Capurro na Prática: Saiba Calcular a Idade Gestacional

capurro

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 22/09/2026.

Na neonatologia, alguns minutos de avaliação podem ajudar a responder uma pergunta importante: qual é a idade gestacional aproximada deste recém-nascido? O método de Capurro faz essa estimativa observando sinais de maturidade física e, em uma de suas versões, também sinais neurológicos.

O método é especialmente útil quando a idade gestacional obstétrica não está disponível ou precisa ser complementada. Entretanto, quando existe uma datação obstétrica confiável, principalmente obtida por ultrassonografia no primeiro trimestre, ela continua sendo uma referência importante para estabelecer a idade gestacional.

O que o método de Capurro avalia

Existem duas formas principais:

Capurro somático: avalia cinco características físicas:

  • forma do pavilhão auricular;
  • tamanho da glândula mamária;
  • formação do mamilo;
  • textura da pele;
  • pregas plantares.

Capurro somático-neurológico: utiliza quatro características somáticas — excluindo a formação do mamilo — e acrescenta dois sinais neurológicos: sinal do xale e posição da cabeça ao levantar o recém-nascido.

O método foi desenvolvido como uma simplificação da avaliação de maturidade neonatal e continua sendo utilizado como ferramenta clínica. Sua aplicação é tradicionalmente indicada para recém-nascidos com 29 semanas ou mais; para prematuros muito pequenos, outros métodos, como o New Ballard, podem ser mais apropriados conforme o protocolo neonatal.

Como fazer o cálculo?

No Capurro somático, soma-se a pontuação dos cinco parâmetros e acrescenta-se a constante 204. O resultado corresponde à idade gestacional em dias.

Fórmula:

IG = (soma dos pontos + 204) ÷ 7

No Capurro somático-neurológico, utiliza-se a soma dos quatro parâmetros somáticos e dos dois neurológicos, acrescentando a constante 200.

Fórmula:

IG = (soma dos pontos + 200) ÷ 7

A divisão por 7 transforma o resultado em semanas. O desvio padrão descrito para o método é de aproximadamente ±8,4 dias, portanto o resultado deve ser interpretado como uma estimativa clínica, e não como uma datação exata.

Exemplo rápido

Imagine um recém-nascido avaliado pelo Capurro somático com 43 pontos.

43 + 204 = 247 dias

247 ÷ 7 = 35 semanas

Nesse caso, a estimativa pelo método é de aproximadamente 35 semanas de idade gestacional.

Atenção à escolha da versão

Esse é um detalhe que costuma aparecer em provas e também faz diferença na assistência. A versão somática utiliza cinco sinais físicos e pode ser usada quando a avaliação neurológica não é adequada. Já a versão somático-neurológica acrescenta informações relacionadas ao tônus e à maturidade neurológica.

Por isso, não é correto simplesmente aplicar uma fórmula única a todos os recém-nascidos. A escolha deve considerar as condições clínicas do bebê e o protocolo utilizado no serviço. O Ministério da Saúde descreve o Capurro somático como uma alternativa particularmente útil quando a DUM não é conhecida.

Na rotina neonatal, um recém-nascido que acabou de nascer e apresenta depressão importante pode não ser o melhor candidato para uma avaliação que dependa de respostas neurológicas confiáveis. Nessa situação, a equipe precisa considerar a condição clínica antes de escolher o método de estimativa.

Capurro não substitui uma boa datação obstétrica

É importante não inverter a lógica. O exame físico do recém-nascido é uma estimativa pós-natal da maturidade, enquanto a idade gestacional já determinada durante o pré-natal pode oferecer uma referência mais adequada.

A ultrassonografia realizada no primeiro trimestre, especialmente pela medida do comprimento cabeça-nádega, é considerada o método mais preciso para estabelecer ou confirmar a idade gestacional quando disponível.

Quando a DUM é desconhecida ou pouco confiável e não existe uma ultrassonografia precoce, o Capurro pode assumir maior importância na avaliação neonatal. Estudos brasileiros também demonstraram que diferentes métodos de estimativa podem produzir resultados diferentes, reforçando a necessidade de interpretar o valor dentro do contexto clínico.

Cuidados de enfermagem

Durante a avaliação do recém-nascido, a enfermagem deve:

  • realizar o exame em ambiente aquecido e com o mínimo de manipulação necessária;
  • observar cuidadosamente pele, orelhas, mamas, mamilo e pregas plantares;
  • realizar as manobras neurológicas somente quando indicadas e de acordo com a técnica;
  • registrar a pontuação e o método utilizado;
  • conferir se o resultado é compatível com a idade gestacional obstétrica disponível;
  • comunicar discrepâncias relevantes à equipe;
  • evitar interpretar o Capurro isoladamente para definir condutas clínicas.

O registro correto é particularmente importante. Não basta anotar apenas “Capurro = 35 semanas”; o método utilizado e a pontuação devem permitir compreender como aquela estimativa foi obtida.

O que memorizar para a prova

Capurro somático: 5 sinais físicos + 204.

Capurro somático-neurológico: 4 sinais físicos + sinal do xale + posição da cabeça + 200.

E um detalhe que evita muita confusão: o resultado é calculado primeiro em dias e depois convertido para semanas dividindo por 7.

Resumo para salvar

Capurro na Prática Saiba Calcular

  • Capurro estima a idade gestacional do recém-nascido
  • O método somático usa cinco características físicas
  • O somático-neurológico acrescenta dois sinais neurológicos
  • A fórmula utiliza as constantes 204 ou 200

Referências:

  1. CAPURRO, H. et al. A simplified method for diagnosis of gestational age in the newborn infant. The Journal of Pediatrics, v. 93, n. 1, p. 120-122, 1978. Disponível em: PubMed – Capurro et al.. 
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. Volume I – Cuidados gerais. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Disponível em: Ministério da Saúde – Atenção à Saúde do Recém-Nascido. 
  3. DA POIAN, V. et al. Estimation of the gestational age of the newborn infant by Capurro’s method by the nurses and physicians working in the Neonatology Unit of Porto Alegre Clinical Hospital. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 5, n. 2, p. 287-298, 1984. Disponível em: PubMed – Estimation of gestational age by Capurro. 
  4. AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS. Methods for Estimating the Due Date. Washington, DC: ACOG. Disponível em: ACOG – Methods for Estimating the Due Date. 

Sulfato de Magnésio na Pré Eclâmpsia

sulfatação gestante

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Conteúdo Atualizado! Revisado e atualizado em 18/09/2026.

Na obstetrícia, o detalhe que mais importa durante a “sulfatação” não está apenas na dose do medicamento, mas no que acontece ao redor dela. Enquanto o sulfato de magnésio reduz o risco de convulsões, a equipe precisa acompanhar respiração, reflexos, diurese e pressão arterial, porque a mesma medicação que protege contra a eclâmpsia pode causar toxicidade quando não é monitorizada adequadamente.

O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para prevenção e tratamento da eclâmpsia e pode ser indicado em situações de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, conforme avaliação clínica e protocolo institucional. Ele não substitui o tratamento da hipertensão arterial grave. A Organização Mundial da Saúde destaca que o medicamento reduz substancialmente o risco de eclâmpsia.

O que significa “sulfatar”

“Sulfatar” é uma expressão usada na prática para indicar a administração de sulfato de magnésio à gestante ou puérpera com indicação obstétrica. O objetivo é anticonvulsivante: prevenir uma primeira convulsão em situações de risco ou evitar recorrência após um episódio de eclâmpsia.

Por isso, não é correto explicar a sulfatação como uma forma de “baixar a pressão”. A pressão arterial grave precisa ser tratada com anti-hipertensivos apropriados, enquanto o sulfato de magnésio atua principalmente na prevenção e controle das convulsões.

Esquemas mais utilizados

Os protocolos brasileiros apresentam principalmente dois esquemas: Pritchard, que combina administração intravenosa e intramuscular, e Zuspan, exclusivamente intravenoso.

No esquema de Pritchard, a dose de ataque é de 4 g IV lentamente, seguida de 10 g IM, sendo 5 g em cada nádega. A manutenção é de 5 g IM a cada 4 horas. No esquema de Zuspan, a dose de ataque é de 4 g IV lentamente, seguida de manutenção de 1 g/h em infusão intravenosa contínua, geralmente em bomba de infusão. A escolha deve seguir o protocolo do serviço e a apresentação disponível do medicamento.

Um ponto que costuma gerar erro na prática é olhar apenas para “8 mL” e esquecer a concentração. Uma ampola de sulfato de magnésio a 50% com 10 mL contém 5 g; portanto, a quantidade em mililitros depende diretamente da concentração disponível. A conferência deve ser feita antes da administração, e a diluição e velocidade precisam seguir a prescrição e o protocolo institucional.

Monitorização durante a sulfatação

A segurança depende de observar sinais clínicos antes e durante a manutenção. Entre os parâmetros mais importantes estão:

  • frequência respiratória;
  • reflexos patelares;
  • débito urinário;
  • nível de consciência;
  • pressão arterial e demais sinais vitais.

A redução ou ausência do reflexo patelar, depressão respiratória e oligúria são sinais de alerta para toxicidade e exigem avaliação imediata da equipe. A eliminação do magnésio ocorre principalmente pelos rins, por isso a diurese é particularmente importante durante o tratamento.

Em um cenário de emergência obstétrica, não basta saber que a paciente está “sulfatando”. Antes de iniciar ou manter a infusão, é necessário conferir concentração, dose prescrita, acesso venoso, bomba quando indicada e condições clínicas para continuidade. Esse cuidado evita um erro muito comum: tratar a administração do medicamento como se fosse apenas mais uma infusão de rotina.

