Medicamentos Expectorantes

A tosse com catarro, aquela tosse “produtiva” que insiste em nos acompanhar durante gripes, resfriados ou outras condições respiratórias, é um mecanismo de defesa do nosso corpo para eliminar o excesso de muco das vias aéreas.

No entanto, quando o muco está muito espesso ou em grande quantidade, ele pode ser difícil de ser expelido, causando desconforto e até dificuldade para respirar. É aí que entram os medicamentos expectorantes, nossos aliados para tornar essa eliminação mais fácil.

Para nós, profissionais de enfermagem e estudantes de enfermagem, entender como esses medicamentos agem e quais são suas diferenças é fundamental para orientar corretamente os pacientes. Vamos conhecer as classes de expectorantes e seus exemplos?

A Tosse Produtiva: Aliada ou Inimiga?

A tosse é um reflexo protetor. Quando ela vem acompanhada de catarro (muco, secreção), significa que o corpo está tentando expelir algo que está irritando as vias aéreas. O problema surge quando esse catarro é muito espesso e “grudento”, dificultando sua movimentação e eliminação. É nesse cenário que os expectorantes entram em ação, auxiliando o corpo a cumprir sua tarefa.

As Classes de Expectorantes: Dois Caminhos para o Mesmo Objetivo

Basicamente, podemos dividir os medicamentos expectorantes em duas grandes categorias, com mecanismos de ação um pouco diferentes, mas que visam o mesmo objetivo: facilitar a eliminação do muco.

Expectorantes Reflexos (ou Secretolíticos/Estimulantes da Secreção)

Esses medicamentos agem irritando levemente a mucosa gástrica (do estômago), o que estimula reflexamente as glândulas brônquicas a produzirem uma secreção mais fluida e em maior quantidade. Essa secreção mais líquida ajuda a diluir o muco espesso, tornando-o mais fácil de ser expectorado (jogado para fora pela tosse).

  • Como agem: Estimulam a produção de muco mais líquido, “lubrificando” as vias aéreas e facilitando a eliminação do catarro.
  • Exemplos Comuns:
    • Guaifenesina: É um dos expectorantes mais conhecidos e utilizados, presente em diversos xaropes e formulações para tosse. É considerado um expectorante de primeira linha por sua eficácia em fluidificar as secreções.
    • Iodeto de Potássio: Embora menos comum hoje em dia como expectorante puro, age de forma semelhante.
    • Balsâmicos (derivados de plantas): Alguns componentes de plantas, como o Bálsamo de Tolu, também podem ter uma ação expectorante reflexa.
  • Atenção de Enfermagem: Orientar o paciente sobre a importância da hidratação adequada, pois a ingestão de líquidos (especialmente água) potencializa a ação desses medicamentos, ajudando a fluidificar as secreções. Recomendar que evitem antitussígenos (medicamentos que inibem a tosse) se a tosse for produtiva, pois o objetivo é justamente expelir o catarro.

Mucolíticos: Quebrando as Ligações do Muco

Os mucolíticos são um pouco mais diretos em sua ação. Eles agem quebrando as ligações químicas (pontes dissulfeto) que tornam o muco espesso e viscoso. Ao quebrar essas ligações, eles diminuem a viscosidade do catarro, transformando-o em algo mais líquido e fácil de ser tossido.

  • Como agem: Quebram a estrutura do muco, tornando-o menos viscoso e mais fácil de ser eliminado.
  • Exemplos Comuns:
    • Acetilcisteína: Muito utilizada para fluidificar secreções respiratórias, inclusive em casos de bronquite crônica e fibrose cística. Também é um antídoto para intoxicação por paracetamol. Pode ser administrada via oral, inalatória ou, em casos específicos, endovenosa.
    • Carbocisteína: Semelhante à acetilcisteína, também atua quebrando a estrutura do muco.
    • Bromexina: Atua estimulando a produção de muco menos viscoso e aumentando o transporte mucociliar (o movimento dos cílios nas vias aéreas que ajuda a “empurrar” o muco para fora).
    • Ambroxol: É um metabólito ativo da bromexina, com ação semelhante, também estimulando a produção de surfactante pulmonar (uma substância que ajuda a manter os alvéolos abertos).
  • Atenção de Enfermagem: Da mesma forma que os expectorantes reflexos, a hidratação é fundamental para potencializar a ação dos mucolíticos. Orientar sobre o modo de uso (se for sachê para diluir, como preparar), possíveis efeitos gastrointestinais (náuseas, desconforto) e a importância de não usar antitussígenos junto, se o objetivo for a eliminação do catarro.

O Papel da Enfermagem: Orientação e Alívio do Conforto

Nós, profissionais de enfermagem, temos um papel crucial na orientação e no cuidado de pacientes que utilizam expectorantes. Nossas ações vão além da simples administração do medicamento:

  • Avaliação da Tosse: Avaliar o tipo de tosse (produtiva ou seca), a quantidade e característica do escarro (cor, consistência, odor). Isso ajuda a identificar a necessidade do expectorante e a monitorar a eficácia do tratamento.
  • Orientação sobre a Hidratação: Reforçar a importância de beber bastante água para fluidificar as secreções. Para pacientes com restrição hídrica, essa orientação deve ser dada com cautela e sob supervisão médica.
  • Ensino da Técnica de Tosse: Orientar o paciente sobre a forma mais eficaz de tossir para expelir as secreções, se necessário.
  • Monitoramento de Efeitos Adversos: Ficar atento a possíveis efeitos colaterais dos medicamentos, como náuseas, vômitos, desconforto gastrointestinal ou, no caso da acetilcisteína inalatória, broncoespasmo (contração dos brônquios).
  • Evitar Associações Inadequadas: Orientar o paciente a não usar expectorantes e antitussígenos (que inibem a tosse) ao mesmo tempo, a menos que haja uma indicação médica muito específica, pois isso pode levar ao acúmulo de secreção nos pulmões.
  • Promoção do Conforto: Realizar higiene oral após a expectoração, oferecer lenços de papel e descartar o escarro de forma adequada.
  • Educação sobre a Causa da Tosse: Sempre que possível, orientar o paciente sobre a provável causa da tosse (resfriado, gripe, bronquite) e quando procurar o médico novamente (febre persistente, falta de ar, catarro com sangue, piora do quadro).

Os expectorantes são aliados importantes no alívio da tosse produtiva, mas seu uso deve ser consciente e acompanhado da orientação de um profissional de saúde. Para nós, entender as nuances de cada classe e saber como orientar nossos pacientes faz toda a diferença para um cuidado eficaz e centrado nas suas necessidades.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia de Consulta Rápida: Medicamentos que Atuam no Trato Respiratório. Brasília, DF: ANVISA, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/guias-e-manuais/guia-medicamentos-trato-respiratorio.pdf.
  2. KATZUNG, B. G.; MASTERS, S. B.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021. (Consultar capítulo sobre fármacos que atuam no sistema respiratório).
  3. RANG, H. P.; DALE, M. M.; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Farmacologia. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020. (Consultar capítulo sobre sistema respiratório).
  4. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA (SBPT). Recomendações da SBPT para o Manejo da Tosse. Jornal Brasileiro de Pneumologia, São Paulo, v. 46, n. 4, ago. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jbp/a/t37RzV8Yw4M9n4K8H2hX3jS/?lang=pt.

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Christiane Ribeiro
SOBRE A AUTORA

Christiane Ribeiro

Técnica de Enfermagem Intensivista
16 anos de experiência em UTI

Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.

É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

EXPERIÊNCIA E ÁREAS DE CONHECIMENTO
UTI Adulto Enfermagem Intensiva Paciente Crítico Educação em Enfermagem Ilustração Digital
Conteúdo produzido com base em conhecimento, experiência profissional e educação em enfermagem.