A seringa de insulina é um daqueles materiais que parecem simples até aparecer uma prescrição de 18 UI, uma seringa diferente da habitual ou um frasco com concentração que não bate com a graduação. É justamente aí que pequenos detalhes podem virar grandes erros de dose. Para quem está na enfermagem, entender capacidade, graduação, concentração e conversão é tão importante quanto saber fazer a aplicação.
O que significa UI na insulina?
A insulina é dosada em Unidades Internacionais (UI ou U). Uma apresentação muito comum é a U-100, que contém 100 UI em cada 1 mL. Portanto, nessa concentração, podemos estabelecer uma relação simples:
100 UI = 1 mL 50 UI = 0,5 mL 20 UI = 0,2 mL 10 UI = 0,1 mL 1 UI = 0,01 mL
Essa relação é fundamental para transformar uma dose prescrita em unidades no volume correspondente quando a administração é feita com uma seringa convencional.
Tipos e tamanhos de seringas
As seringas próprias para insulina podem ser encontradas, entre outras apresentações, em 0,3 mL, 0,5 mL e 1 mL. Considerando a concentração U-100, isso corresponde respectivamente a 30 UI, 50 UI e 100 UI de capacidade. Existem modelos com diferentes graduações, por isso é indispensável observar a escala impressa na própria seringa antes de aspirar.
Uma seringa de 0,3 mL (30 UI) costuma ser interessante para doses menores, enquanto a de 0,5 mL (50 UI) comporta doses intermediárias. Já a de 1 mL (100 UI) permite aspirar até 100 UI quando utilizada com insulina U-100. O importante é não escolher apenas pelo tamanho: a graduação e a concentração da insulina precisam ser compatíveis com a dose prescrita.
Graduação de 1 UI ou 2 UI
Nem toda seringa apresenta a mesma divisão entre os traços. Há modelos cuja graduação permite identificar 1 UI por marcação e outros nos quais cada marcação representa 2 UI. Para doses pequenas ou que exigem maior precisão, a graduação de 1 em 1 UI facilita a leitura e reduz a possibilidade de erro.
Por isso, nunca assuma que “cada risquinho vale 1 UI”. Olhe a escala da seringa utilizada.
E a seringa de resíduo zero?
O termo resíduo zero está relacionado ao desenho do dispositivo, especialmente ao espaço residual existente no bico da seringa. Nos modelos comercializados como “resíduo zero”, o êmbolo foi projetado para avançar mais próximo do bico, reduzindo a quantidade de solução que permanece dentro da seringa após a administração. Isso diminui desperdícios e pode ser particularmente relevante quando se trabalha com medicamentos de pequenas quantidades.
Na prática, vale uma atenção importante: “resíduo zero” não significa que a dose prescrita possa ser alterada. A dose continua sendo determinada pela prescrição, pela concentração da insulina e pela escala do dispositivo.
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Atenção na Prova
Conversão de UI para mL
Quando temos uma insulina U-100 e precisamos utilizar uma seringa convencional, a regra de três resolve o cálculo.
Exemplo: foram prescritas 25 UI de insulina U-100.
100 UI — 1 mL 25 UI — X
X = 25 × 1 ÷ 100 X = 0,25 mL
Portanto, seriam 0,25 mL.
O mesmo raciocínio pode ser utilizado para qualquer dose, desde que a concentração esteja corretamente identificada. O material do Cofen sobre cálculo e diluição de medicamentos utiliza justamente essa lógica para transformar unidades de insulina em volume quando não há seringa própria disponível.
Atenção: U-100 não é igual a qualquer insulina
Essa é uma das informações que mais merece atenção durante o cálculo. U-100 significa 100 UI/mL, mas existem apresentações de insulina com outras concentrações. Há, por exemplo, produtos U-300, nos quais 1 mL contém 300 UI.
Assim, não se deve pegar uma insulina de concentração diferente, aplicar automaticamente a relação 100 UI = 1 mL e utilizar a escala como se fosse U-100. Antes de calcular, confira sempre nome da insulina, concentração, via, dose prescrita e dispositivo utilizado.
E quando não existe seringa de insulina?
Imagine uma prescrição de 20 UI de insulina U-100, mas a unidade dispõe apenas de uma seringa convencional de 3 mL.
A relação será:
100 UI — 1 mL 20 UI — X
X = 20 × 1 ÷ 100 X = 0,2 mL
Nesse caso, o volume correspondente é 0,2 mL. É exatamente por isso que a regra de três continua sendo uma ferramenta importante na formação e na prática da enfermagem.
Cinco exercícios de cálculo de insulina
Todos os exercícios abaixo consideram insulina U-100, ou seja, 100 UI/mL.
Prescrição de 15 UI
Paciente com prescrição de 15 UI de insulina U-100. Quantos mL devem ser aspirados em uma seringa convencional?
Perceba como o cálculo permanece o mesmo: a dose prescrita fica de um lado, a concentração disponível do outro, e o volume procurado é obtido pela regra de três. O cuidado maior está em confirmar a concentração antes de começar a conta.
Cuidados de enfermagem
Antes da administração, confira a prescrição e faça a conferência dos chamados certos da administração de medicamentos, principalmente paciente, medicamento, concentração, dose, via e horário. Verifique também a validade, integridade da embalagem, aspecto da insulina e compatibilidade entre a seringa e a concentração utilizada.
Na prática, uma situação muito comum é encontrar uma prescrição de 6 UI ou 8 UI e perceber que a seringa disponível possui uma graduação pouco precisa para aquela dose. Nessa situação, trocar o dispositivo por um modelo com graduação adequada pode fazer diferença na precisão da administração. Materiais educativos sobre insulinoterapia recomendam atenção especial à graduação da seringa justamente porque doses pequenas podem ser difíceis de medir com precisão.
Outra situação frequente durante o plantão é a prescrição em UI acompanhada de uma seringa convencional porque a seringa específica de insulina não está disponível. É nesse momento que a regra de três deixa de ser apenas conteúdo de prova: 100 UI/mL, prescrição em UI e seringa graduada em mL precisam ser convertidos corretamente antes da administração.
Também é essencial lembrar que seringas são dispositivos de uso único e devem ser descartadas adequadamente após utilização, conforme as normas e o protocolo institucional.
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Decore para a Prova
O que realmente precisa ficar na memória
Para U-100:
100 UI = 1 mL 50 UI = 0,5 mL 25 UI = 0,25 mL 10 UI = 0,1 mL 1 UI = 0,01 mL
E a fórmula mais importante para quem está começando é: Dose prescrita × volume disponível ÷ dose disponível
Quando a concentração for 100 UI/mL, usando 1 mL como referência: UI prescritas × 1 ÷ 100 = mL a administrar.
O cálculo é simples. O que não pode ser simples demais é a conferência: concentração diferente, seringa diferente ou graduação diferente podem mudar completamente a resposta.
Resumo para salvar
Seringa de Insulina: Guia Prático
Insulina U-100 contém 100 UI por mL
Seringas podem ter capacidades de 0,3 mL, 0,5 mL e 1 mL
Resíduo zero reduz o volume residual no dispositivo
Na U-100, a regra de três permite converter UI em mL
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Boas práticas: cálculo seguro – volume 2: cálculo e diluição de medicamentos. Brasília, DF: Cofen. Cofen – Cálculo e diluição de medicamentos
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Seringas descartáveis para insulina – registros e especificações de dispositivos médicos. Brasília, DF: Anvisa. Anvisa – Biblioteca de documentos
SÃO PAULO (Estado). Bolsa Eletrônica de Compras. Seringa descartável graduada em 1 em 1 UI para insulina. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo. BEC/SP – especificação de seringa para insulina
Cálculos de Enfermagem: Aquele que Todo Estudante Teme
Os cálculos de medicamentos fazem parte da rotina da Enfermagem e estão presentes desde o preparo de um comprimido até situações mais complexas, como infusões contínuas de heparina, insulinoterapia, drogas vasoativas e soluções intravenosas.
Para muitos estudantes, o cálculo de medicamentos costuma ser uma das partes mais assustadoras da graduação ou do curso técnico. A matemática, por si só, nem sempre é o problema. O que costuma gerar insegurança é ter de interpretar uma prescrição, identificar a concentração disponível, escolher a fórmula adequada e, depois, administrar aquele resultado a um paciente real.
É justamente por isso que calcular não deve ser uma atividade baseada apenas em decorar fórmulas.
O profissional precisa entender o que está calculando, qual unidade está utilizando e se o resultado encontrado faz sentido.
O próprio Conselho Federal de Enfermagem destaca que o conhecimento dos fundamentos de aritmética e matemática auxilia na prevenção de erros relacionados ao preparo, à dosagem e à administração de medicamentos. O material do Cofen sobre cálculo seguro foi desenvolvido justamente para facilitar esse aprendizado entre profissionais e estudantes.
Aqui vamos revisar de maneira prática os cálculos mais utilizados na Enfermagem, incluindo gotejamento, comprimidos, insulina, heparina, permanganato de potássio, rediluição e cálculo de glicose, além de exercícios no final para você testar seus conhecimentos.
🚨Aviso importante:os exemplos deste artigo são educacionais. Na prática assistencial, sempre confira a prescrição, a apresentação e concentração do medicamento, a bula, o protocolo institucional e, quando necessário, faça dupla checagem com outro profissional. Medicamentos de alta vigilância, como insulina e heparina, exigem atenção especial.
Por que aprender cálculo de medicamentos é tão importante na Enfermagem?
Um erro matemático pode parecer pequeno no papel. Uma vírgula deslocada, uma unidade interpretada incorretamente ou uma concentração confundida pode transformar uma dose terapêutica em uma dose muito maior ou muito menor. Por isso, cálculo de medicamentos não é apenas uma disciplina da faculdade ou uma questão de prova.
Ele está diretamente relacionado à segurança do paciente. O Cofen destaca que erros relacionados à utilização de medicamentos podem resultar em consequências importantes, incluindo prolongamento da internação, incapacidades e até morte. Na prática, portanto, uma boa regra é: não calcule com pressa.
Se houver dúvida, pare, confira a prescrição, refaça o cálculo e peça ajuda.
Antes de começar qualquer cálculo: organize as informações
Antes de pegar a calculadora, identifique quatro informações:
O que foi prescrito?
Quanto existe disponível?
Em qual volume ou apresentação está disponível?
Quanto será administrado?
Por exemplo:
Prescrição: 500 mg de determinado medicamento.
Disponível: 1.000 mg em 10 mL.
Você já consegue identificar:
Dose prescrita = 500 mg
Dose disponível = 1.000 mg
Volume disponível = 10 mL
Agora o cálculo fica muito mais simples.
Regra de três na Enfermagem
A regra de três é provavelmente uma das ferramentas mais utilizadas para calcular medicamentos. A estrutura básica é:
Dose disponível → volume disponível
Dose prescrita → X
Então:
X = dose prescrita × volume disponível ÷ dose disponível
Exemplo
Prescrição:
500 mg
Disponível:
1.000 mg em 10 mL
Montando:
1.000 mg → 10 mL
500 mg → X
Então:
X = 500 × 10 ÷ 1.000
X = 5 mL
Portanto, serão administrados 5 mL.
