
Vá direto ao ponto!
Na via intradérmica, poucos milímetros fazem diferença. Se a agulha ultrapassa a derme e chega ao tecido subcutâneo, a aplicação deixa de ser intradérmica e pode comprometer o objetivo do procedimento, especialmente em testes e imunobiológicos que dependem dessa via.
O que é a via intradérmica?
A via intradérmica (ID) consiste na introdução de uma pequena quantidade de solução dentro da derme, camada localizada entre a epiderme e o tecido subcutâneo. Como a derme comporta volumes reduzidos, essa via é utilizada para aplicações específicas, como algumas vacinas, testes diagnósticos e procedimentos definidos por protocolo.
O volume não deve ser tratado como um número único para todos os medicamentos. Ele depende da finalidade, do produto e da recomendação do fabricante ou protocolo institucional. Nas vacinas administradas por via intradérmica, por exemplo, o volume é definido especificamente para cada imunobiológico.
Onde aplicar?
Para aplicações intradérmicas em geral, a face anterior do antebraço é um local tradicionalmente utilizado, principalmente quando é necessária posterior observação ou leitura da reação. Outros locais podem ser empregados conforme o procedimento e o protocolo.
Na vacinação BCG, existe uma particularidade importante: o local de escolha é a região da inserção inferior do músculo deltoide, no braço direito, conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações. Portanto, não é correto ensinar que toda aplicação intradérmica deve ser feita no antebraço.
Materiais Necessários
- Bandeja para apoiar o material e o medicamento;
- Seringa de 1 ml ou insulina;
- Agulha para aspiração: 40 x 12;
- Agulha para administrar: 13 x 4,5;
- Algodão com álcool.
Técnica de aplicação
A técnica precisa ser superficial e controlada. Após conferir paciente, medicamento ou imunobiológico, dose, via, validade e demais requisitos de segurança, higienize as mãos e prepare o material conforme o protocolo do serviço.
Com a pele adequadamente posicionada, mantenha o bisel voltado para cima e introduza a agulha quase paralelamente à pele, formando aproximadamente 15°. Avance apenas até que o bisel desapareça e injete lentamente a solução.
A formação de uma pequena pápula no local é um importante sinal de que a aplicação ocorreu na derme. Após retirar a agulha, não massageie nem faça compressão no local quando se tratar da administração de vacina por essa via.
É justamente nessa hora que um detalhe observado durante a prática faz diferença: quando a agulha entra profundamente, a pápula característica pode não aparecer e a solução pode ser depositada no tecido subcutâneo. Por isso, não basta saber o ângulo de 15°; é preciso controlar a profundidade e observar a resposta da pele durante a aplicação.
BCG: o exemplo mais conhecido
A BCG é administrada por via intradérmica, mas sua dose não deve ser decorada sem considerar a apresentação utilizada. O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, edição revisada de 2024, apresenta 0,1 mL para a apresentação da FAP e 0,05 mL para crianças até 11 meses e 29 dias na apresentação do Serum Institute of India, passando para 0,1 mL a partir de 1 ano nessa apresentação.
Na BCG, a formação da pápula durante a aplicação ajuda a verificar a execução correta da técnica. A vacina também possui particularidades próprias quanto a indicação, conservação, registro e acompanhamento da cicatriz, que não devem ser generalizadas para todas as aplicações intradérmicas.
O que pode dar errado?
O erro mais comum que merece atenção é aplicar a solução em uma camada mais profunda do que a derme. Isso pode acontecer quando a agulha é inserida com ângulo inadequado, profundidade excessiva ou sem controle suficiente da introdução.
Outro cuidado é não transformar a formação da pápula em uma regra isolada para qualquer produto. A interpretação depende do procedimento realizado e do protocolo correspondente. Em vacinas intradérmicas, especialmente na BCG, a pápula é um parâmetro técnico esperado durante a aplicação.
Em uma situação de vacinação, por exemplo, se a equipe percebe que a técnica não produziu a resposta cutânea esperada, não é adequado simplesmente improvisar uma nova dose. A conduta diante de uma aplicação incorreta depende do imunobiológico, do fabricante e das normas vigentes; por isso, deve-se consultar imediatamente o protocolo específico.
Cuidados de enfermagem
Antes da aplicação, confira cuidadosamente paciente, produto, dose, via, local, validade, conservação e indicação, além das demais etapas de segurança estabelecidas pelo serviço.
Durante o procedimento, mantenha o bisel para cima, introduza a agulha de forma superficial e observe a formação da pápula quando ela for esperada para aquela aplicação. Após o procedimento, descarte imediatamente o perfurocortante em recipiente apropriado e registre a administração e eventuais intercorrências.
No caso de vacinação, observe também o paciente para eventos adversos imediatos e siga as orientações específicas do Programa Nacional de Imunizações. O Manual do Ministério da Saúde recomenda, quando aplicável, que o usuário permaneça sentado por 15 minutos após a vacinação para reduzir o risco de queda relacionada a reação psicogênica, especialmente entre adolescentes.
Para memorizar na prova
Via intradérmica = derme + pequeno volume + bisel para cima + aproximadamente 15° + inserção superficial + pápula quando esperada.
A BCG é intradérmica, mas seu local e volume seguem regras próprias. E atenção: não existe um único volume máximo que possa ser aplicado indistintamente em toda situação de via intradérmica; sempre prevalecem a indicação, o produto e o protocolo correspondente.
Via Intradérmica
- A via intradérmica deposita a solução na derme
- A técnica utiliza o bisel para cima e aproximadamente 15°
- A formação de pápula é esperada em aplicações nas quais o protocolo a prevê
- BCG é administrada por via intradérmica, com dose e local específicos
Referências:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Manual de normas e procedimentos para vacinação. 2. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Biblioteca do Ministério da Saúde.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Manual de normas e procedimentos para vacinação. 2. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: Ministério da Saúde.
- CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Parecer de Câmara Técnica nº 4/2023/CREE/Cofen. Brasília, DF: Cofen, 2023. Disponível em: Cofen.
- SANTANA, Júlio César Batista et al. Administração de medicamentos por via intradérmica. In: MOTA, Ana Paula de Freitas et al. Guia prático de técnicas de enfermagem. Brasília, DF: Conselho Federal de Enfermagem, 2022. Disponível em: Biblioteca do Cofen.
Saiba por que não se deve misturar certos medicamentos!
Faltou algum tema ou procedimento?
Conta pra gente qual assunto você quer ver esmiuçado e transformado em ilustração no próximo post!
Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva, contribuindo também para a produção de conteúdos educativos voltados à enfermagem.
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

Você precisa fazer login para comentar.