Fototerapia e os cuidados de enfermagem

A fototerapia é um recurso terapêutico amplamente utilizado na área da saúde, especialmente na neonatologia e na dermatologia. Trata-se do uso controlado da luz para fins terapêuticos, capaz de promover benefícios clínicos importantes quando aplicada de forma correta e segura.

Na prática da enfermagem, a fototerapia exige conhecimento técnico, atenção contínua e cuidados específicos para evitar complicações. Compreender seus princípios, indicações e formas de aplicação é fundamental para garantir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.

O que é fototerapia?

A fototerapia é uma modalidade de tratamento que utiliza luz artificial com comprimento de onda específico para provocar reações químicas e biológicas no organismo. Essa luz pode ser emitida por lâmpadas fluorescentes, halógenas ou por dispositivos de LED.

O uso mais conhecido da fototerapia ocorre no tratamento da icterícia neonatal, mas também é aplicada em doenças dermatológicas, alterações metabólicas e algumas condições inflamatórias da pele.

O princípio básico da fototerapia é a capacidade da luz de modificar determinadas substâncias presentes no organismo, tornando-as mais fáceis de serem eliminadas.

A Fisiologia por Trás do Brilho Azul

Para entender a fototerapia, precisamos primeiro compreender o que ela combate. A bilirrubina é um subproduto da quebra dos glóbulos vermelhos. No recém-nascido, o fígado ainda é imaturo e muitas vezes não consegue processar essa bilirrubina (chamada de indireta ou não conjugada) de forma rápida o suficiente.

Como a bilirrubina indireta é lipossolúvel, ela tem afinidade por tecidos gordurosos e pelo sistema nervoso central, o que a torna perigosa.

O papel da luz azul, especificamente no comprimento de onda entre 425 nm e 475 nm, é realizar uma transformação química na pele do bebê. Através de processos chamados fotoisomerização e isomerização estrutural, a luz altera a estrutura molecular da bilirrubina indireta, transformando-a em lumirrubina. A grande mágica aqui é que a lumirrubina é hidrossolúvel, ou seja, ela pode ser excretada pela bile e pela urina sem precisar passar pelo processamento do fígado. É uma via alternativa de eliminação que a medicina utiliza para contornar a imaturidade hepática do neonato.

Indicações e Critérios para Início do Tratamento

Nem todo bebê com icterícia precisa de fototerapia. A decisão médica baseia-se em tabelas que cruzam o nível de bilirrubina sérica com a idade gestacional e o tempo de vida em horas. Recém-nascidos prematuros, por exemplo, têm limiares muito mais baixos para iniciar o tratamento do que bebês a termo.

A icterícia pode ser fisiológica, surgindo após as primeiras 24 a 36 horas de vida, ou patológica, que é aquela que aparece precocemente ou atinge níveis alarmantes rapidamente, muitas vezes por incompatibilidade sanguínea entre mãe e filho (como o sistema ABO ou Rh). A enfermagem desempenha um papel crucial na detecção precoce, observando a progressão cefalocaudal da icterícia através das Zonas de Kramer, onde a cor amarela começa na face e desce para o tronco e membros à medida que os níveis sanguíneos aumentam.

Outros usos da fototerapia

Além da neonatologia, a fototerapia é utilizada em diversas áreas da saúde. Na dermatologia, é indicada no tratamento de doenças como psoríase, vitiligo, dermatite atópica e algumas formas de acne.

Em pacientes adultos, também pode ser utilizada para tratamento de hiperbilirrubinemia, prurido associado a doenças hepáticas e algumas condições inflamatórias cutâneas.

Existem diferentes tipos de fototerapia, como a ultravioleta A (UVA), ultravioleta B (UVB) e luz azul, cada uma com indicação específica conforme a patologia.

Fototerapia no câncer e lesões pré-cancerosas

A fototerapia pode ser utilizada na forma de Terapia Fotodinâmica (TFD), que é diferente da fototerapia convencional da icterícia neonatal.

Na Terapia Fotodinâmica, aplica-se uma substância fotossensibilizante no paciente e, em seguida, expõe-se a área a um tipo específico de luz. Essa combinação produz radicais livres que destroem seletivamente as células doentes.

Ela é indicada principalmente para:

  • No tratamento de lesões pré-cancerosas da pele, como a queratose actínica, que pode evoluir para carcinoma espinocelular.
  • No tratamento de câncer de pele não melanoma, especialmente o carcinoma basocelular superficial.
  • Em alguns tumores superficiais, como câncer de esôfago inicial, pulmão em estágio inicial (lesões endobrônquicas), bexiga e cavidade oral.

Como tratamento paliativo, para redução de massa tumoral e alívio de sintomas como sangramentos e obstruções.

A grande vantagem é que a terapia fotodinâmica atua de forma localizada, preservando tecidos saudáveis ao redor.

Fototerapia no câncer de pele

Na dermatologia oncológica, a fototerapia é amplamente utilizada no manejo de:

  • Queratose actínica
  • Doença de Bowen (carcinoma in situ)
  • Carcinoma basocelular superficial
  • Lesões cutâneas pré-malignas

Além disso, pode ser utilizada para tratar efeitos colaterais de quimioterapia e radioterapia, como mucosite oral, utilizando laser de baixa intensidade (fotobiomodulação).

Fototerapia nos distúrbios do humor

A fototerapia também é utilizada em psiquiatria e saúde mental, principalmente no tratamento da depressão sazonal, conhecida como Transtorno Afetivo Sazonal (TAS).

Essa condição ocorre devido à menor exposição à luz solar, principalmente no inverno, alterando a produção de melatonina e serotonina.