Gluconato de cálcio: deixe preparado

O gluconato de cálcio é utilizado como antagonista nos casos de toxicidade pelo sulfato de magnésio. Por isso, o material deve estar disponível conforme o protocolo do serviço, principalmente quando a paciente está recebendo manutenção intravenosa.

Se surgirem sinais compatíveis com toxicidade, a administração do magnésio deve ser interrompida e a equipe médica deve ser acionada imediatamente, com suporte das medidas de emergência previstas no protocolo. O gluconato de cálcio não deve ser confundido com um medicamento administrado rotineiramente junto ao sulfato de magnésio; ele fica disponível para uma eventual situação de intoxicação.

E se ocorrer uma convulsão?

Durante uma crise convulsiva, a prioridade é proteger a paciente, manter a via aérea e reduzir o risco de trauma. A gestante deve ser posicionada de forma segura, com atenção à oxigenação, acesso venoso e monitorização, enquanto o sulfato de magnésio é utilizado para tratamento da eclâmpsia conforme protocolo.

Não se deve colocar objetos ou medicamentos dentro da boca durante a convulsão. Depois da estabilização inicial, a equipe deve investigar complicações maternas e avaliar as condições fetais, além de conduzir a resolução obstétrica conforme o caso.

Na prática, é justamente nesse momento que a preparação anterior faz diferença: acesso venoso funcionando, sulfato de magnésio disponível, gluconato de cálcio acessível, material de oxigenoterapia e equipamentos de emergência próximos reduzem atrasos quando a situação muda rapidamente. Um POP obstétrico atualizado de 2025 também orienta manter materiais de suporte e reanimação disponíveis diante de crises convulsivas.

Cuidados de enfermagem

Durante a administração do sulfato de magnésio, a enfermagem deve conferir cuidadosamente a prescrição, concentração, via, diluição e velocidade de infusão; monitorar frequência respiratória, reflexos, diurese e sinais vitais; manter o acesso venoso em condições adequadas; observar alterações neurológicas e respiratórias; e garantir que o gluconato de cálcio esteja disponível conforme o protocolo institucional.

Também é importante registrar horário, dose, via, resposta da paciente e alterações observadas. Em caso de deterioração clínica, a comunicação rápida com a equipe é parte essencial da segurança.

Para guardar

Sulfato de magnésio previne e trata convulsões. Não é o medicamento usado para controlar diretamente a pressão arterial.

Na pré-eclâmpsia e na eclâmpsia, administrar corretamente é apenas uma parte do cuidado. A outra é reconhecer rapidamente os sinais de toxicidade e manter a paciente sob vigilância contínua.

Resumo para salvar

Sulfato de Magnésio na Pré-Eclâmpsia

  • Sulfato de magnésio previne e trata convulsões
  • Pritchard e Zuspan são esquemas utilizados na prática
  • Monitore respiração reflexos e diurese
  • Mantenha gluconato de cálcio disponível conforme protocolo

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Pré-natal de baixo risco: situações de urgência – síndromes hipertensivas na gestação. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Acessar protocolo do Ministério da Saúde
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Gestação de alto risco: manual técnico. Brasília, DF: Ministério da Saúde. Acessar manual do Ministério da Saúde
  3. WORLD HEALTH ORGANIZATION. Pre-eclampsia. Geneva: WHO, 2025. Acessar publicação da OMS
  4. HOSPITAL UNIVERSITÁRIO LAURO WANDERLEY. POP.UMUL.001 – Administração de sulfato de magnésio a 50% na pré-eclâmpsia, eclampsia e síndrome HELLP. João Pessoa: HULW/Ebserh, 2025. Acessar POP atualizado

Fator Rh na Gestação: A Vacina ROGAN

A imunoglobulina anti Rh(D) (conhecida como vacina Rogan) é utilizada para prevenir a sensibilização materna ao fator sanguíneo de um bebê Rh positivo quando a mãe possui o fator Rh negativo. Esta condição também é conhecida por incompatibilidade sanguínea.

Com a vacina, que contém anticorpos IgG específicos contra antígenos Rh(D) de eritrócitos humanos, a gestante de fator sanguíneo Rh negativo, previne a produção de anticorpos que combatem o Rh positivo do feto e a gravidez transcorre normalmente sem risco para a mãe e para o bebê.

O fator Rh pode afetar o curso da primeira gestação?

O Rh negativo da mãe não vai gerar doenças genéticas no bebê ou aborto durante a primeira gravidez. A maioria dos abortos do primeiro trimestre ocorrem devido a uma alteração cromossômica, por isso, é importante analisar o material de aborto e conversar com o médico de sua confiança sobre outros exames para auxiliá-la a prevenir a repetição da perda em uma próxima gestação.

Indicações para a vacina Rogan

A administração da imunoglobulina anti Rh(D) em mulheres Rh(D)negativas é indicada nos seguintes casos:

  • Gravidez/parto de criança Rh(D) positiva;
  • Aborto /ameaça de aborto, gravidez ectópica ou mola hidatiforme;
  • Hemorragia transplacentária resultante de hemorragia anteparto, amniocentese, biópsia coriônica, procedimentos de manipulação obstétrica, por exemplo, versão externa ou trauma abdominal;
  • Tratamento de pessoas Rh(D)negativas após transfusões incompatíveis de sangue Rh(D)positivo ou outros produtos contendo células vermelhas do sangue.

Rogan e interações com medicamentos

A imunoglobulina anti Rh(D) não apresenta interações com outros medicamentos conhecidos até o momento, porém sabe-se que ela pode prejudicar a eficácia de vacinas de vírus vivos atenuados, tais como: sarampo, rubéola, caxumba e catapora, por períodos de 6 semanas a 3 meses. Com o uso de altas doses, este efeito pode persistir por mais de um ano.

Reações adversas

Como geralmente ocorre na administração de preparações de imunoglobulina, reações alérgicas moderadas e passageiras, incluindo as sensações de calor, dor de cabeça, calafrios e náuseas, podem ocorrer ocasionalmente. É importante avisar seu médico sobre qualquer mal-estar.

Referência:

  1. DE MEDEIROS, Raquel Trovão et al. USE OF ROGAN VACCINE DURING PRENATAL CARE IN RH NEGATIVE WOMEN: THE HEALTHCARE PROFESSIONALS’KNOWLEDGE. Journal of Nursing UFPE/Revista de Enfermagem UFPE, v. 5, n. 6, 2011.

Curetagem: Para que serve?

A Curetagem Uterina é um procedimento médico executado em unidade hospitalar, sob anestesia geral ou locorregional, que objetiva retirar material placentário ou endometrial da cavidade uterina por um instrumento denominado cureta.

Seu Objetivo

Limpar o útero através da remoção de restos de um aborto incompleto ou da placenta após o parto normal, ou ainda ser utilizado como exame diagnóstico, recebendo o nome de curetagem endocervical semiótica.

Desconforto

A curetagem como forma de tratamento é procedimento muito doloroso e por isso durante todo o procedimento a mulher deve estar sedada ou anestesiada para que não sinta dor ou desconforto.

No entanto, a dor ou desconforto abdominal pode surgir após o procedimento e permanecer por cerca de 5 a 7 dias, sendo recomendado tomar analgésicos, como a Dipirona ou Ibuprofeno, para aliviar os sintomas.

A Indicação do Procedimento

A curetagem uterina pode ser indicada para as seguintes situações:

  • Retirada de restos ovulares em caso de aborto;
  • Retirada de restos da placenta após o parto normal;
  • Para remover o ovo sem embrião;
  • Para remover pólipos uterinos;
  • Aborto retido ou infectado, quando os restos encontram-se ali por mais de 8 semanas;
  • Quando o embrião não se desenvolve corretamente, como na mola hidatiforme.

Antes de iniciar a curetagem o médico pode indicar o uso de um remédio chamado Misoprostol que induz a contração uterina, facilitando a retirada do seu conteúdo. Esse cuidado é especialmente indicado quando é preciso remover os restos de um  aborto com feto com mais de 12 semanas ou com mais de 16 cm.

O uso desse remédio só deve ser realizado dentro da clínica ou hospital, horas antes de iniciar a curetagem.

O procedimento

A curetagem uterina deve ser feita pelo ginecologista em uma clínica ou hospital, através da introdução de uma cureta, um instrumento cirúrgico, pela vagina para que seja feita uma raspagem das paredes do útero.

Outra forma de curetagem é a introdução de uma cânula de aspiração que é um mecanismo de vácuo, que suga todo conteúdo uterino.

Normalmente o médico opta por utilizar as duas técnicas no mesmo procedimento, começando com o vácuo inicialmente e depois faz a raspagem das paredes do útero, para retirar o conteúdo de forma mais rápida e mais segura.

Este procedimento pode ser feito sob raquianestesia ou sedação quando é usado como para limpar restos de um aborto, por exemplo.

Esta raspagem das paredes do útero pode ser feito com ou sem a dilatação prévia do canal cervical dependendo do tamanho do conteúdo que será retirado e durante todo procedimento o médico deve observar o interior do útero numa tela. Geralmente são usadas varetas com espessura cada vez maior até permitir a entrada e saída da cureta sem ferir o colo uterino e as paredes do útero.

A mulher deve ficar em observação durante algumas horas, mas nem sempre há necessidade de internamento hospitalar, à menos que ocorra alguma complicação. Após o procedimento a mulher pode ir para casa, mas não deve dirigir porque deve estar sonolenta ou com dor de cabeça devido a sedação.

Segundo estudos recentes, a curetagem é o procedimento cirúrgico mais realizado pelo Sistema Único de Saúde brasileiro.

Referências:

  1. O Estadão: Curetagem após aborto é a cirurgia mais realizada no SUS, revela estudo;
  2. Saciloto, Marcio Pedroso, et al. “Aspiração manual intrauterina no tratamento do abortamento incompleto até 12 semanas gestacionais: uma alternativa à curetagem uterina.” Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 33.10 (2011): 292-296.

 

Distocia Fetal

A Distocia fetal é a ocorrência de anormalidades de tamanho ou posição fetal, resultando em dificuldades no parto. O diagnóstico é feito por exame clínico, ultrassonografia ou pela resposta à evolução do trabalho de parto.

Pode ocorrer quando o feto é:

  • Muito grande para a abertura pélvica (desproporção fetopélvica);
  • Anormalmente posicionado (p. ex., apresentação pélvica).

O tratamento é feito por manobras físicas para reposicionamento fetal, parto operatório vaginal ou cesariana.

Tipos de Apresentações Anormais

Apresentação occiptoposterior

A apresentação fetal anormal mais comum é a occiptoposterior. O pescoço fetal é, normalmente, um pouco defletido; e assim, um maior diâmetro do polo cefálico deve passar através do canal de parto.

Muitas apresentações occiptoposteriores necessitam de parto operatório vaginal ou cesariana.

Apresentação de face ou fronte

Na apresentação de face, a cabeça é hiperestendida, e a posição é designada pela posição do queixo (mento). Quando o queixo é posterior, é menos provável que a cabeça rotacione e, menos ainda, o parto vaginal, necessitando de cesariana. A apresentação da fronte, muitas vezes, converte-se espontaneamente na apresentação de vértice ou face.

Apresentação pélvica

A 2ª apresentação fetal anormal mais comum é a pélvica (região glútea antes da cabeça). Há vários tipos:

  • Pélvica verdadeira: os quadris estão flexionados e os joelhos estendidos;
  • Pélvica completa: O feto parece estar sentado com quadris e joelhos flexionados;
  • Apresentação pélvica incompleta: uma ou ambas as pernas estão completamente estendidas e presentes antes da região glútea;

A apresentação pélvica constitui-se em problema, visto que a porção insinuada contribui muito pouco para a dilatação cervical, o que pode ocasionar o encarceramento do polo cefálico na hora do parto, frequentemente comprimindo o cordão umbilical.

A compressão do cordão umbilical pode causar hipoxemia fetal. A cabeça do feto pode comprimir o cordão umbilical, se este for visível no introito, em particular em primíparas, nas quais o períneo não foi afrouxado por partos anteriores.

Fatores de Risco

Os fatores predisponentes à apresentação pélvica incluem:

  • Trabalho de parto pré-termo;
  • Alterações uterinas;
  • Anomalias fetais;

Se o parto é vaginal, a apresentação pélvica pode aumentar o risco de:

  • Trauma no nascimento;
  • Distócia;
  • Morte perinatal.

Prevenção

A prevenção das complicações é mais eficiente e fácil do que seu tratamento, assim a apresentação pélvica precisa ser identificada antes do parto.

A cesariana, normalmente, é realizada com 39 semanas ou quando a mulher entra em trabalho de parto, embora a versão cefálica externa possa, algumas vezes, mover o feto para a apresentação cefálica antes do trabalho de parto, geralmente com 37 ou 38 semanas.

Esta técnica envolve pressionar delicadamente o abdome materno para reposicionar o feto. Uma dose tocolítica de ação rápida (terbutalina, 0,25 mg por via subcutânea) pode auxiliar algumas mulheres. A taxa de sucesso é, aproximadamente, de 50 a 75%.

Posição transversa

A apresentação fetal é dita transversa quando o eixo longitudinal fetal encontrar-se oblíquo ou perpendicular, em vez de paralelo, ao eixo longitudinal materno. A apresentação córmica requer cesariana, a menos que o feto seja o 2º gemelar.

Distocia do ombro

Nesta rara condição, a apresentação é cefálica, mas o ombro anterior do feto torna-se alojado atrás da sínfise púbica depois do parto da cabeça fetal, dificultando o parto vaginal. A distocia de ombro é identificada após o desprendimento do polo cefálico, quando a cabeça parece estar sendo puxada de volta em direção à vulva (sinal da tartaruga).

Os fatores de risco incluem:

  • Um feto grande;
  • Obesidade materna;
  • Diabetes melito;
  • Distocia do ombro prévia;
  • Parto vaginal operatório;
  • Trabalho de parto rápido;
  • Trabalho de parto prolongado;
  • O risco de morbidade (p. ex., lesão do plexo braquial, fraturas ósseas) e mortalidade neonatal é maior.

Depois de reconhecida a distocia de ombro, a equipe auxiliar é convocada para a sala de parto e várias manobras são realizadas sequencialmente para se desprender o ombro anterior:

  • As coxas são abduzidas e hiperflexionadas para alargar a pelve (manobra de McRobert) e aplica-se pressão suprapúbica auxiliar para rotacionar e desprender o ombro anterior. Evita-se pressão sobre o fundo uterino, porque pode piorar a situação ou causar ruptura uterina;
  • O obstetra introduz uma mão na parede vaginal posterior e pressiona o ombro posterior para rotacionar o feto em qualquer direção de maior facilidade (manobra de Woods);
  • O obstetra insere uma mão pela concavidade do sacro, pressiona o cotovelo posterior em direção ao sacro e apreende o antebraço e a mão, puxando-os para fora para desprender a totalidade do membro superior posterior;
  • Essas manobras aumentam o risco de fratura do úmero ou clavícula. Algumas vezes, a clavícula é intencionalmente fraturada em direção oposta ao pulmão fetal para desprender o ombro. Pode-se realizar episiotomia em qualquer momento para facilitar as manobras.

Se todas as manobras forem ineficazes, o obstetra flexiona a cabeça do feto e inverte os movimentos cardinais do trabalho de parto, reposicionando a cabeça do feto de volta na vagina ou útero (manobra de Zavanelli); então é realizado o parto por cesariana.

Referência:

  1. Febrasgo

Linha Nigra: Por que aparece?

A linha nigra é uma marca vertical que aparece na barriga de 90% das gestantes e pode ter uma coloração mais suave e quase imperceptível, ou escura e bem marcada. Ela pode aparecer apenas na parte inferior ao umbigo ou em toda a extensão abdominal, e geralmente possui uma espessura de aproximadamente 1 cm.

Quais as principais causas?

A marca é uma mudança completamente normal e a principal causa são as alterações hormonais durante a gravidez, como o aumento da produção de melanina, que faz com que essa área da barriga, onde a pele é distendida, fique hiperpigmentada.

Além da linha nigra, outras regiões do corpo podem apresentar mudanças no tom da pele e manchas, como a face, os seios, as axilas e a parte interna das coxas.

Quando acontece?

A linha nigra costuma surgir no segundo trimestre de gestação. A partir da oitava semana, é possível notar uma sombra que vai escurecendo até virar a linha divisória na barriga da mamãe.

Quando desaparece?

Geralmente, a linha nigra tende a sumir de forma natural até 12 semanas após o parto. Entretanto, mulheres morenas demoram um pouco mais para perder a marca vertical, com a possibilidade de que não suma.

Que cuidados deve ter?

Mesmo sendo uma mudança natural, é importante ter alguns cuidados com a linha nigra durante a gravidez:

  • Exposição solar: evite tomar sol entre 10h e 16h, e nos outros momentos utilize bastante protetor solar.
  • Pele hidratada: passe creme hidratante na pele todos os dias, para ajudar a manter a elasticidade e facilitar a recuperação após o parto. Além disso, beba bastante água.

Se a mamãe achar necessário, pode consultar um médico dermatologista após o nascimento do bebê para informar-se sobre os tratamentos indicados.

Referência:

  1.  Mandelbaum SH. Dermatologia na gestante. In: Cuce LC, Festa Neto C. Manual de dermatologia. 2a. ed. São Paulo: Atheneu; 2001. Cap. 31. p. 549-53.

Nomenclatura Obstétrica

É importante aos estudantes, acadêmicos e profissionais de saúde a compreensão do conjunto de definições que são utilizadas em perinatologia e ginecologia.

A inserção nos domínios destas disciplinas impõe a utilização frequente destes termos, estes, por sua vez são utilizados quase que universalmente nas instituições de saúde do mundo.

Os principais Objetivos

O aluno seja capaz de compreender e definir:

  • A gestante segundo o numero de gestações e de partos;
  • Os tipos de gestações segundo a idade gestacional;
  • Os tipos de parto, segundo a resolução e idade gestacional;
  • O que é situação, apresentação, posição e variedade de posição;
  • Citar e localizar os pontos de referência maternos e fetais;
  • Localizar e descrever as variedades de posição numa apresentação cefálica fletida e nas defletidas de 1º, 2º e 3º graus.

Classificação de Gestação, Tipos de Parto e Gestante

Gestação (prenhez ou gravidez) É o estado peculiar à mulher que concebeu e no qual evolui o produto da concepção.

Tipos de gestação Segundo a idade gestacional) – a partir do 1º. dia da última menstruação.

  • Gestação pré-termo: correspondente àquela que dura menos de 37 semanas (menos de 259 dias).
  • Gestação a termo: correspondente à gestação de 37 semanas completas a 42 semanas incompletas de duração.
  • Gestação Pós-Termo (Prolongada): corresponde a 42 semanas ou mais.

Tipos De Parto

1. Segundo a idade gestacional

  • Aborto – perda de uma gravidez no início, em geral antes da 20ª semana de gravidez. Pode ser espontâneo ou induzido (RICCI, 2008).
  • Parto pré-termo – parto ocorrido entre a 20ª e a 37ª semanas de gravidez (IBDEM).
  • Parto a termo – parto ocorrido entre a 37 semanas completas e 42 semanas incompletas de gravidez.
  • Parto pós-termo – parto ocorrido com 42 semanas completas ou mais.

