contato direto (especialmente em creches), embora epidemias transmitidas por alimentos também possam ocorrer.

É provável que, atualmente, a Clostridium difficile seja a causa mais comum de diarreia que ocorre após tratamento com antibióticos ( Gastroenterite como efeito colateral de medicamentos ). No entanto, às vezes, ocorre em pessoas que não foram tratadas com antibióticos.

Os antibióticos destroem as bactérias saudáveis que normalmente residem no intestino, o que possibilita que as bactérias Clostridium difficile cresçam em seu lugar. A bactéria Clostridium difficile produz uma toxina que causa diarreia líquida grave (consulte também Diarreia causada por Clostridium difficile ).

Parasitas

Alguns parasitas intestinais, particularmente a Giardia intestinalis, aderem ou invadem o revestimento intestinal, causando náusea, vômito, diarreia e uma sensação geral de mal-estar.

Se a doença se tornar persistente (crônica), ela pode bloquear a absorção de nutrientes pelo organismo, gerando um quadro clínico denominado síndrome da má absorção .

A infecção normalmente se dissemina por meio da ingestão de água contaminada (às vezes, de poços ou fontes não convencionais de água encontradas em caminhadas ou acampamentos) ou, menos comumente, por meio de contato pessoal (como em creches).

Outro parasita intestinal, chamado Cryptosporidium parvum, provoca diarreia líquida, ocasionalmente acompanhada por cólica abdominal, náusea e vômito.

A infecção resultante, denominada criptosporidíase , geralmente é leve em pessoas saudáveis de modo geral, mas pode ser grave e mesmo fatal em pessoas com enfraquecimento do sistema imunológico, ela geralmente é adquirida pela ingestão de água contaminada.

Outros parasitas que podem causar sintomas semelhantes aos da criptosporidíase incluem Cyclospora cayetanensis e, em pessoas com sistema imunológico comprometido, Cystoisospora belli e um conjunto de organismos denominados microsporídeos.

A Entamoeba histolytica causa amebíase , uma infecção que atinge o intestino grosso e, ocasionalmente, o fígado e outros órgãos.

Gastroenterite química

A gastroenterite pode ser causada pela ingestão de toxinas químicas ( Considerações gerais sobre a intoxicação alimentar ). Essas toxinas geralmente são produzidas por fungos, como cogumelos tóxicos, ou por alguns tipos de frutos do mar exóticos e, por isso, não se tratam do produto de uma infecção.

A gastroenterite decorrente de toxicidade química também pode ocorrer após a ingestão de água ou alimentos contaminados por substâncias químicas como, por exemplo, arsênio, chumbo , mercúrio ou cádmio.

A intoxicação por metais pesados frequentemente causa náusea, vômito, dor abdominal e diarreia. A ingestão constante de alimentos ácidos, como frutas cítricas e tomate, provoca gastroenterite em algumas pessoas.

Os Sintomas

O tipo e a gravidade dos sintomas dependem do tipo e da quantidade de toxina ou micro-organismo ingerida. Os sintomas também variam conforme a resistência da pessoa.

Os sintomas geralmente começam repentinamente – às vezes, de forma dramática – com perda de apetite, náusea ou vômito.

Podem surgir ruídos intestinais audíveis e cólica abdominal. A diarreia é o sintoma mais frequente e pode ser acompanhada de sangue e muco visíveis.

As alças intestinais podem ficar inchadas (distendidas) com gás e tornar-se doloridas. A pessoa pode apresentar febre, mal-estar geral, dores musculares e sensação de cansaço extremo.

Gastroenterite causada por vírus

  • Os vírus causam diarreia líquida. As fezes raramente contêm muco ou sangue.
  • O rotavírus pode durar cinco a sete dias em bebês e crianças pequenas. A maioria das crianças tem vômitos e algumas têm febre.
  • A infecção por norovírus causa mais vômitos que diarreia, e dura apenas um a dois dias.
  • O adenovírus causa vômitos leves por um a dois dias após o início da diarreia. A diarreia pode durar uma a duas semanas.
  • Os sintomas do astrovírus são parecidos com os de uma infecção por rotavírus leve.

