Meningite: A Inflamação Agressiva que Exige Ação Imediata

A Meningite é uma condição que causa pânico instantâneo em qualquer serviço de saúde, e com razão. Não é apenas uma infecção; é a inflamação das meninges – as membranas protetoras que envolvem o cérebro e a medula espinhal.

Por estar tão perto do Sistema Nervoso Central (SNC), a meningite pode progredir rapidamente para danos cerebrais, perda auditiva, sequelas neurológicas graves ou até mesmo a morte, muitas vezes em questão de horas.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, o conhecimento e a vigilância são as ferramentas mais poderosas contra essa doença. Saber reconhecer os sinais e agir na “hora de ouro” é o que salva vidas.

O que é meningite?

Meningite é a inflamação das meninges — as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Essas membranas são essenciais para proteger o sistema nervoso central contra traumas e infecções. Quando há uma inflamação, ocorre acúmulo de células, proteínas e outras substâncias no líquido cefalorraquidiano (LCR), o que pode comprometer a função neurológica.

A meningite pode ter diferentes causas: bactérias, vírus, fungos, protozoários ou até processos não infecciosos, como traumas, tumores ou reações a medicamentos.

O Que Acontece? Entendendo a Inflamação

A meningite é causada, na maioria das vezes, por vírus ou bactérias que invadem a corrente sanguínea e chegam ao líquido cefalorraquidiano (LCR) e, consequentemente, às meninges.

Meningite Bacteriana (A Forma Mais Grave)

  • Agentes Comuns: Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Haemophilus influenzae.
  • Velocidade: É a forma mais perigosa e de progressão mais rápida. Ocorre uma inflamação intensa que pode levar à sepse, choque e coagulação intravascular disseminada (CIVD), especialmente no caso do meningococo.
  • Tratamento: É uma emergência! Requer internação imediata e antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro em altas doses.

Meningite Viral (A Mais Comum e Geralmente Leve)

  • Agentes Comuns: Enterovírus (a causa mais frequente), vírus do herpes (raro, mas grave) e vírus da caxumba.
  • Velocidade: Geralmente tem um curso mais brando e é autolimitada. É a mais comum, mas raramente fatal em pessoas com bom sistema imunológico.
  • Tratamento: Não existe tratamento específico para o vírus (a menos que seja o Herpes), o foco é no suporte (hidratação, controle da dor e da febre).

Meningite fúngica

Essa forma é mais rara e costuma ocorrer em pacientes com imunossupressão, como aqueles com HIV/Aids, neoplasias, uso prolongado de corticóides ou outros fatores que comprometem a imunidade. O tratamento é prolongado, com antifúngicos específicos, e a resposta depende bastante da imunidade do paciente.

Outras meningites (parasitária, não infecciosa)

Também existem meningites causadas por parasitas (protozoários) ou por processos não infecciosos, como traumas, tumores ou reações autoimunes ou a determinadas drogas. Essas formas são menos comuns, mas não devem ser esquecidas no raciocínio diagnóstico.

Epidemiologia no Brasil

No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, com casos esperados ao longo do ano. Observa-se uma sazonalidade: as meningites bacterianas têm maior incidência durante o outono e inverno, e as virais tendem a aparecer mais na primavera e no verão.

Segundo dados recentes, a doença meningocócica (causada por Neisseria meningitidis) tem grande importância epidemiológica. Além disso, o Brasil lançou um plano nacional para combater as meningites até 2030, com metas ambiciosas de redução de mortalidade e controle de casos preveníveis por vacina.

