Indicações do uso do carrinho de emergência: o que você precisa saber

Em situações de urgência e emergência, cada segundo pode salvar uma vida. Por isso, a equipe de saúde precisa estar preparada não apenas em conhecimento, mas também em recursos. O carrinho de emergência, também conhecido como carrinho de parada, é um dos principais aliados nesse contexto. Ele reúne, em um único local, os materiais e medicamentos necessários para a reanimação cardiopulmonar e outras situações críticas.

Saber quando e como utilizar o carrinho de emergência é fundamental para garantir a segurança do paciente e a agilidade da assistência prestada.

O que é o carrinho de emergência?

O carrinho de emergência é um equipamento hospitalar padronizado, organizado em gavetas e compartimentos, que contém materiais como: desfibrilador/cardioversor, cilindro de oxigênio, medicamentos de reanimação, materiais para intubação orotraqueal, acesso venoso e monitorização.

Ele deve estar sempre funcional, organizado e acessível nos locais onde o risco de emergências é maior, como UTIs, pronto-socorro, salas cirúrgicas e unidades de internação.

Indicações do uso do carrinho de emergência

O carrinho de emergência não é utilizado em todas as situações, mas em momentos críticos, onde há risco imediato de morte ou necessidade de intervenção rápida. Entre as principais indicações, destacam-se:

Parada cardiorrespiratória (PCR)

A principal situação que exige o uso imediato do carrinho de emergência é a PCR. Nesse momento, cada minuto sem atendimento adequado reduz drasticamente a chance de sobrevivência do paciente. O carrinho fornece desde o desfibrilador até as drogas de primeira escolha, como adrenalina.

Instabilidade Hemodinâmica Grave

Pacientes com choque de qualquer origem (séptico, cardiogênico, hipovolêmico) que apresentam hipotensão severa, bradicardia (frequência cardíaca baixa) ou taquicardia (frequência cardíaca alta) sintomáticas, podem precisar de vasopressores, líquidos ou medicamentos para reverter o quadro, todos disponíveis no carrinho.

Arritmias graves

Em casos de arritmias ventriculares ou supraventriculares que ameaçam a vida, o carrinho de emergência permite acesso rápido a fármacos antiarrítmicos e ao cardioversor.

Insuficiência respiratória aguda

Situações em que o paciente apresenta obstrução de vias aéreas ou falência respiratória requerem o uso de materiais de intubação e ventilação disponíveis no carrinho.

Choque anafilático

O carrinho contém adrenalina, anti-histamínicos e corticoides que devem ser administrados imediatamente para evitar o agravamento do quadro.

Crises convulsivas refratárias

Além dos medicamentos de controle, o carrinho garante acesso rápido a equipamentos para suporte ventilatório, caso o paciente evolua para rebaixamento de consciência ou instabilidade clínica.

Situações intraoperatórias

No centro cirúrgico, o carrinho é indispensável para manejar complicações anestésicas, arritmias, reações alérgicas graves e instabilidades hemodinâmicas.

Cuidados de enfermagem relacionados ao carrinho de emergência

O papel da enfermagem é essencial para manter o carrinho sempre pronto para uso. Alguns cuidados fundamentais incluem:

  • Verificação diária do carrinho, checando validade e quantidade dos medicamentos.
  • Testar equipamentos como o desfibrilador e aspirador.
  • Organização padronizada, para que todos da equipe saibam onde encontrar cada item.
  • Reposição imediata de materiais e fármacos após cada uso.
  • Registro em planilha ou checklist das checagens realizadas.
  • Treinamento contínuo da equipe, para que todos saibam manusear os equipamentos em situações reais.

Esses cuidados garantem que, no momento da emergência, não haja perda de tempo procurando materiais ou lidando com falhas de funcionamento.

O carrinho de emergência é um recurso vital na prática hospitalar. Seu uso é indicado em situações de risco iminente de morte, como parada cardiorrespiratória, arritmias graves, insuficiência respiratória, choque anafilático, convulsões refratárias e complicações intraoperatórias.

Para o enfermeiro e sua equipe, não basta apenas conhecer o carrinho: é necessário mantê-lo em condições ideais, treinado e organizado. Afinal, na emergência, a diferença entre a vida e a morte pode estar a apenas alguns segundos.

