Brasília, 2026 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento preventivo de um lote do medicamento dipirona sódica produzido pelo laboratório Hypofarma. A medida foi adotada após a identificação de desvios de qualidade que podem comprometer a segurança dos pacientes e a eficácia do tratamento. A ação reforça o rigor do órgão […]
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ESPII: Quando o Alerta Mundial Começa

Vá direto ao ponto!
Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) é uma situação extraordinária que representa risco para outros países devido à possibilidade de disseminação internacional de uma doença e que pode exigir uma resposta internacional coordenada.
A declaração é feita pelo Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), considerando informações fornecidas pelos países, avaliação científica, análise dos riscos à saúde e possibilidade de disseminação internacional. Portanto, uma ESPII não significa automaticamente que exista uma pandemia.
Quem decide e o que acontece depois?
O processo está previsto no Regulamento Sanitário Internacional (RSI). Quando existe um evento com potencial de importância internacional, a OMS pode convocar um Comitê de Emergência para analisar o cenário e aconselhar o Diretor-Geral.
Quando uma ESPII é determinada, a OMS pode emitir recomendações temporárias aos Estados Partes, orientando medidas de vigilância, preparação, prevenção e resposta. Essas recomendações não são, por definição, juridicamente vinculantes.
O RSI passou por alterações importantes após a experiência da COVID-19. Desde setembro de 2025, as mudanças aprovadas em 2024 estão em vigor para a maioria dos Estados Partes e incluem um novo nível de alerta denominado emergência pandêmica, considerado superior à ESPII.
ESPII não é sinônimo de pandemia
Essa diferença costuma aparecer em provas e também é importante na prática. Uma ESPII pode ser declarada diante de um evento com potencial de disseminação internacional e necessidade de coordenação entre países, mesmo que ele ainda não tenha atingido os critérios de uma emergência pandêmica.
A nova definição de emergência pandêmica exige, entre outros elementos, uma doença transmissível com ampla disseminação geográfica ou alto risco de disseminação, risco de ultrapassar a capacidade dos sistemas de saúde, impacto social ou econômico substancial e necessidade de ação internacional rápida, equitativa e coordenada.
O que muda para a enfermagem?
Aqui está uma parte que muitas vezes recebe pouca atenção: o profissional de enfermagem está dentro da primeira linha de detecção de eventos incomuns.
Durante a admissão, perguntas aparentemente simples podem ter enorme importância epidemiológica. De onde o paciente veio? Viajou recentemente? Teve contato com alguém doente? Quando começaram os sintomas? Houve exposição ocupacional ou contato com animais? Em determinadas situações, essas informações podem modificar imediatamente o fluxo assistencial.
Em 2026, por exemplo, o Brasil publicou orientações específicas diante da ESPII relacionada à doença pelo vírus Bundibugyo, após a ocorrência de casos na República Democrática do Congo e em Uganda. O Ministério da Saúde orientou investigação imediata, identificação de contatos, articulação entre assistência, vigilância, CCIH e Núcleos Hospitalares de Epidemiologia.
É fácil imaginar isso acontecendo no pronto atendimento: um paciente chega com febre, fraqueza intensa e sintomas inespecíficos. Antes mesmo de existir um diagnóstico confirmado, a informação de que ele esteve recentemente em uma área de transmissão pode ser decisiva para acionar o fluxo de vigilância e adotar as medidas de proteção necessárias.
Em uma situação desse tipo, não é responsabilidade do técnico ou enfermeiro “fechar” o diagnóstico epidemiológico sozinho. O papel é reconhecer o sinal de alerta, proteger o paciente e a equipe, comunicar rapidamente e seguir o protocolo institucional.
Um detalhe que pode mudar toda a investigação
Outro momento crítico ocorre quando a equipe identifica um paciente potencialmente exposto e precisa reconstruir sua linha do tempo. Data da viagem, início dos sintomas, locais frequentados e pessoas com quem houve contato deixam de ser apenas informações de anamnese e passam a fazer parte da investigação epidemiológica.
