Indicações do uso do carrinho de emergência: o que você precisa saber

Em situações de urgência e emergência, cada segundo pode salvar uma vida. Por isso, a equipe de saúde precisa estar preparada não apenas em conhecimento, mas também em recursos. O carrinho de emergência, também conhecido como carrinho de parada, é um dos principais aliados nesse contexto. Ele reúne, em um único local, os materiais e medicamentos necessários para a reanimação cardiopulmonar e outras situações críticas.

Saber quando e como utilizar o carrinho de emergência é fundamental para garantir a segurança do paciente e a agilidade da assistência prestada.

O que é o carrinho de emergência?

O carrinho de emergência é um equipamento hospitalar padronizado, organizado em gavetas e compartimentos, que contém materiais como: desfibrilador/cardioversor, cilindro de oxigênio, medicamentos de reanimação, materiais para intubação orotraqueal, acesso venoso e monitorização.

Ele deve estar sempre funcional, organizado e acessível nos locais onde o risco de emergências é maior, como UTIs, pronto-socorro, salas cirúrgicas e unidades de internação.

Indicações do uso do carrinho de emergência

O carrinho de emergência não é utilizado em todas as situações, mas em momentos críticos, onde há risco imediato de morte ou necessidade de intervenção rápida. Entre as principais indicações, destacam-se:

Parada cardiorrespiratória (PCR)

A principal situação que exige o uso imediato do carrinho de emergência é a PCR. Nesse momento, cada minuto sem atendimento adequado reduz drasticamente a chance de sobrevivência do paciente. O carrinho fornece desde o desfibrilador até as drogas de primeira escolha, como adrenalina.

Instabilidade Hemodinâmica Grave

Pacientes com choque de qualquer origem (séptico, cardiogênico, hipovolêmico) que apresentam hipotensão severa, bradicardia (frequência cardíaca baixa) ou taquicardia (frequência cardíaca alta) sintomáticas, podem precisar de vasopressores, líquidos ou medicamentos para reverter o quadro, todos disponíveis no carrinho.

Arritmias graves

Em casos de arritmias ventriculares ou supraventriculares que ameaçam a vida, o carrinho de emergência permite acesso rápido a fármacos antiarrítmicos e ao cardioversor.

Insuficiência respiratória aguda

Situações em que o paciente apresenta obstrução de vias aéreas ou falência respiratória requerem o uso de materiais de intubação e ventilação disponíveis no carrinho.

Choque anafilático

O carrinho contém adrenalina, anti-histamínicos e corticoides que devem ser administrados imediatamente para evitar o agravamento do quadro.

Crises convulsivas refratárias

Além dos medicamentos de controle, o carrinho garante acesso rápido a equipamentos para suporte ventilatório, caso o paciente evolua para rebaixamento de consciência ou instabilidade clínica.

Situações intraoperatórias

No centro cirúrgico, o carrinho é indispensável para manejar complicações anestésicas, arritmias, reações alérgicas graves e instabilidades hemodinâmicas.

Cuidados de enfermagem relacionados ao carrinho de emergência

O papel da enfermagem é essencial para manter o carrinho sempre pronto para uso. Alguns cuidados fundamentais incluem:

  • Verificação diária do carrinho, checando validade e quantidade dos medicamentos.
  • Testar equipamentos como o desfibrilador e aspirador.
  • Organização padronizada, para que todos da equipe saibam onde encontrar cada item.
  • Reposição imediata de materiais e fármacos após cada uso.
  • Registro em planilha ou checklist das checagens realizadas.
  • Treinamento contínuo da equipe, para que todos saibam manusear os equipamentos em situações reais.

Esses cuidados garantem que, no momento da emergência, não haja perda de tempo procurando materiais ou lidando com falhas de funcionamento.

O carrinho de emergência é um recurso vital na prática hospitalar. Seu uso é indicado em situações de risco iminente de morte, como parada cardiorrespiratória, arritmias graves, insuficiência respiratória, choque anafilático, convulsões refratárias e complicações intraoperatórias.

Para o enfermeiro e sua equipe, não basta apenas conhecer o carrinho: é necessário mantê-lo em condições ideais, treinado e organizado. Afinal, na emergência, a diferença entre a vida e a morte pode estar a apenas alguns segundos.

