Tipos de drenos cirúrgicos: o que todo estudante de enfermagem precisa saber

Os drenos cirúrgicos são dispositivos utilizados para remover líquidos, secreções ou ar acumulados em cavidades ou feridas após procedimentos cirúrgicos. Sua finalidade principal é prevenir complicações, como infecções, hematomas, seromas ou até mesmo o colapso pulmonar, dependendo do local onde estão instalados.

Para a enfermagem, compreender os tipos de drenos, seus mecanismos de funcionamento e os cuidados necessários é fundamental para garantir uma assistência segura e eficaz ao paciente.

Por que Usamos Drenos?

O acúmulo de fluidos no local da cirurgia (conhecido como seroma) pode ser um ambiente ideal para o crescimento de bactérias, levando a infecções e atrasando a cicatrização. Os drenos agem como um “aspirador”, removendo o excesso de líquido ou ar, permitindo que os tecidos se recuperem adequadamente.

Tipos de Drenos: Um Guia Prático

Os drenos podem ser classificados de várias formas, mas a maneira mais simples de entendê-los é por seu mecanismo de ação: por gravidade ou por sucção.

Drenos por Gravidade

Esses drenos funcionam com a ajuda da gravidade para que o líquido saia do corpo.

  • Dreno de Penrose: É um dos mais antigos e simples. É um tubo de látex, fino e macio, que fica aberto nas duas extremidades. Ele não tem reservatório e o líquido é coletado em uma gaze ou bolsa. É frequentemente usado em cirurgias menores, como abscessos.
    • Cuidados de Enfermagem: Avaliar a quantidade e o aspecto do líquido drenado. Proteger a pele ao redor do dreno, pois o líquido pode ser irritante. Trocar o curativo frequentemente.
  • Dreno Tubular Aberto: São drenos simples, em formato de tubo, que podem ser conectados a sistemas bolsa de coleta. São bastante versáteis, podendo ser utilizados em procedimentos abdominais, ortopédicos e de partes moles.

Drenos por Sucção

Esses drenos utilizam uma força de vácuo para “puxar” o líquido para fora do corpo, sendo mais eficientes.

  • Dreno de Portovac: É um sistema fechado que utiliza um reservatório em formato de sanfona ou de pera. Quando o reservatório é comprimido, ele cria um vácuo que suga o líquido para dentro. É muito utilizado em cirurgias de grande porte, como mamoplastias e cirurgias abdominais.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter a sucção do reservatório. Esvaziar o reservatório periodicamente, medir o volume drenado e registrar as características do líquido. Observar se há vazamentos ou obstruções no tubo.
  • Dreno de Blake: Similar ao Portovac, mas com um tubo de silicone que tem múltiplos canais. Ele também usa um sistema de sucção e é menos propenso a obstruções.
  • Dreno de Sucção Seca: É um sistema de sucção que utiliza um regulador de pressão de parede, sem a necessidade de um reservatório manual. É comumente usado em drenagem de tórax.
  • Dreno de Tórax: É um dreno tubular que é inserido no espaço pleural (entre o pulmão e a parede torácica) para remover ar (pneumotórax), líquido ou sangue. Ele é conectado a um sistema de selo d’água, que impede que o ar volte para o tórax.
    • Cuidados de Enfermagem: Manter o sistema de drenagem abaixo do nível do tórax do paciente. Observar o borbulhamento no selo d’água (que indica saída de ar) e as oscilações da coluna d’água, que mostram que o dreno está funcionando. Nunca clampear (fechar) o dreno de tórax sem uma prescrição médica rigorosa.

Outros tipos de drenos utilizados em procedimentos médicos

Além dos já citados, existem outros drenos bastante comuns na prática clínica:

  • Dreno de Kehr: em forma de “T”, usado principalmente em cirurgias das vias biliares para drenagem de bile.
  • Dreno Malecot: com extremidade alargada em “asas”, muito usado em urologia, como na drenagem vesical ou renal.
  • Dreno de Pezzer: semelhante ao Malecot, mas com extremidade em formato de cogumelo, também empregado em drenagem urinária ou gástrica.
  • Drenos de aspiração fechada (como Jackson-Pratt): semelhantes ao Portovac, mas com reservatório em forma de bulbo, comuns em cirurgias de pequeno porte.

