
Vá direto ao ponto!
- 1. O que são plaquetas por aférese?
- 2. Por que Optar pelas Plaquetas por Aférese?
- 3. Importância clínica das plaquetas
- 4. Indicações das plaquetas por aférese
- 5. Diferença entre plaquetas por aférese e concentrado de plaquetas
- 6. Conservação e validade
- 7. Riscos e reações transfusionais
- 8. Cuidados de enfermagem
- 8.1. O Papel da Enfermagem na Coleta e na Administração
- 8.2. Na transfusão de plaquetas por aférese
- 8.3. Cuidados Específicos e Vigilância Pós-Transfusional
- 8.4. Papel educativo da enfermagem
A transfusão de plaquetas é uma prática essencial na assistência a pacientes com risco de sangramento ou com distúrbios da coagulação. Entre as diferentes formas de obtenção desse hemocomponente, destaca-se a plaqueta por aférese, considerada um produto de alta qualidade e amplamente utilizada em ambientes hospitalares, especialmente em unidades de oncologia, hematologia e terapia intensiva.
Para a enfermagem, compreender o que são as plaquetas por aférese, quando são indicadas e quais cuidados devem ser adotados durante sua administração é fundamental para garantir segurança ao paciente e eficácia terapêutica.
O que são plaquetas por aférese?
A palavra aférese tem origem grega e significa “retirar” ou “separar”. Na prática da hemoterapia, isso ocorre por meio de uma máquina de fluxo contínuo ou descontínuo. O doador é conectado ao equipamento através de um acesso venoso calibroso.
O sangue sai do doador, passa por uma centrífuga dentro da máquina que separa os componentes por densidade e retira apenas as plaquetas. O restante do sangue, incluindo glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e a maior parte do plasma, é devolvido ao doador pelo mesmo acesso ou por um segundo braço.
Todo esse processo dura entre 60 a 90 minutos. A grande vantagem para o sistema de saúde é que uma única doação por aférese pode fornecer uma quantidade de plaquetas equivalente a seis ou oito doações de sangue total comuns. Isso significa que o paciente receptor será exposto a apenas um doador, o que reduz drasticamente diversos riscos imunológicos.
Por que Optar pelas Plaquetas por Aférese?
A principal indicação clínica para o uso de plaquetas por aférese é o suporte a pacientes que necessitam de transfusões frequentes ou que já apresentam refratariedade plaquetária. Pacientes em tratamento de quimioterapia agressiva, transplantados de medula óssea ou com aplasia medular são os maiores beneficiados.
Quando utilizamos plaquetas de um único doador (aférese), reduzimos o risco de aloimunização HLA. Isso acontece porque o sistema imunológico do receptor tem menos “estranhos” para reconhecer. Se usássemos plaquetas de seis doadores diferentes, o risco de o paciente desenvolver anticorpos contra um desses doadores seria muito maior, o que tornaria as transfusões futuras ineficazes.
Além disso, o risco de transmissão de doenças infecciosas é estatisticamente menor, simplesmente por envolver menos indivíduos no processo para uma mesma dose terapêutica.
Importância clínica das plaquetas
As plaquetas desempenham papel essencial no processo de hemostasia. Elas atuam na formação do tampão plaquetário inicial, participam da ativação da cascata de coagulação e ajudam a conter sangramentos.
Quando há redução importante no número de plaquetas (trombocitopenia) ou disfunção plaquetária, o paciente apresenta risco aumentado de hemorragias espontâneas ou associadas a procedimentos invasivos.
Nessas situações, a transfusão de plaquetas torna-se uma medida terapêutica fundamental.
Indicações das plaquetas por aférese
As plaquetas por aférese são indicadas principalmente em pacientes com trombocitopenia grave ou com distúrbios da função plaquetária associados a risco de sangramento.
São frequentemente utilizadas em pacientes onco-hematológicos submetidos à quimioterapia, que apresentam queda acentuada da produção de plaquetas pela medula óssea. Também são indicadas em casos de aplasia medular, leucemias, linfomas e mielodisplasias.
Em ambiente hospitalar, podem ser utilizadas na prevenção de sangramentos antes de procedimentos invasivos, como cirurgias, biópsias e punções, quando o nível de plaquetas está abaixo do recomendado.
Outra indicação importante ocorre em pacientes com sangramentos ativos associados à trombocitopenia, como hemorragias digestivas, sangramentos gengivais ou epistaxe persistente.
Diferença entre plaquetas por aférese e concentrado de plaquetas
A principal diferença está na origem do produto. As plaquetas por aférese vêm de um único doador, enquanto o concentrado de plaquetas tradicional é obtido a partir do sangue total de vários doadores.
Isso faz com que as plaquetas por aférese apresentem menor risco imunológico, menor chance de aloimunização e melhor compatibilidade em pacientes que necessitam de transfusões repetidas, como os pacientes com câncer.
Além disso, as plaquetas por aférese podem ser filtradas (leucorreduzidas) e compatibilizadas com maior precisão para pacientes específicos.
Conservação e validade
As plaquetas devem ser armazenadas entre 20°C e 24°C, sob agitação constante, para manter sua viabilidade. Seu prazo de validade é curto, geralmente de 5 dias após a coleta, devido ao risco de contaminação bacteriana.
Esse fator torna o controle rigoroso de armazenamento e transporte essencial para garantir a segurança transfusional.
Riscos e reações transfusionais
Embora seja um produto seguro, a transfusão de plaquetas por aférese não é isenta de riscos. As reações mais comuns incluem febre, calafrios, urticária e reações alérgicas leves. Podem ocorrer reações mais graves, como sobrecarga circulatória associada à transfusão, reações hemolíticas e, raramente, infecções bacterianas.
Pacientes politransfundidos podem desenvolver anticorpos contra antígenos plaquetários, o que reduz a eficácia da transfusão futura. Por isso, a indicação deve ser criteriosa e o acompanhamento do paciente deve ser contínuo durante todo o processo transfusional.
Cuidados de enfermagem
O Papel da Enfermagem na Coleta e na Administração
O enfermeiro é a peça central tanto no hemocentro, cuidando do doador, quanto na beira do leito, cuidando do receptor. No momento da doação, precisamos garantir um acesso venoso periférico impecável, geralmente utilizando agulhas de calibre 16G ou 18G, já que o fluxo de sangue na máquina é intenso.
Durante a coleta, um dos cuidados mais importantes é o monitoramento da toxicidade pelo citrato. O citrato é um anticoagulante usado na máquina que pode “sequestrar” o cálcio do doador, causando formigamento nos lábios, mãos e pés. A enfermagem deve estar pronta para intervir, geralmente oferecendo reposição de cálcio ou ajustando a velocidade do equipamento.
Já na administração ao paciente, o cuidado se volta para a segurança transfusional. Antes de iniciar, é obrigatória a dupla checagem dos dados do paciente e da bolsa. As plaquetas por aférese devem ser infundidas logo que chegam à unidade, pois não podem ser refrigeradas e devem ser mantidas sob agitação constante para não perderem sua função. O tempo de infusão costuma ser rápido, entre 30 a 60 minutos, mas os primeiros 15 minutos exigem a presença constante do enfermeiro para identificar precocemente reações agudas como febre, calafrios, urticária ou dispneia.
Na transfusão de plaquetas por aférese
A enfermagem tem papel central na segurança do paciente que recebe plaquetas por aférese. Antes da transfusão, é fundamental conferir a prescrição médica, a identificação do paciente, o tipo sanguíneo, a compatibilidade e o rótulo da bolsa. Deve-se verificar o aspecto da bolsa, observando se há alterações de cor, presença de coágulos ou vazamentos.
É importante avaliar sinais vitais antes do início da transfusão e registrar os dados no prontuário. Durante a transfusão, o paciente deve ser monitorado continuamente quanto a sinais de reação transfusional, como febre, calafrios, dispneia, prurido, dor lombar ou hipotensão. Qualquer alteração deve ser comunicada imediatamente à equipe médica e a transfusão deve ser interrompida até avaliação.
A administração deve ocorrer em tempo adequado, geralmente entre 30 e 60 minutos, conforme protocolo institucional, utilizando equipo apropriado com filtro. Após a transfusão, a enfermagem deve reavaliar os sinais vitais, observar o paciente por pelo menos 30 minutos e registrar todas as informações no prontuário. Também é importante observar sinais de sangramento ou melhora clínica do quadro hemorrágico.
Cuidados Específicos e Vigilância Pós-Transfusional
A monitorização não termina quando o equipo é desconectado. É nossa função avaliar o rendimento da transfusão. Isso é feito através do controle laboratorial (hemograma) após o procedimento, mas também pela observação clínica. Verificamos se houve melhora em sangramentos gengivais, se novas petéquias pararam de surgir ou se episódios de epistaxe cessaram.
Vale lembrar que o enfermeiro deve estar atento à integridade do acesso venoso do paciente. Como o concentrado de plaquetas é um produto viscoso, a lavagem do acesso com soro fisiológico 0,9% antes e depois da transfusão é essencial para manter a patência do cateter. Nunca devemos administrar medicamentos na mesma via durante a infusão das plaquetas, para evitar interações físico-químicas que possam inativar o componente ou causar danos ao paciente.
Papel educativo da enfermagem
Além da assistência direta, a enfermagem exerce papel educativo junto ao paciente e à família, explicando a finalidade da transfusão, possíveis reações adversas e a importância de relatar qualquer sintoma durante o procedimento.
Em pacientes que recebem transfusões frequentes, a orientação sobre sinais de alerta e acompanhamento ambulatorial é essencial para prevenir complicações.
As plaquetas por aférese representam um avanço importante na terapia transfusional, oferecendo maior segurança, qualidade e eficácia no tratamento de pacientes com risco de sangramento. Seu uso é especialmente relevante em pacientes imunossuprimidos e politransfundidos.
O conhecimento técnico da enfermagem sobre esse hemocomponente, associado à prática baseada em protocolos e vigilância constante, contribui diretamente para a segurança do paciente e para o sucesso do tratamento.
Compreender o processo de obtenção, as indicações clínicas e os cuidados durante a transfusão é parte essencial da formação do profissional de enfermagem que atua em ambientes hospitalares.
Plaquetas por Aférese: O Guia Definitivo
- Obtenção por equipamento automatizado que coleta plaquetas de um único doador e devolve os demais componentes sanguíneos
- Menor risco de aloimunização e reações transfusionais por envolver apenas um doador em comparação às plaquetas de sangue total
- Indicação principal para pacientes com trombocitopenia grave, neoplasias hematológicas e necessidade de transfusões frequentes
- Condições estritas de armazenamento entre 20°C e 24°C sob agitação constante, com validade reduzida de até 5 dias
Referências:
- BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 34, de 11 de junho de 2014. Dispõe sobre as boas práticas no ciclo do sangue. Brasília: ANVISA, 2014. Disponível em: gov.br/anvisa — Sangue.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Guia para o uso de hemocomponentes (Manual de Hemoterapia). 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: Manual de Hemoterapia — PDF.
- CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO (COREN-SP). Atuação da Enfermagem em Hemoterapia. São Paulo: COREN-SP, 2020. Disponível em: portal.coren-sp.gov.br.
- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE HEMATOLOGIA, HEMOTERAPIA E TERAPIA CELULAR (ABHH). Acesse as diretrizes da AABB sobre transfusão de plaquetas. São Paulo: ABHH. Disponível em: abhh.org.br — Diretrizes AABB sobre transfusão de plaquetas.
- HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Hematologia essencial. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2018.
- ZAGO, M. A.; FALCÃO, R. P.; PASQUINI, R. Tratado de Hematologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2013.
- AMERICAN ASSOCIATION OF BLOOD BANKS (AABB). Standards for Blood Banks and Transfusion Services. 32. ed. Bethesda: AABB, 2020. Disponível em: aabb.org.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Blood transfusion safety. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: who.int — Blood transfusion.
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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