
Os antissépticos hospitalares são substâncias essenciais para a prevenção de infecções em ambientes de saúde. Eles atuam inibindo o crescimento de microrganismos, como bactérias, fungos e vírus, em superfícies e na pele.
Os tipos Mais utilizados
Clorexidina
- Ação: Amplo espectro, eficaz contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, fungos e alguns vírus.
- Formas de apresentação: Solução, gel, espuma.
- Vantagens: Baixa toxicidade, persistência na pele, boa atividade contra biofilmes.
- Indicações: Preparo da pele para cirurgias, limpeza de feridas, higiene das mãos.
Álcool Etílico/Isopropílico
- Ação: Rápida ação bactericida e virucida.
- Formas de apresentação: Solução alcoólica, gel alcoólico.
- Vantagens: Secagem rápida, fácil aplicação.
- Indicações: Higienização das mãos, limpeza de superfícies, preparo da pele para procedimentos invasivos.
Iodo
- Ação: Amplo espectro, eficaz contra bactérias, fungos e vírus.
- Formas de apresentação: Tintura de iodo, iodopovidona (solução, gel, espuma).
- Vantagens: Alta eficácia, baixo custo.
- Indicações: Preparo da pele para cirurgias, limpeza de feridas.
Triclosan
- Ação: Amplo espectro, eficaz contra bactérias e fungos.
- Formas de apresentação: Sabonetes, loções, produtos de limpeza.
- Observação: Devido a preocupações com resistência bacteriana e impactos ambientais, o uso do triclosan tem sido restrito em muitos países.
Outros Antissépticos
Além dos mencionados, outros antissépticos podem ser utilizados em ambientes hospitalares, como:
- Biguanidas: Semelhante à clorexidina, com boa atividade contra biofilmes.
- Peróxido de hidrogênio: Utilizado para limpeza de superfícies e feridas.
- Cloreto de benzalcônio: Eficaz contra bactérias e alguns vírus.
Comparativo entre os Antissépticos
| Antisséptico |
Vantagens |
Desvantagens |
Indicações |
| Clorexidina |
Baixa toxicidade, persistência |
Pode manchar tecidos |
Preparo cirúrgico, limpeza de feridas |
| Álcool Etílico |
Rápida ação, fácil aplicação |
Inflamabilidade, resseca a pele |
Higienização das mãos, limpeza de superfícies |
| Iodo |
Amplo espectro, baixo custo |
Irritante, pode manchar |
Preparo cirúrgico, limpeza de feridas |
| Triclosan |
Amplo espectro |
Resistência bacteriana, impactos ambientais |
Antiga utilização em diversos produtos |
Escolha do Antisséptico Ideal
A escolha do antisséptico ideal depende de diversos fatores, como:
- Tipo de microrganismo: A escolha varia de acordo com o microrganismo alvo.
- Local de aplicação: Pele, mucosa, superfícies.
- Tempo de contato: Alguns antissépticos exigem maior tempo de contato para serem eficazes.
- Condições do paciente: Idade, alergias, condições de saúde.
É fundamental que a escolha e o uso dos antissépticos sejam realizados por profissionais de saúde, seguindo as recomendações dos fabricantes e as normas de biossegurança.
Observações Importantes:
- Resistência Bacteriana: O uso indiscriminado de antissépticos pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana.
- Impactos Ambientais: Alguns antissépticos podem causar danos ao meio ambiente.
- Alergias: É possível desenvolver alergia a alguns antissépticos.
Referências:
- Vigilância Sanitária
- Hospital Israelita Albert Einstein
- Reis, L. M. dos ., Rabello, B. R., Ross, C., & Santos, L. M. R. dos .. (2011). Avaliação da atividade antimicrobiana de antissépticos e desinfetantes utilizados em um serviço público de saúde. Revista Brasileira De Enfermagem, 64(5), 870–875. https://doi.org/10.1590/S0034-71672011000500011

A Escala Venous International Assessment (VIA) é um instrumento utilizado na área da saúde para avaliar a dificuldade em estabelecer um acesso venoso periférico em pacientes. Em outras palavras, ela serve para classificar as condições das veias de um paciente e prever a facilidade ou dificuldade em inserir um cateter para a administração de medicamentos ou coleta de sangue.
Escala Venous International Assessment Revised (VIA-R)
A Escala Venous International Assessment Revised (VIA-R) é uma versão adaptada e aprimorada da Escala VIA, desenvolvida especificamente para a língua portuguesa do Brasil.
