Prescrição Médica: Como interpretar?

Se você está começando a sua jornada na enfermagem, uma das responsabilidades mais cruciais que você irá adquirir é a administração de medicamentos.

Essa tarefa, aparentemente simples, envolve uma série de conhecimentos e cuidados para garantir a segurança e a eficácia do tratamento prescrito. Afinal, um medicamento administrado de forma incorreta pode ter consequências sérias para a saúde do paciente.

Vamos juntos desmistificar esse processo e entender os passos essenciais para uma administração segura e responsável.

A Prescrição Médica: O Ponto de Partida

Tudo começa com a prescrição médica, um documento legal que detalha qual medicamento deve ser administrado, a dose, a via de administração, o horário e a frequência. É fundamental entender que nunca devemos administrar um medicamento sem uma prescrição válida e completa.

Essa prescrição é a garantia de que o tratamento foi avaliado e indicado por um profissional de saúde qualificado.

O que observar em uma prescrição:

  • Nome completo do paciente: Certifique-se de que o nome do paciente na prescrição corresponde ao nome do paciente para quem o medicamento será administrado. Parece óbvio, mas a dupla checagem é essencial para evitar erros.
  • Nome do medicamento (genérico e/ou comercial): Verifique o nome do medicamento com atenção. Em caso de dúvidas sobre abreviações ou caligrafia ilegível, não hesite em perguntar ao médico prescritor ou ao farmacêutico.
  • Dose: A dose prescrita deve ser clara e inequívoca (por exemplo, 500mg, 10mL). Preste atenção à unidade de medida (miligramas, gramas, mililitros, unidades internacionais).
  • Via de administração: A via pela qual o medicamento deve ser administrado (oral, intravenosa, intramuscular, subcutânea, etc.) influencia diretamente a velocidade e a forma como o medicamento será absorvido pelo organismo.
  • Frequência e horário: A prescrição indicará com que frequência o medicamento deve ser administrado (por exemplo, a cada 8 horas, uma vez ao dia) e, muitas vezes, o horário específico. Respeitar esses intervalos é crucial para manter a concentração terapêutica do medicamento no organismo.
  • Duração do tratamento: Algumas prescrições indicam por quanto tempo o medicamento deve ser administrado.
  • Assinatura e carimbo do médico: A prescrição deve conter a assinatura e o carimbo do médico prescritor, atestando sua validade.
  • Checar (fazer um medicamento): É o processo de verificar a prescrição, selecionar o medicamento correto, calcular a dose (se necessário), preparar a medicação para a administração e realizar a dupla checagem dos “nove certos” antes de administrar ao paciente. Em resumo, todas as etapas necessárias para garantir que o medicamento correto seja administrado da forma correta.
  • Bolar (não fazer um medicamento): Significa não administrar um medicamento. Todo medicamento bolado deve ser justificado no relatório de enfermagem. E isso pode ocorrer por diversos motivos, como:

    • Ausência de prescrição: Não há uma ordem médica válida para aquele medicamento.
    • Prescrição incompleta ou ilegível: Falta alguma informação essencial na prescrição.
    • Dúvidas sobre a prescrição: Há alguma incerteza quanto ao medicamento, dose, via ou horário.
    • Contraindicação ou alergia: O paciente possui alguma condição ou histórico que impede o uso daquele medicamento.
    • Paciente recusa o medicamento: O paciente tem o direito de recusar o tratamento, após ser devidamente orientado.
    • Medicamento indisponível: O medicamento prescrito não está disponível no momento.
    • Erro na prescrição identificado: Durante a checagem, identifica-se um possível erro na prescrição que precisa ser esclarecido com o médico.

Os Nove Certos da Administração de Medicamentos

Para garantir a segurança na administração de medicamentos, existe um conjunto de nove “certos” que devem ser verificados a cada administração. Essa prática ajuda a minimizar erros e proteger o paciente.

  1. Paciente certo: Confirme a identidade do paciente antes de administrar o medicamento. Utilize pelo menos dois identificadores (nome completo e data de nascimento, por exemplo) e compare com a pulseira de identificação e a prescrição.
  2. Medicamento certo: Compare o nome do medicamento na embalagem com o nome na prescrição, verificando se são o mesmo.
  3. Dose certa: Calcule e confira a dose a ser administrada com a dose prescrita. Em caso de dúvidas no cálculo, peça ajuda a outro profissional.
  4. Via certa: Certifique-se de que a via de administração do medicamento corresponde à via prescrita.
  5. Horário certo: Administre o medicamento no horário prescrito. Respeitar os intervalos garante a eficácia do tratamento.
  6. Orientação certa: Informe o paciente sobre o medicamento que está sendo administrado, seu propósito e possíveis efeitos colaterais. Incentive o paciente a fazer perguntas.
  7. Forma certa: Verifique se a forma farmacêutica do medicamento (comprimido, solução, injetável) corresponde à prescrição.
  8. Resposta certa: Monitore a resposta do paciente ao medicamento administrado, observando sinais de eficácia e possíveis reações adversas. Documente suas observações.
  9. Documentação certa: Registre imediatamente após a administração no prontuário do paciente o nome do medicamento, a dose, a via, o horário, a data, seu nome completo e assinatura/carimbo. Registre também quaisquer intercorrências ou observações relevantes.

Cuidados de Enfermagem Essenciais

Além dos nove certos, alguns cuidados de enfermagem são fundamentais durante o processo de administração de medicamentos:

  • Higiene das mãos: Lave as mãos cuidadosamente antes e após a preparação e administração de qualquer medicamento para prevenir infecções.
  • Preparo do medicamento: Prepare o medicamento em um local limpo e bem iluminado, seguindo as técnicas adequadas para cada via de administração.
  • Observação de alergias: Verifique sempre se o paciente possui alguma alergia conhecida antes de administrar qualquer medicamento. Consulte o prontuário e pergunte ao paciente.
  • Interações medicamentosas: Esteja atento a possíveis interações entre os medicamentos que o paciente está utilizando. Em caso de dúvidas, consulte o farmacêutico.
  • Educação do paciente e família: Explique ao paciente e seus familiares sobre o medicamento, a importância de seguir a prescrição e os possíveis efeitos colaterais.
  • Registro preciso: A documentação completa e precisa é essencial para a continuidade do cuidado e para a segurança do paciente.
  • Comunicação: Comunique qualquer dúvida, erro ou reação adversa à equipe de enfermagem e ao médico responsável.

Administrar medicamentos é uma arte e uma ciência que exige atenção, conhecimento e responsabilidade. Ao seguir os princípios dos nove certos e os cuidados de enfermagem essenciais, você estará contribuindo para um tratamento seguro e eficaz para seus pacientes.

Lembre-se sempre: em caso de dúvidas, pergunte! A segurança do paciente é sempre a prioridade máxima.

Referências:

  1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM. Resolução COFEN nº 568/2017: Aprova o Regulamento da Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE nos ambientes públicos e privados em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem. Brasília, DF, 2017. 
  2. POTTER, Patricia A.; PERRY, Anne Griffin; STOCKERT, Patricia. Enfermagem básica. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018.
  3. Telemedicina Morsch
  4. Anvisa

Conheça as Vias de Administração das Vacinas

Vias de Administração

Uma vacina é uma preparação antigénica, cuja administração visa produzir no indivíduo vacinado proteção contra um ou mais agentes infetantes. Uma característica determinante das vacinas é serem imunogénicas, ou seja, desencadearem uma reação imunitária humoral e celular no vacinado sem provocarem doença.

Aos termos Imunização e Vacinação são atribuídos significados diferentes, embora estes sejam usados frequentemente como sinônimos:

Imunização Versus Vacinação

A Imunização: 

  • Desenvolvimento de imunidade a uma determinada doença, através de níveis protetores de anticorpos;
  • Pode ser conseguida através da infeção natural, da administração de imunoglobulinas ou da administração de uma vacina.

A Vacinação:

  • Refere-se especificamente à administração de uma vacina;
  • Não confere necessariamente imunidade, uma vez que a eficácia e efetividade das vacinas não é geralmente de 100%.

Qual é o principal objetivo da vacinação?

Primeiramente, as vacinas visam proteger os indivíduos vacinados de doenças infecciosas. Além desta proteção direta, conferem também proteção indireta aos indivíduos não imunes, pela presença e proximidade de indivíduos imunes pela vacinação.

Assim, as vacinas protegem não só os indivíduos vacinados, mas também a própria comunidade. Este fenômeno designa-se Imunidade de grupo.

O efeito das vacinas na redução da incidência de doenças numa comunidade combina então estes dois mecanismos: proteção indireta dos não vacinados e proteção direta dos vacinados.

As Classificações das Vacinas

As vacinas podem ser classificadas segundo vários aspetos relacionados com o antigênio que integram.