Gastroenterite causada por bactérias

A presença de bactérias provavelmente causará febre e pode causar diarreia sanguinolenta ou líquida. Algumas bactérias também causam vômito.

Gastroenterite causada por parasitas

Os parasitas normalmente causam diarreia que pode durar bastante tempo ou pode causar diarreia que aparece e desaparece. Em geral, a diarreia não é sanguinolenta. A pessoa pode se sentir muito cansada e perder peso caso ela tenha diarreia de longa duração causada por uma infecção parasítica.

Complicações

Vômito e diarreia graves podem causar desidratação grave. Os sintomas de desidratação incluem fraqueza, diminuição da frequência urinária, boca seca e, em bebês, ausência de lágrimas quando choram.

Vômito ou diarreia em excesso pode dar origem a problemas de eletrólitos como, por exemplo, baixa concentração de potássio no sangue (hipocalemia) e desidratação , que pode causar pressão arterial baixa e frequência cardíaca acelerada.

Também é possível o desenvolvimento de níveis baixos de sódio no sangue (hiponatremia), sobretudo se a pessoa repuser os líquidos perdidos através da ingestão de bebidas com pouca ou nenhuma quantidade de sódio como, por exemplo, água e chás.

Desequilíbrios eletrolíticos são potencialmente graves, particularmente em jovens, idosos e pessoas com doenças crônicas. Choque e insuficiência renal podem ocorrer em casos graves.

Prevenção

A melhor forma de evitar a gastroenterite é através do cumprimento de medidas de higiene. É essencial lavar sempre as mãos depois de ir à casa de banho, antes de manusear alimentos e depois de se tratar do jardim ou de lidar com animais de estimação.

Não se devem partilhar toalhas de uma pessoa que tenha gastroenterite e as casas de banho que essa pessoa utilizar devem ser lavadas regularmente. Os doentes com gastroenterite não devem ir à escola ou ao trabalho até pelo menos 48 horas depois da última diarreia ou vômito, para evitar infectar outras pessoas.

Referências:

  1. Greenwood-Van Meerveld B, Johnson AC, Grundy D. Gastrointestinal Physiology and Function. Handb Exp Pharmacol. 2017;239:1-16.
  2. Sattar SBA, Singh S. Bacterial Gastroenteritis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2019 Jan. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513295/
  3. Stuempfig ND, Seroy J. Viral Gastroenteritis. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2019 Jan. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK518995/
  4. Wilhelmi I, Roman E, Sánchez-Fauquier A. Viruses causing gastroenteritis. Clin Microbiol Infect. 2003 Apr;9(4):247-62.
  5. Baldacci ER, Candeias JAN, Breviglieri JC, Grisi SJE. Etiologia viral e bacteriana de casos de gastroenterite infantil: uma caracterização clínica. Rev Saúde Pública. 1979;13:47-53.
  6. Elliott EJ. Acute gastroenteritis in children. BMJ. 2007;334(7583):35-40.
  7. Perrier ET, Johnson EC, McKenzie AL, Ellis LA, Armstrong LE. Urine colour change as an indicator of change in daily water intake: a quantitative analysis. Eur J Nutr. 2016;55(5):1943-9.
  8. Varavallo MA, Thomé JN, Teshima E. Aplicação de bactérias probióticas para profilaxia e tratamento de doenças gastrointestinais. Semina: Ciênc Biol Saúde. 2008;29(1):83-104.

Sinal de Rovsing

Os sinais clínicos da apendicite aguda vão depender da localização do órgão e do momento em que o paciente vai procurar assistência médica.

Um recurso propedêutico interessante o Sinal de Rovsing:

A palpação do quadrante inferior esquerdo do abdômen do paciente resultar em dor no quadrante inferior direito, diz-se que o paciente é positivo para o sinal de Rovsing.

Essa palpação é realizada procurando-se “ordenhar” o intestino grosso, a partir do sigmóide, retrogradamente, em direção ao cólon descendente, transverso e finalmente ascendente, onde o acúmulo de gases e/ou fezes gera a dor pois é aí que se encontra o apêndice.

Referência:

  1. Pebmed