Ela serve como um instrumento fundamental para avaliar a dificuldade em estabelecer um acesso venoso periférico em pacientes, ou seja, a facilidade de inserir uma agulha ou cateter em uma veia para fins de administração de medicamentos, coleta de sangue ou outros procedimentos.
Por que a VIA-R é importante?
- Padronização: A escala oferece um método padronizado para avaliar as condições das veias de um paciente.
- Previsão de dificuldades: Permite prever a dificuldade do procedimento e escolher a técnica mais adequada.
- Prevenção de complicações: Ajuda a identificar pacientes com maior risco de complicações, como flebite ou extravasamento de medicamentos.
- Melhora da qualidade do cuidado: Contribui para a tomada de decisões mais seguras e eficazes.
Critérios de Avaliação e Graus da VIA-R
A VIA-R classifica o acesso venoso em 5 graus, considerando fatores como o número de punções anteriores, o calibre do cateter ideal e a facilidade de realizar a punção:
| Escala VIA-R (Venous International Assessment – Revised) |
| Escala VIA |
Possíveis (sítios) de punção
(no mínimo) |
Calibre do cateter
(no mínimo) |
Risco de extravasamento |
Desempenho da punção venosa |
Terapia Intravenosa –
Medicamentos e Soluções |
| Grau I |
6 |
18 G |
Remoto |
Muito fácil |
Infusão rápida e sem resistência |
| Grau II |
4 |
20 G |
Baixo |
Fácil |
Infusão com resistência |
| Grau III |
3 |
22 G |
Moderado |
Nem fácil nem difícil |
Tendência à infusão prolongada –
risco para flebite |
| Grau IV |
1 |
24 G |
Alto |
Difícil |
Alto risco para flebite |
| Grau V |
0 |
Sem possibilidades reais |
Muito alto |
Muito difícil |
Muito alto risco para flebite |
Interpretação dos Graus:
- Grau I: Veias em boas condições, com poucas punções e facilidade para a inserção do cateter.
- Grau II: Veias com algumas punções, podendo apresentar maior dificuldade na inserção do cateter e maior risco de complicações.
- Grau III: Veias com múltiplas punções, dificultando a inserção do cateter e aumentando o risco de complicações.
- Grau IV: Veias com muitas punções ou ausentes, impossibilitando a inserção de cateteres periféricos.
O que diferencia a VIA-R da VIA original?
A VIA-R foi adaptada culturalmente para o contexto brasileiro, tornando a escala mais precisa e relevante para a prática clínica no país. Além disso, a VIA-R inclui informações mais detalhadas e claras, facilitando a compreensão e aplicação da escala por profissionais de saúde.

Referência:
- Lopes, M., Torre-Montero, J. C. de . la ., Peterlini, M. A. S., & Pedreira, M. da L. G.. (2022). Validation of the Brazilian Portuguese version of the Venous International Assessment Scale and proposal of revision. Revista Brasileira De Enfermagem, 75(5), e20220100. https://doi.org/10.1590/0034-7167-2022-0100
- COREN-SP

O espectro antimicrobiano refere-se à variedade de microrganismos que um determinado antibiótico é capaz de combater e eliminar. Essa capacidade varia de um antibiótico para outro e é um fator crucial na escolha do tratamento para uma infecção.
Tipos de Espectro Antimicrobiano
- Espectro Amplo: Antibióticos de amplo espectro são capazes de agir contra uma ampla variedade de microrganismos, tanto Gram-positivos quanto Gram-negativos. Eles são frequentemente utilizados quando a causa da infecção é desconhecida ou quando há a presença de múltiplos microrganismos.
- Exemplos: Tetraciclinas, quinolonas e cefalosporinas de terceira geração.
- Espectro Estreito: Antibióticos de espectro estreito são mais específicos e agem apenas contra um grupo limitado de microrganismos. Eles são geralmente preferidos quando o agente causador da infecção é conhecido, pois podem causar menos efeitos colaterais e reduzir o risco de resistência bacteriana.
- Exemplos: Penicilina G (contra bactérias Gram-positivas), polimixina (contra bactérias Gram-negativas).
- Espectro Estendido: Uma categoria intermediária, os antibióticos de espectro estendido apresentam uma atividade mais ampla do que os de espectro estreito, mas não tão ampla quanto os de amplo espectro.
- Exemplos: Algumas cefalosporinas de segunda geração.
