
Vá direto ao ponto!
Uma criança pode cair em poucos segundos, inclusive quando está acompanhada. Na rotina hospitalar, o risco muda conforme a idade, a mobilidade, o uso de medicamentos e o próprio ambiente. Por isso, a prevenção precisa ser contínua, com medidas adaptadas ao desenvolvimento infantil e às condições clínicas de cada paciente.
Segurança que acompanha cada movimento
Crianças pequenas podem tentar sair do berço sem que o acompanhante perceba, enquanto as maiores podem levantar sozinhas para alcançar um brinquedo ou ir ao banheiro. Imagine uma criança internada que, após melhorar da febre, fica mais ativa e tenta descer da cama para pegar um objeto no chão. A mudança de comportamento pode passar despercebida se o risco de queda não for reavaliado durante o plantão.
O ambiente também merece atenção. Grades devem permanecer elevadas conforme a indicação e o protocolo institucional, travas de camas e berços precisam ser conferidas, e objetos de uso frequente devem ficar ao alcance do adulto responsável. Durante o banho, a troca de fraldas e a transferência para a poltrona, a criança nunca deve ser deixada sozinha em superfícies elevadas. Essas medidas estão alinhadas às orientações de segurança do paciente pediátrico da Agência Nacional de Segurança do Paciente (NHS England) e às recomendações de prevenção de quedas em serviços de saúde.
Outro cenário comum ocorre quando um responsável se afasta por alguns instantes para buscar roupas ou atender ao telefone, deixando a criança sobre o leito. Nessa situação, a equipe deve orientar que o bebê seja colocado em um local seguro antes do afastamento, mesmo que pareça estar dormindo. A orientação precisa ser acolhedora e objetiva, sem culpabilizar a família, que deve ser incluída como parceira na prevenção.
Cuidados de enfermagem
Na admissão e ao longo da internação, avalie o risco de queda conforme a idade, o desenvolvimento, o estado de consciência, a marcha, os medicamentos e o histórico de quedas. Mantenha o leito ou berço em posição baixa quando aplicável, acione as travas, organize fios e equipamentos para evitar tropeços e auxilie a criança nas mobilizações. Oriente os responsáveis sobre supervisão contínua e registre a avaliação, as orientações fornecidas e as medidas preventivas adotadas, conforme o protocolo da instituição.
A prevenção eficaz não depende apenas de grades ou avisos na parede: ela exige que a equipe antecipe o próximo movimento da criança e adapte o cuidado a cada etapa do desenvolvimento.
Quedas Pediátricas: Como Prevenir no Hospital
- Reavalie o risco de queda durante a internação
- Mantenha berços e camas seguros e travados
- Oriente os responsáveis sobre supervisão contínua
- Registre a avaliação e as medidas preventivas adotadas
Referências:
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Assistência Segura: uma reflexão teórica aplicada à prática. Brasília, DF: Anvisa, 2017. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/caderno-1-assistencia-segura-uma-reflexao-teorica-aplicada-a-pratica.pdf.
- NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE (NICE). Falls in older people: assessing risk and prevention. London: NICE, 2013. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/cg161.
- BRASIL. Ministério da Saúde; AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA); FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (Fiocruz). Protocolo prevenção de quedas. Brasília, DF, 2013. Disponível em: https://bibliotecadigital.anvisa.gov.br/jspui/handle/anvisa/1777.
- CLINICAL EXCELLENCE COMMISSION. Paediatric Fall and Entrapment Prevention and Management Guideline. Sydney: NSW Health, 2020. Disponível em: https://www.cec.health.nsw.gov.au/__data/assets/pdf_file/0008/598067/Paediatric-Fall-and-Entrapment-Prevention-and-Management-Guideline.pdf.
- ROYAL CHILDREN’S HOSPITAL MELBOURNE. Falls prevention. Melbourne: RCH. Disponível em: https://www.rch.org.au/rchcpg/hospital_clinical_guideline_index/falls_prevention/.
Coletor de Urina Pediátrico: Faça Certo
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Christiane Ribeiro
Profissional de enfermagem com experiência na assistência ao paciente crítico adulto em ambiente de terapia intensiva. Une a vivência clínica à inovação digital e criativa, atuando na produção de conteúdos educacionais, ilustração digital e no desenvolvimento web de ferramentas e recursos interativos (PHP, CSS e JavaScript).
É responsável pelo projeto Enfermagem Ilustrada, plataforma de educação em enfermagem criada para facilitar o acesso a conteúdos, conceitos, procedimentos, cálculos e informações úteis para estudantes e profissionais da área.

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