Classificação Internacional para a Segurança do Paciente da OMS

A grande função desta parte da Classificação Internacional para a Segurança do Paciente (CISP) é poder descrever o incidente em uma categoria específica, bem como descrever o que ele causou ao paciente, ou seja, é dar as características que dão o “diagnóstico” do incidente, bem como sua “repercussão clínica”. Sendo assim, aqui estão as duas categorias que são fundamentais quando pensamos no paciente, dentro da CISP.

Incidentes, apenas recordando, são eventos ou circunstâncias que poderiam resultar, ou resultaram, em dano desnecessário ao paciente.

Tipos de Incidente

  • Circunstância de Risco (reportable circumstance): é uma situação em que houve potencial significativo de dano, mas não ocorreu um incidente;
    • Exemplo: a escala de enfermagem de uma UTI está defasada em um determinado plantão.
  • “Quase – erro” (“near-miss”): incidente que não atinge o paciente;
    • Exemplo: uma enfermeira iria colocar uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, mas percebe antes de instalar.
  • Incidente sem dano(no harm incident): um evento que ocorreu a um paciente, mas não chegou a resultar em dano;
    • Exemplo: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, mas o sangue é compatível e o paciente não tem reação.
  • Incidente com dano = EVENTO ADVERSO (harmful incident): incidente que resulta em dano para um paciente (danos não intencionais decorrentes da assistência e não relacionadas à evolução natural da doença de base).
    • Exemplo: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação febril.

Incidentes de uma natureza comum agrupados por características semelhantes.

Existem 13 tipos de incidente (Tabela 1), que por sua vez, se abrem em sub-grupos que ajudam à entender o que se caracteriza em cada um dos 13 grupos, bem como a detalhar mais a classificação do tipo de incidente, facilitando o agrupamento, a análise e a divulgação.

Tabela 1 – Tipos de Incidente

1 Administração clínica
2 Processo clínico/ Procedimentos
3 Documentação
4 Infecção hospitalar
5 Medicação/ Fluídos endovenosos
6 Hemoderivados
7 Nutrição
8 Gases/ Oxigênio
9 Equipamento médico
10 Comportamento
11 Acidentes com o paciente
12 Estrutura
13 Gerenciamento de recursos/ Organizacional

Desfechos do Paciente

Conceitos que dizem respeito ao impacto sobre o paciente, que é inteiramente ou em parte atribuível a um incidente.

Inclui-se aqui 3 características. As duas primeiras são descritivas, por exemplo, o tipo de dano foi um trauma craniano em uma queda do paciente, o impacto social e econômico pode ser medido em função da sequela que ele teve e do tempo de reabilitação que precisará.

Quanto ao Grau de Dano, este é variável e deve ser visto em função das informações da Tabela 2. Interessante ressaltar aqui que quando lembramos dos grupos de incidentes, as Circunstâncias de Risco, os “Quase-erros” e os Incidentes sem Dano sempre causam NENHUM dano, enquanto que os EVENTOS ADVERSOS devem ser detalhados entre leves, moderados, graves ou responsáveis por óbito.

  • Tipo de Dano
  •  Impacto Social/Econômico
  • Grau de Dano

Tabela 2 – Grau de Dano

NENHUM Nenhum sintoma, ou nenhum sintoma detectado e não foi necessário nenhum tratamento.
LEVE Sintomas leves, perda de função ou danos mínimos ou moderados, mas com duração rápida, e apenas intervenções mínimas sendo necessárias (ex.: observação extra, investigação, revisão de tratamento, tratamento leve).
MODERADO Paciente sintomático, com necessidade de intervenção (ex.: procedimento terapêutico adicional, tratamento adicional), com aumento do tempo de internação, com dano ou perda de função permanente ou de longo prazo.
GRAVE Paciente sintomático, necessidade de intervenção para suporte de vida, ou intervenção clínica/cirúrgica de grande porte, causando diminuição da expectativa de vida, com grande dano ou perda de função permanente ou de longo prazo.
ÓBITO Dentro das probabilidades, em curto prazo o evento causou ou acelerou a morte.

 Tabela 3 – Grau de Dano conforme o grupo de Incidentes

Circunstância de Risco          Nenhum
“Quase-Erro”          Nenhum
Incidente sem Dano          Nenhum
Evento Adverso Leve

Moderado

Grave

Óbito

Tabela 4 – Exemplos de Eventos Adversos conforme o Grau de Dano

Leve Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação alérgica (coceira no corpo), que precisa de uma avaliação de um médico que prescreve uma dose de anti-alérgico, cessando os sintomas.
Moderado Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação alérgica intensa que resulta em mais dois dias de internação para controle dos sintomas, sendo que esses dois dias não eram previstos dentro da causa inicial da internação.
Grave Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação anafilática, que o leva a ir para a UTI sob intubação e ventilação mecânica.
Óbito Ex.: a enfermeira coloca uma bolsa de sangue em um paciente homônimo àquele que deveria receber esta bolsa, e o paciente desenvolve uma reação anafilática, que o leva a ir para a UTI sob intubação e ventilação mecânica. O paciente desenvolve uma pneumonia na UTI e vai a óbito por choque séptico.

Referência:

  1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). The Conceptual Framework for the International Classification for Patient Safety v1.1. Final Technical Report and Technical Annexes, 2009. Disponível em: http://www.who.int/patientsafety/taxonomy/en/

Lóquios Pós-Parto

Os lóquios são perdas, inicialmente de sangue e, numa segunda fase, de outros tecidos também, o que faz com que mudem a sua aparência. Os lóquios começam imediatamente depois do parto e podem prolongar-se até ao final do puerpério, os clássicos 40 dias depois do nascimento.

Imediatamente após a fase de expulsão do bebê, o útero contrai-se e coloca-se na zona situada em cima do umbigo. Entre 10 a 15 dias depois do parto, o útero já fica ao nível da púbis e, no final do puerpério, já recuperou as suas dimensões normais. O peso do útero também muda: se, quando o bebê nasce, pesa cerca de um quilo, depois de 40 dias volta aos 60-90 gramas de sempre.

Mas a que se deve esta mudança? As responsáveis são as células musculares do útero que reduzem o seu volume, diminuem de número e alisam-se produzindo as perdas que recebem o nome de lóquios.

Quais são as causas dos lóquios?

Os lóquios ou perdas de sangue são provocados por três fenômenos:

  • A expulsão da placenta, o órgão que forneceu oxigênio e nutrientes ao feto durante a gravidez. No ponto do útero onde estava presa a placenta forma-se uma ferida que começa a sangrar. Por isso, vão para esta zona uma grande quantidade de glóbulos brancos de modo a formarem uma barreira de defesa face aos possíveis germes que poderiam provocar uma infeção na ferida. À medida que se forma este escudo protetor, as perdas de sangue produzidas pela ferida vão-se reduzindo. Este processo costuma terminar em cerca de quatro semanas após o parto. Não obstante, não se trata de um processo normal de cicatrização mas sim de uma reconstrução dos tecidos. Se sobre o ponto em que estava presa a placenta se formasse uma cicatriz, no futuro não seria possível a implantação de um novo óvulo fecundado.
  • A eliminação da capa que reveste o útero durante a gravidez constitui o segundo elemento responsável pela existência de lóquios. Esta capa é composta por um tecido abundante que, com a sua presença, torna o útero um lugar acolhedor para o feto e que é expulso na maior parte no momento do parto. A capa mais profunda deste tecido elimina-se lentamente produzindo os lóquios.
  • A destruição por lise de parte das fibras do útero, quando termina a gestação, dá lugar a parte dessa secreção chamada lóquios.

Os tipos de Lóquios

A cor desses lóquios se modificam durante puerpério. Conforme a segunda imagem observamos:

  • Até o 3 ° dia uma cor rubra (vermelho), quantidade semelhante ao fluxo menstrual;
  • Após o 3º ou 4º dia até o 10° dia, a cor é FUSCA (acastanhado);
  • Até o 21º dia, observa-se a cor Flava (amarelado) e a partir de 21°dia alba (branca).

Os lóquios possuem odor característicos semelhantes ao sangue menstrual, qualquer modificação desse odor para – odor fétido – pode indicar uma infecção puerperal sendo necessário buscar orientação de um especialista.

Cuidados de Enfermagem

  • Verificar os sinais vitais (pulso, respiração, temperatura e pressão arterial), de 6/6 horas.
  • Observar o estado das mucosas e hidratação. Estimular ingestão hídrica nas primeiras 48 horas.
  • Encorajar a deambulação precoce (6 horas para parto vaginal e 12 horas para cesariana).
  • Verificar altura do fundo uterino, observando sua consistência e localização, bem como as características da incisão operatória quando o parto for cesáreo.
  • Inspecionar diariamente o períneo e o estado dos genitais externos: condições de higiene, cicatrização da episiotomia/laceração, presença de edema, hematoma e sinais de inflamação.
  • Observar continuamente e registrar lóquios: cor, odor, quantidade e aspecto.
  • Fazer ou orientar para higiene vulvar e perineal com água corrente após as micções e evacuações.
  • Avaliar continuamente o estado das mamas e mamilos: consistência, temperatura, sinais de apojadura, ingurgitamento, trauma mamilar, bloqueio de ductos, produção láctea, entre outros.
  • Controlar micção, características da urina, volume, frequência e distúrbios urinários, especialmente nas primeiras 24 a 72 horas. Em caso de sonda vesical, observar cuidados com a mesma.
  • Controlar e registrar diariamente a função intestinal: presença de peristaltismo, frequência e distúrbios no padrão de eliminação. Na ocorrência de hemorroida, observar tamanho, desconforto e sensibilidade.
  • Observar continuamente membros inferiores, atentando para os sinais precoces de tromboses e flebites.
  • Discutir com a puérpera os conceitos relacionados à alimentação e à higiene corporal;
  • Avaliar o estado emocional da puérpera e sua aceitação da maternidade, procurando identificar o grau de interação com o recém-nascido e de integração familiar.
  • Dar suporte emocional e ajuda prática.
  • Identificar o grau de conhecimento da puérpera em relação aos cuidados com o recém-nascido: curativo do coto umbilical, banho, vestuário, alimentação e imunização.
  • Respeitar a autonomia da mulher e sua liberdade de escolha.
  • Ministrar medicamentos prescritos, observando efeitos colaterais e adversos. Em caso de fluidoterapia, realizar controle e cuidados para esta.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de atenção a saúde. Pré-Natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada:manual Técnico. Brasília: Ministério da Saúde, versão revisada, 2006. Disponível AQUI.

Os Tipos de Equipos Hospitalares

Os equipos são insumos indispensáveis em um hospital, principalmente porque é com eles que as bombas de seringa e infusão funcionam 100% e com excelência.

Quais são os Tipos de Equipos?

Equipo Macro e Microgotas

Devem apresentar, na porção proximal, um adaptador na forma pontiaguda para conexão nos frascos e bolsas de solução, uma câmara gotejadora flexível e transparente.

A diferença entre elas é que formato maior do equipo macrogota dá o formato da gota em sua estrutura normal em que 20 gotas equivalem a 1ml. Já o formato do equipo microgota tem estrutura menor e mais fina para que o gotejamento seja gradativamente menor em que 60 gotas equivalem a 1ml.

Equipo Macrogotas e Microgotas: As Diferenças

Equipo para Bomba de Infusão

O equipo para bombas de infusão possui sistema de silicone em seu centro para controlar a infusão rigorosamente por ml/h.

O Equipo Bomba de Infusão

Equipo para Nutrição Enteral

Os equipos para dieta/nutrição enteral são identificados de cores azuis ou roxas, possui ponta cruz para conexão do frasco de dieta e ponta escalonada para conexão das sondas enterais ou em gtt/jjt.

Equipo de Nutrição Enteral

Equipo Fotossensível

Os equipos fotossensíveis são identificados de cor âmbar ou laranja (para aqueles medicamentos que são sensíveis à luz).

Equipo Fotossensível

Equipo Bureta

O equipo Bureta é utilizado para administrar medicações em pequenos volumes e que necessitem de um rigoroso controle de seu volume.

O Equipo Bureta

Equipo Dial-a-flow

O equipo dial-a-flow ou controlador de fluxo surgiu como uma alternativa essencial para substituir a falta da bomba infusora.

Equipo Dial a Flow

Equipos com injetor lateral

Os equipos com injetor lateral são confeccionados com material autosselável, isento de látex para o uso exclusivo com seringas e adaptador tipo luer lock, na sua porção distal como medida de segurança para evitar a desconexão acidental.

Injetor Lateral do Equipo: Entenda sua importância

Equipo PVC Free

Os equipos PVC FREE são isentos de PVC, para utilização de medicamentos que são incompatíveis com PVC.

Equipo PVC Free

Os Tipos de Cicatrizes

Como vai ser a minha cicatriz depois da cirurgia plástica?

Este é um dos grandes questionamentos que o paciente tem ao decidir realizar um procedimento. Primeiro é preciso saber que as cicatrizes são condições inerentes a qualquer ferida no corpo humano. Ela pode ser definitivamente, pouco ou não visível. Pode ser excelente, boa, aceitável, ruim, péssima ou quelóide.

É preciso saber que toda cirurgia é igual a uma cicatriz. Seu tamanho é compatível com o tamanho que se faz necessário à incisão. O aspecto da cicatriz depende de fatores intrínsecos de cada paciente, como idade, e também da técnica do profissional que executa a cirurgia. A boa notícia é que a maioria dos pacientes tem cicatriz excelente, boa ou aceitável.

Para o organismo, quanto mais robusta é a cicatriz, melhor, porque ele entende que o local não vai abrir novamente. Do ponto de vista estético, a cicatriz mais desejável é aquela tênue, com pouca força na sua reparação, sendo assim, muito pouco perceptível. Mas nem sempre a resposta do organismo do paciente proporciona este resultado.

O cirurgião e a cicatriz

O cirurgião vai gerar uma ferida no local da cirurgia, ou seja, vai incisar (cortar) a pele e todos os tecidos subjacentes. Depois ele precisa fazer a síntese, fechar da melhor maneira possível para que ela tenha o melhor resultado cicatricial, a cicatriz mais tênue, menos perceptível e esteticamente aceitável.

Para fazer isso, o fator técnico do profissional é fundamental. Procure sempre profissionais experientes e confiáveis.

O organismo do paciente

Se o cirurgião tem a melhor técnica, o melhor material, os melhores instrumentos para fazer a síntese da cirurgia, mas o organismo do paciente não responde bem para a melhor cicatrização, a cicatriz pode não ter o melhor resultado. Nesta situação, não há controle.

Os Tipos de Cicatrizes

O processo cicatricial tem fases: nasce, cresce, amadurece e estabiliza. Normalmente, espera-se que uma cicatriz comece a amadurecer entre dois e quatro meses após a cirurgia. Mas para alguns tipos de cicatriz, este processo dura até dois anos. Cada pessoa tem seu próprio processo cicatricial. As cicatrizes podem ser:

  • Atróficas: são cicatrizes nas quais a fase de proliferação está prejudicada. Nasceu e não teve um crescimento adequado. Em uma comparação com a altura humana, ela ficou anã. Como a cicatriz tem que ter a habilidade de juntar as duas bordas da ferida e dar condição, mesmo após o seu amadurecimento, a que essas bordas não se afastem, o contrário acontece neste tipo de cicatriz. Suas características mais marcantes são o afastamento das bordas da pele e depressão da sua localização.
  • Hipertróficas. Estas, ao contrário das atróficas, apresentam-se com crescimento além do normal. Como consequência, elas são altas e muitas vezes largas.
  • Retraída (Contratura): são cicatrizes normalmente hipertróficas, mas quais a sua região mais profunda produziu um crescimento que leva a se aderir a outros tecidos profundos. É uma força contrátil de baixo para cima ou longitudinal.
  • Queloidiana (quelóide): são cicatrizes com característica tumoral, não param de crescer. Em virtude de sua fase de crescimento ser muitíssimo exuberante, ela vai se apresentar sempre muito alta e além da superfície da pele. Invadindo as laterais, coloração muito avermelhada por causa da grande vascularização. Ela tem alguns sintomas como dor, prurido (coceira), ardência, pinicadas e choques. Quanto ao crescimento, ela pode ser verdadeira ou não. Por exemplo, pessoas que fazem quelóide em uma região específica do corpo, região pré external (entre as mamas) e regiões de pele muito espessa, como dorso e a parte externa e alta do braço. Quando verdadeira e na sua intensidade máxima, ela pode estar presente em qualquer micro lesão como foliculite, acne ou depois de micro lesões provocadas pelas unhas em um simples coçar. Podem acontecer até em lesões naturalmente ocorridas na digestão dentro do intestino. Nesses casos, a pessoa tem pouca sobrevida, pois estes quelóides vão obstruir o intestino, levando à morte.
  • Normotróficas: compõe a maioria dos resultados cicatriciais. São finas, semelhantes à superfície da pele, de cor mais clara do que à pele vizinha, sendo assim pouco perceptível à visão de uma certa distância. Nesta cicatriz todas as suas fases estão dentro da normalidade.

Referência:

  1. SBDRJ

Esterilização e seus Tipos

A esterilização é um processo que visa destruir todas as formas de vida microbianas que possam contaminar produtos, materiais e objetos voltados para a saúde. Portanto, são eliminados durante a esterilização organismos como vírus, bactérias fungos.

Dizemos que o processo de esterilização foi eficaz quando a probabilidade de sobrevivência dos microrganismos for menor do que 1:1.000.000.

A esterilização garante:

  • Segurança para pacientes e profissionais
  • Obediência às normas legais estabelecidas pela Anvisa
  • Maior vida útil aos materiais médicos
  • Economia e otimização de recursos

O Processo: Tipos de Esterilização

Existem várias formas de realizar a esterilização. No entanto, a decisão de qual processo utilizar deve ser baseada no tipo de material e no risco de contaminação.