Bacterianas:

  • Vacina contra a doença pneumocócica;
  • Vacina poliosídica de 23 valências;
  • Vacina contra a cólera;
  • Vacina contra a febre tifoide.

Virais:

  • Vacina contra a encefalite por picada de carraça;
  • Vacina contra a gripe;
  • Vacina contra a hepatite A e a hepatite B;
  • Vacina contra o VPH;
  • Vacina contra a raiva;
  • Vacina contra o rotavírus;
  • Vacina contra a varicela;
  • Vacina contra a zona.

Conheça as Vias de Administração!

A maioria das vacinas apresenta-se sob forma injetável:

Vacinas Vias <2 anos >2 anos
BCG ID Deltoide direito Deltoide direito
Febre Tifoide IM Deltoide/glúteo
Hepatite A IM Vasto lateral coxa Deltoide
Hepatite A + B IM Vasto lateral coxa Deltoide
DTPa IM Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/ Glúteo
Tétano IM Vasto lateral coxa Deltoide/Glúteo
Tríplice Bacteriana Adulto IM Deltoide/Glúteo
Pentavalente IM Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/Glúteo
Hexavalente IM Vasto lateral coxa Deltoide
Hemófilos IM Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/Glúteo
Tríplice Viral (SCR) SC Vasto lateral coxa/Glúteo Deltoide/Glúteo
Pneumocócica polivalente IM Vasto lateral coxa Deltoide/Glúteo
Pneumocócica conjugada IM Vasto lateral coxa Deltoide
Meningocócica C conjugada IM Vasto lateral coxa Deltoide
Meningocócica quadrivalente ACWY IM Vasto lateral coxa Deltoide
Meningocócica B IM Vasto lateral coxa/Deltoide Deltoide
Influenza (Gripe) IM/SC Vasto lateral coxa/glúteo Deltoide/Glúteo
Varicela (Catapora) SC Vasto lateral coxa/glúteo Deltoide/Glúteo
Rotavírus V.O Oral
dTpa + IPV IM Deltoide/Glúteo
HPV (Ambas) IM Deltoide
Herpes Zóster SC Deltoide/Glúteo
Dengue SC Deltoide/Glúteo

Dicas!

Quais são as Vacinas Vírus Vivos Atenuados?

Injetáveis:

  • Rubéola, sarampo, caxumba, varicela (triviral/ SCR e tetraviral) , febre amarela, herpes-zóster e dengue.

Orais:

  • Poliomielite e rotavírus.

Qual é o intervalo mínimo necessário entre vacinas diferentes?

Vacinas Intervalo Mínimo entre as Vacinas
Entre 2 inativadas NENHUM
Entre 1 inativada e 1 viva atenuada NENHUM
Entre 2 vivas atenuadas injetáveis 30 dias (alguns autores admitem 15 dias)
Entre 2 vivas atenuadas por via oral NENHUM (exceto entre pólio oral e rotavirus, desejável esperar 15 dias, atentando para  idade máxima limite para a aplicação.
DTPa/Hexa/Penta 1 mês entre as três primeiras; 6 meses entre a terceira e o primeiro reforço.
Poliomielite 1 mês
Dengue 6 meses
Hepatite B Entre primeira e segunda doses: 1 mês Entre segunda e terceira doses: 2 meses Entre segunda e terceira doses: 6 meses (já se admitem 4 meses)
Hepatite A 6 meses
Hepatite A + B Entre primeira e segunda doses: 4 semanas/ 1 mês Entre segunda e terceira doses: 20 semanas/ 5 meses Entre primeira e terceira doses: 24 semanas/ 6 meses
Tríplice Viral 1 mês
Varicela <13 anos 3 meses
Varicela >13 anos 1 mês
Meningocócica C conjugada 1 mês
Meningocócica B 1 mês
Pneumo 13 conjugada No primeiro ano de vida: 6 semanas. A partir de 1 ano de vida: 8 semanas
HPV Entre primeira e segunda doses: 1 mês Entre segunda e terceira doses: 3 meses Entre primeira e terceira doses:: 6 meses (já se admitem 4 meses)
Rotavirus 1 mês

O Calendário das Vacinas

Anualmente, o calendário de vacinas está constantemente sendo atualizada, sendo importante consultar a tabela sempre. A Sociedade Brasileira de Imunização disponibiliza estes calendários atualizados, vale uma consulta!

Veja mais em:

farmacologia