Queimadura Ocular

Uma queimadura ocular ocorre quando o olho entra em contato com substâncias químicas, temperaturas extremas ou radiação, causando danos aos tecidos oculares. Essa condição é considerada uma emergência médica, pois pode levar a complicações graves e irreversíveis se não tratada rapidamente.

Tipos de Queimaduras Oculares

Térmico

Causadas por exposição a altas ou baixas temperaturas, como fogo, vapor, líquidos quentes ou objetos quentes. As queimaduras térmicas geralmente afetam as pálpebras, mas podem se estender ao globo ocular.

Causas

  • Calor: Chama direta, vapor quente, líquidos quentes ou objetos quentes.
  • Radiação: Radiação ultravioleta (UV) do sol ou de fontes artificiais como lâmpadas de solda ou lâmpadas de bronzeamento.
  • Objetos: Gotas de metal derretido, partículas de vidro ou metal, poeira, areia, etc.

Químico

Causadas por substâncias químicas como ácidos, bases (álcalis), gases irritantes e produtos de limpeza. As queimaduras químicas são as mais graves e podem causar danos profundos aos tecidos oculares, incluindo a córnea.

Causas

  • Ácidos, álcalis, sprays, detergentes, solventes, produtos de limpeza domésticos, etc.

Sintomas de queimadura ocular

Os sintomas de uma queimadura ocular podem variar dependendo da gravidade da lesão e da substância causadora, mas geralmente incluem:

  • Dor intensa: É um dos sintomas mais comuns e pode ser acompanhada de lacrimejamento excessivo.
  • Vermelhidão: A conjuntiva (a membrana transparente que recobre a parte branca do olho) fica avermelhada e inchada.
  • Sensação de corpo estranho: O paciente pode sentir como se tivesse algo nos olhos.
  • Visão embaçada: A visão pode ficar turva ou distorcida.
  • Fotofobia: Sensibilidade à luz.
  • Blefarospasmo: Espasmos involuntários das pálpebras.

 O que fazer em caso de queimadura ocular?

É fundamental procurar atendimento médico imediatamente. Enquanto aguarda o atendimento, você pode tomar algumas medidas para minimizar os danos:

  • Lave o olho com água corrente limpa: Mantenha o olho aberto e lave-o por pelo menos 15 minutos.
  • Não esfregue os olhos: Isso pode piorar a lesão.
  • Remova lentes de contato: Se estiver usando lentes de contato, retire-as cuidadosamente.
  • Proteja o olho lesionado: Use um protetor ocular para evitar mais danos.

Tratamento

O tratamento da queimadura ocular depende da gravidade da lesão e da substância causadora. O oftalmologista pode indicar:

  • Analgésicos: Para aliviar a dor.
  • Colírios: Para reduzir a inflamação e lubrificar o olho.
  • Antibióticos: Para prevenir infecções.
  • Cirurgia: Em casos graves, pode ser necessária uma cirurgia para reparar os danos causados.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem em pacientes com queimaduras são cruciais para a recuperação e minimização de sequelas. As ações do enfermeiro são fundamentais em todas as fases do tratamento, desde o atendimento inicial até a alta hospitalar.

Objetivos dos Cuidados de Enfermagem:

  • Controle da dor: Através de medicamentos, técnicas não farmacológicas e avaliação constante da intensidade da dor.
  • Prevenção de infecções: Limpeza rigorosa das feridas, uso de curativos adequados e monitoramento de sinais de infecção.
  • Manutenção da função dos órgãos vitais: Monitoramento constante dos sinais vitais, balanço hídrico e eletrolítico, e prevenção de complicações sistêmicas.
  • Promoção da cicatrização: Utilização de curativos específicos, estimulação da formação de tecido de granulação e prevenção de contraturas.
  • Suporte psicológico: Oferecimento de apoio emocional ao paciente e à família, auxiliando-os a lidar com as diversas fases do tratamento.