Referências:

  1. BRASIL. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução COFEN nº 376/2011 – Normatiza a utilização do carrinho de emergência. Brasília, 2011. Disponível em: http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-n-3762011_7410.html
  2. AMERICAN HEART ASSOCIATION. Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, v. 142, n. 16, 2020. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/full/10.1161/CIR.0000000000000918
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de suporte avançado de vida em cardiologia (SAVC). Brasília: MS, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
  4. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf
  6. POTTER, P. A.; PERRY, A. G.; STOCKERT, P.; HALL, A. Fundamentos de Enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. (Consultar os capítulos sobre emergência e reanimação cardiopulmonar).

O Papel Essencial da Equipe de Enfermagem na Parada Cardiorrespiratória

Na rotina de um hospital, especialmente em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), há momentos em que cada segundo conta. A Parada Cardiorrespiratória (PCR) é, sem dúvida, um desses momentos. Ela acontece quando o coração e a respiração de uma pessoa param de repente, e sem uma intervenção imediata, o resultado pode ser catastrófico para o cérebro e outros órgãos vitais.

Para nós, estudantes e profissionais de enfermagem, é fundamental entender que, em um cenário de PCR, o o profissional de enfermagem (enfermeiro, técnico ou auxiliar) não é apenas mais um membro da equipe. Ele é, muitas vezes, o primeiro a chegar, o primeiro a identificar o problema e o líder da resposta inicial.

Este é um papel que exige agilidade, conhecimento técnico apurado e, acima de tudo, uma liderança clara e assertiva. Vamos aprofundar um pouco mais sobre a atuação da equipe de enfermagem diante da PCR e entender como a sua liderança pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

A Resposta Imediata: O Reconhecimento e os Primeiros Passos

O enfermeiro e o técnico de enfermagem são os profissionais que estão ao lado do paciente 24 horas por dia, 7 dias por semana na UTI. Por isso, a sua capacidade de identificar os sinais de uma PCR é o ponto de partida para a sobrevivência do paciente. Ele percebe a falta de resposta, a ausência de pulso e a parada da respiração. Neste instante, a ação deve ser rápida e decisiva.

O profissional inicia imediatamente o Suporte Básico de Vida (SBV), que inclui as compressões torácicas de alta qualidade, e aciona a equipe de emergência. A partir desse momento, ele se torna o maestro de uma orquestra de socorro.

A Equipe da PCR: Cada Membro em Seu Papel

Em uma PCR, o trabalho em equipe é tudo. Uma equipe bem treinada e organizada atua de forma coordenada para garantir que as intervenções sejam feitas de maneira eficaz e sem atrasos. A organização ideal de uma equipe de resposta à PCR conta com o enfermeiro como um líder central e os seguintes papéis:

  • Responsável pela Ventilação: Um profissional que garante que as vias aéreas do paciente estejam desobstruídas e realiza a ventilação com bolsa-máscara (ambu).
  • Responsáveis pela Compressão Torácica: São necessários dois profissionais para revezar as compressões torácicas, garantindo a qualidade e a profundidade adequadas sem cansaço.
  • Líder Anotador: Um membro da equipe que registra os medicamentos administrados e o tempo de cada intervenção. Esta função é crucial para o acompanhamento e a tomada de decisões.
  • Responsável pelos Medicamentos: O profissional que prepara e administra os medicamentos conforme a indicação do médico ou o protocolo.
  • Profissional ao Lado do Monitor e Desfibrilador: Geralmente um médico, este membro da equipe avalia o ritmo cardíaco do paciente no monitor e, se indicado, realiza a desfibrilação com o Desfibrilador Externo Automático (DEA) ou o manual.

O Papel de Liderança do Enfermeiro: Organização e Ação

Em meio ao caos de uma PCR, o enfermeiro atua como um coordenador. Ele é quem direciona as ações da equipe, garantindo que cada um esteja em sua posição e cumprindo sua função. Sua autonomia e experiência são fundamentais.