Cuidados de enfermagem com drenos

A nossa atuação é o elo entre a técnica e a segurança do paciente. Para o cuidado com os drenos, devemos seguir alguns passos:

  1. Avaliação: A cada plantão, avaliar o local de inserção do dreno, buscando sinais de infecção (vermelhidão, inchaço, calor, dor).
  2. Monitoramento: Medir o volume do líquido drenado a cada 6 ou 12 horas, dependendo do protocolo, e registrar as características do líquido (cor, odor, consistência).
  3. Higiene: Realizar a limpeza da pele ao redor do dreno com técnica asséptica e trocar o curativo, se necessário.
  4. Manutenção do Sistema: Em drenos de sucção, garantir que o vácuo seja mantido. Em drenos de tórax, verificar o borbulhamento e a oscilação.
  5. Fixação: Certificar-se de que o dreno esteja bem fixado à pele para evitar que ele seja puxado acidentalmente.
  6. Educação do Paciente: Explicar ao paciente a função do dreno, a importância de não puxá-lo e como ele pode ajudar a manter o sistema seguro.

Os drenos cirúrgicos são recursos indispensáveis na prática médica e de enfermagem, pois garantem a cicatrização adequada e previnem complicações graves. Cada tipo de dreno possui características próprias e é indicado para situações específicas.

Para o estudante de enfermagem, compreender os diferentes modelos e os cuidados necessários é um passo essencial para prestar uma assistência segura, qualificada e humanizada no período pós-operatório.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Boas Práticas para o Processamento de Produtos para Saúde. 2. ed. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_reprocessamento_produtos.pdf
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre cirurgia e cuidados com drenos).
  3. BRUNNER, Lillian Sholtis; SUDDARTH, Doris Smith. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
  4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012.
  5. COELHO, Maria Sílvia. Drenos cirúrgicos: indicações e cuidados de enfermagem. Revista de Enfermagem Referência, Coimbra, v. 4, n. 5, p. 133-140, 2012. Disponível em: https://revistas.rcaap.pt/referencia/article/view/1462

Capacidade do Selo d´água do dreno de tórax

A capacidade do selo d’água de um dreno torácico depende do tipo de sistema de drenagem utilizado e da quantidade de líquido ou ar que é removido do espaço pleural.

O que é um selo d´água?

O selo d’água fica dentro de uma frasco que contém água estéril ou soro fisiológico, e que impede a entrada de ar no tórax, mantendo a pressão negativa intrapleural e a expansão pulmonar.

O selo d’água deve estar submerso em 2,5 cm de altura em relação ao fundo do frasco.

O que corresponde a cerca de 300 ml para frasco de drenagem com capacidade de 1000 ml e 500 ml para de frasco de drenagem com capacidade de 2000 ml.

O selo d’água deve ser trocado a cada 12 ou 24 horas, ou sempre que estiver sujo ou contaminado.

A troca do selo d’água requer cuidados de higiene, assepsia e proteção individual, além de monitorização do volume e aspecto do conteúdo drenado.

A oscilação do nível de água no selo indica que o sistema está funcionando adequadamente e que há sincronia entre a respiração do paciente e o fluxo do dreno.

Referência:

  1. https://periodicos.furg.br/vittalle/article/download/11619/8861/42399

Os Tipos de Drenagem de Tórax

A drenagem torácica é o procedimento indicado quando se deseja evacuar o conteúdo aéreo ou líquido anômalo da cavidade pleural.

Existem 3 tipos de sistema de mecanismo de drenagem, de acordo com cada tipo de situação:

Drenagem Passiva

É o processo de drenagem mais comumente utilizado.

Esse tipo de drenagem se faz devido à força gravitacional e à existência de uma pressão positiva intrapulmonar, que expulsa o conteúdo intrapleural para o frasco coletor.

Após o posicionamento do dreno na cavidade da pleura, sua extremidade deverá estar mergulhada em recipiente que contenha líquido suficiente para mantê-la submersa, formando o chamado selo d ‘ água.

A extremidade imersa no líquido funciona como válvula unidirecional (selo d’água), que durante a expiração permite a passagem do produto drenado para o frasco coletor, porém durante a inspiração impede o retorno desse drenado por se elevar uma coluna de água que estabiliza a diferença de pressão entre o frasco coletor e a pressão intrapleural.

Drenagem Ativa

Na drenagem ativa ou por pressão negativa, é aplicada, ao sistema de drenagem, uma pressão inferior à existente na cavidade torácica, por meio da conexão a um sistema de aspiração contínua com o objetivo de forçar o movimento do líquido e do ar, contidos na cavidade pleural, em direção ao frasco coletor.

A pressão aplicada deve ser entre (-20 e -30 cmH2O), não excedendo esses valores devido ao risco de aspiração de tecido pulmonar e lesões.

Drenagem com Válvulas de Heimlich

A válvula de Heimlich é um sistema de válvula unidirecional usado por cirurgiões torácicos em várias situações. O dispositivo é considerado seguro e não é fator impeditivo para a alta hospitalar.