A exposição controlada à luz branca intensa ajuda a:

  • Regular o ritmo circadiano
  • Reduzir sintomas depressivos
  • Melhorar disposição e energia
  • Diminuir sonolência diurna

Também vem sendo estudada como terapia complementar em:

  • Depressão maior
  • Transtorno bipolar (com cautela)
  • Ansiedade
  • Síndrome da fadiga crônica

Fototerapia nos distúrbios do sono

A luz é um dos principais reguladores do relógio biológico (ritmo circadiano). A fototerapia é indicada em pacientes com:

  • Insônia
  • Síndrome do atraso da fase do sono
  • Trabalhadores de turno noturno
  • Jet lag
  • Distúrbios do sono em idosos
  • Distúrbios do sono em pacientes com demência

Ela atua ajustando a produção de melatonina, melhorando:

  • Qualidade do sono
  • Tempo para adormecer
  • Regularidade do ciclo vigília-sono
  • Estado de alerta durante o dia

Outras indicações clínicas da fototerapia

Além das áreas citadas, a fototerapia também é usada em:

  • Vitiligo
  • Psoríase
  • Dermatite atópica
  • Acne inflamatória
  • Prurido associado à insuficiência renal crônica
  • Icterícia do adulto
  • Mucosite oral em pacientes oncológicos
  • Feridas crônicas (laser de baixa intensidade)
  • Reabilitação muscular e dor crônica

Tipos de equipamentos utilizados

Os equipamentos de fototerapia variam conforme o tipo de luz emitida e a finalidade terapêutica. Na neonatologia, são utilizados aparelhos com lâmpadas fluorescentes ou LED que emitem luz azul-esverdeada.

Há também mantas de fibra óptica, conhecidas como biliblanket, que permitem maior mobilidade do recém-nascido e contato com a mãe durante o tratamento.

Na dermatologia, os equipamentos podem emitir radiação UV controlada, sempre sob prescrição médica e monitoramento rigoroso.

Indicações clínicas da fototerapia

A principal indicação é a icterícia neonatal com níveis de bilirrubina acima dos valores considerados seguros para a idade e peso do recém-nascido. Outras indicações incluem doenças dermatológicas inflamatórias, distúrbios pigmentares da pele e algumas condições associadas à insuficiência hepática.

A decisão de iniciar a fototerapia deve sempre ser baseada em critérios clínicos e laboratoriais, conforme protocolos estabelecidos.

Riscos e efeitos adversos

Embora seja um tratamento seguro, a fototerapia não é isenta de riscos. Os efeitos adversos mais comuns incluem desidratação, aumento da temperatura corporal, irritação cutânea, diarreia e alterações no padrão de sono.

A exposição inadequada pode causar queimaduras leves, lesões oculares e aumento do risco de instabilidade térmica no recém-nascido.

Por isso, o monitoramento constante é indispensável durante todo o período de uso da fototerapia.

Cuidados de enfermagem na fototerapia

A enfermagem possui papel central na condução segura da fototerapia. Antes de iniciar o procedimento, é essencial verificar a prescrição médica, identificar corretamente o paciente e avaliar as condições clínicas.

No recém-nascido, deve-se manter o paciente despido, exceto pela fralda, para maximizar a área de exposição da pele à luz. Os olhos devem ser protegidos com óculos apropriados para evitar lesões na retina.

A equipe deve posicionar corretamente o equipamento, respeitando a distância recomendada entre a fonte de luz e o paciente, conforme orientação do fabricante.

Durante o tratamento, é necessário monitorar sinais vitais, temperatura corporal, hidratação, aspecto da pele e comportamento do paciente. O balanço hídrico deve ser rigorosamente controlado, pois a fototerapia aumenta a perda de líquidos.

A mudança de decúbito deve ser realizada periodicamente para garantir exposição uniforme da pele à luz. A higiene da pele deve ser mantida, evitando o uso de cremes ou óleos que possam interferir na absorção da luz.

É importante observar sinais de complicações, como hipertermia, lesões cutâneas, irritabilidade excessiva ou alterações nos exames laboratoriais.

Orientações à família

A enfermagem também tem papel educativo junto aos familiares, explicando o motivo da fototerapia, sua importância e os cuidados necessários durante o tratamento.

Muitos pais demonstram ansiedade ao ver o recém-nascido sob luz artificial, com olhos protegidos. Esclarecer que o procedimento é seguro e temporário ajuda a reduzir o medo e aumenta a adesão ao tratamento.

O estímulo ao aleitamento materno deve ser mantido sempre que possível, com interrupções breves da fototerapia para alimentação e cuidados básicos.

Importância da monitorização laboratorial

Durante o uso da fototerapia, os níveis de bilirrubina devem ser monitorados periodicamente para avaliar a eficácia do tratamento. A suspensão da fototerapia ocorre quando os valores retornam a níveis seguros para a idade do paciente.

A enfermagem deve estar atenta aos horários das coletas laboratoriais e ao registro adequado das informações no prontuário.

A fototerapia é um recurso terapêutico eficaz, seguro e amplamente utilizado na prática clínica, especialmente na assistência ao recém-nascido com icterícia. Seu sucesso depende diretamente da correta indicação, do uso adequado dos equipamentos e da atuação vigilante da equipe de enfermagem.

O conhecimento técnico, aliado à observação contínua e à humanização do cuidado, garante que o tratamento seja realizado de forma segura, prevenindo complicações e promovendo a recuperação do paciente.

Para o estudante e o profissional de enfermagem, compreender os fundamentos da fototerapia é essencial para uma prática clínica responsável e baseada em evidências científicas.

 

Referências:

  1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Clinical Practice Guideline Revision: Management of Hyperbilirubinemia in the Newborn Infant 35 or More Weeks of Gestation. Pediatrics, v. 150, n. 3, 2022. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Icterícia no recém-nascido com idade gestacional > 35 semanas. Departamento de Neonatologia, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/
  4. TAMEZ, Eloísa A.; SILVA, Maria Jones P. Enfermagem na UTI Neonatal: Assistência ao Recém-Nascido de Alto Risco. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
  5. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_saude_recem_nascido_profissionais.pdf
  6. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Segurança no uso de equipamentos médicos. Brasília: ANVISA, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/tecnovigilancia
  7. KRAMER, L. I. Advancement of dermal icterus in the jaundiced newborn. American Journal of Diseases of Children, v. 118, p. 454–458, 1969. Disponível em: https://jamanetwork.com
  8. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA (SBP). Diretrizes para o manejo da icterícia neonatal. São Paulo: SBP, 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br
  9. RANG, H. P. et al. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  10. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines on neonatal jaundice and phototherapy. Geneva: WHO, 2022. Disponível em:
    https://www.who.int

Demência por Corpos de Lewy

A demência por corpos de Lewy (DCL) é uma condição neurodegenerativa progressiva que combina características da doença de Alzheimer e da doença de Parkinson. Ela é uma das principais causas de demência em idosos e representa um desafio diagnóstico por sua apresentação clínica variada e flutuante.