Por que o Espectro Antimicrobiano é Importante?
- Escolha do Tratamento: Conhecer o espectro antimicrobiano de um antibiótico é fundamental para escolher o tratamento mais adequado para uma infecção específica, garantindo a eficácia e minimizando os riscos.
- Resistência Bacteriana: O uso indiscriminado de antibióticos de amplo espectro pode contribuir para o desenvolvimento de resistência bacteriana, tornando as infecções mais difíceis de tratar. A escolha de antibióticos de espectro estreito, quando possível, ajuda a retardar o surgimento de resistência.
- Efeitos Colaterais: Antibióticos de amplo espectro podem causar mais efeitos colaterais do que os de espectro estreito, pois afetam uma maior variedade de bactérias, incluindo a flora bacteriana normal do organismo.
Fatores que Influenciam o Espectro Antimicrobiano
- Estrutura química do antibiótico: A composição molecular do antibiótico determina sua afinidade por diferentes alvos bacterianos.
- Mecanismo de ação: A forma como o antibiótico atua sobre a bactéria (inibindo a síntese de parede celular, proteínas ou ácidos nucleicos) influencia seu espectro de atividade.
- Características da bactéria: A estrutura da parede celular, a presença de enzimas e outros fatores bacterianos podem conferir resistência a determinados antibióticos.

Referências:
- Guimarães, D. O., Momesso, L. da S., & Pupo, M. T.. (2010). Antibióticos: importância terapêutica e perspectivas para a descoberta e desenvolvimento de novos agentes. Química Nova, 33(3), 667–679. https://doi.org/10.1590/S0100-40422010000300035
- Guimarães, D. O.; Momesso, L. S.; Pupo, M. T.. Antibióticos: importância terapêutica e perspectivas para a descoberta e desenvolvimento de novos agentes. Quim. Nova, Vol. 33, No. 3, 667-679, 2010.

Antitérmicos, também conhecidos como antipiréticos, são medicamentos utilizados para reduzir a febre. Eles atuam inibindo o mecanismo que eleva a temperatura corporal. A febre é uma resposta natural do organismo a infecções e inflamações, mas quando muito alta, pode causar desconforto e até mesmo complicações.
Importante: É fundamental consultar um médico antes de iniciar qualquer tratamento, pois a automedicação pode mascarar sintomas importantes e agravar problemas de saúde.
Principais Grupos de Antitérmicos
Os antitérmicos mais comuns pertencem aos seguintes grupos:
- Paracetamol: Um dos mais utilizados, por ser geralmente seguro e bem tolerado. É eficaz no alívio da dor e da febre.
- Marcas comuns: Tylenol, Anador, Lisador.
- Ibuprofeno: Possui ação anti-inflamatória adicional, sendo útil em casos de dor causada por inflamação, como a dor de cabeça por sinusite.
- Marcas comuns: Advil, Nurofen.
- Dipirona: Antitérmico e analgésico potente, mas seu uso deve ser feito com cautela devido a possíveis efeitos colaterais.
- Marcas comuns: Novalgina, Dipirona.
- Ácido acetilsalicílico (AAS): Além de antitérmico, possui ação anti-inflamatória e antiplaquetária. Não deve ser administrado em crianças e adolescentes com quadro viral, devido ao risco da Síndrome de Reye.
Outros Antitérmicos e Combinações
Existem outros antitérmicos e combinações disponíveis no mercado, como:
- Nimesulida: Possui ação anti-inflamatória potente, mas seu uso é restrito devido a possíveis efeitos colaterais hepáticos.
- Complexo B: Algumas vitaminas do complexo B podem auxiliar no alívio da febre e outros sintomas gripais.
- Chás: Chás de camomila, gengibre e hortelã podem auxiliar no alívio dos sintomas gripais e febre.
Cuidados de Enfermagem
Os antitérmicos são medicamentos essenciais no tratamento da febre, mas seu uso requer cuidados específicos para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. A enfermagem desempenha um papel crucial nesse processo, oferecendo assistência e orientação aos pacientes.
- Avaliação do paciente:
- Verificar a temperatura corporal, frequência cardíaca, respiratória e pressão arterial.
- Avaliar a história clínica do paciente, incluindo alergias, doenças preexistentes e uso de outros medicamentos.
- Identificar a causa da febre, se possível.
- Orientações ao paciente:
- Explicar a ação do medicamento e a importância de seguir as orientações médicas.
