
Vá direto ao ponto!
Uma fratura nem sempre provoca deformidade visível. Dor, inchaço e dificuldade para movimentar o membro podem ser os primeiros sinais, e a ausência de osso exposto não descarta uma lesão importante. Reconhecer os tipos de fratura ajuda a compreender a gravidade do trauma e a priorizar uma assistência segura.
Como as fraturas são classificadas?
A classificação considera se a pele foi rompida, o padrão da linha de fratura, o número de fragmentos e o alinhamento dos ossos.
- Fratura fechada: a pele permanece íntegra, mesmo que existam lesões internas de vasos, nervos ou tecidos.
- Fratura aberta ou exposta: existe uma ferida que comunica a região da fratura com o meio externo. O osso pode estar visível ou não, e o risco de contaminação torna essa lesão uma urgência.
- Fratura completa: a linha de fratura atravessa toda a espessura do osso. Na incompleta, parte do osso permanece contínua; o galho verde é um exemplo comum em crianças.
- Fratura cominutiva: o osso se quebra em vários fragmentos. Na impactada, os fragmentos ficam comprimidos ou encaixados entre si.
- Fratura transversa: o traço cruza o osso aproximadamente em ângulo reto com seu eixo. Na oblíqua, segue uma direção diagonal; na espiral, contorna o osso, geralmente associada a um mecanismo de torção.
Também existem fraturas por estresse, relacionadas à sobrecarga repetitiva, e fraturas patológicas, que ocorrem em ossos fragilizados por doenças. Um mesmo caso pode receber mais de uma classificação, conforme as características encontradas.
Sinais que merecem atenção
Dor localizada, edema, hematoma, deformidade e limitação funcional podem indicar uma fratura. Formigamento, perda de sensibilidade, palidez, extremidade fria ou ausência de pulso distal são sinais de alerta para possível comprometimento neurovascular. A avaliação clínica e os exames de imagem ajudam a confirmar o diagnóstico; conseguir movimentar o membro ou apoiá-lo parcialmente não exclui uma fratura.
Imagine uma pessoa que cai e apresenta dor intensa no antebraço, com inchaço progressivo, mas sem deformidade evidente. A equipe deve considerar a possibilidade de fratura, evitar movimentos desnecessários e avaliar a circulação, a sensibilidade e a função motora distal, sem tentar confirmar a lesão por meio de manobras dolorosas.
Primeiros socorros: o que fazer e o que evitar
Mantenha a pessoa em repouso e evite movimentar ou endireitar o membro. Não tente colocar o osso no lugar. Se houver ferida, cubra-a com um curativo estéril ou tecido limpo, sem pressionar diretamente o osso exposto; se houver sangramento importante, controle-o conforme o treinamento e acione o serviço de emergência. A suspeita de fratura grave, lesão aberta, trauma de pelve ou coxa, alteração de consciência ou sinais de choque exige atendimento urgente.
Cuidados de enfermagem
Avalie e registre a dor, o edema, a condição da pele, a perfusão, a sensibilidade e a função motora distal. Repita a avaliação após a imobilização e sempre que houver mudança clínica. Mantenha o membro estabilizado conforme o protocolo, administre analgesia prescrita e acompanhe a resposta. Alterações neurovasculares ou aumento importante da dor devem ser comunicados imediatamente, pois podem indicar complicações que exigem intervenção rápida.
Em uma situação de atendimento, se a pessoa relata formigamento novo nos dedos depois da colocação de uma tala, não basta registrar a queixa e aguardar. É necessário reavaliar imediatamente a perfusão e a sensibilidade, verificar se há compressão pelo dispositivo e comunicar a equipe responsável. A tala não deve ser ajustada de forma improvisada quando isso ultrapassar a competência profissional ou o protocolo vigente.
Fraturas Ósseas: Identifique o Tipo e Aja
- Fraturas podem ser abertas ou fechadas, completas ou incompletas
- O padrão pode ser transverso, oblíquo, espiral ou cominutivo
- Não tente alinhar o membro nem empurrar o osso exposto
- Avalie a função neurovascular e comunique alterações imediatamente
Referências:
- AMERICAN ACADEMY OF ORTHOPAEDIC SURGEONS (AAOS). Thighbone (Femur) fractures in children. OrthoInfo, [s.d.]. Disponível em: https://orthoinfo.aaos.org/en/diseases–conditions/thighbone-femur-fractures-in-children/.
- AMERICAN RED CROSS. Fractures: types, symptoms, and treatment. [s.d.]. Disponível em: https://www.redcross.org/take-a-class/resources/learn-first-aid/fractures.
- NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Fractures (complex): assessment and management. Guideline NG37. Londres: NICE, 2016, atualizado em 2022. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng37/chapter/recommendations.
Evolução de Enfermagem: Método DAR
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

Você precisa fazer login para comentar.