A falta de ar, ou dispneia, é um sintoma comum em diversas condições clínicas, como doenças pulmonares, cardíacas e até ansiedade. Para avaliar a gravidade desse sintoma de forma objetiva, os profissionais de saúde utilizam a Escala de Dispneia do MRC (Medical Research Council).
Nesta publicação, vamos explicar o que é essa escala, como ela funciona e por que é tão útil na prática clínica.
O Que é a Escala de Dispneia do MRC?
A Escala de Dispneia do MRC foi desenvolvida pelo Medical Research Council do Reino Unido e é amplamente utilizada para classificar a intensidade da falta de ar em pacientes com doenças respiratórias crônicas, como DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e asma.
Ela é simples, rápida e pode ser aplicada em diferentes contextos, desde consultas ambulatoriais até avaliações hospitalares.
Como Funciona a Escala?
A escala é composta por cinco graus, que variam de 0 a 4, de acordo com a limitação que a falta de ar causa nas atividades diárias do paciente. O paciente é questionado sobre como a dispneia afeta sua rotina, e o profissional de saúde classifica o grau de acordo com as respostas.
Graus da Escala de Dispneia do MRC
| Grau | Descrição |
| 0 | Sem falta de ar, exceto durante exercícios intensos. |
| 1 | Falta de ar ao caminhar rápido ou subir ladeiras. |
| 2 | Caminha mais devagar que pessoas da mesma idade devido à falta de ar ou precisa parar para respirar ao caminhar em ritmo normal. |
| 3 | Para para respirar após caminhar cerca de 100 metros ou após alguns minutos em terreno plano. |
| 4 | Falta de ar ao realizar atividades simples, como vestir-se ou falar, ou incapaz de sair de casa devido à falta de ar. |
Como Aplicar a Escala de Dispneia do MRC?
A aplicação da escala é simples e pode ser feita em poucos minutos. Siga estes passos:
- Explique a Escala ao Paciente: Descreva cada grau de forma clara e acessível.
- Faça Perguntas Objetivas: Pergunte como a falta de ar afeta as atividades diárias, como caminhar, subir escadas ou realizar tarefas domésticas.
- Classifique o Grau: Com base nas respostas, classifique o paciente em um dos graus da escala.
Exemplo de Perguntas:
- “Você sente falta de ar ao caminhar rápido ou subir ladeiras?”
- “Precisa parar para respirar ao caminhar em terreno plano?”
- “A falta de ar impede você de realizar atividades simples, como vestir-se ou falar?”
Por Que a Escala de Dispneia do MRC é Importante?
A escala é uma ferramenta valiosa para:
- Avaliar a Gravidade da Dispneia: Identificar o impacto da falta de ar na qualidade de vida do paciente.
- Monitorar a Evolução do Paciente: Comparar os graus ao longo do tempo para avaliar a resposta ao tratamento.
- Tomar Decisões Clínicas: Auxiliar na escolha de terapias e intervenções, como reabilitação pulmonar ou oxigenoterapia.
- Facilitar a Comunicação: Padronizar a descrição da dispneia entre profissionais de saúde.
Cuidados de Enfermagem na Avaliação da Dispneia
A equipe de enfermagem desempenha um papel crucial na aplicação da Escala de Dispneia do MRC. Aqui estão algumas dicas:
- Seja Empático: A falta de ar pode ser angustiante. Ouça o paciente com atenção e ofereça suporte emocional.
- Explique o Objetivo: Deixe claro que a avaliação ajudará a planejar o tratamento.
- Registre os Dados: Anote o grau de dispneia no prontuário e compartilhe as informações com a equipe multidisciplinar.
- Monitore Sinais de Alerta: Observe sinais de gravidade, como cianose (coloração azulada da pele) ou uso de musculatura acessória para respirar.
Limitações da Escala de Dispneia do MRC
Apesar de ser amplamente utilizada, a escala tem algumas limitações:
- Subjetividade: Depende da percepção do paciente sobre sua falta de ar.
- Não Avalia Outros Sintomas: Não considera tosse, fadiga ou outros sintomas associados.
- Contexto Específico: É mais útil para doenças respiratórias crônicas e pode não ser aplicável em outras condições.
A Escala de Dispneia do MRC é uma ferramenta simples e eficaz para avaliar a falta de ar e seu impacto na vida do paciente. Para a equipe de enfermagem, dominar essa escala é essencial para oferecer um cuidado mais humanizado e preciso, especialmente no manejo de doenças respiratórias crônicas.
Referências:










