Febre em Crianças: O Que Muda Com a Nova Diretriz da SBP?

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou suas diretrizes para a abordagem da febre em crianças, trazendo clarezas importantes que impactam diretamente a prática clínica, o manejo de sintomas e a segurança na assistência em enfermagem.

Neste artigo, vamos explorar o que mudou, como interpretar os novos parâmetros e quais condutas de enfermagem são indicadas com base nas recomendações oficiais publicadas em maio de 2025.

Por que essa atualização foi necessária?

A febre é o sintoma que mais frequentemente motiva as famílias a procurarem atendimento pediátrico – estima-se que apareça em 20% a 30% das consultas.

No entanto, muitas vezes a febre é entendida de maneira equivocada, gerando ansiedade desnecessária. A SBP percebeu esse cenário e repensou as orientações, valorizando o conforto da criança em vez de um valor numérico, apontando que:

  • Febre não é doença, e sim um sinal de que há algo acontecendo.
  • Não há número de termômetro que defina quando medicar — o critério principal é o desconforto da criança .

Qual o novo valor para temperatura em crianças?

As faixas de referência para definição de febre foram mantidas como:

  • Axilar: > 37,5 °C
  • Auricular: acima de 37,8 °C a 38 °C
  • Oral: acima de 37,5 °C a 37,8 °C
  • Retal: acima de 38 °C a 38,3 °C

A grande mudança, porém, está na orientação de quando usar antitérmicos. A SBP reforça que:

  • Os antitérmicos (paracetamol, ibuprofeno e dipirona) devem ser usados quando a febre vier acompanhada de desconforto significativo — como irritabilidade intensa, recusa alimentar, sono prejudicado, fraqueza ou alteração no comportamento/nível de atividade.
  • Não se deve administrar baseado apenas em um número (por exemplo, 38 °C ou 39 °C), mas sim observando o quadro clínico global .

Como a enfermagem deve agir?

Avaliação do conforto da criança

O enfermeiro deve avaliar se a criança está com sinais de desconforto ou mudança de comportamento — choro persistente, inapetência, indisposição, sono excessivo ou agitação. Esses sinais valem mais do que a febre isolada.

Medição adequada da temperatura

A SBP recomenda:

  • Termômetro digital axilar em todas as idades;
  • Termômetro auricular (infravermelho) para crianças acima de 1 mês.

Evitar o uso de termômetros de mercúrio por risco de contaminação.

Critérios para administração de antitérmicos

O enfermeiro segue a prescrição considerando:

  • Se a criança demonstra mal-estar significativo
  • Optar por aplicar apenas um antitérmico, não alternar entre eles, evitando riscos de dosagem incorreta.

Suporte geral

  • Manter boa hidratação, oferecer líquidos com frequência
  • Aliviar o desconforto sem necessariamente medicar (retirar agasalhos, favorecer ventilação ambiente)
  • Acompanhar sinais vitais: frequência cardíaca, respiratória, enchimento capilar, estado de hidratação e saturação de oxigênio.

Orientação e registro

  • Explicar à família que febre é um sinal de alerta, não o diagnóstico
  • Orientar sobre sinais de alarme (irritabilidade intensa, apatia, vômitos persistentes, dificuldade respiratória)
  • Registrar detalhadamente: valores, sintomas associados e condutas

Casos de alerta

A SBP destaca que, além da febre, a atenção deve recair para:

  • Crianças menores de 3 meses com febre ≥ 38 °C ou temperatura ≤ 35,5 °C
  • Qualquer idade com distúrbio grave no estado geral, sinais neurológicos, dificuldade respiratória, vômitos persistentes ou sinais de desidratação.

Nesses casos, a internação e investigação rápida são indicadas.

A atualização da SBP representa um avanço importante: tirar o foco do termômetro e colocar no bem-estar da criança. Isso ajuda a reduzir a “febrefobia”, diminui o uso desnecessário de medicamentos e reforça o papel essencial da enfermagem na avaliação completa do paciente pediátrico.

Para estudantes e profissionais de enfermagem, esse novo entendimento é um convite para atuar com mais sensibilidade, técnica e segurança — adotando um cuidado verdadeiramente centrado na criança.