Nas orientações brasileiras de 2026 para doença pelo vírus Bundibugyo, os contatos de casos suspeitos, prováveis ou confirmados devem ser identificados e monitorados por 21 dias após a última exposição, enquanto a investigação epidemiológica deve começar imediatamente após a identificação do caso suspeito.
Imagine, por exemplo, uma equipe percebendo durante a triagem que o paciente esteve em uma região afetada poucos dias antes e teve contato direto com uma pessoa sintomática. A informação é registrada, o fluxo de notificação é acionado e a equipe passa a trabalhar de maneira articulada com vigilância e controle de infecção. Esse tipo de situação mostra por que uma boa anamnese também é uma ferramenta de vigilância em saúde.
Cuidados de enfermagem
Em uma possível ESPII, a prioridade é evitar exposição desnecessária e interromper possíveis cadeias de transmissão.
A enfermagem deve utilizar os equipamentos de proteção indicados para o risco identificado, aplicar precauções conforme protocolo, realizar higiene rigorosa das mãos, limitar exposições desnecessárias, comunicar imediatamente casos suspeitos e registrar informações epidemiológicas relevantes.
Também é fundamental não improvisar. Em eventos de alto risco biológico, o fluxo institucional, as orientações da CCIH, da vigilância epidemiológica, do CIEVS e do Ministério da Saúde devem orientar a assistência. O Ministério da Saúde destaca o CIEVS como componente estratégico para vigilância, detecção e resposta às emergências de saúde pública.
Um exemplo atual: Ebola pelo vírus Bundibugyo
Um exemplo ajuda a entender a importância do conceito. Em maio de 2026, a OMS declarou como ESPII o surto de doença pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo e em Uganda. O evento não preenchia, naquele momento, os critérios de emergência pandêmica.
O cenário continuou sendo acompanhado internacionalmente. Em agosto de 2026, o Comitê de Emergência do RSI voltou a se reunir e novas recomendações temporárias foram emitidas. Isso demonstra que uma ESPII não é simplesmente um “selo” colocado sobre uma doença: existe acompanhamento contínuo e possibilidade de atualização das medidas conforme o risco evolui.
O que realmente importa para a prova e para o plantão?
★ Cai em Concurso Guarde esta sequência: evento extraordinário + risco de disseminação internacional + possibilidade de exigir resposta coordenada = ESPII.
Para a enfermagem, o conhecimento vai além da definição. Reconhecer sinais epidemiológicos, perguntar sobre viagens e exposições, utilizar corretamente as precauções, comunicar rapidamente e trabalhar integrado à vigilância pode ser justamente o que permite identificar um evento antes que ele se transforme em um problema maior.
ESPII: Quando o Alerta Mundial Começa
- ESPII é uma emergência extraordinária com risco de disseminação internacional e necessidade potencial de resposta coordenada
- A declaração é feita pelo Diretor-Geral da OMS conforme o Regulamento Sanitário Internacional
- ESPII não é sinônimo de pandemia e existe atualmente um nível superior de alerta chamado emergência pandêmica
- A enfermagem participa da detecção precoce, proteção da equipe, notificação, vigilância e controle da transmissão
Referências:
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). International Health Regulations: amendments. Geneva: WHO, 2024. Disponível em: World Health Organization – International Health Regulations: amendments.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Emergencies: International health regulations and emergency committees. Geneva: WHO. Disponível em: WHO – International Health Regulations and Emergency Committees.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Amended International Health Regulations enter into force. Geneva: WHO, 2025. Disponível em: WHO – Amended International Health Regulations.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde – CIEVS. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – CIEVS.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Nota Técnica Conjunta nº 160/2026/SVSA/SAES/MS. Brasília, DF, 2026. Disponível em: Ministério da Saúde – Nota Técnica Conjunta nº 160/2026.
Tudo sobre as Hepatites Virais: Entenda, Identifique e Cuide

Vá direto ao ponto!