É flexível e previne o retorno de gases e fluídos para dentro do espaço pleural. A válvula mede menos de 13 cm (5 inches) de comprimento e facilita a deambulação do paciente.

Tem diversas indicações e pode substituir o sistema tradicional de drenagem com selo d ‘água. O sistema funciona em qualquer posição e dispensa clampeamento.

Prevenindo riscos e complicações

  • A drenagem torácica é uma técnica invasiva e não é isenta de riscos e complicações.
  • Durante o procedimento de inserção do dreno de tórax podem ocorrer dor, sangramento devido à ruptura de algum vaso, perfuração do pulmão e formação de enfisema subcutâneo.
  • A inserção em situação de emergência ou em movimento (ex: ambulância) pode ser um desafio, a depender da habilidade do médico executor e do posicionamento do paciente.
  • Importante assegurar a reexpansão do pulmão. Caso isto não ocorra após a drenagem, a aspiração contínua controlada (com pressão negativa de até 20 cm de água) pode ser necessária, juntamente com a fisioterapia respiratória
  • Não se deve clampear os drenos habitualmente. Particularmente em casos de fístula aérea, o clampeamento pode levar à piora do pneumotórax e até à situação de pneumotórax hipertensivo.
  • A retirada do dreno torácico deve ser feita com a garantia de ausência de fístula aérea, baixo volume líquido de drenagem (menor ou igual a 100ml/dia) e total expansão pulmonar.
  • É conveniente manter a drenagem por pelo menos 24 horas após a última evidência de escape de ar pelo dreno antes de retirá-lo.
  • O controle radiológico periódico permite avaliar a expansão pulmonar adequada.
  • A avaliação da função pulmonar e da condição clínica do paciente são determinantes da avaliação da terapêutica instituída.

Referências:

  1. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.Diretriz Pneumotórax. 2006. Vol. 32. Supl 4. jornaldepneumologia.com.br/content-supp/76
  2. Drenagem Torácica, p.129-138. In: Cuidando do paciente crítico: procedimentos especializados/editores Sandra Cristine da Silva, Patrícia da Silva Pires, Cândida Márcia de Brito. São Paulo: Editora Atheneu, 2013.
  3. Gogakos et al. Ann Transl Med. 2015 Mar; 3(4):54. doi: 10.3978/j.issn.2305-5839.2015.03.25.

Bandeja para Drenagem Torácica

Para que serve?

Dar saída à coleções líquidas ou gasosas do espaço pleural, mediastino ou cavidade torácica, restaurando a pressão no espaço pleural ou reexpandindo o pulmão colapsado, restaurando a função cardio-respiratória normal, após cirúrgia, traumatismo ou afecções clínicas.

Executor:

Médico

Materiais Necessários

  • Mesa auxiliar
  • Foco auxiliar
  • Caixa de pequena cirurgia
  • Drenos de tórax compatíveis com a finalidade
  • Gazes estéreis
  • Fio de sutura mono-nylon 2,0 ou 3,0 agulhados
  • Seringa 10ml descartável para anestesia
  • Agulhas para anestesia (40×12 e 30×7)
  • clorexidina alcoólica a 0,5%
  • Xylocaína 2% sem vasoconstritor
  • Lâmina de bisturi de acordo com o cabo do bisturi
  • Luvas estéreis
  • Campo fenestrado
  • Frascos de drenagem conforme a solicitação do cirurgião
  • Soro fisiológico ou água estéril para preenchimento do frasco de drenagem (+500ml)
  • Fita adesiva
  • Recipiente para lixo

Etapas do Procedimento

Médico:

  • Técnica asséptica;
  • O médico deve usar paramentação cirúrgica;
  • Lavar as mãos corretamente e calçar luvas estéreis;
  • antissepsia da pele;
  • Colocação de campo;
  • Anestesia local e/ou se necessário sedo-anestesia;
  • Incisão e dissecção dos tecidos;
  • Colocação do dreno;
  • Fixação do dreno;
  • Curativo;
  • Verificação do sistema;
  • Confirmar posicionamento do dreno com Rx de tórax;

Enfermagem:

  • Lavar as mãos corretamente;
  • Abrir os pacotes com técnica asséptica;
  • Preparar o paciente, posicionando-o;
  • Colocar o antisséptico na cuba ;
  • Segurar o frasco de anestésico para o médico, realizando a antissepsia prévia com álcool 70%;
  • Colocar soro ou água esterilizada dentro do frasco;
  • Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água ;
  • Calçar as luvas;
  • Após a introdução do dreno, auxiliar na conexão deste à extremidade distal do sistema, sem contaminar;
  • Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome no frasco de drenagem e quantos ml de água foram colocados;
  • Após o término do procedimento, descartar os materiais perfuro-cortantes em recipiente adequado;
  • Encaminhar os instrumentais para a CME e arrumar o local;