Sinais Clássicos: A Tríade da Suspeita

Os sintomas iniciais da meningite podem se parecer com uma gripe, mas evoluem rapidamente para a tríade clássica que exige nossa alerta máximo:

  1. Cefaleia Intensa: Uma dor de cabeça súbita e excruciante, diferente de qualquer dor comum.
  2. Febre Alta: Acompanhada de calafrios.
  3. Rigidez de Nuca (Sinal de Kernig e Brudzinski): O paciente tem dificuldade ou dor intensa ao tentar encostar o queixo no peito. Este é o sinal mais característico da irritação meníngea.
  • Em Bebês e Recém-Nascidos: Os sinais podem ser inespecíficos: irritabilidade extrema, sonolência excessiva, choro inconsolável, recusa alimentar e, o sinal mais físico, a fontanela (moleira) abaulada e tensa.
  • Sinal de Alerta: A presença de petéquias (pequenas manchas vermelhas ou roxas na pele que não desaparecem à pressão) sugere infecção meningocócica e sepse.

O Diagnóstico: A Punção Lombar

O diagnóstico definitivo é feito pela análise do Líquido Cefalorraquidiano (LCR), obtido através da Punção Lombar (PL).

Aspecto do LCR

    • Bacteriana: LCR turvo, alto número de leucócitos (neutrófilos), glicose baixa e proteínas altas.
    • Viral: LCR claro, leucócitos moderados (linfócitos), glicose normal.
  • Cuidados de Enfermagem na PL: Auxiliar o médico no posicionamento do paciente (posição fetal), garantir a técnica asséptica rigorosa e monitorar o paciente após o procedimento para detectar cefaleia pós-punção (que pode ocorrer).

Outros diagnósticos

  • Anamnese e exame físico: levantando histórico clínico, sinais neurológicos, febre, rigidez de nuca, entre outros.
  • Exames laboratoriais: punção lombar para coletar o líquido cefalorraquidiano (LCR) é fundamental. No LCR, analisa-se célula (contagem), glicose, proteínas, cultura, gram, PCR, dependendo do agente suspeito.
  • Hemocultura: pode identificar a bactéria em cultura sanguínea.
  • Exames de imagem: em alguns casos, pode-se fazer tomografia ou ressonância para verificar se há contraindicação à punção lombar ou se há complicações.
  • Notificação: no Brasil, todos os casos suspeitos ou confirmados de meningite devem ser notificados ao sistema de vigilância, conforme orientações do Ministério da Saúde.

Tratamento

O tratamento depende do tipo de meningite:

  • Meningite bacteriana: é emergencial. Antibióticos de largo espectro são iniciados o mais rápido possível, muitas vezes antes mesmo da confirmação do agente, porque cada hora conta para diminuir o risco de morte ou sequelas. Corticosteroides, como a dexametasona, podem ser usados em alguns protocolos para reduzir a inflamação e prevenir complicações neurológicas.
  • Meningite viral: como já mencionado, na maioria dos casos o manejo é de suporte — hidratação, controle de febre, monitoramento neurológico, repouso. Se o vírus identificado for, por exemplo, um herpesvírus, pode haver tratamento antiviral.
  • Meningite fúngica: o tratamento é prolongado, com antifúngicos específicos, e costuma exigir internação para monitorização. A resposta depende bastante da imunidade do paciente.
  • Outros tipos: no caso parasitário ou não infeccioso, o tratamento será dirigido conforme a causa — pode haver antiparasitários, terapia imunossupressora, cirurgia, dentre outras abordagens, de acordo com o diagnóstico.

Além disso, é importante o suporte clínico: reposição de fluidos, evitar hipertensão intracraniana, controlar convulsões se surgirem, tratar febre, entre outras medidas.

Prevenção

Como estudante de enfermagem, é importante estar atento à prevenção da meningite, especialmente das formas bacterianas mais perigosas:

  • Vacinação: no Brasil, há vacinas disponibilizadas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para prevenir alguns tipos de meningite bacteriana. Por exemplo, a vacina meningocócica C conjugada, a meningocócica ACWY, a vacina pneumocócica (contra Streptococcus pneumoniae) e a pentavalente (inclui Haemophilus influenzae tipo b).
  • Quimioprofilaxia: em contatos próximos com casos de meningite meningocócica, pode ser indicado antibiótico preventivo
  • Higiene e controle de transmissão: como a bactéria pode se transmitir por gotículas respiratórias, a higiene das mãos, evitar compartir talheres ou objetos pessoais em surtos, e adotar boas práticas de saúde pública são medidas relevantes. Além disso, há políticas de saúde pública para aumentar a cobertura vacinal e reduzir a mortalidade. No Brasil, por exemplo, foi lançado o Plano Nacional para derrotar as meningites até 2030.

Cuidados de Enfermagem na Meningite

A enfermagem desempenha um papel central no manejo de pacientes com meningite, desde a admissão até a alta (ou alta para ambulatório, quando aplicável). Aqui estão os principais cuidados e responsabilidades:

Admissão e monitorização

Quando o paciente chega ao serviço com suspeita de meningite, a enfermagem deve:

  • Avaliar sinais vitais imediatamente e com frequência, porque a instabilidade hemodinâmica pode ocorrer.
  • Observar o nível de consciência, usando escalas como a Glasgow, para detectar alterações neurológicas rapidamente.
  • Avaliar a presença de rigidez de nuca e outros sinais meníngeos.
  • Preparar e apoiar a punção lombar, garantindo assepsia, cuidados de conforto ao paciente, explicando o procedimento (se possível) e monitorando após a coleta.

Administração de medicamentos

  • Administrar os antibióticos prescritos para meningite bacteriana, conforme ordem médica. Verificar os horários, doses, compatibilidades e reações adversas.
  • Se forem prescritos corticosteroides, garantir sua administração no tempo correto para maximizar o benefício fisiológico.
  • Prover analgésicos e antipiréticos para alívio da dor de cabeça e da febre.
  • Em caso de tratamento antiviral ou antifúngico, acompanhar os regimes de medicamentos e monitorar efeitos colaterais.

Suporte geral

  • Manter hidratação: verificar balanço hídrico, peso, ingestão e eliminação de líquidos.
  • Controlar a temperatura corporal: orientar resfriamento, administrar antipiréticos, monitorar para sinais de hipertermia ou hipotermia.
  • Monitorar sinais de aumento da pressão intracraniana: avaliação neurológica frequente, observação de pupilas, dor de cabeça, vômitos, alterações no nível de consciência. Se houver suspeita de hipertensão intracraniana, comunicar rapidamente a equipe médica.
  • Garantir repouso adequado, em ambiente calmo, escuro ou com luz baixa, para reduzir a fotofobia e o desconforto.
  • Prevenir complicações: por exemplo, risco de convulsão, de trombose por imobilização, de úlceras de pressão, de pneumonia por aspiração (se o nível de consciência estiver alterado).

Educação e suporte ao paciente e à família

  • Orientar o paciente (e a família) sobre o diagnóstico, a importância do tratamento, os riscos de complicações e a evolução esperada.
  • Explicar a necessidade de isolamento, se houver, e as medidas que devem ser seguidas para evitar a transmissão (dependendo do agente).
  • Incentivar a adesão ao tratamento e ao seguimento ambulatorial, quando houver alta hospitalar.
  • Envolver a família no monitoramento: ensinar sinais de alerta que indicam piora, como convulsões, sonolência excessiva, febre persistente, vômitos intensos, confusão.

Alta e seguimento

  • Participar da elaboração do plano de alta, garantindo que o paciente (ou a família) entenda a medicação, o acompanhamento ambulatorial, a necessidade de reavaliações neurológicas.
  • Encaminhar para reabilitação, se houver sequelas neurológicas (como déficit motor, auditivo, cognitivo), e interagir com fisioterapeutas, fonoaudiólogos e outros profissionais.
  • Registrar tudo no prontuário: anotações de evolução neurológica, administração de medicamentos, complicações e educação ao paciente/família.

Possíveis complicações e sequelas

A meningite, especialmente a bacteriana, pode deixar sequelas sérias se não tratada rapidamente ou ainda, apesar do tratamento. Entre as complicações mais comuns estão:

  • Hidrocefalia (acúmulo de líquido no cérebro)
  • Convulsões
  • Déficits neurológicos: por exemplo, surdez, dificuldades motoras, déficit cognitivo
  • Abscessos cerebrais
  • Síndrome de Waterhouse-Friderichsen (em meningococcemia): insuficiência adrenal aguda devido à hemorragia nas glândulas suprarrenais
  • Morte, se o tratamento for tardio ou se o paciente desenvolver choque séptico

Por isso, a atuação da enfermagem no diagnóstico precoce, intervenção, monitoramento e educação é vital para minimizar esses riscos.

A meningite é uma condição grave que demanda rapidez no diagnóstico e na intervenção. Como futura enfermeira ou enfermeiro, você terá um papel essencial tanto na fase aguda quanto na recuperação e na prevenção. Entender os diferentes tipos — bacteriana, viral, fúngica —, conhecer os sinais, saber os cuidados de enfermagem e colaborar nas estratégias de prevenção é fundamental para salvar vidas e reduzir danos.

A vacinação, a vigilância epidemiológica e a notificação são ferramentas poderosas para prevenir surtos e proteger populações vulneráveis. E no dia a dia hospitalar, a vigilância da enfermagem, o manejo adequado e o suporte ao paciente e à família são pilares para um atendimento eficaz.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Meningites Bacterianas Agudas: Diagnóstico e Manejo. Disponível em: https://www.sbp.com.br/. (Buscar diretrizes mais recentes sobre manejo e vacinação).
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica das Meningites. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/dathi/publicacoes/manual-de-vigilancia-epidemiologica-das-meningites.
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. “Meningite”. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite.
  4.  MANUAL MSD. “Meningite bacteriana aguda”. Versão para saúde familiar. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/dist%C3%BArbios-cerebrais,%20da%20medula%20espinhal%20e%20dos%20nervos/meningite/meningite-bacteriana-aguda.
  5. COFEN. “Plano Nacional para derrotar as meningites até 2030 visa reduzir óbitos em 70%”. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/plano-nacional-para-derrotar-as-meningites-ate-2030-visa-reduzir-casos-em-50-e-obitos-em-70/.
  6. TUA SAÚDE. “Meningite: o que é, tipos, sintomas e tratamento”. Disponível em: https://www.tuasaude.com/meningite/.
  7. CENTRO DE NEUROLOGIA E NEUROCIRURGIA OSWALDO CRUZ. “Meningite”. Disponível em: https://www.hospitaloswaldocruz.org.br/centro-especializado/neurologia-e-neurocirurgia/meningite/. SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS. “Meningite”. Disponível em: https://www.saude.mg.gov.br/meningite.
  8. BRASIL. Ministério da Saúde. Informe epidemiológico – meningite. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/m/meningite/situacao-epidemiologica/dados-epidemiologicos/informe-meningite.pdf.

A Meningite e o Meningismo

A Meningite é uma doença atinge o sistema nervoso, caracterizada por um processo inflamatório que atinge a membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal das pessoas.  Mais frequentemente é ocasionada por vírus ou bactéria.

É importante pela severidade de alguns casos que podem evoluir a óbito ou a um dano no cérebro mais grave deixando sequelas.

O tipo de tratamento depende do agente que causa a doença: vírus, bactéria, fungos, parasitos, outros. Nas meningites bacterianas é importante conhecer o tipo de bactéria envolvida de forma a possibilitar o tratamento correto. Para isso é necessário realizar exames para confirmar a meningite.

Os Principais Sinais e Sintomas

Febre alta e persistente, dor de cabeça por vezes insuportável, dor na nuca podendo ocasionar rigidez no pescoço, vômitos, perda do apetite, sonolência, confusão mental, agitação, grande sensibilidade à luz. Pode apresentar ainda manchas no corpo, diarreia, crises convulsivas, coma.

As crianças normalmente permanecem quietas, pouco ativas. No caso das meningites bacterianas a evolução é muito rápida, podendo agravar em horas. O paciente necessita receber o antibiótico o mais rápido possível.

As meningites causadas por vírus são as mais frequentes. Em geral é de menor gravidade, embora alguns vírus apresentam casos graves, por vezes fatais. Normalmente evolui em 5 a 10 dias para a cura. Raramente deixam sequelas.

O Meningismo

O Meningismo é a tríade de rigidez na nuca, fotofobia (intolerância ao brilho da luz) e dor de cabeça. É um sinal de irritação das meninges, como observado na meningite, hemorragia subaracnoidea e diversas outras doenças.

Os Sinais Clínicos

  • Rigidez da nuca — a incapacidade de flexionar a cabeça para frente devido à rigidez dos músculos do pescoço.
  • Sinal de Brudzinski — o levantamento involuntário das pernas em irritação meníngea quando levantada a cabeça do paciente.

OBS: Sinal observável na meningite aguda. Verifica estiramento ou compressão nervosa. Coloca-se o paciente em decúbito dorsal, sobre uma superfície reta, com membros inferiores estendidos, apoia-se a região occipital do paciente com as mãos e faz-se flexão do pescoço, se ocorrer flexão involuntária da perna sobre a coxa e dessa sobre a bacia ao se tentar ante-fletir a cabeça, o sinal de Brudzinski será positivo.

  • Sinal de Kernig — resistência e dor quando o joelho é estendido com o quadril totalmente flexionado. Os pacientes também podem apresentar espasmo opistótono de todo o corpo que leva as pernas e cabeça a se dobrarem para trás, tornando o corpo arqueado para a frente.

Outros meios de Diagnósticos

Assim que se suspeita de meningite, são imediatamente realizadas análises ao sangue para detectar marcadores de inflamação (proteína c-reativa, hemograma completo) e hemocultura.

O exame mais importante para o diagnóstico definitivo de meningite é a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por punção lombar. Na análise bioquímica do LCR são determinados os principais tipos de células presentes e a concentração de proteínas e glicose. São também realizadas culturas e, caso seja necessário, a amostra pode ser analisada através de reação em cadeia da polimerase e feitos outros exames específicos conforme indicação clínica.

O Tratamento

A meningite é uma emergência médica potencialmente fatal. Quando não é tratada atempadamente, a taxa de mortalidade é elevada e a demora no tratamento está associada a um prognóstico menos favorável. É recomendado que o tratamento empírico com antibióticos de largo espectro não seja adiado, mesmo que em paralelo estejam a ser realizados exames para confirmar o diagnóstico.

Quando se suspeita de meningite meningocócica nos cuidados de saúde primários, as orientações recomendam que seja administrada benzilpenicilina antes da transferência para o hospital. Caso ocorra hipotensão ou choque circulatório devem ser administrados fluidos por via intravenosa.

Não é ainda claro se os fluidos devem ser administrados por rotina ou se a sua administração deve ser restrita. Dado que a meningite pode causar uma série de complicações graves logo na fase inicial da doença, está recomendada a avaliação médica regular para identificar imediatamente estas complicações e, quando necessário, internar a pessoa numa unidade de cuidados intensivos.

Nos casos em que o nível de consciência é baixo ou em que há evidências de insuficiência respiratória, pode ser necessária ventilação mecânica. Quando existem sinais de aumento da pressão intracraniana, podem ser tomadas medidas para monitorizar a pressão e iniciado o tratamento para diminuir a pressão com medicação (por exemplo, manitol).

As convulsões são tratadas com anticonvulsivantes. A hidrocefalia pode necessitar que seja inserido um dispositivo de drenagem temporário ou de longa duração, como um shunt cerebral.

Nos casos mais graves de meningite pode ser necessário monitorizar os eletrólitos. Por exemplo, na meningite bacteriana é comum a ocorrência de hiponatremia.

No entanto, a causa exata de hiponatremia é controversa e pode incluir desidratação, síndrome de secreção inapropriada de hormona antidiurética ou administração excessiva de terapia intravenosa.

A Prevenção

Algumas das causas de meningite podem ser prevenidas a longo prazo com vacinação e a curto prazo com antibióticos. Algumas medidas comportamentais também podem ser eficazes.

Alguns Cuidados de Enfermagem

– Estabelecer precauções para o controle das infecções em até 24 horas após o início da antibioticoterapia, sendo que as secreções nasal e oral são consideradas infecciosas.

– Avaliar com frequência os sinais vitais e estado neurológico.

– Indicar a oxigenação baseados nos resultados da gasometria arterial e oximetria de pulso.

– Ajudar na inserção de tubo endotraqueal (ou traqueostomia) e manejo com a ventilação mecânica, conforme prescrição.

– Avaliar a pressão arterial quanto à ocorrência de choque, o qual precede a insuficiência respiratória e cardíaca.

– Diminuir a febre alta para reduzir a carga das demandas de oxigênio sobre o cérebro e o coração.

– Resguardar o paciente de lesão secundária à atividade convulsiva ou alteração do nível de consciência.

– Proporcionar repouso providenciando quarto tranquilo e escuro.

– Monitorar o peso corporal, eletrólitos séricos e o volume, densidade específica e a osmolalidade da urina, principalmente se houver suspeita de síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético.

– Cuidar para que não haja complicações associadas à imobilidade como, pneumonia e lesão por pressão.

A Encefalite

Encefalite

A encefalite é uma inflamação aguda do cérebro, geralmente causada por infecções virais ou bacterianas. Se não tratada, pode ter consequências graves.

Diversos tipos de vírus podem atingir o encéfalo, dentre eles, o vírus da caxumba, o da rubéola, o da varicela e o vírus da raiva entre outros. Dentre as bactérias temos os meningococos, os pneumococos, a tuberculose e até a sífilis. Os flavivírus, a cujo grupo pertencem a dengue, a febre amarela e a zika podem ser causa de encefalite. Acontecem em certas infestações por parasitas como a neurocisticersose; por protozoários, como a toxoplasmose, a malária, ou meningoencefalite por amebas de vida livre.

Quais são os Fatores de risco?

Embora qualquer pessoa esteja sujeita ao desenvolvimento da encefalite, os principais fatores de risco da doença são:

– Idade

Existem alguns vírus que são mais frequentes durante a infância, enquanto outros acometem mais idosos. Isso pode ocorrer por conta de um sistema imunológico enfraquecido ou por conta de imunizações.

– Problemas no sistema imunológico

Pessoas com um sistema imunológico enfraquecido por algum motivo são mais suscetíveis a qualquer tipo de infecção, além de ficar mais fácil para os microrganismos chegarem no cérebro. Pacientes com HIV, que tomam medicamentos que enfraquecem o sistema imunológico ou possuem qualquer outra condição que afeta seu funcionamento são grandes candidatos para o desenvolvimento da doença.

– Regiões geográficas e épocas do ano

Quando se trata de vírus transmitidos por mosquitos e carrapatos, algumas regiões e estações do ano podem ser um fator de risco para a infecção. Isso porque esses animais têm predileção por áreas de clima quente e estão mais ativos durante o verão.

– Crianças que recebem vacinas

A tríplice viral, vacina contra sarampo, rubéola e caxumba, é um fator de risco para encefalite. Isso porque 1 em cada 3.000 crianças vacinadas desenvolvem a doença. No entanto, isso não é motivo para deixar de tomar a vacina: antes que ela estivesse disponível, essa proporção era de 1 em cada 1.000 crianças.

Não confunda Encefalite com a Meningite!

Embora essas duas doenças afetem o cérebro, existe uma diferença bem grande entre a encefalitemeningite, principalmente em relação à área afetada.

As meninges são membranas protetoras que ficam em volta do cérebro e são as principais acometidas pela meningite. Geralmente, infecções nessas membranas são causadas por bactérias ao invés de vírus.

Já no caso da encefalite, a infecção se dá principalmente por vírus, e a área afetada é o próprio cérebro, não apenas seu revestimento. Além disso, os sintomas desta última são mais severos e incluem distúrbios da consciência e sinais motores.

Como ocorre a transmissão?

Por ser causada por diversos vírus e microrganismos, a encefalite é transmissível sim. O que varia, nesse caso, é a maneira de transmissão.

Alguns dos vírus causadores do problema são transmitidos através da saliva e gotículas respiratórias, outros podem ser por meio de alimentos e bebidas contaminados, enquanto ainda há alguns que são transmitidos em contato direto com a pele.

Dependendo da região geográfica, a encefalite pode ser resultado de uma zoonose, ou seja, os vírus, bactérias ou protozoários podem ser transmitidos por meio de picadas de insetos e carrapatos.

Os Tipos de Encefalite

Apesar de muitos acreditarem que só existe um tipo de encefalite — a viral —, ela pode ser classificada de diferentes formas de acordo com sua origem e duração. Entenda:

– Encefalite infecciosa

Este é o tipo de encefalite causada por doenças infecciosas, como o sarampo e a poliomielite. Pode ser resultado de uma infecção direta ou como resposta do corpo a uma infecção em outros lugares.

Quando causada pelo vírus herpes simplex, é conhecida também como encefalite herpética e pode ser fatal.

– Encefalite pós-infecciosa

Geralmente resultado da reativação de um vírus, a encefalite pós-infecciosa pode ocorrer semanas ou meses após a infecção ter sido resolvida.

– Encefalite autoimune

Em alguns casos, o sistema imunológico passa a atacar a bainha de mielina — um tecido que envolve e protege as células nervosas.

Isso acontece, geralmente, após infecções ou vacinas cujos microrganismos possuem proteínas muito parecidas com aquelas encontradas nesse revestimento dos nervos. Assim, o sistema imune se confunde e passa a atacar tecidos saudáveis, acreditando que ali há uma infecção.

Os principais vírus que desencadeiam essa reação são enterovírus, vírus de Epstein-Barr, HIV e os vírus da hepatite A e B.

– Encefalite crônica

Em alguns casos, a inflamação se dá de maneira lenta e gradual, como no caso de infecções por HIV. Pode ser causada, também, pela Síndrome de Rasmussen, uma desordem neurológica caracterizada por ataques epilépticos frequentes e graves.

Sintomas: como identificar a encefalite?

Os sintomas da encefalite podem variar bastante, dependendo da causa e da parte do cérebro afetada. Num geral, pacientes com encefalite podem apresentar:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Sensibilidade à luz (fotos sensibilidade);
  • Fraqueza;
  • Vômito;
  • Convulsão.

Apesar desses sintomas bem amplos, dependendo das áreas afetadas, alguns sintomas mais específicos são:

  • Alucinações;
  • Má coordenação motora;
  • Lentidão nos movimentos;
  • Rigidez no pescoço e nos membros;
  • Confusão mental;
  • Sonolência;
  • Letargia — que pode evoluir para estupor e coma;
  • Alterações visuais, auditivas e sensoriais;
  • Problemas em formular e compreender a linguagem;
  • Alterações hormonais como diabetes insípido, secreção inadequada de hormônio antidiurético, entre outros.

– Em bebês

Infelizmente, bebês não conseguem expressar o que estão sentindo e, por isso, os pais devem ficar atentos aos sinais que ele demonstra. Alguns exemplos são:

  • Saliência na moleira (fontanela), que indica inchaço cerebral;
  • Náusea e vômitos;
  • Rigidez corporal;
  • Não mamar direito ou não acordar para mamar;
  • Irritabilidade.

Caso perceba algum desses sinais em seu filho, leve-o ao médico imediatamente, pois crianças pequenas podem não resistir à doença.

Como é feito o diagnóstico da encefalite?

O exame de punção lombar consiste na coleta de um líquido que percorre e irriga todo o sistema nervoso, chamado líquido cefalorraquidiano — ou fluido cerebrospinal. Ele pode ser encontrado tanto no cérebro quanto circundando a medula espinhal.

Da mesma forma que os microrganismos circulam no sangue nas infecções mais comuns, os causadores da encefalite também circulam nesse líquido cefalorraquidiano. Dessa forma, além de ser possível detectar a presença de algum microrganismo, em alguns casos pode-se identificá-lo também.

– Imagem por Ressonância Magnética (IRM)

A fim de verificar qual parte do cérebro foi afetada, o médico pode pedir um exame de imagem por ressonância magnética. Esse exame utiliza um campo magnético para gerar imagens do cérebro na forma de “fatias”, que facilita a visualização de anomalias.

Caso não seja possível realizar uma ressonância magnética, pode-se pedir, como alternativa, uma tomografia computadorizada, exame que gera o mesmo tipo de imagem, porém com a utilização de raios-X.

Alguns agentes infecciosos tem uma espécie de “preferência” por certas áreas do cérebro, então os achados desses exames podem ajudar a detectar qual o microrganismo responsável pela encefalite.

– Eletroencefalograma (EEG)

O eletroencefalograma é um exame que monitora a atividade elétrica do cérebro. Com ele, é possível identificar alterações na função elétrica das áreas afetadas, o que pode sugerir um microrganismo específico. No caso de herpes simplex, por exemplo, há alterações de atividade nos lobos temporais — porção do cérebro perto das orelhas.

– Reação em cadeia de polimerase (PCR)

A PCR é uma técnica que produz diversas cópias de um gene, facilitando o trabalho de detectar o material genético do vírus e sua consequente identificação. Alguns tipos de vírus são mais perigosos que outros, como no caso do herpes simplex, que quando não é tratado, pode trazer sequelas graves.

– Biópsia

Raramente, quando os testes anteriores não deram resultados satisfatórios, pode-se requisitar uma biópsia que é a retirada de uma amostra do tecido cerebral. Essa mostra é enviada para análise, onde fica mais fácil detectar o agente infeccioso responsável pela doença.

Quando nenhum microrganismo é encontrado, mesmo após todos esses exames, acredita-se que a encefalite seja produto de um câncer ou de origem autoimune, tipos que não são facilmente detectados por meio de exames laboratoriais.

O Tratamento

Normalmente, encefalites são doenças virais, o que significa que não são usados antibióticos para tratá-las. A única vacina disponível para prevenção é para a encefalite japonesa.

Com a exceção da encefalite por herpes, o esteio de tratamento é alívio do sintoma. As pessoas com encefalites são mantidas hidratadas com fluidos IV, enquanto é monitorado o cérebro. Anticonvulsivos podem ser dados para controle de ataques epilépticos. Esteroides não foram estabelecidos como sendo efetivos. Encefalite de herpes podem causar morte rápida se não diagnosticada e tratada prontamente.

O tratamento indicado é Aciclovir (Zovirax) dado por IV durante 2-3 semanas. Atualmente, o uso de Ribavirin (Rebetol, Virazole), no tratamento de crianças com encefalite de La Crosse, está sendo estudado.

Assistência de Enfermagem com a Encefalite

Um plano de cuidados de enfermagem para encefalite deve concentrar-se em alguns cuidados descritos:

– Na redução da segurança o aumento da pressão intracraniana.Também inclui elevar a cabeceira da cama de 30 graus , dando oxigênio como ordenado , reduzindo os estímulos ao redor do paciente , como evitar tosse, espirros e esforço durante as evacuações. Todas estas medidas irão ajudar a reduzir o risco de qualquer outro aumento da PIC e inflamação.

– Pacientes com encefalite muitas vezes têm hipertermia, ou febre, sendo assim auxiliar com medicamentos prescritos para reduzir a febre, não só para o desconforto do paciente,  mas por causa da febre pode aumentar a pressão intracraniana, realizando o controle da temperatura corporal a cada quatro horas , administrando antipiréticos e banhos de esponja morna como requisitado pelo médico , e monitorar o paciente para sinais de desidratação .

– Encefalite pode causar fortes dores de cabeça, tendo assim alguns cuidados como o posicionamento do paciente (se ele não é contra-indicado pela PIC) e administração de analgésicos leves para combater o desconforto. Pode ser útil para cobrir os olhos do paciente com uma compressa ou gaze, pois assim pode reduzir estímulos desnecessários e a fotofobia.