O que faz um Técnico de Enfermagem em Nefrologia?

Se você está explorando as diversas áreas da enfermagem, a nefrologia pode ter chamado sua atenção. Cuidar de pacientes com doenças renais exige um conhecimento específico e uma sensibilidade particular.

E dentro dessa especialidade, o técnico de enfermagem desempenha um papel crucial, sendo um elo fundamental entre o paciente, o enfermeiro e o tratamento.

Quer saber o que faz esse profissional no dia a dia? Vem com a gente desmistificar essa área!

O Universo da Nefrologia: Cuidando dos Nossos “Filtros”

Antes de tudo, vamos entender um pouquinho sobre a nefrologia. Essa área da medicina se dedica ao estudo e tratamento das doenças que afetam os rins, órgãos vitais responsáveis por filtrar o sangue, eliminar toxinas e manter o equilíbrio do nosso corpo.

Quando os rins não funcionam bem, todo o organismo sofre, e é aí que a equipe de nefrologia entra em ação, oferecendo suporte e tratamento para melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

O Técnico em Nefrologia: Um Suporte Indispensável

Dentro da equipe de nefrologia, o técnico de enfermagem atua sob a supervisão do enfermeiro, mas com uma autonomia importante em diversas tarefas. Ele está ali, lado a lado com o paciente, oferecendo um cuidado atencioso e técnico que faz toda a diferença. Suas responsabilidades são variadas e dependem do local de atuação (clínica de hemodiálise, ambulatório, enfermaria), mas algumas atividades são comuns:

  • Acolhimento e Preparo do Paciente: O técnico é muitas vezes o primeiro contato do paciente ao chegar para o tratamento, seja para uma sessão de hemodiálise ou uma consulta. Ele o acolhe, verifica sinais vitais, peso, e o prepara fisicamente para o procedimento, garantindo o conforto e a segurança.
  • Assistência na Hemodiálise: Essa é uma das áreas de maior atuação do técnico em nefrologia. Ele auxilia na montagem e desmontagem da máquina de hemodiálise, prepara os materiais necessários (linhas, dialisadores, soluções), conecta e desconecta o paciente à máquina, acompanha o procedimento monitorando sinais vitais e o bem-estar do paciente, identifica possíveis intercorrências e comunica ao enfermeiro. Ele também pode ser responsável pela limpeza e desinfecção dos equipamentos após cada sessão.
  • Cuidados com o Acesso Vascular: Pacientes em hemodiálise geralmente possuem um acesso vascular (fístula arteriovenosa, cateter) para conectar à máquina. O técnico de enfermagem realiza os cuidados com esse acesso, como curativos, observação de sinais de infecção ou mau funcionamento (edema, vermelhidão, calor, dor), e orienta o paciente sobre os cuidados diários em casa.
  • Administração de Medicamentos: Sob a supervisão do enfermeiro e seguindo a prescrição médica, o técnico pode administrar alguns medicamentos por via oral, intramuscular, subcutânea e até mesmo intravenosa (em alguns casos e mediante treinamento específico). Ele precisa conhecer as medicações utilizadas, suas doses, vias de administração e possíveis efeitos colaterais.
  • Coleta de Exames: Acompanhar a função renal e o estado geral do paciente exige exames regulares. O técnico de enfermagem pode ser responsável pela coleta de amostras de sangue, urina e outros materiais biológicos, seguindo os protocolos de coleta e armazenamento adequados.
  • Orientação e Educação ao Paciente e Família: O técnico tem um papel importante em orientar o paciente e seus familiares sobre diversos aspectos do tratamento, como cuidados com o acesso vascular, dieta específica para pacientes renais, controle de líquidos, importância da adesão ao tratamento e identificação de sinais de alerta.
  • Registro de Dados: Manter um registro preciso de todas as informações relevantes sobre o paciente e o tratamento é fundamental. O técnico anota em prontuário os sinais vitais, peso, intercorrências durante a hemodiálise, medicações administradas, orientações fornecidas e outras observações importantes.
  • Suporte Emocional: Lidar com uma doença crônica como a insuficiência renal pode ser desafiador para o paciente. O técnico, com seu contato próximo e frequente, pode oferecer um suporte emocional valioso, escutando suas queixas, incentivando a adesão ao tratamento e transmitindo segurança.