Para a troca de frascos: quando alcançar 2/3 da capacidade do frasco

  • Lavar as mãos corretamente;
  • Calçar luvas estéril;
  • vestir máscara;
  • proteger a inserção do dreno com campo estéril;
  • Pinçar o intermédiário realizar assepsia com álcool 70 % na conexão do dreno e intermediário ;
  • Pegar novo frasco de drenagem;
  • Colocar soro ou água estéril dentro do frasco;
  • Instalar a tampa no frasco, de modo que a haste fique submersa cerca de 1,5 a 2 cm na água (cerca de 500ml);
  • Desconectar o intermediário e encaixá-lo usado e encaixá-lo ao frasco limpo;
  • Retirar as pinças do dreno;
  • Colar na altura-limite da água, o rótulo com a hora, dia e nome de quem trocou o frasco de drenagem e quantos ml de água foram colocados;
  • Encaminhar o frasco para a sala de utilidades, desprezar o conteúdo e colocar o frasco em lixo infectante, se descartável, ou para a limpeza e esterilização, se de vidro;
  • Anotar no prontuário do paciente o aspecto e o volume drenado;

Cuidados/Observações/Orientações

  • Toda vez que houver necessidade de se elevar o frasco acima do nível do tórax do paciente (transporte, deambulação, etc), clampliar os drenos;
  • Manter o frasco abaixo do nível do tórax;
  • O dreno não pode ficar diretamente no chão, utilizar o cordão para fixá-lo na lateral da cama;
  • Trocar o frasco de drenagem quando este acumular cerca de 2/3 do volume da capacidade do frasco. O frasco não deve ser esvaziado e reutilizado. Ele deve ser substituído;
  • Se o volume diário drenado for de 100ml a 150 ml e a capacidade do frasco estiver próximo ao limite perguntar ao médico sobre a necessidade de troca;
  • Frascos de drenagem de pneumotórax não necessitam de troca;
  • Observar o funcionamento do sistema de drenagem;
  • Estimular o paciente à movimentação no leito;
  • Estimular exercício respiratório.
  • A montagem e manutenção de sistemas com dois ou três frascos devem ser orientadas pelo médico.

Referências:

  1. LYNN, Pamela. Manual de habilidades de Enfermagem Clínica de Taylor.
  2. POTTER. Guia completo de procedimentos e competências de enfermagem.
  3. COREN-SP. Boas práticas com drenos de tórax.

Válvula de Heimlich

A Válvula de Heimlich foi descrita para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água, sendo projetada para evitar o refluxo de fluidos e ar para o paciente.

Disponível com e sem saco coletor pré-conectado, é indicado principalmente para procedimentos de cirurgia torácica, como por exemplo o pneumotórax.

Vantagens

Henry Heimlich, em 1968, idealizou um dispositivo para substituir os sistemas de drenagem sob selo d’água convencionalmente utilizados, apresentando vantagens, tais como:

  • Conferir maior mobilidade ao paciente;
  • Não necessitar de pinçamento durante o transporte;
  • E oferecer maior segurança e facilidade de higienização.

Propôs, então, uma válvula, de pequenas dimensões, que permite a passagem de fluido ou ar em uma única direção, evitando o refluxo para a cavidade pleural.

Além dessas vantagens, seria de fácil utilização e entendimento pela equipe médica, de enfermagem e, inclusive, pelo próprio paciente.

O sistema também mantém-se funcionando, independentemente de sua posição ou nível, tornando a drenagem pleural mais confiável.

O Enfermeiro e a Válvula de Heimlich

Quanto a competência do Enfermeiro em reconectar nova válvula de Heimlich por desconexão da anterior, por solicitação médica:

A troca da válvula de Heimlich pode ser feita pelo Enfermeiro se o mesmo tiver recebido capacitação para tal procedimento e com a prescrição do médico.

Referências:

  1. BEYRUTI, RICARDO et al. A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. Jornal de Pneumologia [online]. 2002, v. 28, n. 3 [Acessado 2 Outubro 2021] , pp. 115-119. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001&gt;. Epub 05 Nov 2002. ISSN 1678-4642. https://doi.org/10.1590/S0102-35862002000300001.
  2. ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2017

Dreno de Wayne

Conforme a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, a incidência de pneumotórax espontâneo primário é de cerca de 6 a 10 casos por 100 mil habitantes por ano.

