Tarjas de Medicamentos: Tipos e Significados

As tarjas de medicamentos são uma forma de classificar os remédios conforme o grau de risco que eles oferecem à saúde do consumidor e as exigências para a sua venda.

Existem quatro tipos de tarjas: sem tarja, vermelha, preta e amarela. 

 

Os Tipos

Medicamento sem tarja

Os medicamentos isentos de prescrição (MIP) não necessitam de receita médica para que sejam vendidos. No entanto, os MIPs cumprem com todos os demais requisitos de qualidade, segurança e eficácia exigidos pela legislação sanitária em vigor. Estão descritos na Lista de Medicamentos Isentos de Prescrição (LMIP) e são indicados para tratamento de doenças não graves e com evolução lenta ou inexistente;

Tarja vermelha

São remédios que oferecem risco intermediário de efeitos adversos ao usuário e devem ser prescritos pelo profissional de saúde. Estes estão divididos em duas subcategorias: sem retenção de receita, ou seja, não ficam com a farmácia depois da aquisição, e com retenção, que ficam de posse da farmácia por estarem sujeitos a controle especial. A embalagem desse tipo de medicamento tem de informar a necessidade de prescrição médica e de retenção de receita, quando for o caso – além dos riscos.

Tarja preta

Para a segurança do paciente, esses medicamentos precisam de um controle maior na hora de ser adquirido. Esses remédios geralmente afetam o sistema nervoso central, por isso podem causar dependência ou levar à morte. Medicamentos de tarja na cor preta só podem ser adquiridos mediante apresentação de prescrição médica que deve ser retida com o farmacêutico.

Tarja amarela

Há também o grupo dos medicamentos genéricos, com faixa na cor amarela. Eles pertencem tanto ao grupo dos medicamentos tarjados quanto dos não tarjados, sendo que, em ambos os casos, o medicamento possui a tarja amarela em sua embalagem. Entretanto, quando pertencente ao grupo dos tarjados, a embalagem possui a tarja amarela junto com a tarja vermelha ou preta. Esses medicamentos podem ou não exigir receita médica.

As letras utilizadas nos rótulos para identificação do nome comercial do medicamento e para a denominação genérica dos princípios ativos devem ser de fácil leitura e ostentar o mesmo destaque.

Você sabia?

No Brasil, é proibida a utilização de cores nos rótulos de medicamentos que possam causar confusão ou erro na identificação da faixa vermelha.

Os rótulos das embalagens dos medicamentos com destinação institucional destinados ao Ministério da Saúde, para distribuição através de programas de saúde pública, devem obedecer à identificação padronizada e descrita no Manual de Identificação Visual para Embalagens de Medicamentos.

Referência:

1. Ministério da Saúde

Ordem de medicamentos para a sequência rápida de intubação (SRI)

A sequência rápida de intubação (SRI) é uma técnica usada para garantir a ventilação e a proteção das vias aéreas em pacientes com risco de aspiração ou instabilidade hemodinâmica.

A SRI envolve o uso de medicações para sedação, analgesia e relaxamento muscular, além de manobras para facilitar a laringoscopia e a inserção do tubo endotraqueal.

Ordem/Sequência da SRI

  • Indutores: Fentanil ou lidocaína: para reduzir a resposta adrenérgica e a reatividade das vias aéreas causadas pela laringoscopia. A dose recomendada é de 2-6 mcg/kg para o fentanil e 1,5 mg/kg para a lidocaína.
  • Hipnóticos: Etomidato, quetamina, midazolam ou propofol: para induzir a perda de consciência e a hipnose. A escolha da droga depende das condições clínicas do paciente e dos efeitos adversos potenciais. A dose recomendada é de 0,3 mg/kg para o etomidato, 0,2-0,4 mg/kg para a quetamina, 0,5-0,3 mg/kg para o midazolam e 1-2,5 mg/kg para o propofol.
  • Bloqueadores Neuromusculares: Succinilcolina ou rocurônio: para produzir o relaxamento muscular e facilitar a intubação. A succinilcolina tem um início de ação rápido e uma duração curta, mas pode causar hiperpotassemia, hipertermia maligna e outras complicações. O rocurônio tem um início de ação mais lento e uma duração mais longa, mas não tem os mesmos efeitos adversos da succinilcolina. A dose recomendada é de 0,5-1,5 mg/kg para a succinilcolina e 0,6-1,2 mg/kg para o rocurônio.

A SRI requer uma equipe treinada e preparada, com equipamentos adequados e monitorização contínua do paciente. Deve ser realizada com cuidado e seguindo protocolos estabelecidos para evitar complicações como hipoxemia, hipotensão, arritmias, lesões de vias aéreas e aspiração.

Referência:

  1. 1. Yamanaka CS, Góis AFT de, Vieira PCB, Alves JCD, Oliveira LM de, Blanes L, et al.. Intubação orotraqueal: avaliação do conhecimento médico e das práticas clínicas adotadas em unidades de terapia intensiva. Rev bras ter intensiva [Internet]. 2010Apr;22(2):103–11. Available from: https://doi.org/10.1590/S0103-507X2010000200002

Medicamentos Gastrointestinais

Os medicamentos gastrointestinais são aqueles que atuam no sistema digestivo, aliviando sintomas como azia, refluxo, gastrite, úlcera, constipação, diarreia, náusea e vômito.

Tipos

Existem diferentes tipos de medicamentos gastrointestinais, que podem ser classificados de acordo com o seu mecanismo de ação e a sua indicação. Alguns exemplos são:

  • Antiácidos: neutralizam o excesso de ácido no estômago, reduzindo a irritação da mucosa gástrica. São usados para tratar azia, refluxo e gastrite. Exemplos: hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio, carbonato de cálcio;
  • Inibidores da bomba de prótons: bloqueiam a produção de ácido no estômago, favorecendo a cicatrização de úlceras e prevenindo complicações como sangramentos e perfurações. São usados para tratar úlcera péptica, esofagite de refluxo e síndrome de Zollinger-Ellison. Exemplos: omeprazol, pantoprazol, esomeprazol;
  • Antagonistas dos receptores H2: diminuem a secreção de ácido no estômago, aliviando os sintomas de azia, refluxo e gastrite. Também podem ser usados para tratar úlcera péptica. Exemplos: ranitidina, cimetidina, famotidina;
  • Protetores da mucosa gástrica: formam uma camada protetora sobre a mucosa do estômago e do duodeno, impedindo o contato com o ácido e as bactérias. São usados para tratar úlcera péptica, gastrite e prevenir lesões por uso prolongado de anti-inflamatórios. Exemplos: sucralfato, misoprostol, bismuto;
  • Laxantes: estimulam o funcionamento do intestino, facilitando a eliminação das fezes. São usados para tratar constipação intestinal ou preparar o paciente para exames ou cirurgias. Exemplos: lactulose, bisacodil, óleo mineral;
  • Antidiarreicos: reduzem a motilidade intestinal e aumentam a absorção de água e eletrólitos, diminuindo a frequência e o volume das evacuações. São usados para tratar diarreia aguda ou crônica. Exemplos: loperamida, carvão ativado, caolin;
  • Antieméticos: bloqueiam os receptores que estimulam o centro do vômito no cérebro, prevenindo ou tratando náuseas e vômitos. São usados para tratar enjoo por movimento, gravidez, quimioterapia ou outras causas. Exemplos: metoclopramida, ondansetrona, dimenidrinato.

Cuidados de Enfermagem

  • Avaliar o histórico clínico e os sintomas do paciente, bem como os possíveis efeitos colaterais e interações medicamentosas dos fármacos prescritos;
  • Orientar o paciente sobre a forma correta de administrar os medicamentos, seguindo as instruções do médico e da bula. Alguns medicamentos devem ser tomados antes, durante ou depois das refeições, outros devem ser mastigados ou dissolvidos na água, e outros ainda devem ser evitados com certos alimentos ou bebidas;
  • Monitorar a resposta do paciente aos medicamentos, observando a melhora ou piora dos sintomas, a ocorrência de reações adversas ou alérgicas, e a necessidade de ajuste da dose ou troca de medicamento;
  • Educar o paciente sobre os cuidados gerais com a saúde gastrointestinal, como manter uma alimentação equilibrada e rica em fibras, beber bastante água, evitar o consumo excessivo de álcool, cafeína, tabaco e alimentos irritantes, e procurar ajuda médica em caso de sangramento, dor abdominal intensa ou persistente, vômito com sangue ou fezes escuras.

Os medicamentos gastrointestinais podem aliviar os desconfortos e complicações do sistema digestivo, mas devem ser usados com cautela e sob orientação médica e de enfermagem. Seguir as recomendações dos profissionais de saúde é fundamental para garantir a eficácia e a segurança do tratamento.

Referências:

  1. Medicinanet
  2. SPINOSA, Helenice de Souza. Medicamentos que interferem nas funções gastrointestinais. Farmacologia aplicada à medicina veterinária. Tradução . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. . . Acesso em: 02 jul. 2023.

Efeito Placebo Vs. Nocebo

Você já ouviu falar dos efeitos placebo e nocebo? Eles são fenômenos psicológicos que podem influenciar a nossa saúde de maneiras surpreendentes.

Entenda os efeitos

O efeito placebo é a melhora de um sintoma ou de uma condição clínica após a administração de uma substância ou de um tratamento que não tem nenhum efeito farmacológico específico.

Por exemplo, se uma pessoa com dor de cabeça toma um comprimido de açúcar pensando que é um analgésico, ela pode sentir alívio da dor simplesmente por acreditar que o remédio funciona. Isso acontece porque o cérebro libera substâncias químicas que atuam como analgésicos naturais, como as endorfinas.

O efeito nocebo é o oposto do efeito placebo. É o piora de um sintoma ou de uma condição clínica após a administração de uma substância ou de um tratamento que não tem nenhum efeito farmacológico específico.

Por exemplo, se uma pessoa com dor de cabeça toma um comprimido de açúcar pensando que é um veneno, ela pode sentir mais dor ou até mesmo ter efeitos colaterais como náusea, tontura ou palpitações. Isso acontece porque o cérebro libera substâncias químicas que atuam como estimulantes do sistema nervoso, como a adrenalina.

As diferenças

As diferenças entre os efeitos placebo e nocebo estão relacionadas com as expectativas e as crenças que temos sobre os tratamentos que recebemos. Se esperamos que algo nos faça bem, podemos ter uma resposta positiva.

Se esperamos que algo nos faça mal, podemos ter uma resposta negativa. Essas expectativas podem ser influenciadas por vários fatores, como a informação que recebemos dos profissionais de saúde, dos meios de comunicação ou dos nossos familiares e amigos, a cor, o tamanho ou a forma dos comprimidos ou das injeções, o preço ou a marca dos medicamentos, entre outros.

Os efeitos placebo e nocebo podem ter um impacto significativo na nossa saúde e na nossa qualidade de vida. Por isso, é importante conhecer esses fenômenos e saber como usá-los a nosso favor. Algumas dicas para aproveitar o efeito placebo e evitar o efeito nocebo são:

  • Ter uma atitude positiva em relação aos tratamentos que recebemos, confiando na sua eficácia e segurança;
  • Buscar informações confiáveis e científicas sobre os benefícios e os riscos dos tratamentos que recebemos, evitando fontes duvidosas ou alarmistas;
  • Seguir as orientações dos profissionais de saúde que nos atendem, respeitando as doses, os horários e as contraindicações dos medicamentos;
  • Manter um estilo de vida saudável, cuidando da alimentação, da hidratação, do sono, da atividade física e do controle do estresse;
  • Procurar ajuda psicológica se tivermos medos, ansiedades ou depressão relacionados com a nossa saúde ou com os tratamentos que recebemos.

Referência:

  1. 1. Teixeira MZ. Bases psiconeurofisiológicas do fenômeno placebo-nocebo: evidências científicas que valorizam a humanização da relação médico-paciente. Rev Assoc Med Bras [Internet]. 2009;55(1):13–8. Available from: https://doi.org/10.1590/S0104-42302009000100008

Cloreto de Potássio: Cuidados (VO/EV)

O Cloreto de potássio tanto quando por via oral ou endovenosa exigem cuidados específicos no momento da administração.

O Slow-K (KCL em drágeas), não deve ser macerado, mastigado ou sugado, pois é de absorção intestinal. Caso haja necessidade de utilizar o cloreto de potássio por sonda enteral, deve-se solicitar a via de apresentação em xarope.

O KCl (Cloreto de Potássio endovenoso) nunca pode ser administrado diretamente em bolus, pois ocasiona paralisia muscular (incluindo o cardíaco), ocasionando uma PCR e óbito. Somente utilizá-lo pela via intravenosa e com a individualização adequada da dose, infundir com diluição prévia, e a velocidade de infusão deve ser lenta.

Referência:

  1. Novartis. Bula do medicamento Slow-K. Disponível em: http://www.onofre.com.br/BackOffice/uploads//Bula/015881.pdf.
  2. https://abrir.link/MoDgU

O uso seguro da vinCRIStina

A Vincristina é a substância ativa de um medicamento antineoplásico conhecido comercialmente como Oncovin, indicado para o tratamento de vários tipos de câncer, entre eles leucemia, câncer de pulmão e de mama.

A sua ação consiste em interferir no metabolismo dos aminoácidos e impedir a divisão celular, diminuindo a probabilidade do câncer se espalhar pelo organismo.

Erros associados à administração de vincristina

O antineoplásico vincristina foi administrado por via intratecal em um paciente pediátrico em vez de metotrexato. O medicamento havia sido preparado e acondicionado em uma seringa. Apesar da rápida identificação do erro, a criança apresentou sintomas de neurotoxicidade e foi a óbito três dias depois. Como prevenir esse erro de medicação?

A administração inadvertida de vincristina por via intratecal em vez da via endovenosa é um erro com consequências geralmente fatais para o paciente e representa o evento adverso mais comum envolvendo a via de administração intratecal.

Quando administrada por via intratecal, a vincristina pode provocar deterioração neurológica progressiva e paralisia, sendo um evento doloroso e com consequências psicológicas importantes para os pacientes sobreviventes e seus familiares. Resulta, quase sempre, no óbito do paciente, em dias ou meses, devido à necrólise do sistema nervoso central.

Os poucos pacientes que sobrevivem a este tipo de erro apresentam graves sequelas neurológicas. As consequências para os profissionais da saúde envolvidos neste erro também são devastadoras.

Os perigos associados à administração equivocada de vincristina são conhecidos e documentados há mais de 45 anos. O primeiro caso relatado de administração intratecal inadvertida de vincristina ocorreu nos Estados Unidos em 1968, quando um paciente apresentou mieloencefalopatia ascendente.

Desde então, 120 novos casos semelhantes foram relatados na literatura mundial. No entanto, a incidência real deste incidente é desconhecida visto que é possível que muitos casos não tenham sido notificados por receio de punições.

Muitos casos notificados ocorreram em pacientes com leucemia ou linfoma de Hodgkin que estavam sendo tratados com vincristina por via endovenosa concomitantemente com metotrexato, citarabina e/ou glicocorticoides por via intratecal.

Além disso, frequentemente, a administração desses medicamentos, por via intravenosa e via intratecal, encontrava-se programada para o mesmo horário, favorecendo a troca da via de administração da vincristina. Por estes motivos, alertas têm sido emitidos sobre o risco deste tipo de erro.

Entre os fatores contribuintes para a administração da vincristina por via intratecal, pode-se citar: a falta de experiência com o manejo de medicamentos utilizados na terapia antineoplásica; a ausência de dupla checagem (duplo check) independente; a administração de medicamentos por via intratecal e por via endovenosa no mesmo dia, horário e local; e o preparo e dispensação da vincristina em seringa.

RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA O USO SEGURO DA VINCRISTINA

  • Manipular a vincristina diluída em cloreto de sódio 0,9% em bolsa para infusão, eliminando o risco de troca com seringas de uso intratecal.
  • Durante a manipulação da vincristina, acondicioná-la em um tipo de envase e diluí-la em um volume não compatível com a administração intratecal:
    • Para adultos: diluir a vincristina em 50 mL de cloreto de sódio 0,9%. Preparar em bolsas de 50 mL e infundir em 5-10 minutos.
    • Para crianças: diluir a vincristina em 25 mL de cloreto de sódio 0,9%. Preparar em bolsas de 50 mL e infundir em 5-10 minutos.
    • Para crianças menores de 10 anos: após avaliação do risco individual, quando a diluição da vincristina em bolsas de 50 mL não for adequada, diluir a vincristina em uma seringa com volume maior ou igual a 10 mL.
  • Neste caso, a seringa deverá ser identificada com a etiqueta de alerta sugerida abaixo e a equipe alertada para o envase em seringa.
  • Etiquetar as bolsas de infusão com preparações de vincristina com um alerta. Modelo sugerido pelo ISMP Brasil apresentado na figura abaixo:
USO SOMENTE POR VIA ENDOVENOSA
FATAL SE ADMINISTRADO POR OUTRA VIA

 

Atenção: alertas negativos, como “não utilizar por via intratecal”, nunca devem ser utilizados, uma vez que estes podem induzir ao erro por não apresentar uma mensagem direta e positiva com a conduta correta que deve ser adotada. Mensagens negativas podem ser mal interpretadas e facilmente confundidas de forma exatamente oposta ao que se pretende.

Referências:

  1. Boletim ISMP Brasil “Erros associados à administração de vinCRIStina”: https://www.ismp-brasil.org/site/boletins/
  2. International Medication Safety Network “Global Targeted Medication Safety Best Practice 2”: https://www.intmedsafe.net/

A Dose Farmacológica e suas subdivisões

Quando falamos em dose, estamos nos referindo à quantidade de fármaco (princípio ativo), presente em um medicamento. É a quantidade de “remédio” presente em uma unidade posológica, isto é, em um comprimido, uma cápsula, uma ampola ou em um determinado volume de líquido que será administrado de uma única vez.

Exemplos:

  1. um comprimido de losartana, para controle de pressão arterial, pode ser encontrado em 2 DOSES, 25 ou 50 mg. O paciente toma 2 DOSES de losartana por dia.
  2. 1000mg ou 1g de dipirona líquida, correspondem a uma DOSE. O paciente tomou uma DOSE de 1g de dipirona para dor de cabeça.

Subdivisões

Dose de ataque

É a dose de um medicamento capaz de elevar rapidamente a concentração de um fármaco na corrente sanguínea, a fim de que se obtenha o resultado terapêutico mais rapidamente.

Dose de manutenção

É a dose administrada em intervalos regulares capaz de manter a concentração de um fármaco na quantidade desejada para que seja alcançado o efeito terapêutico.

Dose mínima

É a menor dose eficaz de um fármaco que pode ser administrada a uma pessoa e pode ser observado o resultado terapêutico.

Dose máxima

É a dose máxima de um fármaco que pode ser administrada a um paciente na qual não são observados efeitos tóxicos.

Dose tóxica

É a dose de um fármaco acima do dose máxima, que se for administrada a um paciente onde já podem observados efeitos de toxicidade, é uma “overdose”.

Dose letal

É a quantidade de fármaco que se for administrada a um paciente leva à morte, também é uma “overdose”.

Referências:

  1. DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS. Dose. Disponível em: https://www.dicio.com.br/dose/. 
  2. DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS. Dosagem. Disponível em: https://www.dicio.com.br/dosagem/. 
  3. DICIONÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS. Posologia. Disponível em: https://www.dicio.com.br/posologia/.
  4. KATZUNG, Bertram G.; Farmacologia: Básica & Clínica. 8 ed. Rio de Janeiro – RJ: Editora Guanabara Koogan SA, 2003. p. 23-38.

A Rastreabilidade e as cores de etiquetas de Medicamentos

Falhas no processo de medicação são situações frequentes que ocorrem no mundo todo. A principal delas envolve a administração equivocada de medicamentos relacionada à dose, via de administração e tipo de droga. Alguns medicamentos são considerados críticos e denominados Medicamentos ou Drogas de Alta Vigilância (DAV).

Esses medicamentos exigem medidas especiais de segurança para evitar que erros aconteçam.

A RDC nº 54, de dezembro de 2013, exige a criação do IUM – Identificador Único do Medicamento. Ele é um código alfanumérico gerado a partir dos seguintes dados, na seguinte ordem:

  • Número do registro do medicamento na Anvisa;
  • Número serial, único e gerado aleatoriamente;
  • Data de validade, no formato MM/AA;
  • Número do lote.

Esse código será aplicado no medicamento por meio de um código em duas dimensões, chamado Data Matrix. Essas informações também deverão estar legíveis para o olho humano, em fonte de altura mínima de 1,6mm.

Agregação

Além dos códigos em cada medicamento, a RDC nº 54 também exige que seja gerado um identificador único para cada caixa de transporte. Esse “código pai” no servidor da farmacêutica agregará todos os identificadores únicos contidos dentro dele. Isso permite agilidade na logística, basta escanear um único código para controle de todas as unidades dentro da caixa.

Cores de Etiquetas

Cada Instituição Hospitalar, padronizam cores de acordo com o tipo de medicamento.

É utilizado como uma estratégia de segurança do paciente, que também faz parte da Meta 3 da Segurança do Paciente  além de facilitar a identificação visual para os profissionais da enfermagem e farmácia.

Junto com as etiquetas e embalagens coloridas também disponibilizam com etiquetas impressas com nome, lote, validade, código de barra, e sequencial numérico.

Lembrando que os Medicamentos de Alta Vigilância (MAV) devem ser aplicados os seguintes itens:

  • Armazenamento em locais seguros e separados dos demais medicamentos: em armários identificados na farmácia e em gavetas chaveadas nos postos de Enfermagem sob responsabilidade da enfermeira;
  • Dispensação em embalagem plástica vermelha selada com etiqueta adesiva amarela;
  • Dupla checagem pela enfermagem na administração desses medicamentos.

Referências:

  1. https://www.promtec.com.br/rdc-no-54-etiquetas-para-agregacao-e-identificacao-unica-de-medicamentos-ium/
  2. Forte EC, Pire DEP, Padilha MI, Martins MMFP. Medication errors and consequences for nursing professionals and clients: an exploratory study. Texto Contexto Enferm [Internet]. 2017 [cited 2018 Feb 12];26(2):e01400016. Available from: http://www.scielo.br/pdf/tce/v26n2/pt_0104-0707-tce-26-02-e01400016.pdf

Hipolipemiantes e os Cuidados de Enfermagem

Os Hipolipemiantes são os fármacos usados no tratamento das dislipidemias, e principalmente no controle dos níveis colesterol.

Os altos níveis de colesterol (hipercolesterolemia) aceleram a aterosclerose, que leva no limite ao infarto do miocárdio e aos acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Classe dos Hipolipemiantes

Estatinas

Inibem a formação de colesterol de novo no fígado mas não afetam o colesterol ingerido. Medicamentos: Sinvastatina, Atorvastatina, Rosuvastatina, Lovastatina, Pravastatina, Fluvastatina.

Fibratos

Fármacos que diminuem modestamente o chamado mau colesterol (LDL) e atuam também na redução dos níveis séricos de triglicerídeos. Medicamentos: Fenofibrato, Gemfibrozilo.

Sequestradores de ácidos biliares

Substâncias resinoides, tais como Colestipol e Colestiramina, que impedem a reabsorção dos ácidos biliares, os quais são formados no fígado a partir de colesterol. Não podendo reabsorvê-los, mais colesterol é gasto a formá-los a cada ciclo nutritivo (e, pois, a cada refeição). Além disso, essas resinas são importantes na absorção dos lípidos. Medicamentos: Ezetimiba, Niacina.

Cuidados de Enfermagem

As Estatinas de semivida curta (sinvastatina, lovastatina, fluvastatina de libertação imediata e pravastatina) – A biossíntese do colesterol varia durante o dia, alcançando um pico máximo entre a meia noite e as 5 – 6 h da manhã.

Por isso, tipicamente, é recomendado que estas sejam administradas à noite, o que é apoiado pela maioria dos dados.

Se tomadas duas vezes ao dia a administração será de manhã e à noite. Os alimentos aumentam a absorção da lovastatina, devendo ser administrada ao jantar.

Apesar da semivida curta, algumas fontes indicam que a pravastatina pode ser administrada a qualquer momento do dia. Contudo, em alguns estudos a toma noturna é mais efetiva.

As Estatinas de semivida longa (atorvastatina, pitavastatina, rosuvastatina e fluvastatina de libertação prolongada) – Podem ser administradas a qualquer momento do dia.

Neste caso, parece apropriado permitir ao doente a escolha do tempo de administração, importante fator para favorecer a adesão à terapêutica, especialmente no caso de polimedicados.

Referências:

  1. Class Comparison: Statins (Selected). Last Modified: May 12, 2016; IBM Micromedex® DRUGDEX® (electronic version). IBM Watson Health, Greenwood Village, Colorado, USA. Disponivel em:  https://www.micromedexsolutions.com/ 
  2. Awad K, Banach M. The optimal time of day for statin administration: a review of current evidence. Curr Opin Lipidol. 2018;29(4):340-345.
  3. Awad K., Serban MC, Penson P, Mikhailidis DP, Toth PP, Jones SR, et al. Effects of morning vs evening statin administration on lipid profile: A systematic review and meta-analysis. J Clin Lipidol. 2017;11(4):972-985.e9.
  4. Izquierdo-Palomares JM, Fernandez-Tabera JM, Plana MN, Añino Alba A, Gómez Álvarez P, Fernandez-Esteban I, et al. Chronotherapy versus conventional statins therapy for the treatment of hyperlipidaemia. Cochrane Database Syst Rev. 2016 Nov 26;11:CD009462. [acedido a 29/05/2018]. Disponível em: http://cochranelibrary-wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD009462.pub2/epdf/standard
  5. Rosenson R. Statins: Actions, side effects, and administration, Last updated mar 2018. UpToDate®. 2018, Wolters Kluwer Clinical Drug Information, Inc. Disponível em: http://www.uptodate.com
  6. Infomed. Infarmed Disponível em: http://app7.infarmed.pt/infomed/

Aquecer Fluídos Intravenosos no Micro-Ondas: Saiba por que não deve fazer isso!

O aquecimento de soluções intravenosas e subcutâneas pode ser fundamental para prevenir a hipotermia pós-operatória, já que a diminuição da temperatura corporal por líquidos frios pode ser significante quando grandes volumes de soluções parenterais são administrados.

A hipotermia é uma complicação comum na ressuscitação fluídica da hipovolemia dos pacientes. Os fluidos intravenosos (IV) quentes demonstraram ser um adjunto na reposição de volume para evitar esta complicação.

 O uso de fornos de micro-ondas para aquecer soluções cristaloides intravenosas, como a de cloreto de sódio a 0,9% (solução salina), teve início nos anos 1980.

Apesar de esse ser um método simples, rápido e amplamente disponível, a temperatura inicial não tem sido levada em conta no aquecimento das soluções.

A prática usual é colocar bolsas de 500 ml no forno de micro-ondas e aquecê-las durante 60 segundos à potência máxima; quando bolsas de 1.000 ml são usadas, o tempo é costumeiramente ajustado para 120 segundos.

Como a temperatura final dependerá da inicial, diferenças consideráveis poderão existir caso não sejam usados parâmetros mais precisos. Isso pode levar a soluções insuficientemente ou excessivamente aquecidas.

Uma prática muito comum é a estocagem de fluidos parenterais em depósitos onde a temperatura não é controlada. A temperatura desses fluidos tende a se equalizar com aquela do local onde são armazenados. Isso pode levar a diferenças significantes entre as temperaturas de soluções armazenadas no verão e no inverno.

Aquecer tais soluções com micro-ondas, usando sempre os mesmos ajustes, pode levar a temperaturas finais significativamente diferentes, já que as temperaturas iniciais são também bastante diversas.

O procedimento usual é ajustar os fornos de micro-ondas, de qualquer modelo ou potência, para a potência máxima e aquecer bolsas de 500 ml de solução salina durante um minuto, dobrando esse tempo para bolsas de 1.000 ml, sem considerar a temperatura inicial.

Não existem determinações legais na ANVISA/MS para o uso do forno de micro-ondas para aquecimento de soluções eletrolíticas. Nesse sentido, máquinas automáticas de aquecimento de fluidos intravenosos podem ser usadas, evitando a utilização de fornos de micro-ondas e de cálculos para seu uso, assim como microfissuras na embalagem, queimaduras, trombose venosa e hemólise geradas por superaquecimento.

Referências:

  1. Esnaola NF, Cole DJ. Perioperativenormothermiaduring major surgery: is it important? AdvSurg. 2011;45:249-63;
  2. Bagatini A, Nascimento L. Aquecimento de soluções cristalóides em forno de microondas: segurança e toxicidade. RevBrasAnestesiol. 1997; 47(3):237-44;
  3. Sieunarine K, White GH. Full thicknessburnandvenousthrombosisfollowingintravenousinfusionofmicrowaveheatedcrystalloidfluids. Burns 1996; 22: 658–69;
  4. Meyer et al. Estudo experimental do aquecimento adequado de solução cristaloide por micro-ondas e dedução de equação para seu cálculo. RevBrasCirPlást. 2012;27(4):518-22;