Os métodos de esterilização podem ser divididos em químicos (compostos fenólicos, clorexidina, halogênios, álcoois, peróxidos, óxido de etileno, formaldeído, glutaraldeído e ácido peracético) e físicos (calor, filtração e radiação). Para a escolha do melhor método, deve-se levar em consideração, além da compatibilidade do material, a efetividade, toxicidade, facilidade de uso, custos, entre outros.

Métodos químicos de esterilização

É indicada para artigos críticos e termossensíveis, ou seja, aqueles que não resistem às altas temperaturas dos processos físicos.

Dentre os métodos químicos, alguns deles podem ser utilizados tanto para desinfectar como para esterilizar, depende apenas do tempo de exposição e concentração do agente. Os mais utilizados para produtos laboratoriais e hospitalares são:

  • Óxido de Etileno (ETO): é um gás vastamente utilizado na esterilização de materiais laboratoriais e hospitalares de uso único por causa do seu bom custo/benefício. Sua ação se dá pela reação com uma proteína no núcleo da célula, impedindo a reprodução. Todos os produtos devem ser colocados em embalagens permeáveis a gases para permitir que o ETO penetre. Seu uso não danifica os materiais e pode ser utilizado em vários tipos de materiais, inclusive os termossensíveis. Contudo, ele é altamente tóxico e agressivo ao ambiente externo.
  • Ácido Peracético: tem ação rápida, baixa toxicidade e é biodegradável. Porém, danifica metais. Uma grande vantagem é ser efetivo mesmo na presença de matéria orgânica (ou seja, os materiais não precisam ser previamente limpos). Em compensação, os materiais devem ser utilizados imediatamente após a esterilização por esse método, por isso não é muito utilizado.
  • Peróxido de hidrogênio (água oxigenada): em concentração de 3% e 6% tem ação rápida, é biodegradável e atóxico, mas tem alta ação corrosiva. Sua ação é mais eficaz em capilares hemodializadores e lentes de contato, mas esse processo não é muito utilizado.
  • Formaldeído: pode ser utilizado na forma gasosa e líquida e, para ter ação esporicida, necessita de um longo tempo de exposição. É indicado para cateteres, drenos e tubos, laparoscópios, artroscópios e ventriloscópios, enxertos de acrílico. Por ser carcinogênico e irritante das mucosas, seu uso está mais restrito.
  • Glutaraldeído: líquido com potente ação biocida e pode ser utilizado em materiais termossensíveis, mas necessita de um longo tempo de exposição para ser esporicida. É muito utilizado por ter baixo custo e baixo poder corrosivo, porém é irritante das vias aéreas; pode causar queimaduras na pele, membrana e mucosas; e materiais porosos podem reter o produto. Enxertos de acrílico, cateteres, drenos e tubos de poliestireno são os materiais rotineiramente esterilizados por esse processo.

Métodos físicos de esterilização

A esterilização por processos físicos pode ser através de calor úmido, calor seco ou radiação. A esterilização por radiação tem sido utilizada em nível industrial, para artigos médicos-hospitalares. Ela permite uma esterilização a baixa temperatura, mas é um método de alto custo. Para materiais que resistam a altas temperaturas a esterilização por calor é o método de escolha, pois não forma produtos tóxicos, é seguro e de baixo custo.

  • Radiação ionizante: destrói o DNA formando radicais super-reativos (superóxidos), matando ou inativando os micro-organismos (quando são incapazes de se reproduzir). Muitos materiais são compatíveis com esse tipo de esterilização, pois não há aumento da temperatura nesse processo. Caso dos materiais termossensíveis e tecidos biológicos para transplantes. Apesar de parecer, a radiação não é transmitida para os produtos processados. É um processo livre de resíduos e ecológico, pois não gera emissões tóxicas ou resíduos, além de não causar impactos na qualidade do ar ou da água. Destacaremos dois tipos delas:
    • Radiação Gama: a energia é gerada por fontes de Cobalto 60. Esse processo tem alto poder de penetração, permitindo que os produtos sejam esterilizados já na embalagem final, sem necessidade de manipulação.
    • E-beam (feixe de elétrons): utilizado preferencialmente para o processamento de produtos de alto volume/baixa densidade, como seringas médicas, ou produtos de baixo volume/alto valor, como dispositivos cardiotorácicos. Além disso, pode ser utilizado para produtos biológicos e tecidos. Podem ser esterilizados na embalagem final, pois a radiação E-beam também possui alto poder de penetração. A grande vantagem desse tipo de radioesterilização é que necessita menor tempo de exposição, evitando rompimentos e efeitos de envelhecimento a longo prazo que podem acontecer com polipropileno quando submetido à radiação prolongada
  • Calor úmido (ex.: autoclavagem, fervura e pasteurização): provoca a desnaturação e coagulação das proteínas e fluidificação dos lipídeos. Não pode ser utilizado em materiais termossensíveis, nem para materiais que oxidam com água. A autoclavagem é muito utilizada nos vários setores de serviços da saúde por ser de custo acessível e de fácil utilização. Além disso, consegue esterilizar uma infinidade de materiais, inclusive tecidos e soluções.
  • Calor seco (ex.: estufa, flambagem e incineração): provoca a oxidação dos constituintes celulares orgânicos. Penetra nas substâncias de uma forma mais lenta que o calor úmido e por isso exige temperaturas mais elevadas e tempos mais longos. Não pode ser utilizado para materiais termossensíveis.
  • Filtração: utilizada para soluções e gases termolábeis, quando atravessam superfícies filtrantes com poros bem pequenos, como velas porosas, discos de amianto, filtros de vidro poroso, de celulose, e filtros “millipore” (membranas de acetato de celulose ou de policarbonato).
  • Radiação não-ionizante (ex.: luz UV): altera a replicação do DNA no momento da reprodução. Muito utilizado em lâmpadas germicidas encontradas em centros cirúrgicos, enfermarias, berçários, capelas de fluxo laminar. Tem como desvantagens: baixo poder de penetração e efeitos deletérios sobre a pele e olhos, causando queimaduras graves.

Validação dos processos de esterilização

Indicadores químicos e biológicos servem para verificar se o processo de esterilização está validado. Os indicadores químicos incluem o teste de Bowie e Dick, que testa a eficácia do vácuo na autoclave. Existem os indicadores colocados dentro do pacote, que avalia a penetração do agente esterilizante; e as fitas termocrômicas, que são colocados na parte externa dos pacotes e ficam listradas após a esterilização por calor.

O uso da fita é recomendado em todos os pacotes ou caixas, uma vez que indicam pelo menos se o material passou pelo processo.

Entretanto, os indicadores biológicos são os mais seguros com relação à qualidade da esterilização. Podem ser tiras impregnadas com esporos ou suspensões-padrão de esporos bacterianos, que são submetidos à esterilização juntamente com os materiais a serem processados em autoclaves, estufas e câmaras de irradiação. Terminado o ciclo de esterilização, os indicadores são colocados em meios de cultura adequados para verificação do desenvolvimento destes esporos. Se não houver crescimento, significa que o processo de esterilização está validado.

Atualmente, existem também as tiras de esporos com meio de cultura e ampolas contendo bacilos e meio de cultura líquido (autocontido), que também devem ser processados juntos com o material a ser analisado, para posterior análise após finalizado o ciclo.

Referências:

  1. Orientações gerais para central de esterilização – Ministério da saúde
  2. Irradiação por feixe de elétrons – Sterigenics
  3. Quais as diretrizes básicas de esterilização e desinfecção de artigos clínicos e médico-hospitalares? – Biblioteca virtual em saúde
  4. Monitoramento dos Métodos de Esterilização
  5. Radioesterilização – Instituto de pesquisas energéticas e nucleares
  6. Irradiação por raios gama é alternativa eficiente para esterilização
  7. 9 Tipos de Esterilização de materiais: qual é o mais seguro?
  8. Manual de Biossegurança para serviços de saúde – FIOCRUZ

A Febre e suas principais características

A febre pode ser definida como um aumento anormal da temperatura corpórea. Apesar do que muitos pensam, a febre não é uma doença, sendo apenas um sinal de que algo está errado com o nosso corpo. As causas da febre são variadas, podendo ser desencadeada por doença ou até mesmo pelo uso de algumas substâncias.

Valores Normais de Temperatura

Como a febre é um aumento da temperatura corpórea, faz-se necessário compreender qual é a temperatura normal do corpo para saber identificar se uma pessoa está ou não febril. Normalmente, o corpo humano apresenta uma faixa de normalidade entre 36 e 37,4 graus, mas ocorrem variações dependendo do local onde se mede a temperatura.

A temperatura pode ser medida em três locais diferentes: na cavidade oral, na região das axilas e no reto. A temperatura nesses locais varia: na região axilar, a média é 36 ºC e 36,5 ºC; na região bucal, a média é 36 ºC e 37,4 ºC; na retal, a temperatura fica em torno de 36 ºC e 37,5 ºC.

Sinais e Sintomas

  • Sensação de cansaço;
  • Aumento do suor;
  • Tremor;
  • Ranger de dentes;
  • Rubor facial (vermelhidão na face)

Devem ser analisadas as seguintes características semiológicas da febre: início, intensidade, duração, modo de evolução e término. O início pode ser súbito ou gradual, já a intensidade é classificada como leve (até 37,5°C), moderada (37,6 a 38,5°C) ou alta (acima de 38,6°C). Em relação à duração, a febre pode ser recente (menos de 7 dias) ou prolongada (mais de 7 dias).

O modo de evolução pode ser avaliado através de um quadro térmico, com verificação da temperatura uma ou duas vezes por dia ou até de 4 em 4 horas, a depender do caso. Classicamente, são descritos os seguintes padrões evolutivos:

  • Febre Contínua: permanece sempre acima do normal com variações de até 1 grau, sem grandes oscilações.
  • Febre Irregular ou Séptica: picos muito altos intercalados baixas temperaturas ou apirexia, sem nenhum caráter cíclico nessas variações.
  • Febre Remitente: há hipertermia diária com variações de mais de 1 grau, sem períodos de apirexia.
  • Febre Intermitente: a hipertermia é ciclicamente interrompida por um período de temperatura normal. Pode ser cotidiana, terçã (um dia com febre e outro sem) ou quartã (um dia com febre e dois sem).
  • Febre Recorrente ou Ondulante: semanas ou dias com temperatura corporal normal até que períodos de temperatura elevada ocorram. Durante a fase de febre não há grandes oscilações.

Tratamento

Normalmente, controla-se febre muito alta, que pode causar lesões no indivíduo, e aquela que está causando desconforto no paciente.

Geralmente a febre é tratada com uso de antitérmicos, como o paracetamol, dipirona e ácido acetilsalicílico. Além do uso de medicamentos, pode-se realizar banhos ou utilizar compressas frias para ajudar na diminuição da temperatura. Vale ressaltar que esses últimos métodos, sem o uso de medicamentos, podem melhorar o desconforto do paciente, mas não diminuem a febre.

Referências:

  1. SANTOS, Vanessa Sardinha dos. “Febre”; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/saude/febre.htm. Acesso em 05 de abril de 2022.
  2. Alexander KC Leung et alii. Febrile Seizures: na overview. Drugs Context. 2018;
  3. Rui P, Kang K. National Hospital Ambulatory Medical Care Survey: 2017 emergency department summary tables. National Center for Health Statistics;
  4. E Y Chan W T Chen, P N Assam. External Cooling Methods for Treatment of Fever in Adults: A Systematic Riview. JBI Libr Syst Rev. 2010;
  5. Paracetamol for treating fever in children. Cochrane. 2002.

Ferimentos Por Arma (FAF e FAB)

A violência com armas branca e de fogo é um problema de saúde pública, pela magnitude das repercussões na longevidade e na qualidade de vida dos cidadãos, e ainda pelos  levados gastos públicos decorrentes deste problema, seja pela segurança ou atenção à saúde.

De acordo com a legislação brasileira, armas são definidas como artefatos que têm por objetivo causar dano, permanente ou não, a seres vivos e coisas.

Arma branca é definida como artefato cortante ou perfurante, normalmente constituído por peça em lâmina ou oblonga. Arma de fogo é definida como arma que arremessa projéteis empregando a força expansiva dos gases gerados pela combustão de um propelente confinado em uma câmara que, normalmente, está solidária a um cano que tem a função de propiciar continuidade à combustão do propelente, além de direção e estabilidade ao projétil.

Os traumas, por ferimento por arma branca (FAB), são pouco descritos, quando comparados com ferimentos por arma de fogo (FAF), porém, não menos importantes, pelo aumento de sua frequência, conforme há o crescimento populacional, a violência civil e os crimes passionais, associados ao maior controle e dificuldade em se adquirir arma de fogo, quando comparado com arma branca.

Escore de Trauma Revisado (RTS)

Existem diversos índices de trauma, com diferentes níveis de complexidade para aplicação prática. O Escore de Trauma Revisado (RTS) é largamente utilizado pelos serviços de emergência em todo o mundo. Este escore é classificado como fisiológico, uma vez que leva em consideração parâmetros das funções vitais do paciente.

No RTS são analisados três parâmetros: avaliação neurológica pela Escala de Coma de Glasgow (ECG), avaliação hemodinâmica pela pressão arterial sistólica (PAS) e frequência respiratória (FR).

Os valores das variáveis devem ser ponderados e somados, mediante a fórmula: RTS = 0,9368 x ECGv + 0,7326 x PASv + 0,2908 x FRv, onde v é o valor (de 0 a 4) correspondente às variáveis na admissão do paciente.

Dessa maneira, o RTS poderá variar de 0 a, aproximadamente, 8, permitindo frações. Quanto maior o valor final, melhor será o prognóstico, sendo possível o conhecimento da probabilidade de sobrevida.

Cuidados de Enfermagem

  • Utilizar condutas para ferimento fechados ou abertos dependendo do tipo de lesão causada pela arma de fogo;
  • Sendo exposto o ferimento para inspeção;
  • Controle do sangramento;
  • Limpeza de superfície da lesão e proteção com gaze estéril;
  • Os orifícios de entrada e saída do projétil igualmente protegido;
  • Avaliar a necessidade de reanimação da vítima;
  • Manter vias aéreas pérvias;
  • prevenir estado de choque, ou tratar se já estiver instalado e imobilizar a coluna se o ferimento for na cabeça, pescoço, tórax ou abdômen.

Referências:

  1. ALVAREZ, Bruno Durante et al. Analysis of the Revised Trauma Score (RTS) in 200 victims of different trauma mechanisms. Rev do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 43 (5): 334-340, 2016.
  2. ALVES, Elizângela; MESQUITA, Wiliany; TELES, Naracélia. Situações enfrentadas pelos enfermeiros no serviço de atendimento pré-hospitalar. Rev Diálogos Acadêmicos, 3 (2): 102-108, 2016.
  3. ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. São Paulo, 2015. 156 p. BORGES, Lucienne Martins; LODETTI, Mariá Boeira; GIRARDI, Júlia de Freitas. Homicídios conjugais: o que dizem os processos criminais. Psicol. argum, 32 (2):197-208, 2014.
  4. BRASIL. Decreto nº 3.665, de 20 de novembro de 2000. Dá nova redação ao Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados. Diário Oficial, Brasília, DF, 21 nov. 2000.
  5. BRASIL. DEPARTAMENTO DE INFORMÁTICA DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (DATASUS). Sistema de informação sobre mortalidade. Disponível em: <http://datasus.saude.gov.br/ >. BRASIL. Ministério da Saúde. Banco de dados do Sistema Único de Saúde – DATASUS. Informações de Saúde, Sistema de Informações sobre Mortalidade.
  6. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação de Saúde. Coordenação-Geral de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis. Coordenação de Vigilância, Prevenção e Controle de Violências e Acidentes. NOTA TÉCNICA Nº CDDANT/DASIS/SVS/MS. Sistema de Informação de Vigilância de Violências e Acidentes em Serviços Sentinela – VIVA (Notificação/Investigação Individual de Violência Doméstica, Sexual e/ou outras Violências; e Notificação de Acidentes e Violências em Unidades de Urgência e Emergência). Brasília: Ministério da Saúde; 2006. [Citado 2008 abr. 15].
  7. CABRAL, Amanda et al. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência: um observatório dos acidentes de transportes terrestres em nível local. Revista Brasileira de Epidemiologia, 14 (1): 3-14, 2011.
  8. CARVALHO, Isabel Cristina Cavalcante Moreira; SARAIVA, Isabel Sá. Perfil das vítimas de trauma atendidos pelo serviço de atendimento móvel de urgência. Rev Interdisciplinar, 8(1):137-148, 2015.
  9. CARVALHO, Tânia et al. Caracterização de casos de homicídio em uma capital do nordeste brasileiro: 2003 a 2007. Rev da Rede de Enferm do Nordeste, 11(3), 2010.
    CASAGRANDE, Denise; STAMM, Bruna; LEITE, Marinês Tambara. Perfil dos atendimentos realizados por uma Unidade de Suporte Avançado do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) do Rio Grande do Sul. Scientia Medica, Porto Alegre, 23(3): 149-55, 2013.

Os Tipos de Pontos Cirúrgicos (Suturas)

Sutura, mais conhecida como pontos cirúrgicos, são ligações utilizadas por médicos, dentistas e médicos veterinários em pele, mucosas, músculos, vasos sanguíneos e órgãos com a finalidade de mantê-los unidos ou fechados, dependendo do local suturado, depois de serem seccionados cirurgicamente ou por um ferimento.

É de grande importância ressaltar que os fios de sutura, no geral, são reconhecidos pelo organismo como corpos estranhos, desencadeando algum tipo de reação local. Todavia, cada tipo de fio exibe uma particularidade, variando de intensidade de reação.

Sobre os Tipos

Os fios de sutura podem ser classificados como:

  • Absorvíveis: estes, por meio de determinados processos do organismo, serão absorvidos e, deste modo, desaparecerão do local onde foram suturados. Este processo varia em tempo e modo de absorção, de acordo com o fio utilizado.
  • Não-absorvíveis ou inabsorvíveis: o tipo de material utilizado nesse tipo de fio não pode ser absorvido pelo organismo, permanecendo no local onde foi colocado por tempo indefinido ou até sua remoção mecânica.

Com relação aos tipos de suturas, estas podem ser de dois tipos:

  • Interrompidas: neste tipo os nós são atados e os fios cortados depois de uma ou duas passagens nos tecidos.
  • Contínuas: neste tipo de sutura, é feito um nó no início, o fio não é cortado, estendendo o ponto de origem por diversas passadas pelos tecidos, sendo que o fio só é cortado em seguida ao nó final.

Já com relação à aparência das bordas, são classificas do seguinte modo:

  • Aposição: neste caso, as bordas se encostam, no mesmo plano.
  • Eversão: há um maior contato entre as bordas, que se viram, originado uma crista invertida.
  • Inversão: neste tipo de sutura, a borda da ferida volta-se para dentro, originando uma invaginação.
  • Sobreposição: neste caso, uma borda se sobrepõe a outra.

No caso das suturas interrompidas, os nós são entidades independentes, sendo que o rompimento de um nó (ponto) não compromete a integridade dos outros, mas quando ocorre, causa alterações em toda a linha de sutura.

As suturas contínuas utilizam menos material, quando comparada com as suturas interrompidas, o que resulta em uma menor quantidade de material de sutura nos nós e reduz o tempo de cirurgia, além de promoverem um melhor fechamento ao ar e água. Contudo, este tipo de sutura também apresenta algumas desvantagens, como:

  • Maior tempo para atar os nós;
  • Maior quantidade de material depositado nas feridas cirúrgicas;
  • Menor controle da tensão e a possibilidade de rompimento;
  • Não é ideal para algumas partes do organismo devido a habilidade de inverter ou everter as bordas.

Dentre ambos os tipos de suturas já citadas, existem variações. No caso das suturas interrompidas, encontram-se:

  • Sutura interrompida simples;
  • Sutura horizontal em “U” (Wolff);
  • Sutura vertical em “U” (Donatti);
  • Sutura em “X” ou cruzado;
  • Tensão moderada e aposição;
  • Jaquetão;
  • Sutura em oito.

Já no caso das suturas contínuas, temos:

  • Sutura contínua simples ou sutura de Kurschner;
  • Sutura contínua de Lembert;
  • Sutura festonada;
  • Sutura de colchoeiro ou “U” contínua;
  • Sutura intradérmica ou subcutânea;
  • Suturas de tensão;
  • Sutura de Gambee;
  • Sutura de Schimieden;
  • Sutura de Cushing não contaminante;
  • Sutura de Parker-Kerr;
  • Sutura de Bünner.

Veja Também:

Lâminas de Bisturis: Tipos e Indicações

Fios de Suturas: Tipos e Indicações

Entenda um pouco sobre os Tempos Cirúrgicos

Referências:

  1. Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Conheça os Tipos de Necrose

A Necrose é o resultado da desnaturação de proteínas que estão dentro da célula e da ação das enzimas que extravasam dos lisossomos da própria célula, quando a membrana plasmática é letalmente lesionada, ou dos lisossomos dos leucócitos que são recrutados ao iniciar o processo inflamatório devido a lesão.

Nos tecidos, a necrose apresenta padrões morfológicos distintos que podem esclarecer a causa da lesão.

Os Tipos de Necrose

Necrose de Coagulação

Neste tipo de necrose os tecidos apresentam uma textura firme, pois supostamente a lesão desnatura as proteínas da membrana e as enzimas evitando a proteólise das células mortas. Quando as enzimas não desnaturadas digerem as organelas, são formados vários vacúolos no citoplasma fazendo com que a lesão tenha um aspecto de que foi roída.

Durante este processo de necrose, ocorre a calcificação de resíduos de gordura, esta calcificação forma sais de cálcio, fazendo com que a célula morta finalmente se calcifique.

Uma causa frequente de necrose de coagulação é a isquemia, ou seja, a redução parcial ou total do fluxo sanguíneo para um órgão ou região do corpo, comprometendo as funções metabólicas celulares, pela hipoxemia ou anoxia, falta de nutrientes e a não eliminação dos excretas.

Necrose de Liquefação

Ocasionalmente ocorre quando há infecção bacteriana ou fúngica, pois os microrganismos invasores estimulam um maior recrutamento de leucócitos no local e consequentemente maior liberação de enzimas. O tecido morto é digerido, formando uma massa viscosa e líquida, com aspecto cremoso amarelado comumente chamado de pus.

necrose por liquefação pode ser chamada também de necrose coliquativa. Ocorre por digestão enzimática do tecido, seja pelo próprio organismo ou por microrganismos, ou outras células não pertencentes àquele tecido. Mas, independente da forma, há uma digestão desse tecido.

Necrose Gangrenosa

É praticamente a junção de outros dois tipos de necrose, em geral ocorre em membros como os inferiores por exemplo. Ocorre a necrose coagulativa por falta de suprimento de oxigênio levando as células a sofrerem hipóxia e junto com a necrose coagulativa, ocorre a necrose liquefativa devido a infecção por microrganismos oportunistas, fazendo com mais leucócitos sejam recrutados ao local da lesão.

Ela corresponde a junção de vários eventos. Ocorre quando um tecido perde seu suplemento sanguíneo, geralmente a de coagulação, e após isso acontece uma invasão bacteriana, gerando mais necrose liquefativa que resulta na necrose gangrenosa.

Necrose Caseosa

Apresentada microscopicamente por uma coleção de células mortas rompidas e fragmentadas, restos de grânulos amorfos delimitados por uma borda inflamatória bem distinta. Este tipo de necrose é conhecido como granuloma e sua aparência é de aspecto esbranquiçado semelhante ao queijo, é encontrada com maior frequência em infecções tuberculosas.

Este tipo necrose possui alguns agentes causadores, como Francisella tularensis, Histoplasma capsulatum, Paracoccidioides brasiliensis, e Mycobacterium tuberculosis (Bacilo de Koch – o causador da tuberculose), sendo o último o mais frequente.

Necrose Gordurosa

Ocorre geralmente em casos de pancreatite aguda, onde há destruição das células de gordura devido a ação da enzima lipase que  são liberadas pelo pâncreas, estas enzimas escapam das células acinares e liquefazem a membrana dos tecidos adiposos da cavidade peritoneal. Os ácidos graxos liberados combinam-se com o cálcio ocorrendo a saponificação da gordura, formando áreas esbranquiçadas.

Esse é um tipo especial de necrose que ocorre em áreas de destruição de gorduras por causa da ação de lipases.

Necrose Fibrinóide

Ocorre em reações imunes dentro dos vasos sanguíneos, o complexo antígeno e anticorpos são combinados com a fibrina formando uma lesão de aspecto amorfo e róseo-brilhante.

Suas causas incluem essencialmente nas doenças auto-imunes, nas paredes dos vasos e curiosamente nas úlceras pépticas.

Veja Também:

A Necrose

Referências:

  1. ABBAS et al. Robbins & Cotran – Patologia: Bases Patológicas das Doenças. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
  2. HANSEL, D; DINTZIS, R. Z. Fundamentos de patologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

A Placenta e seus tipos

placenta é um órgão materno-fetal que começa a se desenvolver a partir da nidação, ou seja, implantação do blastocisto e é expulsa com o feto no momento do nascimento. É durante esse período de nove meses que este órgão proporciona nutrição, a troca gasosa, remoção de resíduos, uma fonte de células-tronco hematopoiéticas, endócrino e imunológico suporte para o feto em desenvolvimento.

A comunicação com a mãe ocorre a partir de cerca de 100-150 artérias uterinas maternas espiraladas localizados na placa basal.

Existem essencialmente 3 sistemas separados da aorta / venosas circulatórios: umbilical, sistêmicas e vitelínicas.

O sistema umbilical é perdido no momento do nascimento, o vitelina contribui para o sistema portal e sistêmica (embrionárias) é remodelado extensivamente para formar o sistema cardiovascular madura. A placenta humana tem cerca de 9 cm de diâmetro.

As placentas são uma característica essencial dos mamíferos placentários, mas também são encontrados em alguns não-mamíferos com níveis variáveis ​​de desenvolvimento.

Mamíferos prototéricos ou metatericos (marsupiais) produzem uma placenta coriovitelinica que, enquanto está ligado à parede do útero, fornece nutrientes derivados principalmente a partir do saco amniótico.

Os tipos de células mais importantes da placenta são os trofoblastos, que fornecem os principais componentes estruturais e funcionais necessários para trazer os sistemas de sangue fetais e maternos em contato próximo um do outro.

Existem algumas variações na formação da placenta e cordão umbilical que podem trazer mudanças para a evolução da gestação e necessidade de cuidados, especialmente no final da gravidez e no parto. Alterações na placenta exigem atenção e profissionais com experiência para acompanhamento adequado.

Os Tipos e Variações da Placenta

  • Bilobulada ou bipartida: ocorre quando há dois ou três lobos completamente separados. Cada lóbulo possui um cordão umbilical, que são unificados em seguida. Geralmente sem repercussão clínica;
  • Inserção velamentosa do cordão umbilical: ocorre quando o cordão umbilical não está diretamente conectado à placenta, e somente seus vasos a atingem através das membranas, deixando artérias e veia desprotegidas. Pode ser causa de hemorragias, com perda de sangue fetal, no final da gestação e durante o trabalho de parto;
  • Placenta em “raquete”: ocorre quando o cordão umbilical está preso à uma localização periférica da placenta e não próximo ao centro. Pode estar relacionado ao ganho de peso fetal abaixo do esperado, mas geralmente não tem repercussão clínica;
  • Placenta sucenturiada: são as que apresentam um ou mais lóbulos extra. Podem ocasionar sangramento no final da gravidez e durante o trabalho de parto, mas a sua principal complicação está relacionada à retenção do lobo acessório após o parto causando hemorragias e infecção;
  • Placenta circunvalada: ocorre quando a base da placenta fixada ao útero está restrita ou “presa” pelas membranas que a revestem, não permitindo que ela expanda a extensão necessária para acompanhar o desenvolvimento do bebê. Pode estar associada à bebês com baixo ganho de peso, parto prematuro e hemorragias no final da gravidez;
  • Placenta circunmarginada: é uma variação da placenta de formato normal. É caracterizada pela extensão das membranas que a revestem além da sua borda. Não tem repercussão clínica;
  • Placenta prévia: quando a placenta está localizada próximo ao canal no parto, impedindo a evolução do mesmo;
  • Placenta acreta: quando a placenta, desempenhando sua função de “raiz”, penetra nas camadas mais profundas do útero. Geralmente associada à presença de cesariana anterior, mas também outras cicatrizes uterinas como curetagens e remoção de miomas. Pode causar hemorragias de intensidade variada durante o parto, sendo, às vezes, abundante; levando à histerectomia (remoção cirúrgica do útero).

Referências:

  1. Placenta Praevia and Placenta Accreta: Diagnosis and Management (Green-top Guideline No. 27a) – Royal College of Obstetricians and Gynaecologists.
  2. Placenta praevia – BMJ Best Practice.
  3. Placenta previa: Epidemiology, clinical features, diagnosis, morbidity and mortality – UpToDate.
  4. Placenta previa: Management – UpToDate.
  5. Danforth’s Obstetrics and Gynecology Ninth Ed. Scott, James R., et al, Ch. 20.