A doença incide predominantemente em homens, mais altos e mais magros, com idade entre 20 e 40 anos.

Quase sempre é unilateral, um pouco mais frequente à direita. É mais comum nos fumantes devido à inflamação das vias aéreas, sendo proporcional ao número de cigarros por dia. A incidência do pneumotórax espontâneo secundário é semelhante à do primário, sendo mais frequente em pacientes acima dos 60 anos de idade.

O Dreno

O dreno de Wayne é um cateter fino, do tipo pig tail, utilizado em conjunto com a válvula de Heimlich, para drenagem de pneumotórax de diferentes etiologias. Este sistema, foi idealizado para substituir os drenos com selo d’água, constitui-se de uma válvula unidirecional, que funciona em qualquer altura que esteja posicionado, é menos doloroso e mais confortável para o paciente.

Diversos estudos compararam a eficácia do tratamento de pneumotórax entre tubos de pequenos calibres versus tubos de calibres maiores e o resultado mostrou que drenos em pigtail são tão efetivos quanto os drenos torácicos de maior calibre e proporcionam uma maior tolerância para os pacientes, maior mobilidade, menos dor e uma técnica de inserção menos invasiva.

Beyruti et.al. realizaram um estudo no qual avaliaram a eficácia de um sistema unidirecional (válvula de Heimlich), e puderem concluir que a válvula de Heimlich mostrou-se eficiente na resolução do pneumotórax de diferentes etiologias, a sua manipulação foi mais simples e rápida do que a drenagem em selo d´água.

Além disso, a boa tolerância referida pela maioria absoluta (94,8%) dos pacientes é fator que determina maior precocidade de alta hospitalar, bem como incentiva o tratamento ambulatorial do pneumotórax

A Coleta do líquido de dreno de tórax pela Equipe de Enfermagem

Existe a ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2016, no qual questiona “Solicitação de esclarecimentos quanto a competência do Enfermeiro para a coleta de líquido de dreno de tórax, para exames laboratoriais pela torneirinha do dreno de Wayne com seringa“, onde conclui-se que:

“O enfermeiro tem como função a manutenção e curativo deste tipo de dreno, e uma vez que o dreno de Wayne já vem com a torneirinha e não dispõe de selo d’água, desde que o Enfermeiro tenha recebido orientação/treinamento sobre o procedimento, faça uma desinfecção adequada da torneirinha e use técnica estéril, ele pode colher material para  laboratório conectando a seringa à torneirinha do dreno, com a prescrição do médico”.

Veja também:

Drenagem Torácica: O que é?

Referências:

  1. Martin, K., Emil, S., Zavalkoff, S., Lo,A.,Ganey, M., Baird, R., Gaudreault, J., Mandel, R., Perreault, T., Pharand, A. (2013). Transitioning from stiff chest tubes to soft pleural catheters: prospective assessment of a practice change. Europeam Journal Pediatric Surgery, 23:389-393. Doi:10.1055/s-0033-1333641.
  2. Lin, C., Lin, W., Chand, J. (2011) Comparison of pigtail cateter with chest tube for drainage of parapneumonic effusion in children. Pediatrics and neonatology 52,337-341. Doi:10.1016/j.pedneo.2011.08.007.
  3. Beuruti, R., Villiger, L., Campos, J., Silva, R., Fernandez, A., Jatene, F. (2002). A válvula de Heimlich no tratamento do pneumotórax. J. Pneumol. 28(3).
  4. ORIENTAÇÃO FUNDAMENTADA Nº 029/2016

Dreno de Abramson

O Dreno de Abramson faz parte do sistema de drenagem de abcessos, denominado “Cárter”.

Um dreno de “cárter” é uma ferramenta médica usada para extrair líquidos. Esse instrumento de drenagem de fluidos também é conhecido como “sistema de poço”, ou “bomba de sucção” (termo livre traduzido do inglês  “suction pump”), e consiste em um pequeno tubo dentro de um grande.

Um dreno de cárter pode extrair fluídos de uma cavidade através de um tubo, permitindo que o ar entre na cavidade para substituir os fluídos. Esse movimento de fluidos é possível através da sucção.

Este dreno triplo lúmen se tornou bem rotineiro na última década como um dreno para multi-funções, pois permite drenagem por transbordamento ou sucção (fechada ou bombeamento), para coleta de culturas ou análise de fluídos, irrigação contínua ou intermitente e administração de medicamentos.

Outras melhorias foram feitas no dreno na busca por dreno cirúrgico ideal. Agora é feito de silicone, possui uma faixa radiopaca, local para sutura, um conector moldado ao triplo lúmen com um tubo de drenagem, porta de irrigação, filtro bacteriano e tampas.

Além disso, o dreno pode ser indicado em pediatria, cirurgias de mama, cirurgias plásticas, cirurgias de cabeça e pescoço entre outros.

Clique aqui para ver um vídeo de exemplo, de como é feito a limpeza com flush de salinização em um sistema de drenagem de abcesso!

Referências:

Pebmed

Dreno de Sucção Sistema Fechado

dreno portovac

O Dreno de Sucção de Sistema Fechado, ou conhecido popularmente como Dreno de Portovac, é um sistema de drenagem fechado que utiliza de uma leve sucção (vácuo), apresentando um aspecto de sanfona.

Consiste em manter a pressão dentro para facilitar a drenagem, é usada em cirurgias que se espera sangramento no pós-operatório, ou seja, secreção sanguinolenta. Pode ser usado em cirurgias ortopédicas, neurológicas e oncológicas.

Contra-indicação

Não pode ser usado em cirurgias que a dura-mater não esteja totalmente fechada, ela aberta provoca dor, desconforto, e pode fazer sucção do LCR (líquido cefalorraquidiano).

Risco de infecção

Fechar a ferida sem o dreno faz com o sangue se acumule entre os tecidos formando um hematoma, tornando meio de cultura.

Cuidados de Enfermagem com o Portovac

  • Sempre posicionar abaixo da inserção do dreno;
  • Observar tipo, localização do dreno, como estão fixados a pele, características do efluente drenado e tipo de cobertura existente na ferida;
  • Aferir e anotar o volume do efluente drenado de um ou mais drenos;
  • Realizar curativo com técnica asséptica diariamente e sempre que necessário;
  • Observar acotovelamento na extensão do dreno;
  • Realizar limpeza da área peridreno com SF0,9%;
  • Não tracionar;
  • Clampear a extensão do dreno quando for desprezar seu conteúdo (portovac);
  • Verificar na drenagem a presença de coágulos.

Veja mais em nosso canal Youtube:

 

Derivação Ventrículo-Peritoneal (DVP)

derivação ventrículo peritoneal

A derivação ventrículo-peritoneal (DVP) é um dispositivo usado para aliviar a pressão do cérebro causada pelo acúmulo de líquido. A DVP é um procedimento cirúrgico usado primariamente para tratar uma condição chamada hidrocefalia, que ocorre quando o excesso de líquido cefalorraquidiano (LCR) é acumulado nos ventrículos do cérebro.

O LCR atua como um amortecedor para o cérebro e o protege contra lesões no interior do crânio. O líquido age como um sistema de distribuição de nutrientes necessários para o cérebro e também coleta os resíduos para descarte. Geralmente, o LCR flui através desses ventrículos até a base do cérebro.

O fluido então banha o cérebro e a medula espinhal antes de ser reabsorvido no sangue. Quando esse fluxo normal é interrompido, o acúmulo excessivo do fluido pode criar uma pressão perigosa nos tecidos cerebrais, que pode danificar o cérebro. A DVP é colocada cirurgicamente dentro dos ventrículos do cérebro para desviar o fluido para fora do cérebro e restaurar o fluxo e absorção normal do LCR.

Causas

Pessoas de qualquer idade podem desenvolver hidrocefalia e assim precisar de uma derivação ventrículo-peritoneal. No entanto é mais provável a ocorrência de hidrocefalia em bebês e idosos.  O Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Infartos Cerebrais (NINDS – National Institute for Neurological Disorders and Stroke) dos EUA estima que uma em cada 500 crianças sofre de hidrocefalia.

O excesso de líquido pode acumular-se em volta do cérebro por diversos motivos, entre eles:

  • superprodução de LCR
  • absorção deficiente de LCR pelos vasos sanguíneos
  • bloqueios que impedem que o líquido flua pelo cérebro todo

PODE SER REALIZADA POR:

1. Cateter intraventricular
2. Transdutores Intraparenquimatosos
3. Monitorização Subaracnóide

VANTAGENS:

  1. Reproduzir melhor a pressão da caixa craniana;
  2. Drenagem terapêutica do LCR;
  3. Obtém registros contínuos da PIC;
  4. Acesso para administração intraventricular de medicamentos, instilação de ar ou controle da ventriculografia;
  5. Drena o sangue do ventrículo.


DESVANTAGENS:

  1. Dificuldades na canulização do ventrículo;
  2. Risco de infecção é máximo;
  3. Hemorragia;
  4. Obstrução dos sistemas por sangue ou tecidos cerebrais;
  5. Risco de HIC iatrogência, pela conexão inadequada de um equipo de soro no sistema;
  6. Risco de mobilidade inavertida do paciente que pode modificar os níveis de drenagem.

Procedimento

A colocação da derivação ventrículo-peritoneal é realizada sob anestesia geral. O paciente estará dormindo durante a cirurgia e não sentirá nenhuma dor. O procedimento completo leva cerca de 90 minutos.

O cabelo atrás da orelha será raspado em preparo para a derivação, já que essa é a região onde serão inseridos os cateteres. Cateteres são tubos finos e flexíveis que serão usados para drenar o excesso de líquido. O cirurgião fará uma pequena incisão atrás da orelha e também perfurará um pequeno orifício no crânio. Um cateter será inserido no cérebro através dessa abertura. O outro cateter é subcutâneo, isto é, ele é colocado sob a pele, atrás da orelha. Esse tubo descerá até o peito e abdômen, permitindo que o excesso de LCR seja drenado na cavidade abdominal, onde será absorvido. O cirurgião colocará uma pequena bomba em ambos os cateteres e a colocará sob a pele, atrás da orelha. A bomba será ativada automaticamente para retirar o líquido quando a pressão no crânio aumenta. A bomba, também chamada de válvula, pode ser programada para ser ativada quando o líquido aumenta até um volume predeterminado.

Recuperação

A recuperação de um procedimento de DVP leva de três a quatro dias. A maioria dos pacientes consegue deixar o hospital em sete dias depois do procedimento. De acordo com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH – National Institutes of Health) dos EUA, crianças que recebem a DVP precisam permanecer deitadas por 24 horas depois da colocação inicial da DVP. Depois das primeiras 24 horas, elas podem sentar-se e movimentar-se cuidadosamente.

Durante a hospitalização, a frequência cardíaca e a pressão arterial serão monitoradas frequentemente, e o médico administrará antibióticos preventivamente. O médico se certificará que a DVP está funcionando corretamente antes de dar alta.

Tratamento

Requer procedimento cirúrgico, que consiste na implantação de um sistema valvular que drena o líquor dos ventrículos cerebrais para um local alternativo do corpo.

O Sistema de Derivação Peritoneal apresenta três partes:
1. Um cateter ventricular
2. Um reservatório e uma válvula para controlar o fluxo do LDR,
3. Um cateter distal que será introduzido por via subcutânea na região peritoneal.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES

 – APÓS COLOCAÇÃO DA DVP

1. Extrusão do cateter pela pele;
2. Fístulas liquóricas e Perfuração de vísceras;
3. Subdrenagem:
3.1. Desconexão, rotura ou obstrução do sistema de derivação;
4. Sobre drenagem:
4.1. Resultante do efeito-sifão, gerado pelas mudanças de posição do paciente, levando ao colapso ventricular e à formação de hematomas IC.
5. Ascite;
6. Peritonite causada por infecção;
7. Migração da ponta do cateter para o escroto causando hidrocele.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM USO DE DVP (e em casos específicos pediátricos):

– Cuidados de Enfermagem no Pré-Operatório:

(Prescrição de enfermagem e resultado esperado)

    1. Observar e registrar sinais de irritabilidade, letargia ou atividade convulsiva.
      * Indica Patologia avançada.
    2. Palpar as fontanelas e linhas de sutura quanto ao tamanho, sinais de abaulamento, tensão e separação.
      * Avaliar a evolução da hidrocefalia.
    3. Medir diariamente o perímetro cefálico e pesar a criança.
      * Avaliar a evolução da hidrocefalia.
    4. Verificar e registrar sinais vitais
      * Ver a evolução e estabilidade do quadro.
    5. Evitar alimentação antes ou após manipulação da criança.
      * Pode precipitar episódios de vômitos.
    6. Observar e registrar aceitação da dieta alimentar.
      * Evitar desnutrição.
    7. Orientar jejum de 6h antes da cirurgia.
      * Evitar complicações durante a cirurgia.
    8. Apoiar a cabeça da criança ao movimentá-lo.
      * Evitar tensão extra sobre o pescoço.
    9. Promover mudança de decúbito a cada 2 horas.
      * Evitar pneumopatia hipostática e úlcera de decúbito.
    10. Observar e registrar entrada e saída de líquidos.
      * Avaliar retenção líquida.
    11. Observar e registrar características das eliminações intestinais.
      * Evitar possível obstipação e/ou distensão abdominal.
    12. Instituir medidas de higiene geral e cuidados à pele.
      * Prevenir úlceras por pressão.
    13. Encorajar a participação dos pais nos cuidados.
      * Integração afetiva entre pais e filhos.
    14. Oferecer apoio emocional e explicar os procedimentos aos pais. demonstrar vontade e disposição de ouvir as preocupações dos pais.
      * Amenizar a ansiedade.
    15. Identificar sinais e sintomas da subdrenagem (são os mesmos do aumento da PIC):
      *Náuseas, vômito;*Apneia, bradicardia e irritabilidade;
      *Convulsões;
      *Fontanela tensa e protuberante, ingurgitamento das veias do couro cabeludo;
      *Edema no trajeto dos cateteres, devido desconexão e extravasamento de LCR do sistema de derivação;
      *Sensibilidade a luz e outros distúrbios visuais

16. Medir e avaliar perímetro encefálico diariamente;
17. Realizar curativo diário no sítio de inserção do cateter;
18. Orientar aos pais sobre como lidar com a criança hidrocéfala ou a criança
com o cateter implantado funcionante.

Derivação Ventricular Externa (DVE)

drenagem ventricular externa

A drenagem ventricular externa é um procedimento destinado a drenar para o exterior o líquido cefalorraquidiano (LCR) em situações de hipertensão intracraniana, sendo de sistema fechado de drenagem.

Um dreno é introduzido através do crânio até um dos ventrículos cerebrais em ambiente de bloco operatório. No exterior este dreno é ligado a um sistema coletor que comporta um dispositivo regulador da pressão de drenagem.

Comumente é utilizada no tratamento e acompanhamento dos casos de Hipertensão Intracraniana, além do controle da drenagem liquórica em pacientes com complicações ventriculares e/ou tratamentos de hemorragias. Um dos tratamentos indicados para hidrocefalia.

QUAIS SÃO OS CUIDADOS INTENSIVOS DE ENFERMAGEM COM O DVE?

  • Manter decúbito de 30º (ou conforme orientação equipe de neurocirurgia);
  • Zerar o cateter de DVE no conduto auditivo externo (Que é o referencial anatômico para o forâmen de Monroe, portanto, representando gradientes pressóricos negativos), devendo ser zerado na admissão e toda vez que for alterado o nível da cabeceira. (MUITO CUIDADO COM CAMAS ELÉTRICAS, DEVIDO SER MUITO FÁCIL MOVER SUA ALTURA). A BOLSA COLETORA DO SISTEMA DE DRENAGEM É POSICIONADA Á UMA CERTA ALTURA ACIMA DO FORAME MONRO (ESTÁ ALTURA REPRESENTA GRADIENTE HIDROSTÁTICO A SER VENCIDO PELA PRESSÃO INTRAVENTRICULAR PARA QUE OCORRA DRENAGEM LIQUÓRICA);
  • Fechar o cateter de DVE durante o transporte ou quando abaixar a cabeceira a zero grau, evitando o risco de drenagem excessiva do líquor. Nunca esquecer de abrir depois dos procedimentos. Solicitar da equipe clínica, qual o limite de drenagem;
  • Desprezar a bolsa coletora quando atingir 2/3 de sua capacidade. Ao manipular a via de saída da bolsa, manter técnica asséptica;
  • Registrar o tempo de permanência do cateter, comunicar à equipe após 10 dias. (PODE VARIAR DE UM SERVIÇO PARA OUTRO);
  • Realizar curativo na região peri-cateter uma vez por dia e, se necessário. Observar se há extravasamento de líquor ou sinais flogísticos;
  • Inspecionar a região de inserção do cateter na admissão e uma vez por plantão, anotando o aspecto da ferida operatória;
  • Nunca aspirar ou injetar solução no cateter. Em caso de obstrução, notificar a equipe de neurocirurgia;
  • Anotar débito, aspecto e cor da drenagem de líquor, a cada duas horas ou a cada uma hora, quando instabilidade. Notificar quando alterações no débito;
  • Manipular com cuidado o paciente para evitar o tracionamento do cateter. Se houver tração, nunca reposicionar e comunicar imediatamente a equipe de neurocirurgia;
  • Observar sinais e sintomas de infecção: mudança na coloração normal (incolor, límpido), calafrios, febre, confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, alteração pupilar ou leucocitose, déficits motores, cefaleia, rigidez
    de nuca, vômitos;
  • Zerar o cateter de DVE no conduto auditivo externo (Que é o referencial anatômico para o forâmen de Monroe, portanto, representando gradientes pressóricos negativos);
  • Monitorar o paciente em caso de PIC (Pressão Intracraniana), observando que os valores normais para o mesmo são:

PIC < 10mmHg – valor normal

PIC entre 11 e 20 mmHg – levemente elevada

PIC > 41mmHg – gravemente elevada

Obs.: mm Hg = milímetros de mercúrio