- 1. O Que São e Como Agem? A Inflamação Silenciosa
- 2. Tipos de Hepatites Virais
- 2.1. Hepatite A (HAV)
- 2.2. Hepatite B (HBV)
- 2.3. Hepatite C (HCV)
- 2.4. Hepatite D (HDV)
- 2.5. Hepatite E (HEV)
- 3. Diagnóstico
- 4. Os Sinais de Alerta: O Que a Enfermagem Deve Observar
- 5. Cuidados de Enfermagem
- 5.1. Prevenção e Vacinação
- 5.2. Rastreio e Testagem
- 5.3. Educação em Prevenção
- 5.4. Adesão ao Tratamento
- 5.5. Cuidados em Hepatite Aguda
As hepatites virais são um importante problema de saúde pública mundial, especialmente por sua alta incidência, potencial de cronificação e complicações graves, como cirrose e câncer de fígado (carcinoma hepatocelular).
Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender os tipos, as formas de transmissão, diagnóstico e manejo é fundamental para garantir um cuidado seguro, humanizado e baseado em evidências.
O Que São e Como Agem? A Inflamação Silenciosa
Hepatite significa, literalmente, “inflamação do fígado” (hepar: fígado, ite: inflamação). No contexto viral, a inflamação é causada pela resposta imune do corpo à presença do vírus nas células hepáticas (hepatócitos).
- Formas Agudas (Geralmente Autolimitadas): As hepatites A e E são, na maioria dos casos, agudas. O vírus é eliminado pelo corpo em semanas ou meses.
- Formas Crônicas (Perigo Silencioso): As hepatites B, C e D podem se tornar crônicas. O vírus permanece ativo no fígado por anos ou décadas, causando inflamação contínua e silenciosa, que lentamente leva à fibrose, cirrose e, em estágios finais, ao carcinoma hepatocelular (câncer de fígado).
Essas infecções comprometem as células hepáticas, alterando funções essenciais do fígado, como metabolismo de nutrientes, síntese de proteínas e desintoxicação do organismo.
Tipos de Hepatites Virais
Hepatite A (HAV)
Causada pelo vírus da hepatite A (HAV), é uma doença aguda e autolimitada, sem evolução para cronicidade.
A transmissão ocorre por via fecal-oral, geralmente através de água ou alimentos contaminados.
- Sintomas: febre, mal-estar, icterícia, urina escura, fezes esbranquiçadas e dor abdominal.
- Prevenção: saneamento básico, higienização das mãos e vacinação (duas doses).
Hepatite B (HBV)
É uma das formas mais graves devido ao risco de cronificação. O vírus da hepatite B (HBV) pode ser transmitido por sangue, fluidos corporais, relações sexuais desprotegidas, uso de seringas compartilhadas e transmissão vertical (mãe para filho).
- Evolução: pode ser aguda ou crônica, levando a complicações como cirrose e câncer hepático.
- Prevenção: vacinação (três doses), uso de preservativos, materiais esterilizados e não compartilhamento de objetos pessoais cortantes.
- Tratamento: antivirais, acompanhamento médico e monitoramento laboratorial.
Hepatite C (HCV)
Transmitida principalmente por contato com sangue contaminado, é uma das principais causas de doença hepática crônica no mundo.
Antes da triagem rigorosa em bancos de sangue, muitas pessoas foram infectadas através de transfusões.
- Evolução: geralmente assintomática na fase inicial, mas pode progredir lentamente para cirrose e câncer.
- Tratamento: atualmente, há cura em mais de 95% dos casos, graças aos antivirais de ação direta (DAAs), que possuem alta eficácia e poucos efeitos colaterais.
- Prevenção: não existe vacina, portanto o foco é a prevenção da exposição ao sangue contaminado.
Hepatite D (HDV)
Causada pelo vírus delta, só ocorre em pessoas já infectadas pelo vírus da hepatite B, pois o HDV depende dele para se replicar. A coinfecção (HBV + HDV) tende a causar quadros mais graves e acelerar o dano hepático.
- Prevenção: a vacinação contra hepatite B também protege contra a D.