  1. Coordenação da Equipe: O enfermeiro-líder distribui as tarefas, assegura que as compressões sejam eficientes e que a ventilação esteja adequada.
  2. Instalação do Desfibrilador: Ele é responsável por instalar o DEA no paciente e, se o ritmo for chocável, ele mesmo pode realizar a desfibrilação.
  3. Administração de Medicações: O enfermeiro supervisiona a manipulação e a administração dos medicamentos de emergência, como a adrenalina e a amiodarona, que são cruciais para o sucesso da reanimação.
  4. Aprimoramento Contínuo: Um bom enfermeiro-líder sabe que o aprendizado é constante. Ele busca o aprimoramento de sua equipe, utilizando tecnologias e protocolos atualizados (como os da American Heart Association – AHA) para garantir que a assistência seja sempre a mais eficaz possível.

O enfermeiro na UTI, com seu perfil de liderança, não apenas executa tarefas, mas otimiza recursos humanos e tecnológicos, tornando a assistência ágil, hábil e com maiores chances de sucesso. Acreditamos que a autonomia, a organização e o treinamento contínuo da equipe, liderados por um enfermeiro preparado, são a chave para um maior êxito na recuperação de um paciente em PCR.

Referências:

  1. AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). ACLS Suporte Avançado de Vida em Cardiologia. 2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/en/resources/aha-guidelines/aha-acls-guidelines-cpr-and-ecc.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Protocolo de Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos. Brasília, DF: ANVISA, 2013. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/manuais-e-guias/manual_seguranca_paciente_anvisa.pdf.
  3. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2016. (Referência para a metodologia de análise de conteúdo).

Atropina: Não utilizado mais em PCR!

A atropina é um medicamento com diversas finalidades, que age bloqueando os receptores muscarínicos da acetilcolina e relaxando os músculos lisos dos órgãos internos. Vamos explorar mais sobre esse composto essencial:

O seu uso

A atropina é um remédio de uso injetável indicado para várias condições médicas:

  1. Intoxicação por inseticidas organofosforados ou carbamatos: A atropina atua como antídoto nesses casos, revertendo os efeitos tóxicos dessas substâncias.
  2. Arritmias cardíacas: Especialmente a bradicardia sinusal, a atropina é utilizada para aumentar a frequência cardíaca.
  3. Úlcera péptica: A atropina tem ação antiarrítmica e antiespasmódica, auxiliando no tratamento dessa condição.
  4. Cólica renal ou biliar: A atropina pode aliviar espasmos dolorosos nessas situações.
  5. Diminuição da produção de saliva e muco do trato respiratório durante a anestesia e intubação: É usada para preparar o paciente para procedimentos.
  6. Doença de Parkinson: Embora menos comum, a atropina pode ser empregada em alguns casos.
  7. Preparo para radiografias gastrointestinais: Ajuda a relaxar os músculos do trato gastrointestinal.

Descontinuação no Suporte Avançado de Vida na PCR

Recentemente, as diretrizes de suporte avançado de vida durante a parada cardiorrespiratória (PCR) passaram por mudanças significativas em relação ao uso da atropina. Eis o que mudou:

  • Uso rotineiro descontinuado: Anteriormente, a atropina era frequentemente administrada para tratar ritmos cardíacos lentos durante a PCR. No entanto, as novas diretrizes não recomendam mais seu uso rotineiro nesses casos.
  • Estudos e evidências: Pesquisas mostraram que a atropina não oferece benefícios terapêuticos significativos em ritmos elétricos sem pulso (como assistolia) ou bradicardia grave. Portanto, seu uso foi descontinuado em situações de PCR.

O que estão fazendo agora?

  • Priorizando a RCP de alta qualidade: A ressuscitação cardiopulmonar continua sendo a base do tratamento durante a PCR.
  • Evitando a Atropina: Em ritmos elétricos sem pulso ou bradicardia, considerando outras opções terapêuticas.
Referência:
  1. Gonzalez M, Timerman S, Gianotto-Oliveira R, Polastri T, Canesin M, Schimidt A, et al.. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol [Internet]. 2013Aug;101(2):1–221. Available from: https://doi.org/10.5935/abc.2013S006

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP

PCR Vs RCP: Entenda as Diferenças

No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 35% das mortes, resultando em 300 mil óbitos por ano, segundo dados do Ministério da Saúde.

Dessas mortes, 200 mil ocorrem devido a parada cardiorrespiratória, daí a importância da população como um todo saber o que fazer frente a uma situação dessas, onde a rapidez no atendimento está diretamente ligada à chance de sobrevivência da vítima.

Entenda as Diferenças

A PCR, ou parada cardiorrespiratória, é a interrupção da circulação e dos movimentos respiratórios.

A Reanimação Cardiopulmonar (RCP) consiste no procedimento que visa tentar reverter a PCR.

É uma técnica utilizada para restaurar artificialmente a circulação e as trocas gasosas nos pulmões, condições fundamentais para manter o cérebro e, consequentemente, os neurônios (que são as células nervosas sensíveis à falta de oxigênio) vivos.

Para se iniciar o atendimento de Reanimação Cardiopulmonar é necessário primeiramente fazer a detecção da mesma, onde devem ser seguidos os seguintes passos:

  • Colocar o paciente em uma superfície rígida (preferencialmente no chão), com o tórax voltado para cima. Se posicionar ao lado da vítima, com um dos joelhos flexionados e testar a sua responsividade, ou seja, verificar se a vítima está consciente ou não.
  • Feito isso, deve-se verificar se a vítima possui movimentos respiratórios, observando com cautela se o seu tórax se movimenta ou se sente a saída de ar pelas suas narinas.
  • Depois, se investiga a presença de pulso no pescoço da vítima, compatível com o local anatômico em que se encontra a artéria carótida, lateralmente ao pomo de adão, em ambos os lados do pescoço.
  • Após evidenciar que a vítima se encontra sem responsividade, sem respiração e sem pulso, já se pode iniciar a RCP.

Se estivermos com outra pessoa, esse é o momento de pedir a ela para ligar para o SAMU (192), ou para os Bombeiros (193), relatar que existe um paciente em parada cardiorrespiratória e que é necessário a presença deles com um aparelho desfibrilador.

Para o inicio das manobras de RCP, devem ser tomados os seguintes cuidados:

  • Com os dois joelhos no chão e posicionados perpendicularmente à vítima, o socorrista irá colocar uma de suas mãos em cima da outra, entrelaçando-as. Com os braços retificados, irá posicionar suas mãos entre os mamilos da vítima bem em cima do esterno, o osso que une as costelas que se encontra no centro do tórax. A partir daí, com a base da mão que se encontra entrelaçada, irá iniciar 30 compressões, intercaladas com 2 ventilações (respiração boca a boca por exemplo), e assim sucessivamente, até que o resgate chegue.
  • Um fato importante a ser lembrado é que as compressões devem ser realizadas a um número MÍNIMO de 100 por minuto, e se o socorrista estiver sozinho, as massagens cardíacas devem ser priorizadas em detrimento das ventilações.
  • O atendimento de uma parada cardiorrespiratória, feito de maneira rápida e adequada, pode significar a diferença entre vida e morte de um paciente. E quanto maior o número de pessoas que tiverem acesso a essas técnicas e informações, maiores serão as chances de sobrevivência e preservação da vida, que é nosso bem maior.

Referências:

  1. Guidelines 2000 for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care – International Consensus on Science. Circulation 2000; 102(8 suppl).
  2. Dorian P, Cass D, Schwartz B. et al. Amiodarone as compared with lidocaine for shock –resistant ventricular fibrillation. New England Journal Medicine 2002; 46:884-90.
  3. Larkin GL. Termination of resuscitation: the art of clinical decision making. Current Opinion Critical Care 2002; 8(3):224-9.
  4. Xavier L, Kern K. Cardiopulmonary Resuscitation Guidelines 2000 update: what’s happened since? Current Opinion Critical Care 2003; 9:218-21.
  5. Rea T, Paredes V. Quality of life and prognosis among survivors of out-of hospital cardiac arrest. Current Opinion Critical Care 2004; 10(3):218-23.
  6. Holzer M, Bernard S, Idrissi S. et al. Hypotermia for neuroprotection after cardiac arrest: systematic review and individual patient data meta-analysis. Critical Care Medicine 2005; 33(2):414-8.
  7. Koko A, Thwe H. Vasopressin for cardiac arrest: a systematic review and metanalysis. Archives Internal Medicine 2005; 165:17-24.
  8. 2010 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care Science 2010; 122(Issue 18 suppl 3).
  9. Stub D, Bernard S, Duffy SJ et al. Post cardiac arrest syndrome: a review of therapeutic strategies. Circulation 2011; 123:1428-35.

Proteína C-reativa (PCR)

A proteína C reativa é uma substância produzida pelo fígado que costuma ter seus níveis aumentados quando o paciente está passando por condições como processos inflamatórios ou processos infecciosos. Ela também pode se elevar em casos de doenças reumáticas, traumatismos ou cânceres, ainda que o paciente não apresente sintomas.

É importante notar que este exame PCR não tem qualquer relação com o exame de RT-PCR, utilizado para testar a covid-19.

Para que serve o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa funciona como um indicador de processos inflamatórios ou infecciosos do organismo, mesmo que o paciente não apresente sintomas claros e bem definidos. Ele pode servir como uma ferramenta no auxílio do diagnóstico de condições como o lúpus, a apendicite, a doença inflamatória do intestino, a pancreatite ou mesmo as infecções bacterianas.

O exame de proteína C reativa pode ser feito também depois de cirurgias para determinar sepse e outras condições, além de ajudar a avaliar o risco de doenças cardiovasculares.

Geralmente, o exame de proteína C reativa é feito como teste inicial e, posteriormente, caso seus valores estejam elevados, o paciente pode ter exames complementares realizados para saber onde está localizada a inflamação e o processo infeccioso ou ainda o porquê de seus indicadores de proteína C reativa estarem elevados.

Como é feito o exame de proteína C reativa?

O exame de proteína C reativa (PCR), em geral, não exige preparos prévios, como jejum. No entanto, o médico solicitante pode recomendar algum preparo especial, por isso é importante que essa e outras informações sejam confirmadas ao agendar o exame.

Os valores podem variar dependendo de qual laboratório foi feito o exame. Valores baixos do PCR podem ser observados em situações como de pessoas que tiveram grande perda de peso, prática de exercícios físicos, consumo de bebidas alcoólicas e uso de alguns medicamentos, sendo importante que o médico identifique a causa.

O exame de proteína C reativa (PCR) é um exame de sangue convencional, em que o técnico responsável coleta uma amostra de sangue venoso, geralmente do braço. A coleta é feita em segundos e depois o paciente é liberado.

Orientações

Preparo

Não há preparação para este exame. No entanto, se o sangue for coletado para outros exames, pode ser necessário jejuar. Portanto, pergunte ao médico qual orientação seguir. Também é importante informar ao médico se tomou medicamentos antes do exame, já que isso pode afetar o nível de PCR.

Como interpretar?

Antes dos valores e as possíveis causas, é importante sempre aliar a interpretação do valor com a correlação clínica do seu paciente. Dificilmente, decisões serão tomadas com base no valor isolado da PCR. Cuidado!

  • < 0,3 mg/dL: normal
  • 0,3 a 1 mg/dL: normal ou elevação pequena (pode ser visto em condições como obesidade, resfriado simples, sedentarismo, tabagismo, gestação);
  • 1 a 10 mg/dL: elevação moderada (inflamação sistêmica como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças auto-imunes, neoplasias, infarto agudo do miocárdio, pancreatite, bronquite);
  • > 10 mg/dL: elevação importante: infecções bacterianas agudas, infecções virais, vasculites sistêmicas, trauma);
  • > 50 mg/dL: elevação severa (infecção bacteriana aguda);

Fatores de confusão

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e estatinas: podem reduzir falsamente os níveis da PCR;
  • Doença ou trauma recente: podem elevar falsamente os níveis da PCR;
  • Mulheres e idosos têm níveis naturalmente mais elevados;
  • Obesidade, insônia, depressão, tabagismo e diabetes podem contribuir para elevações pequenas da PCR. Necessário sempre correlacionar os valores em indivíduos com tais comorbidades;

Como fica a interpretação da PCR na Covid-19?

ATENÇÃO: Uma importante dica para informar aos seus pacientes é esclarecer a nomenclatura dos exames. A proteína C reativa, também conhecida como PCR, é um exame laboratorial obtido a partir do sangue coletado. O RT-PCR (Reação de Transcriptase Reversa seguida de Reação em Cadeia da Polimerase) para Covid-19 (popularmente chamado de “PCR para Covid-19”) é um teste molecular para detecção de material genético do SARS-CoV-2, via swab nasal e nasofaríngeo.

A Covid-19 é uma doença pró-inflamatória. Logo, marcadores inflamatórios são interessantes nesse tipo de doença. A proteína C reativa (PCR) tem sido bastante utilizada e traz informações interessantes na Covid-19.

  • Durante a fase inflamatória da doença, é possível flagrar uma elevação progressiva e marcada da PCR, chegando a valores acima de 10 a 20 mg/dL;
  • A PCR elevada na Covid-19 nem sempre significa coinfecção bacteriana. Assim como a presença de febre na fase inicial não indica a necessidade de cobertura antibiótica;
    • Leve em conta o tempo de duração da doença (dificilmente ocorrerá coinfecção bacteriana nos primeiros 7 dias de doença viral);
    • Utilize biomarcadores como procalcitonina para guiar a melhor decisão sobre o início de antibióticos. Quando acima de 0,2 ng/mL, sugere-se coinfecção. Cuidado na avaliação em pacientes com disfunção renal (valores estarão falsamente elevados);
  • A Covid-19 é uma doença viral. Elevação da PCR e febre elevada em um primeiro momento são esperados, repercutindo o quadro inflamatório agudo. O uso de antibióticos precisa ser considerado com cautela. Nunca use o valor isolado da PCR para o início de ATBs.

Referências:

  1. Nehring SM, Goyal A, Bansal P, et al. C Reactive Protein. [Updated 2021 May 10]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK441843/
  2. ​​Stone et al. Efficacy of Tocilizumab in Patients Hospitalized with Covid-19. N Engl J Med. 2020 Dec 10;383(24):2333-2344. doi: 10.1056/NEJMoa2028836. Epub 2020 Oct 21. PMID: 33085857; PMCID: PMC7646626.
  3. Vanderschueren S, Deeren D, Knockaert DC, Bobbaers H, Bossuyt X, Peetermans W. Extremely elevated C-reactive protein. Eur J Intern Med. 2006 Oct;17(6):430-3. 
  4. RECOVERY Collaborative Group. Tocilizumab in patients admitted to hospital with COVID-19 (RECOVERY): a randomised, controlled, open-label, platform trial. Lancet. 2021;397(10285):1637-1645. doi:10.1016/S0140-6736(21)00676-0

Parada Cardiorrespiratória: Os 5H´s e 5T´s das possíveis causas!

O atendimento da PCR deve ser considerado como conhecimento obrigatório e prioritário de todo profissional de saúde, independente de sua especialidade. O diagnóstico rápido e correto é a chave para o sucesso da reanimação cardiopulmonar (RCP).

Os sinais usados para o diagnóstico são: ausência de pulso em grande vaso, inconsciência, cianose e ausência de movimentos respiratórios.

E foi criado um  mnemônico conhecido para este fim são os 5Hs e 5 Ts, em que se divide em 10 mecanismo principais as causas de PCR, podendo agir rapidamente ao tentar buscar o mecanismo causador da PCR e, assim, tratá-lo de forma adequada.

Prováveis causas de atividade elétrica sem pulso e assistolia

Causa Tratamento
Hipovolemia Volume
Hipoxia Oxigênio (intubação endotraqueal)
Hipo/hipercalemia Cloreto de potássio/bicarbonato de sódio 1 mEq/kg
H+ (acidose metabólica) Bicarbonato de sódio 1 mEq/kg
Hipotermia Reaquecimento
Tamponamento cardíaco Punção pericárdica (Marfan)
Tromboembolismo pulmonar Volume + reversão da PCR
Trombose dcoronariana Volume + reversão da PCR
Pneumotórax hipertensivo Punção torácica de alívio
Tóxicos (drogas) Antagonista específico

Referências:

 Pereira HA, Neto PO – Reanimação Cardiopulmonar e Cerebral, em: Nacul FE – Medicina Intensiva Abordagem Prática. Rio de janeiro, Revinter, 2004;91-96.
Barbosa FT – Parada Cardíaca, em: Barbosa FT – Medo de Anestesia? Por quê? Alagoas, Edufal, 2005;127-132.

Dicas

Primeiro Socorros para Cães e Gatos: A Parada Cardio-Respiratória(PCR), o que fazer?

Assim como acontece em nós humanos, animais podem sim sofrer uma parada cardíaca e respiratória. A parada cardíaca pode ser ocasionada por diversas situações, como após uma queda, acidente, dores fortes, engasgamento e até mesmo devido a idade do animal e fraqueza no coração, que é um músculo. Para identificar se o animal está com […]