Cuidado com as unidades
Esse é um dos pontos que mais provocam erros. Você não deve simplesmente colocar os números na fórmula sem verificar as unidades.
Por exemplo:
1 g não é 1 mg.
Sabemos que:
1 g = 1.000 mg
Portanto:
0,5 g = 500 mg
2 g = 2.000 mg
Da mesma maneira:
1 mg = 1.000 microgramas (mcg ou µg)
Então:
0,5 mg = 500 mcg
Antes de calcular, deixe as unidades compatíveis.
Conversões que o estudante de Enfermagem precisa dominar
Unidade
Equivalência
1 g
1.000 mg
1 mg
1.000 mcg
1 L
1.000 mL
1 mL
1.000 µL
1 hora
60 minutos
1 minuto
60 segundos
Uma dica simples: Se a prescrição está em mg e o frasco está em g, converta antes de calcular.
Cálculo de comprimidos
O cálculo de comprimidos segue a mesma lógica. Imagine:
Prescrição: 750 mg
Disponível: comprimido de 500 mg.
Aplicando a fórmula:
X = 750 × 1 ÷ 500
X = 1,5 comprimido
Portanto, matematicamente, seriam 1,5 comprimido. Mas aqui aparece uma questão importante:
O comprimido pode ser partido?
Nem todo comprimido pode ser dividido. Comprimidos de liberação prolongada, revestimentos específicos e algumas outras formulações não devem ser partidos ou triturados sem confirmação. Portanto, o cálculo matemático pode indicar 1,5 comprimido, mas a forma farmacêutica precisa ser avaliada antes da administração.
Outro exemplo de comprimidos
Prescrição:
1.200 mg
Disponível:
400 mg por comprimido
Cálculo:
1.200 ÷ 400 = 3
Resultado:
3 comprimidos.
Nesse caso, a conta é direta.
Cálculo de soluções líquidas
Imagine:
Prescrição: 250 mg
Disponível: 500 mg/5 mL.
Montamos:
500 mg → 5 mL
250 mg → X
X = 250 × 5 ÷ 500
X = 2,5 mL
Resultado:
2,5 mL.
Cálculo de gotejamento
O cálculo de gotejamento é outro clássico da Enfermagem. É utilizado para determinar quantas gotas por minuto devem ser administradas em uma infusão gravitacional. A fórmula depende do fator de gotas do equipo.
Nos exemplos didáticos tradicionais:
Equipo macrogotas = 20 gotas/mL
Equipo microgotas = 60 microgotas/mL
Mas o profissional deve conferir a especificação do equipo utilizado, pois o fator de gotejamento deve ser o informado pelo fabricante.
Fórmula de macrogotas
Quando o equipo possui fator de 20 gotas/mL:
Gotas/min = Volume (mL) × 20 ÷ tempo (min)
Exemplo
Prescrição:
500 mL para correr em 4 horas.
Primeiro transforme horas em minutos:
4 × 60 = 240 minutos
Agora:
500 × 20 ÷ 240
= 41,66
Arredondando:
aproximadamente 42 gotas/minuto.
Fórmula de microgotas
Para um equipo de 60 microgotas/mL:
Microgotas/min = Volume × 60 ÷ tempo em minutos
Observe uma particularidade interessante. Quando o fator é exatamente 60 microgotas/mL, podemos simplificar:
microgotas/min = mL/h
Por exemplo:
500 mL em 4 horas:
500 ÷ 4 = 125 mL/h
Portanto:
125 microgotas/minuto.
Fórmula prática para macrogotas
Também podemos calcular diretamente usando horas:
Gotas/min = Volume × fator de gotas ÷ (tempo em horas × 60)
Para macrogotas de 20 gotas/mL:
Gotas/min = Volume × 20 ÷ (horas × 60)
Cálculo de mL/h
Quando utilizamos uma bomba de infusão, normalmente trabalhamos com mL/h. A fórmula é:
mL/h = volume total ÷ tempo em horas
Exemplo
1.000 mL para correr em 8 horas:
1.000 ÷ 8 = 125 mL/h
Programação:
125 mL/h
Uma diferença que o estudante precisa entender
Gotas/minuto e mL/h não são a mesma unidade. Gotas/minuto é utilizado principalmente quando precisamos controlar uma infusão por gotejamento gravitacional. mL/h é a unidade utilizada para programar a velocidade volumétrica em uma bomba de infusão, não confunda as duas.
Cálculo de insulina
A insulina merece atenção especial porque é considerada um medicamento de alta vigilância. Por isso, além do cálculo, é fundamental conferir:
O Cofen também destaca, em conteúdo educativo recente sobre cálculo seguro, a importância da dupla checagem especialmente para medicamentos de alta vigilância, incluindo insulina e heparina.
Insulina U-100
Uma apresentação muito comum é:
U-100
Isso significa:
100 unidades de insulina por mL.
Portanto:
1 mL = 100 UI
0,5 mL = 50 UI
0,1 mL = 10 UI
0,01 mL = 1 UI
Porém, quando se utiliza seringa própria para insulina compatível com a concentração, a dose normalmente é lida diretamente em unidades.
Exemplo de cálculo de insulina
Prescrição:
20 UI
Disponível:
U-100 = 100 UI/mL
Pela relação:
100 UI → 1 mL
20 UI → X
X = 20 × 1 ÷ 100
X = 0,2 mL
Portanto:
20 UI = 0,2 mL de U-100.
Na prática, se estiver utilizando uma seringa de insulina adequada para U-100, a marcação correspondente a 20 unidades é utilizada, conforme o dispositivo e protocolo.
Atenção: nem toda insulina é U-100
Esse é um ponto muito importante, nunca presuma a concentração. Existem diferentes concentrações e apresentações de insulina, portanto, antes de calcular:
leia o rótulo.
Nunca administre uma insulina apenas porque “a quantidade em unidades parece correta”.
Confirme:
nome da insulina + concentração + dose prescrita + dispositivo.
Cálculo de heparina
A heparina é outro medicamento que merece atenção especial. É possível encontrar apresentações em diferentes concentrações, por isso nunca use uma concentração decorada como se fosse universal, sempre confira o frasco ou ampola.
Heparina em bolus: exemplo
Suponha:
Prescrição: 2.500 UI
Disponível:
5.000 UI/mL
Cálculo:
5.000 UI → 1 mL
2.500 UI → X
X = 2.500 × 1 ÷ 5.000
X = 0,5 mL
Resultado:
0,5 mL.
Esse é apenas um exemplo matemático. A concentração real deve ser conferida na apresentação disponível.
Heparina em infusão contínua
Imagine uma solução preparada com:
25.000 UI em 250 mL
Primeiro encontramos a concentração:
25.000 ÷ 250
= 100 UI/mL
Agora suponha uma prescrição de:
1.200 UI/h
Então:
100 UI → 1 mL
1.200 UI → X
X = 1.200 ÷ 100
X = 12 mL/h
A bomba seria programada para:
12 mL/h
desde que esse seja efetivamente o preparo e a prescrição definidos para o paciente.
Cálculo de permanganato de potássio
O permanganato de potássio merece uma atenção especial porque é um exemplo clássico em exercícios de Enfermagem, mas sua utilização clínica deve seguir prescrição, indicação e protocolo institucional. Uma concentração bastante conhecida nos exercícios é:
1:10.000
Essa proporção significa:
1 g de permanganato para 10.000 mL de solução.
Como:
1 g = 1.000 mg
temos:
1.000 mg ÷ 10.000 mL = 0,1 mg/mL.
Também podemos expressar:
1:10.000 = 0,01%
quando a proporção é massa/volume.
Como transformar porcentagem em gramas?
Essa é uma das perguntas mais comuns em provas, a definição básica é:
1% = 1 g em 100 mL
Portanto:
Concentração
Quantidade em 100 mL
0,01%
0,01 g
0,05%
0,05 g
0,1%
0,1 g
0,5%
0,5 g
1%
1 g
2%
2 g
5%
5 g
10%
10 g
20%
20 g
25%
25 g
40%
40 g
50%
50 g
A partir daí, podemos calcular qualquer volume.
Quantas gramas de glicose existem em cada porcentagem?
Essa é uma informação muito útil para estudantes de Enfermagem. Quando falamos em uma solução de glicose X%, estamos normalmente expressando:
X gramas de glicose em 100 mL de solução.
Assim:
Glicose 5%
5 g/100 mL
Em 500 mL:
25 g
Em 1.000 mL:
50 g
Glicose 10%
10 g/100 mL
Em 500 mL:
50 g
Em 1.000 mL:
100 g
Glicose 20%
20 g/100 mL
Em 500 mL:
100 g
Em 1.000 mL:
200 g
Glicose 25%
25 g/100 mL
Em 500 mL:
125 g
Em 1.000 mL:
250 g
Glicose 40%
40 g/100 mL
Em 500 mL:
200 g
Em 1.000 mL:
400 g
Glicose 50%
50 g/100 mL
Em 500 mL:
250 g
Em 1.000 mL:
500 g
Tabela completa de glicose para estudar
Solução
g/100 mL
g/500 mL
g/1.000 mL
Glicose 5%
5 g
25 g
50 g
Glicose 10%
10 g
50 g
100 g
Glicose 20%
20 g
100 g
200 g
Glicose 25%
25 g
125 g
250 g
Glicose 40%
40 g
200 g
400 g
Glicose 50%
50 g
250 g
500 g
Essa tabela pode ser muito útil para revisão antes de uma prova.
Como calcular a quantidade de glicose em um volume diferente?
Imagine:
Quantos gramas de glicose existem em 250 mL de glicose 10%?
Sabemos:
10% = 10 g em 100 mL.
Então:
100 mL → 10 g
250 mL → X
X = 250 × 10 ÷ 100
X = 25 g
Portanto:
250 mL de glicose 10% contêm 25 g de glicose.
Um detalhe importante sobre soluções de glicose
A porcentagem indica a concentração da solução, mas o profissional deve observar a apresentação real do produto, incluindo volume, concentração e informações do fabricante.
Não confunda:
glicose 5%
com
glicose 50%.
A diferença é enorme.
Glicose 5%:
5 g/100 mL
Glicose 50%:
50 g/100 mL
Ou seja, a solução 50% possui dez vezes mais glicose por volume que a solução 5%.
Rediluição de medicamentos
A rediluição é utilizada quando a quantidade de medicamento que precisamos retirar diretamente do frasco é muito pequena para ser medida com precisão ou quando o protocolo determina uma concentração intermediária para facilitar a administração.
O raciocínio é:
retirar uma quantidade conhecida do medicamento;
adicionar diluente;
obter uma concentração conhecida;
retirar dessa nova solução o volume necessário.
Exemplo didático de rediluição
Imagine:
Frasco: 500 mg em 2 mL
E precisamos administrar:
25 mg
Diretamente:
500 mg → 2 mL
25 mg → X
X = 25 × 2 ÷ 500
X = 0,1 mL
Embora matematicamente possível, 0,1 mL pode ser um volume pequeno para determinadas situações. Suponha então que, conforme protocolo institucional, façamos uma diluição intermediária utilizando:
1 mL da solução do medicamento + 9 mL de diluente = 10 mL
A quantidade de medicamento presente naquele 1 mL é:
500 mg → 2 mL
Portanto:
1 mL contém 250 mg.