Etapas do Tratamento e Cuidados de Enfermagem:

  1. Atendimento Inicial:
    • Avaliação rápida: Identificar a extensão e profundidade da queimadura, vias aéreas, respiração e circulação.
    • Resfriamento da área queimada: Com água corrente, exceto em queimaduras por produtos químicos.
    • Remoção de roupas e joias: Para evitar constrição e agravar a lesão.
    • Controle da dor: Administração de analgésicos e medidas não farmacológicas.
    • Prevenção de choque: Reposição de líquidos e eletrólitos.
  2. Limpeza e Desbridamento:
    • Remoção de tecido necrosado: Para promover a cicatrização e prevenir infecção.
    • Limpeza das feridas: Com soluções antissépticas e soro fisiológico.
    • Cobertura com curativos: Escolha do curativo ideal de acordo com o tipo de queimadura e fase da cicatrização.
  3. Cicatrização:
    • Monitoramento da evolução da ferida: Avaliação diária da extensão, profundidade e sinais de infecção.
    • Troca de curativos: Realizada de forma asséptica para evitar a contaminação.
    • Terapia de pressão: Para prevenir a formação de queloides e contraturas.
    • Enxertos de pele: Em casos de grandes áreas queimadas.
  4. Reabilitação:
    • Fisioterapia: Para prevenir contraturas e recuperar a função dos membros.
    • Terapia ocupacional: Para auxiliar na realização de atividades da vida diária.
    • Suporte psicológico: Para lidar com as sequelas físicas e emocionais.

É importante ressaltar que a queimadura ocular é uma condição grave que exige tratamento especializado. Quanto mais rápido o tratamento for iniciado, maiores as chances de recuperação completa.

Referências:

  1. Noia, L. da C., Araújo, A. H. G. de ., & Moraes, N. S. B. de .. (2000). Queimaduras oculares químicas: epidemiologia e terapêutica. Arquivos Brasileiros De Oftalmologia, 63(5), 369–373. https://doi.org/10.1590/S0004-27492000000500008
  2. MSD Manuals
  3. Almeida, C. B. de ., Pagliuca, L. M. F., & Leite, A. L. A. e S.. (2005). Acidentes de trabalho envolvendo os olhos: avaliação de riscos ocupacionais com trabalhadores de enfermagem. Revista Latino-americana De Enfermagem, 13(5), 708–716. https://doi.org/10.1590/S0104-11692005000500015
  4. Assistência de enfermagem no atendimento pré-hospitalar ao paciente queimado: uma revisão da literatura
    Santos CA, Santos AA. Assistência de enfermagem no atendimento pré-hospitalar ao paciente queimado: uma revisão da literatura. Rev Bras Queimaduras2017;16(1):28-33

Higiene Ocular

A higiene ocular é um cuidado essencial para prevenir e tratar lesões na córnea, que podem afetar a visão e a qualidade de vida dos pacientes.

Para que serve?

Consiste na limpeza regular da área dos olhos, usando produtos adequados e seguindo as orientações do oftalmologista. O método utilizado em ambiente hospitalar para a higienização ocular é:

  • Utilizar-se de soro fisiológico e gaze estéril para remover sujidades e secreções.

Além da higiene ocular, a enfermagem também deve adotar medidas para prevenir a secura ocular e o fechamento inadequado das pálpebras, que podem favorecer o desenvolvimento de lesões na córnea. Algumas dessas medidas são:

  • Aplicar pomadas ou lágrimas artificiais para lubrificar os olhos;
  • Utilizar gazes, adesivos ou suturas para fechar as pálpebras, se necessário.

A higiene ocular na enfermagem é uma prática simples, mas muito importante para preservar a saúde ocular dos pacientes. Ela deve ser realizada com cuidado, frequência e seguindo as recomendações médicas.

Como é realizado?

Material Necessário

  • ampola de 10 ml de soro fisiológico a 0,9%;
  • gaze simples estéril;
  • gorro sn;
  • luvas de procedimentos;
  • mascara cirúrgica descartável.

Passo a passo

1. reunir o material;
2. higienizar as mãos;
3. levar material para próximo do paciente;
4. identificar o paciente;
5. apresentar-se e explicar procedimento ao paciente e/ou acompanhante;
6. posicionar corretamente o paciente, em decúbito dorsal;
7. higienizar as mãos;
8. calçar as luvas;
9. abrir as pálpebras do paciente com gaze embebida com soro fisiológico;
10. limpar o olho aplicando soro fisiológico delicadamente do canto interno para o externo;
11. fechar as pálpebras e secar suavemente com gaze estéril;
12. organizar o local do procedimento;
13. descartar material em local adequado;
14. retirar as luvas;
15. higienizar as mãos;
16. registrar o procedimento no prontuário.

