Prevenção de Quedas: Principais Medidas

A prevenção de quedas é uma preocupação significativa no ambiente de saúde, visando a segurança dos pacientes e a qualidade do atendimento.

O Protocolo de Prevenção de Quedas integra uma série de medidas proativas que buscam minimizar os riscos e as consequências das quedas nos estabelecimentos de saúde.

Essas medidas incluem a avaliação de risco do paciente, que deve ser realizada diariamente para identificar aqueles que possuem maior probabilidade de queda.

Além disso, é fundamental a implementação de um ambiente seguro, com pisos nivelados, ausência de objetos soltos no chão e sinalização adequada de áreas molhadas ou potencialmente perigosas.

Medidas que integram o protocolo de Prevenção de Risco de Quedas

Avaliação do risco de queda

A avaliação do risco de queda deve ser feita no momento da admissão do paciente com o emprego de uma escala adequada ao perfil dos pacientes da instituição. Essa avaliação deve ser repetida diariamente até a alta do paciente. Nesse momento, também se deve avaliar a presença de fatores que podem contribuir para o agravamento do dano em caso de queda.

Segundo alguns autores, os fatores de risco intrínsecos funcionais incluem:

  • Idade acima de 65 anos
  • Alterações do nível de consciência
  • Distúrbios do equilíbrio
  • Déficit motor
  • Déficit sensorial
  • Síncope
  • Incontinência urinária
  • Incontinência fecal
  • Uso de medicamentos (sedativos, anti-hipertensivos etc.)
  • Hipotensão postural
  • História de queda recente.

Os fatores intrínsecos relacionados às patologias são:

  • Doenças osteomioarticulares
  • Neurológicas
  • Otológicas
  • Cardiovasculares

Prevenção de quedas em instituições de saúde

  • Utilização da Escala de Morse;
  • Após avaliação e identificação do paciente em risco de queda, realize a prescrição de enfermagem com as medidas profiláticas (pelo enfermeiro);
  • Realize a identificação do paciente com risco de queda por meio de pulseira e/ou de sinalização à beira do leito;
  • Identifique o prontuário do paciente com a etiqueta de risco de queda;
  • Os pacientes com risco de queda devem ter supervisão intensiva, sobretudo aqueles que apresentarem confusão mental. Nessa situação, procure conscientizar a família sobre a importância da presença de um acompanhante;
  • Comunique à equipe multiprofissional sobre o risco de queda do paciente;
  • Oriente a equipe e o acompanhante para que acompanhem o paciente na ida ao banheiro e não o deixem sozinho, inclusive durante o banho. Recomenda-se deixar uma luz do banheiro acesa à noite. Se o paciente tiver vários fatores de risco e estiver sem acompanhante (sozinho no quarto), mantenha a porta do quarto aberta;
  • Deixe a área de circulação do quarto livre de móveis e utensílios;
  • Identifique as solicitações de exames externos com etiqueta de risco;
  • Registre no prontuário do paciente todas as intervenções realizadas;
  • Entregue a orientação institucional sobre a prevenção de quedas (panfletos etc.), ao paciente e ao acompanhante, no primeiro dia de internação;
  • Reforce e acrescente as orientações, à equipe e ao acompanhante, quando surgirem outros riscos (introdução de medicamentos, intervenções cirúrgicas, piora do quadro clínico etc.);
  • Oriente a equipe e o acompanhante para que auxiliem o paciente na saída e no retorno ao leito, na transferência do leito para a maca, cadeira de rodas e poltrona;
  • Oriente a equipe multiprofissional e o acompanhante para que mantenham as grades do leito do paciente com risco de quedas sempre elevadas;
  • Mantenha a cama na posição baixa, se possível, e com as rodas travadas;
  • Mantenha a campainha e os objetos pessoais ao alcance do paciente;
  • Avalie a necessidade de realizar a contenção mecânica do paciente no leito, em razão de seu estado mental. A contenção somente deve ser realizada quando todas as demais intervenções tiverem sido ineficazes e o paciente estiver em condição de ser um risco para si mesmo;
  • Explique ao paciente e ao acompanhante o tipo de calçado que o paciente deve usar: com solado antiderrapante e fácil de calçar;
  • Sempre que necessário, acione as equipes de manutenção e limpeza do serviço de saúde a fim de manter o ambiente (quartos, corredores, banheiros) em boas condições de circulação (piso limpo, seco, livre de irregularidades e obstruções).

