Barreira Protetora de Pele: o que é, para que serve e quais são seus benefícios na prevenção de lesões

A pele é considerada o maior órgão do corpo humano e representa a primeira linha de defesa contra microrganismos, agentes químicos, traumas e perda excessiva de água. Quando essa barreira natural é comprometida, aumenta significativamente o risco de infecções, lesões por pressão, dermatites e outras complicações que podem dificultar a recuperação do paciente.

Dentro desse contexto, a barreira protetora de pele tornou-se um produto indispensável na assistência de enfermagem. Seja em pacientes acamados, ostomizados, com incontinência urinária ou fecal, em uso de adesivos médicos ou portadores de feridas, sua utilização auxilia na preservação da integridade cutânea e melhora a qualidade do cuidado.

Embora muitas pessoas conheçam esse produto apenas como um “spray protetor” ou “creme barreira”, ele possui diversas apresentações, indicações e características que fazem toda a diferença na prática clínica.

Nesta publicação, você conhecerá tudo sobre a barreira protetora de pele, desde seu mecanismo de ação até os cuidados de enfermagem durante sua utilização.

O que é uma barreira protetora de pele?

A barreira protetora de pele é um produto desenvolvido para formar uma película protetora sobre a superfície cutânea. Essa película cria uma barreira física invisível ou semivisível que protege a pele contra agentes externos capazes de causar irritação ou lesão.

Ela não substitui a pele, mas funciona como um reforço temporário da sua função protetora. Dependendo da formulação, essa película pode permanecer íntegra por até 24 a 72 horas, mesmo após contato com umidade.

Como funciona?

Após aplicada, a barreira cria uma camada fina e resistente que reduz o contato direto da pele com agentes agressivos, como:

  • urina;
  • fezes;
  • suor;
  • exsudato de feridas;
  • secreções;
  • adesivos médicos;
  • fricção;
  • umidade excessiva.

Essa proteção reduz o risco de maceração, irritação e rompimento da pele.

Quais são os principais tipos de barreira protetora?

Existem diversas apresentações disponíveis no mercado.

Spray

Muito utilizado em hospitais, forma uma película uniforme rapidamente. É indicado principalmente em áreas extensas ou de difícil acesso.

Lenço impregnado

Prático para uso domiciliar e hospitalar, permite aplicação controlada sem desperdício.

Creme barreira

Contém componentes hidratantes e protetores, muito utilizado na prevenção de dermatite associada à incontinência.

Gel

Alguns produtos apresentam textura em gel, facilitando a aplicação em regiões específicas.

Bastão ou stick

Menos comum, mas útil em áreas pequenas e bem delimitadas.

Em quais situações a barreira protetora é indicada?

A utilização é bastante ampla. Entre as principais indicações estão:

Dermatite associada à incontinência (DAI)

Uma das indicações mais frequentes. O contato contínuo da pele com urina e fezes provoca alterações do pH cutâneo, favorecendo inflamação e lesões. A barreira reduz esse contato e ajuda a preservar a pele.

Prevenção de lesão por pressão

Embora não substitua as mudanças de decúbito, a barreira auxilia na proteção da pele exposta à umidade e ao atrito. É considerada uma medida complementar dentro dos protocolos preventivos.

Pacientes ostomizados

As eliminações intestinais ou urinárias podem irritar intensamente a pele ao redor do estoma. A película protetora preserva essa região e melhora a aderência da placa coletora.

Feridas com muito exsudato

Quando há grande quantidade de secreção, a pele ao redor da lesão pode sofrer maceração. A barreira protege a pele perilesional, reduzindo esse risco.

Uso frequente de adesivos médicos

Curativos adesivos, eletrodos, filmes transparentes e fitas podem provocar lesões durante sua retirada. A barreira reduz a agressão causada pela remoção repetida desses dispositivos.

Pacientes em ventilação mecânica

Máscaras, tubos, fixadores e dispositivos respiratórios exercem pressão constante sobre a pele. A utilização da barreira ajuda a reduzir lesões relacionadas aos dispositivos médicos.

Quais substâncias podem estar presentes?

A composição varia conforme o fabricante.

Entre os componentes mais utilizados estão:

  • polímeros acrílicos;
  • silicone;
  • dimeticona;
  • copolímeros;
  • solventes voláteis de rápida evaporação.

Algumas formulações não contêm álcool, sendo mais indicadas para peles sensíveis ou lesionadas.

Barreira com álcool e sem álcool: qual a diferença?

Essa é uma dúvida muito comum.

Produtos com álcool

Secam rapidamente. Entretanto, podem causar ardência quando aplicados sobre pele lesionada.

Produtos sem álcool

São mais confortáveis.Apresentam menor risco de irritação. Costumam ser preferidos em pacientes com lesões, queimaduras ou pele extremamente sensível.

A barreira substitui hidratantes?

Não. Embora alguns produtos possuam componentes hidratantes, sua principal função é proteger a pele contra agentes externos. Quando há ressecamento importante, pode ser necessário utilizar hidratantes específicos conforme avaliação clínica.

A barreira interfere na fixação dos curativos?

Pelo contrário. Diversas barreiras foram desenvolvidas justamente para melhorar a aderência de alguns dispositivos adesivos, além de facilitar sua retirada posterior. Por isso, são frequentemente utilizadas antes da aplicação de curativos, placas de ostomia e filmes transparentes.

Quanto tempo dura a proteção?

Isso depende da formulação. De maneira geral, a proteção pode durar entre 24 e 72 horas, desde que a região não seja submetida a limpeza intensa ou atrito excessivo. Em pacientes com incontinência frequente ou limpeza repetitiva, pode ser necessária nova aplicação conforme recomendação do fabricante.

A barreira pode ser utilizada em feridas abertas?

Em geral, não deve ser aplicada diretamente sobre o leito da ferida, salvo quando o fabricante indicar essa possibilidade. Seu uso é destinado principalmente à pele íntegra ou à pele ao redor da lesão (pele perilesional).

Vantagens da barreira protetora de pele

Entre seus principais benefícios destacam-se:

  • proteção contra umidade;
  • redução da maceração;
  • prevenção da dermatite associada à incontinência;
  • diminuição das lesões causadas por adesivos médicos (MARSI);
  • melhora da aderência de curativos;
  • redução do desconforto do paciente;
  • auxílio na prevenção de lesões por pressão relacionadas à umidade;
  • preservação da integridade cutânea.

Limitações

Apesar de extremamente útil, a barreira não substitui medidas básicas de prevenção.

Ela não elimina a necessidade de:

  • higiene adequada;
  • mudanças de decúbito;
  • controle da umidade;
  • avaliação diária da pele;
  • uso correto de superfícies de alívio de pressão.

Ela deve fazer parte de um conjunto de medidas preventivas.

Curiosidades sobre a barreira protetora

Muitas películas protetoras são totalmente transparentes após a secagem.  Algumas resistem à água sem perder sua eficácia. A tecnologia dos polímeros modernos permite que a pele continue respirando mesmo protegida.

Os produtos atuais são desenvolvidos para não interferir na troca gasosa da pele, diversos hospitais incorporaram a barreira protetora aos protocolos institucionais de prevenção de lesões por pressão e lesões relacionadas a adesivos médicos.

Cuidados de enfermagem

A enfermagem possui papel essencial na utilização correta desse produto. Os principais cuidados incluem:

  • Avaliar diariamente a integridade da pele.
  • Identificar fatores de risco para lesões cutâneas.
  • Realizar higiene suave antes da aplicação.
  • Secar completamente a pele.
  • Aplicar uma camada fina e uniforme.
  • Respeitar o tempo de secagem indicado pelo fabricante.
  • Evitar excesso de produto.
  • Reaplicar quando necessário.
  • Observar sinais de irritação ou alergia.
  • Registrar a avaliação da pele e as intervenções realizadas.
  • Orientar pacientes e familiares quanto ao uso correto, especialmente na assistência domiciliar.

Erros mais comuns

Alguns equívocos ainda são observados na prática clínica.

Entre eles:

  • aplicar sobre pele úmida;
  • utilizar quantidade excessiva;
  • substituir a higiene pela aplicação do produto;
  • aplicar diretamente em feridas abertas sem indicação;
  • não respeitar o tempo de secagem;
  • acreditar que a barreira elimina a necessidade de mudanças de decúbito.

A barreira protetora de pele é uma importante aliada da enfermagem na prevenção de lesões cutâneas. Sua utilização correta contribui para preservar a integridade da pele, reduzir complicações relacionadas à umidade, diminuir lesões causadas por adesivos e melhorar a qualidade da assistência.

Entretanto, ela não deve ser vista como uma solução isolada. Seu uso precisa estar associado a uma avaliação criteriosa da pele, higiene adequada, controle da umidade, mudanças de posição e demais estratégias preventivas recomendadas pelos protocolos de segurança do paciente.

Conhecer suas indicações, limitações e formas de aplicação permite que estudantes e profissionais ofereçam um cuidado mais seguro, eficaz e baseado em evidências.

Referências:

  1. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Avaliação e prevenção de lesões de pele. Brasília: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br.
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de Enfermagem. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM DERMATOLOGIA (SOBENDE). Guia de práticas para prevenção de lesões de pele. São Paulo: Sobende, 2022. Disponível em: https://sobende.org.br/
  4. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESTOMATERAPIA (SOBEST). Diretrizes para prevenção e tratamento de lesões de pele. Disponível em: https://sobest.com.br
  5. EUROPEAN PRESSURE ULCER ADVISORY PANEL (EPUAP); NATIONAL PRESSURE INJURY ADVISORY PANEL (NPIAP); PAN PACIFIC PRESSURE INJURY ALLIANCE (PPPIA). Prevention and Treatment of Pressure Ulcers/Injuries: Clinical Practice Guideline. Disponível em: https://www.internationalguideline.com
  6. BRUNNER, L. S.; SUDDARTH, D. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 15. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2023.
  7. WOUND, OSTOMY AND CONTINENCE NURSES SOCIETY (WOCN). Guideline for Prevention and Management of Moisture-Associated Skin Damage (MASD). Disponível em: https://www.wocn.org

Desbridamento Autolítico: Coberturas

O desbridamento autolítico é um processo natural de limpeza da ferida, onde o próprio organismo utiliza suas próprias enzimas para remover o tecido necrosado (morto). É como se o corpo fizesse uma limpeza interna, promovendo a cicatrização.

Como funciona?

As coberturas utilizadas nesse processo, como hidrogel e hidrocolóides, criam um ambiente úmido na ferida, o que facilita a ação das enzimas, e as enzimas presentes no organismo começam a decompor o tecido morto, transformando-o em um material gelatinoso que pode ser facilmente removido com a troca do curativo.

Coberturas para Desbridamento Autolítico

Cada cobertura possui características específicas que as tornam mais adequadas para diferentes tipos de feridas e estágios de cicatrização.

Hidrogel

    • Forma um gel na ferida, proporcionando um ambiente úmido e resfriante.
    • Indicado para feridas secas e com necrose.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na redução do odor.

Hidrocolóide

    • Forma um gel na superfície da ferida, mantendo a umidade e protegendo os tecidos saudáveis.
    • Indicado para feridas com pouco ou moderado exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na promoção da granulação.

Hidropolímero

    • Absorve o exsudato e mantém a umidade da ferida, proporcionando um ambiente ideal para a cicatrização.
    • Indicado para feridas com moderado a alto exsudato.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na prevenção da maceração.

Hidrofibra

    • Fibras altamente absorventes que formam um gel em contato com o exsudato.
    • Indicado para feridas com alto exsudato e cavitárias.
    • Auxilia na remoção do tecido necrótico e na manutenção de um ambiente úmido.

Fibras hidrodesbridantes

    • Fibras que interagem com o exsudato, formando um gel que facilita a remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas com tecido necrótico aderido.
    • Auxilia na remoção do tecido necrosado de forma suave e indolor.

Iodo cadexômero

    • Libera iodo de forma gradual, proporcionando ação antimicrobiana e auxiliando na remoção do tecido necrosado.
    • Indicado para feridas infectadas ou com risco de infecção.
    • Auxilia na prevenção da colonização bacteriana e na promoção da cicatrização.

Quando usar o Desbridamento Autolítico?

  • Feridas com tecido necrosado.
  • Feridas superficiais.
  • Pacientes com pouca dor.
  • Quando outros métodos de desbridamento não são adequados.

É importante ressaltar que a escolha da cobertura ideal e a condução do tratamento devem ser realizadas por um profissional de saúde qualificado.

Referência:

  1. SOBEST; URGO. Preparo do leito da ferida. 2016. Disponível em: https://sobest.com.br/wp-content/uploads/2020/10/Preparo-do-leito-da-ferida_SOBEST-e-URGO-2016.pdf

Coberturas e Correlatos de feridas: As diferenças

No contexto médico, especialmente no cuidado de feridas, coberturas e correlatos são termos distintos, embora interligados, com funções específicas no processo de cicatrização.

Entenda as diferenças

Coberturas

  • Função principal: Entrar em contato direto com a ferida, proporcionando um ambiente propício para a cicatrização.
  • Tipos: Variedade imensa, desde curativos simples (gaze, algodão) até produtos complexos (coberturas bioabsorvíveis, películas de hidrogel).
  • Características: Escolha depende das características da ferida (exsudato, profundidade, tecido necrosado, etc.), objetivo do tratamento (absorção, cicatrização úmida, controle de infecção) e perfil do paciente.
  • Exemplos:
    • Gaze: Absorve exsudato, facilita troca gasosa.
    • Cobertura de hidrogel: Mantém ambiente úmido, favorece desbridamento autolítico.
    • Alginato: Altamente absorvente, controla sangramento, indicado para feridas cavitadas.

Correlatos

  • Função principal: Complementar a ação das coberturas, auxiliando no processo de cicatrização.
  • Tipos: Antisépticos, soluções de limpeza, cremes, pomadas, gazes impregnadas com antimicrobianos, drenos, ataduras, bandagens, etc.
  • Características: Escolha depende da cobertura utilizada, características da ferida e comorbidades do paciente.
  • Exemplos:
    • Solução de salina: Limpa a ferida, remove sujidades e detritos.
    • Antisséptico: Combate microrganismos, reduz risco de infecção.
    • Pomada cicatrizante: Estimula cicatrização, reduz formação de queloides.
    • Drenos: Removem líquidos e secreções da ferida, impedem acúmulo e formação de hematomas.

Em resumo

  • Coberturas: “Vestem” a ferida, criando um ambiente ideal para cicatrização.
  • Correlatos: “Acessórios” que complementam as coberturas, otimizando o processo.

Juntas: Coberturas e correlatos trabalham em sinergia para promover a cicatrização rápida e eficaz, prevenindo infecções e complicações.

Observações importantes

  • A escolha correta de coberturas e correlatos deve ser feita por um profissional enfermeiro, com base em avaliação individual da ferida e do paciente.
  • Automedicação pode atrasar a cicatrização e colocar em risco a saúde.
  • Siga rigorosamente as instruções do profissional quanto à troca de curativos e uso dos produtos.
  • Mantenha dúvidas e preocupações em relação ao tratamento em aberto com o profissional responsável.

Referência:

  1. COREN-SP

Técnicas de Curativos

Em um ambiente onde seja em uma Uti, enfermaria, ou na residência do cliente, é indispensável o bom conhecimento técnico para realizar os curativos, acompanhar as cicatrizações e controlar as possíveis infecções. Quem poderá  avaliar as feridas, e indicar o tipo de tratamento, é o enfermeiro, onde o mesmo realiza o exame físico e a anamnese. O técnico de enfermagem as executa, de forma correta, anota os aspectos e características da ferida, e acompanha juntamente com o enfermeiro a evolução da mesma.

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Exemplo de carrinho de curativo.

Um bom curativo começa com uma boa preparação do carro de curativos. Este deve ser completamente limpo. Deve-se verificar a validade de todo o material a ser utilizado. Quando houver suspeita sobre a esterilidade do material que deve ser estéril, este deve ser considerado não estéril e ser descartado. Deve verificar ainda se os pacotes estão bem lacrados e dobrados corretamente.

O próximo passo é um preparo adequado do paciente. Este deve ser avisado previamente que o curativo será trocado, sendo a troca um procedimento simples e que pode causar pequeno desconforto. Os curativos não devem ser trocados no horário das refeições. Se o paciente estiver numa enfermaria, deve-se usar cortinas para garantir a privacidade do paciente. Este deve ser informado da melhora da ferida. Esse métodos melhoram a colaboração do paciente durante a troca do curativo, que será mais rápida e eficiente.

A limpeza das mãos com água e sabão, que deve ser feita antes e depois de cada curativo. O instrumental a ser utilizado deve ser esterilizado; deve ser composto de pelo menos uma pinça anatômica (par de ferro), duas hemostáticas e um pacote de gaze; e toda a manipulação deve ser feita através de pinças e gazes, evitando o contato direto e consequentemente menor risco de infecção.

Material
Exemplo de bandeja de curativo.

Deve ser feita uma limpeza da pele adjacente à ferida, utilizando uma solução que contenha sabão, para desengordurar a área, o que removerá alguns patógenos e vai também melhorar a fixação do curativo à pele. A limpeza deve ser feita da área menos contaminada para a área mais contaminada, evitando-se movimentos de vai-e-vem.

Nas feridas cirúrgicas, a área mais contaminada é a pele localizada ao redor da ferida, enquanto que nas feridas infectadas a área mais contaminada é a do interior da ferida. Deve-se remover as crostas e os detritos com cuidado; lavar a ferida com soro fisiológico em jato, ou com PVPI aquoso (em feridas infectadas, quando houver sujidade e no local de inserção dos cateteres centrais); por fim fixar o curativo com atadura ou micropore.

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Em certos locais o micropore não deve ser utilizado, devido à motilidade (articulações), presença de pêlos (couro cabeludo) ou secreções. Nesses locais deve-se utilizar ataduras. Esta vede ser colocada de maneira que não afrouxe nem comprima em demasia. O enfaixamento dos membros deve iniciar-se da região dista para a proximal e não deve trazer nenhum tipo de desconforto ao paciente.

O micropore deve ser inicialmente colocado sobre o centro do curativo e, então, pressionando suavemente para baixo em ambas as direções. Com isso evita-se o tracionamento excessivo da pele e futuras lesões.

O micropore deve ser fixado sobre uma área limpa, isenta de pêlos, desengordurada e seca; deve-se pincelar a pele com tintura de benjoim antes de colocar o mesmo. As bordas devem ultrapassar a borda livre do curativo em 3 a 5 cm; a aderência do curativo à pele deve ser completa e sem dobras. Nas articulações o micropore deve ser colocado em ângulos retos, em direção ao movimento.

Durante a execução do curativo, as pinças devem estar com as pontas para baixo, prevenindo a contaminação; deve-se usar cada gaze uma só vez e evitar conversar durante o procedimento técnico. Os procedimentos para realização do curativo, devem ser estabelecidos de acordo com a função do curativo e o grau de contaminação do local.
Obedecendo as características acima descritas, existem os seguintes tipos de curativos padronizados:

Técnicas de Curativos

CURATIVO LIMPO

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  • Ferida limpa e fechada;
  • O curativo limpo e seco deve ser mantido oclusivo por 24 horas;
  • Após este período, a incisão pode ser exposta e lavada com água e sabão;
  • Utilizar PVPI tópico somente para ablação dos pontos.

CURATIVO COM DRENO

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  • O curativo do dreno deve ser realizado separado do da incisão e o primeiro a ser realizado será sempre o do local menos contaminado;
  • O curativo com drenos deve ser mantido limpo e seco. Isto significa que o número de trocas está diretamente relacionado com a quantidade de drenagem;
  • Se houver incisão limpa e fechada, o curativo deve ser mantido oclusivo por 24 horas e após este período poderá permanecer exposta e lavada com água e sabão;
  • Sistemas de drenagem aberta (p.e. penrose ou tubulares), devem ser mantidos ocluídos com bolsa estéril ou com gaze estéril por 72 horas. Após este período, a manutenção da bolsa estéril fica a critério médico.
  • Alfinetes não são indicados como meio de evitar mobilização dos drenos penrose, pois enferrujam facilmente e propiciam a colonização do local;
  • A mobilização do dreno fica a critério médico;
  • Os drenos de sistema aberto devem ser protegidos durante o banho.

CURATIVO CONTAMINADO

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Estas normas são para feridas infectadas e feridas abertas ou com perda de substância, com ou sem infecção. Por estarem abertas, estas lesões são altamente susceptíveis à contaminação exógena.

  • O curativo deve ser oclusivo e mantido limpo e seco;
  • O número de trocas do curativo está diretamente relacionado à quantidade de drenagem, devendo ser trocado sempre que úmido para evitar colonização;
  • O curativo deve ser protegido durante o banho;
  • A limpeza da ferida deve ser mecânica com solução fisiológica estéril;
  • A anti-sepsia deve ser realizada com PVP-I tópico;
  • As soluções anti-sépticas degermantes são contra-indicadas em feridas abertas, pois os tensoativos afetam a permeabilidade das membranas celulares, produzem hemólise e são absorvidos pelas proteínas, interferindo prejudicialmente no processo cicatricial;
  • Gaze vaselinada estéril é recomendada nos casos em que há necessidade de prevenir aderência nos tecidos;
  • Em feridas com drenagem purulenta deve ser coletada cultura semanal (swab), para monitorização microbiológica;

Tipos de Feridas

  • Agudas – São feridas traumáticas. Características de cicatrização:
    – O processo de cicatrização dura cerca de 06 dias.
                            Sangra ⇒ Coagula ⇒ Desidrata ⇒ Crosta.
  • Crônicas – São feridas de longa duração. Características de Cicatrização:
    – O processo de cicatrização é extenso.
    Migração Celular ⇒Limpeza da Lesão por Fagocitose ⇒ Granulação ⇒ Contração dos Bordos  ⇒Epitelização ⇒Remodelagem.

Finalidade

Tem como finalidade :

  • Aliviar a dor (Analisar a possibilidade de fazer analgesia prévia).
  • Evitar traumas (Aplicar e retirar as coberturas sem traumas, umedecendo a ferida sempre que necessário. Limpar a ferida com solução salina em jatos, utilizando seringa de 20Ml e agulha 40x 12)
  •  Evitar a Infecção (Utilizar técnica estéril e proteger as feridas abertas).
  • Manter a ferida com umidade natural (Após a limpeza da ferida, secar apenas os bordos da ferida).
  • Tratar as cavidades no caso de feridas crônicas (Ocupar o espaço morto com coberturas, favorecendo a cicatrização mais rápida).
  • Tratar as necroses no caso de feridas crônicas (Remover tecido necrótico para acelerar a cicatrização).

Tratamento para Feridas

Feridas Agudas:

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Feridas Crônicas:

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Materiais utilizados para tratamento de feridas

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O que observar e anotar sobre as Feridas:

  • Localização anatômica;
  • Aspecto dos Tecidos Adjacentes: Edema, Coloração, Pulso;
  • Em caso de dúvida, comparar com o membro não acometido pela ferida;
  • Medidas da Ferida – mensurar em sua extensão e profundidade em centímetros na admissão e semanalmente para observar a evolução do tratamento;
  • No caso de haver exposição óssea, prevenir osteomielite;
  • Aspecto e quantidade do exsudato: Seroso, purulento, Sanguinolento, misto;
  • Bordos da ferida: Contração, Maceração, Integridade;
  • Tecidos da ferida: Granulação, Esfacelo, Necrose.

Coleta de Material: A coleta de material, para avaliação de microorganismos nas feridas, deve ser feita com técnica asséptica, após a limpeza da ferida com soro fisiológico 0.9% e, preferencialmente, aspirar o exsudato (se houver coleções fechadas). Se não for possível, o swab só tem valor se colhido profundamente em tecido limpo (livre de esfacelo e necrose) para não dar falso resultado, ou seja, detectar apenas a colonização da ferida. O material colhido deve ser encaminhado ao laboratório o mais brevemente possível.

Placas de Hidrocolóides

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Os Hidrocolóides são curativos contendo agentes em formato gelatinoso, geralmente carboximetilcelulose sódica (NaCMC), pectina e gelatina. São normalmente embalados em placas de filme ou espuma de poliuretano, autoadesivas algumas e impermeáveis à água. De acordo com cada fabricante, a superfície de contato com a ferida pode apresentar variações. Estão disponíveis em placas mais finas ou mais espessas de diferentes formas. Pode ser encontrado também em formato de pasta, empregadas para preenchimento de cavidades.

Os Hidrocolóides atuam por interação com os exsudatos formando um composto úmido gelatinoso entre o curativo e o leito da úlcera; este composto propicia o desbridamento autolítico, otimizando assim a formação do tecido de granulação. Por outro lado, acredita-se que, proporcionando uma cobertura das terminações nervosas expostas no leito da ferida, os Hidrocolóides também auxiliam na diminuição da dor, muito embora os mecanismos que lhes conferem esse atributo ainda não estejam bem elucidados.

Em estado intacto os Hidrocolóides são impermeáveis aos vapores de água, mas com o processo de gelatinização no leito da ferida, o curativo se torna progressivamente mais permeável. A perda de água através do curativo aumenta sua capacidade de contribuir com a formação do exsudato. Por ocasião de sua retirada percebe-se a presença de componente líquido parecido com pus e a emissão de odor característico às vezes bastante intenso.

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Os Hidrocolóides diminuem os eventos infecciosos na medida em que oferecem certa barreira bacteriana. É preciso estar atento para a possibilidade de proliferação de anaeróbios em determinados pacientes.

Indicações principais:

  • Curativo primário ou secundário em feridas com exsudatomínimo ou leve.

Vantagens:

  • Propicia desbridamento autolítico;
  • Dificulta a invasão bacteriana;
  • Pode reduzir a dor;
  • Fácil de aplicar
  • É autoadesivo e de fácil modelagem ao local;
  • Capacidade de absorção de leve a moderada;
  • Pode ser utilizado sob terapia compressiva;
  • Reduz o trauma em áreas de pressão;
  • A troca pode ser feita de 03 a 07 dias (de acordo com as características da ferida).

Desvantagens:

  • Pode aderir fortemente à pele com possibilidade de trauma ao ser removido, razão pela qual sua remoção deve ser feita com os devidos cuidados. Atenção especial quando aplicado sobre pele friável;
  • Com o calor e a fricção amolece e perde o formato;
  • Pode provocar hipergranulação;
  • Não aplicável em feridas com espaços cavitários (exceto no formato pasta).

Obs.: Os hidrocolóides já são conhecidos e utilizados há mais de 20 anos e, apesar de raros, alguns podem provocar dermatite de contacto decorrente de substâncias usadas para conferir maior adesividade ao curativo.

Desaconselhável em:

  • Feridas com exsudato moderado ou abundante;
  • Feridas com franca infecção;
  • Pele do entorno da ferida: muito friável, com eczema ou muito macerada;
  • Feridas com exposição de músculos, tendões ou estruturas ósseas;
  • Alguns fabricantes desaconselham o uso em vasculite ativa;
  • Alguns autores recomendam EXTREMA CAUTELA em diabéticos, vasculite e feridas com componente isquêmico “devido risco aumentado de infecção por anaeróbios”.

Veja mais sobre curativos em nosso canal YouTube:

 

Dicas

Feridas e Curativos: De quem é a responsabilidade de executar?

Pergunta feita pela Sônia: “Sobre feridas, os curativos que são de competência do enfermeiro, a partir de qual tamanho ou profundidade uma escara deve ser cuidada exclusivamente pelo enfermeiro?” Cara Sônia, o tratamento de feridas tem sido desenvolvido por profissionais de Enfermagem desde o surgimento da profissão. Sabe-se que o profissional de enfermagem possui um […]