Compreender seus sintomas, causas e cuidados é essencial para oferecer assistência humanizada e eficaz, especialmente no contexto da enfermagem.

O que é a demência por corpos de Lewy?

A Demência por Corpos de Lewy é uma doença neurodegenerativa causada pelo acúmulo de proteínas anormais no cérebro, chamadas Corpos de Lewy.

  • O Mecanismo: Esses corpos são feitos principalmente de uma proteína chamada alfa-sinucleína. Quando essa proteína se agrupa e se deposita em certas áreas do cérebro, ela danifica as células nervosas.
  • As Áreas Afetadas: Os Corpos de Lewy se depositam em duas regiões principais:
    1. Córtex Cerebral: Afeta o pensamento, a memória e a percepção.
    2. Tronco Encefálico: Afeta a regulação do sono e o controle dos movimentos (o que causa o parkinsonismo).
  • A Conexão com o Parkinson: A DCL compartilha a mesma proteína (alfa-sinucleína) que causa a Doença de Parkinson. Muitos pacientes com DCL desenvolvem sintomas motores que são idênticos aos do Parkinson, e vice-versa, tornando o diagnóstico precoce um grande desafio.

Causas e fatores de risco

As causas exatas ainda não são totalmente compreendidas, mas a DCL está relacionada a processos degenerativos cerebrais semelhantes aos observados no Alzheimer e no Parkinson.

Entre os fatores de risco estão:

  • Idade avançada (acima de 60 anos);
  • História familiar de demência;
  • Presença de mutações genéticas específicas;
  • Sexo masculino (levemente mais prevalente).

Manifestações clínicas

O que diferencia a DCL do Alzheimer ou do Parkinson é a combinação de três grupos de sintomas que a enfermagem precisa monitorar de perto:

Flutuações Cognitivas

  • O que são: São variações significativas e imprevisíveis no nível de atenção, alerta e pensamento do paciente. Em um momento, o paciente pode estar lúcido e conversando; horas depois, ele pode estar totalmente confuso, sonolento e desorientado.
  • Cuidados de Enfermagem: Registrar e comunicar essas flutuações. Elas podem ser confundidas com delirium ou piora da doença, mas na DCL, são uma característica central.

Alucinações Visuais Recorrentes

  • O que são: O paciente vê coisas que não estão lá. Essas alucinações são tipicamente visuais, detalhadas e recorrentes (por exemplo, “ver” crianças, animais ou pessoas estranhas na sala).
  • Cuidados de Enfermagem: Nunca discutir ou confrontar o paciente sobre a alucinação, pois isso aumenta a ansiedade. Validar o sentimento do paciente (ex: “Entendo que você está assustado, mas aqui estamos seguros”) e tentar mudar o foco ou o ambiente.

Parkinsonismo

  • O que são: Sinais motores semelhantes à Doença de Parkinson: rigidez muscular, lentidão de movimentos (bradicinesia) e, por vezes, tremores.
  • Cuidados de Enfermagem: Aumentam o risco de quedas e a dificuldade na alimentação e higiene. O cuidado é focado na prevenção de quedas e na assistência durante as refeições.

Outros Sinais Cruciais

  • Distúrbio Comportamental do Sono REM (DBCSR): O paciente “encena” seus sonhos. Ele pode gritar, espernear ou se debater durante o sono, pois perde a paralisia muscular natural que ocorre durante a fase REM.

Diagnóstico

O diagnóstico é clínico e requer avaliação cuidadosa do histórico e dos sintomas. Exames complementares ajudam a descartar outras causas de demência.

Entre os exames mais utilizados estão:

  • Ressonância magnética (RM) para descartar lesões estruturais;
  • Tomografia por emissão de fóton único (SPECT) para avaliar a dopamina;
  • Exames neuropsicológicos para avaliar a cognição e a memória.

A confirmação definitiva só pode ser feita por estudo histopatológico após o óbito, mas os critérios clínicos são altamente sensíveis quando aplicados corretamente

Tratamento e manejo

Não existe cura para a DCL, mas há tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

  • Medicamentos inibidores da colinesterase (como a rivastigmina) podem auxiliar na cognição e no comportamento;
  • Levodopa pode ser usada para sintomas motores, embora a resposta nem sempre seja completa;
  • Cuidados com medicamentos antipsicóticos: devem ser evitados ou usados com cautela, pois podem agravar sintomas motores e causar reações adversas graves;
  • Fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional são fundamentais para manter a funcionalidade.

Cuidados de Enfermagem

O tratamento da DCL é sintomático e exige um plano de cuidados que priorize a segurança e a estabilidade.

  1. Segurança e Prevenção de Quedas: Devido à bradicinesia, rigidez e às flutuações cognitivas, o risco de queda é muito alto.
    • Intervenção: Adaptar o ambiente, usar alarmes de cama e auxiliar o paciente durante a deambulação.
  2. Manejo de Medicações: Muitos pacientes são tratados com inibidores da colinesterase (usados no Alzheimer), que ajudam nas flutuações cognitivas.
    • Alerta: A DCL tem uma sensibilidade extrema a antipsicóticos convencionais. Muitos desses medicamentos podem piorar drasticamente os sintomas motores (parkinsonismo) e o estado mental do paciente. O enfermeiro deve estar atento a qualquer prescrição e reação adversa.
  3. Ambiente Calmo e Rotina: O paciente com DCL se beneficia de um ambiente calmo, com pouca estimulação e uma rotina diária previsível. Isso minimiza a confusão e a ansiedade.
  4. Comunicação Consistente: Usar frases curtas, claras e uma abordagem tranquila. O paciente pode esquecer rapidamente as instruções devido às flutuações.

Prognóstico e evolução

A DCL é uma doença progressiva, com evolução variável entre os indivíduos. Em média, o tempo de sobrevida após o diagnóstico é de 5 a 8 anos. A abordagem humanizada e o acompanhamento multiprofissional são fundamentais para preservar a dignidade e a qualidade de vida do paciente.

A demência por corpos de Lewy é uma condição complexa, que exige sensibilidade, conhecimento técnico e trabalho em equipe. O papel do enfermeiro é essencial, não apenas no manejo clínico, mas também no apoio emocional e educativo, garantindo um cuidado centrado no paciente e em sua família.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NEUROLOGIA (ABN). Demência com Corpos de Lewy. Disponível em: https://www.abneuro.org.br/.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas: Doença de Alzheimer. (Muitas diretrizes de demência abordam a DCL em comparação). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/assuntos/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-pcdt/protocolos-clinicos-e-diretrizes-terapeuticas-em-vigor/pcdt-doenca-de-alzheimer-versao-final.pdf
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Demência por Corpos de Lewy: diagnóstico e manejo. Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude. 
  4. ALZHEIMER’S ASSOCIATION. Lewy Body Dementia (LBD). 2024. Disponível em: https://www.alz.org/alzheimers-dementia/what-is-dementia/types-of-dementia/lewy-body-dementia. 
  5. NATIONAL INSTITUTE OF NEUROLOGICAL DISORDERS AND STROKE (NINDS). Lewy Body Dementia Fact Sheet. 2024. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov.

Transtornos de Ansiedade

O Transtorno de Ansiedade é uma condição de saúde mental que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, impactando significativamente a qualidade de vida. Caracterizado por preocupações excessivas, medos intensos e sintomas físicos, esse transtorno pode ser incapacitante se não for tratado adequadamente.

Nesta publicação, vamos explorar tudo sobre o Transtorno de Ansiedade, desde suas causas e sintomas até os tratamentos disponíveis e os cuidados necessários para quem convive com essa condição.

O Que é o Transtorno de Ansiedade?

O Transtorno de Ansiedade é uma condição psiquiátrica que vai além da ansiedade normal, que todos experimentamos em situações desafiadoras. Ele envolve preocupações persistentes e intensas que interferem no dia a dia, podendo se manifestar de diferentes formas, como:

  • Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG): Preocupação excessiva e crônica com diversos aspectos da vida.
  • Transtorno do Pânico: Crises de pânico súbitas e intensas, acompanhadas de sintomas físicos.
  • Fobias Específicas: Medo intenso e irracional de objetos, animais ou situações.
  • Transtorno de Ansiedade Social: Medo extremo de situações sociais ou de ser julgado por outros.
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT): Ansiedade relacionada a eventos traumáticos do passado.

Causas do Transtorno de Ansiedade

As causas do Transtorno de Ansiedade são multifatoriais, envolvendo uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais:

  • Genética: Histórico familiar de ansiedade ou outros transtornos mentais.
  • Desequilíbrios Químicos: Alterações nos neurotransmissores, como serotonina e noradrenalina.
  • Fatores Ambientais: Estresse crônico, traumas ou eventos de vida desafiadores.
  • Personalidade: Pessoas mais perfeccionistas ou introvertidas podem ser mais suscetíveis.

Sintomas do Transtorno de Ansiedade

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de transtorno, mas geralmente incluem:

Sintomas Psicológicos

  • Preocupação excessiva e persistente.
  • Medos irracionais ou intensos.
  • Dificuldade de concentração.
  • Sensação de que algo ruim vai acontecer.

Sintomas Físicos

  • Taquicardia ou palpitações.
  • Sudorese excessiva.
  • Tremores ou sensação de fraqueza.
  • Falta de ar ou sensação de sufocamento.
  • Dores no peito ou no estômago.
  • Tonturas ou sensação de desmaio.

Impacto no Comportamento

  • Evitar situações que desencadeiam ansiedade.
  • Dificuldade em realizar tarefas cotidianas.
  • Isolamento social.

Diagnóstico do Transtorno de Ansiedade

O diagnóstico é feito por um profissional de saúde mental, como psiquiatra ou psicólogo, com base em:

  • Entrevista Clínica: Avaliação dos sintomas e do impacto na vida do paciente.
  • Critérios Diagnósticos: Utilização de manuais como o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).
  • Exames Complementares: Para descartar outras condições médicas que possam causar sintomas semelhantes.

Diferenças entre a Ansiedade e o Transtorno de Ansiedade

A ansiedade é uma reação natural do corpo a situações de perigo ou estresse. Ela pode ser útil para nos preparar para enfrentar desafios ou evitar situações arriscadas. No entanto, quando a ansiedade se torna excessiva, persistente e interfere na vida cotidiana, pode ser um sinal de transtorno de ansiedade.

Principais diferenças:

  • Intensidade e duração:
    • A ansiedade normal é geralmente leve e passageira, desaparecendo quando a situação estressante é resolvida.
    • O transtorno de ansiedade é caracterizado por preocupações intensas e persistentes, que podem durar meses ou até anos.
  • Impacto na vida cotidiana:
    • A ansiedade normal pode causar algum desconforto, mas geralmente não impede a pessoa de realizar suas atividades diárias.
    • O transtorno de ansiedade pode ser debilitante, dificultando tarefas simples como ir ao trabalho, estudar ou socializar.
  • Presença de sintomas físicos:
    • A ansiedade normal pode causar alguns sintomas físicos, como palpitações, sudorese e tremores.
    • O transtorno de ansiedade pode causar uma variedade de sintomas físicos, como dores de cabeça, dores musculares, problemas digestivos e insônia.
  • Causas:
    • A ansiedade normal está ligada a situações específicas de estresse.
    • O transtorno de ansiedade pode ter causas multifatoriais, incluindo genética, desequilíbrios químicos no cérebro e eventos traumáticos.

Tratamentos para o Transtorno de Ansiedade

O tratamento do Transtorno de Ansiedade é multifacetado, envolvendo abordagens terapêuticas, medicamentosas e mudanças no estilo de vida.

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

  • A TCC é uma das abordagens mais eficazes, ajudando o paciente a identificar e modificar padrões de pensamento negativos.

Medicamentos

  • Antidepressivos: Como inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).
  • Ansiolíticos: Como benzodiazepínicos, usados com cautela devido ao risco de dependência.
  • Betabloqueadores: Para controlar sintomas físicos, como taquicardia.

Mudanças no Estilo de Vida

  • Exercícios Físicos: Ajudam a reduzir os níveis de ansiedade e melhorar o humor.
  • Técnicas de Relaxamento: Como meditação, yoga e respiração profunda.
  • Alimentação Saudável: Evitar cafeína e álcool, que podem piorar a ansiedade.

Apoio Social

  • Participar de grupos de apoio ou buscar ajuda de familiares e amigos pode ser fundamental para a recuperação.

Cuidados de Enfermagem no Manejo da Ansiedade

A equipe de enfermagem desempenha um papel importante no cuidado de pacientes com Transtorno de Ansiedade, especialmente em contextos hospitalares ou de emergência. Aqui estão os principais cuidados:

Acolhimento e Escuta Ativa

  • Ofereça um ambiente seguro e acolhedor para o paciente expressar suas preocupações.
  • Demonstre empatia e paciência durante o atendimento.

Educação do Paciente

  • Explique sobre a condição e os tratamentos disponíveis.
  • Ensine técnicas de respiração e relaxamento para ajudar no controle dos sintomas.

Monitoramento de Sinais Vitais

  • Aferir pressão arterial, frequência cardíaca e saturação de oxigênio em casos de crises de ansiedade.

Administração de Medicamentos

  • Siga rigorosamente a prescrição médica e observe possíveis efeitos colaterais.

Prevenção de Complicações

  • Identifique sinais de piora, como pensamentos suicidas, e comunique imediatamente à equipe médica.

A Importância da Conscientização

O Transtorno de Ansiedade ainda é cercado de estigmas, o que pode dificultar a busca por ajuda. É essencial promover a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

Referências:

  1. Castillo, A. R. G., Recondo, R., Asbahr, F. R., & Manfro, G. G.. (2000). Transtornos de ansiedade. Brazilian Journal of Psychiatry, 22, 20–23. https://doi.org/10.1590/S1516-44462000000600006
  2. SILVA, João Pedro; ALMEIDA, Maria Clara; SOUZA, Rafael. Estudo sobre a influência da tecnologia na educação. Revista Omnisscientia, v. 10, n. 2, p. 45-60, 2023. Disponível em: https://editora.editoraomnisscientia.com.br/artigoPDF/24225091205.pdf. 
  3. SILVA, A. C. S.; OLIVEIRA, C. R. S.; SOUZA, D. L. S.; et al. Cuidados de enfermagem nos casos de ansiedade na atenção primária à saúde: revisão de literatura. Anais do II Congresso Norte-Nordeste de Saúde Pública (ON LINE), p. 1150-1154, 2021. https://editora.editoraomnisscientia.com.br/artigoPDF/24225091205.pdf

Antidiabéticos: Diabetes Mellitus tipo 2

O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. O tratamento com medicamentos antidiabéticos é fundamental para controlar os níveis de glicose no sangue e prevenir complicações.

Nesta publicação, vamos explorar os principais grupos de antidiabéticos, seus mecanismos de ação e os cuidados de enfermagem essenciais para pacientes com diabetes.

Os Principais Grupos de Antidiabéticos

Biguanidas (Metformina)

  • Mecanismo de ação: Diminui a produção de glicose pelo fígado, aumenta a sensibilidade à insulina e retarda a absorção de glicose no intestino.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar função renal, orientar sobre o risco de acidose láctica, especialmente em situações de jejum prolongado, desidratação ou insuficiência renal.
  • Exemplo mais comum: Metformina (Glucophage, Gliformin)

Sulfonilureias

  • Mecanismo de ação: Estimulam a liberação de insulina pelo pâncreas.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, especialmente em idosos e pacientes com função renal alterada. Orientar sobre a importância de uma alimentação regular e a associação com atividade física.
  • Exemplos: Glibenclamida, Glipizida, Glimepirida

Inibidores da alfa-glicosidase

  • Mecanismo de ação: Retardam a absorção de carboidratos no intestino, reduzindo os picos de glicose pós-prandial.
  • Cuidados de enfermagem: Orientar sobre a importância de uma dieta equilibrada e a ingestão de fibras.
  • Exemplos: Acarbose, Miglitol

Tiazolidinedionas (Glitazonas)

  • Mecanismo de ação: Aumentam a sensibilidade à insulina nos tecidos periféricos.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar ganho de peso, retenção hídrica e insuficiência cardíaca congestiva.
  • Exemplos: Pioglitazona, Rosiglitazona

Agonistas do GLP-1

  • Mecanismo de ação: Mimetizam a ação do hormônio incretina, estimulando a liberação de insulina, reduzindo a glucagonemia e retardando o esvaziamento gástrico.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar hipoglicemia, náuseas e vômitos.
  • Exemplos: Liraglutida (Victoza), Semaglutida (Ozempic), Exenatida (Byetta)

Inibidores da DPP-4

  • Mecanismo de ação: Aumentam os níveis de incretinas endógenas, potencializando a ação da insulina e reduzindo a produção de glicose hepática.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções do trato respiratório superior.
  • Exemplos: Sitagliptina (Januvia), Saxagliptina (Onglyza), Linagliptina (Trajenta)

Inibidores da SGLT2

  • Mecanismo de ação: Inibem a reabsorção de glicose nos túbulos renais, aumentando a excreção urinária de glicose.
  • Cuidados de enfermagem: Monitorar infecções urinárias e genitais, poliúria e polidipsia.
  • Exemplos: Dapagliflozina (Forxiga), Canagliflozina (Invokana), Empagliflozina (Jardiance)

Cuidados de Enfermagem Gerais para Pacientes com Diabetes

  • Educação: Oferecer educação sobre o diabetes, automonitoramento da glicemia, importância da dieta, atividade física e adesão ao tratamento.
  • Monitoramento: Acompanhar regularmente os níveis de glicose, pressão arterial e peso.
  • Identificação de complicações: Estar atento aos sinais e sintomas de hipoglicemia, cetoacidose diabética e outras complicações agudas e crônicas.
  • Promoção da saúde: Estimular hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse.

É importante ressaltar que esta publicação tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada paciente é único e o tratamento deve ser individualizado, considerando as características clínicas e as necessidades de cada um.

Referências:

  1. Ruy Lyra, Luciano Albuquerque, Saulo Cavalcanti, Marcos Tambascia, Wellington S. Silva Júnior e Marcello Casaccia Bertoluci. Manejo da terapia antidiabética no DM2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes (2024). DOI: 10.29327/5412848.2024-7, ISBN: 10.29327/5412848.2024-7.
  2. Araújo, L. M. B., Britto, M. M. dos S., & Porto da Cruz, T. R.. (2000). Tratamento do diabetes mellitus do tipo 2: novas opções. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, 44(6), 509–518. https://doi.org/10.1590/S0004-27302000000600011

Medicamentos para o Manejo da Bradicardia

A bradicardia é uma condição caracterizada por uma frequência cardíaca anormalmente baixa. O tratamento medicamentoso visa aumentar a frequência cardíaca e restaurar o ritmo cardíaco normal. Os medicamentos mais comumente utilizados para o manejo da bradicardia incluem atropina, dopamina, epinefrina e isoproterenol.

Medicamentos para o Manejo da Bradicardia

Atropina

Bloqueia os receptores muscarínicos, aumentando a frequência cardíaca ao inibir a ação do nervo vago.

  • Indicações: Bradicardia sinusal, bloqueio atrioventricular (BAV) de primeiro grau e alguns casos de BAV de segundo grau.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, boca seca, visão turva, retenção urinária.

Dopamina

Estimula os receptores alfa e beta-adrenérgicos, aumentando a força de contração do coração e a frequência cardíaca.

  • Indicações: Bradicardia sintomática, hipotensão e choque.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, arritmias, hipertensão, náuseas, vômitos.

Epinefrina

Estimula os receptores alfa e beta-adrenérgicos, aumentando a frequência cardíaca e a pressão arterial.

  • Indicações: Bradicardia sintomática, parada cardíaca, reanimação cardiopulmonar.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, arritmias, hipertensão, angina, edema pulmonar.

Isoproterenol

Estimula os receptores beta-adrenérgicos, aumentando a frequência cardíaca e a força de contração do coração.

  • Indicações: Bradicardia sintomática refratária a outros tratamentos.
  • Efeitos colaterais: Taquicardia, arritmias, angina, hipertensão.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem em pacientes com bradicardia são cruciais para monitorar a condição do paciente, prevenir complicações e garantir a segurança durante o tratamento. A bradicardia, caracterizada por uma frequência cardíaca anormalmente baixa, pode levar a sintomas como tontura, fadiga e, em casos mais graves, síncope.

Monitorização Contínua

  • Eletrocardiograma (ECG): Monitorar o ritmo cardíaco continuamente para detectar alterações e identificar possíveis arritmias.
  • Sinais vitais: Aferir frequentemente a pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e temperatura.
  • Saturação de oxigênio: Monitorar os níveis de oxigênio no sangue através da oximetria de pulso.

Avaliação Clínica

  • Sintomas: Perguntar ao paciente sobre a presença de sintomas como tontura, vertigem, falta de ar, dor no peito e síncope.
  • Nível de consciência: Avaliar o nível de alerta e orientação do paciente.
  • Perfusão periférica: Observar a coloração da pele, temperatura e tempo de enchimento capilar para avaliar a perfusão tecidual.

Intervenções de Enfermagem

  • Repouso: Manter o paciente em repouso para diminuir a demanda cardíaca.
  • Posição de Trendelenburg: Em casos de hipotensão, elevar os membros inferiores para aumentar o retorno venoso.
  • Oxigenoterapia: Administrar oxigênio suplementar conforme prescrição médica.
  • Medicamentos: Administrar medicamentos antiarrítmicos conforme prescrição médica e monitorar os efeitos colaterais.
  • Monitoramento de líquidos: Avaliar o balanço hídrico e ajustar a infusão de líquidos conforme necessário.
  • Educação ao paciente: Explicar a condição, a importância do tratamento e as medidas de autocuidado.

Prevenção de Complicações

  • Prevenção de quedas: Adotar medidas para prevenir quedas, como auxiliar o paciente na deambulação e utilizar dispositivos de segurança.
  • Identificação de causas subjacentes: Colaborar com a equipe médica para identificar e tratar as causas subjacentes da bradicardia.

Colaboração com a Equipe Multidisciplinar

  • Cardiologista: Informar ao cardiologista sobre qualquer alteração no estado clínico do paciente.
  • Nutricionista: Orientar o paciente sobre a importância de uma dieta equilibrada para manter a saúde cardiovascular.
  • Fisioterapeuta: Indicar a fisioterapia para melhorar a capacidade funcional do paciente.

É importante ressaltar que os cuidados de enfermagem em pacientes com bradicardia devem ser individualizados e adaptados às necessidades de cada paciente.

Referências:

  1. Kawabata M, Yokoyama Y, Sasaki T, Tao S, Ihara K, Shirai Y, Sasano T, Goya M, Furukawa T, Isobe M, Hirao K. Severe iatrogenic bradycardia related to the combined use of beta-blocking agents and sodium channel blockers. Clin Pharmacol. 2015 Feb 16;7:29-36. doi: 10.2147/CPAA.S77021. PMID: 25733934; PMCID: PMC4337503.
  2. negto; Maria Lícia Ribeiro Cury Pavão; Carlos Henrique Miranda. Bradiarritmias. Revista Qualidade HC, v. 23, n. 1, p. 1-5, 2017.
  3. WAGNER, Maegan. Bradycardia: Nursing Diagnoses & Care Plans. NurseTogether, 6 mai. 2023. Disponível em: <https://www.nursetogether.com/bradycardia-nursing-diagnosis-care-plan/&gt;
  4. Araújo AA, Nóbrega MML, Garcia TR. Diagnósticos e intervenções de enfermagem para pacientes portadores de insuficiência cardíaca congestiva utilizando a CIPE®. Rev Esc Enferm USP. 2011;47(2):385-92. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/pyFqL75rsL6NZVBspdstGys/?format=pdf

Os 4 Pilares do Tratamento para Insuficiência Cardíaca

A insuficiência cardíaca aguda é uma condição clínica grave que requer abordagem imediata e específica.

São os quatro pilares essenciais do tratamento farmacológico para a insuficiência cardíaca aguda:

Beta-bloqueadores

    • Os beta-bloqueadores são medicamentos que atuam bloqueando os efeitos da adrenalina (epinefrina) no coração.
    • Eles reduzem a frequência cardíaca, diminuindo a demanda de oxigênio pelo coração.
    • São essenciais para melhorar a função cardíaca e reduzir a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca aguda.

Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou inibidores do receptor de angiotensina (ARNI)

    • Esses medicamentos ajudam a relaxar os vasos sanguíneos e reduzir a pressão arterial.
    • Também melhoram a função cardíaca e reduzem a sobrecarga no coração.

Antagonistas dos receptores mineralocorticoides (MRA)

    • Os MRA, como a espironolactona e a eplerenona, são importantes para pacientes com insuficiência cardíaca.
    • Eles ajudam a reduzir a retenção de sal e água, melhorando os sintomas e a sobrevida.

Inibidores do co-transportador de sódio-glicose 2 (SGLT2)

    • Esses medicamentos, originalmente desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2, também mostraram benefícios significativos em pacientes com insuficiência cardíaca.
    • Eles reduzem a reabsorção de glicose nos rins, promovendo a diurese e melhorando a função cardíaca.

 

  1. https://portugues.medscape.com/resumindo/6510023
  2. https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001063
  3. https://www.heartfailurematters.org/what-your-doctor-can-do/angiotensin-receptor-neprilysin-inhibitor-arni-sacubitril-valsartan/
  4. Brito D, Bettencourt P, Carvalho D, Ferreira J, Fontes-Carvalho R, Franco F, Moura B, Silva-Cardoso JC, de Melo RT, Fonseca C. Sodium-Glucose Co-transporter 2 Inhibitors in the Failing Heart: a Growing Potential. Cardiovasc Drugs Ther. 2020 Jun;34(3):419-436. doi: 10.1007/s10557-020-06973-3. PMID: 32350793; PMCID: PMC7242490.

Cuidados Essenciais Pós-PCR: Tratamento Imediato

A PCR é uma situação de emergência que requer uma rápida intervenção para restabelecer a circulação espontânea (RCE) e prevenir a morte ou sequelas graves.

Após o RCE, o paciente deve receber cuidados intensivos para identificar e tratar a causa da PCR, otimizar a função cardiopulmonar e neurológica, e minimizar as lesões de múltiplos órgãos causadas pela isquemia e reperfusão.

Tratamento Imediato: Os Cuidados Pós-PCR

  • Controle da temperatura: a hipotermia terapêutica (HT) consiste em reduzir a temperatura corporal entre 32°C e 36°C por 24 horas, com o objetivo de diminuir o metabolismo cerebral e proteger contra a lesão neuronal. A HT é indicada para pacientes comatosos após PCR de causa cardíaca, e pode ser considerada para outras causas de PCR. A HT deve ser iniciada o mais rápido possível após o RCE, e requer monitorização contínua da temperatura, da glicemia, do equilíbrio hidroeletrolítico e do ritmo cardíaco. Após a HT, a temperatura deve ser reaquecida lentamente até 37°C, e mantida nesse nível por 48 horas.
  • Otimização da ventilação e oxigenação: o paciente deve ter uma via aérea segura e uma ventilação adequada, evitando tanto a hipoxemia quanto a hiperóxia, que podem ser prejudiciais ao cérebro e ao coração. A meta é manter uma saturação de oxigênio (SatO2) maior ou igual a 94%, e uma pressão parcial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35 e 45 mmHg. A gasometria arterial deve ser realizada para ajustar a fração inspirada de oxigênio (FiO2) e a ventilação mecânica. A capnografia pode ser usada para verificar o posicionamento do tubo endotraqueal e a perfusão pulmonar.
  • Otimização hemodinâmica e da perfusão tecidual: o paciente deve receber suporte circulatório para garantir uma pressão arterial média (PAM) adequada, que varia de acordo com a causa da PCR e o estado clínico do paciente. A PAM deve ser monitorada de forma invasiva, e a pressão venosa central (PVC) pode ser usada para avaliar o estado volêmico. O paciente deve receber expansão volêmica, drogas vasoativas e inotrópicas conforme a necessidade. A meta é manter um débito cardíaco e um índice cardíaco suficientes para suprir a demanda de oxigênio dos tecidos. A lactacidemia pode ser usada como um marcador de hipoperfusão e hipóxia tecidual.
  • Avaliação e manejo neurológico: o paciente deve ser examinado quanto ao nível de consciência, aos reflexos pupilares, à atividade motora e à resposta à dor. As escalas de Glasgow e de Four podem ser usadas para avaliar o grau de comprometimento neurológico. O paciente deve receber sedação e analgesia adequadas, e evitar estímulos nocivos que possam aumentar a pressão intracraniana. A tomografia computadorizada de crânio pode ser realizada para descartar causas neurológicas de PCR, como hemorragia ou isquemia cerebral. O eletroencefalograma pode ser usado para detectar convulsões ou atividade elétrica cerebral. Outros exames, como potenciais evocados somatossensitivos ou testes de biomarcadores, podem auxiliar no prognóstico neurológico.
  • Investigação e tratamento da causa da PCR: o paciente deve ser submetido a um eletrocardiograma (ECG) e a dosagem de enzimas cardíacas para avaliar a presença de síndrome coronariana aguda (SCA), que é a causa mais comum de PCR. Se houver suspeita de SCA, o paciente deve ser encaminhado para uma angiografia coronariana e uma possível intervenção percutânea. Outras causas de PCR devem ser investigadas e tratadas conforme o quadro clínico e os exames complementares, como radiografia de tórax, ecocardiograma, ultrassonografia abdominal, entre outros.

O tratamento imediato pós PCR é fundamental para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes que sofrem uma PCR.

O enfermeiro tem um papel importante nesse cuidado, pois deve monitorar os sinais vitais, administrar as medicações, realizar os exames, comunicar-se com a equipe multidisciplinar e prestar assistência humanizada ao paciente e à família.

Referências:

  1. Escola de Educação Permanente Fmusp
  2. Revista FT
  3. MedicinaNET
  4. Secad Artmed
  5. Revista da SOCESP
Notícias da Enfermagem

FCecon realiza curso de prevenção e tratamento de lesões de pele

A equipe de Enfermagem da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), recebeu um curso de prevenção e tratamento de lesões de pele, nesta sexta-feira (24/06), com o intuito de aumentar a qualidade dos atendimentos. O curso foi promovido pela Comissão de […]

MONABICH: Tratamento Imediato para um IAMCSST

O tratamento do infarto é tempo-dependente. O paciente precisa reconhecer os sintomas e procurar atendimento médico imediato em uma unidade especializada de sua região.

No Setor de Emergência, ao dar entrada, deve ser avaliado precocemente, de forma ideal, em até 10 minutos.

Todo paciente com entrada de protocolo de dor torácica devem ser realizado o exame de eletrocardiograma (ECG).