Na ocorrência de queda

  • Em caso de queda, encaminhe o paciente ao leito, comunique a enfermeira e o médico da unidade ou de plantão;
  • Verifique e anote no prontuário do paciente e na ficha de ocorrência de quedas, de maneira clara e completa, as circunstâncias em que ocorreu a queda, incluindo:
    • Risco de queda, identificado no dia em que ela ocorreu;
    • Período do dia em que ocorreu o evento;
    • Local da queda;
    • Como ocorreu a queda;
    • Se o paciente estava sozinho ou com acompanhante;
    • Se o paciente estava confuso;
    • Se houve testemunhas;
    • Se o paciente acionou a campainha ou chamou antes da queda;
    • Quais as medicações em uso;
    • Se havia prescrições voltadas à prevenção de quedas no prontuário do paciente;
    • A conduta médica – registro indispensável.

– Verifique e anote as condições externas que colaboraram para a queda, como a altura da cama, se estava com as grades baixadas, se a campainha do quarto e banheiro estavam
funcionando. Registre também o quadro de pessoal da unidade e como foi feita a divisão de trabalho naquele dia;

– Solicite avaliação médica, mesmo quando parecer que não houve lesões e que o paciente está bem (os pacientes podem não valorizar alguns sintomas porque não os associam com a queda) Preste atenção às reações do paciente nas 24 h seguintes;

– Encaminhe a ficha de ocorrência de queda para a coordenação de enfermagem e para a comissão de prevenção de quedas para análise;

– Acompanhe o monitoramento do paciente após a queda, com a comissão de prevenção de quedas ou com o Núcleo de Segurança do Paciente (NSP).

Referências:

  1. protocolo-de-prevencao-de-quedas (www.gov.br)
  2. PR.MULT_.002-00-Protocolo-de-Prevencao-de-Queda-1.pdf (ints.org.br)
  3. 13404490571782_Protocolo_Prevencao_de_Quedas__15-10-2009.pdf (saudedireta.com.br)

Nebulização/Inalação: Cuidados de Enfermagem

A nebulização é a administração de medicamentos nas vias respiratórias superiores (VAS) por meio de um dispositivo que libera medicações aerossóis. Esses aerossóis chegam ao tecido epitelial mucoso do trato respiratório.

Objetivos da Nebulização

    • Umidificar as vias aéreas superiores.
    • Aliviar inflamações e congestões.
    • Fluidificar secreções das vias aéreas superiores.
    • Estimular a tosse.
    • Diminuir o edema nas vias aéreas superiores.
    • Administrar medicações por via respiratória.

Materiais Necessários

    • Bandeja.
    • Fonte de oxigênio ou ar comprimido.
    • Intermediário (chicote) de oxigênio ou ar comprimido.
    • Solução prescrita em uma seringa com identificação.
    • Seringa para medir a dose, se necessário.
    • Nebulizador com máscara.
    • Fluxômetro de oxigênio ou ar comprimido.

Técnica para Realizar a Nebulização

    • Higienize as mãos.
    • Explique o procedimento ao paciente ou familiar.
    • Separe os materiais necessários na bandeja.
    • Leve o material até o paciente.
    • Realize a higiene das mãos.
    • Coloque o paciente em posição de Fowler.
    • Conecte o inalador à fonte de oxigênio ou ar comprimido.
    • Coloque o medicamento dentro do copo do nebulizador.
    • Abra a válvula do fluxômetro entre 3 a 6 L/min.
    • Observe a formação de névoa (fumaça).
    • Em casos de crianças, retire a chupeta.
    • Adapte a máscara do inalador ao paciente, utilizando o elástico e mantendo o copo do nebulizador na posição vertical.

A equipe de enfermagem (técnicos e enfermeiros) é responsável pela administração correta da nebulização.

Mantenha sempre os cuidados necessários para garantir a segurança e eficácia desse procedimento.

Referências:

  1. HUUFSC
  2. FMSC

Fixação de AVP: Método alternativo

Sabemos que a ANVISA ( Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde , 2017)  recomenda o uso de películas transparentes estéreis, porém na realidade de muitos profissionais no Brasil, essa tecnologia ainda não está ao seu alcance (vários hospitais não disponibilizam este material).

A maioria tem em seu alcance fitas adesivas (microporosas e esparadrapos), no entanto temos que ter pensamento crítico, utilizar de meios que são disponibilizados para poder dar continuidade ao tratamento.

Método alternativo

Um método alternativo para quem não tem o recurso para películas transparente estéreis, você pode fazer:

  • Recortar duas tiras maiores (um para base e outra para cobertura com identificação), e outra menor (para fixar o cateter);
  • Posicionar a primeira tira maior na base entre a pele e o cateter (assim ajuda a não escorregar o cateter);
  • Utilizar a tira menor para entrelaçar ente cateter e a base (nó de gravata ou borboleta, “borboletinha”);
  • Fixar a tira maior de identificação entre o cateter e a base.

Seria tão mais fácil se o sistema de saúde funcionasse corretamente no Brasil, não precisaríamos ter que recorrer a estas alternativas.

Referência:

  1. EBSERH

Devo ou não coletar sangue com braço garroteado?

O garrote é um dispositivo utilizado durante a coleta de sangue para facilitar a localização das veias.

Ele deve ser colocado no braço do paciente próximo ao local da punção, geralmente a cerca de 4 a 5 dedos ou 10 cm acima do local de punção.

No entanto, é importante lembrar que o garrote não deve ser deixado no braço do paciente por mais de 1 minuto!

Por que não devo deixar o braço garroteado durante a coleta de sangue?

O tempo de garroteamento não pode ultrapassar 1 minuto, pois há riscos associados a isso.

Primeiro, existe o risco de hemólise, que é a destruição das células sanguíneas. Além disso, ocorre o aumento da pressão intravascular, resultando no extravasamento de água e eletrólitos do plasma para o espaço extravascular.

Isso leva ao aumento da concentração de células, enzimas, proteínas e outros elementos ligados a proteínas, como o colesterol, cálcio, ferro e triglicerídeos.

Portanto, é essencial que o garrote seja retirado assim que o sangue começar a fluir pelo tubo ou seringa durante a coleta.

Embora o garrote facilite a localização das veias, o garroteamento prolongado pode afetar os resultados de certos exames.

Pesquisadores italianos já comprovaram o aumento de analitos no sangue após 1 e 3 minutos de estase venosa.

Portanto, a prática padrão é manter o tempo de garroteamento dentro desse limite seguro para garantir resultados precisos e minimizar qualquer impacto negativo na saúde do paciente.

Referências:

  1. Lippi G, Salvagno GL, Montagnana M, Brocco G, Guidi GC. Influence of short-term venous stasis on clinical chemistry testing. Clin Chem Lab Med. 2005;43(8):869-75. doi: 10.1515/CCLM.2005.146. PMID: 16201899.

Banho no leito: Por onde começo?

banho no leito é necessário para a higiene pessoal do paciente acamado, seja em casa, clínica ou hospital, quando ele têm limitações físicas para tomar o banho no chuveiro.

Geralmente, no hospital o banho de leito é realizado pelo profissional de saúde (enfermeiro ou técnico de enfermagem), mas em casa é muito comum que um familiar (ou um cuidador) seja responsável por essa tarefa diária.

Para estas pessoas que não tem experiência e o preparo profissional adequado, listamos algumas dicas de como realizar o banho no leito da forma correta e segura.

Dicas de como dar o banho no leito em pacientes acamados

Quando temos um paciente acamado, sem mobilidade ou com nenhuma condição de segurança para sair do leito até o chuveiro, o banho é realizado na própria cama. Há vários tipos banho no leito e produtos, e hoje vamos falar do banho com irrigação, realizado de forma segura, completa e se aproxima da experiência do chuveiro pois permite o uso de água corrente.

Este banho no leito úmido, é completo e se aproxima da experiência de um banho normal, que nós estamos acostumados, embora com um volume muito menor de água.

Materiais necessários e como é o passo a passo recomendado

  1. Tenha em mãos um jarro de água ou uma mangueira conectada ao chuveiro, para iniciar o preparo do banho. A água deve estar em temperatura adequada para o conforto do paciente (mais quente no inverno e ambiente no verão).
  2. Tenha uma bacia ou balde para desprezar a água utilizada durante o banho
  3. Produtos de higiene (uso pessoal) como sabonete, shampoo, algodão etc
  4. Toalhas (uma para o rosto e outras necessárias para o corpo)
  5. Roupas, fraldas e acessórios como pente, hidratantes, desodorantes para finalizar o pós banho

Durante o banho o paciente deve estar protegido do vento e de temperatura ambiente fria, e sempre que possível, o cuidador deve se atentar para o conforto, privacidade e dignidade do paciente, mantendo sempre uma postura ética durante o banho.

Passo a passo – Como realizar o banho no leito de forma correta

  1. Comece pela cabeça. Ao lavar os cabelos, é necessário que ela esteja posicionada na cabeceira da cama, para que a água possa fluir direto para a bacia. Nesse caso, irrigar a cabeça, passar o shampoo, massagear cabeça e fios, e em seguida enxaguar. Se for usar condicionador, repetir o processo. Secar bem a cabeça e enrolar em uma toalha, para proceder com o banho.
  2. Lavar o rosto, pescoço, orelhas, braços e mãos, parte por parte, dobra por dobra, utilizando o algodão molhado embebido em sabonete. Enxaguar com um algodão limpo e secar, sempre parte por parte do corpo, sempre cuidando para proteger com uma toalha seca, as partes já limpas e secas.
  3. Descendo, cuidamos da higiene do tronco – sendo homem ou mulher – lavando bem embaixo das mamas, axilas, tórax e abdômen. Com um algodão molhado, irrigamos cada região, secando cuidadosamente logo em seguida. Cobrimos com a toalha seca e seguimos adiante.
  4. A próxima etapa são os membros inferiores, começando pela virilha e sem seguida, a dobra das pernas e pés, dando atenção aos lugares mais suscetíveis a acumular resíduos que podem causar mal cheiro ou infecções. Novamente, após lavar cada área com o algodão, devemos irrigar com o algodão molhado em água limpa e em temperatura confortável. Feito o enxágue, devemos secar cuidadosamente e cobrir com toalhas limpas e secas.
  5. Finalmente, realizamos a higiene íntima do paciente lavando suas partes genitais. O procedimento varia, mas essencialmente a preocupação em deixar esta região por último é porquê o paciente pode urinar ou evacuar durante o banho.
  6. Tanto no paciente homem quanto na mulher, inicia-se a limpeza pela área frontal. No homem, deve-se abaixar um pouco a glande do pênis, limpando cuidadosamente e observando se há a existência de resíduo de pomada próximo à uretra. Se houver algum resíduo, recomenda-se usar um pouco de óleo (de amêndoas ou de girassol), normalmente já prescrito ao paciente. Na mulher, o algodão é passado por fora dos grandes lábios vaginais. Novamente, há que se ter cuidado para não entrar em contato com a uretra, para evitar infecções urinárias. Tendo feito a higiene e tendo enxaguado, é hora de cuidar da parte posterior. Nesse momento, é necessário que o paciente seja virado (decúbito lateral), para que toda a área posterior do seu corpo possa ser higienizada. Novamente, evitar o uso de pomadas e dar preferência ao óleo prescrito pelo médico, para hidratar e evitar assaduras.
  7. Finalmente, lavamos toda a parte posterior do paciente (costas), encerrando com esta etapa o banho no leito.
  8. Vista o paciente e em seguida, retorne a área do banho ao seu estado original recolhendo os itens utilizados no banho.

Lembre-se sempre que o banho é um conforto para o paciente, e que não apenas ajuda na prevenção de infecções da pele, como também pode contribuir para o relaxamento e autoestima do seu paciente.

Referência:

  1. HUFSC

Porque os carrinhos de emergência ficam lacrados?

Os carrinhos de emergência são lacrados para garantir a integridade e a prontidão dos equipamentos e medicamentos que contêm.

O lacre assegura que o conteúdo do carrinho esteja completo, organizado e não tenha sido utilizado ou comprometido desde a última verificação.

Motivos para ter um lacre em seu carrinho de emergência

  1. Segurança dos Medicamentos: Os carrinhos de emergência contêm medicamentos controlados e outros suprimentos médicos essenciais que precisam ser mantidos seguros e protegidos. O lacre evita o acesso não autorizado e o roubo.
  2. Controle de Inventário: O lacre ajuda a manter o controle do inventário dos suprimentos médicos. Ele garante que todos os suprimentos estejam presentes e contabilizados, e que nenhum item seja removido sem autorização.
  3. Prevenção de Contaminação: Os carrinhos de emergência precisam ser mantidos livres de contaminantes para garantir a segurança do paciente. O lacre impede a entrada de poeira, sujeira e outros contaminantes no carrinho.
  4. Prontidão para Emergências: Os carrinhos de emergência são projetados para serem usados em situações de emergência. O lacre garante que o carrinho esteja pronto para uso imediato, sem atrasos devido à verificação de inventário ou à procura de itens ausentes.
  5. Responsabilidade Legal: Em alguns casos, os hospitais são legalmente responsáveis ​​por manter o acesso seguro aos medicamentos controlados. O lacre ajuda a atender a esses requisitos legais.

O lacre é rompido apenas quando o carrinho é necessário para uma emergência, após o qual ele deve ser reabastecido e relacrado para garantir que esteja sempre pronto para o próximo uso. É uma prática padrão em hospitais e clínicas para manter a qualidade e a eficiência do atendimento de emergência.

Em resumo, os carrinhos de emergência são lacrados para garantir a segurança dos medicamentos, manter o controle do inventário, prevenir a contaminação, agilizar a prontidão para emergências e cumprir as responsabilidades legais.

Referência:

  1. https://uece.br/eventos/enfermaio/anais/trabalhos_completos/472-44406-12042019-202721.pdf

Como abrir um pacote/embalagem estéril?

Uma embalagem ou pacote estéril é um recipiente selado que contém suprimentos médicos ou instrumentos que foram esterilizados para estarem livres de microorganismos.

A própria embalagem também é esterilizada e lacrada de forma a manter a esterilidade do seu conteúdo até ser aberta.

Para que são utilizadas as embalagens estéreis?

As embalagens estéreis são utilizadas para quaisquer procedimentos que exijam um ambiente estéril (por exemplo, cirurgias, curativos, inserções de cateteres). O principal objetivo da utilização de embalagens estéreis é prevenir a contaminação e minimizar o risco de infecções associadas aos cuidados de saúde.

Tipos comuns de embalagens estéreis

As embalagens estéreis usadas com frequência incluem:

  • Bolsas intravenosas
  • Blisters (por exemplo, suturas, bisturis)
  • Frascos de vidro ou plástico (por exemplo, contendo soro fisiológico, medicamentos)
  • Pacotes peel (instrumentos cirúrgicos)
  • Tubos estéreis (para aplicação de cremes estéreis)
  • Pacotes de bandejas (conjuntos personalizados de instrumentos/suprimentos, [por exemplo, para inserção de cateter])
  • Luvas estéreis

Como deve ser manuseada uma embalagem estéril?

Etapas para evitar contaminação durante o procedimento de abertura:

  • Certifique-se de ter uma superfície limpa e plana para colocar a embalagem (alguns procedimentos podem exigir um campo estéril).
  • Se transferir conteúdo estéril para outro campo estéril, utilize uma pinça estéril ou uma técnica de “derramamento” para líquidos, garantindo que não toca nas superfícies estéreis com objetos não estéreis.
  • Descarte a embalagem em um recipiente apropriado para resíduos após a abertura e uso.

Antes de abrir uma embalagem estéril

  • Verifique a embalagem quanto a umidade ou marcas de sujeira.
  • Verifique se há rasgos ou aberturas.
  • Verifique a data de validade.
  • Verifique se a fita estéril está intacta.

Etapas para abrir uma embalagem estéril

  1. Realize a higiene das mãos.
  2. Segure a embalagem pelas bordas não lacradas (pétalas) com os polegares e separe-a com cuidado.
  3. Segure a embalagem enquanto expõe o item estéril.
  4. O item estéril exposto pode então ser entregue à equipe cirúrgica ou colocado suavemente no campo estéril.

Referência:

  1. Buckner B. Opening sterile surgical packs. J Med Insight. 2024;2024(300.4). doi:10.24296/jomi/300.4.

Tala para imobilização de acesso venoso

O uso de tala em crianças com cateter venoso periférico (CVP) pode ser necessário para evitar que o cateter se mova ou se desconecte, causando complicações como sangramento, infiltração, trombose ou infecção.

O Parecer COREN-SP Nº 022/2020

Ante o acima exposto, entende-se que o uso de dispositivos de imobilização física, tipo tala, para proteger locais de acesso vascular em pacientes pediátricos é prática que oferece riscos e seu uso não deve ser rotineiro, e não deve ser utilizado com recém-nascidos e lactentes jovens.

Cabe ao enfermeiro avaliar os riscos e benefícios do uso de dispositivos de imobilização física do tipo tala na criança, caso haja indicação para sua aplicação, e esta deve ser executada conforme Protocolo Institucional, contendo informações sobre idade da criança, tipos de dispositivos indicados para imobilização, meios de proteção da criança, tempo e uso do dispositivo, avaliação periódica do local imobilizado em busca de sinais de complicação e de queixas de desconforto, obtenção da autorização da família e concordância da criança.

Reforça-se que a execução de toda e qualquer atividade deve estar embasada na Sistematização da Assistência de Enfermagem, por meio do Processo de Enfermagem, conforme Resolução Cofen nº 358/2009, com permanente avaliação do processo de trabalho e o registro adequado dos procedimentos realizados.

Os Cuidados

A tala deve ser aplicada com cuidado, respeitando a anatomia e a circulação do membro, e deve ser trocada periodicamente para avaliar a pele e o estado do cateter. A tala também deve ser confortável e segura para a criança, evitando que ela se sinta angustiada ou restrita.

Algumas dicas para o uso de tala em crianças com CVP são:

  • Escolher o material adequado para a tala, como gesso, plástico ou espuma, de acordo com a disponibilidade, o custo e a preferência da criança.
  • Medir o tamanho da tala de acordo com o comprimento e a largura do membro, deixando uma margem de 1 a 2 cm para evitar compressão excessiva.
  • Proteger a pele do membro com gaze ou algodão, especialmente nas áreas de maior atrito ou pressão, como cotovelos, pulsos, joelhos e tornozelos.
  • Fixar o cateter com fita semi permeável transparente estéril, evitando dobras ou torções que possam obstruir o fluxo sanguíneo ou causar irritação na pele.
  • Colocar a tala sobre o membro, envolvendo-o com atadura ou faixa elástica, sem apertar demais ou deixar folgas. A tala deve cobrir todo o membro, desde a articulação acima até a articulação abaixo do local do cateter.
  • Verificar a circulação do membro, observando se há alterações na cor, na temperatura, no pulso ou na sensibilidade. Se houver sinais de comprometimento vascular, como palidez, cianose, frieza ou dormência, a tala deve ser afrouxada ou removida imediatamente.
  • Orientar a criança e os familiares sobre os cuidados com a tala, como evitar molhar, sujar ou danificar o material, manter o membro elevado e imóvel, e comunicar qualquer desconforto ou alteração no membro ou no cateter.
  • Registrar o procedimento de aplicação da tala, anotando o tipo de material usado, o tamanho da tala, o local do cateter e as condições do membro antes e depois da imobilização.
  • Revisar a tala a cada 24 horas ou conforme a necessidade, verificando o estado da pele, do cateter e da circulação do membro. Se houver necessidade de trocar a tala, repetir os passos anteriores com cuidado e higiene.

Referências:

  1. Parecer COREN-SP
  2. EBSERH

Transferência: Do leito para cadeira de rodas (Vice Versa)

O cuidado com o paciente durante a transferência do leito para a cadeira de rodas é crucial para garantir a segurança e o conforto do paciente.

Passo a Passo detalhado

Comunicação e Consentimento:

Antes da realização de qualquer procedimento de transferência, deve-se orientar a pessoa a ser transferida sobre todo o procedimento, fazendo com que a pessoa se torne conhecedora de cada movimento que será realizado.

Transferência realizada por uma pessoa

  • Transferência da cadeira de rodas para cama ou vice versa;

Procedimento:

  • O primeiro passo é organizar o entorno, ou seja, o paciente e a cadeira. O paciente deve estar sentado e a cadeira de rodas a 45 graus da cama. O profissional que irá realizar transferências deve estar na frente do paciente e ao lado da cadeira de rodas.
    • Uma dica importante: se o cliente tem um lado do corpo comprometido, vamos deixar o lado são virado para a cadeira.
    • O paciente deve estar sentado na beira da cama, com os pés bem apoiados no chão e o tronco inclinado para frente.
    • O profissional deve se posicionar à frente do paciente, pedir que ele coloque as mãos sobre os ombros do profissional (se um braço estiver comprometido, só será apoiado o braço são). As mãos do profissional podem estar sobre os ombros do cliente, sobre as escápulas ou ainda segurando a calça/short.
  • O segundo passo é orientar o paciente o que será feito e como ele deve participar. O profissional combinará com o paciente que ao contar três (1, 2, 3…) ele será elevado em direção à cadeira de rodas e deve participar o máximo que conseguir.
    • Em seguida, o profissional faz a contagem, inclinando mais o corpo do cliente à medida que conta e, quando o paciente levantar, continua a dar a orientação ao paciente, pedindo para ele girar o corpo em direção à cadeira.
  • O terceiro passo consiste em sentá-lo e perceber se está bem posicionado no assento, com o tronco sobre o encosto, para que os pés possam ser colocados sobre os apoios e o braço da cadeira abaixado.
    • Lembre-se de que o correto posicionamento do paciente não apenas influencia o conforto, mas também afeta sua resposta clínica e recuperação. Portanto, execute a transferência com cuidado e atenção aos detalhes .

Transferência realizada por duas pessoas

  • Da cama para a cadeira ou vice versa;
  • Da cadeira para a maca ou vice versa;

Profissional nº1: Fica atrás do paciente, com uma de suas pernas ao lado da cadeira de rodas e a outra posicionada já em cima do local que o paciente irá ser transferido (quando possível). Ele abraça o paciente pelo tórax, segurando pelos braços.

O profissional precisa apoiar a parte inferior do tórax com seus antebraços, prevenindo a elevação da coluna e o alongamento do paciente durante o levantamento.

Profissional nº2: fica em pé de frente à lateral da cama. Ele eleva os MMII do paciente, com um dos braços sob as coxas e o outro sob as pernas ou ambas as pernas.

Procedimento:

A pessoa nº1 ou nº2 que estará realizando a transferência agirá como comandante da transferência (geralmente a pessoa que fica no tronco é quem comanda), ele irá explicar a pessoa transferida todo o procedimento além de dar os comandos para a segunda pessoa que estará auxiliando na transferência.

O comandante contará até três e em sincronia com a segunda pessoa irá levantar o paciente e coloca-lo no local destinado.

Referências:

  1. Artmed
  2. Portalenf

Evolução de Enfermagem: Método DAR

A evolução de enfermagem é uma etapa fundamental do processo de enfermagem, que consiste em avaliar as respostas do paciente às intervenções realizadas e verificar se os resultados esperados foram alcançados.

Para isso, o enfermeiro deve utilizar um método de registro que seja claro, objetivo e padronizado, facilitando a comunicação entre os profissionais e a continuidade da assistência.

Método DAR

Um dos métodos mais utilizados para a evolução de enfermagem é o método DAR, que significa Dados, Ações e Resultados.

Esse método foi proposto por Horta em 1979, baseado na teoria das necessidades humanas básicas de Maslow.

O método DAR permite ao enfermeiro registrar os dados coletados na avaliação do paciente, as ações realizadas para atender às suas necessidades e os resultados obtidos com essas ações.

O método DAR apresenta algumas vantagens, como:

  • Facilita a organização e a sistematização das informações;
  • Permite a identificação dos problemas de enfermagem e a avaliação dos cuidados prestados;
  • Favorece a análise crítica e a tomada de decisão do enfermeiro;
  • Contribui para a qualidade e a segurança da assistência de enfermagem.

Para aplicar o método DAR, o enfermeiro deve seguir os seguintes passos:

  1. Registrar os dados coletados na avaliação do paciente, utilizando termos técnicos e científicos, sem emitir opiniões ou julgamentos. Os dados devem ser relevantes, precisos e atualizados, e podem incluir sinais vitais, exames laboratoriais, queixas, comportamentos, entre outros.
  2. Registrar as ações realizadas pelo enfermeiro ou pela equipe de enfermagem para atender às necessidades do paciente, de acordo com a prescrição de enfermagem. As ações devem ser descritas de forma clara, concisa e completa, indicando a data, a hora, a frequência, a dose, a via, o material utilizado, a técnica empregada, as orientações fornecidas, entre outros aspectos.
  3. Registrar os resultados obtidos com as ações realizadas, verificando se houve melhora, piora ou manutenção do estado do paciente. Os resultados devem ser comparados com os objetivos estabelecidos na prescrição de enfermagem, e devem ser mensuráveis, observáveis e verificáveis. Caso os resultados não sejam satisfatórios, o enfermeiro deve revisar o plano de cuidados e propor novas intervenções.

Um exemplo de evolução de enfermagem pelo método DAR é:

D: Paciente com dor abdominal intensa, referindo náuseas e vômitos. Apresenta distensão abdominal, ruídos hidroaéreos diminuídos e ausência de eliminação de fezes e gases há 3 dias. Temperatura: 37,8°C; Pressão arterial: 150×90 mmHg; Frequência cardíaca: 110 bpm; Frequência respiratória: 24 irpm; Saturação de oxigênio: 95%. Hemograma: leucócitos: 12.000/mm³; hemoglobina: 13 g/dL; hematócrito: 40%. Radiografia abdominal: alças intestinais dilatadas e com níveis hidroaéreos.

A: Administrado analgésico (dipirona 1g) e antiemético (metoclopramida 10 mg) por via endovenosa, conforme prescrição médica. Realizado cateterismo vesical de demora, com saída de 300 mL de urina amarelo-clara. Colocado sonda nasogástrica nº 14, com drenagem de 500 mL de líquido bilioso. Orientado sobre os procedimentos realizados e a importância de permanecer em jejum. Monitorado os sinais vitais e o balanço hídrico.

R: Paciente refere alívio da dor abdoaminal após a administração do analgésico. Não apresenta mais náuseas e vômitos. Mantém distensão abdominal, ruídos hidroaéreos diminuídos e ausência de eliminação de fezes e gases. Temperatura: 37,2°C; Pressão arterial: 140×80 mmHg; Frequência cardíaca: 90 bpm; Frequência respiratória: 20 irpm; Saturação de oxigênio: 97%. Hemograma: leucócitos: 10.000/mm³; hemoglobina: 13 g/dL; hematócrito: 40%. Radiografia abdominal: alças intestinais dilatadas e com níveis hidroaéreos.

Referências:

  1. COFEN
  2. Sumários.org