Hepatite E (HEV)
Semelhante à hepatite A, é transmitida por via fecal-oral, geralmente através de água contaminada. Comum em regiões com saneamento precário, geralmente é autolimitada, mas pode ser grave em gestantes, com risco aumentado de insuficiência hepática.
- Prevenção: saneamento básico, consumo de água potável e higiene alimentar.
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por exames laboratoriais, que incluem:
- Sorologia específica (detecção de antígenos e anticorpos);
- Carga viral (quantificação do DNA/RNA do vírus);
- Avaliação de enzimas hepáticas (TGO, TGP, bilirrubina).
A identificação precoce é essencial para o controle da transmissão e início do tratamento adequado.
Os Sinais de Alerta: O Que a Enfermagem Deve Observar
Na fase aguda (especialmente A e B), os sintomas incluem:
- Icterícia: Coloração amarelada da pele e dos olhos.
- Colúria: Urina escura (“cor de Coca-Cola”).
- Acolia Fecal: Fezes claras.
- Fadiga Extrema e Mal-estar.
Na fase crônica (B e C), a paciente é geralmente assintomática por anos, o que ressalta a importância do rastreio sorológico.
Cuidados de Enfermagem
O papel da enfermagem nas hepatites virais é amplo e inclui ações de educação, prevenção, assistência direta e vigilância epidemiológica.
Principais cuidados:
- Orientar sobre importância da vacinação contra hepatites A e B;
- Reforçar o uso de preservativos e não compartilhamento de objetos cortantes;
- Garantir biossegurança e uso de EPI durante procedimentos com sangue;
- Acompanhar sinais e sintomas de icterícia, fadiga e alterações digestivas;
- Apoiar o paciente no tratamento medicamentoso e na adesão ao acompanhamento ambulatorial;
- Notificar casos suspeitos e confirmados conforme protocolos de vigilância.
Prevenção e Vacinação
A vacinação é uma das estratégias mais eficazes de combate às hepatites virais.
- Hepatite A: disponível no calendário vacinal infantil e para grupos de risco;
- Hepatite B: obrigatória no Brasil desde 1998, oferecida gratuitamente pelo SUS a todas as idades;
- Hepatite C: ainda sem vacina, reforçando a importância do rastreio e diagnóstico precoce.
Rastreio e Testagem
Incentivar e realizar o rastreio sorológico para Hepatites B e C (Testes Rápidos) em grupos de risco (pessoas transfundidas antes de 1993, usuários de drogas injetáveis, profissionais de saúde).
Educação em Prevenção
Orientar sobre o uso de preservativos, a não-compartilhamento de seringas, escovas de dente, lâminas de barbear e a exigência de materiais esterilizados em estúdios de tatuagem e piercing.
Adesão ao Tratamento
Pacientes com Hepatite C têm tratamento com alta taxa de cura (mais de 95% em poucos meses). Na Hepatite B, o tratamento é para controlar a replicação viral. O enfermeiro deve orientar sobre o regime de medicamentos, os efeitos colaterais e a importância de não interromper o tratamento.
Cuidados em Hepatite Aguda
Se o paciente estiver ictérico, nosso foco é no conforto, hidratação e orientação sobre repouso.
As hepatites virais continuam sendo um desafio global, mas o diagnóstico precoce, a prevenção e a vacinação têm reduzido significativamente a morbimortalidade.
O enfermeiro tem papel central nesse processo, atuando desde a educação em saúde até o monitoramento clínico de pacientes infectados.
Com conhecimento técnico e olhar humanizado, é possível transformar o cuidado e contribuir para o controle dessa importante condição de saúde pública.
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico: Hepatites Virais. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hepatites-virais.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE HEPATOLOGIA (SBH). Recomendações para o Diagnóstico e Tratamento das Hepatites Virais B e C. Disponível em: http://sbhepatologia.org.br/.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatites Virais. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Global Hepatitis Report. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE INFECTOLOGIA. Hepatites Virais: diagnóstico, tratamento e prevenção. São Paulo, 2021. Disponível em: https://infectologia.org.br
-
FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (FIOCRUZ). Hepatites Virais: prevenção e controle. Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://portal.fiocruz.br
Aula Inaugural Marca o Início da 4ª Edição do Pós-Tec Enfermagem do Cofen
Brasília, 25 de novembro de 2025 – Uma nova e promissora etapa na qualificação da categoria teve início com a Aula Inaugural da 4ª edição do Pós-Tec Enfermagem. O evento marca o começo da jornada de formação para milhares de profissionais da Enfermagem que atuam na linha de frente da saúde em todo o Brasil. […]
Alerta de Saúde Pública: Coren-SP e Cofen Orientam Enfermagem sobre Intoxicação por Metanol
São Paulo, 13 de outubro de 2025 – O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) emitiram um alerta crucial para a categoria profissional sobre a intoxicação por metanol, uma emergência toxicológica de alta gravidade associada, frequentemente, ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O comunicado destaca a […]
Diferenças entre endemia, pandemia, epidemia e surto

Vá direto ao ponto!
Em saúde pública, algumas palavras costumam aparecer frequentemente nos noticiários, artigos científicos e até mesmo em conversas cotidianas: endemia, epidemia, pandemia e surto. Apesar de parecerem semelhantes, cada termo possui um significado específico e compreender essas diferenças é essencial para profissionais de saúde, principalmente para a enfermagem, que atua diretamente na vigilância, prevenção e assistência aos pacientes.
O Primeiro Alerta: O Surto
Um surto é o termo mais localizado. Ele se refere a um aumento repentino e inesperado do número de casos de uma doença em uma área específica, como uma escola, um hospital ou uma comunidade.
- O que o caracteriza: Acontece em um local muito restrito. É um sinal de alerta de que algo está fora do controle.
- Exemplo Comum: Vários casos de intoxicação alimentar após um evento em um restaurante ou o aumento de casos de sarampo em uma determinada escola. O surto é um problema local, mas que exige uma resposta rápida para não se espalhar.
A Ameaça Local: A Epidemia
Se o surto não for controlado e a doença se espalhar para uma área maior, como uma cidade, um estado ou uma região, temos uma epidemia. O número de casos é significativamente maior do que o esperado para aquela região.
- O que a caracteriza: A doença se espalha rapidamente, atingindo uma grande quantidade de pessoas em uma área geograficamente delimitada. O nível de infecção é alarmante.
- Exemplo Comum: Um grande aumento de casos de dengue durante o verão em uma cidade. A doença está se espalhando em uma escala que requer intervenção coordenada das autoridades de saúde.
O Perigo Global: A Pandemia
A palavra mais temida. Uma pandemia é uma epidemia que se espalhou por vários países ou continentes, afetando uma grande parte da população mundial.
- O que a caracteriza: A disseminação da doença é global. Ela não está restrita a uma região, mas se espalha pelo mundo. O número de casos é enorme e o impacto é sentido em larga escala.
- Exemplo Comum: O vírus da Influenza A (H1N1) em 2009 e, mais recentemente, a COVID-19. Ambas as doenças se espalharam por todos os continentes, impactando a vida de bilhões de pessoas e exigindo uma resposta global coordenada.
A Realidade Constante: A Endemia
Por fim, a endemia é o termo usado para descrever uma doença que existe de forma contínua e em uma frequência esperada dentro de uma área geográfica específica. A doença é “nativa” daquela região.
- O que a caracteriza: A doença está sempre presente na população, em um nível que não causa alarme.
- Exemplo Comum: A febre amarela na Amazônia ou a malária em certas regiões da África. A doença não desaparece, mas o número de casos se mantém estável, exigindo um monitoramento constante.
Cuidados de Enfermagem: Nossa Atuação em Cada Cenário
O nosso papel, como profissionais de enfermagem, é crucial em todas essas situações. A classificação da doença define o nosso nível de resposta:
- No Surto: Atuamos na identificação e isolamento dos casos. A nossa principal função é cortar a cadeia de transmissão rapidamente.