O Olhar Atento: Cuidados de Enfermagem Essenciais na Nefrologia

O trabalho do técnico de enfermagem em nefrologia está intrinsecamente ligado aos cuidados de enfermagem. Algumas áreas de atenção são cruciais:

  • Controle Hídrico: Pacientes renais muitas vezes têm dificuldade em eliminar líquidos, o que pode levar a edemas, aumento da pressão arterial e sobrecarga cardíaca. O técnico auxilia na monitorização do peso, do balanço hídrico (ingestão e eliminação de líquidos) e na orientação sobre a restrição hídrica.
  • Cuidados com a Dieta: A dieta para pacientes renais é complexa e exige restrição de alguns nutrientes como sódio, potássio e fósforo. O técnico reforça as orientações nutricionais fornecidas pelo nutricionista e auxilia o paciente a entender a importância da adesão à dieta.
  • Prevenção de Infecções: Pacientes renais, especialmente aqueles com cateteres, têm maior risco de infecções. O técnico segue rigorosamente os protocolos de higiene e assepsia durante os procedimentos, realiza curativos adequados e orienta o paciente sobre os sinais de infecção.
  • Prevenção de Complicações da Hemodiálise: Durante a hemodiálise, podem ocorrer complicações como hipotensão, cãibras, náuseas e vômitos. O técnico monitora o paciente de perto, identifica precocemente esses sinais e implementa as medidas preventivas e corretivas sob orientação do enfermeiro.
  • Promoção do Conforto: O tratamento dialítico pode ser desconfortável. O técnico busca oferecer conforto ao paciente, auxiliando na mudança de posição, oferecendo cobertores, ajustando a temperatura ambiente e proporcionando um ambiente acolhedor.

Uma Peça Fundamental na Engrenagem do Cuidado Renal

O técnico de enfermagem em nefrologia é um profissional essencial na equipe multidisciplinar que cuida de pacientes com doenças renais. Sua dedicação, seu conhecimento técnico e seu cuidado humano contribuem significativamente para a qualidade de vida desses pacientes e para o sucesso do tratamento. Se você se identifica com a atenção aos detalhes, a rotina estruturada e o cuidado contínuo, a nefrologia pode ser uma área gratificante para desenvolver sua carreira na enfermagem.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM EM NEFROLOGIA (SOBEN). Diretrizes para a Prática Clínica em Enfermagem em Nefrologia. [S. l.]: SOBEN, [ano da publicação mais recente]. (Consultar capítulos sobre as atividades do técnico de enfermagem). Disponível em: https://www.soben.org.br/
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA (SBN). Diretrizes Clínicas. [S. l.]: SBN, [ano da publicação mais recente]. (Consultar informações sobre o tratamento da doença renal crônica). Disponível em: https://sbn.org.br/

Hemodiálise veno-venosa contínua (CVVHD)

A hemodiálise veno-venosa contínua (CVVHD) é um procedimento de purificação do sangue utilizado para imitar a função dos rins em casos de doenças renais, como lesão renal aguda e toxicidade. Neste artigo, exploraremos os principais aspectos desse tratamento contínuo, suas indicações, técnicas e considerações clínicas.

O que é a Hemodiálise Veno-Venosa Contínua?

A hemodiálise veno-venosa contínua é uma terapia de substituição renal contínua que visa filtrar e dialisar o sangue sem interrupção. Diferentemente da hemodiálise intermitente, que ocorre em sessões periódicas, a hemodiálise veno-venosa contínua opera de forma contínua, evitando episódios de hipotensão causados pela remoção intermitente de grandes volumes de líquidos.

Indicações

Esse procedimento é indicado principalmente para pacientes com lesão renal aguda que estão hemodinamicamente instáveis e/ou que necessitam receber grandes volumes de líquidos. Alguns cenários em que a hemodiálise veno-venosa contínua pode ser apropriada incluem:

  1. Lesão Renal Aguda (LRA): Pacientes com LRA que apresentam instabilidade hemodinâmica e não toleram a hemodiálise intermitente.
  2. Choque: Pacientes em choque que necessitam de hiperalimentação e/ou vasopressores intravenosos.
  3. Insuficiência de Múltiplos Órgãos: Em casos de insuficiência de múltiplos órgãos, a hemodiálise veno-venosa contínua pode ser uma opção para manter o equilíbrio hídrico e eletrolítico.

Técnicas e Procedimentos

Existem duas abordagens principais para a hemodiálise veno-venosa contínua:

  1. Procedimento Arteriovenoso:
    • A artéria femoral é canulada, e a pressão arterial empurra o sangue através do filtro para a veia femoral.
    • As velocidades de filtração são tipicamente baixas, especialmente em pacientes hipotensos.
    • Essa via é mais simples, não requerendo uma bomba, mas pode fornecer fluxos de sangue não confiáveis em pacientes hipotensos.
  2. Procedimento Venovenoso Contínuo:
    • Utiliza-se uma bomba para dirigir o sangue de uma grande veia (femoral, subclávia ou jugular interna) através do circuito de diálise e de volta para a circulação venosa.
    • Um catéter com duplo lúmen é utilizado; o sangue é retirado e devolvido para a mesma veia.
    • Essa via permite melhor controle da pressão arterial e da velocidade de filtração, com remoção mais suave de líquidos.

