Anafilaxia Como Reconhecer e O Que Fazer

anafilaxia

Anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica, grave e potencialmente fatal. Pode surgir rapidamente após medicamentos, alimentos, venenos de insetos, vacinas ou outros desencadeantes, comprometendo pele e mucosas, sistema respiratório e circulação. Urticária, angioedema, rouquidão, estridor, falta de ar, chiado, queda da pressão, tontura, síncope e alterações gastrointestinais podem aparecer em diferentes combinações.

A grande armadilha é esperar a queda da pressão para considerar a situação grave. Anafilaxia pode estar evoluindo antes do choque aparecer, principalmente quando há comprometimento de via aérea ou dificuldade respiratória. Por isso, diante de uma suspeita clínica compatível, o tratamento deve ser iniciado rapidamente.

O que fazer primeiro?

A prioridade é adrenalina por via intramuscular, preferencialmente na região anterolateral da coxa, seguindo dose e protocolo aplicáveis ao paciente. A adrenalina é a medicação de primeira escolha e não deve ser substituída inicialmente por anti-histamínicos ou corticosteroides. Se a resposta for insuficiente, a dose pode ser repetida conforme o protocolo, geralmente em intervalos de 5 a 15 minutos.

Enquanto a adrenalina é administrada, a equipe deve avaliar vias aéreas, respiração e circulação, acionar suporte de emergência e manter monitorização. O paciente deve ser colocado adequadamente, geralmente em decúbito dorsal com pernas elevadas quando tolerado; se houver vômitos ou comprometimento da consciência, a posição deve ser adaptada para reduzir o risco de aspiração.

É nesse momento que uma situação prática pode acontecer muito rápido: uma pessoa recebe um medicamento e, poucos minutos depois, começa com urticária disseminada, edema de lábios, voz abafada e dificuldade para respirar. Não é hora de aguardar a evolução da pele ou preparar primeiro um anti-histamínico. A prioridade é reconhecer a anafilaxia, administrar adrenalina IM conforme protocolo e iniciar o suporte necessário.

E depois da adrenalina?

A assistência continua. Oxigênio pode ser utilizado quando indicado, especialmente diante de hipoxemia ou comprometimento respiratório importante. Em pacientes com hipotensão ou choque, pode ser necessária expansão volêmica com cristaloide, além de outras medidas avançadas conforme a resposta clínica. Broncoespasmo persistente pode exigir broncodilatador como tratamento complementar.

Anti-histamínicos e corticosteroides não substituem a adrenalina na fase inicial. Eles podem ter papel complementar em situações específicas, mas não devem atrasar a administração da medicação de primeira linha. A adrenalina intravenosa, por sua vez, não é a conduta inicial habitual e envolve maior risco, sendo reservada a cenários apropriados, com monitorização e profissionais habilitados.

Outro momento que merece atenção é aquele paciente que melhora rapidamente depois da primeira dose e parece estar “bem”. A melhora não encerra o atendimento. Existe possibilidade de recorrência dos sintomas, por isso o paciente precisa permanecer sob observação e receber avaliação adequada antes de ser liberado.

Como a enfermagem reconhece rapidamente?

Na prática, pense em uma combinação de início súbito + manifestações sistêmicas. Coceira, urticária ou angioedema associados a dificuldade respiratória, alteração circulatória ou outros sinais de comprometimento sistêmico devem aumentar imediatamente a suspeita.

Também é importante observar sinais menos óbvios: mudança da voz, sensação de garganta fechando, estridor, tosse persistente, chiado, palidez, sudorese, tontura, confusão, síncope, dor abdominal, vômitos ou diarreia. A ausência de lesões cutâneas não exclui anafilaxia, especialmente quando existe comprometimento respiratório ou cardiovascular importante.

Cuidados de enfermagem

Durante o atendimento, a enfermagem deve priorizar:

  • Reconhecimento imediato e acionamento da equipe de emergência.
  • Avaliação contínua de vias aéreas, respiração e circulação.
  • Administração da adrenalina IM conforme prescrição, protocolo e dose adequada.
  • Monitorização de pressão arterial, frequência cardíaca, frequência respiratória e saturação.
  • Manutenção de acesso venoso quando indicado e preparo para expansão volêmica.
  • Disponibilização de oxigênio e materiais para suporte ventilatório.
  • Registro do horário, dose, via, resposta clínica e evolução do paciente.
  • Observação após a melhora inicial, devido ao risco de recorrência.

O Cofen também reforça que, no contexto de anafilaxia pós-vacinação em ações extramuros, a adrenalina IM é a primeira linha e que a atuação da enfermagem deve estar respaldada por protocolo institucional, treinamento e condições adequadas de segurança.

Para guardar na emergência

! Atenção na Prova

Se houver uma suspeita consistente de anafilaxia, não espere a evolução para agir.

A sequência essencial é:

Reconhecer → avaliar ABC → adrenalina IM → suporte respiratório e circulatório → monitorizar → encaminhar e observar.

O detalhe que salva tempo — e pode salvar uma vida — é lembrar que adrenalina é o tratamento de primeira linha; anti-histamínico e corticoide não devem ocupar o lugar dela.

Resumo para salvar

Anafilaxia: O Que Fazer Primeiro?

  • Adrenalina IM é o tratamento de primeira linha
  • Avalie rapidamente vias aéreas, respiração e circulação
  • Anti-histamínicos e corticoides não substituem a adrenalina
  • Mesmo após melhora, o paciente precisa de monitorização e avaliação

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais: condutas diante de anafilaxia. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde — Manual dos CRIE.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância epidemiológica de eventos adversos pós-vacinação. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde — Manual de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacinação.
  3. CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer nº 47/2025/Câmaras Técnicas de Enfermagem. Brasília, DF: Cofen, 2026. Disponível em: Cofen — Parecer nº 47/2025.
  4. SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal da Saúde. Protocolo de Assistência em Anafilaxia para enfermeiros da Atenção Básica. São Paulo: SMS. Disponível em: Prefeitura de São Paulo — Protocolo de Anafilaxia

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
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Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.