Observações

  • utilizar EPI padrão de acordo com tipo de isolamento;
  • caso seja necessário tocar em ambientes e superfícies antes de tocar o paciente, deve-se higienizar as mãos;
  • observar a presença de lesões;
  • utilizar uma gaze por vez para cada olho;
  • comunicar ao médico plantonista presença de sinais de infecção ou lesões.

Referência:

  1. Referência: Coutinho MHB, Santos SRG. Manual de Procedimentos de Enfermagem. 1 Ed. Secretaria de Estado de Saúde. Brasília – DF 2012. p 182

Catarata Ocular

A Catarata é uma doença dos olhos em que a visão fica opaca. Ocorre principalmente em decorrência do envelhecimento, porém, existem casos de catarata congênita (de nascença) ou provocada por fatores como exposição demasiada ao sol sem óculos apropriados.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.

Catarata não é Pterígio!

Muitos podem confundir com a “pele” que recobre o olho externamente, que é chamada de Pterígio, que, na verdade, é uma degeneração da conjuntiva e pode ter ou não indicação cirúrgica.

Causas

A catarata é uma doença multifatorial e pode ser congênita ou adquirida. A causa mais comum da catarata é o envelhecimento do cristalino que ocorre pela idade, denominada de catarata senil.

Porém também poderá estar associada a alterações metabólicas que ocorrem em certas doenças sistêmicas, (ex. Diabetes Mellitus), oculares (ex. uveíte), tabagismo, alcoolismo, secundária ao uso de certos medicamentos (ex. corticoides) ou a trauma ocular (contuso, perfurante, por infravermelho, descarga elétrica, radiação ultravioleta, raios X, betaterapia ou queimaduras químicas graves).

A catarata acomete sempre os dois olhos?

A catarata pode acometer apenas um, ou ambos os olhos, dependendo de sua causa. A catarata relacionada à idade, doença sistêmica ou ao uso de corticosteroides sistêmicos, geralmente é bilateral e assimétrica, ou seja, pode estar mais avançada em um dos olhos. Poderá ser unilateral se for secundária a doença ocular, ou ao trauma do olho acometido.

Sintomas

  • visão nublada;
  • sensibilidade à luz e necessidade de maior iluminação para ler;
  • a visão noturna torna-se mais fraca e as cores tornam-se amareladas.
  • alteração contínua da refração (grau dos óculos);
  • espalhamento dos reflexos ao redor das luzes e percepção que as cores estão desbotadas.

Geralmente há uma piora da miopia com redução da visão em baixo contraste e baixa luminosidade principalmente para longe, comparativamente à visão para perto. Somente o oftalmologista poderá solicitar os exames necessários para a confirmação do diagnóstico, bem como, indicar o melhor procedimento cirúrgico para tratamento.

Há alguma medida preventiva para evitar que a catarata se instale?

Não há como evitar a predisposição genética e nem o envelhecimento do cristalino.

Porém, algumas medidas preventivas podem ser realizadas visando reduzir alguns fatores de risco para o desenvolvimento da catarata.

Reduzir o tabagismo proteger-se contra a radiação ultravioleta (principalmente UVB) e traumas, controlar o Diabetes Mellitus, e evitar o uso de corticoides são cuidados que podem ser eficazes na prevenção da catarata. É fundamental ter consciência dos perigos da automedicação.

Tratamento

Consiste numa cirurgia que retira o cristalino opaco e introduz, no lugar, uma lente intra-ocular que devolve a visão normal ao paciente. A recuperação é rápida e o paciente está liberado para retomar suas atividades normais em apenas uma semana.

Referência:

  1. Hospital Geral de Bonsucesso

Pinguécula

pinguécula é uma degenerescência da conjuntiva que se manifesta como um depósito de cor amarela esbranquiçada na junção entre a córnea e a esclera. Ou seja, é uma alteração do tecido da conjuntiva, que resulta no depósito de proteínas, de gordura e/ou cálcio, alterando a cor da conjuntiva.

Causas

Embora as causas da pinguécula não sejam completamente conhecidas, sabe-se que alguns fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento. O olho seco, por exemplo.

O olho pode estar seco se não existirem lágrimas em quantidade ou em qualidade suficiente que possibilitem lubrificar convenientemente o olho. As pessoas expostas a ambientes muito secos, que utilizam muito tempo o computador, etc, são mais propensas a padecerem de olho seco.

A exposição elevada e prolongada a raios UV é um dos fatores que está frequentemente relacionado. A pinguécula pode, ainda, desencadear-se devido à exposição constante a elementos naturais mais adversos, como o vento ou a poeira, fumos como por exemplo o tabaco, cloro das piscinas, entre outros.

Sintomas

A pinguécula apresenta poucos sintomas associados, no entanto, pode-se apontar uma frequente irritação, como a sensação de ter algo estranho no olho. Em alguns casos pode ocorrer olhos vermelhos e edema, olhos irritados e com secura.

O sinal mais evidente é uma mancha de cor esbranquiçada que pode variar de tamanho conforme o estágio da doença. Essa mancha pode, no início, ser pequena e crescer com o tempo ou, então, manter o seu tamanho estável.

Tratamento

O tratamento não é necessário na maioria dos casos. Contudo, em algumas situações, pode ter algumas complicações que requerem tratamento médico ou cirúrgico. Outro motivo que pode levar à necessidade de tratamento é o fato da aparência da mancha se tornar de tal forma inestética que prejudique a auto-estima.

O tratamento da pinguécula é necessário quando o seu crescimento ameaça comprometer a visão ou se torna desconfortável. Se a mancha mudar de tamanho, forma ou cor deve consultar um médico oftalmologista.

A pinguécula pode ser removida cirurgicamente, podendo a operação ser efetuada sob anestesia local. Trata-se de uma cirurgia simples, em que os riscos e complicações são praticamente nulos.

Referência:

  1. Hospital dos Olhos

Via Intravítrea

A Via ou Injeção Intravítrea, se faz quando a medicação é aplicada diretamente no vítreo (região interna e posterior do olho), para o tratamento de várias doenças vítreorretinianas e, em especial, no tratamento de doenças retinianas como Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

Como funciona?

A injeção intravítrea é realizada em ambiente cirúrgico, obedecendo-se todos os princípios de antissepsia e assepsia, com anestesia tópica e uso de colírio de iodo, para a prevenção da rara porém muito grave complicação denominada endoftalmite (infecção intraocular disseminada).

Outras complicações, também raras, durante e após o procedimento são as hemorragias intraoculares e o descolamento de retina.

O paciente chega ao hospital ou clínica, entre 30 e 60 minutos de antecedência, para fazer a dilatação da pupila e a aplicação de colírio anestésico. Não é necessário usar a anestesia geral, apenas local (gel ou colírio). Em seguida, o médico realiza a aplicação, com procedimento rápido e indolor.

Dentro de poucos dias, a pessoa pode voltar às atividades cotidianas mais leves. Os exercícios físicos mais intensos devem ser praticados somente após uma semana contada a partir da data do procedimento. A única contraindicação para a realização da injeção intravítrea é a presença de infecção ocular, que deve ser tratada antes do procedimento.

Indicações da Via Intravítrea

  • Degeneração Macular relacionada à Idade (DMRI);
  • Retinopatia Diabética;
  • Membranas Neovasculares e edemas retinianos por outras etiologias, como oclusões vasculares;
  • Edema Macular Diabético;
  • Oclusão da veia da retina.

Tipos de Medicamentos que podem ser administrados

Existem 2 tipos principais de medicamentos que podem ser injetados: os antiangiogênicos (que impedem a formação de novos vasos ou neovasos) e os corticoides (anti-inflamatórios).

Também podem ser aplicados antibióticos, bactericidas e fungicidas, de acordo com o tipo de infecção.

Tanto os corticoides quanto os antiangiogênicos são aplicados para o controle de doenças que levam ao edema ou hemorragia da mácula (região central da retina). O procedimento dura poucos minutos.

Principal Cuidado Pós Operatório

Deve seguir com o uso de colírio antibiótico nos primeiros três dias, prescrito pelo médico, no qual reduzem significativamente o surgimento de complicações.

Referências:

  1. IOC