Após o exame ser realizado pelo profissional da saúde, (em P.A/P.S são geralmente realizados pela equipe de enfermagem), os pacientes são submetidos ao tratamento básico inicial, salvando à algumas contra-indicações a algumas condutas, onde entra o mnemônico MONABICH.

Os Sinais clássicos de um IAM

A grande maioria dos casos o paciente apresenta a clássica dor torácica anginosa:

  • Dor em aperto;
  • Irradiação para o braço esquerdo e ombro ou mandíbula;
  • Melhora com repouso.

 

Como é diagnosticado?

Através do ECG e marcadores de necrose miocárdica, e da história clínica do paciente. O ECG Deve ser realizado preferivelmente em menos de 10 minutos e repetido a cada 5 ou 10 minutos, já que em muitos casos pode estar normal inicialmente.

O Tratamento Imediato (MONABICH)

  • Morfina: IV (2-4 mg a cada 5-10 minutos) – máximo 10 mg;
  • Oxigênio: O2 a 100% em máscara ou catéter nasal a 2-4L/min;
  • Nitratos: dinitrato de isossorbida (ISORDIL) 5mg sublingual 5-5min até 3 x. Contra-indicações: hipotensão, bradicardia, infarto de ventrículo direito, uso de inibidores da fosfodiesterase;
  • Antiplaquetário: AAS 160-325 mg (dose de ataque); 100 mg/dia por toda vida. Contra-indicações: úlcera péptica em atividade, hepatopatias graves;
  • Betabloqueadores: metoprolol 50 mg, VO, 6/6h no 1º dia; 100 mg, VO, 12/12 horas após. Contra indicações: FC < 60, PAS < 100;
  • IECA: deve ser iniciado nas primeiras 24h (e mantido indefinidamente) em pacientes com IAMCSST com FEVE < 40%, HAS, DM ou DRC, a menos que contraindicado;
  • Clopidogrel: < 75 anos: dose de ataque 300 mg; 75 mg/dia após; > 75 anos: não recebe dose de ataque (risco de hemorragia intracraniana);
  • Heparina: Anticoagulante –  enoxaparina < 75 anos: 30 mg, EV em bolus seguido de 1mg/kg via subcutânea a cada 12 horas.

 

Referências:

  1. V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre tratamento do infarto agudo do miocárdio com supradesnível do seguimento ST. Arq. Bras. Card. 2015.
  2. Pebmed

O que é a Isquemia Cardíaca?

A isquemia cardíaca (IC) é caracterizada pela diminuição da passagem de sangue pelas artérias coronárias. Geralmente, é causada pela presença de placas de gordura em seu interior, que quando não são devidamente tratadas, podem romper e entupir o vaso, causando angina e infarto.

A isquemia cardíaca pode ser classificada como sendo:

ISQUEMIA CARDÍACA CRÔNICA

Caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura no interior das artérias, cujo principal sintoma é a dor no peito que surge inicialmente, durante esforços e, com o tempo, passa a surgir até mesmo em repouso;

ISQUEMIA CARDÍACA TRANSITÓRIA

Caracterizada pela dor no peito que surge quando o indivíduo encontra-se sob estresse emocional ou estresse físico, e diminui em repouso; Comum em mulheres jovens.

ISQUEMIA SILENCIOSA

Pode não gerar sintomas e afetar o indivíduo descansando, sentado, deitado ou dormindo. Geralmente é diagnosticado durante exames de rotina.

TRATAMENTO PARA ISQUEMIA CARDÍACA

O tratamento para isquemia cardíaca pode ser feito com a tomada de medicamentos como:

-Beta-bloqueadores para reduzir os batimentos cardíacos;

-Estatinas para redução das placas de gordura;

-Antiplaquetários para diminuir a formação de coágulos sanguíneos e o rompimento das placas de gordura;

-Nitratos que dilatam os vasos do coração.

Estes medicamentos só devem ser utilizados sob rigorosa orientação do médico cardiologista. Nos casos mais graves, quando a tomada de medicamentos não é suficiente o médico poderá indicar uma cirurgia.

Alguns fatores de risco como colesterol alto, hipertensão arterial, tabagismo, sedentarismo, diabetes, apneia do sono e crises de ansiedade, podem aumentar o risco de isquemia cardíaca e por isso, o controle de todos estes fatores é importante para o tratamento.

OPÇÕES CIRÚRGICAS

ANGIOPLASTIA CORONÁRIA COM OU SEM STENT

Indicada para doenças agudas, que acometem poucos vasos, vaso único ou vasos secundários, ou até mesmo em pacientes com alto risco para cirurgia aberta.

CIRURGIA DE REVASCULARIZAÇÃO DO MIOCÁRDIO

Indicada para casos mais graves quando há uma grande obstrução da passagem sanguínea ou um acometimento de muitos vasos ou de vasos importantes. Utiliza as veias safenas e/ou as artérias mamárias como uma ponte, o que regulariza a passagem de sangue pelos vasos do coração. A cirurgia é delicada e o indivíduo poderá ficar internado no hospital por mais de 4 dias, dependendo da sua recuperação. É indicada a realização de fisioterapia ainda no hospital para reabilitação cardíaca precoce.

Sintomas da isquemia cardíaca

– Angina de peito: caracterizada por dor no peito que pode irradiar para nuca, queixo, ombros ou braços;

– Palpitações cardíacas;

– Pressão no peito;

– Falta de ar ou dificuldade para respirar;

– Enjoo;

– Palidez e suor frio;

No entanto, a isquemia cardíaca pode não apresentar sintomas sendo somente descoberta num exame de rotina ou quando gera um ataque cardíaco.

CAUSAS DA ISQUEMIA CARDÍACA

-Doença aterosclerótica : rompimento de placas que se formaram dentro dos vasos;

-Embolia coronariana;

-Lúpus eritematoso sistêmico;

-Poliarterite nodosa;

-Sífilis;

-Doença de Takayasu;

-Hipercoagulabilidade;

-Espasmo coronário;

-Hipertrofia ventricular esquerda;

-Estenose aórtica;

-Tireotoxicose;

-Diabetes mellitus;

-Uso de drogas como cocaína ou anfetaminas;

-Síndrome X.

A causa mais comum da isquemia cardíaca é a aterosclerose, e esta pode ser controlada através da prática regular de exercícios físicos, alimentação pobre em gorduras e açúcares e manutenção do peso ideal.

Veja mais em: