Hidrocolonterapia

A Hidrocólon, conhecida também como Hidrocolonterapia ou Hidroterapia do Cólon, é uma limpeza completa do cólon (intestino grosso), através de um banho suave com água morna, previamente filtrada e purificada.

Trata-se de um procedimento terapêutico – realizado através de um equipamento específico – que envia água sem drogas ou produtos químicos, desde o reto até o apêndice.

Como funciona?

O paciente fica deitado de forma confortável enquanto a água percorre o Cólon limpando todos os detritos. Com a participação das massagens do profissional, o peristaltismo intestinal é estimulado a colocar para fora os resíduos por meio de uma mangueira à cânula.

Este sistema evita odores desagradáveis e preserva a dignidade do paciente, que permanece em uma posição cômoda em uma maca, enquanto os resíduos acumulados no intestino grosso são eliminados, através de material descartável evitando qualquer possibilidade de contaminação. Esta limpeza é completamente segura, indolor, benéfica e não tóxica.

O procedimento para a sessão da Hidrocolonterapia conta com um sistema fechado de lavagem intestinal, com monitorização de temperatura, pressão e volume.

O visor do aparelho permite observar os conteúdos intestinais eliminados, facilitando o acompanhamento de cada paciente. O número e a frequência das sessões de Hidrocolonterapia dependem da situação de cada paciente. Após a sessão, é feita uma reposição de lactobacilos.

Indicações da Terapia

É indicado para pessoas submetidas a tratamentos com medicinas biológicas, terapias de reativação química e de regeneração orgânica e celular. Com relação à idade, a hidrocólon pode ser feita em crianças a partir dos nove anos, adolescentes, homens e mulheres, adultos ou idosos.

Contra Indicações

  • Enfermidades cardíacas severas;
  • Hipertensão arterial não controlada;
  • Aneurisma;
  • Hemorragia ou perfuração do trato intestinal;
  • Hemorróidas severas;
  • Carcinoma de cólon;
  • Fístulas e fissuras no cólon;
  • Gravidez a partir dos 4 meses;
  • Insuficiência renal;
  • Cirurgia recente do cólon.

Frequência da Terapia

Para um processo de desintoxicação do intestino grosso, são necessárias de 3 a 5 sessões. Para processos pré-cirúrgicos são recomendadas 3 sessões.

Para eliminação das placas (fezes negras antigas e mucos que ficam acumulados e aderidos nas paredes e vilosidades intestinais), são necessárias aproximadamente 10 sessões.

As sessões de hidrocólon duram cerca de 40 minutos e são seguidas por enemas de retenção (irrigação do cólon com fitoterápicos) e compressas abdominais de argila, que auxiliam no procedimento.

No final de cada sessão é feita uma renovação da flora intestinal. Uma sessão completa dura 1 hora e 30 minutos. Os demais procedimentos também têm duraçao de aproximadamente 1 hora e 30 minutos cada sessão.

A mangueira utilizada é transparante, o que possibilita à pessoa poder acompanhar a sua evolução e a necessidade de outras sessões, de acordo com a cor, consistência e aspecto das fezes.

Dependendo do número de sessões realizadas e dos hábitos alimentares, a pessoa refaz o procedimento no período de 6 meses a 1 ano ou realiza algumas manutenções quando achar necessário.

Referência:

  1. Hidrocolon – Colonterapia

Bandeja para Lavagem Intestinal

Para que serve?

Facilitar o esvaziamento da ampola retal através da evacuação, aliviando a constipação intestinal e em alguns casos para o preparo e realização de procedimento diagnóstico ou terapêutico, como exames constratados, retossimoidoscopia, colonoscopia e enema medicamentoso e preparar o intestino para cirurgias.

Esse procedimento é utilizado para: facilitar a eliminação fecal; aliviar distensão abdominal ocasionada pela flatulência; preparar pacientes para cirurgias ou exames (radiografia do trato intestinal) e remover o sangue em caso de melena.

Executor:

Enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.

Materiais Necessários

  • Equipamentos de Proteção Individual – EPI – (luvas de procedimento, avental, gorro, máscara cirúrgica e óculos protetor).
  • Bandeja.
  • Biombo, se necessário.
  • Comadre forrada com papel toalha, se necessário.
  • Recipiente de descarte.
  • Impermeável e lençol.
  • Papel toalha, se necessário.
  • Fralda descartável, se necessário.
  • Lubrificante hidrossolúvel ou anestésico tópico (lidocaína gel a 2%).
  • Frasco com a solução prescrita (comercial ou preparada) – (ex. água, solução glicerinada, solução hipertônica de cloreto de sódio, solução oleosa, solução com
    fosfato de sódio di e monobásico, outros).
  • Materiais específicos para aplicação da solução prescrita pelo método de compressão manual controlada- ENEMA (a depender do fabricante):
    • Aplicador retal, que acompanha o frasco com solução de glicerina 12% OU;
    • Bico aplicador anatômico, que vem acoplado no frasco com a solução.
  • Materiais específicos para a aplicação da solução prescrita pelo método de gotejamento ENTEROCLISMA:
    • Suporte de soro
    • Equipo de soro
    • Extensor, se necessário
    • Fita adesiva ou cordão
    • Cateter retal n° 18 a 24 para adultos e n° 10 a 16 para crianças
    • Materiais para a higienização íntima

Etapas do Procedimento

  1. Confirmar a prescrição médica e verificar se há contraindicações
  2. Explicar o procedimento a ser realizado, as sensações esperadas e a sua finalidade ao cliente e/ou familiar, obter o seu consentimento e realizar o exame físico específico
  3. Reunir os materiais necessários na bandeja
  4. Colocar o biombo ao redor do leito, se necessário
  5. Higienizar as mãos
  6. Paramentar-se com os EPI’s
  7. Forrar o impermeável com o lençol e posicioná-lo sob o quadril do cliente
  8. Posicionar a fralda descartável aberta sob o quadril do cliente, se necessário
  9. Colocar o cliente em posição de SIMS (decúbito lateral esquerdo com o joelho direito flexionado)
  10. Cobrir o cliente com o lençol, dobrando-o suficiente para expor somente a região anal
  11. Abrir as embalagens dos materiais do enema
  12. Montar o sistema.

Gotejamento (Enteroclisma)

  1. Conectar o equipo parenteral e, se necessário, o extensor ao frasco com a solução prescrita. Preencher toda a extensão com a solução. Posicionar o frasco no suporte de soro, em uma altura média de 45 centímetros acima da região anal.
  2. Conectar o equipo ao cateter retal.

Pressão Controlada (Enema)

  1. Conectar o aplicador retal ao frasco com solução
  2. Lubrificar a extremidade do cateter/aplicador retal com gel hidrossolúvel ou com anestésico tópico, com auxílio de uma gaze, e deixá-lo sobre a embalagem aberta
  3. Descobrir a região a ser manipulada e expor o orifício anal, afastando os glúteos com a mão não dominante
  4. Solicitar ao cliente para respirar profundamente várias vezes pela boca, enquanto introduz, lentamente, sem forçar, o cateter ou aplicador pelo orifício anal, ao longo da parede retal em direção à cicatriz umbilical, cerca de 7 a 10 centímetros. Em crianças, introduzir de 5 a 7,5 centímetros e em bebês, introduzir de 2,5 a 3,7 centímetros. Se houver resistência à introdução do cateter, interromper o procedimento e comunicar ao médico
  5. Fixar o cateter com fita adesiva ou com cordão na pele adjacente ou na coxa, respectivamente, se realizado o procedimento pelo método por gotejamento
  6. Observar/Orientar o cliente a relatar qualquer queixa durante a infusão da solução e a manter-se na mesma posição durante a aplicação da solução prescrita
  7. Orientar o cliente que, após a aplicação da solução, tente reter a solução pelo maior tempo que conseguir (pelo menos, 3 a 5 minutos)
  8. Aplicar a solução prescrita.

Gotejamento (enteroclisma – 500 a 1000 mL)

  1. Abrir a roldana do equipo, controlando o gotejamento do volume da solução no  tempo prescrito (5 a 15 minutos). Reduzir o gotejamento ou pausá-lo por um minuto, se observado ou relatado dor/desconforto. Se persistirem os sintomas, interromper o procedimento e comunicar ao médico.
  2. Retirar o cateter, lentamente.
  3. Desprezar o cateter no recipiente de descarte

Pressão Manual Controlada (enema – 50 a 500 mL)

  1. Comprimir o frasco com as mãos, iniciando pela parte distal e enrolando-o sobre ele mesmo, lentamente, sem forçar, respeitando a tolerância do cliente, até infundir quase todo o volume. Pausar a infusão por alguns segundos, se desconforto não tolerado e dor. Se os sintomas persistirem, interromper o procedimento e comunicar ao médico
  2. Retirar o aplicador retal, lentamente
  3. Desprezar o aplicador retal no recipiente de descarte
  4. Comprimir as nádegas, caso o cliente tenha dificuldade/controle para contrair a musculatura anal
  5. Encaminhar o cliente ao banheiro; ou colocar a comadre forrada com o papeltoalha sob as nádegas ou ajustar a fralda descartável
  6. Deixar o cliente à vontade, quando for o caso e possível
  7. Observar o aspecto e o volume das fezes eliminadas
  8. Auxiliar o cliente na realização da higiene íntima, se necessário
  9. Recolher os materiais e retirar os EPI’s
  10. Dar destino adequado aos materiais utilizados
  11. Higienizar as mãos
  12. Proceder às anotações de enfermagem, constando: data e hora do procedimento, indicação do enema, tipo de solução utilizada, volumes prescrito e infundido, tempo de retenção, características e quantidade de fezes eliminadas, presença de lesões anais e hemorroidas, orientações feitas e presença de ocorrências adversas e as suas medidas tomadas.

Referências:

  1. BARROS, A. L. B. L.; LOPES, J. L.; MORAIS, S. C. R. V. Procedimentos de Enfermagem para a prática clínica. Porto Alegre: Artmed, 2019. 470 p. ISBN 978-85-8271-571-0.
    VOLPATO, A. C. B.; PASSOS, V. C. S. Técnicas básicas de ENFERMAGEM. São Paulo: Martinari, 2018.
  2. POTTER, P. A.; PERRY, A.G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9ªed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. CIAMPO, I.R.L.D., SAWAMURA, R., SILVEIRA, E.A.A.B., FERNANDES, M.I.M. Protocolo clínico e de regulação para constipação intestinal crônica na criança. p.1251-61, 2017.
  4. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Guia de recomendações para registro de enfermagem no prontuário do paciente e outros documentos de enfermagem. Brasília:
    COFEN, 2016.
  5. SMELTZER, S. C.; BARE, B. G.; Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016. ISBN 978-85-277-2819-5. 
  6. BULECHEK, M. G.; BUTCHER, H. K.; DOCHTERMAN, J. M.; WAGNER, C. M. NIC: classificação das intervenções de enfermagem. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
    CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DA BAHIA. Realização de lavagem via colostomia pela equipe de enfermagem. Parecer Coren-BA. N⁰ 013/2016, 2016.
  7. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE GOIÁS. Realização de fleet-enema pela equipe de enfermagem. Parecer Coren-GO CTAP n°054/2015, 2015.
  8. GUERRA, T.L.S., MARSHALL, N.G., MENDONÇA, S.S. Incidência, fatores de risco e prognóstico de pacientes críticos portadores de constipação intestinal. Com. Ciência Saúde., v.22, n.2, p. 57-66, 2013.
  9. TAYLOR, C.; LILLIS, C.; LEMONE, P. Fundamentos de enfermagem: a arte e a ciência do cuidado em enfermagem. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 1349 p. ISBN 978-85-8271-061-6.
  10. STACCIARINI, T. S. G.; CUNHA, M. H. R. Procedimentos Operacionais Padrão em Enfermagem. Uberaba: UFTM, 2014. ISBN 978-85-388-0531-1.
  11. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Lavagem intestinal. Parecer Coren-SP CAT n°032/2010, 2010. 

O que é “Flushing” em um Cateter?

“Flushing” é um termo referente à lavagem de um lúmen do cateter, sendo feito antes e após a administração de um medicamento, a fim de prevenir a mistura de medicamentos incompatíveis, além de que, também é um cuidado de enfermagem prevenção da obstrução do cateter venoso.

Flushing com Salinização ou Heparinização

Anteriormente, a manutenção da permeabilidade de acessos venosos era mantida prioritariamente com soluções heparinizadas, considerando que a heparina inibe a formação de coágulos de fibrina in vitro e in vivo e, que seu efeito anticoagulante é praticamente imediato.

Dadas essas propriedades, a solução heparinizada pode ser utilizada como agente de manutenção da permeabilidade de dispositivos intravenosos, tendo demonstrado sua eficácia há vários anos.

Porém, a prática da salinização apresenta como vantagens à heparinização o baixo custo, ser um procedimento mais simples, além de eliminar a possibilidade de incompatibilidade com as drogas e soluções administradas.

Indicações para o Flushing

  • Antes e após a cada administração de medicamentos;
  • Após a administração de sangue e derivados;
  • Quando converter de infusão continua para intermitente;
  • A cada 12 horas quando o dispositivo não for usado.

As novas recomendações da ANVISA

A ANVISA – Agência Nacional de Vigiância Sanitária divulgou em 2017 uma série de publicações sobre Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde.

Dentro do “Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde”, há um capítulo especial sobre as recomendações para cateteres periféricos, com informações práticas fundamentais para garantir a segurança do paciente.

Em especial ao flushing e manutenção dos cateteres periféricos:

  • Realizar o flushing e aspiração para verificar o retorno de sangue antes de cada infusão para garantir o funcionamento do cateter e prevenir complicações;
  • Realizar o flushing antes de cada administração para prevenir a mistura de medicamentos incompatíveis;
  • Utilizar frascos de dose única ou seringas preenchidas comercialmente disponíveis para a prática de flushing e lock do cateter. Seringas preenchidas podem reduzir o risco de ICSRC e otimizam o tempo da equipe assistencial. Não utilizar soluções em grandes volumes (como, por exemplo, bags e frascos de soro) como fonte para obter soluções para flushing;
  • Utilizar solução de cloreto de sódio 0,9% isenta de conservantes para flushing e lock dos cateteres periféricos. Usar o volume mínimo equivalente a duas vezes o lúmen interno do cateter mais a extensão para flushing. Assim como os volumes maiores (como 5 ml para periféricos e 10 ml para cateteres centrais) podem reduzir depósitos de fibrina, drogas precipitadas e outros debris do lúmen. No entanto, alguns fatores devem ser considerados na escolha do volume, como tipo e tamanho do cateter, idade do paciente, restrição hídrica e tipo de terapia infusional. Infusões de hemoderivados, nutrição parenteral, contrastes e outras soluções viscosas podem requerer volumes maiores. Não utilizar água estéril para realização do flushing e lock dos cateteres.

Avaliação

  • Avaliar a permeabilidade e funcionalidade do cateter ao passo que utilizando as seringas de diâmetro de 10 ml para gerar baixa pressão no lúmen do cateter e registrar qualquer tipo de resistência. Não forçar o flushing utilizando qualquer tamanho de seringa. Em caso de resistência, avaliar possíveis fatores (como, por exemplo, clamps fechados ou extensores e linhas de infusão dobrados). Não utilizar seringas preenchidas para diluição de medicamentos.
  • Utilizar a técnica da pressão positiva visto que minimiza o retorno de sangue para o lúmen do cateter. O refluxo de sangue que ocorre durante a desconexão da seringa, dessa forma é reduzido com a sequência flushing, fechar o clamp e desconectar a seringa. Solicitar orientações do fabricante de acordo com o tipo de conector valvulado utilizado. Considerar o uso da técnica do flushing pulsátil (push pause). Estudos in vitro demonstraram que por exemplo, a técnica do flushing com breves pausas, por gerar fluxo turbilhonado, pode ser mais efetivo na remoção de depósitos sólidos (fibrina, drogas precipitadas) quando comparado a técnica de flushing contínuo, que gera fluxo laminar.
  • A principio realizar o flushing e lock de cateteres periféricos imediatamente após cada uso.

Recomendações para Intervalo de Flushing

Como recomendação da Infusion Nurses Society Brasil, o intervalo recomendado para flushing é o de 6/6 horas para neonatos, 8/8 horas para pacientes pediátricos e 12/12 horas para pacientes adultos.

Referências:

  1. Segurança do Paciente;
  2. BRASIL-MS, ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Medidas de Prevenção de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde. Capítulo 3. Medidas de Prevenção de Infecção da Corrente Sanguínea 2ª edição, 2017. Disponível em https://portal.anvisa.gov.br/documents/33852/3507912/Caderno+4+-+Medidas+de+Preven%C3%A7%C3%A3o+de+Infec%C3%A7%C3%A3o+Relacionada+%C3%A0+Assist%C3%AAncia+%C3%A0+Sa%C3%BAde/a3f23dfb-2c54-4e64-881cfccf9220c373