
Vá direto ao ponto!
Um alimento trazido com carinho pode interferir diretamente na segurança do paciente. Para a equipe de enfermagem, o desafio é orientar o familiar sem constrangê-lo, explicando que restrições alimentares podem estar relacionadas ao risco de aspiração, ao preparo para exames, a cirurgias ou à própria condição clínica.
Antes de aceitar, confira a dieta
Um familiar chega com um suco, um lanche ou a comida preferida do paciente. A intenção pode ser boa, mas aquele alimento talvez não seja seguro naquele momento. Restrições podem estar relacionadas ao jejum para exames, ao pós-operatório, à dificuldade de deglutição ou a outras condições clínicas. Por isso, a dieta prescrita e as orientações da equipe devem ser verificadas antes que qualquer alimento seja oferecido.
Como orientar sem criar conflito
Imagine que, durante a visita, um familiar ofereça um pedaço de bolo a um paciente que está em jejum para um procedimento. O técnico de enfermagem deve interromper a oferta com respeito, explicar que o alimento pode comprometer o preparo e comunicar a situação ao enfermeiro para que sejam avaliadas as condutas necessárias.
Em outra situação, um acompanhante traz água para uma pessoa com dificuldade de engolir e acredita que pequenos goles não oferecem risco. Nesse caso, a oferta deve ser interrompida até que a orientação seja confirmada, pois pode haver risco de aspiração. Se o paciente já tiver ingerido o alimento ou líquido, a equipe deve ser informada, sem julgamentos, para avaliar possíveis repercussões e decidir como proceder.
A abordagem deve ser acolhedora e objetiva. Em vez de repreender o familiar, explique o motivo da restrição e, quando possível, oriente-o sobre quais alimentos estão liberados e em que momento poderão ser oferecidos.
Cuidados de enfermagem
Confira a prescrição dietética e as orientações de jejum, observe se há restrições relacionadas à deglutição e comunique divergências ao enfermeiro. Se o paciente já tiver consumido algo não autorizado, registre o ocorrido conforme a rotina institucional e informe a equipe responsável. Não altere a dieta por conta própria.
A participação da família é importante no cuidado, mas precisa estar alinhada às condições clínicas do paciente. Uma orientação clara pode evitar riscos e fortalecer a parceria entre acompanhantes e profissionais de saúde.
Familiar Trouxe Comida Proibida?
- Confira a dieta prescrita antes de liberar alimentos
- Explique a restrição com respeito e clareza
- Comunique à equipe se o paciente já ingeriu algo
- Registre o ocorrido conforme o protocolo institucional
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Nota Técnica GVIMS/GGTES nº 10/2020: práticas seguras para a prevenção de aspiração broncopulmonar em serviços de saúde. Brasília, DF: Anvisa, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/notas-tecnicas/notas-tecnicas-vigentes/nota-tecnica-broncoaspiracao-10-12-20.pdf.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de terapia nutricional na atenção especializada hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_terapia_nutricional_atencao_hospitalar.pdf.
Hipertensão arterial sistêmica (HAS)
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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