5 Regras Básicas no Uso de Drogas Vasoativas

No dia a dia da enfermagem, especialmente em ambientes de alta complexidade como as UTIs e pronto-socorros, lidar com pacientes graves é uma constante. E em muitos desses casos, as Drogas Vasoativas (DVAs) se tornam aliadas poderosas, capazes de mudar o curso de uma situação crítica.

Mas, como o próprio nome diz, são drogas que agem nos vasos, alterando a pressão arterial e o fluxo sanguíneo, e seu uso exige um conhecimento e uma atenção impecáveis.

Para nós, profissionais de enfermagem, dominar o uso seguro e eficaz das DVAs é uma questão de vida ou morte. Por isso, separamos as 5 regras de ouro que todo estudante e profissional de enfermagem precisa ter na ponta da língua. Vamos lá!

1.Uso exclusivo de bomba de infusão

As drogas vasoativas devem sempre ser administradas por meio de bomba de infusão. Esse equipamento permite um controle rigoroso e preciso do volume infundido por minuto, o que é essencial, considerando a potência dessas medicações.

Administrações manuais ou com equipo de gotejamento simples são contraindicadas, pois a mínima alteração na velocidade pode causar flutuações abruptas na pressão arterial ou frequência cardíaca do paciente.

Cuidados de enfermagem:

  • Verificar a calibração da bomba antes do uso.
  • Monitorar frequentemente o equipo e a conexão para evitar interrupções na infusão.
  • Documentar e checar a velocidade da bomba conforme a prescrição médica.

2.Preferência por acesso venoso central (CVC)

Drogas vasoativas possuem alto potencial irritativo. Quando administradas em acesso venoso periférico, há risco elevado de extravasamento, que pode levar à necrose tecidual e até amputações, dependendo do tempo de exposição.

Sempre que possível, essas drogas devem ser administradas por um acesso venoso central (CVC). Em situações emergenciais, pode-se iniciar a infusão em veia periférica, mas esse acesso deve ser trocado por um CVC o mais breve possível.

Cuidados de enfermagem:

  • Observar sinais de infiltração ou extravasamento no local da punção.
  • Avaliar o fluxo do cateter e manter o curativo limpo e seco.
  • Notificar imediatamente a equipe médica diante de sinais de irritação local.

3.Monitorização contínua dos sinais vitais

O paciente que recebe droga vasoativa precisa de monitoramento contínuo. A equipe de enfermagem deve acompanhar sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca, débito urinário e nível de consciência, preferencialmente com monitor multiparamétrico.

As alterações nesses parâmetros guiam o ajuste da dose da droga, que muitas vezes é feita em tempo real conforme a resposta do paciente.

Cuidados de enfermagem:

  • Verificar sinais vitais de 5 em 5 minutos no início da infusão ou após ajustes de dose.
  • Avaliar a perfusão periférica (enchimento capilar, coloração da pele, temperatura das extremidades).
  • Monitorar a diurese horária para avaliar perfusão renal.

4.Não administrar em bolus (sem prescrição específica)

É absolutamente contraindicado administrar drogas vasoativas em bolus (injeção rápida) sem prescrição médica expressa. A infusão abrupta pode causar hipertensão súbita, arritmias, colapso cardiovascular e até morte.

Essas drogas devem ser sempre infundidas de forma contínua e controlada. Em casos raros e sob prescrição, podem ser feitas em bólus, mas isso requer monitoramento intensivo imediato.

Cuidados de enfermagem:

  • Confirmar a via e o modo de administração na prescrição.
  • Em caso de dúvida, nunca administrar sem esclarecimento com o médico responsável.
  • Reforçar com a equipe a importância da padronização de protocolos.

5.Conhecer a farmacologia da droga administrada

É essencial que o profissional de enfermagem conheça a farmacodinâmica e a indicação específica da droga vasoativa em uso. Noradrenalina, dopamina, dobutamina, adrenalina e vasopressina possuem efeitos diferentes, e entender essas ações auxilia na interpretação clínica das reações do paciente.