- Esclarecer sobre os possíveis efeitos colaterais e como lidar com eles.
- Enfatizar a importância de não interromper o tratamento sem orientação médica.
- Administração do medicamento:
- Verificar a prescrição médica e a dosagem correta.
- Administrar o medicamento pela via prescrita (oral, retal, intravenosa), seguindo as técnicas assépticas.
- Monitorar a resposta do paciente ao medicamento.
- Monitoramento dos sinais vitais:
- Acompanhar a evolução da temperatura após a administração do antitérmico.
- Observar o surgimento de quaisquer reações adversas.
- Registro das informações:
- Anotar no prontuário do paciente a hora da administração, a dose utilizada e a resposta do paciente.
Cuidados Específicos
- Idosos: A dosagem e a frequência de administração podem precisar ser ajustadas devido à diminuição da função renal e hepática.
- Crianças: A dosagem é calculada de acordo com o peso e a idade da criança, e a forma farmacêutica deve ser adequada.
- Gestantes e lactantes: O uso de antitérmicos durante a gestação e a lactação deve ser feito com cautela e sob orientação médica.
- Pacientes com doenças crônicas: A presença de doenças como insuficiência renal ou hepática pode afetar a eliminação do medicamento e aumentar o risco de efeitos colaterais.
Efeitos Colaterais Comuns e Raros
- Comuns: Náuseas, vômitos, dor de estômago, sonolência.
- Raros: Reações alérgicas, sangramento, danos ao fígado.
É importante ressaltar que o uso indiscriminado de antitérmicos pode mascarar sintomas importantes e dificultar o diagnóstico de doenças graves.
Prevenção da Febre
Além do uso de antitérmicos, a enfermagem pode auxiliar na prevenção da febre através de orientações sobre:
- Higiene das mãos: A lavagem frequente das mãos é fundamental para prevenir a transmissão de infecções.
- Vacinação: A vacinação contra doenças infecciosas é uma forma eficaz de prevenir a febre.
- Alimentação saudável: Uma dieta equilibrada fortalece o sistema imunológico.
- Hidratação: Beber bastante água ajuda a regular a temperatura corporal.
- Repouso: O descanso é essencial para a recuperação do organismo.

Referências:
- Pereira, G. L., Tavares, N. U. L., Mengue, S. S., & Dal Pizzol, T. da S.. (2013). Condutas terapêuticas e uso alternado de antipiréticos no manejo da febre em crianças. Jornal De Pediatria, 89(1), 25–32. https://doi.org/10.1016/j.jped.2013.02.005
- Magni AM, Scheffer DK, Bruniera P. Comportamento dos antitérmicos ibuprofeno e dipirona em crianças febris. J Pediatr (Rio J) [Internet]. 2011Jan;87(1):36–42. Available from: https://doi.org/10.1590/S0021-75572011000100007
- COREN-SP

O escore APACHE II (Acute Physiology and Chronic Health Evaluation II) é um sistema de classificação amplamente utilizado em unidades de terapia intensiva (UTIs) para avaliar a gravidade da doença em pacientes criticamente doentes. Ele permite estimar a probabilidade de morte hospitalar e auxiliar na tomada de decisões clínicas.
Como o APACHE II Funciona?
O escore APACHE II atribui pontos com base em diversos parâmetros fisiológicos, laboratoriais e condições crônicas do paciente. Esses pontos são somados, resultando em um escore final que se correlaciona com a gravidade da doença e o risco de morte.
Critérios de Coleta para o Cálculo do APACHE II
A coleta dos dados para o cálculo do APACHE II envolve a avaliação de diversos sistemas orgânicos e a realização de exames laboratoriais. Os principais critérios incluem:
- Dados demográficos: idade, sexo.
- Sinais vitais: temperatura, frequência cardíaca, frequência respiratória, pressão arterial média.
- Exames laboratoriais: níveis séricos de sódio, potássio, ureia, creatinina, glicose, hematócrito, leucócitos.
- Função neurológica: nível de consciência, presença de déficits neurológicos.
- Função respiratória: necessidade de ventilação mecânica, uso de oxigênio suplementar, PaO2/FiO2.
- Função cardiovascular: presença de arritmias, uso de drogas vasoativas, pressão arterial sistólica.
- Função renal: taxa de filtração glomerular estimada (TFGe).
- Condições crônicas: doenças pré-existentes como diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), insuficiência cardíaca, etc.
É importante ressaltar que o cálculo do APACHE II deve ser realizado por profissionais de saúde qualificados e com experiência em terapia intensiva, pois exige conhecimento técnico e interpretação dos dados.
Utilidades do Escore APACHE II
- Estimação do risco de morte: permite prever a probabilidade de óbito hospitalar, auxiliando no planejamento terapêutico.
- Comparação de grupos de pacientes: possibilita comparar a gravidade de diferentes grupos de pacientes, como aqueles submetidos a diferentes tratamentos.
- Avaliação da qualidade da assistência: pode ser utilizado para avaliar a qualidade da assistência prestada em unidades de terapia intensiva.
- Alocação de recursos: ajuda na alocação de recursos, como leitos de UTI e pessoal especializado.
Limitações do Escore APACHE II
Apesar de ser uma ferramenta valiosa, o APACHE II apresenta algumas limitações:
- Heterogeneidade dos pacientes: a gravidade da doença pode variar significativamente entre os pacientes, mesmo com o mesmo escore APACHE II.
- Mudanças ao longo do tempo: o estado clínico do paciente pode mudar rapidamente, tornando o escore APACHE II obtido no momento da admissão menos preciso para prever o desfecho a longo prazo.
- Não considera todos os fatores: o APACHE II não considera todos os fatores que podem influenciar o prognóstico do paciente, como comorbidades complexas e respostas individuais ao tratamento.
A importância dos enfermeiros no cálculo do APACHE II
Os enfermeiros desempenham um papel crucial na coleta de dados para o cálculo do APACHE II. Isso porque eles são os profissionais que estão em contato mais próximo com o paciente, realizando a monitorização contínua dos sinais vitais, avaliações físicas e acompanhamento dos exames laboratoriais.
Por que os enfermeiros devem conhecer o APACHE II?
- Melhor compreensão da gravidade do paciente: Ao participar do cálculo do APACHE II, os enfermeiros adquirem uma visão mais clara da gravidade da condição clínica do paciente, o que os ajuda a priorizar os cuidados.
- Planejamento da assistência: O escore APACHE II auxilia no planejamento da assistência, permitindo que os enfermeiros antecipam as necessidades do paciente e ajustam os cuidados de acordo com a gravidade da doença.
- Comunicação com a equipe multiprofissional: O conhecimento do APACHE II facilita a comunicação com outros membros da equipe, como médicos e fisioterapeutas, permitindo uma abordagem mais integrada e eficaz.
- Avaliação da evolução do paciente: Ao calcular o APACHE II periodicamente, os enfermeiros podem acompanhar a evolução do paciente e identificar sinais de melhora ou deterioração.
Desafios e considerações
- Carga de trabalho: A coleta de dados para o cálculo do APACHE II pode aumentar a carga de trabalho dos enfermeiros, especialmente em unidades com alta demanda.
- Treinamento: É fundamental que os enfermeiros recebam treinamento adequado para a coleta correta dos dados e o cálculo do escore APACHE II.
- Atualização: O escore APACHE II pode ser complexo e sujeito a atualizações. É importante que os enfermeiros estejam sempre atualizados sobre as últimas versões e modificações.
Referências:
- COREN-SP
-
Freitas, Eliane Regina Ferreira Sernache de; Perfil e gravidade dos pacientes das unidades de terapia intensiva: aplicação prospectiva do escore APACHE II. Rev. Latino-Am. Enfermagem [Internet]. mai-jun 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/G4GDSjjJfFRfvHy76XGRtXw/?format=pdf&lang=pt

A discinesia tardia é um distúrbio do movimento que se manifesta por contrações musculares involuntárias e repetitivas. Ela é um efeito colateral comum do uso crônico de medicamentos antipsicóticos, que são utilizados para tratar condições como esquizofrenia e transtorno bipolar.
O que causa a discinesia tardia?
A causa exata da discinesia tardia ainda não é completamente compreendida, mas acredita-se que esteja relacionada a alterações nos níveis de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor importante para o movimento e o humor.
Os antipsicóticos atuam bloqueando os receptores de dopamina, o que pode levar a um desequilíbrio nesse neurotransmissor e, consequentemente, aos movimentos involuntários característicos da discinesia tardia.
Quais são os sintomas?
Os sintomas da discinesia tardia podem variar em gravidade e podem afetar diferentes partes do corpo. Os mais comuns incluem:
- Movimentos involuntários da face: como protrusão da língua, movimentos mastigatórios, piscar rápido e contorções faciais.