Referências:

  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Infectologia. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses. Rio de Janeiro: SBP, 16 maio 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/sbp/2025/maio/16/24896f-DC_-Abordag_Febre_Aguda_em_Pediatria_e_Reflexoes_VIRTUAL.pdf
  2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manejo da febre aguda. Rio de Janeiro: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23229c-DC_Manejo_da_febre_aguda.pdf
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. “Febre: cuidado com a febrefobia”. Rio de Janeiro: SBP, 2025. Disponível em: https://www.sbp.com.br/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/febre-cuidado-com-a-febrefobia/

A Temperatura Corporal e suas Terminologias

Temperatura

A temperatura corporal é o equilíbrio entre a produção e a perda de calor do organismo, mediado, pelo centro termo-regulador, portanto, pode ser verificada na região axilar, inguinal, bucal ou retal.

Quais são os Valores de Referência?

Temperatura axilar: 35,8°C a 37°C

Temperatura bucal: 36,3°C a 37,4°C

Temperatura retal: 37°C a 38°C

Quais são as terminologias referente à temperatura?

Hipotermia: Temperatura abaixo de 35°C

Afebril: 36,1°C a 37,2°C

Febril: 37,3°C a 37,7°C

Febre: 37,8°C a 38,9°C

Pirexia: 39°C a 40°C

Hiperpirexia: acima de 40°C

Quais são os Cuidados de Enfermagem referente a mensuração da temperatura?

Pela Mensuração Axilar:

  • Lavar as mãos;
  • Explicar ao paciente o que vai ser feito;
  • Fazer desinfecção do termômetro com o algodão embebido em álcool a 70% e certificar-se que o termômetro digital está prontamente ligado;
  • Enxugar a axila com a roupa do paciente (a umidade abaixa a temperatura da pele, não dando a temperatura real do corpo);
  • Colocar o termômetro no côncavo da axila, de maneira que o bulbo fique em contato direto com a pele;
  • Pedir o paciente para comprimir o braço em encontro ao corpo, colocando a mão no ombro oposto;
  • Após 5 minutos, ou até que o termômetro acione um alarme, retire o termômetro, ler e anotar a temperatura.
  • Fazer desinfecção do termômetro em algodão embebido em álcool a 70%;
  • Lavar as mãos.

Quais são as Contra-indicações?

Furunculose axilar, pessoas muito fracas ou magras.

Observação:

– Não deixar o paciente sozinho com o termômetro.

Pela Mensuração Inguinal:

O método é o mesmo, portanto, variando apenas o local: o termômetro é colocado na região inguinal; É mais comumente verificada nos recém- nascidos. Neste caso, manter a coxa flexionada sobre o abdome.

Pela Mensuração Bucal:

  • Lavar as mãos;
  • Explicar ao paciente o que vai ser feito;
  • Colocar o termômetro sob a língua do paciente, recomendando que o conserve na posição, mantendo a boca fechada por 7 minutos ou até que acione o alarme do termômetro;
  • Retirar o termômetro, limpar com algodão, ler a temperatura e anotá-la, escrevendo a letra B para indicar o local onde foi verificado;

Observação:

– O termômetro apropriado (longo e chato) propicia mais segurança e rapidez de aquecimento;

– Não verificar temperatura bucal de paciente em delírio, inconsciente, que estejam com lesões na boca, problemas nas vias respiratórias;

– É contra-indicado a verificação de temperatura bucal logo após a ingestão de alimentos gelados ou quentes. Também não se deve verificar a temperatura bucal em crianças e doentes mentais;

– O termômetro deve ser individual;

Pela Mensuração Retal:

  • Lavar as mãos;
  • Calçar as luvas;
  • Colocar o paciente em decúbito lateral;
  • Lubrificar o termômetro com vaselina ou óleo e introduzir 2cm pelo ânus;
  • Retirar o termômetro depois de 7 minutos ou até que acione o alarme e ler a temperatura;
  • Desinfetar o termômetro com algodão embebido em álcool a 70%;
  • Retirar as luvas;
  • Lavar as mãos;
  • Anotar a temperatura escrevendo a letra “R” para indicar o local onde foi verificado;

Observação:

– Este processo é mais usado nas maternidades e serviços de pediatria, todavia, devendo cada criança ter um termômetro individual, de tipo apropriado. É indicado também para pacientes adultos em estado grave ou inconscientes;

– Em se tratando de criança, segurar-lhe as pernas para evitar que se debata enquanto está sendo verificada a temperatura;

– É contra-indicado verificar a temperatura retal em caso de inflamação, obstrução ou alteração do reto;

La Temperatura Corporal y sus Terminologías

Temperatura

La temperatura corporal es el equilibrio entre la producción y la pérdida de calor del organismo, mediado, por el centro termo-regulador, por lo tanto, puede ser verificada en la región axilar, inguinal, bucal o rectal.

¿Cuáles son los valores de referencia?

Temperatura axilar: 35,8°C a 37°C

Temperatura bucal: 36,3°C a 37,4°C

Temperatura rectal: 37°C a 38°C

¿Cuáles son las terminologías referentes a la temperatura?

La hipotermia: Temperatura abajo de 35°C

Afebril: 36,1°C a 37,2°C

Febril: 37,3°C a 37,7°C

Fiebre: 37,8°C a 38,9°C

Pirexia: 39°C a 40°C

Hiperpirexia: acima de 40°C

¿Cuáles son los Cuidados de Enfermería referentes a la medición de la temperatura?

Por la Medición Axilar:

  • Lavar las manos;
  • Explicar al paciente lo que va a ser hecho;
  • Hacer desinfección del termómetro con el algodón embebido en alcohol al 70% y cerciorarse de que el termómetro digital está fácilmente conectado;
  • Enjuagar la axila con la ropa del paciente (la humedad baja la temperatura de la piel, no dando la temperatura real del cuerpo);
  • Colocar el termómetro en el cóncavo de la axila, de manera que el bulbo quede en contacto directo con la piel;
  • Pedir al paciente para comprimir el brazo en el cuerpo, colocando la mano en el hombro opuesto;
  • Después de 5 minutos, o hasta que el termómetro accione una alarma, retire el termómetro, leer y anotar la temperatura.
  • Hacer desinfección del termómetro en algodón embebido en alcohol al 70%;
  • Lavar las manos.

¿Cuáles son las contraindicaciones?

Furunculosis axilar, personas muy débiles o delgadas.

Nota:

– No deje al paciente solo con el termómetro.

Por la Medición Inguinal:

El método es el mismo, por lo tanto, variando apenas el local: el termómetro se coloca en la región inguinal; Es más común en los recién nacidos. En este caso, mantener el muslo flexionado sobre el abdomen;

Por la Medición Bucal:

  • Lavar las manos;
  • Explicar al paciente lo que va a ser hecho;
  • Colocar el termómetro bajo la lengua del paciente, recomendado que lo conserve en la posición, manteniendo la boca cerrada por 7 minutos o hasta que accione la alarma del termómetro;
  • Retirar el termómetro, limpiar con algodón, leer la temperatura y anotarla, escribiendo la letra B para indicar el lugar donde fue verificado;

Nota:

– El termómetro apropiado (largo y aburrido) propicia más seguridad y rapidez de calentamiento;

– No verificar temperatura bucal de paciente en delirio, inconsciente, que tenga lesiones en la boca, problemas en las vías respiratorias;

– Es contraindicado la verificación de temperatura bucal inmediatamente después de la ingestión de alimentos helados o calientes. También no se debe verificar la temperatura bucal en niños y enfermos mentales;

– El termómetro debe ser individual;

Por la Medición Retal:

  • Lavar las manos;
  • Calentar los guantes;
  • Colocar al paciente en decúbito lateral;
  • Lubricar el termómetro con vaselina o aceite e introducir 2 cm por el ano;
  • Retirar el termómetro después de 7 minutos o hasta que accione la alarma y lea la temperatura;
  • Desinfectar el termómetro con algodón embebido en alcohol al 70%;
  • Retirar los guantes;
  • Lavar las manos;
  • Anotar la temperatura escribiendo la letra “R” para indicar el lugar donde fue verificado;

Nota:

– Este proceso es más usado en las maternidades y servicios de pediatría, sin embargo, debiendo cada niño tener un termómetro individual, de tipo apropiado. Es indicado también para pacientes adultos en estado grave o inconscientes;

– Si se trata de un niño, le asegure las piernas para evitar que se debata mientras se está comprobando la temperatura.

– Es contraindicado comprobar la temperatura rectal en caso de inflamación, obstrucción o alteración del recto.