- Na Epidemia: A nossa atuação é mais abrangente. Participamos de campanhas de vacinação, organizamos o atendimento em hospitais e unidades de saúde e educamos a população sobre medidas de prevenção, como a higiene e o distanciamento.
- Na Pandemia: A nossa atuação é na linha de frente, lidando com um número massivo de pacientes, implementando protocolos rigorosos de segurança e, muitas vezes, lidando com o estresse e a exaustão da equipe.
- Na Endemia: O nosso papel é de vigilância contínua. Participamos de programas de controle, administramos vacinas e educamos a população sobre como prevenir a doença no dia a dia.
Outros cuidados
- Educação em saúde: orientar a população sobre medidas de prevenção, higiene e vacinação.
- Vigilância epidemiológica: notificar casos suspeitos e confirmados, colaborando com os sistemas de informação em saúde.
- Isolamento e precauções: aplicar medidas de biossegurança para evitar a propagação da doença.
- Assistência direta: prestar cuidados clínicos aos pacientes, respeitando protocolos específicos de cada doença.
- Apoio psicossocial: acolher e orientar pacientes e familiares em situações de crise sanitária.
Entender as diferenças entre endemia, epidemia, surto e pandemia é essencial para que o estudante e o profissional de enfermagem consigam contextualizar melhor as situações de saúde pública e atuar de forma eficaz na prevenção, detecção precoce e no cuidado aos pacientes.
A enfermagem, por estar na linha de frente, desempenha papel estratégico não apenas no atendimento clínico, mas também na educação em saúde e na vigilância epidemiológica.
Referências:
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Principles of Epidemiology in Public Health Practice. 3rd ed. Atlanta, GA: CDC, 2012. Disponível em: https://www.cdc.gov/csels/dsepd/ss1978/lesson1/section11.html.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). International Health Regulations. 3rd ed. Geneva: WHO, 2005. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241580496.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
- OPAS – Organização Pan-Americana da Saúde. Epidemias, endemias e pandemias: entenda a diferença. 2020. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/27-3-2020-epidemias-endemias-e-pandemias-entenda-diferenca.
-
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Emergencies preparedness, response: outbreaks and pandemics. 2020. Disponível em: https://www.who.int/emergencies/diseases.
Cofen Amplia Atuação da Enfermagem no Combate a HIV, ISTs e Hepatites
Brasília, 3 de setembro de 2025 – Uma nova e importante etapa para a saúde pública brasileira foi aprovada pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Em parceria com o Ministério da Saúde, o Cofen aprovou medidas que expandem a autonomia dos profissionais de Enfermagem no enfrentamento ao HIV/Aids, às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e às […]
Coren-ES Confirma: Equipe de Enfermagem Pode Realizar Testes Rápidos de HIV
Vitória, 15 de junho de 2025 – Uma importante diretriz para o avanço do diagnóstico de HIV no Espírito Santo foi emitida pelo Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES). Por meio da Nota Técnica nº 20/2025, a Câmara Técnica de Assistência do Coren-ES confirmou que toda a equipe de Enfermagem está apta a […]
Ministério da Saúde e Cofen Lançam Programa “Enfermagem por um Brasil Saudável” para Combater Doenças
Brasília, 30 de maio de 2025 – Uma nova e promissora iniciativa para fortalecer a saúde pública no Brasil foi lançada: o programa “Enfermagem por um Brasil Saudável“. Fruto de uma parceria estratégica entre o Ministério da Saúde (MS) e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), a ação visa engajar enfermeiros na eliminação de doenças […]
Cofen Reafirma Compromisso da Enfermagem com a Amamentação e Combate à Publicidade de Substitutos do Leite Materno
Brasília, 20 de maio de 2025 – Em uma sessão solene na Câmara dos Deputados em comemoração ao Dia Mundial da Proteção à Amamentação, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) reforçou seu compromisso com a promoção do aleitamento materno no Brasil. Representado por Ivone Amazonas, o Cofen destacou a importância fundamental do aleitamento para a […]








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