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 376/2011 – Normatiza a utilização do carrinho de emergência. Brasília, 2011. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3762011_7410.html
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 142, n. 16, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIR.0000000000000918
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC). Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre emergência e reanimação cardiopulmonar).

O Papel Essencial da Equipe de Enfermagem na Parada Cardiorrespiratória

Na rotina de um hospital, especialmente em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), há momentos em que cada segundo conta. A Parada Cardiorrespiratória (PCR) é, sem dúvida, um desses momentos. Ela acontece quando o coração e a respiração de uma pessoa param de repente, e sem uma intervenção imediata, o resultado pode ser catastrófico para o cérebro e outros órgãos vitais.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, é fundamental entender que, em um cenário de PCR, o o profissional de enfermagem (enfermeiro, técnico ou auxiliar) não é apenas mais um membro da equipe. Ele é, muitas vezes, o primeiro a chegar, o primeiro a identificar o problema e o líder da resposta inicial.

Este é um papel que exige agilidade, conhecimento técnico apurado e, acima de tudo, uma liderança clara e assertiva. Vamos aprofundar um pouco mais sobre a atuação da equipe de enfermagem diante da PCR e entender como a sua liderança pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

A Resposta Imediata: O Reconhecimento e os Primeiros Passos

O enfermeiro e o técnico de enfermagem são os profissionais que estão ao lado do paciente 24 horas por dia, 7 dias por semana na UTI. Por isso, a sua capacidade de identificar os sinais de uma PCR é o ponto de partida para a sobrevivência do paciente. Ele percebe a falta de resposta, a ausência de pulso e a parada da respiração. Neste instante, a ação deve ser rápida e decisiva.

O profissional inicia imediatamente o Suporte Básico de Vida (SBV), que inclui as compressões torácicas de alta qualidade, e aciona a equipe de emergência. A partir desse momento, ele se torna o maestro de uma orquestra de socorro.

A Equipe da PCR: Cada Membro em Seu Papel

Em uma PCR, o trabalho em equipe é tudo. Uma equipe bem treinada e organizada atua de forma coordenada para garantir que as intervenções sejam feitas de maneira eficaz e sem atrasos. A organização ideal de uma equipe de resposta à PCR conta com o enfermeiro como um líder central e os seguintes papéis:

  • Responsável pela Ventilação: Um profissional que garante que as vias aéreas do paciente estejam desobstruídas e realiza a ventilação com bolsa-máscara (ambu).
  • Responsáveis pela Compressão Torácica: São necessários dois profissionais para revezar as compressões torácicas, garantindo a qualidade e a profundidade adequadas sem cansaço.
  • Líder Anotador: Um membro da equipe que registra os medicamentos administrados e o tempo de cada intervenção. Esta função é crucial para o acompanhamento e a tomada de decisões.
  • Responsável pelos Medicamentos: O profissional que prepara e administra os medicamentos conforme a indicação do médico ou o protocolo.
  • Profissional ao Lado do Monitor e Desfibrilador: Geralmente um médico, este membro da equipe avalia o ritmo cardíaco do paciente no monitor e, se indicado, realiza a desfibrilação com o Desfibrilador Externo Automático (DEA) ou o manual.

O Papel de Liderança do Enfermeiro: Organização e Ação

Em meio ao caos de uma PCR, o enfermeiro atua como um coordenador. Ele é quem direciona as ações da equipe, garantindo que cada um esteja em sua posição e cumprindo sua função. Sua autonomia e experiência são fundamentais.

  1. Coordenação da Equipe: O enfermeiro-líder distribui as tarefas, assegura que as compressões sejam eficientes e que a ventilação esteja adequada.
  2. Instalação do Desfibrilador: Ele é responsável por instalar o DEA no paciente e, se o ritmo for chocável, ele mesmo pode realizar a desfibrilação.
  3. Administração de Medicações: O enfermeiro supervisiona a manipulação e a administração dos medicamentos de emergência, como a adrenalina e a amiodarona, que são cruciais para o sucesso da reanimação.
  4. Aprimoramento Contínuo: Um bom enfermeiro-líder sabe que o aprendizado é constante. Ele busca o aprimoramento de sua equipe, utilizando tecnologias e protocolos atualizados (como os da American Heart Association – AHA) para garantir que a assistência seja sempre a mais eficaz possível.

O enfermeiro na UTI, com seu perfil de liderança, não apenas executa tarefas, mas otimiza recursos humanos e tecnológicos, tornando a assistência ágil, hábil e com maiores chances de sucesso. Acreditamos que a autonomia, a organização e o treinamento contínuo da equipe, liderados por um enfermeiro preparado, são a chave para um maior êxito na recuperação de um paciente em PCR.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf.
  3. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2016. (Referência para a metodologia de análise de conteúdo).

Tipagem Sanguínea em Animais Domésticos

A Terapia transfusional é uma prática que tem aumentado de maneira significativa na Medicina Veterinária. Os Cães e Gatos de estimação tem grande probabilidade de serem submetidos à transfusões de sangue durante a vida.

São várias as indicações: Procedimentos cirúrgicos, injúria esplênica traumática, sangramentos severos após enfermidades, choque volêmico, envenenamentos ou acidentes.

Os Tipos Sanguíneos

Em Gatos

A determinação do tipo sanguíneo pode evitar erros potencialmente fatais em transfusões e assegurar os benefícios deste procedimento nos gatos têm sido descritos três grupos sanguíneos:

  • Tipo A;
  • Tipo B;
  • Tipo AB.

Os Gatos Tipo B possuem uma grande quantidade de anticorpos Anti A e se receberem sangue Tipo A têm uma reação anafilática sistêmica grave, imediata e na maioria das vezes fatal. Os Gatos Tipo A possuem baixos níveis de anticorpos Anti B e apresentarão apenas uma leve reação quando recebem sangue Tipo B.

A sobrevida das hemácias recebidas é de dois dias. Estes animais ficarão sensibilizados e em uma segunda transfusão incompatível desenvolverão reação transfusional séria.

Os Gatos Tipo AB podem receber qualquer tipo de sangue que não irão desenvolver reação transfusional e a sobrevivência das células vermelhas é normal, em média 35 dias.

A tipagem sanguínea em gatos é também importante na tomada de decisões em cruzamentos visto que os grupos sanguíneos em gatos são herdados como traços autossômicos simples.

Tipagem Sanguínea em gatos é igual a humanos?

Os felinos possuem tipos sanguíneos semelhantes ao sistema ABO dos humanos, porém sem a existência do fator Rh.

Em Cães

Atualmente já foram descritos mais de uma dúzia de grupos sanguíneos em cães. O maior e mais imunogênico é DEA 1.1 para o qual o cão pode ser positivo ou negativo.

Os Animais DEA + só poderão doar sangue para indivíduos do mesmo grupo evitando uma potente reação transfusional hemolítica aguda.

Os Indivíduos DEA – podem doar sangue para DEA + ou DEA – Outros grupos sanguíneos ainda em estudo são DEA 7, DEA3, DEA4. A tipagem sanguínea é  o protocolo essencial para garantir uma transfusão bem sucedida na prática hemoteráptica veterinária.

Em Equinos

Nos equinos, 7 sistemas de grupos sanguíneos são reconhecidos internacionalmente (A, B, C, D, K, P, Q, U) que incluem 32 antígenos, devido às várias combinações antigênicas, aproximadamente 400.000 tipos sanguíneos são possíveis, e não existe um doador universal.

Os aloantígenos Aa e Qa são extremamente imunogênicos, e a maior parte dos casos de isoeritrólise neonatal são associados aos anticorpos anti-Aa e anti-Qa.

Um antígeno encontrado na espécie Equus asinus (burro) não foi encontrado em cavalos e é apresentado apenas por burros e mulas.

Em Bovinos

Nos bovinos, 11 sistemas de grupos sanguíneos são reconhecidos internacionalmente (A, F, J, L, M, Z, R’, B, C, S, T’), mas os grupos B e J são os que apresentam maior importância clínica.

O grupo B é extremamente complexo, tornando a compatibilidade entre transfusão muito difícil. O antígeno J é um lipídeo que é encontrado nos líquidos corporais e é adsorvido pelo eritrócito, ou seja, não é realmente um antígeno eritrocitário.

Os bezerros recém-nascidos não apresentam o antígeno J, mas geralmente o adquirem durante os primeiros 6 meses de vida. Existem variações quanto à quantidade de antígeno J que está presente, alguns bovinos podem ter anticorpos anti-J e, portanto, desenvolvem reações transfusionais quando recebem sangue J-positivo.

Vacinas de “origem sanguínea” (algumas vacinas para anaplasmose e babesiose) podem sensibilizar as vacas aos antígenos eritrocitários, o que pode resultar em uma isoeritrólise neonatal nos bezerros subsequentes.

Em Ovinos

Nos ovinos, 7 sistemas de grupos sanguíneos são reconhecidos internacionalmente (A, B, C, D, M, R, X). O sistema B nestes animais é análogo ao sistema B dos bovinos, e o sistema R é similar ao sistema J dos bovinos (os antígenos são solúveis e possivelmente adsorvidos ao eritrócito).

Em Caprinos

Os grupos sanguíneos dos caprinos (A, B, C, M, J) são muito similares aos dos ovinos. Muitos reagentes utilizados para a tipagem de ovinos têm sido utilizados para a tipagem de caprinos.

Em Suínos

Nos suínos, 16 sistemas de grupos sanguíneos são reconhecidos internacionalmente (A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P). O sistema A está relacionado com J bovino, A humano e E ovino.

Os fatores A e O não são componentes intrínsecos da membrana eritrocitária (assim como o J dos bovinos, são antígenos solúveis adsorvidos ao eritrócito após algumas semanas de vida).

Em Camelídeos

Em duas espécies de camelídeos da América do Sul (lhamas e alpacas), 6 fatores e 5 sistemas de grupos sangüíneos foram identificados (A, B, C, D, E, F). Sendo que A e B fazem parte do mesmo sistema denominado A.

Referências:

  1. BRAMS-OGG, A. C. G. Practical Blood Transfusion. In: DAY, M.; MACKIN, A.; LITTLEWOOD, J. Manual of Canine and Feline Haematology and Transfusion Medicine. 1 ed. Hampshire: British Small Animal Veterinary Association, 2000. Cap.2, p.263-303.

  2. FELDMAN, B.F.; ZINKL, J. G.; JAIN, N. C. Schalm’s  Veterinary  Hematology. 5 ed. Philadelphia : Lippincott Williams & Wilkins, 2000. 1344p.

  3. HARVEY, J. W. The erythrocyte: physiology, metabolism and biochemical disorders. In: KANEKO, J.J.; HARVEY , J.W.; BRUSS, M.L. Clinical Biochemistry of Domestic Animals. 5 ed. San Diego : Academic Press USA , 1997. Cap.7,  p.157-203.

  4. JAIN, N. C. Essencials of veterinary hematology. Philadelphia : Lea & Febiger, 1993. 417 p.

  5. NOVAIS, A. A. Prevalência dos antígenos eritrocitários caninos em cães domésticos e investigação dos parâmetros hematológicos e da ocorrência de antígenos eritrocitários em lobos-guará e cachorros-do-mato. Tese (Doutorado em Clínica Médica Veterinária ) – Faculdade de Ciência Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual de São Paulo, Campus de Jaboticabal, 2003.

Desfibrilador Automático Externo (DEA)

O DEA, ou desfibrilador Externo Automático, é um equipamento portátil destinado a reverter parada cardiorrespiratória através da detecção automática de ritmos chocáveis (fibrilação ventricular e taquicardia ventricular) e aplicação de pulso de desfibrilação bifásico.

O desfibrilador automático externo (DEA), utilizado em parada cardiorrespiratória, tem como função identificar o ritmo cardíaco “FV” ou fibrilação ventricular, presente em 90% das paradas cardíacas.

Efetua a leitura automática do ritmo cardíaco através de pás adesivas no tórax. Tem o propósito de ser utilizado por público leigo, com recomendação que o operador faça curso de Suporte Básico em parada cardíaca. Descarga: 200 J (bifásico) e 360 J (monofásico) em adultos. Crianças, acima de 8 anos – 100 J (redutor).

Não há consenso na utilização de crianças com menos de 30 kg.

Hoje, são utilizados equipamentos em unidades de emergência e UTIs, com cargas monofásicas que variam de 0 a 360 J ou bifásicas de 0 a 200 J.

Em muitos países a aquisição e utilização dos aparelhos DEA é livre e incentivada, pelas seguintes razões:

  • em caso de paragem cardiorrespiratória tem de ser aplicado de imediato, não havendo tempo para chamar um serviço de emergência;
  • os DEA atuam sozinhos/inteligentemente, aplicando o choque apenas se for estritamente necessário.

O DEA/DAE pode ser usado em pediatria, porém, veja na animação a seguir algumas ressalvas:

Cuidados com a utilização do DEA

O uso do desfibrilador acontece segundo os quatro passos seguintes:

  1. Ligue o aparelho: ligue o DEA e escute atentamente às instruções sobre como proceder.
  2. Posicione os eletrodos: normalmente, os eletrodos dos DEAs são adesivos em coxim. O direito deve ser posicionado embaixo da clavícula da vítima, enquanto o esquerdo deve ser aderido abaixo do mamilo esquerdo.

É importante que os eletrodos sejam posicionados corretamente, para que a corrente elétrica atinja mais fibras cardíacas.

  1. Aguarde o aparelho analisar a condição do paciente: depois de posicionar os coxins no paciente, instale o cabo do aparelho na luz indicativa. A partir daí, o DEA irá fazer uma análise do seu ritmo cardíaco.

É o resultado dessa análise que determinará se é necessário aplicar o choque ou não. Quando a análise aponta para a não realização do choque, deve-se prosseguir com a massagem e aguardar a chegada da emergência.

  1. Dê o choque: se a análise do desfibrilador apontar que é preciso efetuar o choque no paciente, veja primeiro se não tem ninguém muito perto ou em contato com o DEA ou com a vítima.

Assim, pressione o botão de choque. É importante ressaltar que o aparelho dá uma descarga elétrica por vez. Após dois minutos, uma nova avaliação do ritmo cardíaco é realizada, indicando o próximo passo a ser seguido.

Não remova o desfibrilador após o procedimento. Aguarde o atendimento médico.

Preparações especiais

Antes de posicionar os eletrodos do DEA no paciente, é preciso atentar a alguns detalhes. No caso em que a vítima é um homem com muito pelo na região peitoral, deve-se raspar a área antes da colocação dos coxins, a fim de que eles fiquem aderidos diretamente na pele.

Antes de utilizar um DEA, certifique-se de que o paciente não está molhado. Caso esteja, seque-o.

O eletrodo do desfibrilador também não pode ser colado sobre implantes de marca-passo e medicamentos adesivos, uma vez que pode haver interferência na corrente elétrica. É necessário retirar também acessórios de metal como joias, pulseiras e sutiãs com aro.

A cada 40 segundos um brasileiro morre devido a problemas cardíacos. Mas, com um desfibrilador por perto, você garante um atendimento a uma complicação por arritmia cardíaca em adultos e crianças em poucos minutos com uma elevada taxa de sobrevivência.

Cuidados na utilização do DEA com crianças

  • Em crianças de 1 a 8 anos, deve-se utilizar um sistema atenuador de carga pediátrico, se disponível;
  • Caso o DEA não possua o sistema atenuador pediátrico, deve-se usar um DEA padrão;
  • Para crianças com menos de 1 ano de idade, prefira o desfibrilador manual. Caso não haja um disponível, utilize o DEA com atenuação de carga pediátrica. Caso não tenha nenhum dos dois disponíveis, utilize um sem atenuador de carga;
  • A carga ideal de desfibrilação em pacientes pediátricos não é conhecida, porém pode-se considerar uma carga inicial de 2 J/kg;
  • Nos choques subsequentes, os níveis de energia devem ser de, no mínimo, 4 J/kg, podendo ser considerados níveis de energia mais altos, desde que não excedam 10 J/kg ou a carga máxima para adultos.

Caso a criança chegue à emergência ou tenha uma PCR dentro do ambiente hospitalar, sem suspeita de trauma, e ela esteja não responsiva, havendo suspeita de estar sufocada, a via aérea deve ser verificada.

As duas formas que temos para isso são as manobras chin-lift (inclinação da cabeça – elevação do queixo  e jaw-thrust (elevação da mandíbula). Ressalta-se que em caso de suspeita de trauma de crânio ou cervical, a manobra utilizada para a abertura das vias aéreas deve ser a de elevação da mandíbula (manobra jaw-thrust).

Referências:

  1. CMOs drake
  2. IESPE
  3. ANVISA
  4. Lister, Pablo et al. Uso do desfibrilador automático externo no ambiente pré-hospitalar peruano: melhorando a resposta a emergências na América Latina. Revista Brasileira de Terapia Intensiva [online]. 2009, v. 21, n. 3 [Acessado 4 Agosto 2022] , pp. 332-335. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0103-507X2009000300015&gt;. Epub 30 Out 2009. ISSN 1982-4335. https://doi.org/10.1590/S0103-507X2009000300015.