- Movimentos involuntários das extremidades: como tremores, torções e movimentos rápidos e repetitivos.
- Movimentos involuntários do tronco: como inclinações e contorções.
Quem está mais em risco?
O risco de desenvolver discinesia tardia aumenta com:
- Uso prolongado de antipsicóticos: quanto mais tempo uma pessoa usar esses medicamentos, maior o risco.
- Uso de altas doses de antipsicóticos: doses mais altas aumentam o risco.
- Idade avançada: idosos são mais suscetíveis.
- Sexo feminino: mulheres parecem ser mais propensas a desenvolver a doença.
- História familiar de discinesia tardia: a predisposição genética pode aumentar o risco.
Como a discinesia tardia é diagnosticada?
O diagnóstico da discinesia tardia é feito por um profissional de saúde, geralmente um neurologista ou psiquiatra, com base nos sintomas do paciente e em um exame físico. Não existem exames específicos para confirmar o diagnóstico, mas a avaliação clínica é fundamental.
Qual é o tratamento?
Não existe cura para a discinesia tardia, mas o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas. As opções de tratamento incluem:
- Redução da dose ou troca do medicamento antipsicótico: em alguns casos, reduzir a dose ou mudar para outro medicamento pode ajudar a aliviar os sintomas.
- Uso de outros medicamentos: existem medicamentos que podem ajudar a reduzir os movimentos involuntários, mas eles podem ter efeitos colaterais significativos.
- Terapia ocupacional: a terapia ocupacional pode ajudar o paciente a aprender a lidar com os sintomas e a realizar suas atividades diárias.
Prevenção
A melhor forma de prevenir a discinesia tardia é utilizar os antipsicóticos de forma cuidadosa e monitorar regularmente os pacientes que fazem uso desses medicamentos. É importante que os médicos pesem os benefícios e os riscos dos antipsicóticos antes de prescrevê-los e que os pacientes informem seus médicos sobre quaisquer sintomas novos ou agravantes.
Cuidados de Enfermagem
- Monitoramento dos sintomas: O enfermeiro deve realizar avaliações regulares para identificar e documentar a gravidade dos movimentos involuntários, observando a frequência, duração e intensidade. É importante utilizar escalas de avaliação específicas para a discinesia tardia, como a Escala de Avaliação de Movimentos Involuntários (AIMS).
- Educação do paciente e da família: É fundamental orientar o paciente e seus familiares sobre a discinesia tardia, suas causas, sintomas e tratamento. O enfermeiro deve esclarecer dúvidas, fornecer informações sobre a importância do acompanhamento médico e auxiliar na adesão ao tratamento.
- Monitoramento dos efeitos colaterais dos medicamentos: O enfermeiro deve estar atento aos efeitos colaterais dos medicamentos utilizados no tratamento da discinesia tardia, como sonolência, tontura e outros. É importante comunicar qualquer alteração ao médico responsável.
- Promoção da segurança: Pacientes com discinesia tardia podem apresentar dificuldades para realizar atividades diárias devido aos movimentos involuntários. O enfermeiro deve adaptar o ambiente e auxiliar o paciente a realizar suas atividades com segurança, evitando quedas e outros acidentes.
- Suporte emocional: A discinesia tardia pode causar impacto significativo na qualidade de vida do paciente e de sua família. O enfermeiro deve oferecer suporte emocional, ouvindo as queixas e preocupações do paciente e de seus familiares.
- Encaminhamento para outros profissionais: O enfermeiro deve identificar a necessidade de encaminhamento para outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, que podem auxiliar no tratamento da discinesia tardia.
- Registro e comunicação: É essencial que o enfermeiro registre todas as observações e intervenções realizadas, comunicando-as à equipe multidisciplinar para garantir a continuidade do cuidado.
Prevenção da discinesia tardia
A prevenção da discinesia tardia é um aspecto importante dos cuidados de enfermagem. O enfermeiro deve:
- Monitorar o uso de antipsicóticos: É fundamental monitorar o uso de antipsicóticos, observando a necessidade de ajuste da dose ou a troca do medicamento.
- Identificar fatores de risco: O enfermeiro deve identificar os fatores de risco para o desenvolvimento da discinesia tardia, como idade avançada, sexo feminino e uso prolongado de antipsicóticos.
- Promover a adesão ao tratamento: É importante que o enfermeiro incentive a adesão ao tratamento, esclarecendo as dúvidas do paciente e da família sobre a importância da medicação.
Referência:
- Andrade, L. A. F., Bertolucci, P. H. F., & Pereira, J. S.. (1984). Discinesia tardia: I. fisiopatologia e tratamento. Arquivos De Neuro-psiquiatria, 42(4), 362–370. https://doi.org/10.1590/S0004-282X1984000400008

A tricotomia, ou remoção de pelos em áreas específicas do corpo antes de um procedimento cirúrgico, é uma prática comum para reduzir o risco de infecção. Nos procedimentos cardíacos, a área a ser tricotomizada varia de acordo com o tipo de cirurgia e o acesso vascular necessário.
Conheça as áreas para a tricotomia para procedimentos cirúrgicos cardíacos
Cateterismo Cardíaco
- Acesso vascular: Geralmente, o acesso vascular para o cateterismo cardíaco é feito através da artéria femoral ou radial.
- Área de tricotomia: A região inguinal (para acesso femoral) ou o punho (para acesso radial) são as áreas primárias de tricotomia.
- Objetivo: A remoção dos pelos nessas áreas facilita a punção arterial e minimiza o risco de infecção no local de acesso.
Cirurgia Cardíaca
- Acesso cirúrgico: A cirurgia cardíaca pode envolver diferentes incisões, como esternotomia mediana, toracotomia lateral ou mini-esternotomia.
- Área de tricotomia: A área tricotomizada dependerá da incisão escolhida. Por exemplo:
- Esternotomia mediana: Toda a região torácica anterior, desde o pescoço até o abdome superior.
- Toracotomia lateral: A região lateral do tórax, incluindo a axila.
- Mini-esternotomia: Uma área menor na região esternal.
Pericardiocentese
- Acesso: A pericardiocentese é um procedimento que envolve a inserção de uma agulha no pericárdio para drenar o líquido acumulado.
- Área de tricotomia: A região torácica incluindo a paraesternal esquerda, próxima ao apêndice xifóide.
- Objetivo: A remoção dos pelos nessa área facilita a visualização do local da punção e reduz o risco de infecção.
Observações importantes:
- Extensão da tricotomia: A extensão da área tricotomizada deve ser determinada pelo cirurgião ou pelo médico responsável pelo procedimento.
- Método de tricotomia: A tricotomia pode ser realizada com tesoura, máquina de cortar cabelo ou creme depilatório. O método escolhido dependerá da preferência do profissional e das características dos pelos do paciente.
- Tempo da tricotomia: A tricotomia deve ser realizada logo antes do procedimento, para evitar a recontaminação da área.
- Cuidados pós-tricotomia: Após a tricotomia, a área deve ser limpa com solução antisséptica para reduzir o risco de infecção.
É fundamental ressaltar que a extensão da tricotomia pode variar de acordo com cada caso.
Referência:
-
Lima Gebrim, Cyanéa Ferreira; Melchior, Lorena Morena Rosa; Menezes Amaral, Neyuska; Soares Barreto, Regiane Aparecida Santos; Prado Palos, Marinésia Aparecida. Tricotomia pré-operatória: aspectos relacionados à segurança do paciente. Enfermería Global, v. 13, n. 34, p. 264-275, 2014.

A Escala ELPO (Escala de Avaliação de Risco para o Desenvolvimento de Lesões Decorrentes do Posicionamento Cirúrgico) é uma ferramenta essencial utilizada por profissionais de saúde para identificar o risco de um paciente desenvolver lesões causadas pelo posicionamento durante uma cirurgia.
Essa escala considera diversos fatores que podem influenciar a susceptibilidade do paciente a essas lesões.
Como funciona a escala ELPO?
A ELPO avalia sete itens principais, cada um com cinco subitens que representam diferentes níveis de risco. A pontuação total varia de 7 a 35 pontos, sendo que quanto maior o escore, maior o risco de o paciente desenvolver complicações.
| Item |
Subitens (1 a 5 pontos) |
| Tipo de Posição |
Posições neutra, semi-sentada, Trendelenburg, Fowler, prona, litotomia, outras |
| Tempo de Cirurgia |
Menor que 60 minutos, 60-120 minutos, 120-180 minutos, 180-240 minutos, maior que 240 minutos |
| Tipo de Anestesia |
Local, regional, geral |
| Superfície de Suporte |
Colchonete de espuma, colchonete de gel, mesa de operação, coxim especial, outros |
| Posição dos Membros |
Membros superiores e inferiores em posição neutra, membros superiores abduzidos, membros inferiores elevados, membros cruzados, outras |
| Comorbidades |
Ausência, leves, moderadas, graves |
| Idade do Paciente |
Menor que 60 anos, 60-70 anos, 70-80 anos, 80-90 anos, maior que 90 anos |
Interpretação dos Resultados
- Escore baixo: Indica menor risco de lesões.