Além disso, a compreensão dos mecanismos ajuda a tomar decisões mais seguras em situações de urgência, reduzindo o risco de eventos adversos.

Cuidados de enfermagem:

  • Estudar os principais efeitos colaterais e sinais de toxicidade.
  • Manter material de apoio acessível (protocolos da UTI, manuais de enfermagem).
  • Participar de treinamentos e atualizações sobre drogas vasoativas.

O uso de drogas vasoativas envolve riscos importantes, mas quando administradas com responsabilidade e conhecimento, tornam-se aliadas no suporte à vida. A enfermagem tem papel central na segurança do paciente, atuando desde a instalação até o monitoramento da infusão contínua.

Lembre-se: conhecimento salva vidas. E na terapia intensiva, cada detalhe importa.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de uso seguro de medicamentos vasoativos. Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br
  2. GOMES, Rodrigo Vieira; PINHEIRO, Renata T. Assistência de enfermagem ao paciente em uso de drogas vasoativas. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 32, n. 3, p. 370-378, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbti
  3. NUNES, Camila L.; SOUZA, Patrícia F. Farmacologia aplicada à enfermagem. São Paulo: Manole, 2021.
  4. PEREIRA, Juliana S. et al. Segurança na administração de medicamentos vasoativos: uma revisão integrativa. Revista Enfermagem Atual, v. 92, 2021. Disponível em: https://revistaenfermagematual.com.br

Indicações de administração de Soluções Intravenosas

Não há ao certo artigos ou leituras oficiais sobre as indicações para tais soluções terapêuticas infundidas nos lúmens dos Cateteres Venosos Centrais, mas existem algumas regras que devem ser observadas na administração de soluções intravenosas pelo CVC. Podendo variar de Instituição para Instituição, sugiro recorrer ao POP dos mesmos.

Vejamos um exemplo, a nutrição parentérica total (NPT) deve infundir num lúmen isolado de outras soluções, geralmente indicado em via Distal (em casos de duplo lúmens), e podendo até ser infundido em via medial (caso tri-lúmen), devendo ter seu controle de débito através de uma bomba infusora.

Também o sangue e os hemoderivados devem infundir num lúmen isolado de outras soluções. A administração de outras soluções deve assegurar sempre a permeabilidade e débito do CVC, para diminuir o aparecimento de complicações relacionadas com a obstrução dos seus lúmens.

Além disso, essa administração deve ser controlada de modo a evitar uma sobrecarga hídrica. Lembrando, que após cada administração de medicação deve efetuar-se a lavagem das linhas infusoras com Soro Fisiológico 0,9%, para evitar incompatibilidades entre fármacos administrados.

Na administração simultânea de várias soluções, deve avaliar-se a sua relação de compatibilidade, para assim se escolher o lúmen onde devem infundir.

CONTROVÉRSIAS EM QUESTÃO DE DROGAS VASOATIVAS EM LÚMENS CERTOS

Há grandes controvérsias sobre o uso correto de lúmens para a infusão das DVAS, há lugares que especificam que deve dar preferência a instalar estes medicamentos sempre na via proximal (que por sua vez deveria ser identificada para favorecer exclusividade), uma vez que esta possui “prime” (calibre), fluxo gravitacional e velocidade de infusão (ml/hr) inferior em relação aos outros lúmens (medial e distal).

A fim de evitar “flushs” destas medicações e consequentemente superdosagem da mesma, portanto, desde que há instituições que utilizam do PICC, na qual, dispõem de 1 ou dois lúmens, não há uma identificação certa se a via é proximal ou distal, desde que o Enfermeiro faz a mensuração e o corte do tamanho correto conforme a anatomia do paciente, impossibilitando o espaçamento destes lúmens.

Mas temos que respeitar sim a compatibilidade dos medicamentos, e a individualidade das vias, evitando que certas soluções sejam misturadas e percam seu efeito terapêutico no paciente, e possibilitando mais ainda uma instabilidade hemodinâmica do paciente.