
Vá direto ao ponto!
Na ventilação mecânica, a PEEP é um daqueles parâmetros que o estudante aprende a decorar antes de realmente entender o que está acontecendo. Na prática, pense nela como uma pressão que permanece no final da expiração para ajudar a manter os alvéolos abertos e reduzir o colapso das unidades pulmonares.
PEEP significa pressão no final da expiração
PEEP vem de Positive End-Expiratory Pressure, ou pressão positiva ao final da expiração.
Durante uma respiração normal, a pressão dentro dos alvéolos se aproxima da pressão atmosférica ao final da expiração. Na ventilação mecânica, a PEEP mantém uma pressão positiva nesse momento, aumentando o volume pulmonar ao final da expiração e reduzindo o fechamento das vias aéreas e alvéolos.
Um jeito simples de visualizar é imaginar um balão que você não deixa esvaziar completamente. A pressão restante facilita sua manutenção parcialmente aberta no próximo ciclo.
O que a PEEP faz na prática?
Um dos principais efeitos é melhorar a oxigenação, especialmente quando existe colapso alveolar ou alterações como edema pulmonar e síndrome do desconforto respiratório agudo. Com os alvéolos mais recrutados, há maior área pulmonar disponível para as trocas gasosas e pode ser possível utilizar uma FiO₂ menor para atingir uma oxigenação adequada.
É comum, por exemplo, acompanhar um paciente em ventilação mecânica com PEEP ajustada e perceber que a saturação melhora após mudanças no suporte ventilatório. Nesse momento, não basta olhar somente para a SpO₂: é necessário observar também FiO₂, pressão arterial, mecânica pulmonar e a resposta clínica como um todo.
PEEP alta não significa automaticamente melhor
Esse é um ponto que costuma confundir quem está começando na UTI. Mais PEEP não significa necessariamente mais benefício.
Quando excessiva, a pressão intratorácica pode reduzir o retorno venoso, favorecer hipotensão e aumentar a sobre-distensão de algumas regiões pulmonares. Em pacientes com comprometimento do ventrículo direito, níveis elevados também podem aumentar a resistência vascular pulmonar e prejudicar o débito cardíaco.
Por isso, quando um paciente apresenta queda da pressão arterial após uma alteração importante na PEEP, a enfermagem deve observar a relação temporal entre os eventos e comunicar a equipe. Não é para simplesmente concluir que “a PEEP causou a hipotensão”, mas a mudança merece ser considerada na avaliação clínica.
E quando a PEEP está baixa?
PEEP insuficiente pode permitir abertura e fechamento repetitivo dos alvéolos durante os ciclos respiratórios, favorecendo atelectrauma. Em outras palavras, o problema não está apenas em manter o pulmão aberto; também é importante evitar o ciclo repetitivo de colapso e reabertura.
Uma cena muito comum na UTI é observar um paciente sedado, em posição supina e ventilado mecanicamente, com áreas pulmonares propensas ao colabamento. A PEEP faz parte da estratégia ventilatória justamente para ajudar a manter essas unidades recrutadas, sempre dentro do contexto clínico e dos demais parâmetros definidos pela equipe.
PEEP e auto-PEEP não são a mesma coisa
Aqui existe uma diferença importante.
A PEEP aplicada é aquela programada no ventilador. Já a auto-PEEP, também chamada de PEEP intrínseca, ocorre quando o paciente não consegue eliminar completamente o ar antes do próximo ciclo respiratório, deixando uma pressão residual dentro do sistema respiratório. Isso pode acontecer, por exemplo, em situações de obstrução ao fluxo expiratório ou quando o tempo expiratório é insuficiente.
Na prática, a auto-PEEP pode aumentar o trabalho respiratório e reduzir o retorno venoso. Observar a curva de fluxo expiratório no ventilador pode ajudar a identificar que o fluxo não chegou a zero antes do próximo ciclo.
O que a enfermagem deve observar?
A enfermagem não precisa ajustar a PEEP por conta própria para entender sua importância. O essencial é reconhecer o parâmetro, acompanhar sua evolução e perceber como o paciente responde às mudanças realizadas pela equipe responsável pela ventilação.
Observe SpO₂, frequência respiratória, padrão ventilatório, pressão arterial, frequência cardíaca, nível de consciência, sincronia paciente-ventilador e alarmes. Também acompanhe os valores de FiO₂, PEEP e demais parâmetros registrados no ventilador, principalmente após mudanças clínicas ou ajustes ventilatórios.
Uma alteração importante de PEEP acompanhada de queda da pressão arterial, piora da oxigenação ou alteração da mecânica ventilatória deve chamar atenção. O número isolado nunca conta toda a história.
Para guardar de uma vez
- PEEP = pressão positiva no final da expiração.
- Objetivo principal: ajudar a manter alvéolos abertos e melhorar a oxigenação.
- PEEP muito baixa: pode favorecer colapso alveolar.
- PEEP excessiva: pode causar hiperinsuflação e comprometer a hemodinâmica.
- Auto-PEEP: pressão que permanece por dificuldade de esvaziamento pulmonar, não simplesmente o valor programado no ventilador.
Cuidados de enfermagem
Monitorar SpO₂ e sinais vitais, observar padrão respiratório e sincronia com o ventilador, acompanhar PEEP e FiO₂ registrados, conferir alarmes, observar alterações hemodinâmicas após mudanças ventilatórias, manter cabeceira e posicionamento conforme indicação clínica, realizar cuidados com via aérea e comunicar prontamente alterações respiratórias ou circulatórias.
Na UTI, entender PEEP é mais fácil quando você pensa no alvéolo: sem pressão suficiente, ele pode fechar; com pressão excessiva, o pulmão e a circulação também podem sofrer. O objetivo da ventilação é encontrar uma estratégia adequada para aquele paciente, e não simplesmente buscar o maior número possível.
PEEP O Que Significa na Prática da UTI
- PEEP é a pressão positiva mantida no final da expiração
- Ajuda a manter alvéolos abertos e pode melhorar a oxigenação
- PEEP excessiva pode causar hiperinsuflação hipotensão e alterações hemodinâmicas
- Auto-PEEP é diferente da PEEP programada e ocorre quando o ar não é totalmente eliminado
Referências:
- PATEL, Bhakti K.; RIVERA, M. Patricia. Overview of Mechanical Ventilation. Merck Manual Professional Edition, 2026. Disponível em: Merck Manual Professional Edition.
- MERCK MANUAL PROFESSIONAL EDITION. Acute Hypoxemic Respiratory Failure (AHRF), Including ARDS. 2026. Disponível em: Merck Manual – AHRF e ARDS.
- DAVIDSON, A. C. et al. BTS/ICS guideline for the ventilatory management of acute hypercapnic respiratory failure in adults. Thorax, v. 71, supl. 2, p. ii1-ii35, 2016. Disponível em: Thorax – BTS/ICS Guideline.
Cuidados de enfermagem com pacientes intubados
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.


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