Fixação de AVP: Método alternativo

Sabemos que a ANVISA ( Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde , 2017)  recomenda o uso de películas transparentes estéreis, porém na realidade de muitos profissionais no Brasil, essa tecnologia ainda não está ao seu alcance (vários hospitais não disponibilizam este material).

A maioria tem em seu alcance fitas adesivas (microporosas e esparadrapos), no entanto temos que ter pensamento crítico, utilizar de meios que são disponibilizados para poder dar continuidade ao tratamento.

Método alternativo

Um método alternativo para quem não tem o recurso para películas transparente estéreis, você pode fazer:

  • Recortar duas tiras maiores (um para base e outra para cobertura com identificação), e outra menor (para fixar o cateter);
  • Posicionar a primeira tira maior na base entre a pele e o cateter (assim ajuda a não escorregar o cateter);
  • Utilizar a tira menor para entrelaçar ente cateter e a base (nó de gravata ou borboleta, “borboletinha”);
  • Fixar a tira maior de identificação entre o cateter e a base.

Seria tão mais fácil se o sistema de saúde funcionasse corretamente no Brasil, não precisaríamos ter que recorrer a estas alternativas.

Referência:

  1. EBSERH

Flebite

Flebite

A flebite é uma das complicações mais frequentes do uso de cateteres venosos periféricos (CVP). Caracterizando-se por uma inflamação aguda da veia, causando edema, dor, desconforto, eritema ao redor da punção e um “cordão” palpável ao longo do trajeto da veia.

Os principais fatores que ocorrem em uma flebite nas punções venosas é longa permanência dos acessos venosos, e a má assepsia do curativo.

CLASSIFICAÇÕES

A flebite pode ser classificada de acordo com os fatores causais, os quais podem ser químicos, mecânicos ou infecciosos:

Mecânico: é predominantemente em razão de problemas no cateter, o qual causa trauma no interior da veia. Isso pode ocorrer na inserção (utilização de dispositivos com calibre grosso para a veia), punção inadequada (ponta do cateter traumatiza a parede da veia) ou manipulação do cateter (deslocamento).

Química: geralmente está associada à administração de medicamentos irritantes/vesicantes, medicamentos diluídos impropriamente, infusão muito rápida ou presença de particulados na solução que resultam em dano para o endotélio interno da veia.

Infecciosa: é a inflamação da veia que está associada à contaminação bacteriana. Pode ocorrer devido à não utilização de técnica asséptica (inserção, manipulação, manutenção do dispositivo).

Há uma escala para avaliar as condições da flebite:

  • Grau 0 – Sem sinais clínicos;
  • Grau 1 – Eritema no local do acesso com ou sem dor;
  • Grau 2 – Dor no local do acesso com eritema e/ou edema;
  • Grau 3 – Dor no local do acesso eritema e/ou edema – Formação de estria/linha -Cordão venoso palpável;
  • Grau 4 – Dor no local do acesso eritema e/ou edema;
  • Formação de estria/linha;
  • Cordão venoso palpável > 2,5cm de comprimento;
  • Drenagem purulenta.

CUIDADOS DE ENFERMAGEM COM AS PUNÇÕES VENOSAS:

– Antes e após a punção e manuseio do cateter venoso, realizar higiene das mãos com água e clorexidina degermante 2% ou com preparação alcoólica quando as mãos não estiverem visivelmente sujas;

– Selecionar o cateter periférico com base no objetivo pretendido, na duração da terapia, viscosidade do fluído, nos componentes do fluído e nas condições do acesso venoso. No cliente adulto, inserir o cateter na extremidade superior.

– Em clientes pediátricos, podem ser utilizados ainda como local de inserção os membros inferiores e a região da cabeça;

– Evitar puncionar áreas de articulações;

– Remover os dispositivos intravasculares assim que seu uso não for necessário;

– Realizar antissepsia da pele com álcool 70% na inserção dos cateteres periféricos e não palpar o local da inserção após à aplicação do antisséptico;

– Optar pelo curativo de filme transparente e trocá-lo: A cada nova punção ou A cada 7 dias ou Antes da data estipulada se o curativo estiver sujo ou soltando;

– Se for necessário utilizar esparadrapo para realizar o curativo, trocá-lo diariamente após o banho;

– Se atentar às trocas dos equipos e conexões conforme orientação da CCIH (as dânulas -torneirinhas- devem ser trocadas juntamente com o sistema de infusão);

– Realizar desinfecção das conexões com álcool 70% por meio de fricção vigorosa com, no mínimo, três movimentos rotatórios, utilizando gaze limpa;

– A limpeza e desinfecção da superfície e do painel das bombas de infusão deve ser realizada a cada 24 horas e na troca de paciente, utilizando produto conforme recomendação do fabricante;

– Os cateteres periféricos deverão ser trocados a cada 72 horas se confeccionados de teflon e 96 horas se confeccionados de poliuretano (obs: sem rotina de troca em pacientes com acesso venoso difícil, neonatos e crianças);

Se atentar à prescrição médica em relação à:

  • Osmolaridade;
  • pH;
  • Incompatibilidade entre drogas;

– Aplicar a escala de flebite a cada 6 horas e realizar anotação;

– Reconhecer sua própria limitação ao realizar o procedimento e solicitar auxílio quando necessário;

– Retirar imediatamente o cateter;

– Aplicar compressas frias no local afetado na fase inicial para diminuição da dor, e a seguir compressas mornas para promover a vasodilatação e reduzir o edema;

– Lavar o membro;

– Administrar analgésicos, anti inflamatórios e antibióticos quando prescritos.

 

 

Veja também:

Escala de Maddox: A Identificação de Flebite

Terapia Intravenosa (TI) e suas Complicações

Os Cateteres Agulhados: “Scalp” ou “Butterfly”

Cateteres

Os Cateteres Agulhados, ou popularmente conhecidos como “Scalp” ou “Butterfly” , são feitos de aço inoxidável biocompatível, não flexíveis que na qual dobram-se sob resistência, para infusão de curta duração (em torno de 24 horas), de baixo volume, pode ser usado para administração de medicamentos “In bolus” ou “flush” e para pacientes com veias muito finas e comprometidas, como terapia de dose única, administração de medicamento IV em bolus ou para coleta de sangue.

Os Tipos de Terapia Infusional

  • Bolus: tempo menor ou igual a 1 minuto;
  • Infusão rápida: realizada entre 1 e 30 minutos;
  • Infusão lenta: realizada entre 30 e 60 minutos;
  • Infusão contínua: tempo superior a 60 minutos, ininterruptamente;
  • Administração Intermitente: não contínua, de 6 em 6 horas.

Características Físicas dos Cateteres Agulhados

O Cateter Agulhado é composto pelos principais itens:

  • Protetor da agulha: Garante a integridade da agulha até o momento do uso;
  • Asas de empunhadura/fixação: Facilitam a “empunhadura” durante a punção e a estabilização do dispositivo durante o tempo de permanência na veia;
  • Tubo vinílico transparente, atóxico e apirogênico: Permite a visualização do refluxo sangüíneo e/ou medicamento infundido, reduzindo o contato com o sangue;
  • Conector fêmea Luer-Lok(TM) codificado por cores: Proporciona segura conexão com o equipo e permite a identificação do calibre de acordo com a cor do conector;
  • Paredes finas: Aumenta o fluxo interno.

Observação: Todo o dispositivo precisa ser preenchido com a solução que será utilizada no paciente, antes de administração!

Os Calibres dos Cateteres Agulhados e suas indicações

Os Cateteres Agulhados são classificados com números ímpares, lembrando que quanto menor o número, maior calibre é da agulha:

  • 19G: Indicado para veias de grande calibre, ou seja, veia de adolescente, adulto, idoso, sendo que a sua instalação compatibiliza o diâmetro da camada interna do vaso (íntima) com o calibre mencionado, sem provocar dilatação da veia; para infusões de medicamentos de grande dosagens, coleta de sangue;
  • 21G e 23G: Indicado para veias de médio calibre, ou seja, veia de adolescente, adulto, idoso, sendo que a sua instalação compatibiliza o diâmetro da camada interna do vaso (íntima) com o calibre mencionado, sem provocar dilatação da veia; para infusões de medicamentos de grandes e médias dosagens, in bolus ou flush e coleta de sangue;
  • 25G e 27G: Indicado para veias de pequeno calibre, ou seja, crianças ou neonatos, sendo que a sua instalação compatibiliza o diâmetro da camada interna do vaso (íntima) com o calibre mencionado, sem provocar dilatação da veia; para infusões de medicamentos in bolus ou flush, de baixa dosagens.

Vantagens e Desvantagens

Sua Principal vantagem é de ter uma agulha de paredes finas, muito afiadas próprio para pequenos vasos, possibilitando a inserção difícil através da pele resistente.

A desvantagem é de ser um cateter não flexível, podendo lesionar o membro que foi puncionado se o paciente dobrar o mesmo, e podendo perfurar-se acidentalmente; e o estouro da veia que ali foi puncionado com a falta de cuidado do mesmo.

Indicações e Contra-Indicações

O Cateter Agulhado deve ser utilizado para administração imediata de medicação, onde não há necessidade de se manter o acesso no paciente.

Sua principal contra-indicação é de nunca usar com solução vesicante ou irritante.