- Escore alto: Sinaliza maior risco de complicações relacionadas ao posicionamento cirúrgico.
Importância da Escala ELPO
- Prevenção de lesões: Ao identificar os pacientes com maior risco, a equipe médica pode tomar medidas preventivas para minimizar as chances de lesões.
- Melhora da qualidade do cuidado: A utilização da ELPO contribui para um cuidado mais seguro e eficaz.
- Auxílio na tomada de decisão: A escala auxilia os profissionais de saúde na escolha das melhores práticas para cada paciente.
Observações
- A ELPO é uma ferramenta valiosa, mas não substitui a avaliação clínica individualizada do paciente.
- A interpretação dos resultados da escala deve ser realizada em conjunto com outros fatores clínicos.
- A ELPO pode ser adaptada para diferentes contextos e necessidades.
A escala ELPO é um instrumento simples e eficaz para avaliar o risco de lesões causadas pelo posicionamento cirúrgico. Ao utilizar essa ferramenta, os profissionais de saúde podem contribuir para a segurança e o bem-estar dos pacientes durante o procedimento cirúrgico.
Referências:
- COFEN
- Lopes, C. M. de M., Haas, V. J., Dantas, R. A. S., Oliveira, C. G. de ., & Galvão, C. M.. (2016). Assessment scale of risk for surgical positioning injuries. Revista Latino-americana De Enfermagem, 24, e2704. https://doi.org/10.1590/1518-8345.0644.2704

A solução polarizante é um tratamento de emergência utilizado para reduzir rapidamente os níveis elevados de potássio no sangue (hipercalemia). Ela é composta por uma mistura de insulina regular e glicose. A insulina estimula as células a absorver o potássio presente no sangue, enquanto a glicose fornece energia para esse processo.
Como a solução polarizante funciona?
- Ação da insulina: A insulina, ao se ligar aos receptores celulares, sinaliza para as células que há glicose disponível. Para utilizar essa glicose, as células também precisam de potássio. Assim, o potássio presente no sangue é transportado para dentro das células, diminuindo sua concentração no sangue.
- Papel da glicose: A glicose fornece a energia necessária para que as células realizem o trabalho de transportar o potássio para o seu interior.
Indicações da solução polarizante
A solução polarizante é indicada em casos de hipercalemia grave, especialmente quando há alterações eletrocardiográficas que indicam risco de arritmias cardíacas.
Como a solução polarizante é administrada?
A solução polarizante é administrada por via intravenosa, geralmente em um bolus rápido. A dosagem e a velocidade de infusão devem ser individualizadas e acompanhadas por um profissional de saúde.
Quais os cuidados necessários ao utilizar a solução polarizante?
- Monitoramento: É fundamental monitorar os níveis de potássio no sangue, a glicemia e o eletrocardiograma durante e após a administração da solução polarizante.
- Hipoglicemia: A insulina pode causar hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue). Por isso, é importante monitorar a glicemia e estar preparado para corrigir a hipoglicemia, se necessário.
- Outras medidas: A solução polarizante é apenas uma parte do tratamento da hipercalemia. Outras medidas podem ser necessárias, como a administração de diuréticos, a utilização de resinas de troca iônica e, em casos mais graves, a hemodiálise.
- Sinais vitais: Monitoramento frequente da pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura.
- Níveis de potássio: Realizar dosagens seriadas de potássio para avaliar a resposta ao tratamento.
Contraindicações e precauções
A solução polarizante é contraindicada em pacientes com alergia à insulina ou à glicose. Deve ser utilizada com precaução em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, doença renal crônica e em pacientes que fazem uso de beta-bloqueadores.
É importante ressaltar que a solução polarizante é um medicamento e deve ser utilizado somente sob orientação médica.
Referência:
- Gomes, Eduardo Borges; Pereira, Hugo Cataud Pacheco. Distúrbios do Potássio. Vittalle – Revista de Ciências da Saúde, v. 33, n. 1 (2021), p. 232-250.