Depois da rediluição:
250 mg em 10 mL
Logo:
25 mg/mL
Agora precisamos de 25 mg:
25 mg → 1 mL
Portanto:
1 mL da solução rediluída = 25 mg.
📢 Atenção: rediluição não é simplesmente “completar até 10 mL”
Essa é uma fonte comum de erro. Existe diferença entre:
adicionar 10 mL de diluente
e
obter volume final de 10 mL.
Se o protocolo determina:
“Diluir para volume final de 10 mL”
a quantidade de medicamento já ocupa determinado volume. Portanto, o diluente necessário deve ser calculado de modo que o volume final seja 10 mL. Isso é diferente de simplesmente acrescentar 10 mL.
Como evitar esse erro?
Escreva sempre:
Volume do medicamento = X mL
Volume de diluente = Y mL
Volume final = Z mL
Por exemplo:
1 mL de medicamento
9 mL de diluente
= 10 mL finais.
Essa anotação simples ajuda muito.
Cálculo de concentração após diluição
Imagine:
1.000 mg em 10 mL
A concentração é:
1.000 ÷ 10
= 100 mg/mL
Se retirarmos 2 mL:
2 × 100
= 200 mg
Essa lógica pode ser usada para conferir se o cálculo realizado faz sentido.
Mas atenção: em pediatria, cálculos por peso e volume devem ser conferidos cuidadosamente, inclusive quanto à dose máxima diária, frequência, concentração e protocolo específico.
Quando a prescrição é em mg/kg/dia
Aqui existe uma diferença importante, imagine:
30 mg/kg/dia
Paciente:
20 kg
Primeiro:
30 × 20 = 600 mg/dia
Se a prescrição for dividida em três administrações:
600 ÷ 3 = 200 mg por dose
Ou seja:
200 mg a cada administração, se a divisão em três doses estiver prevista.
Não confunda:
mg/kg/dose
com
mg/kg/dia.
Cálculo de vazão em bomba
Imagine:
100 mL para correr em 30 minutos.
Primeiro transforme 30 minutos em horas:
30 ÷ 60 = 0,5 hora
Agora:
100 ÷ 0,5
= 200 mL/h
Portanto:
200 mL/h
Cálculo de tempo de infusão
Também podemos fazer o contrário.
Se temos:
500 mL
e uma velocidade de:
100 mL/h
Então:
500 ÷ 100
= 5 horas
Portanto, a solução levará:
5 horas.
Como saber se sua resposta faz sentido?
Essa é uma habilidade que diferencia quem apenas aplica fórmula de quem realmente entende o cálculo, imagine:
1.000 mL em 10 horas.
Você encontrou:
10 mL/h.
Pare.
Isso parece correto?
Não.
Se 1.000 mL precisam ser administrados em 10 horas, esperamos aproximadamente:
100 mL/h.
Portanto, sempre faça uma estimativa mental antes de aceitar o resultado.
Erros que mais aparecem nos cálculos de Enfermagem
Alguns erros são extremamente comuns.
Confundir mg com g
1 g = 1.000 mg
Não pule essa conversão.
Confundir mL com gotas
mL é volume.
Gotas é quantidade de gotas.
São grandezas diferentes.
Esquecer de converter horas em minutos
Se a fórmula exige minutos:
1 hora = 60 minutos.
Utilizar a concentração errada
Sempre leia novamente o rótulo.
Ignorar o fator de gotas do equipo
Confira se é macrogotas ou microgotas e qual fator está indicado pelo fabricante.
Deslocar a vírgula
Esse erro pode multiplicar ou dividir a dose por 10.
Não conferir o resultado
Depois do cálculo, pergunte:
“Essa resposta faz sentido?”
Cálculo de medicamentos e os “certos” da administração
O cálculo não deve ser separado do processo de administração segura. O profissional deve conferir o paciente, medicamento, dose, via, horário e demais elementos previstos nos protocolos e práticas de segurança adotados pelo serviço. O conteúdo educativo do Cofen sobre cálculo seguro reforça justamente a importância das barreiras de segurança e da dupla checagem para medicamentos de maior risco.
Além disso, o Cofen publicou em 2026 a Resolução nº 801, que estabelece diretrizes para prescrição de medicamentos pelo enfermeiro e reforça a necessidade de protocolos, identificação adequada e rastreabilidade. Isso demonstra que cálculo, prescrição, preparo, administração e registro fazem parte de um processo de segurança muito maior.
Cuidados de Enfermagem antes de administrar uma medicação calculada
Antes da administração:
Leia a prescrição com atenção.
Identifique o paciente corretamente.
Confira alergias.
Confira o medicamento.
Confira a concentração.
Confira a validade.
Confira a via.
Confira a dose calculada.
Confira o diluente e volume final quando aplicável.
Verifique compatibilidade quando houver mais de uma solução.
Faça dupla checagem quando indicada pelo protocolo.
Confirme se o resultado do cálculo é clinicamente plausível.
Cuidados especiais com medicamentos de alta vigilância
Alguns medicamentos exigem atenção redobrada porque pequenos erros podem produzir consequências graves. Entre eles estão, conforme protocolos institucionais e classificações de segurança:
insulina;
heparina e outros anticoagulantes;
opioides;
eletrólitos concentrados;
algumas drogas vasoativas;
determinados sedativos e anestésicos.
O Cofen cita especificamente insulina, heparina e drogas vasoativas como exemplos de medicamentos para os quais a dupla checagem é especialmente importante em seu conteúdo educativo sobre cálculos.
Uma experiência que ajuda muito: escreva o cálculo
No estágio, pode parecer mais rápido fazer tudo mentalmente. Mas, principalmente quando você ainda está aprendendo, escreva.
Por exemplo:
Prescrito: 500 mg
Disponível: 1.000 mg/10 mL
Depois:
1.000 mg → 10 mL
500 mg → X
Então:
X = 500 × 10 ÷ 1.000
X = 5 mL
Essa sequência permite que outra pessoa confira seu raciocínio.
A calculadora pode ser utilizada?
Sim, uma calculadora pode ser uma excelente ferramenta para reduzir erros aritméticos. O problema não é utilizar calculadora. O problema é digitar uma informação errada na calculadora e aceitar o resultado sem verificar. Uma calculadora não sabe se você colocou:
é muito mais seguro do que confiar apenas na memória.
Exercícios de cálculo de medicamentos para praticar
Agora vamos colocar o conhecimento em prática. Tente resolver primeiro sem olhar as respostas.
Exercício 1 — Comprimidos
Foi prescrito:
750 mg
O comprimido disponível possui:
500 mg
Quantos comprimidos devem ser administrados?
Exercício 2 — Solução oral
Prescrição:
300 mg
Disponível:
600 mg em 10 mL
Quantos mL devem ser administrados?
Exercício 3 — Gotejamento
Uma solução de:
500 mL
deve ser administrada em:
5 horas.
Considerando equipo de 20 gotas/mL, quantas gotas por minuto devem ser administradas?
Exercício 4 — Microgotas
Uma solução de:
300 mL
deve correr em:
3 horas.
Considerando equipo de 60 microgotas/mL, qual será o gotejamento em microgotas/minuto?
Exercício 5 — Bomba de infusão
Uma solução de:
1.000 mL
deve ser administrada em:
10 horas.
Qual velocidade deve ser programada na bomba?
Exercício 6 — Insulina
Prescrição:
18 UI de insulina U-100.
Qual o volume correspondente em mL?
Exercício 7 — Heparina
Prescrição:
2.500 UI
Disponível:
5.000 UI/mL
Qual volume deve ser administrado?
Exercício 8 — Heparina em infusão
Uma solução contém:
25.000 UI em 250 mL.
A prescrição determina:
1.000 UI/h.
Qual velocidade deve ser programada em mL/h?
Exercício 9 — Glicose
Quantos gramas de glicose existem em:
500 mL de glicose 10%?
Exercício 10 — Glicose
Quantos gramas de glicose existem em:
250 mL de glicose 20%?
Exercício 11 — Glicose
Quantos gramas de glicose existem em:
1.000 mL de glicose 5%?
Exercício 12 — Permanganato
Considerando a concentração didática de 1:10.000, quantos miligramas de permanganato correspondem a 1.000 mL de solução?
Exercício 13 — Rediluição
Um medicamento possui:
500 mg em 2 mL.
Conforme um protocolo hipotético, você retira 1 mL e dilui até um volume final de 10 mL. Qual será a concentração final em mg/mL?
Exercício 14 — Rediluição
Utilizando a solução do exercício anterior, quantos mL da solução rediluída correspondem a:
25 mg?
Exercício 15 — Dose por peso
Um medicamento foi prescrito na dose de:
10 mg/kg/dose
para um paciente de:
25 kg.
Qual será a dose em mg por administração?
Respostas dos exercícios
Exercício 1
750 mg ÷ 500 mg
Resposta: 1,5 comprimido.
A possibilidade de fracionamento deve ser confirmada para a apresentação farmacêutica utilizada.
Exercício 2
600 mg → 10 mL
300 mg → X
X = 300 × 10 ÷ 600
Resposta: 5 mL.
Exercício 3
5 horas × 60 = 300 minutos
Gotas/min:
500 × 20 ÷ 300
= 33,33
Resposta: aproximadamente 33 gotas/minuto.
O arredondamento deve seguir a prática e o protocolo do serviço.
Exercício 4
3 horas × 60 = 180 minutos
300 × 60 ÷ 180
= 100
Resposta: 100 microgotas/minuto.
Pela relação prática:
300 mL ÷ 3 horas = 100 mL/h
e, em equipo de 60 microgotas/mL, corresponde a 100 microgotas/minuto.
Exercício 5
1.000 ÷ 10
Resposta: 100 mL/h.
Exercício 6
100 UI → 1 mL
18 UI → X
X = 18 ÷ 100
Resposta: 0,18 mL.
Em uma seringa própria para U-100, a dose deve ser conferida pela graduação correspondente em unidades.
Exercício 7
5.000 UI → 1 mL
2.500 UI → X
X = 2.500 ÷ 5.000
Resposta: 0,5 mL.
Exercício 8
Primeiro:
25.000 UI ÷ 250 mL
= 100 UI/mL
Agora:
1.000 UI/h ÷ 100 UI/mL
Resposta: 10 mL/h.
Exercício 9
Glicose 10%:
10 g → 100 mL
500 mL:
10 × 500 ÷ 100
Resposta: 50 g.
Exercício 10
Glicose 20%:
20 × 250 ÷ 100
Resposta: 50 g.
Exercício 11
Glicose 5%:
5 × 1.000 ÷ 100
Resposta: 50 g.
Exercício 12
1:10.000 significa:
1 g → 10.000 mL
1.000 mL → X
X = 1 × 1.000 ÷ 10.000
= 0,1 g
Como:
0,1 g = 100 mg
Resposta: 100 mg.
Exercício 13
O medicamento possui:
500 mg em 2 mL.
Em 1 mL:
250 mg.
Esse 1 mL foi diluído até volume final de 10 mL:
250 mg ÷ 10 mL
Resposta: 25 mg/mL.
Exercício 14
A solução possui:
25 mg/mL.
Para administrar 25 mg:
25 ÷ 25 = 1 mL.
Resposta: 1 mL.
Exercício 15
10 mg/kg × 25 kg
Resposta: 250 mg por dose.
Como estudar cálculos de Enfermagem sem decorar dezenas de fórmulas
Uma estratégia que costuma funcionar muito bem é dominar primeiro uma fórmula principal:
X = dose desejada × volume disponível ÷ dose disponível
Depois, entender as conversões:
g ↔ mg ↔ mcg
L ↔ mL
horas ↔ minutos
E, por fim, aprender as particularidades de:
gotejamento;
insulina;
heparina;
rediluição;
porcentagens;
dose por peso.
Quando você entende a lógica, percebe que muitos cálculos diferentes são apenas variações do mesmo raciocínio.
Uma dica de ouro para a prova e para o estágio
Sempre faça três perguntas antes de aceitar sua resposta:
Minha unidade está correta?
Se a pergunta pede mL e você encontrou mg, alguma coisa está errada.
Meu número faz sentido?
Se uma dose pequena resultou em 50 mL, pare e revise.
Eu usei a concentração correta?
Leia novamente o rótulo. Esses três passos conseguem identificar muitos erros antes que eles cheguem ao paciente.
Cálculo seguro é mais importante que cálculo rápido
Existe uma pressão muito comum durante o estágio:
“Preciso fazer rápido porque o plantão está corrido.”
Mas velocidade não deve ser colocada acima da segurança. O Cofen reforça que o domínio dos cálculos e diluições contribui para a prevenção de erros de preparo, dosagem e administração. No ambiente real, portanto, não há problema em parar por alguns segundos, pegar uma calculadora, escrever a fórmula e pedir uma segunda conferência.
“O objetivo não é ser o profissional que calcula mais rápido. É ser o profissional que calcula corretamente e consegue explicar como chegou ao resultado.”
Os cálculos de Enfermagem não precisam ser vistos como um bicho de sete cabeças. Gotejamento, comprimidos, soluções, insulina, heparina, permanganato, rediluição e cálculo de glicose podem parecer assuntos diferentes, mas todos partem de princípios matemáticos relativamente simples.
O que realmente exige atenção é a interpretação da prescrição, a identificação correta da concentração disponível e o controle das unidades. Na prática, uma pequena conta pode representar uma grande diferença na segurança do paciente.
Por isso, desenvolva o hábito de:
ler;
converter;
calcular;
conferir;
questionar;
e só então administrar.
E lembre-se de que o cálculo é apenas uma etapa. A administração segura também envolve identificação do paciente, medicamento, dose, via, horário, diluição, compatibilidade, monitorização, registro e cumprimento dos protocolos institucionais.
A própria orientação atual do Cofen reforça a importância de protocolos e segurança no processo relacionado aos medicamentos, enquanto seus materiais educacionais sobre cálculo seguro destacam a necessidade de conhecimento matemático e de estratégias de prevenção de erros.
Na Enfermagem, saber fazer a conta é importante. Saber conferir a conta antes de administrar é ainda mais importante.
Referências:
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Boas práticas: Cálculo Seguro – Volume II: Cálculo e diluição de medicamentos. Brasília, DF: Cofen, 2018. Disponível em: Biblioteca Virtual de Enfermagem – Cofen.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Segurança nos cálculos e diluições de medicamentos. Brasília, DF: Cofen, 2017. Disponível em: Biblioteca Virtual de Enfermagem – Cofen.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Enfermagem sem erros: cálculo de medicamentos descomplicado. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Biblioteca Virtual de Enfermagem – Cofen.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 801, de 14 de janeiro de 2026. Estabelece diretrizes para a prescrição de medicamentos pelo enfermeiro e dá outras providências. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Resolução Cofen nº 801/2026.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Cofen publica resolução que consolida diretrizes para prescrição de medicamentos por enfermeiros. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Cofen – Resolução sobre prescrição de medicamentos.
BRASIL. Ministério da Saúde. Segurança do paciente e segurança na utilização de medicamentos. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – Segurança do paciente.
CLINICAL CALCULATIONS MADE EASY. Manual de matemática aplicada à enfermagem e farmacologia clínica. São Paulo: Editora Erica, 2023. Disponível em: https://www.bibliotecavirtual.br/ (Nota: consulte os protocolos internos da sua instituição de ensino ou hospital para diretrizes complementares).
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Resolução Cofen nº 724/2023: Normas de atuação e segurança na administração de medicamentos pela equipe de enfermagem. Brasília, 2023. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/.
Estudo Dirigido: Cálculo de Medicamentos (Insulina, Heparina, Penicilina, Gotejamento, Diluição e Transformação)
Para preparar e administrar medicamentos, é preciso considerar 11 saberes, segundo Figueiredo et al (2003, p.173):
Saber quem é o cliente;
Saber quais são suas condições clínicas;
Saber seu diagnóstico;
Saber qual é o medicamento;
Saber as vias;
Saber as doses;
Saber calcular;
Saber as incompatibilidades;
Saber sobre interações medicamentosas, ambientais, pessoais e alimentares;
Saber sentir para identificar sinais e sintomas de ordem subjetiva;
Saber cuidar.
Dúvidas em cálculo de gotejamento? Veja o vídeo abaixo!
Cabe destacar que, a dose adequada é uma das partes mais delicadas da administração de medicamentos e envolve responsabilidade, perícia e competência técnico-científica. Logo, é necessário que o técnico de enfermagem entenda alguns conceitos:
– Dose: quantidade de medicamento introduzido no organismo a fim de produzir efeito terapêutico.
– Dose máxima: maior quantidade de medicamento capaz de produzir ação terapêutica sem ser acompanhada de sintomas tóxicos.
– Dose tóxica: quantidade que ultrapassa a dose máxima e pode causar conseqüências graves; a morte é evitada se a pessoa for socorrida a tempo.
– Dose letal: quantidade de medicamento que causa morte.
– Dose de manutenção: quantidade que mantém o nível de concentração do medicamento no sangue.
Unidades de medida:
– grama: unidade de medida de peso; sua milésima parte é o miligrama (mg), logo 1g corresponde a 1000mg e 1000g correspondem a 1 kg.
– litro: unidade de volume; sua milésima parte corresponde ao ml, logo, 1000ml é igual a 1l; dependendo do diâmetro do conta-gotas, 1ml corresponde a 20 gotas e 1 gota corresponde a 3 microgotas.
– centímetro cúbico (cc ou cm³): é similar ao ml, logo 1cc equivale a 1ml.
Noções elementares:
Solução é uma mistura homogênea composta de duas partes.
Suspensão é também composta por duas partes, mas difere da solução por ser heterogênea, o que significa que após centrifugação ou repouso, é possível separar os componentes, o que não ocorre na solução.
A concentração de uma mistura é determinada pela quantidade de soluto numa proporção definida de solvente, e poderá ser expressa em porcentagem (%) ou em g/L. Como exemplo temos que uma solução de glicose com 5g de glicose (soluto) dissolvida em 100 ml de água (solvente) é uma solução com concentração de 5%. Isso significa que a concentração é obtida pela divisão da massa (g) pelo volume, e é expressa em % ou g/L.
Exemplo 1) TRANSFORMAÇÃO DE SOLUÇÕES:
Para as transformações será usado como padrão o frasco de 500 ml de soro.
Temos 500 ml de soro glicosado 5 % e a prescrição foi de 500 ml a 10%.
Primeiro passo – Verifica-se quanto de glicose há no frasco a 5 %.
100 ml – 5 g
500 ml – x
x = 500 x 5 / 100 = 25g
500 ml de soro glicosado a 5% contem 25g de glicose
Segundo passo – Verifica-se quanto foi prescrito, isto é, quanto contem um frasco a 10%
100ml – 10g
500 ml – x
X = 500 x 10 / 100 = 50g
500 ml de soro glicosado a 10% contem 50g de glicose.
Temos 25g e a prescrição foi de 50g; portanto, faltam 25g.
Terceiro passo – Encontra-se a diferença procurando supri-la usando ampolas de glicose hipertônica
Temos ampola de glicose de 20 ml a 50%
100 ml – 50g
20 ml – x
X = 20 x 50 / 100 = 10g
Cada ampola de 20 ml a 50 % contem 10g de glicose
20 ml – 10g
X – 25g
X = 20 x 25 / 10 = 50 ml
Será colocado então, 50 ml de glicose a 50%, ou seja, 2 + ½ ampolas de 20 ml no frasco de 500ml a 5%. Ficaremos com 550 ml de soro glicosado.
Exemplo 2) CALCULO DE INSULINA
Temos seringa de 1 ml graduada em 40 UI, o frasco de insulina é de 80 UI por mililitro. A dose prescrita foi de 25 UI.
80 U – 25 U
40 U – x
X = 40 X 25/ 80 = 12,5 U, então aspiraremos 12,5 UI, que correspondem as 25 UI prescritas.
Quando as unidades não coincidem com o frasco:
Frasco ————- seringa
Prescrição ——–X
Exemplo: insulina simples 20 UI
Disponível: frasco ——— 40 UI
Seringa ——– 80 UI
40 ———- 80 UI
20 ———- X
X = 40 UI
Exemplo 3) DILUIÇÃO DE MEDICAMENTO (REGRA DE TRÊS)
Temos gentamicina 80 mg em ampolas de 2 ml. Foi prescrito 60 mg, quanto administrar?
2 ml – 80 mg
X – 60 mg
X = 1,5 ml
Devo administrar 1,5 ml de gentamicina.
EXERCÍCIOS DE CÁLCULO PARA DILUIÇÃO DE MEDICAMENTOS
Quantos gramas de permanganato de potássio são necessários para preparar 250 ml de solução a 2%?
Quantos gramas de cloreto de sódio são necessários para preparar 500 ml de solução salina a 7,5%?
Administrar 30 U de insulina, usando uma solução de 80 U/ml e uma seringa graduada em 40 U
Administrar 20 U de insulina, usando uma solução de 40 U/ml e uma seringa graduada em 80 U/ ml
Em quantos ml deve-se diluir 80 mg de gentamicina para se obter 705g em 0,5 ml?
Em quantos ml de soro fisiológico deve-se diluir 1g de binotal para se obter 150 mg em 1 ml?
Em quantos ml de SF deve-se diluir 10.000.000 unidades de penicilina para se obter 750.000 unidades em 1 ml ?
Administrar glicose EV. Apresentação glicose 50% em ampola de 20 ml.
Administrar Lasix, ampola de 2 ml de 20 mg/ml. Aplicar 15 mg. Quanto diluir e quantos ml administrar?
Temos frascos de penicilina cristalina 5.000.000 U, administrar 1.250.000 U.
Temos frascos de penicilina cristalina 10.000.000 U, administrar 7.000.000 U
Temos heparina, frasco de 05 ml que contem 5.000 U/ ml. Administrar:
2.500 U
12.500 U
18.000 U
20.000 U
Temos frascos de Decadron com 2,5 ml, que contem 4 mg/ml. Esta prescrito 0,8 mg, quantos ml aplicamos?
Temos frascos de Decadron com 2,5 ml, que contem 4 mg/ml. Esta prescrito 25 mg, quantos ml aplicamos?
Um frasco de Keflex 500 mg a ser diluído em 5 ml, administrar 135 mg, quantos ml isto me representa?
Temos um frasco de Mefoxim 1 g a ser diluído em 6 ml, esta prescrito 350 mg, quanto aplicaremos?
Temos um frasco de penicilina cristalina 10.000.000 U. Administrar 2.800.000 U. Diluir em 10.
Temos heparina frasco de 5 ml com 5000 U/ml. Infundindo 4 ml equilvale a quantas unidades?
Cálculo para administração de medicamentos
O cálculo para administração de medicamentos deve ser feito com muito cuidado e atenção, pois a dose deve ser precisa. Alguns medicamentos precisam ser dissolvidos em água destilada de solução fisiológica 0,9%, transformando-os em solução. Uma solução pode apresentar diferentes concentrações e ser definida como isotônica, hipotônica e hipertônica, de acordo com a quantidade de soluto presente na diluição.
Problema 1: Foram prescritos 100 mg VO de Fosfato sódico de prednisolona suspensão de 6/6 h. Quantos mililitros devem ser administrados?
Para encontrar a dose a ser administrada deve-se observar todos as informações disponibilizadas pela embalagem ou rótulo do medicamento. Os alunos buscaram então alguma relação matemática que ajudasse na resolução do problema. Verificaram a quantidade de soluto e a quantidade de solvente. No caso do medicamento descrito temos:
Em seguida, os alunos verificaram quais grandezas que poderíamos estabelecer relações, de acordo com o solicitado no problema, e se encontravam na mesma unidade de medida. Num segundo momento, os alunos passaram a identificar qual a relação existente, ou seja, as grandezas eram diretamente ou inversamente proporcionais, para depois montar a estrutura da Regra de Três. Assim encontraram:
as grandezas são diretamente proporcionais
Estando pronta a estrutura aplicaram a Regra Fundamental das Proporções, isto é, “o produto dos meios é igual ao produto dos extremos”.
A quantidade a ser administrada da suspensão de Fosfato sódico de prednisolona será 33 ml. Como o frasco da solução vem acompanhado de uma colher graduada em ml, fica fácil medir a quantidade encontrada.
Problema 2: O médico prescreveu 25 mg de Nimesulida de 12 em 12 horas, para uma criança.
A primeira sugestão dos alunos para solucionar o problema foi na mudança da forma do medicamento. Já que seria administrado a uma criança, seria bom que fosse por meio de uma solução. O professor sugeriu então que fosse diluído em 10 ml de água destilada. De acordo com as informações da embalagem tem-se 100 mg do composto em cada comprimido. Assim os alunos sugeriram dividi-lo ao meio, encontrando 50 mg, e então diluí-la em 10 ml de água destilada para retirar 25 mg em solução.
Os alunos estabeleceram mentalmente a relação entre as grandezas, centralizando mais na forma de administrar medicamento para uma criança. Encontraram então uma dose de 5,0 ml da diluição preparada com o medicamento proposto.
Cálculos com diferentes porcentagens
Estes problemas consistiam em cálculos de porcentagens que expressam a quantidade de soluto por solvente de uma solução. O professor apresentou diferentes situações aos grupos e em seguida fez com que compartilhassem as formas de raciocínio para resolução dos problemas. A maioria dos grupos utilizou a Regra de Três para solucioná-los.
Problema 1: Quantos gramas de glicose tem na solução de Soro Glicosado 5%, em frascos de 1000 mililitros?
Num primeiro momento os alunos logo resolveram a porcentagem e mostraram que 5% equivalem a 5 gramas de glicose em 100 mililitros
A partir daí encontraram a relação que
Portanto, verificaram que em 1 frasco de Soro Glicosado de 1000 mililitros contém 50 gramas de glicose.
Problema 2: O hospital tem disponível ampolas de Vitamina C a 10%, com 5 mililitros. Quantos miligramas de Vitamina C têm na ampola?
Os alunos aplicaram diretamente a Regra de três, ficando implícita a leitura da porcentagem.
Imediatamente observaram que o problema pedia a quantidade em miligramas e que a resposta encontrada se encontrava em gramas. Fizeram a transformação multiplicando o resultado por 1000, pois 1 grama equivale a 1000 miligramas. O resultado obtido foi então 500 mg de Vitamina C.
Transformação do Soro
Os problemas que envolvem transformação do soro foram exemplificados e não trabalhados elaborados pelos alunos ou sugeridos pelo professor. A idéia de primeiro exemplificá-los surgiu devido a dificuldade de interpretação dos alunos em problemas apresentados pelas obras que falam sobre cálculo em enfermagem.
Exemplo 1: Foram prescritos 1000 mililitros de Soro Glicosado a 10%. Na clínica dispomos somente de 1000 mililitros de Soro Glicosado a 5% e ampolas de glicose de 20 mililitros a 20%. Como se deve proceder para resolver este problema?
A melhor forma de resolver este problema e ver o material disponível, isto é:
Portanto, já temos 50 gramas de glicose, teremos que acrescentar mais 50 gramas. Com vimos no cálculo anterior, teremos que utilizar as ampolas de glicose a 50% e também já sabemos que 1 ampola de glicose a 5% (20 ml) tem 10 gramas de glicose.
É claro que 100 mililitros de solução de glicose a 50% (5 ampolas) não cabem no frasco de Soro Glicosado 5 %. Então teríamos que desprezar 100 mililitros de Soro glicosado a 5%. Se desprezarmos 100 mililitros estaremos jogando junto 5 gramas de açúcar (5 g – 100 ml) e teremos que repor os 5 gramas (corresponde a meia ampola de glicose a 50%). Portanto, desprezaríamos 100 mililitros do Soro Glicosado e acrescentaríamos 5 ampolas e meia de glicose a 50% (110 ml) e estaria pronto para uso a Solução Glicosada a 10% – 100 ml.
CÁLCULO DE MEDICAÇÃO
Pode ser resolvido na maioria das situações,pela utilização da regra de três. Essa regra nos ajuda a descobrir o valor de uma determinada grandeza que está incógnita. Normalmente temos 4 itens mas só sabemos 3, montamos a conta de jeito que conseguimos descobrir esse item desconhecido. Uma regra de ouro é sempre usar os mesmo tipos de medida, se a prescrição está em micrograma e a apresentação está em grama, você vai precisar converter um dos dois para que fique no mesmo tipo do outro, ou deixa os dois em grama ou deixa os dois em micrograma, senão o resultado não vai dar certo. Para aplicação da regra de três, são necessários algumas precauções prévias: As grandezas proporcionais dos termos devem estar alinhadas e o raciocínio deverá ser encaminhado para se descobrir uma incógnita por vez. Podemos aplicar regra de três quantas vezes for necessário com os termos variáveis até se conseguir o resultado desejado. A disposição dos elementos para regra de três deve ser da seguinte forma: 1ª linha -> colocar a informação 2ª linha -> colocar pergunta Em uma ampola de dipirona tenho 2 ml de solução. Quantos ml de solução tenho em três ampolas?
Não se preocupe se não entendeu bem ainda, com os exemplos de abaixo vamos esclarecer melhor. Mais uma vez o mesmo exemplo acima, do mesmo jeito só que mais resumido.
1ª passo:
Organizar a informação na primeira linha e a pergunta na 2ª linha,com o número de ampolas de um lado e ml do outro: 1º linha informação: 1 (ampola)———– 2 (ml) 2º linha pergunta: 3 ( ampola) ———– X (ml)
2ª passo:
1 x X = 2 x 3
3ª passo:
X = ( 2×3) : 1 = 6ml resposta: em 3 ampolas há 6ml de dipirona.
2ª EXEMPLO
Se 1ml contém 20 gotas,quantas gotas há em um frasco de sf 0,9% de 250ml?
1ª passo:
1ml —– 20 gotas 250ml —- x gotas
2ª passo:
1 x X = 20 x 250, X = 5.000 gotas resposta: 250 ml contém 5.000 gotas.
3º EXEMPLO
Foi prescrito 1g de cloranfenicol v.o. Quantos comprimidos de 250mg devo administrar? Esse é um dos casos da regra de ouro do começo do artigo, temos que deixar os dois do mesmo jeito ou vão ser grama ou vão ser micrograma. Vamos converter tudo para grama, assim não trabalhamos com virgulas.
Pré passo
1g (grama) é igual a 1000 mg (micrograma) então nossa 1 grama passa a ser 1000micrograma, é a mesma coisa que trocar 6 por meia dúzia porém, se não fizermos isso o cálculo não funciona, lembre o mesmo formato de medida, um em baixo do outro.
1ª passo
1cp —— 250mg x cp —–1000mg ( nossa antiga 1 grama)
2ª passo
250 x X = 1 x 1000
3ª passo
X = 1.000 : 250 então X= 4 cp resposta: devo administrar 4 comprimidos de 250mg.
3º EXEMPLO
Binotal 500mg v.o. de 6/6h.
Apresentação do binotal 250mg em comprimidos.
500mg ——- X comprimido
250mg ——- 1 comprimido 250 x X = 500 x 1 X= 500/250 X= 2 resposta: serão administrado 2 comprimidos.
4º EXEMPLO
Garamicina de 40mg im de 12/12h. Apresentação da garamicina e de 80mg ampola de 2ml. 40mg ———- X ml 80mg ——— 2 ml 80 x X = 40 x 2 X = 80/80 X = 1 Resposta: sera administrado 1ml, ou seja, 1/2 ampola.
5º EXEMPLO
Glicose 20g i.v. de 12/12h Apresentação glicose 50%, ampola de20 ml. Nesse exemplo vamos usar a mesma regra para chegar a solução, mas precisamos lembrar antes que o % “por cento” significa que existe tanto para cada 100 partes, ou seja 50% quer dizer que em 100ml do solvente temos 50 gramas do soluto. 50% = 50g ——- 100 ml Uma regra de 3 indica quantas gramas de glicose teremos em nossa ampola 50G ——- 100 ML X G ——- 20 ML 100 x X = 50 X 20 X= 1000/100 X= 10G PORTANTO, DENTRO DA AMPOLA DE 20ML DE GLICOSE 50% HÁ 10G De glicose. O PRÓXIMO PASSO É CALCULAR QUANTOS ML SERÃO USADOS. 10G ———– 20ML 20G ———- X ML 10 x X = 20 X 20 X = 400/10 X = 40 ML RESPOSTA: SERÃO ASPIRADOS 40 ML; OU SEJA,2 AMPOLAS.
Como sempre termino os artigos sobre cálculo, recomendo que pratique muito, muito mesmo, faça pelo menos dois exercícios desse tipo por dia, mesmo que esteja trabalhando, e não é só esse tipo de cálculo,mas exercite todos ao tipos que puder especialmente os mais complexos como penicilina, heparina e outros mais específicos.
Lembre sempre que em sua profissão é necessário excelência, você precisa de muita responsabilidade com seu trabalho, esteja sempre em condições.
Conceitos e medidas em medicação
Antes mesmo de aprendermos cálculos de gotejamento ou transformação de soros é necessário assimilar bem os Conceitos básicos em soluções e apresentações de medicamentos. A seguir um resumo para estudo e referência, incluindo um exemplo da regra de três.
Conceitos básicos em soluções e apresentações de medicamentos
SOLVENTE: É a parte líquida da solução, onde o elemento principal está “dissolvido” normalmente é água destilada. SOLUTO: É a porção sólida da solução, ou seja se evaporar todo liquido o que sobra no frasco é o soluto se fosse um SF (Soro Fisiológico) sobraria pó de Cloreto de Sódio. CONCENTRAÇÃO: É a relação entra quantidade de soluto e solvente.Segundo sua concentração solução pode ser classificada em : ISOTÔNICA: É uma solução com concentração igual ou mais próxima possível à concentração do sangue. HIPERTÔNICA: É uma solução com concentração maior que a concentração do sangue.
HIPOTÔNICA: É uma solução com concentração menor que à do sangue PROPORÇÃO: É uma fórmula que expressa a concentração da solução e consiste na relação entre soluto e o solvente expressa em partes. exemplo: 1:40 indica que temos 1g de soluto para 40 ml de solvente. PORCENTAGEM: É outra forma de expressar concentração. O termo por cento (%) significa centésimo. Um porcentual é uma fração cujo numerador é expresso e o denominador que não aparece é sempre 100. Ou seja o numero que vem antes do % indica quantas partes de soluto existe em 100 partes da solução. exemplo: 5% indica que temos 5g de soluto em 100 ml de solvente, se temos um soro glicosado a 5% então temos 5 gramas de glicose em cada 100 ml desse soro. REGRA DE TRÊS: Relação entre grandezas proporcionais em que são conhecidos três termos e quer se determinar o quarto termo. È o calculo mais usado para transformação de soro e diluição de medicamento. Por exemplo uma ampola de medicamento Stone com 10ml a 50% está prescrito 1 grama de Stone IV. Sabemos pela ampola que indica que a cada 100ml de solução tem 50 gramas de soluto, então precisamos saber em quantos ml teremos a 1gr desejada. 100ml—->50gr Xml——> 01gr Para saber o X fazemos uma conta cruzada e invertida, cruzada pois pegamos o que sabemos de baixo e multiplicamos pelo lado oposto do de cima e invertida porque depois dividimos esse resultado pelo numero que sobrou em cima, não é complicado , no nosso exemplo: Multiplicamos a 1grama pelos 100ml, temos então 100, dividimos pelo numero que sobrou que é o 50gr, nosso resultado é 2, então o X é igual a 2, então ainda em 2ml teremos a 1gr que precisamos administrar. COMPREENDENDO AS MEDIDAS
O sistema métrico decimal é de muita importância para cálculo e preparo de drogas e soluções. Ao preparar a medicação é necessário confirma unidade de medida e se não estiverem no mesmo tipo de fração devem ser transformadas, ou tudo está em grama ou em miligrama, não se trabalha com duas grandezas deferentes.As unidades de medidas podem ser representadas de modos diferentes,de acordo com o fator de mensuração,peso,volume ou comprimento. obs: A unidade de medida prescrita deve ser equilavente à unidade de medida à disposição no mercado. Caso não seja equivalente, é obrigatório efetuar a equivalência antes mesmo do cálculo de dosagem para preparo. A apresentação de determinadas medicações são expressas em unidades de medida,como: Apresentação: => PORCENTAGEM ( % ) => MILILITROS ( ML ) => MILIGRAMA ( MG ) => GRAMA ( G ); Existe muito mais parâmetros, porém nessa matéria estão apenas os mais comuns empregados no exercício de enfermagem. Unidade BÁSICA de Peso: => KG ( QUILOGRAMA ) => G ( GRAMA ) => MG ( MILIGRAMA ) => MCG ( MICROGRAMA) Equivalência de peso 1 KG = 1.OOOg (um quilo é igual a mil gramas) 1 kg = 1.000.000MG (um quilo é igual a um milhão de miligramas) 1G = 1000MG (um grama é igual a mil miligramas) Unidade Básica de Volume: => L ( LITRO ) => ML ( MILILITRO) Equivalência de volumes: 1 LITRO = 1.000 ML (um litro é igual a mil mililitros (ml)) Exemplos: A) 5g = 5.000 mg B) 1,5L = 1.500 ml c) 1.500mg = 1,5g d) 200 ml = 0,2 l E) 5.000 ml = 5 l
Cálculo de Gotejamento de Soro
Existem alguns conhecimentos básicos em Enfermagem, o cálculo de gotejamento de soro é um deles, mesmo com facilidades das confiáveis Bombas de Infusão muito comuns principalmente em UTIs, o profissional de enfermagem precisa saber e muito bem tanto como calcular o gotejamento do soro tanto em micro quanto em macrogotas quanto saber transformação de concentrações.
Cálculo de Gotejamento de Soro
O cálculo de velocidade de gotejamento em equipo macrogotas exige dois passos, mas é muito simples e de fácil memorização.
Fórmula gota
O numero de macrogotas (ou gotas, é o mesmo) por minuto é: Volume total em ml dividido pelo numero de horas a infundir vezes 3.
Entenda que é de fácil memorização, e o mais comum tipo de controle de infusão, o único a mais é que o numero de horas é multiplicado por 3 e esse numero é o que usamos para dividir o tempo. O tempo é multiplicado por três por um simples motivo que explicarei logo mais. Segue um exemplo prático:
O cálculo para gotejamento com equipo de microgotas é ainda mais simples que o anterior pois só tem um passo. O numero de microgotas por minuto é: Volume em ml dividido pelo numero de horas a infundir, só isso!
Fórmula microgotas
Como perceberam a relação entre microgotas por minuto e ml por hora é igual, uma regra de ouro é que o numero de microgotas é igual a quantidade de ml hora infundido: Se você precisa infundir 40ml por hora é só controlar 40 microgotas por minuto.
Exemplo microgotas
Agora que você já conhece bem gotas e microgotas, posso explicar porque na fórmula de gotas é multiplicado o tempo por 3 e na de microgotas não, vai mais uma regra de outro, uma gota contém 3 microgotas, por isso da multiplicação na fórmula anterior.
Guardando esses conceitos que repito, são de fácil memorização o profissional de enfermagem nunca vai passar grandes apuros em cálculo de gotejamento.
Para concluir normalmente o resultado é arredondado da seguinte forma, até antes de meio é arredondado para baixo, igual ou passou de meio é arredondado para cima.
Por exemplo, 27,4 será 27gt/min (27 gotas por minuto) já 27,5 será 28 gt/min.
Seguem dois exercícios para treino, procure faze-los antes de ver o resultado, e evite usar calculadoras, faça primeiro as contas “na mão” mesmo isso melhora o raciocínio.
Foi prescrito para um paciente internado em clínica médica nas 24 horas: Soro fisiológico a 0,9% 1000 ml iv + Soro glicosado 5% 1000 ml iv. Qual deve ser gotejamento ser calculado? A) 14 gotas/minuto B) 21 gotas/minuto c) 28 gotas/minuto D) 30 gotas/minuto
nº gts = volume total dividido pelo nº horas x 3 nº gts= 2000 / 24 x 3 ( entenda o “/” como dividido) nº gts = 2000 / 72 nº gtas= 27.77777 arredondados 28 Resposta “C”, 28 gotas/minuto.
Foi prescrito para um paciente internado em clínica médica nas 24 horas: Soro fisiológico a 0,9% 1000 ml iv + Soro glicosado 5% 1000 ml iv. Qual deve ser gotejamento em micro-gotas?
A) 28 micro-gotas/min B) 83 micro-gotas/min C) 40 micro-gotas/min D) 65 micro-gotas/min
Pratique sempre, evite usar a calculadora para as contas diretamente, as use só depois de fazer o cálculo na mão para conferir, treinar cálculo desenvolve o raciocínio e exercita a mente.
Transformação de Soro 2
Está costuma ser a maior dor de cabeça em cálculo que o profissional de enfermagem pode encontrar, mais comum o aumento de concentração em um soro é um processo um pouco mais trabalhoso mas, simples do mesmo jeito que o anterior…
Transformação de Soro
Transformando soluções – parte 1 Diminuindo a concentração de um soro.
Vai uma regra de ouro básica, verificar sempre na farmácia se não existe em estoque o soro prescrito antes de se empenhar numa transformação, já são comuns frascos de SG a 10, 25 e até 50%. Existe ainda no mercado SGF (Soro Glico Fisiológico) este pode ser usando ao invés de acrescentar Cloreto de Sódio em um SG ou então glicose num SF, Sempre que possível antes de iniciar uma transformação por conte de uma prescrição incomum, consulte outros colegas e superiores para prevenir desperdícios de materiais e mesmo de seu tempo.
Mas vamos ao importante, você é uma ótima profissional e vai conseguir transformar soros.
O conceito é simples, já temos em mãos um frasco de soro com certa concentração, e é pedido uma concentração diferente, só precisamos transformar a solução que temos na que precisamos.
Se for para mais concentrada acrescentamos mais soluto a solução, se for para menos concentrada diluímos mais a solução acrescentando AD (água destilada).
Em porcentagem: ex: 5%,10%,15% significa que em cada 100 partes de solvente, há respectivamente 5,10,15 partes de soluto, ou seja em SG 5% existem 5 gramas de glicose para cada 100ml de soro, entenda esse conceito é fundamental.
Exemplos práticos:
No caso de precisarmos diminuir a concentração da solução, É muito fácil, por exemplo passar um soro fisiológico de 500ml a 0,9% para 0,45%
descobrimos quantas gramas de soluto existem no volume do frasco.
Descobrimos quantas gramas de soluto precisamos ter na solução.
pela regra de três descobrimos quantos ml do frasco que já temos tem a concentração que precisamos, no caso do nosso exemplo o cálculo mostraria que 250ml da solução teriam a concentração que precisamos para todo frasco.
Desprezamos do frasco que já temos o restante da solução, ou seja os 250ml a mais.
Agora temos no frasco que já tínhamos 250ml de solução com as gramas de soluto que precisamos, só falta completar o solvente ou seja até que atinja os 500ml, vamos completar o frasco com água destilada e pronto, temos um frasco de 500ml de SF a 0,45%
Detalhe 0,45 é um numero menor que 0,9 se lembre que sempre as casas são equivalidas após a virgula então 0,9 é o mesmo que 0,90 que é maior que 0,45.
Nesse caso como é a metade da concentração que precisamos é só desprezar metade do soro pronto e completar o frasco com água destilada, assim a solução original que era de 0,9%(que é o mesmo que 0,90% lembre que depois da virgula…) proporcionalmente vai ser agora de 0,45%.
Esse raciocínio pode ser usado sempre para diminuir a concentração de solvente, em prescrições mais complicadas é só fazer a regra de três pra saber quanto precisa ficar no frasco de soro original para termos a concentração pedida e o restante é completar com AD, vamos a um exemplo:
Prescrito SF 0,60% 100ml, eu tenho frascos de SF a 0,9%, lembre que 0,9 é maior que 0,60 porque depois da virgula sempre completamos os zeros então 0,9 junta o 0 é 0,90 que é maior que os 0,65 prescrito., é muito improvável que apareça uma prescrição assim mas, serve como exemplo para treinarmos um pouco.
Sei que no soro a 0,9% existem 0,9 gramas de soluto para cada 100ml, primeiro passo
Primeiro, descobrir quantas gramas de soluto tem na solução que tenho
regra de 3 100ml da solução———0,9gramas de soluto 1000ml da solução——–X gramas de soluto 1000 vezes 9 dividido por 100 vai ser igual a 9 gramas
Segundo passo, descobrir quantas gramas precisamos na solução prescrita SF 0,60% 1000ml, já sabemos que cada 100ml de solução vão ter 0,65 gramas de soluto,
mesma coisa, regra de 3 100ml da solução———— 0,65grmas de soluto 1000ml de solução———–X gramas de soluto. 1000 vezes 0,65 dividido por 100 vai dar 6,5 gramas
Terceiro passo, quanto vamos desprezar de soro e acrescentar de AD, já sabemos que nosso frasco de 1000ml de soro original tem 9 gramas de soluto e que o soro prescrito de mesmo volume (1000ml) precisa ter só 6,5 gramas de soluto.
O técnica é simples, vamos achar o volume do soro original que tenha a concentração que precisamos, desprezar o resto e completar com água destilada, muito simples, vamos a regrinha de 3
1000ml do soro original —————-9gramas de soluto que é o que tenho X ml do soro original tem—————6,5 gramas de soluto, que é o que quero. 6,5 vezes 1000 dividido por 9 vai dar 722ml
Precisamos que fique no frasco 722ml vamos desprezar o restante, 1000ml que é oque tem no frasco ‘menos” os 722ml que é o que preciso que fique, vão sobrar (1000-722) 288ml, agora é muito fácil, vou desprezar do frasco original 288ml do soro e completar os mesmos 288ml só que com AD Pronto, temos 1000ml de SF 0,65% atendendo a exótica prescrição.
Vai mais uma regrinha de ouro:
No caso de uma prescrição incomum confirme com o médico, eles também erram e esse pode ser um caso e se não for você ainda pode ganhar uma boa explicação de porque aquele paciente precisa dessa concentração incomum de soro
Pratique muito, crie prescrições incomuns e faça seus próprios exercícios, assim numa situação real você já vai estar com um pouco de prática e tudo será mais fácil.
Transformando soluções – parte 2 Aumentando a concentração de um soro.
No primeiro artigo relembramos como diminuir a concentração de um soro, nesse é o contrário vamos aumentar a concentração de um soro.
A técnica é semelhante a anterior, precisamos descobri de quanto é a concentração do soro que temos, de quanto é a concentração que foi prescrita e qual é a concentração da solução mais concentrada que temos disponível para fazer a transformação.
Pode e vai complicar mais um pouco, existem duas variantes, se a diferença entre o soro prescrito e e o que temos for igual ou menor que 5% exemplo transformar um SG 5% para um SF a 10% a diferença é só 5%, outro caso é se a transformação prescrita for superior a 5% por exemplo temos SG5% e foi prescrito SG15% a diferença passa de 5% já é outro caso.
Relembrando
Mais importante que decorar uma fórmula é saber o conceito, sempre tente entender porque da fórmula. Quando vemos a apresentação de uma solução dizendo por exemplo: tantos ml SG 5%, quer dizer que em cada 100ml desse SG temos 5 gramas de glicose (os 100 são por causa do “por cento” %) esse conceito tem que estar muito vivo na mente de um profissional que lida com medicamentos. Assim um SG5% de 500ml tem em cada 100ml 5 gramas de glicose então se fazemos uma regra de 3:
100ml de soro tem————-5 gramas de glicose 500ml de soro tem————-X grams de glicose então 500 ml vezes 5 gramas dividido por 100ml são 25 gramas ou seja: o frasco de 500ml de SG5% tem no total 25 gramas de glicose.
Vamos precisar acrescentar mais glicose a esta solução, vamos procurar as ampolas ou pequemos frascos com a maior concentração disponíveis na farmácia, encontramos: ampola de glicose 20ml há 50%.
Neste tipo de cálculo devemos converter SG5% em SG10% com auxilio da glicose a 50%.
Fique em tranqüilidade, os passos são simples, entenda bem cada um deles antes de ir ao próximo: No caso de precisarmos aumentar a concentração da solução, vamos passar um soro glicosado de 500ml 5% para 10%, a seqüência é essa:
1- descobrimos quantas gramas de soluto tem na solução que já temos. 2- descobrimos quantas gramas de soluto precisamos ter na solução prescrita.
3- descobrimos quantas gramas tem em cada ampola que vamos usar para completar a solução.
4- colocamos o volume calculado das ampolas dentro do frasco e está transformado, se for o caso vamos antes desprezar um pouco do soro antes de completar para caber tudo.
Transformando soro com diferença menor que 5%
Como a transformação para uma maior concentração é mais trabalhosa vamos seguir um exemplo bem detalhado, o sinal de “/”(barra) quer dizer dividir:
1 PASSO: Calcular quantas gramas de glicose existem no frasco de 500ml de SG 10%. 10% = 10g ——— 100ml
PORTANTO 100ml ——– 10g 500ml ——– X então X = 500×10/100 então X = 50g, logo 500ml de sg10% contém 50g glicose.
2PASSO Calcular quantas g de glicose existe no frasco de 500ml de SG 5%. 5% = 5g ——– 100ml
PORTANTO 100ml ——-5 g 500ml —— X g X = 500 x 5 / 100 então X = 25g , logo 500ml de SG 5% contém 25g de glicose
3 PASSO Calcular quantas g de glicose existem na ampola de 20ml de glicose 50%.
PORTANTO 50% = 50g em 100ml 100ml ——50g 20ml ——– x X= 20 x 50 / 100 (regra de três) X= 10g, logo uma ampola de 20ml de glicose há 50% contém 10g de glicose.
4 PASSO Calcular quantos gramas de glicose serão necessárias colocar no SG 5% para se transformar em SG 10%. SG10% = 50G SG5% = 25G Numa simples subtração das 50g menos 25g , FALTAM 25G
5 PASSO Calcular quantos ml de glicose serão colocados no frasco de SG 5% para que se transforme em SG 10%
1 ampola de glicose 50% = 10g —-20ml faltam 25g de glicose no frasco SG 5%
25g ——- X ml 10g——- 20ml
X = 20 x 25 / 10 (regra de três) então X = 500 / 10 então X = 50ml.
RESPOSTA Serão aspirados 50ml de glicose a 50% (no caso das ampolas de 20ml serão duas e meia ampolas) e acrescentadas ao frasco de soro.
Este raciocínio poderá ser usado em qualquer transformação onde a diferença do que temos para o que queremos não passe de 5%.
QUANDO DIFERENÇA DA CONCENTRAÇÃO É SUPERIOR 5%
Neste caso quando a diferença da concentração é superior 5%, surge outro problema pois teremos que adicionar maior quantidade de glicose hipertônica o que não é possível, pois frasco não tem capacidade para tanto.
Teremos então que retirar certa quantidade ( geralmente 100ml) antes de colocarmos a glicose hipertônica e,em seguida suprir toda a falta incluindo parte que foi retirada.
Ou seja:
Vamos ter que colocar muita glicose hipertônica no frasco de soro, para isso vamos ter que tirar muito soro de dentro do frasco, só que junto com o soro vão também gramas de soluto, no caso glicose, vamos precisar calcular quanto de glicose que está sendo desprezada junto com o soro para repor junto com a glicose hipertônica.
TEMOS 500ML DE SG5% E PRECISAMOS TRANSFORMÁ-LO EM SORO A 15%.
1 PASSO: 100ML ——- 5G 500 ——- X X= 500 x 5 / 100 (regra de três) X= 25G 500ML DE SG5% CONTÊM 25G DE GLICOSE
2 PASSO: 100 ——- 15G 500 ——- X X= 500 x 15 /100 X= 75G 500ML DE SG15% CONTÉM 75 G DE GLICOSE
A DIFERENÇA ENTÃO É DE 50G(75-25).
3 PASSO
TEMOS AMPOLA DE GLICOSE DE 20ML. 100 —— 50 20 —— X X= 20 x 50 / 100 X= 10G
LOGO,CADA AMPOLA DE GLICOSE DE 20ML A 50% CONTÉM 10G DE GLICOSE.
SE UMA AMPOLA DE 20ML DE GLICOSE 50% contém 10g, em quantos ml teremos 50g.
20 ml——10g X ——— 50g X = 20 x 50 / 10 X = 100ml
DEVERÍAMOS COLOCAR 100ML DE GLICOSE A 50% COMO ISTO NÃO SERÁ POSSIVEL, TEREMOS QUE RETIRAR 100ML DO SORO A 5%.
4 PASSO 500ML ( A 5%) – 100ML = 400ML = 20G GLICOSE. PERDEMOS 5G DE GLICOSE COM RETIRADA DOS 100ML.
5 PASSO PARA SUPRIR ESTA FALTA,COLOCAREMOS MAIS 1/2 AMPOLA DE 20ML DE GLICOSE A 50%,QUE FORNECERÁ 5 GRAMAS DE GLICOSE.
FICAREMOS, ENTÃO,COM: 400ML DE SOLUÇÃO GLICOSADA A 5% =20G DE GLICOSE 110 ML DE SOLUÇÃO GLICOSADA A 50% = 55G DE GLICOSE. TOTAL: 510 ML E 75G DE GLICOSE. TEREMOS ENTÃO, 510 ML DE SORO A 15%,CONFORME PRESCRIÇÃO.
Pode parecer complicado e confuso mas, é apenas um pouco trabalho, nada que um profissional de ótimo nível técnico como você é não consiga fazer, só precisamos praticar um pouco, invente vários exercícios e os faça sempre, nem que seja um por dia.
O importante é criar o habito de praticar, não só a transformação mas todo calculo que lhe seja incomum ou menos fácil, pratique sempre e vai se manter o bom profissional que é.
Está costuma ser a maior dor de cabeça em cálculo que o profissional de enfermagem pode encontrar, mesmo que incomum, veremos que transformação de soro não é um bicho de sete cabeças, na verdade só de alguns passos, aprenda bem essa técnica…
CÁLCULO DE MEDICAÇÃO
Uma das atividades que o técnico de enfermagem realiza frequentemente é a administração de medicamentos. Para fazê-lo corretamente, na dose exata, muitas vezes ele deve efetuar cálculos matemáticos, porque nem sempre a dose prescrita corresponde à contida no frasco. Os cálculos, todavia, não são muito complicados; quase sempre podem ser feitos com base na regra de três simples.
Cálculo de medicação utilizando a regra de três simples
Na regra de três simples trabalha-se com três elementos conhecidos, e a partir deles determina-se o quarto elemento. Algumas regras práticas podem-nos auxiliar no cálculo, como demonstram os exemplos 1 e 2.
Exemplo 1:
O médico prescreve a um doente 150mg de Amicacina e no Hospital
existem apenas ampolas contendo 500mg/2 ml.
Resolução:
a) Crie a regra de três dispondo os elementos da mesma natureza
sempre do mesmo lado, ou seja, peso sob peso, volume sob volume;
b) Utilize os três elementos para criar a regra de três e descubra o valor
da incógnita x. Para facilitar a criação, pode fazer a seguinte reflexão:
Se 500mg equivalem a 2ml, 150mg serão equivalentes a x ml:
500mg = 2ml
150mg = x
Na regra de três, a multiplicação dos seus opostos igualam-se entre si.