2. Segundo a sua evolução e resolução

A. Via baixa:

  • Espontâneo ou natural: parto que evolui espontaneamente, sem qualquer intervenção.
  • Induzido: provocado por medicamentos ou manobras.
  • Dirigido: parto com a participação ativa do(a) obstetra (amniotomia, tocoanalgésicos, ocitócitos, episiotomia) em seu desenrolar.
  • Normal ou eutócico: parto que transcorre fisiologicamente.
  • Distócico: parto patológico, que é perturbado por condições anômalas.
  • A fórcipe: parto onde um instrumento de preensão e tração é utilizado para a extração da cabeça fetal.

B. Via alta:

  • Cesária – extração do feto por via abdominal após incisão no útero.
  • Cesárea segmentar – a abertura no útero é feita ao nível do segmento inferior, abaixo do peritôneo.
  • Cesárea corporal – incisão vertical na parede uterina até o fundo uterino.

Reservada para os casos mais graves e raros, pois pode favorecer a rotura uterina (nas próximas gestações).

Classificação da Gestante

1. Segundo o N º de Gestações

  •  Primigesta (Primigrávida) descreve amulher que se encontra grávida pela primeira vez (RICCI, 2008);
  • Secundigesta: descreve a gestante na segunda gestação (IBDEM);
  • Tercigesta: mulher que se encontra grávida pela 3ª vez;
  • Quartigesta: mulher que se encontra grávida pela 4ª vez;

E assim por diante…

2. Segundo o N º de Partos

  • Nulípara: Mulher que já mais deu à luz (REZENDE; MONTENEGRO, 2005)
  • Primípara: Mulher que deu à luz apenas uma vez a feto (com 20 semanas ou mais) vivo ou morto. (RICCI, 2008)
  • Paucípara: mulher que pariu poucas vezes (até 3 vezes) (REZENDE; MONTENEGRO, 2005)
  • Multípara: Mulher que deu à luz 2 ou mais vezes. (DELASCIO & GUARIENTO, 1994)

Estática fetal ou Relações Utero-fetais 

É o estudo das relações entre:

  • produto da concepção;
  • Bacia materna;
  • Útero materno.

Atitude Fetal É a relação entre as diferentes partes entre si. A Atitude é de flexão generalizada: da coluna vertebral para diante, com a cabeça levemente fletida, e com as coxas sobre a bacia, com isso o concepto fica com a forma de um ovóide, com duas extremidades ou pólos: cefálico e pélvico.

Ovóide Córmico É o conjunto de tronco e membros superiores e inferiores.

Situação Fetal Relação entre o maior eixo fetal com o maior eixo materno (coluna vertebral).

Pode ser: Longitudinal (eixos coincidentes), Oblíqua e Transversa (eixos perpendiculares).

Apresentação É a parte fetal que ocupa a área do estreito superior da bacia e nela se insinuará.

Só é definitiva nos últimos meses.

Na situação longitudinal a apresentação pode ser cefálica ou pélvica.

A apresentação cefálica pode ser: fletida, defletida de 1º, 2º e 3º grau.

A apresentação pélvica pode ser:

  • Completa (pelvipodálica);
  • Incompleta, Modo de nádega (pélvica simples);
  • Incompleta, variedade de pés ou joelhos (pélvica com procidência de pés ou joelhos).

Na situação transversal (o maior eixo da cavidade uterina é perpendicular ao maior eixo fetal) – 0,5% dos casos – a apresentação será córmica.

Posição é a relação do dorso fetal com o lado esquerdo ou direito materno.

Ex.: a posição será Esquerda, quando o dorso fetal se acha voltado para o lado esquerdo da mãe.

Variedade de Posição É a relação dos pontos de referência maternos com os pontos de referências fetais.

Pontos de Referência Maternos

Os pontos de referência maternos são: Pube, Eminências ileopectíneas, Diâmetro Transverso Médio, Sinustose Sacro-ilíaca e Sacro (Promontório).

Pontos de Referência Fetais

Os pontos de referência fetais são:

  • Occipício (Lâmbda) – na apresentação fletida;
  • Bregma – na apresentação defletida de 1º grau;
  • Naso (Glabela) – na apresentação defletida de 2º grau e Mento – na defletida de 3º grau;
  • Cristasacrococcígea – apresentação pélvica;
  • Acrômio – apresentação córmica.

As variedades de posição, possíveis numa apresentação cefálica fletida são:

  • OEA – occípito E anterior
  • OEP – occípito E posterior
  • ODA– occípito D anterior
  • ODP– occípito D posterior
  • ODT– occípito D Transversa
  • OET– occípito E Transversa
  • OP – occípito Pube
  • OS – occípito Sacro

A linha de orientação numa apresentação cefálica fletida é a sutura sagital.

Altura da apresentação Durante a gestação a apresentação só terá relação direta com a bacia no início do trabalho de parto, ou nos dias que o precedem.

Os graus evolutivos desta relação com a pelve materna, de acordo com a altura da apresentação são:

  • Alta e móvel (quando a apresentação não toma contato com o estreito superior da bacia);
  • Ajustada (apresentação ocupando a área do estreito superior);
  • Fixa (Não se consegue mobiliza-la na palpação);
  • Insinuada (Quando a maior circunferência da apresentação já ultrapassou a área do estreito superior).

Insinuação ou encaixamento É a passagem do maior plano perpendicular à linha de orientação (biparietal nas apresentações cefálicas e bitrocanteriano nas pélvicas) pelo estreito superior da bacia. Para expressar a altura da apresentação usamos o critério de DeLee, considerando a linha entre as espinhas isquiáticas como plano Zero. Se a apresentação fetal for palpada (pelo toque vaginal) acima das espinhas esquiáticas, dá-se um número negativo.

Se a apresentação for palpada abaixo das espinhas isquiáticas maternas dá-se um número positivo, que denota quantos centímetros há abaixo da situação zero (RICCI, 2008). Quando a apresentação estiver 1 cm acima do plano zero, a altura é expressa como “-1”, 2 cm acima do plano zero, expressa-se a altura como “-2” e assim por diante, até o plano “-5”.

Se a apresentação estiver abaixo do plano zero, cerca de 1 cm, sua altura será de +1, até atingir +5.

Termos comumente utilizados em obstetrícia

  • Abcesso e Cisto da Glândula de Bartholin: As glândulas de Bartholin são semelhantes às glândulas dos mamíferos. Estão localizadas profundamente na vulva. As alterações inflamatórias secundárias à infecção e obstrução do ducto são as causas mais comuns de queixas relacionadas a essas glândulas. Tumores originados nessas glândulas são extremamente raros (carcinoma da glândula de Bartholin). As obstruções não inflamatórias dos ductos geralmente são de origem traumática, secundárias a traumatismos do períneo, lacerações obstétricas (durante o parto) ou à episiotomia (corte que, algumas vezes, se realiza no períneo para facilitar a saída do feto);
  • Abdômen em Pêndulo: sin. de ventre em avental;
  • Aborto: é o PRODUTO do Abortamento;
  • Abortamento: Interrupção precoce da gravidez, espontânea ou induzida, seguida pela expulsão do produto gestacional pelo canal vaginal. Expulsão ou extração do útero de um embrião ou feto numa fase da gravidez em que este não é viável (incapaz de vida independente), ou seja, com menos de 500 g (equivalendo a 20 semanas de idade gestacional). Cerca de 12% das gestações humanas terminam espontaneamente no 1.º trimestre, com maior frequência nas primíparas;
  • Abortamento espontâneo: Expulsão do produto da concepção antes que se complete a 20ª semana de gestação sem interferência deliberada;
  • Abortamento habitual: Três ou mais abortos espontâneos consecutivos;
  • Abortamento séptico: Aborto infectado em que há uma disseminação de microrganismos e seus produtos para dentro da circulação sistêmica materna;
  • Abruptio Placentae: Sin. de descolamento prematuro da placenta;
  • Amniocentese: Punção da cavidade amniótica e colheita de líquido amniótico destinado a análise, praticada por volta do terceiro mês da gravidez;
  • Amnioscopia: Exame visual do líquido amniótico, por meio de um endoscópio (amnioscópio) introduzido no colo do útero, realizado em caso de gravidez prolongada; a coloração do líquido permite avaliar o estado do feto;
  • Anemia Eritroblástica do Recém-nascido: Sin. de eritroblastose fetal;
  • Anemia Ferripriva: Anemia devida a um défice da ingestão ou da absorção de ferro, caracterizada por uma descida da concentração corpuscular média de hemoglobina (inferior a 29%) e do ferro sérico (inferior no homem a 59 e na mulher a 37 mg por 100 ml). Sin. de anemia por carência de ferro, anemia ferropénica, anemia sideropénica;
  • Amniótico: Relativo ao âmnios;
  • Âmnios: Membrana fina que reveste o interior da cavidade onde se encontra o feto (cavidade amniótica). V. bolsa das águas. (adj.: amniótico.);
  • Anexite: Inflamação dos anexos do útero vulgarmente designada salpingo-ovarite (a infecção atinge o ovário e a trompa uterina);
  • Anovulatório: Que não é acompanhado pela ovulação. Ex.: ciclo menstrual anovulatório;
  • Antiemético: Que elimina ou previne os vômitos;
  • APGAR (índice de): Método de avaliação global do estado de uma criança ao nascer, fundamentado na pesquisa dos sinais clínicos mais característicos e fáceis de detectar, para realizar um balanço geral. Estes sinais são reunidos num quadro e cotados de acordo com o respectivo grau de gravidade pelos números 0, 1 ou 2 (0 = gravidade máxima); incluem: A = aspecto (coloração); P = pulso (frequência cardíaca); G = contração do rosto (resposta reflexa à estimulação da planta do pé); A = atividade (mobilidade); R = respiração. Considera-se que um total de 10 pontos representa o melhor resultado possível. Ling.: APGAR acrônimo mnemônico dos 5 sinais clínicos estudados: aspecto, pulso, contração do rosto (fr. grimace), atividade, respiração (Apgar, Virginia, pediatra americana, 1909-1974);
  • Apresentação de Nádegas Completa: Em obstetrícia, apresentação de nádegas na qual as pernas se encontram fletidas sobre as coxas e as coxas sobre o abdómen, de forma que os membros inferiores fazem parte da apresentação ao mesmo tempo que as próprias nádegas;
  • Apresentação de Nádegas Incompleta: Em obstetrícia, apresentação de nádegas na qual os membros inferiores estão estendidos diante do tronco, com os pés à altura da cabeça do feto, de forma que as nádegas constituem toda a apresentação;
  • Bacteriúria: Presença de bactérias em número excessivo na urina;
  • Blastocisto: Forma vesicular (blastocele) do embrião dos mamíferos, consecutiva à segmentação do ovo. No embrião humano, o blastocisto constitui-se muito precocemente (6.º dia), no momento da sua implantação na parede uterina;
  • Blastômero: Célula que provém das primeiras divisões do ovo fecundado;
  • Blástula: Fase de desenvolvimento do ovo ou zigoto que se segue à mórula e se caracteriza pela formação de uma cavidade líquida (blastocélio) entre os blastômeros;
  • Blenorragia: Doença contagiosa provocada pelo gonococo (Neisseria gonorrhoea), caracterizada por inflamação das vias geniturinárias, acompanhada por corrimento purulento e dores durante a micção. A transmissão faz-se habitualmente por contato sexual. Sin. de esquentamento (popular). (adj.: blenorrágico, gonorreico.);
  • Caduca: 1) Porção da mucosa uterina que se solta e é expulsa com a placenta após o parto. Sin. de decídua (ou membrana decídua). 2) Por extensão, designa a mucosa do corpo uterino durante a gravidez;
  • Câimbra: 1) Contração involuntária, dolorosa e transitória de um músculo ou grupo de músculos. V. também contratura, convulsão, espasmo. 2) Qualquer dor de tipo espasmódico: câimbra intestinal, câimbra do estômago;
  • Candida Albicans: Fungo saprófito do tubo digestivo do homem e dos animais, que pode, em condições especiais, proliferar em grande número e provocar lesões da pele e das mucosas (sobretudo da mucosa intestinal), durante um tratamento por antibióticos do grupo das tetraciclinas;
  • Candidíase (ou candidose): Afecção aguda, subaguda ou crónica, causada por leveduras pertencentes ao género Candida (sobretudo Candida albicans). A infecção atinge sobretudo a pele e as mucosas e manifesta-se por uma erupção de pequenas pústulas esbranquiçadas. V. sapinhos. Nos indivíduos enfraquecidos ou imunodeprimidos (ex.: no caso da SIDA), a infecção pode estender-se aos órgãos profundos (candidíase broncopulmonar ou urinária) e tornar-se septicémica, provocando complicações neurológicas e cardíacas. Sin. de monilíase (desaconselhado);
  • Carúnculas Mirtiformes: Pequenas saliências carnudas situadas em redor do orifício da vulva; representam aquilo que resta do hímen após o primeiro parto;
  • Circulares do Cordão: Voltas formadas pelo cordão umbilical quando este se enrola em torno do pescoço do feto durante a gravidez;
  • Cisto de Naboth: Pequenos cistos formados pelas glândulas mucíparas obstruídas da mucosa do colo do útero. Ling.: foram denominados «ovos», por Naboth que os tomou por ovos caídos da cavidade uterina e instalados no colo do útero. (Naboth, Martin, anatomista e médico alemão, 1675-1721.)
  • Citomegalovírus: é um vírus do grupo herpesvírus humano, que ocorre em todas as regiões do mundo, variando com as condições socioeconômicas locais. Na gravidez, pode infectar o feto tanto durante a infecção primária materna, quanto durante a reativação da infecção materna presente antes da concepção;
  • Coagulopatia de Consumo: Coagulação intravascular disseminada (pequenos trombos nos capilares periféricos e em diversos órgãos) que provoca uma diminuição do fibrinogênio e de certos fatores de coagulação do sangue (nomeadamente os fatores V e VIII). Observa-se em circunstâncias diversas: intervenções cirúrgicas, complicações obstétricas, estados de choque, ertos cancros, ação tóxica de certos medicamentos;
  • Colo do Útero: Parte do útero que se projeta para dentro da vagina. O canal no seu interior (canal cervical), que liga a cavidade do útero com a vagina, contém normalmente muco, cuja viscosidade muda ao longo do ciclo menstrual. O colo do útero permite uma larga dilatação durante o parto, dando passagem ao nascituro;
  • Colpocistoplastia: Cirurgia plástica realizada na vagina e na bexiga;
  • Colpocitologia: Exame histológico das células recolhidas nos esfregaços obtidos da vagina e do colo do útero. Este processo é utilizado para o diagnóstico hormonal durante os ciclos menstruais, para diagnóstico da vitalidade do ovo durante a gravidez e para diagnóstico precoce do cancro do colo do útero. Sinônimo de Papanicolaou (teste de);
  • Colpoperineorrafia: Sutura das paredes vaginais e do períneo, após rotura, ou para corrigir um prolapso uterovaginal;
  • Colposcopia: Exame visual da vagina e do colo do útero por meio de um instrumento denominado colposcopio. (adj.: colposcópico.);
  • Comissura Posterior dos Pequenos Lábios: Prega cutânea formada pela reunião da extremidade posterior dos pequenos lábios da vulva. Sin.: fúrcula;
  • Condiloma acuminado: Forma de crescimento verrucoso anogenital que é sexualmente transmitido e é causado por papiloma vírus humanos;
  • Conização do Colo do Útero: Excisão ao nível do colo uterino de um fragmento de forma cônica;
  • Contrações Puerperais: Contrações dolorosas do útero que aparecem depois do parto e que favorecem a evacuação das secreções uterinas;
  • Contracepção: Emprego de meios com a finalidade de evitar que as relações sexuais possam provocar a gravidez;
  • Coombs (prova ou teste de): Prova amplamente utilizada para reconhecer a presença de anticorpos incompletos dos grupos sanguíneos do sistema Rh. Identificam-se anticorpos (que são imunoglobulinas) no soro (teste de Coombs indireto) ou nos glóbulos vermelhos do indivíduo examinado (teste de Coombs direto) utilizando um soro antiglobulina proveniente de coelhos imunizados com estes anticorpos, e que provoca a sua aglutinação. Sin. de prova da antiglobulina. (Coombs, Robin, imunologista inglês, 1921-.);
  • Cordão Umbilical: Cordão conjuntivovascular que liga o umbigo do feto à placenta e através do qual se faz a circulação do sangue entre o feto e a placenta;
  • Cório (ou córion). 1) Membrana exterior do ovo dos mamíferos. 2) Camada conjuntiva profunda de uma membrana mucosa ou serosa, subjacente ao epitélio. 3) Camada da pele sob a epiderme. Sin. de derme. (adj.: corial; coriónico.);
  • Corioadenoma: Tumor muitas vezes necrótico e hemorrágico que invade profundamente a parede do útero. Sin. de mola (hidatiforme) maligna;
  • Coriocentese: Colheita de vilosidades coriais (CVC) para diagnóstico pré-natal precoce de eventuais anomalias genéticas;
  • Corpo Amarelo: V. corpo lúteo;
  • Corpo Lúteo: Formação com a função de glândula endócrina, constituída no ovário dos mamíferos, no lugar do folículo ovariano (de de Graaf), após rotura deste último para libertar o óvulo. O corpo lúteo caracteriza-se pela presença de células amarelas com luteína, hormônio atualmente designado por progesterona, que prepara a mucosa uterina para a implantação do óvulo fecundado (corpo lúteo gravídico) ou que favorece a reconstituição da mucosa uterina se o óvulo não for fecundado (corpo lúteo menstrual, que desaparece em cada ciclo);
  • Crista Ilíaca: Bordo superior convexo do osso ilíaco, largo, espesso e rugoso, em forma de S. É engrossado nas suas extremidades, que constituem a espinha ilíaca ântero-superior e a espinha ilíaca póstero-superior;
  • Curetagem: Operação de raspagem que consiste em raspar, com o auxílio da cureta, uma cavidade natural (Ex. útero), uma ferida ou uma cavidade patológica, para extrair o seu conteúdo ou zonas patológicas. A mesma operação efetuada com o auxílio dos dedos desiga-se curagem;
  • Débito Cardíaco: Quantidade de sangue expulso por cada ventrículo num minuto;
  • Decídua: Sin. de caduca;
  • Dilatação: Aumento, espontâneo ou provocado, das dimensões de um órgão oco, do calibre de um canal ou de um orifício. Ex.: dilatação cervical;
  • Dismenorréia: Menstruação difícil e dolorosa;
  • Dispareunia: Dor sentida pela mulher durante as relações sexuais, sem que se produza contração da vagina;
  • Dispnéia: Dificuldade em respirar acompanhada por uma sensação de opressão e de mal-estar;
  • Distopia: Situação anormal de um órgão;
  • Dorsalgia: Dor na região dorsal;
  • Eclampsia: Acidente agudo paroxístico da pré-eclâmpsia, que se manifesta durante os três últimos meses da gestação e durante ou após o parto. Consiste em acessos repetidos de convulsões seguidas por um estado comatoso;
  • Ecografia: Registro dos ecos produzidos pelos ultrassons na sua passagem através de diversos meios e estruturas do organismo, empregue como meio de diagnóstico. Este registro faz-se após a transformação dos ecos em sinais luminosos (por meio de um sonógrafo; o exame assim obtido é uma ultrassonografia). (adj.: ecográfico.);
  • Ecografia Transvaginal: A ultrassonografia ou ecografia transvaginal é um exame em que um transdutor (aparelho que emite uma onda sonora e o seu eco é captado pelo mesmo aparelho para gerar uma imagem na tela de um monitor) é introduzido na vagina da paciente, assim como um espéculo, e o útero, as trompas e os ovários são visualizados para se detectar alterações. Esse exame pode ser usado para diagnosticar a causa de um sangramento vaginal anormal. Porém, não é utilizado para screening;
  • Ectrópio: ou ectopia caracteriza-se pela eversão do epitélio colunar sobre a ectocervice, apresentando-se como uma extensa área avermelhada na ectocervice ao redor do orifício cervical externo. Acontece quando o colo do útero sofre um aumento brusco no tamanho sob a influência hormonal (estrógeno) e o epitélio glandular fica exposto ao ambiente vaginal em casos de alterações inflamatórias e metaplasicas, mas que aparece também, com muita frequência, no período gestacional (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2003);
  • Embrião: O produto da fertilização de um óvulo por um esperma durante as primeiras 8 semanas de desenvolvimento;
  • Embriogênese: Série de transformações sofridas pelo ovo fecundado destinadas à formação do embrião (desenvolvimento embrionário). As suas fases principais são: a segmentação do ovo, a gastrulação, a formação dos folhetos embrionários, a histogênese e a organogênese. Sin.: desenvolvimento embrionário;
  • Endocervical: Que se situa ou se produz no interior do colo do útero. Ex.: mucosa endocervical;
  • Endocervicite: Inflamação da mucosa interna do colo do útero;
  • Endocérvix: Mucosa interna do colo do útero;
  • Episiotomia: Incisão do períneo partindo da comissura posterior da vulva. Tem por finalidade impedir a rasgadura do períneo durante o parto e sobretudo facilitar a saída do feto;
  • Eritroblastose: Aumento do número de eritroblastos na medula óssea ou presença de eritroblastos num tecido que em regra está desprovido deles (nomeadamente no sangue) e o conjunto das perturbações daí resultantes;
  • Eritroblastose fetal: (ou perinatal): Síndrome hemolítica congênita provocada por uma incompatibilidade dos tipos sanguíneos Rhesus entre a mãe e a criança. Se a mãe for Rh-, o pai Rh+ e o feto Rh+ aparecem aglutininas anti-Rh no sangue da mãe e, por via transplacentária, estas aglutinam os eritrócitos do feto. Em geral o primeiro filho é normal e a eritroblastose só se manifesta a partir da segunda gravidez, mas com crescente gravidade. As suas manifestações principais são a icterícia, a anemia e os edemas generalizados; nas formas graves aparecem complicações neurológicas tardias devidas à fixação nos núcleos cinzentos do cérebro de bilirrubina proveniente da destruição da hemoglobina (icterícia nuclear, kernicterus). Sin. de anemia eritroblástica do recém-nascido, doença hemolítica do recém-nascido;
  • Estriol: Substância lipossolúvel obtida a partir da urina da mulher grávida e que possui as propriedades dos estrogênios;
  • Estrogênio: nome genérico do hormônio feminino produzido pelos ovários (estradiol);
  • Exsanguinotransfusão: Substituição de parte do sangue de um doente por sangue normal fresco. Consiste na perfusão numa veia simultaneamente com a extração de quantidades equivalentes de sangue por uma veia do lado oposto. As indicações principais da exsanguinotransfusão são, no recém-nascido, a eritroblastose fetal e, no adulto, as hemólises agudas gravíssimas com estado de choque. Sin. de transfusão total;
  • Falópio (trompa de): Cada um dos dois canais, à direita e à esquerda do útero, que se prolongam até aos ovários e que terminam por uma região em forma de funil munida de franjas (o pavilhão da trompa). É pela trompa de Falópio que o óvulo maduro, libertado do ovário e captado pelo pavilhão, é conduzido para o útero. V. salping-, tub-. Sin. de trompa uterina. ( Falópio, Fallopia, Fallopio ou Fallopius, Gabriello, anatomista italiano, 1523-1562.);
  • Fecundação: Fase da reprodução sexuada durante a qual o gâmeta macho (espermatozóide), pequeno e móvel, penetra no gâmeta fêmea (óvulo), grande e imóvel, fundindo-se com este para constituir o ovo (ou zigoto) que dará origem a um novo indivíduo;
  • Fecundação in vitro: Colocação dos espermatozoides retirados do esperma em contato com um ou mais óvulos, em proveta, numa lâmina ou num tubo de vidro;
  • Feto: O produto da fertilização a partir da 8ª semana de gravidez até o parto;
  • Folículo: produzido nos ovários é a membrana que envolve o óvulo durante seu desenvolvimento;
  • Folículo de De Graaf: Pequena vesícula saliente à superfície do ovário, que contém um óvulo maduro envolvido por duas membranas ou tecas. É a última fase evolutiva de um só ovócito que atinge a maturidade durante cada ciclo menstrual. Na fase da ovulação, o folículo ovariano rompe-se e liberta o óvulo, que chega à trompa uterina;
  • Fontanela: Espaço membranoso, ainda não ossificado, do crânio do recém- nascido, no ponto de encontro das suturas da abóbada craniana;
  • Fontanela anterior: Fontanela mediana anterior, em forma de losango, situada entre o frontal e os dois parietais ao nível do bregma. Fecha-se tardiamente, aos dois ou três anos de idade;
  • Fontanela posterior: Fontanela mediana posterior, triangular, situada entre o occipital e os dois parietais, ao nível do lambda;
  • Fossa ilíaca: Cada uma das duas regiões inferiores do abdômen, limitadas exteriormente pelo osso ilíaco e interiormente por uma linha que liga o umbigo ao púbis. Distingue-se a fossa ilíaca direita (FID) e a fossa ilíaca esquerda (FIE);
  • Fórceps: Instrumento composto por dois ramos articulados, facilmente desmontáveis, com maxilas em forma de colheres fenestradas, para extrair o feto do útero;
  • Fundo-de-saco de Douglas: Um saco ou recesso formado por uma prega do peritônio. Ponto mais baixo da cavidade peritoneal. Na mulher, é formado pela reflexão do peritoneu da face anterior do reto sobre a face posterior da vagina;
  • Douglas (grito ou sinal do): Dor violenta à compressão digital do fundo-de-saco de Douglas no toque vaginal. Este fenômeno observa-se quando existe sangue no fundo-de-saco devido a hemorragia durante a gravidez extra-uterina;
  • Galactopoiese: Elaboração do leite pela glândula mamária;
  • Galactorreia: 1) Secreção excessiva de leite pela glândula mamária na mulher que amamenta. 2) Secreção espontânea de leite pelos mamilos fora do período de lactação;
  • Gênero: Em oposição a sexo (termo que se refere ao estado biologicamente dado dos indivíduos), género designa as suas características psicológicas e sociais socialmente adquiridas: a sua masculinidade ou feminilidade aprendida no processo de socialização;
  • Ginecomastia: Hipertrofia das glândulas mamárias no homem;
  • Gonadotrofinas: hormônios produzidos pela glândula hipófise que estimulam os ovários. São: hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH);
  • Gravidez extra-uterina (ou ectópica): Gravidez na qual o feto se desenvolve fora da cavidade uterina. É quase sempre tubárica, mais raramente ovárica, abdominal ou peritoneal;
  • Hidrâmnio: Excesso do líquido amniótico, com volume maior que 2000 ml;
  • Hipófise: glândula endócrina responsável pela secreção de vários hormônios do corpo, como o hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH);
  • Hipotálamo: área na base do cérebro que controla várias funções orgânicas, entre elas a produção de hormônios e a temperatura corporal;
  • Hormônio folículo-estimulante (FSH): hormônio que age nos ovários estimulando o desenvolvimento dos folículos ovarianos;
  • Hormônio luteinizante (LH): hormônio regulador da produção de progesterona na mulher, relacionado à ovulação e desenvolvimento do corpo lúteo;
  • Idade gestacional: A duração da gestação é medida a partir do primeiro dia do último período menstrual normal. A idade gestacional é expressa em dias ou semanas completas (por exemplo: eventos que ocorrem de 280 a 286 dias após o início do último período menstrual normal;
  • Lambda: Ponto situado na intersecção das suturas sagital e lambdóide, que corresponde no recém-nascido à fontanela posterior;
  • Lombalgia: Qualquer dor da região lombar seja de origem vertebral, muscular,urogenital ou ginecológica;
  • Loquiação: fluxo vaginal de sangue que permanece após o parto, causada pela retirada da placenta;
  • Mancha mongólica: Mancha cutânea cor de ardósia localizada na região sacrococcígea. Histologicamente trata-se de um nevo azul; muito frequente nos recém-nascidos asiáticos, é rara na raça branca;
  • Mecônio: Matéria mole, pastosa, com coloração castanho-esverdeada, composta por gorduras, muco e bílis, contida no intestino do feto e que o recém-nascido expulsa pelo ânus nos primeiros dias que se seguem ao nascimento;
  • Meiose: é o modo de divisão celular que leva à formação de células sexuais (gametas). Divisão celular de um gameta, que reduz os cromossomos ‘a metade do número normal num momento imediatamente anterior ‘a fertilização. Isto ocorre para assegurar que a fertilização restaure o número total de cromossomos e não cause aneuploidia (número anormal de cromossomos);
  • Menopausa: É o momento, na vida da mulher, em que seus períodos menstruais terminam. É considerada menopausa, a não-ocorrência de períodos menstruais por 12 meses consecutivos. Não são identificadas causas biológicas ou psicológicas para esse fato. É o final da fertilidade. A menopausa natural ocorre quando os ovários, naturalmente, começam a diminuir a produção de estrogênio e progesterona. A menopausa induzida ocorre quando os ovários são cirurgicamente removidos ou quando prejudicados pela radiação ou medicamentos. Devido à bruta queda de produção de hormônios ovarianos, a menopausa induzida causa fogacho e secura da vagina. A menopausa que ocorre antes da mulher completar 40 anos, seja natural ou induzida, acarreta grandes riscos de doença do coração e osteoporose. Não há relação entre o tempo do 1º período menstrual da mulher e a sua época de menopausa. A ocorrência da menopausa não é influenciada pela altura, número de filhos ou uso de contraceptivos;
  • Menorragia: Menstruação anormalmente abundante e que se prolonga para lá da sua duração habitual;
  • Menstruação: Corrimento fisiológico de sangue pela vagina, que ocorre periodicamente com intervalos de 25 a 31 dias (em média 28 dias) na mulher em estado de saúde normal, desde a puberdade até à menopausa, na sequência das modificações anatômicas sofridas pelo endométrio sob o efeito dos hormônios estrogênicos e da progesterona (queda da mucosa que deixa a nu vasos dilatados). A menstruação dura normalmente 3 a 6 dias; está ausente durante a gravidez e muitas vezes também durante o período de aleitamento;
  • Mitose: Divisão celular tal que as duas células-filhas formadas são idênticas à célula-mãe. O número de cromossomas, nomeadamente, é o mesmo (2n) na célula-mãe e nas células-filhas. A mitose é a forma de divisão das células somáticas, ao passo que a meiose é o modo de divisão celular que leva à formação de células sexuais (gametas). A mitose tem habitualmente quatro fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase;
  • Morte fetal: Morte de um produto de concepção, quando esta ocorre antes da sua expulsão ou extração completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gestação; a morte é indicada pelo fato de após esta separação o feto não respirar nem manifestar qualquer outro sinal de vida, como o bater do coração, a pulsação do cordão umbilical ou a contração efetiva de um dos músculos voluntários;
  • Mortalidade neonatal: Mortalidade durante o período neonatal, o qual se estende do nascimento à idade de um mês, ou de 28 dias, conforme o uso;
  • Morte neonatal: Morte que ocorre durante o período neonatal. V. mortalidade neonatal;
  • Morte materna: Define-se morte materna como a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente de duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais. As mortes maternas podem ser subdivididas em dois grupos: mortes obstétricas diretas, Aquelas resultantes de complicações obstétricas na gravidez, parto e puerpério, devidas a intervenções, omissões, tratamento incorreto ou devida a uma cadeia de eventos resultantes de qualquer das causas acima mencionadas; mortes obstétricas indiretas; aquelas resultantes de doenças existentes antes da gravidez ou de doenças que se desenvolveram durante a gravidez, não devidas a causas obstétricas diretas, mas que foram agravadas pelo efeitos fisiológicos da gravidez;
  • Mórula: Primeira fase de segmentação do ovo fecundado, que toma o aspecto de uma pequena amora, antes de passar à fase de blástula;
  • Natimorto: feto que nasce morto por causas naturais após a 20ª semana de gestação;
  • Náusea: Vontade de vomitar, concretizada ou não. É acompanhada por contração involuntária dos músculos da faringe, do esôfago e do estômago;
  • Oligoâmnio: situação em que o volume do liquido amniótico é inferior a 250 mL entre 22–42ª semana de gestação;
  • Placenta: Anexo do feto que assegura as trocas nutritivas entre este e o organismo materno. Desenvolve-se durante a gravidez a partir da membrana externa do ovo (o córion); está em contato íntimo com a mucosa uterina pelas vilosidades coriais. A placenta tem igualmente a função de glândula endócrina, segregando os hormônios esteróides (estrógeno, progesterona), que mantêm a mucosa uterina no seu estado gestativo, e as gonadotrofinas coriônicas, cuja abundância na urina permite fazer o diagnóstico biológico da gravidez. Depois da dequitação, a placenta tem o aspecto de uma massa carnuda percorrida por sulcos que a dividem em lobos (cotilédones); pesa 600 g. Na sua face fetal, revestida pelo âmnio, insere-se o cordão umbilical;
  • Placenta acreta: Fusão íntima da placenta com o útero, tornando impossível o seu descolamento no momento da dequitadura. Esta anomalia obriga por vezes à realização de uma histerectomia;
  • Placenta bilobada (ou bipartida): Placenta constituída por dois lobos que não são claramente distintos um do outro;
  • Placenta prévia: Inserção anormal da placenta no segmento inferior do útero. Pode ser causa de complicações da gravidez, em especial hemorragias nos três últimos meses da gravidez e durante o trabalho de parto;
  • Período neonatal: O período neonatal começa no nascimento e termina após 28 dias completos depois do nascimento. As mortes neonatais (mortes entre nascidos vivos durante os primeiros 28 dias completos de vida). podem ser subdivididas em mortes neonatais precoces, que ocorrem durante os primeiros sete dias de vida, e mortes neonatais tardias, que ocorrem após o sétimo dia, mas antes de 28 dias completos de vida;
  • Pré-eclâmpsia: Doença que aparece durante a gravidez (em 5% a 10% dos casos, geralmente nas primíparas, na maior parte das vezes após a 20.ª semana da gravidez). Manifesta-se por hipertensão arterial, proteinuria e edema. Pode resolver-se naturalmente, mas em certos casos conduz à eclampsia;
  • Progesterona: hormônio feminino produzido pelo corpo lúteo e pela placenta, principal responsável pela manutenção da gravidez;
  • Prolactina: hormônio produzido pela hipófise importante para a produção de leite e outras funções orgânicas;
  • Puérpera: Mulher que se encontra no puerpério;
  • Puerpério: Período que decorre desde o fim do parto até que os órgãos genitais e o estado geral da mulher voltem ao estado normal anterior à gestação. Dura 6 a 8 semanas;
  • Síndrome dos ovários policísticos (SOPs): síndrome com problemas de ovulação, cistos no ovário e aumento de hormônios androgênicos, com aumento dos pelos, acne e aumento da oleosidade da pele;
  • Sinéquias uterinas: aderência entre as paredes do útero, geralmente causadas por curetagens uterinas;
  • Toxoplasmose: doença causada pelo parasita toxoplasma, que pode causar desde um quadro parecido com uma virose até lesões graves no feto, quando ocorre durante a gravidez;
  • Trofoblasto: o tecido extra-embrionário responsável pela implantação do embrião na placenta; desenvolve-se na placenta, e controla a troca de oxigênio e metabólitos entre a mãe e o embrião.

Referências:

  1. DELASCIO, D. & GUARIENTO, A. Obstetrícia Normal Briquet. São Paulo, Sarvier, 1994. p.271-77.
  2. GRANATO, Celso. A problemática da infecção pelo citomegalovírus em pacientes imunodeprimidos. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. v.23, n.3, 2001, p.130-132.
  3. MANUILA, A.; LEWALLE, P.; NICOULIN, M.; MANUILA, L. Dicionário Médico. 3 Ed. Lisboa: Climepsi Editores, 2004.
  4. NEME, B. Obstetrícia Básica. 3 ed. São Paulo: Sarvier, 2006.
  5. REZENDE, J. de.; MONTENEGRO, C.A.B. Obstetrícia fundamental. 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara. Koogan, 2005.
  6. RICCI, S.S. Enfermagem materno-neonatal e saúde da mulher. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

A Placenta e seus tipos

A placenta é um órgão materno-fetal que começa a se desenvolver a partir da nidação, ou seja, implantação do blastocisto e é expulsa com o feto no momento do nascimento. É durante esse período de nove meses que este órgão proporciona nutrição, a troca gasosa, remoção de resíduos, uma fonte de células-tronco hematopoiéticas, endócrino e imunológico suporte para o feto em desenvolvimento.

A comunicação com a mãe ocorre a partir de cerca de 100-150 artérias uterinas maternas espiraladas localizados na placa basal.

Existem essencialmente 3 sistemas separados da aorta / venosas circulatórios: umbilical, sistêmicas e vitelínicas.

O sistema umbilical é perdido no momento do nascimento, o vitelina contribui para o sistema portal e sistêmica (embrionárias) é remodelado extensivamente para formar o sistema cardiovascular madura. A placenta humana tem cerca de 9 cm de diâmetro.

As placentas são uma característica essencial dos mamíferos placentários, mas também são encontrados em alguns não-mamíferos com níveis variáveis ​​de desenvolvimento.

Mamíferos prototéricos ou metatericos (marsupiais) produzem uma placenta coriovitelinica que, enquanto está ligado à parede do útero, fornece nutrientes derivados principalmente a partir do saco amniótico.

Os tipos de células mais importantes da placenta são os trofoblastos, que fornecem os principais componentes estruturais e funcionais necessários para trazer os sistemas de sangue fetais e maternos em contato próximo um do outro.

Existem algumas variações na formação da placenta e cordão umbilical que podem trazer mudanças para a evolução da gestação e necessidade de cuidados, especialmente no final da gravidez e no parto. Alterações na placenta exigem atenção e profissionais com experiência para acompanhamento adequado.

Os Tipos e Variações da Placenta

  • Bilobulada ou bipartida: ocorre quando há dois ou três lobos completamente separados. Cada lóbulo possui um cordão umbilical, que são unificados em seguida. Geralmente sem repercussão clínica;
  • Inserção velamentosa do cordão umbilical: ocorre quando o cordão umbilical não está diretamente conectado à placenta, e somente seus vasos a atingem através das membranas, deixando artérias e veia desprotegidas. Pode ser causa de hemorragias, com perda de sangue fetal, no final da gestação e durante o trabalho de parto;
  • Placenta em “raquete”: ocorre quando o cordão umbilical está preso à uma localização periférica da placenta e não próximo ao centro. Pode estar relacionado ao ganho de peso fetal abaixo do esperado, mas geralmente não tem repercussão clínica;
  • Placenta sucenturiada: são as que apresentam um ou mais lóbulos extra. Podem ocasionar sangramento no final da gravidez e durante o trabalho de parto, mas a sua principal complicação está relacionada à retenção do lobo acessório após o parto causando hemorragias e infecção;
  • Placenta circunvalada: ocorre quando a base da placenta fixada ao útero está restrita ou “presa” pelas membranas que a revestem, não permitindo que ela expanda a extensão necessária para acompanhar o desenvolvimento do bebê. Pode estar associada à bebês com baixo ganho de peso, parto prematuro e hemorragias no final da gravidez;
  • Placenta circunmarginada: é uma variação da placenta de formato normal. É caracterizada pela extensão das membranas que a revestem além da sua borda. Não tem repercussão clínica;
  • Placenta prévia: quando a placenta está localizada próximo ao canal no parto, impedindo a evolução do mesmo;
  • Placenta acreta: quando a placenta, desempenhando sua função de “raiz”, penetra nas camadas mais profundas do útero. Geralmente associada à presença de cesariana anterior, mas também outras cicatrizes uterinas como curetagens e remoção de miomas. Pode causar hemorragias de intensidade variada durante o parto, sendo, às vezes, abundante; levando à histerectomia (remoção cirúrgica do útero).

Referências:

  1. Placenta Praevia and Placenta Accreta: Diagnosis and Management (Green-top Guideline No. 27a) – Royal College of Obstetricians and Gynaecologists.
  2. Placenta praevia – BMJ Best Practice.
  3. Placenta previa: Epidemiology, clinical features, diagnosis, morbidity and mortality – UpToDate.
  4. Placenta previa: Management – UpToDate.
  5. Danforth’s Obstetrics and Gynecology Ninth Ed. Scott, James R., et al, Ch. 20.

Mola Hidatiforme

A Mola hidatiforme é um distúrbio da gravidez em que a placenta e o feto não se desenvolvem adequadamente. As células do embrião formam sacos de líquidos. Também pode ser chamado de tumor trofoblástico gestacional.

Podendo ser classificada como:

  • Total: Toda placenta e embrião se desenvolvem anormalmente;
  • Parcial: Apenas parte da placenta e embrião se desenvolvem anormalmente.

 

Por que ocasiona esse distúrbio?

É causado por um desequilíbrio genético que pode ocorrer quando um óvulo é fecundado por dois espermatozoides ou quando o óvulo não tinha material genético suficiente.

É um tumor usualmente benigno invulgar que se desenvolve a partir de tecido placentário em fases precoces de uma gravidez em que o embrião não se desenvolve normalmente.

A mola hidatiforme, se assemelha a um punhado de pequenos bagos de uva, é causada por uma degeneração das vilosidades coriônicas (projeções minúsculas e irregulares penetrando no útero no período de fixação).

Em 2-3% dos casos, penetra excessivamente e sem controle, tornando-se um tumor maligno, que passa a classificar-se como coriocarcinoma.

Os Sinais e Sintomas

  • Perdas sanguíneas vaginais indolores;
  • Enjoos e vômitos matinais excessivos;
  • Pressão sanguínea elevada;
  • Arritmia cardíaca;
  • Proteinúria (proteínas na urina);
  • Desconforto na pélvis.

 

Como é diagnosticado?

O sangramento no quarto ou quinto mês indica a complicação, e o útero e ovários costumam estar visivelmente maiores que o esperado para esse mês. Os tumores hidatiformes são visíveis numa ecografia ou ultrassom.

As análises de sangue e de urina detectam níveis excessivos de gonadotrofina coriônica humana produzidas pelo tumor. Pode estar associado a sintomas de hipertireoidismo.

Como é tratado?

O tumor pode ser removido quer por sucção do conteúdo do útero, quer por raspagem, podendo ser necessário, por vezes, recorrer ao tratamento por quimioterapia para eliminação total do tumor.

O mais importante é que, assim que for diagnosticada a Doença Trofoblástica Gestacional, a mulher procure um centro de referencia, onde lá terá um tratamento especializado e a cura.

Referências

  1.  Artigos HYDATID n. (a.) e MOLAR, n.6 no Oxford English Dictionary online. (https://dictionary.oed.com/)
  2.  https://www.nhs.uk/conditions/molar-pregnancy/Pages/Introduction.aspx
  3.  https://www.webmd.com/baby/tc/molar-pregnancy-topic-overview
  4.  Ganong WF, McPhee SJ, Lingappa VR (2005). Pathophysiology of Disease: An Introduction to Clinical Medicine (Lange). McGraw-Hill Medical. p. 639. ISBN 0-07-144159-X.
  5.  https://www.webmd.com/baby/tc/molar-pregnancy-topic-overview?page=2
  6. Gerulath AH et al. Gestational Trophoblastic Disease. SOGC Clinical Practice Guidelines 2002; 114.
  7. American College of Obstetricians and Gynecologistas. Diagnosis and Teatment of Gestational Trophoblastic Disease. ACOG Practice Bulletin 2004; 53.

Mastite e os cuidados de Enfermagem

Mastite é o nome dado a uma inflamação aguda que ocorre nas glândulas mamárias, que pode ou não evoluir para uma infecção.

Nas mulheres, essa inflamação geralmente se dá na fase do puerpério (período pós-parto), mas pode ocorrer em qualquer fase durante o período da amamentação. Essa inflamação é causada pela ação de vários microrganismos, sendo o Staphylococcus aureus o agente infeccioso em 50% dos casos.

Geralmente a mastite é acompanhada por fatores como ingurgitamento mamário (extração insuficiente de leite pelo bebê), obstrução dos ductos mamários, estresse, fadiga e fissura nos mamilos. Muitos especialistas acreditam que a forma errada com que a mãe segura o bebê no momento da amamentação seja a causa dos ferimentos nos mamilos e ingurgitamento mamário. Uma vez feridos, os mamilos se tornam uma porta de entrada para os microrganismos que podem causar a mastite.

Os sintomas da mastite são: regiões da mama endurecidas, vermelhidão, sensibilidade, dor e inchaço das mamas, seguidos por febre, calafrios, mal-estar, prostração e astenia.

Dependendo do grau da infecção, o médico especialista irá prescrever o tratamento mais adequado. Geralmente há a prescrição de massagens locais para estimular a produção de ocitocina e facilitar a fluidificação do leite. Seguida às massagens, a mãe deverá fazer a ordenha, ingerir muito líquido e manter repouso. Em alguns casos o médico pode prescrever o uso de antitérmicos, analgésicos e antibióticos compatíveis com a amamentação.

Os médicos recomendam que a mãe não pare de amamentar durante a mastite, mesmo se fizer o uso de algum medicamento prescrito. A presença de toxinas dos medicamentos no leite é mínima e não interfere na saúde do bebê. A interrupção das mamadas durante o tratamento pode levar à formação de abcessos, causando problemas psicofisiológicos para a mãe e para o bebê.

A melhor forma de evitar esse tipo de inflamação é segurar o bebê da maneira correta, para que ele consiga sugar maior quantidade de leite sem causar ferimentos nos mamilos, nem ingurgitamento mamário.

Sinais e Sintomas

  • Dor e sensação de febre no peito durante a amamentação (geralmente essa infecção só afeta um seio);
  • Desconforto ou dor na mama;
  • Inchaço do seio;
  • Sensação de febre no seio;
  • Vermelhidão na área afetada (com frequência em formado de meia-lua);
  • Sensação de cansaço ou fadiga;
  • Febre e calafrios.

Cuidados de Enfermagem

Materiais necessários:

  • Bomba para ordenha se necessário;
  • Compressas.
  1. Orientar a mãe a amamentar com maior frequência, iniciar o aleitamento pela mama afetada;
  2. Orientar a boa “pega” do bebê;
  3. Massagear o seio durante a amamentação, da área bloqueada em direção ao mamilo;
  4. Se haver alguma impossibilidade de amamentar, orientar ordenha manual ou utilizar a bomba para ordenha;
  5. Orientar nutrição e hidratação adequadas;
  6. Orientar o companheiro ou acompanhante quanto a importância de um período adequado de descanso da mãe;
  7. Oferecer suporte emocional;
  8. Aplicação de calor local, antes da amamentação, seja por banho morno ou compressas;
  9. Aplicação de compressas frias, após a amamentação ou ordenha, para aliviar a dor e o edema mamário;
  10. Antibioticoterapia e analgesia conforme prescrição médica.

Algumas observações:

  • A produção de leite pode estar afetada na mama comprometida, com diminuição do volume secretado durante vários dias;
  • O sabor do leite materno costuma alterar-se, tornando-se mais salgado, o que pode ocasionar rejeição do leite pela criança. Orienta-se a manutenção da amamentação, já que o esvaziamento adequado da mama, preferencialmente por intermédio de sucção pelo bebê, é o componente mais importante do tratamento;
  • Medidas de prevenção da mastite são as mesmas do ingurgitamento mamário, do bloqueio de ductos lactíferos e das fissuras, bem como seu manejo precoce antes de complicações mais graves.

Referências:

  1. ACADEMY OS BREASTFEEDING PROTOCOL COMITTEE (ABM). Clinical protocol: Mastitis. Breastfeeding Medicine, USA, v.3, n.3, p.177-180, 2014. In: VIDUEDO, A.F.S. Mastite lactacional: registro em evidências. Ribeirão Preto, 2014, p. 29.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria sw Atebção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. v.4.: il. – ( Série A. Normas e Manuais Técnicas).
  3. __________. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança : aleitamento materno e alimentação complementar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 184 p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica ; n. 23. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf.