Insuficiência Cardíaca Descompensada e a Classificação de Stevenson

A insuficiência cardíaca descompensada (ICD) é uma condição em que o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo. Isso leva ao acúmulo de líquido nos pulmões (congestão pulmonar) e em outras partes do corpo, causando sintomas como falta de ar, inchaço nas pernas e fadiga.

A Classificação de Stevenson

Diante da complexidade da ICD, o cardiologista americano Leonard Stevenson propôs uma classificação que auxilia na identificação do perfil hemodinâmico do paciente. Essa classificação divide os pacientes em quatro grupos (A, B, C e L), cada um com características e tratamento específicos:

Perfil A: Quente e seco

  • Características: Pacientes com boa perfusão periférica (pele quente e seca), sem sinais de congestão (edema, estertores pulmonares). A pressão arterial geralmente está elevada.
  • Fisiopatologia: O coração tenta compensar a insuficiência cardíaca aumentando o débito cardíaco, mas a pré-carga (volume de sangue que retorna ao coração) está relativamente baixa.
  • Tratamento: Foca em reduzir a pré-carga (diuréticos) e o débito cardíaco (beta-bloqueadores).

Perfil B: Quente e úmido

  • Características: Pacientes com boa perfusão periférica, mas com sinais de congestão pulmonar e sistêmica (edema, estertores, hepatomegalia).
  • Fisiopatologia: O coração tenta compensar a insuficiência cardíaca aumentando o débito cardíaco, mas a pré-carga está elevada, levando à congestão.
  • Tratamento: Foca em reduzir a pré-carga (diuréticos) e o débito cardíaco (beta-bloqueadores), além de vasodilatadores para diminuir a pós-carga.

Perfil L: Frio e seco

  • Características: Pacientes com baixa perfusão periférica (pele fria e pálida), sem sinais de congestão. A pressão arterial geralmente está baixa.
  • Fisiopatologia: O coração não consegue gerar débito cardíaco suficiente, levando à má perfusão dos órgãos.
  • Tratamento: Foca em aumentar o volume intravascular (fluidoterapia) e o débito cardíaco (inotrópicos).

Perfil C: Frio e úmido

  • Características: Pacientes com baixa perfusão periférica e sinais de congestão pulmonar e sistêmica.
  • Fisiopatologia: Representa um quadro mais grave, com choque cardiogênico.
  • Tratamento: Requer tratamento intensivo, com suporte hemodinâmico (vasopressores, inotrópicos), correção de distúrbios eletrolíticos e otimização da oxigenação.

A Importância da Classificação de Stevenson

A classificação de Stevenson é uma ferramenta valiosa para o médico, pois permite:

  • Individualizar o tratamento: Cada perfil exige um tratamento específico, o que otimiza a resposta terapêutica e minimiza os efeitos adversos.
  • Aumentar a segurança do paciente: A identificação correta do perfil hemodinâmico evita o uso de medicamentos inadequados, que podem agravar o quadro clínico.
  • Melhorar o prognóstico: O tratamento adequado da ICD, baseado na classificação de Stevenson, pode prolongar a vida e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Fatores que levam à descompensação da insuficiência cardíaca

  • Não adesão ao tratamento medicamentoso;
  • Infecções;
  • Sobrecarga hídrica e salina;
  • Infarto agudo do miocárdio;
  • Arritmias cardíacas;
  • Tromboembolismo pulmonar;
  • Piora da insuficiência mitral;
  • Doença valvar não diagnosticada.

Tratamento da Insuficiência Cardíaca Descompensada

O tratamento da ICD é complexo e envolve diversas medidas, como:

  • Oxigenoterapia: Para melhorar a oxigenação do sangue.
  • Diuréticos: Para reduzir o excesso de líquido no organismo.
  • Vasodilatadores: Para diminuir a pressão arterial e facilitar o trabalho do coração.
  • Inotrópicos: Para aumentar a força de contração do coração.
  • Tratamento das causas subjacentes: Como hipertensão, diabetes e doenças valvares.

Cuidados de Enfermagem

Monitorização

    • Sinais vitais: Frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e temperatura devem ser monitorados regularmente para identificar qualquer alteração que possa indicar deterioração clínica.
    • Saturação de oxigênio: A oximetria de pulso é fundamental para avaliar a oxigenação do paciente e identificar a necessidade de oxigênio suplementar.
    • Balanço hídrico: O controle rigoroso do balanço hídrico é essencial para evitar sobrecarga hídrica e prevenir o edema.
    • Diurese: A diurese deve ser monitorada para avaliar a eficácia da terapia diurética.
    • Ruídos cardíacos e pulmonares: A ausculta cardíaca e pulmonar permite identificar alterações como sopros cardíacos, estertores e roncos, que podem indicar congestão.

Administração de medicamentos

    • Diuréticos: A administração precisa e segura de diuréticos é fundamental para controlar o edema e a congestão pulmonar.
    • Inotrópicos: A administração de inotrópicos requer monitorização rigorosa da pressão arterial e da frequência cardíaca.
    • Vasodilatadores: A administração de vasodilatadores deve ser feita com cautela, monitorando a pressão arterial e a frequência cardíaca.

Educação em saúde

    • Restrição hídrica e salina: O paciente deve ser orientado sobre a importância de restringir a ingestão de líquidos e sódio para controlar o edema.
    • Uso correto dos medicamentos: É fundamental que o paciente conheça os medicamentos prescritos, a dosagem correta e os possíveis efeitos colaterais.
    • Sintomas de alerta: O paciente deve ser orientado sobre os sintomas de alerta da descompensação cardíaca, como aumento de peso, falta de ar, tosse, edema e fadiga.

Promoção da atividade física

    • Exercícios: A atividade física regular, sob orientação médica, é importante para melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida.

Suporte psicológico

    • Escuta ativa: É importante ouvir o paciente e seus familiares, oferecendo apoio emocional e esclarecendo suas dúvidas.
    • Enfrentamento: Ajudar o paciente a lidar com as limitações impostas pela doença e a desenvolver estratégias de enfrentamento.

Outros cuidados importantes

  • Posicionamento: Elevar a cabeceira da cama pode facilitar a respiração e reduzir o edema pulmonar.
  • Higiene: A higiene corporal adequada é importante para prevenir infecções.
  • Nutrição: Uma dieta equilibrada, com baixo teor de sódio, é essencial para controlar o edema.

Diagnósticos de enfermagem comuns na ICD

  • Troca de gases prejudicada: Relacionada à congestão pulmonar.
  • Volume de líquidos excessivo: Relacionado à retenção hídrica.
  • Intolerância à atividade: Relacionada à fadiga e dispneia.
  • Conhecimento deficiente: Relacionado à falta de informação sobre a doença e o tratamento.

Referências:

  1. Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda
  2. Mangini, S., Pires, P. V., Braga, F. G. M., & Bacal, F.. (2013). Insuficiência cardíaca descompensada. Einstein (são Paulo), 11(3), 383–391. https://doi.org/10.1590/S1679-45082013000300022
  3. Barbosa, C. C., Perinote, L. C. S. C., Gomes, R. C., Oliveira, F. T., & Costa, J. S. (2024). Cuidados de enfermagem no paciente com insuficiência cardíaca congestiva descompensada. Brazilian Journal of Health Review, 7(2), 1-12. https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/69175

O Perfil de Ação das Insulinas

 

É importante conhecer o perfil de ação das insulinas que estão sendo utilizadas pelo paciente, pois o foco na alimentação, na prática desportiva e na medicação em uso deve ser conjunto!

A tabela abaixo descreve as características ou perfis dos tipos de insulina existentes. O início da ação é a velocidade com que a insulina começa a trabalhar após a injeção; o pico é a hora em que a insulina atinge o ponto máximo no que diz respeito à redução de glicemia e a duração é o tempo em que a insulina age no organismo. A referência para os dados abaixo é a insulina humana U-100.

Tipo Início da Ação Pico Duração Horário para injeção

Bolus

Ultrarrápida (Análogos Ultrarrápidos)

  • Apidra® (Glulisina)
  • Humalog® (Lispro)
  • NovoRapid® (Asparte)
10-15 minutos 1-2 horas 3-5 horas Utilizada junto às refeições. Deve ser injetada imediatamente antes das refeições.
Rápida (Insulina Humana Regular)

  • Humulin®
  • Novolin®
30 minutos 2-3 horas 6 horas e 30 minutos Utilizada junto às refeições ao dia. Deve ser injetada entre 30 e 45 minutos antes do início das refeições.

Basal

Ação intermediária (NPH – humana)

  •  Humulin® N
  • Novolin® N
1-3 horas 5-8 horas Até 18 horas Frequentemente, a aplicação começa uma vez ao dia, antes de dormir. Pode ser indicada uma ou duas vezes ao dia. Não é específica para refeições.
Longa duração (Análogos lentos)

  • Lantus® (Glargina)
  • Levemir® (Detemir)
  • Tresiba® (Degludeca)
90 minutos Sem pico Lantus: até 24 horas
Levemir: de 16 a 24 horas
Degludeca: > 24h
Frequentemente, a aplicação começa uma vez ao dia, antes de dormir. Levemir pode ser indicada uma ou duas vezes ao dia. Tresiba é utilizada sempre uma vez ao dia, podendo variar o horário de aplicação. Não é específica para refeições.

Pré-misturada

Insulina pré-misturada regular

  • Humulin® 70/30 e
  • Novolin® 70/30)
10 a 15 minutos(componente R) e 1 a 3 horas(componente N) 30% da dose como insulina R e 70% da dose com insulina N 30% da dose como insulina R e 70% da dose com insulina N Aplicada junto a uma ou mais refeições ao dia. Deve ser injetada de 30 a 45 minutos antes do início das refeições.
Insulina pré-misturada análoga

  • NovoMix® 30
  • Humalog Mix® 25
  • HumalogMix® 50)
O número indica o percentual de ultrarrápida na mistura, o restante tem perfil de ação compatível com insulina N Insulina ultrarrápida e insulina N ( de acordo com a proporção do produto: 25, 30 ou 50% da dose de ultrarrápida) Insulina ultrarrápida e insulina N ( de acordo com a proporção do produto: 25, 30 ou 50% da dose de ultrarrápida) Aplicada junto a uma ou mais refeições ao dia. Deve ser injetada de 0 a 15 minutos antes do início das refeições.

 

 


Referência:

https://www.diabetes.org.br/