Alguns Pontos Chave:

  • Procedimento Contínuo: Diferente da hemodiálise intermitente, este método opera sem interrupção, o que pode evitar episódios de hipotensão causados pela remoção intermitente de grandes volumes de líquidos.
  • Bomba de Sangue: Utiliza-se uma bomba para movimentar o sangue de uma grande veia (femoral, subclávia ou jugular interna) através do circuito de diálise e de volta para a circulação venosa.
  • Catéter Duplo Lúmen: O sangue é retirado e devolvido para a mesma veia por meio de um catéter com duplo lúmen.
  • Anticoagulação: Os procedimentos requerem anticoagulação, frequentemente regional, para prevenir a coagulação do sangue durante o processo.

Anticoagulação

Ambos os procedimentos requerem anticoagulação, geralmente regional, para prevenir a coagulação do sangue durante o processo. A anticoagulação regional com citrato é uma opção, na qual o sangue é infundido com citrato para evitar a coagulação, e o cálcio é reinfundido à medida que o sangue retorna ao paciente.

Esse método evita as complicações da heparinização sistêmica.

Em resumo, a hemodiálise veno-venosa contínua é uma ferramenta valiosa no tratamento de pacientes com lesão renal aguda e instabilidade hemodinâmica. A escolha entre as vias arteriovenosa e venovenosa deve ser individualizada, considerando as necessidades clínicas de cada paciente.

Cuidados de Enfermagem

  1. Preparação e Monitoramento:
    • Antes da sessão de hemodiálise, é essencial preparar o paciente. Isso inclui verificar os sinais vitais, avaliar o acesso vascular (fístula ou cateter), e garantir que o paciente esteja confortável e bem informado sobre o procedimento.
    • Durante a diálise, monitore constantemente os sinais vitais, a pressão arterial e o estado geral do paciente. Esteja atento a qualquer alteração e comunique prontamente a equipe médica.
  2. Punção de Fístula ou Manejo do Cateter:
    • Se o paciente possui uma fístula arteriovenosa (AVF) ou um cateter venoso central (CVC), realize a punção ou manejo adequado.
    • A punção da AVF deve ser feita com técnica asséptica para evitar infecções. Observe o fluxo sanguíneo e a permeabilidade da fístula.
    • No caso de CVC, verifique a integridade do curativo, evite manipulações excessivas e observe sinais de infecção.
  3. Programação da Máquina e Montagem do Circuito:
    • A máquina de hemodiálise deve ser programada de acordo com as prescrições médicas. Verifique os parâmetros, como taxa de filtração, tempo de sessão e concentração de soluções.
    • Monte o circuito de diálise com cuidado, garantindo que todas as conexões estejam seguras e sem vazamentos.
  4. Atenção Física e Emocional:
    • A hemodiálise pode ser um processo cansativo e emocionalmente desafiador para o paciente. Esteja presente para oferecer apoio e conforto.
    • Monitore os níveis de desconforto, náuseas, cãibras e outros sintomas. Administre medicações conforme necessário.
  5. Documentação e Comunicação:
    • Registre todas as intervenções realizadas durante a hemodiálise. Isso inclui dados vitais, observações e qualquer ocorrência relevante.
    • Comunique-se com a equipe multidisciplinar, incluindo médicos, nutricionistas e assistentes sociais, para garantir uma abordagem completa e integrada ao cuidado do paciente.

Referências:

Cateter de Tenckhoff

O Cateter de Tenckhoff é um material apropriado e flexível que é colocado no abdome do paciente para realização da diálise peritoneal. Por este cateter, o líquido de diálise peritoneal será infundido e drenado.

A colocação do cateter é feita por meio de um pequeno procedimento cirúrgico, por cirurgião geral e com anestesia local.

A Diálise Peritoneal

Diálise Peritoneal (DP)

A diálise peritoneal é uma técnica de substituição da função renal alternativa à hemodiálise. Geralmente, é utilizada no quinto estágio da insuficiência renal crônica, isto é na fase mais avançada dessa insuficiência.

Nas situações de insuficiência renal aguda grave é muito rara a sua utilização, encontrando-se bem definido o papel da hemodiálise e de técnicas dialíticas contínuas como a hemofiltração venovenosa nessas situações agudas.

Uma das grandes vantagens da diálise peritoneal prende-se com o fato de se tratar de uma técnica ambulatória, geralmente domiciliária.

Se o doente se encontrar dependente de uma terceira pessoa, a técnica pode ser executada por um cuidador (Diálise Peritoneal Assistida) no próprio domicílio ou em Lares ou Unidades de Cuidados Continuados.

diálise peritoneal contínua ambulatória (DPCA) é a variante mais utilizada dessa técnica. O paciente executa 3 a 4 trocas (passagens) manuais durante o dia. A diálise peritoneal automática é efetuada com recurso a uma cicladora. O doente é conectado a essa máquina durante a noite.

Referências:

  1. Pró Rim