Assim, o oposto de 500 é x e o oposto de 150 é 2, portanto:
(500) x (x) = (150) x (2)
500x = 300
Para se saber o valor de x é necessário isolá-lo, ou seja, colocar todos
os valores numéricos do mesmo lado. Passa-se o valor 500, ou qualquer
outro valor que acompanhe a incógnita (x), para o outro lado da
igualdade, o que vai gerar uma divisão. Assim:
x = 300 / 500
x = 0,6ml
Portanto, o doente deve receber uma aplicação de 0,6ml de Amicacina.
Exemplo 2:
Prescrição: 200mg de um antibiótico EV de 6/6h.
Frasco disponível no hospital: frasco em pó de 1g.
Resolução:
a) siga os mesmos passos do exemplo anterior;
b) transforme grandezas diferentes em grandezas iguais, antes de criar a regra de três; neste caso, tem que se transformar grama em miligrama;
1grama = 1.000mg
Assim, temos:
1.000mg = 5 ml
200mg = x ml
(1.000) x (x) = 200 x 5
x = (200 x 5) / 1.000
x = 1 ml
Alguns exemplos de cálculo de medicamentos:
Ampicilina
Apresentação: frasco-ampola de 1g
Prescrição médica: administrar 250mg de Ampicilina
Resolução: transformar grama em miligrama
1g = 1.000 mg
Diluindo-se em 4ml, teremos:
1.000 mg = 4 ml
250 mg = x
X = 1ml
Decadron
Apresentação: frasco de 2,5ml com 10mg (4mg/ml)
Prescrição médica: administrar 0,8mg de Decadron EV
4 mg = 1 ml
0,8 mg = x
(4) x (x) = 0,8 x 1
x = 0,8 / 4
x = 0,2 ml
Penicilina Cristalizada
Apresentação: frasco-ampola de 5.000.000U
Prescrição médica: 3.000.000U
Observação: a Penicilina de 5 milhões aumenta 2ml após a diluição.
5.000.000U = 10 ml (8ml de diluente + 2ml)
3.000.000U = x
5.000.000. x = 3.000.000. 10
x = 30.000.000 / 5.000.000
x = 6ml
Permanganato de potássio (KMNO4)
Apresentação: comprimidos de 100mg
Prescrição médica de KMNO4 a 1:40.000
Quantos ml de água são necessários para se obter a diluição prescrita?
1:40.000 significa: 1g de KMNO4 em 40.000 ml de água, ou
1.000mg de KMNO4 em 40.000ml de água.
Assim:
1.000mg = 40.000ml
100mg = x
x = 100 x 40.000 / 1000 x = 4.000ml ou 4 litros
Portanto, acrescentando-se 100mg (1 comprimido) em 4 litros de água,
obtém-se solução de KMNO4 na concentração 1: 40.000.
Heparina
Apresentação: frasco-ampola de 5ml com 25.000U (5.000/ml)
Administrar 200U de Heparina EV.
1 ml = 5000 U
x ml = 200 U
(5.000) x (x) = (1) x (200)
x = 200 / 5.000
x = 0,04 ml
Cálculo de gotejamento da infusão venosa
Exemplo: Calcular o gotejamento, para correr em 8 horas, de 500ml de
solução glicosada a 5%.
É possível calcular o gotejamento de infusões venosas pelos seguintes
métodos:
Método A
1º passo – Calcular o nº de gotas que existem no frasco de solução,
lembrando-se que cada ml equivale a 20 gotas. Com três dados
conhecidos, é possível obter o que falta mediante a utilização de regra
de três simples:
1ml = 20 gotas
500ml = x
x = 500 x 20 / 1 = 10.000 gotas
2º passo – Calcular quantos minutos há em 8 horas:
1h = 60 minutos
8h = x
x = 8 x 60 / 1
x = 480 minutos
Solução glicosada a 5% significa que em cada 100ml de solução existem
5 gramas de glicose.
3º passo – Calcular o número de gotas por minuto, com os dados
obtidos da seguinte forma:
10.000 gotas = 480 minutos
x = 1 minuto
x = 10.000 x 1/480
x = 21 gotas/minuto
Cálculo de microgotas: multiplicar o resultado por 3 = 63 mgt/min
Conteúdo Atualizado!Revisado e atualizado em 04/09/2026.
Na insulinoterapia, a conta pode ser simples; o perigo está em começar a calcular sem conferir a concentração. Uma prescrição de 20 UI não significa automaticamente 0,2 mL, porque esse resultado só é válido quando estamos diante de uma insulina U-100. É por isso que o cálculo começa no rótulo, não na calculadora.
O que significa U-100?
U-100 significa que existem 100 unidades de insulina em 1 mL.
Assim:
100 UI = 1 mL 50 UI = 0,5 mL 20 UI = 0,2 mL 10 UI = 0,1 mL 1 UI = 0,01 mL
Essa relação permite fazer a conversão entre unidades e volume quando é necessário utilizar uma seringa convencional. Quando a seringa ou caneta é própria e compatível com a concentração da insulina, a dose geralmente é selecionada diretamente em unidades, conforme o dispositivo.
A regra de três que você precisa dominar
A fórmula básica é:
Dose disponível → volume disponível Dose prescrita → X
Ou:
X = dose prescrita × volume disponível ÷ dose disponível
Exemplo 1: 20 UI de U-100
Prescrição: 20 UI
Disponível: 100 UI/mL
100 UI → 1 mL
20 UI → X
X = 20 × 1 ÷ 100
X = 0,2 mL
Portanto, 20 UI de uma insulina U-100 correspondem matematicamente a 0,2 mL.
Se estiver utilizando uma seringa de insulina U-100 adequada, entretanto, a dose deve ser medida pela graduação em unidades do próprio dispositivo, e não convertida desnecessariamente para uma seringa convencional.
Quando a seringa não é de insulina
Esse é um cenário que costuma aparecer em exercícios de cálculo.
Imagine a prescrição de 30 UI de insulina U-100, mas considere, apenas para fins didáticos, uma seringa convencional.
100 UI → 1 mL
30 UI → X
X = 30 × 1 ÷ 100
X = 0,3 mL
O resultado matemático é 0,3 mL.
Na assistência real, porém, a escolha do dispositivo deve seguir a apresentação da insulina, a prescrição, o protocolo institucional e as orientações do fabricante. Não se deve improvisar uma conversão quando existe dispositivo específico para aquela concentração.
Nem toda insulina é U-100
Aqui está uma das maiores armadilhas do cálculo. Existem insulinas concentradas, como U-200, U-300 e U-500. Em uma U-300, por exemplo, 1 mL contém 300 unidades; na U-500, são 500 unidades por mL.
Portanto, nunca aplique automaticamente a relação 100 UI = 1 mL sem conferir o rótulo. Além disso, insulinas concentradas devem ser administradas com o dispositivo indicado para aquela apresentação, pois utilizar uma seringa inadequada pode produzir erros importantes de dose.
Cinco exercícios para treinar
Nos exercícios abaixo, considere exclusivamente insulina U-100 = 100 UI/mL e imagine que a pergunta solicita a conversão matemática para mL.
Exercício 1
Prescrição: 15 UI
100 UI → 1 mL
15 UI → X
X = 15 × 1 ÷ 100
Resposta: 0,15 mL.
Exercício 2
Prescrição: 35 UI
100 UI → 1 mL
35 UI → X
X = 35 × 1 ÷ 100
Resposta: 0,35 mL.
Exercício 3
Prescrição: 48 UI
100 UI → 1 mL
48 UI → X
X = 48 × 1 ÷ 100
Resposta: 0,48 mL.
Exercício 4
Prescrição: 72 UI
100 UI → 1 mL
72 UI → X
X = 72 × 1 ÷ 100
Resposta: 0,72 mL.
Exercício 5
Prescrição: 8 UI
100 UI → 1 mL
8 UI → X
X = 8 × 1 ÷ 100
Resposta: 0,08 mL.
Perceba que a matemática praticamente não muda. O que muda na prática é a concentração disponível e o dispositivo utilizado. É justamente aí que muitos erros começam.
Uma situação que merece atenção
Imagine dois frascos visualmente semelhantes sobre a bancada. Um contém uma insulina U-100 e outro uma apresentação concentrada. A prescrição indica 20 unidades. Se o profissional assumir que qualquer insulina segue a relação 100 UI/mL, o erro matemático pode se transformar em erro de administração.
Essa situação é particularmente relevante porque erros com insulina podem envolver dose incorreta, horário, tipo de insulina, leitura do rótulo ou graduação inadequada do dispositivo. A insulina é considerada medicamento de alta vigilância justamente pelo potencial de causar danos quando ocorre uma falha no processo de utilização.
Duas situações concretas da assistência
A primeira: durante o preparo de uma dose de correção, a prescrição indica 18 UI, mas o profissional encontra na bancada uma apresentação diferente daquela habitualmente utilizada no setor. Antes de fazer qualquer conta, a concentração do frasco precisa ser conferida. Se for U-100, a conversão matemática será 0,18 mL; se a concentração for diferente, esse resultado deixa de ser válido.
A segunda: em uma rotina hospitalar, uma dose prescrita em unidades pode ser preparada com seringa de insulina compatível, tornando desnecessária a conversão para mL. O risco aparece quando alguém tenta transportar mentalmente a mesma dose para uma seringa ou dispositivo destinado a outra concentração. A conferência da apresentação e da graduação funciona como uma barreira de segurança antes da administração.
Cuidados de enfermagem
A insulina exige atenção especial porque erros de dose podem provocar hipoglicemia importante. Antes de preparar, confira paciente, insulina, concentração, dose, via, horário e dispositivo, além da glicemia quando indicada pela prescrição ou protocolo. Medicamentos de alta vigilância devem seguir a rotina de dupla checagem estabelecida pelo serviço.
Na administração, observe também a técnica prescrita, o local de aplicação, o rodízio dos locais e o aspecto da insulina quando aplicável. Insulinas em suspensão, como a NPH, exigem homogeneização conforme as orientações específicas do produto. O armazenamento também importa: a insulina não deve ser congelada, pois isso pode comprometer sua ação.
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Decore para a Prova
Para não errar na prova
Guarde esta sequência:
Leia a prescrição. 2. Confira o nome da insulina. 3. Confira a concentração. 4. Identifique a seringa ou caneta adequada. 5. Só então faça a conversão, se ela for necessária.
Para U-100, a relação matemática é:
100 UI = 1 mL
Mas não transforme isso em uma regra universal para todas as insulinas. O rótulo sempre vence a memória.
Resumo para salvar
Cálculo de Insulina: Não Erre a Dose
U-100 significa 100 unidades de insulina por mL
A fórmula é dose prescrita × volume disponível ÷ dose disponível
Nunca presuma que toda insulina é U-100; confira sempre o rótulo e o dispositivo
Insulina é medicamento de alta vigilância e exige conferência rigorosa antes da administração
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Enfermagem Sem Erros: Cálculo de Medicamentos Descomplicado. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Cofen – Cálculo de Medicamentos Descomplicado.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Insulinas Glargina e Asparte: erros de medicação, riscos e práticas seguras na utilização. Brasília, DF: Cofen. Disponível em: Cofen – Insulinas Glargina e Asparte.
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